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Nah
Author of 40 Stories
Rated: M - Portuguese - Romance/Drama - Draco M. & Ginny W. - Reviews: 92 - Updated: 06-04-06 - Published: 01-29-06 - Complete - id:2776906

Capítulo 06: Redenção

Música: Bleeding heart, Angra

Dezembro não era um dos meus meses preferidos, mas não foi sempre assim. Mamãe costumava me agasalhar e fazer com que eu parecesse ter uns 10 quilos a mais, só assim eu poderia sair na neve e me divertir um pouco. Além de associar esse mês ao natal, conseqüentemente vinha em mente a palavra "presentes". Muitos e muitos presentes!

Com um tempo isso perdeu importância, eu mesmo poderia comprar presentes para mim, não precisava de uma determinada data para isso. E a neve não me atraia mais. Não era divertido fazer guerra com bolas de neve, muito menos anjinhos e sentir a roupa fria depois. Foi tudo perdendo a graça. E, sem nenhum motivo, eu passei a detestar o natal. Não tinha haver com neve, bolas ou anjinhos. Mas sim com aquele clima, o tal do espírito natalino. Eu nem ao menos entendia o que era isso e não compreendia por que de uma hora para outra as pessoas achavam de fazer boas ações, perdoar, ou coisas do tipo.

Claro que isso não era um motivo convincente para se odiar o natal. Mas eu acharia um motivo para querer apagar aquela data da minha mente.

Now I know that the end comes
(Agora eu sei que o final chega)

You knew since the beginning
(Você sabia desde o começo)

Didn't want to believe it's true

(Não queria acreditar que era verdade)
You are alone again, my soul will be with you

(Você está sozinha outra vez, Mas minha alma está com você)


Uma odiada véspera de natal e estava cansando de todos aqueles boatos. Tinha que descobrir de uma vez por todas o que estava acontecendo. Há três dias que Ginny não aparecia pelo castelo. Estava internada na ala hospitalar e os boatos sobre isso estavam me deixando completamente louco. Quantas vezes eu pensei emir a enfermaria e ver como ela estava? Várias. Mas meu orgulho sempre falava mais alto.

Eu havia magoado. Havia terminado. Havia me afastado. Por que então tentar ir vê-la sabendo que aquilo só faria com que nós voltássemos e nos destruíssemos mais ainda? Estava me sufocando por dentro, controlando cada vontade de ir buscá-la e fazê-la minha mais uma vez. Sentia-me um estúpido pensando assim. E era isso que eu era, um estúpido dependente de uma ruiva, um estúpido apaixonado que não queria admitir.

Desejei que o castelo estivesse menos cheio, como era costume naquela época do ano. Só que com todos os ataques que vinham acorrendo, ninguém se sentia seguro para deixar o local. Quem sabe assim aquelas histórias absurdas sobre Ginny paravam. Lembro-me de cada uma delas. Eu já tinha escutado sobre o fato de ela estar seriamente doente, sobre pesadelos que ela vinha tendo e até mesmo sobre eu ter lançado alguma maldiçãonela ela. Essa última era uma tremenda mentira, ao contrário da parte dos pesadelos, fato que só cheguei a descobrir mais tarde.

E lá estava eu mais uma vez em Hogsmeade, o que me fazia detestar mais ainda cada segundo daquele natal. Compraríamos doces, beberíamos algo quente para aquecer, voltaríamos para o castelo e teríamos a ceia, para depois irmos dormir e abrir os presentes no dia seguinte. Deveria ser assim como sempre.

Why is the clock even running?
(Por que o relógio ainda está correndo?)

If my world isn't turning
(Se meu mundo não está girando)

Hear your voice in the doorway wind
(Escuto sua voz pelo vento em direção da porta)

You are alone again I'm only waiting

(Você está sozinha de novo, Eu estou esperando)

Enquanto apertava o sobretudo em volta do meu corpo, tentando afastar o frio, eu avistei os cabelos ruivos. Isso significava que ela já estava melhor para terem-na deixado sair do castelo. Eu poderia chegar junto, perguntar o que ela havia tido, mas eu não faria isso e ela sabia. O que fez com que ela desse o primeiro passo para recomeçarmos a nossa destruição.

