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Um Momento no Tempo
Por: The Shadow Bandit
Tradução: Celly M.
Beta da Tradução: Arsinoe do Egito, que eu nem preciso me desdobrar em elogios senão acabo o espaço! Obrigada, amiga!
Classificação: M
Pares: Harry/Draco
Gênero: Angst/Romance
Tradução: Celly M.
Sumário: Universo Alternativo: durante seu sétimo ano, Harry aprende que sua vida pode mudar para sempre em um único momento no tempo.
Avisos: essa história contém slash e mpreg, mas nenhum dos dois será gráfico. Se alguém se sente incomodado com as duas temáticas, já está avisado do que vai encontrar pela frente.
Agradecimentos: em especial à Shadow Bandit, que permitiu que eu fizesse mais uma tradução, dessa vez, minha primeira mpreg. Quem me conhece sabe que eu não sou muito adepta ao gênero, mas essa é uma das poucas que me conquistou. Beijos também para quem deixou reviews aqui e na comunidade do fanficbr, Bela Youkai, Nicolle Snape, Fabi, Lilly W. Malfoy, Magalud, minha filhotinha Ju, Arsínoe, Mizuki, Dark Wolf 03, Hanna Snape e Samantha. Muito obrigada mesmo pelo apoio, espero que gostem do capítulo!
Capítulo 5 – Ajustes
Os dias que se seguiram foram quase em sua maioria preenchidos pelas tentativas de Draco para fazer Harry sair do apartamento. Era triste como o anteriormente bravo e independente Grifinório havia se transformado em amedrontado e tímido. Após dois dias completos vendo apenas as pessoas passando pela rua, o Sonserino finalmente conseguiu convencer Harry a sair para cortar os cabelos.
Draco planejara a primeira saída deles cuidadosamente, prestando atenção nos menores detalhes, como quando as lojas e ruas estariam menos cheias. Mas primeiro, eles iriam cuidar daquela bagunça que Harry chamava de cabelo, então iriam almoçar e então, se o moreno concordasse, passeariam pelo Central Park.
Harry praguejou suavemente. Draco virou-se para fitar o homem, vestido com uma casual calça jeans preta e um suéter verde escuro.
- O que há de errado agora, Harry?
Harry olhou, nervoso, para o loiro.
- Você está certo sobre isso, Dray? Eu não sei se vale a pena o risco. E se alguém me reconhecer? Eu ainda tenho essa maldita cicatriz, sabe? E eu tenho certeza de que o Ministério da Magia informou às outras comunidades bruxas e trouxas sobre a minha fuga. Lembra o frenesi quando Sirius fugiu? Todo mundo vai estar procurando por mim.
- Olha, Harry, nós já passamos por isso antes. Ficamos assistindo aos noticiários na televisão e não houve nenhuma menção sua até agora. Como você não quer que eu use magia aqui, vamos penas usar algum tipo de maquiagem Trouxa pra cobrir a cicatriz.
Diante do olhar cético de Harry, Draco segurou-o pelo cotovelo.
- Harry, é apenas uma pequena viagem até lá fora. Você vai ficar bem, eu prometo. Você sabe que eu nunca deixaria nada acontecer a você, não sabe?
Quando Harry assentiu, suavemente, Draco continuou.
- Além do mais, qual é a alternativa? Você não pode estar pensando em passar o resto dos seus dias trancado nesse apartamento.
Sabendo que estava vencido, mesmo contra sua própria vontade, Harry permitiu que Draco o levasse para fora.
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Uma vez que conseguiu relaxar um pouco, Harry percebeu, para sua própria surpresa, que estava aproveitando o dia. Ele havia deixado aos encargos de Draco cuidar de seu corte de cabelo, encontrando no novo penteado, que estava mais curto e em camadas, uma maneira de domar seus tão rebeldes fios. Qualquer coisa lhe parecia mais agradável que o ninho pesado que tinha.
O almoço havia sido bom, apesar de Harry achar que a qualquer momento seria encontrado. Mas, de longe, sua parte favorita do passeio foi caminhar pelo enorme parque da cidade. Apenas ter a possibilidade de sentir o sol e a gentil brisa que ocasionalmente balançava as folhas coloridas que ainda caíam das árvores, em seu rosto, era digno de ser apanhado. Era um incomum dia quente de Outono e Draco fez questão de que aproveitassem ao máximo aquele momento.
Eles haviam até comprado pão de um vendedor na rua e caminharam até o enorme lago no meio do parque, para alimentar os patos. À volta deles, ali, um grande número de crianças brincava com barquinhos de controle remoto. Decidindo que aquele lugar era bom para descansarem, Draco levou Harry até um dos bancos vazios.
