|
Author of 50 Stories |
Disclaimer: Saint Seiya e seus personagens são propriedade de Akira-sensei… faço este fic sem fins lucrativos, apenas por diversão.
Listen To Your Heart
Capítulo Três: Dia Agitado…
Para: Mitsuki Nakao
Mitsuki chegou na casa de virgem já praticamente pulando de alegria… agora além do irmão, tinha mais um cavaleiro de ouro que poderia infernizar, incrível como adorava infernizar a vida dos outros, principalmente daqueles de quem ela gostava, por isso adorava ficar com Shaka. Se bem que não parecia tão mal assim ficar com Mu, ele era bem legal… ou talvez mais que isso. Ele só era tão sozinho e parado quanto o seu meio-irmãozinho. Essa coisa de ser cavaleiro de uma criança não era muito boa mesmo. Ainda estava tentando associar de onde aquela garota tirava tanto poder pra fazer todos aqueles cavaleiros a obedecerem.
De qualquer jeito, não interessava mais. Quando entrou na casa pertencente ao irmão mais velho, seguiu pelos longos corredores, adornados de colunas bem detalhadas, até achá-lo no mesmo lugar que o achara quando chegou ao Santuário. Pra variar um pouquinho ele estava meditando. Como espírito natural pra irritar o irmão, chegou silenciosamente por trás dele, pretendendo gritar-lhe bem perto do ouvido, mas antes de abrir a boca para falar, escutou a voz que lhe era tão familiar.
– Não grite, Mitsuki. – Shaka falara ainda em sua habitual posição de lótus, e com os olhos fechados.
– Ahh assim não tem a mínima graça! – a garota reclamou sentando-se do lado dele. – Você sempre sabe quando eu estou chegando… como eu posso te dar um susto desse jeito!
– Não pode. – Shaka dissera com ar de superioridade, finalmente relaxando e abrindo os olhos para encarar a irmã recém-chegada. – Como foi o café da manhã com Athena?
– Pelos deuses! Eu não acredito que todos os cavaleiros do Santuário, e fora dele também, servem a uma garota de TREZE ANOS! – Mitsuki comentava. – Isso é um absurdo!
– Não é nada absurdo… – Shaka falara e parecia incomodado com a atitude da irmã. – Nós fomos escolhidos para proteger Athena em todas as eras, quer ela seja uma criança recém-nascida, uma adolescente ou adulta… ela tem o mesmo poder e espírito da Deusa.
– Mesmo assim… – falou Mitsuki. – Ahh, eu conheci mais dois cavaleiros quando estava voltando de lá.
– Mesmo? – perguntou Shaka que parecia agora totalmente desinteressado. – Teria que acabar conhecendo uma hora ou outra.
– Você que é um péssimo irmão e não me apresenta aos seus amigos. – dissera Mitsuki.
– Eles têm suas obrigações no Santuário, Mitsuki… – Shaka lembrara-a.
– Não importa. – dissera Mitsuki. – Eu conheci o Milo hoje! O cavaleiro de escorpião… ele é bonito, parece que os cavaleiros do Santuário foram abençoados por Athena com beleza além de força… – ela rira do próprio comentário.
– Mitsuki! – Shaka a repreendera. – Por que tinha que ter conhecido logo o Milo!
– Ah, não se importe irmãozinho, você ainda é o mais bonitinho de todos… – Mitsuki ria-se mais ainda da sua situação e do irmão coruja que tinha. – Talvez… o Mu também é bonito. Ahh, e eu conheci o Saga, eu não sabia que o cavaleiro de gêmeos eram na verdade dois gêmeos do signo de gêmeos… isso chega a ser irônico…
– O Saga? – duvidou Shaka, quando se lembrou que o cavaleiro de gêmeos estava cotado para escoltar Athena até o Japão, por isso Mitsuki deveria tê-lo visto.
– Ele ficou irritado quando eu o confundi com o irmão… e quem diabos não confundiria! Cara chato. – Mitsuki dissera, lembrando-se do episódio com raiva.
– Não implique com os cavaleiros de ouro, você é hóspede aqui, e logo vai embora então não me arrume confusão. – Shaka dissera.
– Mesmo assim, ele não tinha o direito de ser grosso daquele jeito comigo! Oras! Por acaso Athena não ensina os seus cavaleiros a terem respeito não! – Mitsuki continuava a implicar.
– Mitsuki, já chega. – Shaka falara em seu tom mais calmo possível, embora devesse estar morrendo de raiva por ter sido interrompido mais uma vez por sua irmã. Ela realmente não parava um segundo quieta.
– Tá, tá… parei. – Mitsuki dissera vendo que as coisas já não estavam boas para o seu lado. – Eu vou tomar um banho, e acho que vou descansar um pouco antes do almoço.
– Certo. – Shaka concordara. Se ela estivesse tomando banho ou dormindo não conseguiria interrompê-lo e ele poderia treinar mais agora, sem precisar necessariamente ficar meditando.
– Ah! Maninho, você vai poder ficar o resto da tarde aí, de cara pra cima… não vou tomar o seu precioso tempo de meditação hoje. – Mitsuki falara com um sorriso travesso.
– Como assim? – Shaka perguntara um tanto quanto desconfiado, mas ao mesmo tempo aliviado por ter um tempo a mais sozinho.