- Eu queria tanto te ver de novo – ela disse, meio baixo, as bochechas coradas de frio e apertando as próprias mãos suavemente. Eu não sabia o que dizer. Ela não iria esquecer o que eu havia dito. Ginny não iria chegar assim, antes iria querer um pedido de desculpas por tê-la magoado. – Sei que não estamos mais juntos... mas eu precisava te ver de novo, uma última vez – ela me parecia tão distante e com um toque de melancolia. Como se tudo ao redor dela estivesse preste a quebrar.

- Então, você já acabou de me ver, certo? – soltei áspero, escondendo toda a felicidade que senti naquele momento. Ela precisava me ver! A frase fervilhava em minha mente.

- Não seja tão duro, Draco. Eu preciso tanto quanto você – é, talvez eu não soubesse esconder tão bem assim, não para ela. – Você não sabe o quanto senti sua falta e o quanto eu ainda vou sentir – ela segurou uma das minhas mãos, acariciando com o polegar. Não tive forças para soltar, algo dizia para nunca soltá-la. – Vamos para outro local, está bem? – então ela saiu comigo de mãos dadas em direção à casa dos gritos.

Eu me perguntava o quanto havia me envolvido e como deixei chegar a esse ponto. Já não era o mesmo! Quando ela tinha começado a entrar tão fundo em minha pele parecendo que agora fazia parte de mim? Quando eu comecei a ter toda aquela obsessão? E por que agora era como se ela esperasse por aquilo? Como se já soubesse tudo o que iria acontecer desde o princípio. Parei de andar e soltei a mão dela. Ginny se virou e me encarou confusa.

- O que foi? - perguntou e eu a cortei com o olhar.

- Por que você fez tudo isso? Por que me faz sentir assim? – as palavras simplesmente saiam. Sem fazer sentido. Afinal, estava tudo acabado, não era? Eu podia não saber o que aconteceria, mas era como se sentisse. Ela estava querendo se despedir. – Por que você fez com que eu me apaixonasse por você? – escapou! E de maneira magoada, eu definitivamente não era mais o mesmo desde que ela pisou em minha vida.

- Oh, Draco, não diga isso! – seus olhos marejaram, mas não houve lágrimas. Ela chegou mais perto de mim, levando suas mãos em meu rosto. – Você não podia se apaixonar... eu não queria fazer isso... nós não podíamos...

Alguém poderia fazer o favor de me explicar o que se passava na cabeça dela? Não conseguia reagir. As mãos delas em meu rosto eram tão reconfortantes. Como eu senti falta daquela aproximação.

- E qual o problema nisso tudo? Por que você está assim? É por conta da droga dos nossos sobrenomes? Você sabe que isso nunca nos impediria de verdade – eu tirei suas mãos do meu rosto e me aproximei mais. Minha voz saiu tão cortante. Eu queria ferir, mas aquelas não eram as palavras certas para ferir.

- Não questione. Não tente entender, pelo menos não agora. Só fique um pouco comigo e tudo dará certo - Ginny sussurrou próxima ao meu ouvido, para logo depois voltar a segurar a minha mão e me arrastar dali.

You tear into pieces my heart

(Você rasgou em pedaços meu coração)
Before you leave with no repentance

(Antes de você ir embora sem arrependimentos)
I cried to you, my tears turning into blood

(Eu chorei por você, minhas lágrimas viraram sangue)
I'm ready to surrender

(Eu estou pronto para me render)

Eu tentei não ir. Quis bater o pé no chão e me fixar ali para que ela não pudesse me levar, como se fosse uma criança absurdamente mimada que não queria ir a lugar nenhum até conseguir o seu doce. Mas eu não podia me comportar assim, por mais que isso me parecesse conveniente e o mais certo a se fazer.

Ela chegou onde queria. Um beco, um mero beco. Nada de surpresas ou lugar especial. Era apenas um local onde não apareceria ninguém. Onde poderíamos nos despedir e se eu soubesse antes eu nunca teria ido, nunca a teria deixado ir embora, porque talvez assim ela sempre estaria comigo.