Fascinado, Draco não conseguia tirar os olhos dos garotos.
- Como eles estão fazendo aquilo, Harry?
Surpreso pelo interesse de Draco nos Trouxas, o moreno não conseguiu evitar perguntar.
- Fazendo o quê?
- Bem, eles são Trouxas, não são?
- Então?
Sentindo como se pudesse dar um tapa no pescoço do Grifinório, Draco prosseguiu.
- Então como eles conseguem fazer os barcos se moverem daquela maneira, se não há nenhum fio? Como eles estão controlando os barcos? É quase como mágica sem varinha.
Esquecendo-se como deveria ser crescer em um mundo sem nada produtivo, a não ser comentários negativos sobre os Trouxas, Harry apontou o rádio transmissor que cada menino carregava, que permitia que controlassem os barcos.
- Então aquelas caixas são como varinhas?
Harry balançou a cabeça negativamente, não entendendo porquê Draco não fez Estudo dos Trouxas na escola.
- Não, elas não são nada como varinhas.
- Mas então, como eles fazem? Eu não entendo.
Não estando no humor para começar uma conversa sobre baterias e ondas de rádio, Harry apenas respondeu, minimamente.
- Eles apenas fazem.
Sem querer estragar o adorável bom humor que o moreno havia apresentado durante o dia inteiro, Draco decidiu não forçar sua sorte e deixou aquele assunto de lado e resolveu continuar a alimentar os patos, que agora se amontoavam à volta do banco que estavam sentados.
- Ouch! –Draco virou-se repentinamente e viu que um enorme pato o havia bicado. –O bastardo me mordeu!
- Não leve para o lado pessoal, Dray, ele ainda não teve a chance de conhecê-lo, dê algum tempo. Ele provavelmente só está tentando ganhar a sua atenção. Apenas jogue algum pão para a pato e logo ele descobre que isso é mais saboroso que você.
- E como você sabe qual é o meu gosto, Harry? –Draco perguntou, sorrindo sugestivamente.
Harry sentiu suas faces corarem, mas antes que pudesse pensar em responder, Draco soltara mais um impropério.
- Merda! Ele me bicou novamente. Eu vou mostrar a você que ninguém bica um Malfoy e sai impune!
Todos os patos que estavam próximos a eles voaram em uma massa de penas e longos ruídos, enquanto Draco perseguia o outro animal, parecendo que iria atingir qualquer coisa com um feitiço.
Harry não pôde fazer nada a não ser gargalhar, enquanto observava o homem que bem ou mal ocupara seus pensamentos pelos últimos oito anos, ameaçar o pobre pássaro. Sem se lembrar qual havia sido a última ocasião que se permitira sorrir, ele aproveitou para inalar profundamente o ar fresco, imaginando como tinha tanta sorte em ter um amigo como Draco.
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Daquele dia em diante, Harry havia se tornado um louco, não perdendo uma oportunidade de sair. Seu desejo de fugir do confinamento de quatro paredes era tamanho, que ele permitiu-se até mesmo aventurar-se pelas ruas, sozinho. Nunca fora muito longe, às vezes nem saía do banco em frente ao prédio, mas Draco tomava aquilo como um bom sinal.
Harry estava, finalmente, se curando.
Logo então, o par podia ser visto fazendo todo os típicos passeios dos turistas, como visitar a Estátua da Liberdade e passear pela Wall Street. Harry gargalhou diante da desdenha de Draco ao saber o que os Trouxas consideravam ser um centro financeiro, dizendo que aquilo não era nada em comparação aos centros financeiros do mundo mágico, o que o moreno, apesar de sua considerável fortuna, não tinha muita experiência.
O Sonserino tentou escapar quando Harry sugeriu que deveriam esquiar no Rockfeller Center, em uma tarde fria de Novembro. Porém, a severa negação do loiro dissolveu-se quando encontrou os olhos carentes do Grifinório. Certamente, aquela seria uma grande aventura, já que nenhum dos garotos havia esquiado em suas vidas.
Após prenderem as tiras dos estranhos patins, eles se levantaram, incertos, segurando-se nas balizas de ferro e patinaram pelo gelo. Draco não conseguiu conter o sorrisinho quando Harry, após dar dois passos, tentou virar-se em sua direção e caiu pesadamente sobre o gelo.
- Estamos graciosos hoje, não, Harry?
O sorrisinho, no entanto, não durou por muito tempo, já que o loiro acabou por acompanhar o moreno.