– Eu vou passear com o Mu, ele me convidou pra conhecer a cidade, diferente de você que só fica aí, nem dá valor para a sua irmãzinha. – dissera Mitsuki fazendo-se de vítima.
– O Mu a convidou? – perguntou Shaka mostrando sua total incredulidade. – Tenho quase certeza de que você o obrigou de alguma maneira.
– Não interessa… – Mitsuki dissera tornando o fato irrelevante. – A ordem dos fatores não altera o produto. De qualquer jeito eu vou tirá-lo desse inferno aqui.
– Mitsuki, isso não é um inferno, isso… – antes que Shaka pudesse terminar de corrigir a irmã, ela mesma o fez.
– É um Santuário… eu sei, eu sei maninho. – ela falou de maneira entediada. – Será que vocês nem conhecem "força de expressão"? Esse lugar deve afetar a mente de vocês, eu não sei não hein… – a garota já estava indo para o banheiro, e comentava os detalhes consigo mesma, sem ter que esperar a resposta de Shaka.
Shaka sorrira de lado ao ver a reação da irmã. Sempre extrovertida e até por demais. O que a colocava em algumas situações de "justa saia" às vezes. Queria poder imaginar o que ela implicara com Saga, e como teria ficado a cara dele. Não era considerado o cavaleiro mais divertido do Santuário e tão pouco aberto a brincadeiras. Também estava tentando adivinhar como ela convencera Mu a sair do Santuário, que não fosse em direção de Jamiel.
Mitsuki fez o dito e tomou seu banho, seguindo logo depois para o quarto para dormir no tempo livre. O sono estava uma beleza, e seus sonhos também… mas foram interrompidos pela voz de Shaka que a chamava para o almoço.
– Mitsuki, é hora do almoço. – ele ressaltara.
– Ahn! Tá, mamãe… – ela respondera ainda dormindo parcialmente.
– Mamãe? – ele ironizou. – Não sabia que estava com tanta vontade assim de voltar para casa, Mitsuki, posso providenciar.
– NÃO! – ela levantara de vez quando Shaka mencionara a sua casa. – Eu já acordei, não quero voltar pra casa, foi só força do hábito.
– O almoço está pronto, Mitsuki. – Shaka avisara.
– Ahh, você fez o almoço? – ela perguntara de maneira espantada.
– Não… os servos fizeram. – Shaka dissera já saindo do aposento.
– Não os chame de servos. – Mitsuki repreendera. – Até parece que voltei pra casa!
Mas Shaka já saíra do lugar para escutar qualquer reclamação dela. Mitsuki levantou-se e antes de sair do quarto trocou de roupa. Já se vestindo para sair depois do almoço. Vestiu uma calça jeans simples e uma blusa branca com um casaco leve, de capuz, por cima. Calçou também um par de sandálias baixas, um visual totalmente diferente do que costumava usar quando estava em casa, sempre muito social e "bem apresentada".
Quando chegou à sala, Shaka já estava sentado à mesa, apenas apreciando a vista da comida, ou melhor, esperando a chegada da irmã. Ela sentou-se de frente para o irmão e ambos serviram-se, sem conversar muito. Mitsuki sempre falando demais e Shaka no máximo concordando com um sim ou algo parecido.
Quando o almoço terminou, ela levantou-se da mesa alegre, pelo menos mais que o normal.
– Bom, eu estou indo maninho! Vejo você mais tarde. – ela dissera, soprando-lhe um beijo de maneira engraçada.
Rodeou a mesa e estava dirigindo-se à uma das saídas, que dava num longo corredor de grandes colunas de mármore.
– Mitsuki… – ouviu a voz do irmão e parou, virando-se para ver o que ele queria.
– O que foi dessa vez? – perguntou em seu tom mais que normal. Do lado que ela tinha ido, ele estava de costas para ela, ainda sentado na cadeira.
– É para o outro lado. – ele falou simplesmente indicando a direção correta com a mão esquerda.
– Ahn… poft! – ela falara batendo uma mão na testa. – Essas casas são muito complicadas.
E seguiu pelo lado correto, visando sair da Casa de Virgem pela frente, para ir até a primeira casa do Santuário. Pelo menos aquele caminho ela já conhecia e tinha uma boa memória. Saiu pulando os degraus da escada, como uma criança, e também com certa habilidade, herdada das diversas quedas que levara quando criança ao tentar aventurar-se nas mais diferentes árvores. Descendo as escadas, lembrou-se eventualmente de um episódio em particular, com três amigas suas. Elas estavam descendo apressadas as escadas do prédio do Museu de Arte Moderna, para não chegarem atrasadas à aula na faculdade, mas aconteceu um pequeno problema e a garota que ia por último acabou tropeçando no cadarço desamarrado e caindo por cima das outras três que estavam mais adiantadas. A grande sorte foi que estavam perto do final das escadas, ou teriam saído com muito mais que alguns hematomas e dores na bunda. Mitsuki riu lembrando-se daquela cena cômica e percebeu que de certa forma ainda sentia saudades de casa e dos amigos, mesmo que fosse difícil admitir que sentia falta das manias dos pais, eles ainda eram a sua família. Por um segundo aquele fato pareceu abatê-la, mas ao mesmo tempo lembrou-se de que voltaria logo, infelizmente, e que logo reveria suas companhias. No momento pensava apenas em aproveitar as "férias" e divertir-se o máximo com o seu irmãozinho que a tanto não via. E agora, com os amigos dele também. Se Shaka não fora contra o fato de ela sair com Mu, significava que má pessoa ele definitivamente não era. Pensando melhor, se Athena o considerava um Cavaleiro e ainda por cima de Ouro, por que ela não confiaria? E venhamos e convenhamos, era uma bela distração para os olhos.