Ginny deu um pequeno sorriso, antes de se aproximar e encostar seu corpo ao meu. Automaticamente envolvi sua cintura e esperei ela dizer algo. Seus dedos procuraram meu pescoço e ela começou a acariciar de leve, abriu a boca para falar algo, mas se conteve. De qualquer forma eu não queria ouvir, não podia. E depois de ficarmos em total silêncio, apenas apreciando as sensações, ela resolveu falar.

- Eu venho tendo pesadelos... que na verdade parecem ser mais que pesadelos – eu a encarei curioso. Eu sempre tinha pesadelos e não via muito problema nisso, mas também não era um perfeito exemplo de normalidade. Ela deu um suspiro hesitante antes de continuar. – E nesses pesadelos eu via coisas horríveis e que nunca quis presenciar. Se você tivesse idéia de como eles parecem reais... e talvez até sejam, eu não sei ao certo, mas quero me ver livre deles.

- Existe uma poção que...

- Eu sei, já tentei diversas vezes, mas não funciona nesse caso. Fiquei na enfermaria esses dias por conta disso. Estava com intoxicação, tomei doses excessivas esperando que surtisse algum efeito, mas o que consegui foi piorar mais ainda as coisas.

Não compreendia. O que afinal aquilo tinha haver com nós dois? Meio egoísta da minha parte pensar assim, mas Ginny nunca fez questão de me contar os seus problemas. Ela pareceu adivinhar o que se passava em minha mente e disse:

- Eu só estou contanto isso para você poder tentar entender os meus motivos, não que isso justifique ao todo, mas eu realmente preciso disso.

- Sobre o que você está falando, Ginny? – perguntei, cansado. Por que ela não podia ser mais direta? – Se você quer me deixar é só dizer de uma vez – Eu me senti um verdadeiro idiota carente dizendo aquilo.

Ela gracejou sorrindo e aquilo me ofendeu.

- Não faça esse bico, Draco. Você sabe o quanto eu acho isso fofo? – não estava fazendo bico ou talvez estivesse e não percebi. Droga, Ginny! Por que tudo tinha que ser diferente com você? – Eu vou estar sempre com você – sussurrou, ficando na ponta dos pés e com os lábios próximos aos meus, me aproximei e acariciei seus lábios com os meus, passando depois para seu rosto, o queixo, sentindo o cheiro, guardando na memória cada pedacinho do seu rosto.

You say that I take it too hard

(Você diz que eu levo isso muito a sério)
And all I ask is comprehension

(E tudo que eu peço é compreensão)
Bring back to you a piece of my broken heart
(Trazendo de volta pra você uma parte do meu coração despedaçado)

I'm ready to surrender

(Eu estou pronto para me render)

- Quero você fisicamente comigo... – e apertei com mais força meus braços ao redor dela, sentindo-a estremecer.

- Um dia, quem sabe, nós voltemos a nos ver – a voz dela saiu falha, não poderia ouvir se não estivesse tão perto.

- Eu quero você nesse momento comigo, Ginny. Não depois ou um dia. Apenas agora e para sempre.

Sem se conter mais, ela deixou as lágrimas caírem, enquanto eu ainda tentava entender o que havia dito. Para sempre é muito tempo! E eu só estava me deixando guiar pelo que sentia, uma das raras vezes que fiz isso. Um breve relapso.

- Escuta, Ginny, não importa o que vai acontecer daqui a diante, não importa o que sentimos. A única coisa que importa é saber que nos sentimos bem assim, que precisamos disso. Se nos destruímos foi para poder nos reconstruir de novo, para podermos dar certo e ficarmos juntos.

- Draco... não torne tudo mais difícil...

- Apenas prometa que não vai me deixar... – pedi, sentindo as lágrimas dela em meu pescoço. – Apenas prometa isso! Vamos, Ginny, nós precisamos disso.

- Não é tão fácil...

- Não disse que seria fácil, mais no final valerá a pena. Eu tenho certeza disso, nunca tive tanta certeza de algo – eu estava conseguindo convencê-la, conseguindo fazê-la mudar de idéia. Tirando-a do pedestal que ela mesma havia construído com tanto cuidado.

