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Anime/Manga » Saint Seiya » Vingança e Desejo
Juliane.chan1
Author of 132 Stories
Rated: M - Portuguese - Adventure/Romance - Reviews: 81 - Updated: 02-04-07 - Published: 02-21-06 - id:2811518

Vingança e Desejo

Capítulo 12:

Betado por Akane Kittsune.

Acampamento rebelde... Noite.

Milo estava deitado em um monte de feno, olhando as estrelas, a sua mente ia longe naquele momento, imaginando onde ela estaria agora, se estava esperando por ele, se havia se casado novamente.

- Dione... –suspirou.

- Assim que tudo isso terminar, enviarei emissários a todos os cantos a procura da sua amada.

Milo levantou-se sobressaltado olhando para Kamus, encostado em uma árvore, olhando para o mesmo céu.

- Pensei que estivesse dormindo, amigo.

- E alguém dorme com aquela montanha chamada Aldebaran roncando?

- Ei, uma piada! Meu nobre amigo Kamus contou uma piada? –zombando.

- Falei sério quando disse que o ajudaria a reencontrar Dione.

Milo sorriu aquele sorriso de quem era descrente sobre esperanças.

- Sei o quanto uma mulher, uma família, pode ser importante na vida de um homem, Milo. Morreria se algo acontecesse a minha esposa e ao meu filho. Eles são a minha vida! – Kamus falava, olhando as estrelas. – Quero que sinta a mesma alegria que eu senti, quando segurei meu filho em meus braços pela primeira vez.

- Nunca me imaginei neste papel de pai e marido... Mas, quando penso nela, parece ser o mundo ideal. -ele se levanta, tirando o feno do corpo e dos cabelos. –Tolices, amigo. Nem sabemos se vamos sobreviver a esta guerra.

- Pensei que eu era o pessimista.

- Em quinze dias, esta guerra pode ser decidida. Não que eu não confie nas habilidades de Aiolia, ele luta por algo mais que um trono. Mas sabemos que Ares pode ser ardiloso.

Kamus balançou a cabeça confirmando e cruzou os braços.

- Por isso, vamos ficar ao lado dele na hora do duelo, Milo. Se houver traição, estaremos lá para ajudá-lo.

- Concordo. Nós dois contra um exercito. Imaginei que morreria assim. -sorriu.

- Oito contra um exército. – Kanon apareceu. - Ou acham que os demais iam ficar parados neste momento?

- Tinha o pressentimento que não. – Kamus sorriu.

- Bem, deixo vocês dois conversando. É minha hora de patrulhar.- Kanon avisou, acenando de costas para os nobres e sumindo na mata.

- Este, luta por algo mais que recolocar Aiolia no trono. –comentou Milo.

- Pelo o que mais ele luta?-Kamus estranhou.

Milo ficou calado.

- Não é o Ikki chegando?- Milo de repente indagou, olhando na direção que o jovem vinha. - E não está sozinho.

Kamus estreitou o olhar cauteloso e depois se surpreendeu por se tratar de uma mulher e duas crianças.

-Quem será?

- Não sei. Mas que é uma bela mulher, isso é!

- Você não tem jeito... –suspirou Kamus.

Ikki conduziu Pandora e as duas crianças que a acompanhavam para a vila, no caminho o rapaz pensava em seu irmão longe e arriscando a vida, pensava que fora imprudência de sua parte ter permitido que ele fosse.

Olhou por sobre o ombro para a misteriosa Pandora, que mantinha um semblante sereno. Seu olhar encontrou o dela.

- Então é curandeira? –ele indagou.

- Sim.

- Preciso de você. –ele a conduziu a uma tenda, armada perto do poço da vila.

Ao se aproximarem desta, Pandora franziu o cenho, como única reação a visão de homens feridos, estendidos em camas improvisadas pelo chão. Haviam outros, que pareciam doentes.

- Foram feridos em uma emboscada outro dia. Nossos recursos são parcos e as mulheres da vila não tem tanto conhecimento em ervas medicinais. Temo que estes homens fiquem mais doentes. - Ikki explicou a Pandora.

- Farei o que puder... -respondeu por fim. – Poderia levar os meninos para descansarem? Aqui nesta tenda não é lugar para crianças.

- Claro. Vamos garotos.

