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ArtisLasair
Author of 41 Stories

Rated: M - Portuguese - Humor/Romance - Sakura H. & Sai - Reviews: 71 - Updated: 04-27-08 - Published: 02-01-06 - id:2780397

Tradução da fanfic “THE SCHEME”, escrita por KIMBOP

Disclaimer: Naruto & Cia não me pertencem – assim como esta fanfic. E daí? Não sou egoísta e por isso não me incomodo de traduzi-la e dividi-la com vocês.

V. SEGREDOS DE BAR

O antigo relógio de pendulo fez-se ouvir por nove vezes, quebrando o silêncio que dominava a sala escura onde uma jovem de cabelos róseos despertava lentamente após ouvir os recorrentes ecos das nove badaladas do relógio.

Esfregando os lábios numa tentativa inútil de amenizar gosto de ‘jornal’ típico de quando se acorda, Sakura piscou os olhos ainda embaçados por algumas vezes antes de recuperar-se do seu estado de letargia para só então se dar conta que havia dormido em sua mesa – mais precisamente por cima de uma serie de importantes pergaminhos que continham genjutsus secretos que estavam sendo estudados na noite anterior.

“-Ótimo, agora eu realmente estou agindo como a Tsunade-sama. Começo a pensar as pessoas não estavam brincando quando me disseram que eu estava me transformando em um mini clone da Hokage”.

Preguiçosamente, a kunoichi ergueu o rosto apenas para descobrir que ela havia babado sobre uma área considerável do delicado papel de arroz do pergaminho, transformando as preciosas escritas em borrões de tinta indecifráveis.

“-Droga, droga, droga! Pque p!” Sakura e sua inner xingavam a plenos pulmões e em coro. Desesperada com sua falha, a jovem se atirou aos documentos com a intenção de secar os papéis ainda úmidos. Após secá-los, Sakura meticulosamente passou a tentar salvar as escritas deixadas de herança por importantes heróis do passado, reescrevendo as palavras borradas e ao menos tentar minimizar o tamanho do estrago feito pelo seu descuido.

Entretanto, de tão histérica que se encontrava, Sakura não percebeu quando uma figura furtiva deslizou para dentro de sua sala por uma janela aberta – não que ela fosse uma ninja inapta para perceber inimigos, mas naquele momento suas habilidades de reconhecimento haviam perdido prioridade para a recuperação dos pergaminhos de genjutsu e assim salvar seu pescoço.

“-Você está fazendo um péssimo trabalho, Haruno”, uma voz masculina carregada de ironia ressoou bem atrás dela.

Sakura sequer se deu ao trabalho de interromper sua tarefa para olhar para o intruso audacioso, pois de toda Konoha, só havia uma pessoa que insistia em aparecer de formas não convencionais a ela e que a cumprimentava de forma tão ‘delicada’.

Eles não tinham o hábito de falar sobre amenidades ou de trocar cumprimentos protocolares, mas com o tempo ela aprendera que essa postura dele não tinha nada a ver com desrespeito, mas que apenas era um reflexo de personalidade reservada e enigmática do rapaz.

Focando-se em seu pincel, Sakura franziu o cenho e umedeceu os lábios nervosamente, tendo sua preciosa concentração quebrada novamente pelo barulho de alguém se acomodando em uma cadeira próxima.

“-Você devia desistir,” o visitante misterioso comentou, aparentemente se divertindo com toda a situação.

Com um profundo suspiro, a kunoichi arremessou o pincel sobre a mesa, frustrada, levantando-se apenas para encarar o homem que estaria completamente oculto pela escuridão da sala se não fosse por seus brilhantes olhos perolados.

“-Eu não pedi sua opinião, Hyuuga.”, Sakura sentou-se novamente para verificar o resultado do seu trabalho, “Será que você não poderia agir como uma pessoa normal e usar a porta pelo menos uma vez?”

Silêncio.

Claro, típico dele “, ela pensou, irritada.

“-Então, posso saber o que te trouxe aqui? Pensei que seu esquadrão Anbu estivesse em missão”, ela comentou, focando-se em corrigir os pedaços do pergaminho que ainda estavam ilegíveis.

“-Nós acabamos de voltar de nossa missão.”

Sakura estendeu o braço para alcançar o regulador de intensidade de sua luminária, girando o botão até que toda a sala estivesse iluminada para só então dirigir seu olhar ao rapaz.

Neji ainda vestia seu uniforme Anbu e segurava sua mascara de pássaro entre as mãos.