Sem que percebesse, com seus vários pensamentos, e também com sua pressa para descer as escadas, acabou chegando na Casa de Áries mais rápido do que previra. Já adentrara pelos corredores tão adornados quanto os da Casa de Virgem e de todas as outras. Eram sempre fracamente iluminados, mas o suficiente para circular entre eles.
Adentrou a casa mais ainda, em busca de algum sinal de vida, estaria pensando se não estava sendo mal-educada entrando na casa dos outros desse jeito, mas olhando por outro lado, não tinha nenhuma campainha que ela pudesse ter apertado e também nenhuma porta para bater que não fossem as fortes colunas de mármore. Além do que, seu irmão já lhe explicara, muito tempo atrás, que os cavaleiros poderiam sentir o "cosmo" de outras pessoas… deveria ser desse jeito que os cavaleiros descobriam quando tinha alguém hostil se aproximando do Santuário, ou mesmo entrando em suas casas. Mas ela se achava tão fraca comparada a qualquer outro que por vezes ficara se perguntando se tinha aquele tal de "cosmo", a sua única certeza de que realmente tinha era o simples fato de nunca conseguir assustar Shaka.
Quando achava que já tinha passado da metade da Casa, e a vontade de gritar pelo nome de Mu lhe invadia os pulmões, finalmente chegara a algum lugar familiar. Estava num enorme salão, onde tinham agora móveis pertencentes a uma casa, ao mesmo estilo da Casa de Virgem, mas claro, com o gosto do Cavaleiro de Áries. Olhou por todos os lados e mesmo assim não o encontrou.
– Onde diabos você se meteu, Mu? – perguntara a si mesma tentando encontrá-lo em algum canto daquele enorme lugar.
Andou mais um pouco e finalmente avistara alguma coisa. Conheceria aqueles cabelos roxos, amarrados por uma pequena liga, em qualquer lugar. Ele estava sentado no chão, com as pernas cruzadas, ao seu lado jaziam delicadas ferramentas douradas, e ele parecia mexer em algo que Mitsuki estava impedida de ver por conta do corpo de Mu estar na frente. Estava com suas roupas habituais, combinavam bem com ele, além daquela magnífica armadura, é claro.
Ela permaneceu a observá-lo, curiosa, instintivamente escondida por uma das colunas, com se fosse uma criança que estivesse fazendo algo de errado, mas gostou da sensação de observá-lo sem que ele parecesse notá-la.
Antes que pudesse ao menos se apresentar, sentiu seus pés afastarem-se lentamente do chão. A princípio não acreditou no que pudesse estar acontecendo, mas ao olhar pra baixo, confirmou, com inabalada convicção, que estava flutuando… estava estupefata com aquilo, mas para completar, de repente ela subiu mais, com mais rapidez, virando de cabeça pra baixo num simples segundo. A rapidez com que ela virara e o medo de estatelar-se no chão de cabeça, a fizeram gritar de pavor.
– Mestre! Mestre! Temos uma intrusa aqui! – a voz de uma criança, um garoto, mais precisamente, se pronunciara seguido do grito proferido por Mitsuki.
Mu já tinha se alertado para o grito de uma voz conhecida, que ele sabia muito bem de quem era, por ter sentido sua presença, mas no meio de seu trabalho, restaurando uma armadura, não poderia ter interrompido a si mesmo e agradeceu quando percebeu que Mitsuki não o fizera, mas seu alarmado aprendiz pareceu não chegar à mesma conclusão.
– Você quer me colocar de volta no chão, seu moleque! – Mitsuki gritava com certo temor. Depois do grito, percebera que tinha um garoto na sua frente, com uma mão esticada para ela, como se controlasse a sua "subida", mesmo não acreditando que algo como aquilo parecesse ser possível.
– Eu não sou um moleque! – o garoto revidou com raiva. – Eu sou o aprendiz do Mestre Mu de Áries… meu nome é Kiki. E acabei de pegá-la no flagra sua intrusa!
– Intrusa o quê, seu projeto de gente! Tire-me daqui agora mesmo, tampinha! – Mitsuki implicava mais e mais à medida que seu nervosismo aumentava.
– O que você queria fazer ao Mestre Mu? Quem a mandou aqui! – Kiki estava certo de que ela era alguma inimiga e que deveria se revelar.
– Olha que quando eu descer daqui eu vou te dar umas palmadas hein, pivete! – reclamava mais uma nervosa e estressada Mitsuki. – TIRE-ME DAQUI AGORA!
Mesmo com a desconcentração, Mu conseguira terminar de consertar aquela armadura e finalmente levantara-se para ajeitar a situação, antes que Kiki resolvesse arremessar a garota para longe do Santuário, convicto de que ela era alguma intrusa.
– Eu vou pedir pra o meu irmão dar um jeito em você, PIRRALHO! – Mitsuki implicava mais ainda com o garoto e seu nervosismo estava sendo substituído por raiva por ele ainda não tê-la colocado no chão, sã e salva.