- Estava dizendo alguma coisa, Dray? –Harry perguntou, enquanto se levantava e acariciava a parte dormente de suas nádegas.
O restante da manhã passou com Draco caçando Harry pelo rinque, ambos falhando miseravelmente ao tentar manter-se de pé. Mais do que ocasionalmente, eram vistos se segurando nas paredes ou neles mesmos para manterem o equilíbrio. Era impressionante como duas pessoas tão talentosas em cima de vassouras, não conseguiam ficar de pé em cima de patins, em uma típica atividade Trouxa, como esquiar. Após muitos sorrisos e gargalhadas, decidiram que já era hora de guardar os patins e irem pra casa.
Naquela tarde, ambos estavam apresentando hematomas por todo o corpo, mas era algo pequeno se comparado à felicidade que sentiam. Em troca de ter escolhido o esqui, Harry deixou que Draco se encarregasse de encontrar o próximo passeio que fariam. Infelizmente para o Grifinório, o Sonserino era fascinado por arte e Nova York estava cheia de museus e galerias. Após três museus em dois dias seguidos, o loiro finalmente se compadeceu com sua companhia resmungona e levou o moreno para jantar em um restaurante italiano.
Até o ponto que o relacionamento deles interessava, Draco apenas pretendia levar as coisas com calma. Após alguns dias, ele podia tocar em Harry sem que o outro retesasse e em uma ocasião, quando estavam andando por uma das galerias, ele até mesmo permitiu que o loiro segurasse sua mão em público.
Estar tão perto de Harry e não poder tocá-lo e beijá-lo da maneira que precisava era tortura. Ganhar a confiança do Grifinório era um processo frustrante, mas Draco tinha a certeza de que seu prêmio no final iria valer a pena.
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Quase uma semana após o fiasco do esqui, dois homens cansados voltavam para casa tarde da noite. Eles haviam saído para assistir ao musical "Cats". Em uma nota pessoal, Harry não conseguia entender o que havia de tão bom naquilo. Óbvio que a música era agradável, mas era apenas aquilo. Ele deu um sorrisinho de escarninho ao imaginar o que McGonagall diria sobre aquelas roupas, que particularmente pareciam com uma aula de Transfiguração que havia dado errado e o lembrava vagamente do acidente de Hermione Granger e a Poção Polissuco no segundo ano dele na escola. No entanto, ele estava satisfeito porque Draco parecia feliz.
Um piado suave os recebeu assim que entraram no apartamento. Por um minuto, Harry não conseguiu definir bem aquele som, mas, pela expressão no rosto de Draco, o que quer que estivesse fazendo aquele barulho, não podia ser bom.
Preocupado em saber como havia sido descoberto, Draco cruzou a sala rapidamente e pegou a correspondência que a coruja lhe trouxera. Evidentemente exausta, o animal pareceu estar satisfeito por se livrar do peso da encomenda e voou para a cozinha. Usando uma das cadeiras como poleiro, ela imediatamente adormeceu.
O Sonserino nem ao menos percebeu que suas mãos tremiam enquanto abria o pergaminho enrolado.
Harry reparou em como o loiro examinava o conteúdo do documento e então retornava ao seu início e lia a mensagem com mais atenção. Quando percebeu que Draco havia lido a carta pelo menos duas vezes, ele questionou.
-Então, o que diz?
Reparando no medo na voz de Harry, Draco rapidamente assegurou-o que a carta não tinha a ver com ele.
O loiro suspirou.
-É do Severus. Parece que minha ausência foi notada. Ele tem me acobertado por todo esse tempo, mas acredita que seria bom para mim se eu voltasse e fosse visto, pelo menos, por um tempo.
-Você vai embora?
-Olha Harry, não é como se eu quisesse ir. Mas você tem que entender que eu tenho um papel nessa maldita guerra e mesmo que Sev não tenha me dito, eu posso sentir que minha vida depende da minha volta, pelo menos por algum tempo.
Draco olhou na direção de Harry, que estava de pé, perto da janela.
-Você está indo tão bem agora, Harry, quase totalmente recuperado. Quando eu cheguei aqui, há um mês atrás, não esperava que você chegasse tão longe em tão pouco tempo. Você é forte, bravo e independente. –"Sem falar em lindo", Draco pensou consigo mesmo, enquanto lançava um olhar avaliador para aborrecido Grifinório. –Eu sei que você vai ficar bem, além do mais, eu só vou ficar por alguns dias.
-Me promete que vai voltar.
-Eu prometo que vou voltar pra você, Harry. Eu já menti pra você alguma vez?
Harry sorriu ligeiramente para Draco.