Respirando fundo, ela concluiu que era hora de deixar de ser teimosa e reconhecer que o arrogante rapaz à sua frente estava certo: o papel estava irremediavelmente danificado e as escritas borradas continuavam indecifráveis.

O que mais ela podia fazer?

Recostando-se na cadeira, Sakura sorriu maldosamente para Neji, dizendo: “-Certo, desisto. Se alguém me perguntar, vou dizer que a responsável pelo estrago foi a shishou.”

Neji sorriu porque sabia que ninguém duvidaria disso. Afinal, a Quinta Hokage era famosa por conta de pequenas irresponsabilidades desse tipo, de forma que as pessoas já esperavam que ela pudesse vir a arruinar documentos tão preciosos levianamente.

Além do mais, quem imaginaria que uma pupila exemplar e responsável como Sakura poderia cometer uma falta dessas e ainda por cima jogar a culpa em quem as pessoas realmente esperavam que se cometesse a falta?

Sakura se levantou e decidiu verificar se o Anbu havia retornado ileso de sua missão, dando início a um exame físico de certa de 30 minutos em seu próprio escritório. Neji se manteve mudo durante todo o exame, se limitando apenas a observar Sakura apertar, cutucar e esticar diferentes partes de seu corpo – uma liberdade concedida por ambas as partes devido ao relacionamento peculiar que eles compartilhavam e também porque ele reconhecia que ela era a melhor médica-nin em Konoha logo após sua mestra.

“-Nada. Aparentemente, você está bem”, Sakura concluiu, terminando de preencher o relatório do exame médico e colocando-o sobre a mesa em seguida.

“-Você esperava algo diferente?”, Neji perguntou, seco.

“-Oras, cale-se. Você deveria me agradecer por atendê-lo aqui e assim livrar-lo de ter que ir ao pronto socorro como o resto do seu esquadrão, onde certamente você seria tratado como alguma cobaia de laboratório.”

”-Como se alguma vez você me deixasse esquecer isso”, Neji rebateu o argumento enquanto abria o zíper de seu uniforme ANBU e o guardava juntamente com a máscara em uma mochila de couro que Sakura havia guardado em um dos armários.

“-E quebrar a tradição? Você deveria parar de reclamar, Hyuuga. Se você soubesse metade das histórias que já me contaram a este respeito... Acredito que você deveria demonstrar um pouco mais de gratidão.” Sakura provocou o anbu enquanto organizava os documentos espalhados sobre a mesa.

Paciente, Neji encostou-se na parede próxima à porta, aguardando a médica-nin terminar de organizar sua mesa e a acompanhou para fora da sala.

Alguns minutos depois, a dupla entrou em um discreto bar que ficava distante dos badalados points da moda. Como de costume, eles sentaram-se em uma mesa próxima ao balcão, sendo atendidos poucos minutos depois pelo dono do estabelecimento – que por acaso era também o único funcionário daquele lugar.

“-Que bom revê-los, Haruno-san, Hyuuga-san. Vocês desejam o de sempre?”

“-Hoje você nós queremos um duplo caprichado!” Sakura respondeu animada.

Até cinco anos atrás, Sakura nunca poderia imaginar que, de todas as pessoas de Konoha, que um dia Hyuuga Neji pudesse sentar-se com ela em uma mesa de bar, que o rapaz se tornasse um amigo tão próximo e menos ainda que ele poderia vir a se tornar seu confidente.

De qualquer forma, com Naruto e Sasuke distantes tantos anos, Sakura acabou por desenvolver novas amizades e criando fortes vínculos com todos os seus antigos amigos dos tempos de genin – inclusive com o time de Maito Gai.

Ela e Ino conseguiram recuperar e fortalecer aquela antiga amizade dos tempos infância, assim como Sakura acabara se tornando um modelo de confiança que devia ser seguido para a tímida Hinata. Além disso, Sakura descobriu uma nova amizade com Tenten, com quem compartilhava a paixão pelas armas.

Shikamaru havia ganhado uma grande rival de shougi assim como Chouji havia ganhado uma dedicada aprendiz para as artes culinárias. Com Shino, Sakura aprendera a apreciar o campo e amar a natureza, e por fim, passou a treinar com o entusiasmado Rock Lee suas habilidades de combate corpo a corpo adquiridas com sua shishou.

Bem, e por mais surpreendente que possa parecer, em Neji, a jovem Haruno encontrou o perfeito parceiro para as noitadas regadas de Sakê.