– Hmpf… o seu irmão nunca vai conseguir comigo… um futuro cavaleiro de Athena. – Kiki se gabava, quando uma nova voz surgiu, alertando-o sobre um pequeno detalhe.
– O irmão dela é o Shaka, Kiki. – Mu falara, achando certa graça da situação.
– Q-quem? – Kiki perguntara com certo espanto… certamente que Shaka conseguiria fazer alguma coisa para puni-lo.
– Já chega Kiki, pode colocá-la no chão. – Mu o alertara.
– Sim, mestre. – dissera Kiki colocando a garota no chão.
– Até que enfim! – Mitsuki falara aliviada.
– Mestre, eu pensei que ela fosse uma intrusa… – antes que o garoto terminasse de falar, Mu o interrompeu.
– Eu sei Kiki, fez um bom trabalho… mas não se preocupe, ela não é nenhuma intrusa. – Mu falava em seu habitual tom calmo. – Você pode ir agora, continue com o seu treinamento.
– Ahn… – ele olhou de Mitsuki para Mu e voltou a olhar Mitsuki, então algo de repente pareceu fazer sentido na sua cabeça, ele sorriu largamente com a situação e concordou com o que o seu mestre mandara. – Certo, mestre.
E desapareceu num piscar de olhos. Mitsuki esfregou bem os olhos para ter certeza de que não estava sofrendo nenhum tipo de ilusão.
– On-onde ele foi parar! – ela perguntara de maneira surpresa.
– Ele está bem longe agora… – disse Mu. – Teletransporte.
– E-ele pode fazer isso…! – perguntou ela espantada.
– Pode. – Mu respondera como se fosse normal.
– E você também! – perguntou agora de maneira empolgada.
– Sim… cada Cavaleiro de Athena tem seus poderes e particularidades… telecinesia é uma dádiva de poucos. – dissera Mu. – Kiki é meu aprendiz.
– Ahh… – Mitsuki fez-se de entendida. – Sinto muito por essa confusão. Só que quando cheguei, vi que você estava ocupado fazendo alguma coisa e não quis atrapalhar.
– Eu percebi quando chegou. E eu que tenho que agradecê-la por não ter-me interrompido. – dizia Mu. – Restaurar armaduras é um trabalho de certa forma preciso e minucioso, concentração e silêncio são muito bem-vindos. Mesmo que Kiki tenha feito um belo estrago, eu consegui terminar.
– Você restaura armaduras? – perguntou Mitsuki interessada.
– Sim. – Mu respondera. – De qualquer dos Cavaleiros de Athena… veja. – ele indicou a armadura que estava concertando minutos atrás, e Mitsuki virou-se para apreciá-la. – Essa é a armadura de Sagitário. Estava com algumas mínimas rachaduras da última batalha… já faz certo tempo que estou querendo concertá-la. Mas muitos outros cavaleiros me procuram constantemente e nunca tive tempo de restaurá-la completamente.
– Por que queria tanto concertá-la? – perguntara uma curiosa Mitsuki.
– O Cavaleiro dono desta armadura está morto. É considerado um herói no Santuário… e visto que não havia um sucessor, ninguém pôde trazê-la para ser reparada, diferente dos outros que trazem suas armaduras pessoalmente. Além do que o dono dela era um amigo. – contara Mu, observando o brilho da armadura.
– E quanto tempo faz que ele morreu? – perguntou Mitsuki querendo saber mais da história.
– Treze anos. – respondera Mu.
– Você esperou tudo isso pra concertá-la! – agora estava realmente espantada.
Mu sorriu de lado com o que ela acabara de comentar.
– Não… às vezes, de uma forma que nós, cavaleiros de ouro, não conseguimos explicar… ela escolhe um cavaleiro a quem proteger, um cavaleiro que luta pela proteção de Athena… não faz tanto tempo assim desde a última batalha do Santuário. – Mu explicara mais uma vez.
– Bom, de qualquer jeito, está na hora de irmos, não é mesmo! – Dissera Mitsuki animada. – Eu disse que viria depois do almoço!
– Já está tão tarde assim? – Mu perguntara parecendo um tanto desnorteado.
– É sim… e não adianta tentar fugir, você vai sim, tinha me prometido! – Mitsuki implicou com ele.
– Eu tinha? – perguntara Mu certo de que não prometera simplesmente nada.
– É, tinha sim, vamos, não vamos mais perder tempo. – dissera Mitsuki puxando-o em meio à enorme sala.
– Mas… as minhas ferramentas… – Mu dissera, visto que havia deixado suas ferramentas espalhadas no chão ao lado da armadura, enquanto Mitsuki puxava-o com toda a sua força.
– Você cuida delas depois. – dissera a garota continuando a puxá-lo. – Não vamos perder mais tempo, não é mesmo! Ande mais rápido! Por onde sai dessa casa afinal!
Mu suspirou pesadamente ao perceber que não conseguiria convencê-la do contrário, e seguiu, indicando a saída da casa.
Mitsuki pulava os degraus da escada, nem parecia a mesma garota que reclamava de ter que subir tudo aquilo, quando chegara ao Santuário, parecia uma criança se divertindo e esperando ansiosamente para levar uma queda, ralar o joelho e depois rir do estrago que havia feito. Diferente dela, Mu descia as escadas calmamente, já tinha o seu braço livre das "garras" dela.