-Não, Dray. Você já zombou de mim, riu, me insultou e fez pouco caso de mim, mas você nunca mentiu, se pensar bem. Só vai logo e não demora porque eu vou morrer de saudades.
Draco cruzou a sala, até a janela onde Harry estava parado.
-Eu volto assim que puder.
Sentindo uma enorme vontade de seguir em frente, sentimento esse que não podia mais ser controlado, ele inclinou-se e lentamente tocou seus lábios nos de Harry.
Tendo os lábios de Draco tocando os seus pela primeira vez, o Grifinório sentiu um arrepio subir por todo seu corpo. Ele se sentiu mais vivo que sentira em toda sua vida. Não conseguiu suprimir o gemido que escapou enquanto aprofundava mais o beijo, agarrando-se ao loiro como se sua vida dependesse daquilo.
Draco não sabia o quê havia acontecido para que ele beijasse Harry, sua mente gritava que era muito cedo, que ele iria assustar o moreno e regredir em todo o processo que havia começado durante o último mês. Porém, aquilo tudo mudou quando os braços do Grifinório se ergueram e, para surpresa do Sonserino, não o afastaram, mas, pelo contrário, o abraçaram e puxaram para mais perto.
Ele sentiu Harry se render ao beijo e o, inicialmente gentil contato, se tornou mais exigente, mais urgente. Finalmente, quando sentiu que se prosseguisse, iria desmaiar, Draco não teve outra opção a não ser encerrar o momento.
Descansando a cabeça na testa de Harry, Draco acalmar sua respiração.
-Quando eu voltar, nós definitivamente vamos explorar esse aspecto do nosso relacionamento. –a voz do loiro tinha um tom sensual e áspero, mostrando a enormidade de seu desejo.
Harry apenas corou.
Com relutância, Draco afastou-se de Harry, beijando ligeiramente a testa do moreno. Segurando a Chave de Portal de emergência que o levaria de volta à Malfoy Manor (1), ele disse o código de segurança e, em um redemoinho de cores, havia ido embora.
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Harry observou as sombras que eram produzidas pela luz da lua no teto do quarto. Suspirou e virou de bruços, escondendo a cabeça embaixo de um dos travesseiros. O tecido azul escuro tinha o cheiro de Draco, que havia ido embora há quase uma semana e ele se recusava a trocar os lençóis porque queria manter aquela lembrança do amigo.
Um pequeno sorriso despontou em seu rosto quando pensou em seu único e verdadeiro amigo. Draco havia feito tanto por ele que nunca seria capaz de retribuir todos os riscos que o loiro havia corrido para livrá-lo da prisão. Mas, acima de tudo, e muito mais importante, nunca seria capaz de expressar sua verdadeira gratidão pelo Sonserino ter acreditado nele, quando ninguém mais o fez. Aquilo era algo que o Grifinório nunca iria esquecer.
Assim, Harry estava mais do que confuso em relação ao amigo de olhos prateados. Sabia que Draco sentia mais do que uma simples amizade por ele e estava pacientemente esperando pelo moreno dar o primeiro passo em levar o relacionamento deles para o próximo estágio. Se ele nunca tivesse sido acusado e tivesse tido a oportunidade de terminar a escola, não havia dúvidas de que ele e o loiro ficariam juntos e, eventualmente, se tornariam amantes. Mas agora, com tudo o que havia passado, não tinha certeza se poderia amar e o Sonserino merecia alguém que pudesse amá-lo de todas as formas possíveis.
Sempre que aqueles pensamentos depressivos apareciam, a rara parte de seu subconsciente que lhe dizia para apenas viver e aproveitar falava mais alto e ele pensava no beijo que trocara com Draco.
E que beijo havia sido!
Era óbvio que aquele não havia sido seu primeiro beijo, mas Harry não conseguia se lembrar de quando um beijo o havia afetado daquela maneira. Harry engasgou em um sorriso, pensando se sabiam que Draco Malfoy, o Príncipe da Sonserina, tinha gosto de morangos e um toque de chocolate.
Sabendo que mais uma vez não conseguiria dormir naquela noite, como havia acontecido desde que Draco partira, ele deixou-se levar pelo turbilhão de memórias do tempo que passaram juntos.
Ele sabia que o Sonserino estava preocupado com ele, mesmo depois daquele tempo, mas Harry sentia que estava se recuperando. Obviamente era um processo demorado, mas mesmo quando sozinho, ele conseguiu fazer as tarefas diárias. Harry havia feito compras e ido ao cinema sem companhia e gostava das caminhadas diárias, porém, não era a mesma coisa de quando estava com Draco. Havia se acostumado a ter alguém por perto e o Grifinório sabia que depois da experiência de ser isolado de todo o mundo, não queria aquela sensação de solidão novamente.