A paixão pelo sakê de Sakura fora a fagulha inicial do inesperado, e de certa forma secreto, relacionamento da kunoichi com o anbu de olhos perolado. Ainda jovem Sakura se vira curiosa sobre o gosto que a bebida teria por ver o quanto sua shishou a apreciava, acabando por seguir os passos da Hokage e aprendendo degustar a bebida saborosa e a lidar com os entorpecentes efeitos da mesma.

Entretanto, encontrar alguém que compartilhasse da mesma paixão não fora algo fácil: suas amigas não gostavam do sabor da bebida, Kiba preferia cerveja, Chouji acreditava que beber era um desperdício e dizia que ele preferia encher seu estômago com comida ao invés de bebida, Shikamaru achava que beber era problemático demais e Lee se tornava um psicopata destruidor com um único gole.

Shino raramente bebia com eles porque seus insetos odiavam os efeitos desidratantes que a bebida proporcionava à sua pele, só o fazendo após missões extremamente estressantes, de forma que Sakura acabava sempre na companhia de reservado Neji que até então parecia ser a única pessoa de Konoha livre de qualquer tipo de vícios.

Aliás, vale a pena comentar que desde o exame chuunin, Neji havia sido uma surpresa boa de várias formas, soltando-se aos poucos e deixando para trás o passado de mágoas de uma existência limitada pelo controle da família principal. Aparentemente, o sakê lhe dava algum tipo de alívio e tranqüilidade e antes que ambos perceberem, acabaram criando o de beberem juntos no bar em estavam. Isso havia começado a cerca de um ano atrás e acabou se tornando um hábito para a dupla se encontrar para apreciar um pouco de sakê após alguma missão bem sucedida.

E dessa forma, assim que atencioso proprietário trouxe o pedido, Sakura não se fez de rogada e serviu-se de uma das varias garrafas colocadas sobre a mesa.

“-AAAhhhh! Como isso é bom!” Sakura suspirou após sorver uma boa quantidade da bebida, fazendo Neji sorrir maldosamente, automaticamente deixando-a na defensiva:

“-Pode parar de me olhar dessa forma, porque eu sei que você gosta de beber sakê tanto quanto eu. E do mais, eu tive um dia muito difícil hoje”.

“-Hmpf”.

“-Só porque vocês fazem parte da anbu, não quer dizer que vocês são melhores que os demais; quer dizer, vocês ganham toda a ação enquanto tudo que eu recebo são idiotas arrogantes como você cobertos de sangue e retalhados como uma peneira que devem ser colocados em forma novamente só para que eu tenha que curá-los de novo no dia seguinte”, a médica-nin resmungou, com um tom amargo na voz.

“-E mesmo sabendo que nós vamos nos ferir novamente, você continua nos curando”, ele pontuou calmamente.

“-Uma mão lava a outra, não é assim o ditado?”, ela deu de ombros, voltando a se servir de uma nova dose de sakê.”Além do mais, um bom soldado é aquele que cumpre suas ordens, independente de sua opinião sobre elas”.

Neji apenas assentiu com a cabeça concordando. Ambos eram shinobis e ainda que tivessem obrigações diferentes entre si, ambos eram obrigados a obedecer a ordens que muitas vezes iam contra suas próprias consciências e de suas crenças morais e éticas, pois este era um fardo que haviam aceitado quando receberam sua bandana de Konoha.

“-Então a missão de assassinato foi um sucesso?” Sakura perguntou, tentando ser casual.

O sakê podia ter sido o pivô da amizade entre eles, mas outros fatores haviam fortalecido as bases dessa relação, como por exemplo, o fato dele ter sido o 1º e até então o único anbu de seu círculo de amizades.

Sendo a aprendiz da Hokage, Sakura tinha acesso a inúmeras informações confidenciais, aprendendo assim a ser discreta e confiável, o que ajudou a estreitar os laços de confiança e amizade entre os dois.

Neji não podia simplesmente procurar outro colega anbu ou algum dos poucos de seu clã que lhe inspiravam confiança e desabafar toda a ansiedade e frustração acumulada sobre seus ombros por conta das perigosas e moralmente duvidosas missões da anbu – e foi assim que aos poucos, Neji encontrou em Sakura um porto seguro em que poderia se apoiar quando precisasse desabafar sem risco de expor-se desnecessariamente e evitar arranhar assim a sua imagem reservada e impassível.

“-Sim”, a voz quase inaudível soou.

“-E as crianças?”, Sakura perguntou no mesmo tom, sabendo que a missão do amigo havia sido o assassinato da família de um Lorde inimigo do contratante da missão.