– Vamos, apresse-se Mu! Eu quero conhecer tudinho! – ela dizia, olhando para trás para poder encarar o Cavaleiro que vinha calmamente. – Você anda muito devagar… tem medo de cair?
– Hã? Não… – Mu respondera meio desnorteado com a pergunta dela… medo de cair?
Acabou andando um pouco mais rápido, mas ainda assim, calmamente, sem precisar pular os degraus. Não demorou muito para que saíssem do lugar, andando demoradamente para poderem chegar aos limites da cidade, que certamente era um pouco mais longe dos limites do Santuário, para a própria proteção.
– Meu Deus… esse Santuário poderia ser um pouquinho mais perto do centro, não é? – Mitsuki comentara, respirando fundo para recuperar o ar.
Finalmente estavam entre a multidão que andava despreocupadamente de um lado a outro da rua, entre os carros, casas e mais pessoas desconhecidas, sem se darem conta de que não tão longe daquele lugar erguia-se um enorme Santuário com pessoas que tinham poderes que a ciência jamais poderia explicar, poderes de deuses, os deuses que aquela mesma sociedade, um dia tanto idolatrou e serviu.
– Não se pode deixar o Santuário exposto desse jeito… até mesmo as ruínas dos antigos templos de deuses viraram centro de turismo… – dizia Mu, seguindo Mitsuki entre as pessoas que passavam pela rua.
– Olha que daqui a pouco eles descobrem o Santuário e vocês vão ficar engaiolados como artes em um museu, inclusive suas armaduras de ouro. – Mitsuki rira alto do comentário, por um segundo, aquela imagem de parecerem animais de um zoológico, penetrou na mente de Mu… não foi realmente nada agradável.
– Deixe de falar besteiras. – o Cavaleiro de Áries disse calmamente, balançando a cabeça levemente para os lados.
– Ah, relaxa… – Mitsuki virara-se para ele, andando de costas e sorrindo-lhe largamente. – Só precisa se divertir, sabe o que é isso, Senhor Cavaleiro de Athena?
– Mitsuki, é melhor olhar para frente… – Mu dissera, observando se a garota não iria esbarrar em nada.
– Pare de se preocupar… – Mitsuki dissera parando de súbito. – O máximo que poderia ter acontecido era eu cair ou esbarrar em alguém… não vou morrer por causa disso… já disse pra relaxar.
– Isso não vai dar certo… – Mu dizia a si mesmo, num tom sussurrante. – Mitsuki, eu não costumo sair do Santuário, tão pouco sair para passear, não conheço quase nada dessa cidade…
– Então vamos descobrir o que ela tem de melhor, não é? Venha. – ela segurou o punho de Mu e saiu puxando-o na direção para a qual estava virada, como se fossem voltar todo o caminho. Mas Mu percebera que ela estava com os olhos fixos em algo por cima do ombro dele.
– O que foi que você viu? – perguntou ele já adivinhando que ela teria avistado algo realmente interessante para prender seus olhos dessa maneira.
– Ahh… que legal. Fazia tempo que eu não tirava fotos numa máquina dessas… – Mitsuki finalmente alcançara uma cabine de fotos adesivas instantâneas. – Da última vez que eu entrei numa dessas com mais duas amigas, só faltou a cabine desmontar. – ela sorriu com a lembrança.
– Nós não… – antes que Mu terminasse de falar, Mitsuki tinha colocado uma ficha na fenda e entrou no pequeno espaço da cabine, puxando Mu de uma vez para dentro.
– Vamos tirar umas fotos de lembrança! – ela disse quando já estavam praticamente imprensados dentro da cabine.
Mu estava ligeiramente incomodado com a aproximação… causava um certo constrangimento… e desejo… talvez, mas Mitsuki parecia bem à vontade e sorria como uma criança que acabara de ganhar um novo brinquedo.
– Vamos lá Mu, sorria! – ela dizia sorrindo para a pequena câmera que batia fotos sucessivas em dados intervalos de tempo.
Mas ele não conseguia sorrir… a cada minuto, ela se posicionava num lugar diferente daquela cabine, ele nem imaginava como ela conseguia se mover direito ali dentro… só percebeu o quão perto estavam realmente um do outro quando ela abraçou-lhe por trás, na altura do pescoço, aproximando seus rostos para que tirassem uma foto juntos. Aquela aproximação realmente não parecia uma boa idéia. Mas logo depois que essa foto foi batida, ela começou a fazer caretas para a câmera, ainda por trás dele.
– Mu… você é muito parado! – ela dizia. – As fotos já estão quase acabando e você nem mudou a expressão… vamos lá, mostre uma careta!
Mu apenas arqueou a sobrancelha em resposta ao comentário dela. Fazer caretas! Só faltava essa!
– Dobrar as sobrancelhas não vale… eu vou te mostrar como se faz! – ela ainda estava falando por trás dele, e puxou as duas bochechas dele, esticando seu rosto, quando a máquina bateu uma última fotografia. – Hahahaha! Tá vendo que não é difícil! Vem, vamos pegar as nossas fotos!
Ela saiu da cabine, Mu não sabia por onde e tão pouco como ela conseguira sair daquele cubículo, mas uma vez mais ela o puxara para fora, ele massageava as bochechas… seu rosto estava vermelho dos puxões dela.