Os meninos pareciam hesitar, mas Pandora com um aceno afirmativo com a cabeça lhes deu a confiança em seguir com Ikki.

- Necessito de fogo, panos limpos e água. -ela falou, retirando da trouxa que tinha a mão algumas ervas.

- Voltarei. –ele avisou, antes de fechar a porta de tecido da tenda. Depois Pandora o ouviu gritar ordens para que fizessem uma fogueira, levassem água e panos limpos para ela.

Logo, tudo o que precisava estava arrumado. Alguns moradores lhe trouxeram tiras de panos, linho e lã, um caldeirão com água fervente, onde Pandora mergulhou os tecidos e os colocou para secar, logo depois eram colocados nos ferimentos dos rebeldes ali.

- Precisa de ajuda?

Pandora olhou por sobre o ombro a jovem de cabelos ruivos que entrava na tenda, depois voltou sua atenção para o ferido.

- Foi você quem fez a costura do corte? Foi bem feito. –comentou a curandeira.

- Mas não evitei a febre. – Marin lamentou, pegando um tecido e o molhando, em seguida colocando-o na fronte do homem febril.

- Infelizmente, isso é questão de sorte. –respondeu colocando um emplastro sobre a ferida. – Mas fez um bom trabalho, princesa.

- Sabe quem sou? –Marin espantou-se. – Ouvi que ser referiram a você como uma...

- Bruxa? –ela sorri de maneira misteriosa. – Acho que sou. Na verdade sei de muitas coisas que não queria ter conhecimento. É um dom, uma maldição... Depende do ponto de vista. - falou pegando outras ervas para preparar uma infusão. –Estava no conforto da sua cabana, por que veio aqui?

- Vim para ajudar. Estes homens se feriram em parte por minha causa.

- Não deveria se culpar. Sinto que eles morreriam com prazer para proteger suas famílias aqui refugiadas. -entrega a Marin um liquido. - Faça-o beber. Vou olhar a criança que está doente. Melhor que deixe que eu cuide dela.

- Por quê?

- Deve cuidar da sua saúde agora, princesa. Afinal...

- Afinal? –desconfiada, observa Pandora.

- Você ainda não sabe, mas carrega uma vida dentro de si.

Marin a olhou espantada, ficando em pé.

- Volte para a sua casa, milady e descanse. Eu cuido de tudo aqui. –seu tom de voz era imperioso e Marin, confusa com a recente revelação obedeceu. Pandora fecha os olhos e murmura.- Vejo a morte de um guerreiro...

Palácio Real...

- UM MENSAGEIRO REBELDE ENTROU EM MEU PALÁCIO!- Ares esbravejava para o Capitão da Guarda, que ajoelhado diante dele, tremia pensando em seu castigo. - COMO PERMITIU ESTA AFRONTA, CAPITÃO?

- Pe-perdão, meu senhor!

Shion, que acabara de entregar a mensagem ao regente, apenas observava calado a sua explosão de fúria. Em sua mente, a dúvida e a raiva. Será mesmo que os soldados de seu rei, que tanto serviu com fidelidade, mataram Ágata? A jovem cortesã a quem Shion amou e nunca esqueceu.

- Saia daqui seu imprestável, antes que eu o mate!- Ares ordenou, sentando-se no trono, visivelmente cansado e furioso. O capitão obedeceu prontamente, saindo rápido dali. - Estou cercado de incompetentes. É um milagre que nenhum rebelde tenha me atacado em meu próprio palácio.

- Posso me retirar, milorde? –Shion indagou, com uma frieza que Ares não percebeu.

- Sim, mas antes... - Shion ficou imaginando que expressão o rei tomou por detrás daquela máscara, quando parecia refletir sobre os últimos acontecimentos.- Notícias do meu mensageiro a Themiscera?

- Sim... A rainha não ficou feliz em saber do rapto da filha e...

- E?

- Queria poupar-lhe de outro aborrecimento. Pretendia dizer-lhe somente amanhã que... A rainha mandará seu exército contra Pallas, se a princesa não for resgatada em trinta dias. Ela o culpa pelo ocorrido.

Ares deu uma risada nervosa e suspirou profundamente, como se recuperasse o auto controle.

- Dirá ao mensageiro rebelde se o reencontrar que aceito o desafio. Agora saia, preciso ficar só com meus pensamentos.