“-Elas sequer estavam conscientes quando morreram. Morreram dormindo, de uma forma rápida e indolor”, ele resmungou, sorvendo uma quantidade maior de sakê.

“-Fico feliz em ouvir isso…”, a jovem respondeu, envolvendo a mão dele que havia depositado o copo de sakê na mesa com a sua, “-ainda que você insista em manter essa pose insensível, é inegável que você é uma pessoa de bom coração”.

Quando os olhos perolados focaram-se sobre a mesa, ficou claro para Sakura que as ações da noite anterior pesavam na consciência do colega, fazendo-a sentir a necessidade de mudar de assunto para preservar o que restara da sanidade da mente do amigo. Não importava quanto cada um deles havia sonhado em fazer parte da elite Anbu de Konoha, era humanamente impossível não se arrepender em algum ponto depois de ter atingido seu objetivo.

Kakashi era apenas um dos vários shinobis de elite que podia ser citado como ex-anbus que haviam decidido que não queriam viver sua vida dessa forma para sempre.

Dedos delicados brincavam com as bordas da garrafa de porcelana até que Sakura dirigiu seu olhar para sua companhia silenciosa.

“-Eu te vi outro dia, sabe”, a jovem disse, maliciosa.

“-Eu não estou interessado na sua vida amorosa, Haruno”, o rapaz respondeu, antevendo o rumo da conversa.

“-Bem, talvez você devesse, porque na ausência de uma vida amorosa própria, você ao menos devia se se divertir um pouco através das minhas desventuras sentimentais”, Sakura brincou.

O rosto de Neji não exibia nada de sua habitual indiferença, traço típico dos membros do clã hyuuga.

“-Certo, mas não é sobre isso que eu quero falar com você agora”.Sakura continuou, ignorando o jeito Hyuuga do colega que normalmente a irritava.

“-E sobre o que você quer falar”

“-Oras, não se faça de desentendido. Você já sabe do meu plano, certo?”

“-Você quer dizer que precisa de mim novamente?”

“-Claro, quem melhor que você para fazer isso por mim?”, Sakura elogiou, satisfeita com o resultado do último favor que o amigo lhe fizera: por semanas, Neji havia usado suas habilidades únicas de espionagem anbu para conseguir toda informação disponível sobre Sai para ela – isso, claro, após muitas horas de lábia e garrafas de sakê em outra noite como esta.

“-E o que você quer saber agora?”.

“-Eu quero a sua opinião”.

Sakura sabia que se alguém seria capaz de enxergar qualquer falha em seu intricado plano, esta pessoa seria Hyuuga Neji – motivo pelo qual ela havia decidido incluí-lo em seu esquema, fora o fato de que ter alguém com uma linhagem avançada como a dele somado aos skills desenvolvidos na anbu o tornava o espião perfeito para seu plano.

Claro que não fora fácil convencê-lo, mas nada que com muita paciência e jeito não pudesse ser arranjado pela maquiavélica Haruno.

“-Eu ainda não consigo prever se seu plano vai dar certo ou não, embora até agora você tenha sido bem sucedida em todas suas armações. O que eu posso lhe adiantar é não se fala de outra coisa além do seu suposto caso com Sai pela cidade”.

“-Até mesmo na Anbu?”, Sakura gargalhou alto, perguntando pelos detalhes.

“-Sakura, nós somos A Anbu. Você não deveria esperar que uma elite como nós perca tempo com coisas frívolas como fofocas”, Neji respondeu, aparentemente ofendido com a insinuação da colega.

“-Ora, Neji, a quem você está tentando enganar? Você sabe tão bem quanto eu que independente da patente, no fundo todos os ninjas se interessam por saber quem está dormindo com que por aí tanto quanto qualquer dona de casa entediada e fofoqueira”.

Sorrindo malicioso, o anbu esvaziou a segunda garrafa de sakê da noite antes de responder:

“-Sim”.

“-Sim, o que, Neji?”

“-Sim, seu suposto caso com o Sai também tem sido o assunto do momento até mesmo entre os altos escalões da ANBU”.

“-E que eles dizem?” Sakura questionou, ansiosa por saber o que exatamente as pessoas diziam sobre ela.

Por dez longos segundos de silêncio e olhares ameaçadores que indicavam que a médica-nin estava perdendo a paciência, Neji decidiu dar um fim à tortura e soltar a esperada informação:

“-Eles acharam o fato inesperado, mas muito interessante. Alguns acharam divertido o fato do Uchiha ter sido trocado por alguém que o havia substituído no time. Contente agora?”