– Isso dói, sabia! – ele disse massageando o rosto enquanto ela pegava as fotos do lado de fora da cabine.
– Ah, que é isso… quando você era pequeno ninguém puxava as suas bochechas e começava a dizer como você era fofinho! – Mitsuki dizia de costas para ele, observando as fotos, e sem esperar que ele respondesse, virou-se e continuou a falar. – Olha só como você ficou engraçado na última foto! – ela quase esfregou o pequeno adesivo da foto deles no rosto do Cavaleiro de Áries.
– É… – ele concordou sorrindo sem graça e mantendo distância, antes que acabasse engolindo o pequeno adesivo. – Eu não acredito que fizemos isso…
– Por quê? Você nunca tirou uma foto na sua vida não? – perguntou Mitsuki já começando a andar e sendo seguida por Mu.
– Esquece… – ele dizia, andando lado a lado com ela e ainda passando a mão no rosto, mas havia certa dúvida se o vermelho de sua face era apenas pelos puxões que ela lhe dera…
– Nossa, seu rosto ficou mesmo vermelhinho… – ela dizia, quando se virou para ele para fitá-lo. – Acho que sua pele é sensível demais… – sorriu. – Vamos tomar um sorvete… depois vamos visitar um outro lugar.
– Mais um? – Mu perguntara um tanto quanto incerto.
– Como assim mais um? A gente ainda não foi em lugar nenhum! – ela dizia, e segurou o braço dele, puxando-o no meio da multidão e procurando por todos os lados algum lugar onde pudesse tomar um sorvete.
– Por Athena… o dia vai ser longo… – Mu dizia para si mesmo, e tinha acabado de perceber que o fato dela sair puxando-o sempre pelo pulso já devia ser algum tipo de mania de muito tempo.
– Hm… onde será que tem uma sorveteria aqui? – ela perguntou parando no meio da calçada e olhando para os quatro cantos.
– Eu não faço a mínima idéia. – Mu respondera, também olhando para os lados, tentando achar uma maldita sorveteria.
– Será que o mano conhece alguma coisa dessa cidade? – Mitsuki perguntara, ainda buscando atentamente com os olhos.
– Eu duvido muito… – Mu respondera, notando que mesmo parados, ela segurava o seu pulso como se não quisesse que ele fugisse. – Ele é o Cavaleiro que menos sai do Santuário…
– Um dia vocês ainda vão criar raiz… – Mitsuki comentara, quando seus olhos finalmente pararam olhando para frente. – Ah! Ali! Vamos lá…
Mu observou quando ela finalmente encontrou uma sorveteria e atravessou a rua correndo, por sorte, o sinal de pedestres estava aberto e eles não seriam arremessados para longe, ou ele precisaria ter feito alguma coisa para protegê-la.
– Você podia ser um pouco mais prudente de vez em quando, não? – Mu dissera quando já estavam do outro lado da rua, sãos e salvos.
– Ah… você por acaso me deixaria morrer? – perguntou Mitsuki de maneira travessa, virando-se para encará-lo enquanto esperava a resposta.
– Er… n-não… – Mu falara, mas antes de completar a frase com qualquer advertência, ela o interrompera, voltando a puxá-lo até seu destino final.
– Então não tem com o que se preocupar, não é! – Mitsuki dissera, entrando na sorveteria. – Então, você vai querer de que sabor?
– Eu não vou querer, obrigado. – Mu dissera, já procurando um lugar para sentar antes que ela voltasse a puxá-lo de novo.
– Você tem certeza? – ela perguntou antes dele chegar até a cadeira.
– Tenho. – Mu dissera finalmente sentando-se numa das cadeiras, esperando que ela pedisse o sorvete.
– Tá bom então. – ela disse indo até o balcão.
O Cavaleiro de Áries ficou sentado na cadeira, esperando que ela voltasse, estava olhando através da vitrine, o movimento na rua. Pessoas andando de um lado pra outro, apressadas em chegarem a seus trabalhos, ou atrasados para algum compromisso, outras pessoas apenas passeando, sem importar-se com nada ou ninguém… carros indo e vindo… aquele mundo nem parecia o mesmo no qual ele sempre vivera. Isolado nas montanhas de Jamiel ou então preso em sua casa no Santuário de Athena, longe de todo aquele mundo. Na verdade era difícil imaginar que era o mesmo mundo com tantas diferenças… e que aquelas pessoas que andavam tranqüilas com suas vidinhas corridas nunca imaginariam que ele e seus amigos davam suas vidas para que elas continuassem seguras em seu cotidiano… sob as ordens de Athena.
– Que foi! Por que está tão interessado na rua? – perguntou Mitsuki chegando de repente, sentando-se na cadeira de frente para ele e colocando a taça de sorvete na mesa, apoiando os cotovelos nesta.
– Nada demais. – ele dissera voltando de vez a sua atenção para a jovem sentada diante de si. No final, mesmo sendo irmã de um dos Cavaleiros de Ouro, ela era apenas mais uma daquelas pessoas que continuaria a sua vida tipicamente tranqüila e calculada… em sua casa, quando chegasse o fim da semana.