- Sim, meu rei. – Shion retirou-se, e a caminha de seus aposentos decidiu que teria uma conversa séria com seu filho rebelde ao se reencontrarem.

- Problemas Conselheiro?

Shion parou de andar e voltou seu olhar cansado ao nobre de longos cabelos loiros, presos por uma fita, que se aproximava pelo corredor.

- Creio que já sabe dos últimos boatos, Shaka.

- Sim. As notícias são rápidas dentro do palácio. – Shaka deu um meio sorriso. – E rumores sobre a sanidade do rei também percorrem estes corredores.

- O rei está apenas irritado com os últimos acontecimentos. -respondeu Shion de maneira seca, em um tom que encerrava a conversa.

O lorde apenas se limitou a sorrir e caminhou pelos corredores, até chegar a uma ala do palácio, onde avistou uma jovem olhando preocupada pela janela.

- Não deixe que os falsos rumores a respeito de seu marido a deixem triste, milady Aurora. –Shaka comentou, se aproximando e ficando ao seu lado.

- Sabe que Kamus não é um traidor. –respondeu a jovem, suspirando.

- Conheço seu marido o suficiente para crer que algo errado está acontecendo, e Kamus está do lado certo... Seja ele qual for. E como eu lhe prometi, irei protegê-la e ao seu filho até seu retorno.

- Obrigada. –Ela continuou a olhar para fora. - Agora é meu irmão que se aventura por aí, disposto a provar a todos que Kamus não é um traidor.

- Hyoga é um bom rapaz. E não está sozinho pelo o que soube. Confie neles, Aurora.

- Eu confio. –ela sorri.

Shaka lhe sorri, tentando passar com este sorriso a certeza de que tudo iria dar certo no final, embora nem ele tenha certeza disso.

Em uma taverna na cidade...Em um dos quartos.

- Mu? – a voz de Shun que estava deitado na cama olhando o teto chamou a atenção do outro rapaz, que estava sentado no peitoril da janela. – Está calado desde que saímos do castelo. Algo errado?

- Não, Shun. Não é nada...apenas estou imaginando se... –parou de falar, olhando as próprias mãos.

- Se? –insistiu Shun.

- Nada. Pensava em nosso retorno seguro. Agora durma. Amanhã mesmo, após a nossa visita ao palácio, teremos que ir embora da cidade.

- Está bem. –Shun sentia algo errado, mas sentia que o amigo não queria conversar no momento. Tratou de tentar dormir.

Mu, por outro lado, continuava a observar a cidade adormecida, enquanto a mente lhe enviava a um passado não tão distante.

Ele se lembrava vagamente da sua vida no palácio, era muito pequeno para entender o porquê das pessoas cochicharem quando ele e sua mãe passavam pelos corredores. Não entendia o significado da palavra cortesã, dita com desprezo pelas damas da corte, ao se referirem a sua mãe.

Ele só se lembrava do sorriso terno e do carinho que ela lhe dedicava, de vê-la chorando às vezes, mas que sempre disfarçava quando o via e dizia que estava tudo bem.

Lembrava do pai... Que raramente os visitava. Raramente lhe lançava alguma palavra. Era como se ele erguesse uma barreira, fina e translúcida como cristal, mas ao mesmo tempo forte o suficiente para afastar as pessoas que amava, de perto dele.

Um dia, eles partiram do palácio. Era muito pequeno, mas se lembrava da carruagem que os levaria para uma fazenda bem longe da capital, viu seu pai se despedindo deles, dizendo que era o melhor a ser feito. Seu pai o abraçou forte, foi a última vez que o vira... Até hoje.

Seu pai... O conselheiro real... Que sempre colocou seus deveres acima de sua vida particular e afastou a amante e o filho desta união para longe, por causa de rumores.

A mãe sempre dizia que ele fez o que era certo, pensando em seu futuro. Ele nunca acreditou ou perdoou.

A noite foi longa para o rapaz, que não conseguiu conciliar o sono.

Um filho. Ela carregava um filho de Aiolia! Com um sorriso, tocou o próprio ventre. Será que Pandora estava brincando com ela? Seria possível isso? Ouviu comentarem que ela era uma bruxa, mas não havia levado a sério isso até ela proferir estas palavras. Como ela poderia saber?