Com seu mundo começando a girar, Sakura sacudiu a cabeça afirmativamente e de forma exagerada, voltando a provocar o colega;

“-Pare de ser um desmancha prazeres, Hyuuga”

“-Haruno, eu realmente espero que as coisas acabem como você tem planejado”.

“-E posso saber porque as coisas acabariam diferentes?”, ela resmungou após dar um generoso gole de sakê diretamente da garrafa ao invés de servir a bebida em seu copo.

Dando um bom gole de seu copo, Neji sorriu, provocando sua maquiavélica amiga de bar:

“-Um sujeito insensível como o Sai, um maníaco obsessivo como o Uchiha e uma mulher demoníaca como você interligados em algo como esse seu plano maquiavélico é algo no mínimo apocalíptico, Haruno”.

Se Sakura estivesse sóbria, sua primeira reação seria refletir sobre o comentário inusitado do colega para descobrir se a intenção dele era ofende-la ou o elogia-la, mas como o álcool presente em seu corpo já era o suficiente para deixá-la ‘levemente’ inebriada, sua reação instintiva foi a de reagir com violência à ironia e tentar dar ao Hyuuga uma surra do qual ele jamais se esqueceria.

Entretanto, antes que seus punhos alcançassem o rapaz, um pedaço de papel fora intencionalmente jogado contra sua face, atingindo-a em cheio na testa.

O impacto do papel parecia ter feito a fúria da jovem desaparecer e dar lugar à curiosidade, de forma que ela piscou algumas vezes em confusão e no momento tentava entender exatamente como aquela folha havia criado vida própria para acerta-la no meio da cara.

“-Posso saber porque você fez isso?” Ela perguntou, agitando o papel em uma das mãos.

“-Isso foi apenas para evitar que você desse um escândalo e destruísse o prédio no processo”, Neji a repreendeu com uma voz levemente arrastada, deixando claro que ele também já havia bebido além da conta, ainda que conseguisse manter sua compostura melhor que garota ali presente.

Com a visão embaçada, Sakura estreitou o olhar sobre o papel tentando ler o que quer que estivesse registrado em uma caligrafia limpa e perfeita.

Papel Chasako.

“-E que raios este tal papel chasako tem a ver comigo?”

“-Haruno, preste atenção: os ataques do Sai dependem basicamente dos desenhos que ele faz nos seus pergaminhos. O Chasako é um tipo especial de papel que é encontrado somente no País da Água onde é confeccionado a partir de plantas que só existem por lá e que são cultivadas apenas para este fim. Entretanto, o que torna este tipo de papel ainda mais raro é fato que apenas uma pessoa sabe como fabricá-lo, mas em compensação, qualquer imagem feita nele se torna ainda mais real e mortal que qualquer outra feita em outro tipo de papel. Sai sabe disso e até onde eu pude me informar, já faz algum tempo que ele tem procurado obter essa raridade”.

“-Verdade?”, perdendo o que lhe restava de autocontrole, Sakura acabou elevando sua voz mais que o normal, tornando ainda mais notório seu estado de embriagez.

“-Cale a boca, Haruno. Os berros da Yamanaka no dia do seu show já haviam me custado um dos meus tímpanos”.

Brigando com o álcool no seu cérebro, Sakura calou-se por alguns segundos tentando reorganizar suas idéias ao assimilar as últimas informações recebidas.

“-Bem, acho que podemos fazer algo a este respeito”, ela murmurou, dirigindo o olhar esmeralda e penetrante ao amigo que por alguns instantes jurava ter visto aquele mesmo olhar maldoso nos olhos dourados de Orochimaru.

Algo lhe dizia que ele não ia gostar do que ia ouvir, mas isso não o impediu de vocalizar sua dúvida:

“-E o que seria?”, perguntou, arqueando uma das sobrancelhas.

Sorrindo de forma prepotente, Sakura limpou o sakê que havia escorrido pelo canto de sua boca, falando com pouco caso:

“-Duh! Oras, vou dar um jeito de fazer com que a Shishou envie seu time em alguma missão no País da Água para que você possa exercitar a bondade do seu coração sendo generoso e me comprando uma boa quantidade desse papel tão especial.”

Por mais que a médica nin quisesse fazer parecer que ela só se importava com seus objetivos egoístas, a verdade escrita nas entrelinhas era que ela não havia esquecido que qualquer que fosse a missão do time Anbu, havia uma grande chance dela envolver novos assassinatos e por isso ela queria faze-lo esquecer desse fato se preocupando com coisas mais triviais como encontrar o papel chasako.