E quando senti os lábios dela nos meus, me procurando urgentemente e me abraçando com força, eu pensei mesmo que tudo ficaria bem, que ela iria desistir de seja lá o que estivesse pensando em fazer. Por um momento eu me senti capaz de fazer algo por alguém, de ser útil. Agora era a minha vez de ser o cara que tirava a neve da porta. Notei o gosto salgado das lágrimas em seus lábios, afastando o característico gosto doce que Ginny possuía e me fazendo perceber pela primeira vez que, na verdade, o que sentíamos era algo amargo e imperfeito. Não era certo, o que tornava tudo mais tentador e apaixonante. Porque éramos diferentes de todos, éramos os que tinham um relacionamento cheio de defeitos, mas nem por isso fraco. Estávamos interligados com tanta intensidade que faria qualquer um sentir inveja do que tínhamos, mesmo que fosse doloroso.

Remember the moments
(Eu me lembro dos momentos)

Life was short for the romance
(A vida foi curta pro romance)

Like a rose it will fade away
(Como uma rosa isso irá desaparecer)

I'm leaving everything

(Eu estou deixando tudo)

Com o murmurar dela de desculpas e mais algumas lágrimas, finalmente vi que aquele era um adeus e que eu falhei, como tantas as outras vezes, em conseguir aquilo que queria. Não fui capaz de fazer Ginny desistir do que faria e aquela foi a vez em que mais me senti inútil, afinal minha vida também iria embora naquele dia.

- Você não pode fazer isso – tentei mais uma vez, meus braços possessivamente ao redor da cintura dela, minha cabeça zunia em alerta e alguma espécie de confusão havia começado em Hogsmeade. Meu antebraço ardeu, estava sendo chamando, mas nem por mil crucios em minha pele eu atenderia aquele chamado. Havia algo mais importante naquele momento. – Precisamos sair daqui...

- Por enquanto aqui é seguro.

- Não, não é! Eles vão vasculhar cada lugar.

- Acredite, Draco, por enquanto aqui é seguro – ela repetiu, seus dedos brincando suavemente em meu pescoço, seus olhos cravados no meu. Então decidi esquecer tudo a nossa volta e me concentrar apenas nela.

Estava tão frio e começava a nevar. Percebendo que tudo chegava ao fim, eu a abracei com força, mas ainda sem acreditar que aquela seria a última vez. Juntei nossos lábios sem urgência, preguiçosamente, querendo que durasse o máximo possível. No entanto, Ginny não se contentaria com algo assim e quando vi, ela já tinha aprofundado o beijo, me fazendo ir com desespero. A marca negra parou de queimar ou então eu já não estivesse sentindo mais. A confusão aumentava e nós estávamos ali, alheios, apenas sentindo mais uma vez o gosto um do outro, provando as sensações. Nada mais importava. Não para mim.

Até que ela se afastou com um doce sorriso nos lábios. Diferente de todos os outros. Estava diante da verdadeira Ginny, a que sorria sinceramente a cada gesto de carinho, a que não tinha sarcasmo na voz e nem sorrisos provocativos e de desdém. Ela era dolorosamente certa para mim. Intensamente inebriante e estava partindo, me deixando...

Sem dizer mais nada, ela se afastou um pouco e voltamos a andar em direção a confusão, as mãos dela na minha, com seu costumeiro jeito de acariciar com o polegar. Percebi que ela tremia um pouco, enquanto parecíamos andar a procura da morte. O que eu estava fazendo? Tínhamos era que nos afastar dali e não ficar andando como se nada de grave estivesse ocorrendo. Então percebi que o ataque estava sendo contido. Aurores estavam ali protegendo os alunos.

Ginny soltou da minha mão e eu senti urgência em voltar a segurá-la. Ela correu para a Dedosdemel, tentei correr atrás, mas algo me impediu. Meu braço queimou e dessa vez na era a marca.

- Oh, seu estúpido! Não vê que é o Draco? – reconheci a voz esganiçada por de baixo do capuz. Pansy andouem minha direção preocupada e segurou em minha mão.