– Você está muito sério. – dissera Mitsuki notando a mudança de expressão do Cavaleiro diante de si. – Está merecendo mais um puxão de bochechas. – ela sorriu, levando uma colherada de sorvete à boca.
Mu sorriu de lado com o que ela dissera, não queria mesmo mais um daqueles.
– Tem certeza que não quer mesmo um sorvete? Está muito bom. – Mitsuki insistira.
– Tenho. – ele respondeu vendo-a tomar o sorvete de maneira apressada.
– Então eu vou acabar logo com esse pra gente poder sair daqui. – disse Mitsuki apressando-se em terminar o sorvete.
– Você poderia parar de correr pelo menos enquanto come. – Mu dissera observando-a praticamente devorar o sorvete.
– Ah… não me diga para não me apressar. – Mitsuki dissera balançando a colher na direção de Mu, apontando para ele. – Eu só tenho uma semana aqui por causa dos meus pais e do meu irmãozinho que também não ajudou muito… eu vou aproveitar isso muito bem antes de ter que voltar para aquele cativeiro. Eu sei que quando eu chegar lá vou levar uma baita de uma bronca… principalmente do meu pai quando souber que eu perdi uma semana inteira do curso de direito.
– Você não tinha concordado com o Shaka que quando chegasse em casa falaria com eles para poder mudar o seu curso e fazer algo de que gostava? – Mu dissera um tanto confuso e fitando a colher que ainda balançava em sua direção, temeroso que ela acabasse voando na sua testa daquele jeito.
– É, concordei… mas fui EU quem concordei, não o meu pai. – Mitsuki dissera, finalmente fazendo a colher voltar para dentro da taça e do sorvete e fitando a rua pela vitrine. – Sabe… mesmo implicando tanto com eles e o modo como eles me tratam… como se eu fosse algum objeto deles, ainda sinto saudades de casa, e ao mesmo tempo não quero voltar para lá nem tão cedo. É, minha vida é um tanto indecisa mesmo. Eu ainda nem sei o que eu quero fazer na faculdade… a única coisa que tenho certeza é que eu não nasci para ser advogada, promotora, juíza, ou seja lá o que for.
– Você vai acabar descobrindo uma hora ou outra. – Mu dissera.
– E você, quando decidiu que seria um Cavaleiro de Athena? – perguntou Mitsuki interessada.
– Acho que quando meus pais morreram. – ele disse aquilo com tanta calma que parecia não se importar com o fato… mas ele olhava fixamente para a mesa, aparentemente lembrando-se de alguma coisa. – Eu tinha só seis anos. Mas já treinava com o meu mestre. Depois que perdi meus pais, ele me levou até Jamiel, para me treinar para me tornar um Cavaleiro de Athena. Eu não pude salvar meus pais, mas como Cavaleiro de Athena, garanto já ter salvado muito mais pessoas.
– Ah… – Mitsuki ficou sem palavras depois do que ele dissera, deixou o sorvete de lado e levantou-se da cadeira, tentando deixar aquele clima de lembranças para trás. Curvou o corpo sobre a mesa, ainda de pé, aproximando o seu rosto do de Mu que instintivamente inclinou-se para trás para afastar-se antes que os dois batessem as testas… ou outra coisa… – Vamos deixar isso pra lá… vem, vamos passear mais.
Ela segurou as duas mãos dele, para que se levantasse dali e saíssem.
– Mas… você ainda não terminou o sorvete! – ele disse tentando fazê-la voltar.
– Besteira… eu tomo outro mais tarde. – ela disse virando-se para ele e sorrindo. – Vamos andar mais rápido.
Dessa vez ela parou para ficar ao lado dele e abraçou o braço esquerdo do Cavaleiro e começou a dar passadas largas e rápidas, obrigando Mu a fazer o mesmo. Ele ficou vermelho com a aproximação dela, mas continuou o caminho, sendo guiado por ela.
Os dois correram por, praticamente, toda a cidade pelo resto da tarde… Mitsuki sempre puxando Mu para todos os lados, qualquer coisa que ela visse, qualquer lugar que lhe parecesse interessante, era motivo de visitas e de apressar o passo, como se o lugar pudesse sumir a qualquer momento. Os dois passaram por museus, parques, praças, pontos turísticos em geral, e até mesmo algumas ruínas de templos antigos que também eram pontos de visita constante dos turistas. Ela sempre estava puxando-o por todos os lados e indo para todos os lugares que julgava maravilhosos… e ele sempre observava atentamente a cada sorriso da garota enquanto ela se divertia com as mínimas coisas.
Já estava tarde, eles estavam passando por um último parque no caminho de volta para o Santuário. Mitsuki caminhava ao lado de Mu, equilibrando-se num muro baixo que cercava os canteiros do parque.
– O dia foi divertido, não foi? – Mitsuki falara, sorrindo e de olho no caminho para não levar nenhuma queda.
– É… foi uma quebra de rotina. – Mu concordou, observando o péssimo equilíbrio dela. – Você vai acabar levando uma queda daí.
– Que é que tem? Eu não passo do chão. – ela disse sorrindo.
– Temos que voltar para o Santuário… já está escurecendo. – Mu dissera, ainda prestando atenção à qualquer movimento em falso dela.
– Tudo bem! – ela disse pulando do pequeno muro e ficando bem na frente dele. – Vamos então.
– Vamos. – ele disse aliviado ao perceber que ela não caíra daquele muro, mesmo sendo baixo.