Sem retrucar, Neji decidiu acabaria enlouquecendo se fosse tentar entender tudo o que se passava na mente psicótica de sua colega, concluindo que seria mais cauteloso deixá-la maquinar o quer que fosse em silêncio, passando a servir-se da 5a garrafa de sakê da noite.

“-Oi, Hyuuga?”, Sakura o chamou com olhos pidões.

“-O que foi agora?”.

“-Você faria isso por mim?,” ela reforçou o pedido, ainda mais chantagista.

“-E porque eu deveria?”, os orbes perolados fitavam Sakura com curiosidade, imaginando qual seria a barganha proposta.

“-Bem, eu já me certifiquei de convencer Lee que ele precisa se esforçar ainda mais se quiser ser amigo do Sai, então ele deve continuar a persegui-lo com muito mais empolgação nas próximas semanas. Você consegue imaginar quão calmas serão as próximas semanas para você? Sem ter que ouvir nenhum discurso sobre eternas rivalidades, desafios, batalhas realizadas x ganhas... Você consegue imaginar tais dias maravilhosos repletos de silêncio e calmaria, Hyuuga?” . Com a voz melosa e embargada, Sakura lançou a isca enquanto oferecia a sexta garrafa da noite ao rapaz que até então havia se mantido em silêncio.

“-Eu já entendi, Haruno”, Neji esteitou o olhar, aparentemente ofendido enquanto se levantava e depositava sobre a mesa algumas notas para pagar a conta.

Ele sabia que no estado em que se encontrava, a brilhante médica-nin não conseguiria chegar sozinha em sua residência e após suspirar com alguma irritação, permitiu que a jovem de cabelos róseos se apoiasse em seu corpo para se por de pé e sair do bar.

Entretanto, apesar de menos intoxicado, Neji também tinha passos incertos e acabava formando com Sakura engraçado par de bêbados que caminhavam fortemente abraçados um ao outro. Em sua leve consciência, o rapaz agradecia a Kami-sama pelas ruas vazias na alta madrugada, o que o poupava de envergonhar seu clã e a si próprio com tão reprovador comportamento.

Ao chegar ao seu destino, Neji sacudiu sua caronista para fazê-la recobrar um pouco de consciência, ajudando-a buscar apoio na parede enquanto ela procurava encaixar a chave no buraco da fechadura que parecia caçoar da frustrada kunoichi que não conseguia acertar a fechadura.

Quando finalmente Sakura conseguiu abrir a porta, Neji despediu-se da kunoichi cambaleante com um raro bom humor.

“Haruno, a única coisa que posso afirmar com certeza é que nada me faz mais feliz de saber que sou seu amigo e não seu inimigo”

Sakura resmungou algo incompreensível para Neji e após um rápido aceno entrou em sua casa e seguiu cambaleante pelos corredores se apoiando nas paredes até finalmente alcançar sua cama e desmaiar de exaustão.

Oi, Minna-san

Eu gostaria de agradecer meus leitores e me desculpar pela demora da tradução, mas preciso dar uma triste noticia a todos vocês: devido à falta de educação de pessoas fanáticas por Sasu x Saku, a Kimbop não só acabou desistindo de escrever esta fanfic como a deletou do , ou seja, a única versão ainda disponível na net é esta tradução que eu estou fazendo.

Um dos motivos pelos quais eu havia parado a tradução por um tempo foi que desde esse incidente eu tenho tentado entrar em contato com ela, que havia me prometido enviar os capítulos finais (eu tenho até o cap 14 e foi postado ate o capitulo 15 no original ), mas infelizmente a Kimbop não entrou em contato comigo depois disso e por isso a fanfic esta oficialmente sem um final definido, embora eu já saiba o plot do que iria acontecer no ultimo capitulo.

Entretanto, outros fatos influenciaram o atraso na tradução, tal como alguns problemas que tive no serviço e principalmente a falta de educação de algumas pessoas que insistem em deixar a educação em casa ficam mandando emails e comentários mal educados.

Psicologia reversa não funciona comigo, então, gostaria de deixar claro que toda vez que eu recebo um comentário mal educado (sem criticas construtivas ) mais a atualização vai atrasar... Por isso vou deixar os bons leitores darem um jeito nos maus leitores para que a atualização não seja atrasada por problemas técnicos de ausência de boa educação.

Kissus

Artis


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