- Por que ele não está atacando também? – Nott perguntou furioso, sabendo o quanto estava encrencado por ter me machucado – Foi mal, Malfoy! Agora por que você não coloca seu capuz e vai se divertir um pouquinho?

- Não seja burro. Temos é que sair daqui, olha os aurores ai – Pansy me puxou e eu hesitei. – Vamos logo, Draco. Precisamos sair daqui – Acho que ela havia se esquecido que eu não estava com o capuz, então não poderia ser considerado como atacante também, os aurores não fariam nada comigo. Mesmo assim eu fui com ela e Nott, olhei para a Dedosdemel, ela estava segura ali. Havia vários aurores e os alunos corriam para lá com o auxílio deles.

E aquela foi a última vez que vi Ginny.

No regrets, war is over

(Sem arrependimentos, a guerra está acabada)
The return of a soldier
(O retorno de um soldado)

Put my hands on my bleeding heart
(Colocando minhas mãos em meu coração sangrando)

I'm leaving all behind
(Eu estou deixando tudo pra trás)

No longer waiting

(Sem mais esperas)


Meus joelhos cederam diante da notícia. Não demonstrei nada, estava apático como se nada tivesse me abalado, mas as batidas aceleradas do meu coração diziam o contrário. Quando me dei conta Weasley já estava próximo de mim, sendo contido por Potter e mais dois grifinorios.

- Ela estava com você! Era sua obrigação protegê-la – ele berrava, mas sua voz vinha tão distante. Eu estava quebrando, partindo aos poucos, os berros dele não me atingiam. – Não podia ter deixado eles fazerem aquilo, não podia.

- Ron, acalme-se! – Granger se aproximou do namorado, os olhos vermelhos.

Minha Ginny estava morta.

Quando soube que a Dedosdemel pegou fogo eu tentei voltar lá e quando cheguei já era tarde. A casa estava em cinzas. O fogo mágico tinha se alastrado com uma rapidez impressionante. Os aurores haviam controlado o ataque, mas um dos comensais conseguiu lançar um feitiço e incendiar a loja por onde os alunos estavam escapando para Hogwarts. Havia uma passagem ali no porão e era por isso que todos corriam para lá, a forma mais segura de fugir dos ataques e voltar a salvo para o castelo.

Ginny ficou ajudando, tentando acalmar os alunos mais novos. Quase todos já estavam em segurança quando o incêndio começou. Fogo permanente, o desgraçado havia lançado fogo permanente, iria queimar até toda a loja estar destruída, não havia feitiços que pudessem impedir. O máximo que poderiam fazer era uma corrente de isolamento para que o fogo não passasse da loja. E todos sobreviveram. Menos Ginny.

Estranhamente ela não conseguira escapar. Eu achava que ela estava em segurança, que tudo ficaria bem, que a estranha sensação de despedida era algo da minha mente perturbada. Mas juntando tudo eu cheguei à conclusão que era aquilo que ela pretendia. Não fazia muito sentido, não tinha como Ginny saber do ataque ou que a loja pegaria fogo. Era mais um truque da minha mente na tentativa de justificar os fatos. De tentar fugir da culpa que me assolava. Porque fui eu que a deixei partir e eu tinha obrigação de protegê-la.

- Esse maldito comensal! Foi ele que começou o fogo. Ele sabia que Ginny estava lá – os gritos ecoavam em minha mente.

Weasley era arrastado para longe de mim com a ajuda de alguns professores. E quando ele já estava longe, Lovegood se aproximou cautelosamente, segurando uma caixinha nas mãos. Ela não me encarou, chorava silenciosamente e falou com a voz tremida:

- Ela pediu para te entregar isso – depositou a caixa em minhas mãos. Olhei confuso. – Acho que era o presente de natal dela – Lovegood tentou limpar os olhos com a manga da camisa. – E... Malfoy, ela gostava muito de você – depois de dizer isso se afastou, me deixando sozinho e olhando para a caixa.