Há apenas poucos dias compartilhava o leito com Aiolia, como se fosse sua mulher. Bem, já ouviu histórias de mulheres que demoravam anos para conceber uma criança, enquanto outras em apenas uma noite ficavam grávidas. Tocou novamente o ventre e sorriu.

Sua barriga estava de um tamanho normal, demoraria a crescer, para que ela sentisse a criança dentro de si. Um filho de Aiolia... Imaginou um menino de cabelos cor de fogo e olhos vivazes como os do pai. Correndo pelos campos, brincando com uma espada de madeira, brincando com outras crianças.

Seu filho, cavalgando com Aiolia...

Então, um arrepio percorreu sua espinha. Medo, insegurança, o temor de que Aiolia não sobrevivesse ao o que viria. Esta perspectiva minou suas forças e Marin teve vontade de chorar. Nada do que dissesse o moveria da sua idéia de vingar a morte de seu irmão. Para ele não importava o trono mais, e sim a justiça contra o assassino de Aiolos.

- Marin? –a voz de Aiolia a sobressaltou.

A princesa amazona virou-se e deparou com seu amado olhando-a preocupado pela súbita palidez no rosto dela.

- Eu a procurava. Está tarde e...

Marin o calou com um beijo, jogando-se em seus braços. Como se neste ato pudesse apagar as dúvidas que a assombravam no momento. Tudo o que queria era sentir o seu calor.

- Vamos para casa, Aiolia. –ela pediu, quase em um sussurro e ele concordou.

Aiolia notou algo errado com Marin, mas percebendo que ela preferia o silêncio, respeitou este momento. Esperaria quando ela lhe viesse contar o que a afligia. Lithos os esperava a porta da casa e Aiolia com um gesto pediu para que a menina fosse se deitar. Apesar dela ter notado que Marin não estava bem, obedeceu.

- Marin...

- Amanhã eu lhe contarei tudo, prometo.

- Está bem.

Ele a guiou até o quarto. Na mente da amazona a idéia de que deveria fazê-lo desistir desta luta na qual sofreriam amargamente. Teria que fazer isso pelo seu filho.

Era alta madrugada quando Ikki foi verificar o que a curandeira estava fazendo. Não era tolo a ponto de deixar uma completa desconhecida sozinha no acampamento. Não sabia bem o que era, mas não confiava completamente na mulher chamada Pandora.

Abriu a entrada da tenda e a observou cuidando de um de seus homens, que lutava contra a febre. Percebeu a face serena dela enquanto executava a ação de limpar constantemente a fronte do doente com um pano umedecido, e o olhar agradecido deste para com ela.

Notou então a beleza da jovem, a tez branca como marfim e o contraste com a cascata de cabelos negros, que pareciam sedosos ao toque. E os olhos...violetas. Raramente havia visto tal tonalidade!

- Deseja algo? –ela perguntou de repente, assustando Ikki.

- Ah...não. Queria saber se precisava de mais alguma coisa. -disfarçou.

- Saber se os meninos já dormiram.

- Assim que deitaram. –Ikki se aproximou, sentando do outro lado do moribundo, olhando para o que Pandora fazia.- Qual a sua história, Pandora?

- Minha história?

- Sim. O que a trouxe até aqui?

- Vivia em uma cabana próxima a um vilarejo, que fornecia alimentos a vocês de vez em quando. Os meninos moravam lá.

- E o que houve?

- Ares. –a menção do nome fez Ikki cerrar o punho. - Seus soldados atacaram o vilarejo e mataram a todos, os sobreviventes fugiram para a mata ou foram capturados... Vi os prisioneiros serem decapitados e suas cabeças colocadas como aviso aos traidores. Os pais dos garotos foram mortos e sua casa queimada. Assim como o restante da vila.

- Quem comandou tal atrocidade?

- O chamam de Máscara da Morte. –ela observou a reação de Ikki ao nome, não parecia ter se espantado com o título. – Ele é conhecido pelo hábito de decapitar seus prisioneiros.

- Já ouvi falar dele. –ficou pensativo. –Então, ele está nos caçando...

- Aparentemente. –ela se levantou, para recolher as vasilhas que usava. – Achei que seria mais seguro vir para cá e também...

- O que?- perguntou ficando ao lado dela.

- Eu precisava avisá-los sobre uma visão que eu tive.