Uma pequena parte dele se ressentia do fato de ele estar ali, livre de Voldemort e do Ministério, enquanto Draco e os outros estavam expostos à luta. Mas então, pensava que não havia sido ele a fazer aquela escolha e, mesmo que quisesse, não conseguiria voltar.
Se, naquele momento, lhe fosse dada uma escolha, ele nunca retornaria.
Draco o havia ajudado a superar um pouco da dor causada pela traição dos amigos, mas ele ainda se sentia mal. Pequenas memórias de seu passado antes da prisão passaram na frente de seus olhos, libertando uma dor inigualável, que ameaçava destruir a frágil compostura que estava tentando manter diante de suas emoções. Era muito mais fácil esconder tudo aquilo em um canto de um armário do que encará-los. Harry não se sentia preparado e duvidava se algum dia estaria.
O barulho das janelas da sala e da cozinha quebrou o trilho de pensamentos de Harry. Surpreendentemente, ele tentou se acalmar antes que sua raiva incontrolável quebrasse o vidro. Já fazia muito tempo que não sentia a magia à sua volta e ainda mais tempo desde que permitira seu poder sair do controle.
O Grifinório agora sentia tanta falta da magia como sentia falta de Dray.
A magia ainda apresentava o mesmo fascínio a ele, como quando havia sido apresentado aquele mundo, onze anos antes. Harry aprendeu durante seus estudos em Hogwarts, que a mágica sem varinha não era rastreada como um feitiço efetuado com uma. Havia apenas alguns bruxos na história que possuíam a habilidade para controlar e executar com perfeição um feitiço sem varinha.
E Harry estava contente em ser um daqueles bruxos.
Dumbledore sabia que Harry possuía alguma habilidade sem a varinha, mas ninguém sabia ao certo quão talentoso ele havia ficado naquela matéria. Antes de sua prisão, já conseguia fazer qualquer feitiço, azaração ou transfiguração com ou sem o uso da varinha. Ele até mesmo conseguia conjurar alguns objetos sem ela, algo que até mesmo alguns companheiros de aulas encontrava dificuldade em fazer munidos de uma.
Harry sorriu, tristonho. "Foi bom eu ter aprendido fazer mágica sem varinha, já que o Ministério agora quebrou a que eu tinha."
Havia sido muito ruim saber que as proteções em volta de Azkaban não permitiam que ele fizesse qualquer magia sem varinha. No entanto, era bom saber que as transformações dos animagos não era proibida. Ele certamente ficaria louco se não pudesse se transformar para uma de suas formas por longos períodos de tempo.
Decidindo que aquele era o próximo passo para sua recuperação, Harry decidiu que iria voltar a praticar e treinar mágica sem varinha no dia seguinte.
Sentindo falta de seu companheiro, Harry procurou embaixo da cama uma sacola de uma loja de brinquedos da Quinta Avenida. Ele sorriu ao se lembrar das crianças brincando com os lindos brinquedos da loja, incluindo as enormes teclas de piano no chão(2). Aquilo parecia ser uma resposta a todos os sonhos de uma criança. Pelo menos, havia respondido a alguns de seus sonhos quando estava em crescimento.
Abrindo a sacola, Harry tirou lá de dentro um enorme lobo acinzentado de pelúcia. Quando ele havia visto o animal em uma das prateleiras, sozinho, teve sua atenção chamada, o brinquedo lembrando-o da forma do animago de Draco. "Algo nos penetrantes olhos claros", ele pensou.
Sabendo que aquele seria o presente perfeito para seu amigo, Harry não teve outra opção a não ser comprar o animal. Segurando-o firmemente contra o peito e acariciando a suave pelagem artificial, Harry caiu em um sono inquieto.
Continua...
N/T:eu demorei um pouco, mas quem conhece sabe que eu não abandono as coisas assim. Portanto, mesmo que exista algum atraso, as traduções serão postadas. Obrigada a todos os comentários, responderei a cada um deles aqui pelo site e também no meu livejournal: mscellym ponto livejournal ponto com . Até a próxima atualização e não deixem, caso interessados, de ler minha outra tradução, Lessons In Love. Beijinhos!
1- porque eu simplesmente não consigo escrever Mansão Malfoy. Malfoy Manor é tão... Malfoy! He he he he
2- É uma notinha pessoal mesmo. Que lindo que ela fez referência ao filme "Quero Ser Grande", com o Tom Hanks. A cena do piano é clássica pra quem já viu esse filme!