You tear into pieces my heart

(Você rasgou em pedaços meu coração)
Before you leave with no repentance

(Antes de você ir embora sem arrependimentos)
I cried to you, my tears turning into blood

(Eu chorei por você, minhas lágrimas viraram sangue)
I'm ready to surrender

(Eu estou pronto para me render)

E lá estava a caixinha de madeira fosca, cuidadosamente trabalhada com um cor-de-rosa predominante. Encostei-me na parede e deixe meu corpo deslizar até o chão. Meio hesitante, abri a caixa e dentro havia uma espécie de colar e uma carta. Mais uma vez fui pego pela sensação de que ela já sabia de tudo. Peguei a carta e abri, minha vista embaçou e fiz força pra não ser mais fraco do que já estava sendo.

"Hey, Draco!

Você não está bravo comigo, está? Eu espero sinceramente que não. Talvez os meus constantes ataques de personalidade e meus malditos sorrisos o tenham deixado meio chateado, mas não acho que isso seja o suficiente para afetar o que sentimos, não é mesmo? E não faça essa cara de negação. Não podemos negar para nós mesmo o quanto somos loucos e viciados um no outro, e se isso não é paixão, Draco, o que mais pode ser? Desejo? Você sabe que vai muito além disso...

Mesmo que eu não tenha dito em palavras o que sentia e que tenha feito você detestar e amar ao mesmo tempo cada sensação, eu espero que não me culpe por tudo e compreenda os meus atos. Hogsmeade vai ser atacada, talvez você já saiba disso, afinal você é um deles. Mas estará tudo sobre o controle e espero que ninguém se machuque. Digamos que é uma armadilha para pegar alguns comensais, principalmente os que ainda estudam em Hogwarts. Por isso eu vou fazer o possível para te tirar da linha de ataque e tenho certeza que você não me deixará. Não quero que você seja pego. Bem, interprete isso como uma segunda chance.

Vou aproveitar toda a confusão para abandonar minha vida. Sei que estou sendo egoísta, mas eu não agüento mais, vou morrendo aos poucos com cada lembrança e pesadelo, ficando sem vida. Eu achei que tivesse passado, que não seria mais atormentada, mas estava enganada. Tom nunca esquece suas vítimas e ele sempre voltaria até conseguir tirar o último resquício de alma que me pertence. Você pode entender isso, Draco?

Por você eu pensei em desistir, mas então eu não seria a pessoa certa para estar ao seu lado, já que seria tão ou mais sombria que você. E escuridão, Draco, é algo que você não precisa. Apenas saiba que não existia mais vida para mim e que agora eu tenho uma segunda chance, assim como você. E quem sabe um dia nós ainda ficaremos juntos... Como? Não me pergunte isso. É algo que não posso responder. Nesse momento, você só precisa guardar esse colar com você, de preferência sempre junto. E talvez daqui a algum tempo todas as suas respostas sejam respondidas...

Com amor,

Ginny!"

Então era assim que terminava? Com uma carta que não me esclarecia nada e que só me enchia de esperança de que ela poderia estar viva? Não, ela não estava viva! Ela havia morrido na droga daquele incêndio, tentando bancar a heroína. Enquanto o meu mundo desabava. Sim, Ginny, você foi egoísta e não peça para entender isso. Porque você sabia desde o começo tudo o que aconteceria. E eu não fui capaz de fazer você querer desistir.

E sem que eu percebesse, algo quente escorria pelo meu rosto e minha cabeça começava a latejar! Não era justo. Não era certo perder assim algo que era tão importante e simplesmente tentar entender. E a minha vida como ficava agora? Quais os meus motivos, afinal de contas? Ginny não havia morrido acidentalmente e pela carta parecia ter provocado tudo aquilo. E se ela achava que eu acreditava naquele papo de outra vida ela estava muito enganada. Espiritualidade nunca foi comigo. Eu sentia raiva dela naquele momento, para logo depois ser assolado por uma angustia.

Eu só queria tê-la ao meu lado.

A dor no peito ia além de qualquer coisa que eu pudesse imaginar. O vazio começava a ser devastador e assim como Ginny, minha vida parecia ir embora. Eu só queria ter a chance de que pelo menos uma vez em minha vida as coisas dessem certo para mim. E acho que nunca desejei tão forte uma coisa. Nunca tive tanta vontade de ver um daqueles malditos sorrisos ou aqueles cabelos ruivos. Eu tinha perdido meu chão. E nada mais fazia sentido.