Ikki ergueu uma sobrancelha e começou a rir. Pandora normalmente não se deixava abalar pelas chacotas, convivia com elas desde criança e aumentaram quando seus dons se manifestaram. Mas ouvir as risadas dele, a estavam deixando nervosa.

- Desculpe, mas...eu não acredito em "visões".-enfatizando bem o tom de deboche com a palavra.

- A morte paira por este lugar.

- A morte nos acompanha desde que o tirano tomou o trono e faz o que quer. Alguma outra novidade?

- Sim. Que é um tolo e idiota! –disse com irritação, lhe entregando a vasilha de água com tanta força que espirrou o conteúdo no rosto de Ikki. Pandora saiu da tenda.

- Ei! Praga... -Ikki foi atrás dela, limpando o rosto.- Aonde pensa que vai, milady?

- Dormir. -respondeu seca.

- Certo. E aonde... -viu que ela se dirigia diretamente para a sua casa.- Ei, não vai dormir aí comigo! Seus pirralhos dormem na cama do meu irmão, e só tem a minha!

- É tudo do que preciso. -ela respondeu parando na porta.

- E onde eu dormiria? –Ikki a olhou de cima em baixo, parando um pouco o olhar no decote generoso do vestido que mostrava a curva dos seios de Pandora. Deu um sorriso.

Sorriso este que sumiu quando ela fechou a porta da sua casa em seu rosto.

- Durma nos estábulos.

Ikki olhava para a porta, boquiaberto. Esta mulher o expulsara de sua própria casa? Quem ela pensava que era?

Deu a volta pela casa e pulou a janela dos fundos, entrando em casa, determinado a colocar aquela mulher em seu devido lugar. A encontrou na sala, andando de um lado para o outro, nervosa.

Ela o viu e arregalou os grandes olhos violetas, assustada. Ele a pegou com brusquidão pelo braço, forçando-a a encará-lo.

- Jamais ouse me trancar novamente fora da minha casa!

- Está me machucando! É um bruto!

- É. E as mulheres nunca reclamaram disso. Você logo vai descobrir por que.

Pandora soltou uma imprecação, ofendida com o jeito que ele se referia a ela. Ele a ignorou, arrastando-a até a cozinha e a soltou com tanta força, que ela quase caiu.

- Quer ficar em meu teto? Então vai ter que merecer isso.

- Não vou me deitar com você!

- Não faço questão disso. Não gosto de mulheres do seu tipo. –Pandora abriu a boca, ligeiramente ofendida por dentro.- Pode dormir na cozinha. Fará minhas refeições e cuidará dos feridos e doentes, como uma boa curandeira. Todos que aqui moram precisam parecer úteis. Se você não for útil, eu lhe entrego a primeira caravana que passar. Entendeu?

Pandora o fuzilou com o olhar.

- Entendi.

- Pode dormir no chão. Tem peles naquele armário que pode usar para forrar o chão. Boa noite!-saiu da cozinha, deixando uma jovem irritada e com planos de se vingar em mente.

Manhã seguinte... Em Pallas.

Novamente trajados como mulheres, Mu e Shun entraram no castelo acompanhando June. Tiveram que passar pelos guardas outra vez, e pelas cantadas de um deles dirigida a Mu que precisou de toda a sua paciência, para não socá-lo e por tudo a perder.

Mu pediu aos amigos que o esperassem, vigiando o corredor, enquanto caminhava até um amplo jardim, um lugar que se lembrava de sua infância e brincou muito ali com outras crianças, filhos de servos e pajens.

Um homem, aparentemente cansado. O rosto marcado por uma noite insone, parecia esperá-lo. Ele o fitou longamente antes de responder.

- O rei concorda.

O rapaz assentiu com a cabeça antes de dar as costas a Shion e caminhar.

- Mu! –ele o chamou. – Eu amei sua mãe. Jamais quis outra mulher a não ser ela.

- Meio tarde, não é? –respondeu sem se virar, saindo dos jardins.

Encontrou os amigos esperando-o com ansiedade.

- Vamos voltar. Aiolia precisa se preparar para uma batalha.

Continua...

Notas: Mais um capítulo!

Obrigada a todos por lerem e a paciência com que esperam os capítulos de meus fics. Agradeço a todos por isso!

Beijos!

Até a próxima!

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