Natal nunca me traria boas lembranças. E em uma última tentativa de ter uma boa recordação eu tirei o colar de dentro da caixa, era simples, apenas uma pedra azul-acinzentada como pingente. Meus olhos! Ginny passava horas com seus olhos grudados nos meus, como se não quisesse esquecer. Coloquei o colar no pescoço e escondi por dentro da camisa. Senti-o quente ao tocar em minha pele, quente como as mãos dela.

Por um instante achei que tudo ficaria bem, até voltar a sentir os olhos arderem. Agora a única coisa que restavam eram as lembranças e isso não era reconfortante. Ainda posso sentir o cheiro dela quando fecho os olhos ou o toque dos seus dedos em meu rosto.

E chegava ao fim. Com o colar no pescoço era como se Ginny ainda estivesse por perto, mas não passava de uma ilusão. Ginny não existia mais.

You say that I take it too hard

(Você diz que eu levo isso muito a sério)
And all I ask is comprehension

(E tudo que eu peço é compreensão)
Bring back to you a piece of my broken heart
(Trazendo de volta pra você uma parte do meu coração despedaçado)

I'm ready to surrender

(Eu estou pronto para me render)

I've waited for so long!

(Eu esperei tanto!)


N.A: Antes que vocês me matem e me apedrejem, eu aviso que essa fic tem continuação. É, isso mesmo, a surpresa que eu falei está ai! Eu não consigo ser má com vocês. Alem do que há muito o que explicar ainda, não é mesmo? A péssima noticia é que eu não sei quando essa continuação sai – ok, agora podem jogar as pedras. – E antes que vocês perguntem por que a Ginny fez isso ou se ela já sabia ou não sabia o que ia acontecer, vai estar tudo na continuação, ok!

Ah, o lance do colarsinho quente eu tirei de Mande Fudge ou Send Fudge, uma fic traduzida pela Walfreeda Myrddin, muito fofa e que eu recomendo.

Agora, eu queria agradecer a cada uma que deixou reviews lindas!

Vivian Black (fofa! A primeira review é MUITO importante), Tsuki Koorime (moça, senti falta de você nos últimos capítulos. E acho até que a gente tem um gosto musical ligeiramente parecido!), sshelena, Srtas. Weasel, Bel Dumbledore (afffe que a gente nunca mais se falou, não esqueço o quanto você foi legal me dando animo pra continuar escrevendo), Miaka (linda! Sempre deixando a sua marquinha), Nessa, Fioccos, ChunLi Weasley Malfoy (eu já imagino você com uma tremenda raiva de mim por conta desse final, to até com medo!), Rafinha M. Potter(eu nem vou dizer nada pra você, acho que já disse tudo nas enormes resposta. Obrigada, viu! Eu falo sério quando digo que quase choro), licca-weasley-malfoy( baixei a música, ADOREI! Mais capítulos não tem, mas pelo menos tem outra fic a caminho!), Papillon (menina pentelha! Só aparece no cursinho pra perguntar quando tem atualização. Te amo borboletinha!), Gynny Malfoy (Miga fofa! Agora sim que você acha que a Ginny destrambelhou de vez), Gina Malfoy, .Srtá. Felton °leg, Lanlan Malfoy, Belatrix Amarante (Eu adoro Los Hermanos! Obrigada por dedicar as músicas pra mim. Eu te dedico as mesmas músicas, já que você gosta tanto), Lika Slytherin, Marcela Wood, TheBlueMemory, nicolle weasley malfoy (eu tenho que te recompensar de alguma forma), A.C. Lennox, Franinha Malfoy (não é um epílogo, mas foi melhor assim, não foi?), brockthueLa, Izabelle Malfoy, LolitaMalfoy, Mia Malfoy (mais NC não teve, né. Mas quem sabe na continuação), Srta Malfoy, Izabelle Malfoy.

Continua em "Delicate".

Espero ver vocês lá!

Bjus,

Nah.

Fic escrita em: 21/09/05

Terminada: 24/01/06

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