Mas quando ela ia dar o primeiro passo, aconteceu uma coisa simplesmente imprevista… ela não caiu do muro, mas teve a capacidade de pisar no próprio cadarço e tropeçar, como sua amiga fizera na escada. Mu virou-se para ela quando escutou um pequeno grito assustado.
– Uahh! – Mitsuki estava indo de cara com o chão, quando o ariano a segurou, evitando que ela levasse uma bela de uma pancada.
– Você está bem? – ele perguntou, segurando a garota em seus braços, estavam praticamente com os corpos colados um no outro.
– Es-estou… – ela respondeu, ficando pela primeira vez vermelha com a proximidade entre eles. – Obrigada.
– Disse para tomar cuidado. – ele falou também um tanto incomodado com a aproximação.
– Er… você me salvou de novo. – ela sorriu lembrando do episódio nas escadas do Santuário e ignorando o comentário dele sobre ter que tomar cuidado.
– De novo… – ele completou, esquecendo completamente que ainda a segurava perto de si.
Instintivamente seus rostos foram se aproximando sem que eles percebessem, ainda se encaravam nos olhos e pareciam não se dar conta do que estavam fazendo. Quando conseguiam até mesmo sentir a respiração um do outro, Mitsuki sentiu uma pancada de leve nas costas, e virou-se de vez para constar o que tinha acontecido, quando viu uma bola de plástico perto de seus pés, e um garoto que corria para recuperá-la. Afastou-se de Mu que também olhava para a bola de maneira indagadora. Mitsuki abaixou-se para pegar o brinquedo e estendeu-o para o garoto que vinha em sua direção.
– É sua? – perguntou Mitsuki ao pequeno de cabelos negros e grandes olhos castanhos claros.
– Sim… – disse o menino recuperando o brinquedo. – Obrigado. – ele virou-se e saiu correndo na direção pela qual viera.
Mitsuki levantou-se e voltou-se na direção de Mu.
– Bom… er… – ela não sabia o que dizer diante da situação na qual se encontravam minutos atrás.
Pela primeira vez Mu encarou a garota e ela não sabia o que dizer, mesmo sendo tão extrovertida e cheia de iniciativas. Sorriu da atitude dela…
– Acho que temos que voltar agora… – Mu dissera por ela.
– É, temos que voltar agora. – Mitsuki concordara. – Vamos então.
Dessa vez ela seguiu ao lado dele sem puxar seu pulso ou pelo menos agarrar o seu braço. Os dois caminharam lado a lado até o Santuário, conversando de maneira cautelosa… pareciam constrangidos com o que tinha acontecido, ou com o que não tinha acontecido.
– É, o dia foi mesmo divertido hoje. – Mitsuki dissera quando já estavam perto de chegar ao Santuário. – Me desculpe por tê-lo obrigado a vir… às vezes eu faço as coisas sem pensar. – ela sorrira ao lembrar que ela dissera que ia sair com ele, sem ao menos dar chance para que o Cavaleiro respondesse.
– Não se preocupe com isso… – Mu respondera sorrindo para a garota e observando o sol que estava se pondo. – Foi interessante… e muito divertido.
– Que bom, pelo menos acho que você não vai me matar por isso… – ela sorriu mais ainda.
– Não… por enquanto. – ele brincou com o que ela dissera.
– Olha só! Você está ficando mais divertido hein! – ela parecia ter acabado de recuperar toda a sua disposição e estava contente, virou-se de frente para ele e segurou suas mãos. – Viu que não foi tão ruim!
– Você esqueceu uma coisa… – ele disse, parado de frente para a garota que continuava a segurar suas mãos.
– O quê? – ela perguntou de maneira confusa, o que será que tinha esquecido.
– A praia… – ele disse. – Eu não conheço muitas coisas aqui… mas sei que o mar é algo que não se pode deixar de lado quando se vem à Grécia.
– Ahh! – ela parecia decepcionada. – Você deveria ter me contado isso antes!
– Você estava tão ocupada parando em todos os lugares que encontrava no meio do caminho que não tive chances. – Mu comentou. – Eu posso levá-la antes que volte para casa.
– Mesmo! – Mitsuki perguntou empolgada.
– É… mesmo. – Mu concordou, sorrindo da atitude dela.
– Você promete! – ela perguntou mais empolgada ainda com a idéia.
– Claro… – ele respondeu um pouco confuso. – Pra que tudo isso?
– Pra eu ter certeza de que não vai esquecer. – ela disse. – Portanto você só vai voltar para Jamiel quando me levar à praia.
– Eu não vou esquecer. – Mu reforçara a sua idéia.
– Bom, o que ainda estamos esperando aqui? Vamos indo… ainda tenho mais uma semana inteira para aproveitar. – ela dizia. – E estou particularmente cansada, quero dormir.
– Vamos… – ele concordou começando a andar.
Os dois seguiram o resto do caminho até as casas de ouro no Santuário de Athena, conversando sobre o dia e sobre a praia… que Mitsuki agora esperava ansiosa para poder conhecer… antes que a sua semana no paraíso chegasse ao fim e tivesse de deixar o seu sonho para trás… mal sabia, no momento em que fora dormir naquela noite que não iria querer que seu sonho acabasse nem tão cedo, tão pouco que fosse deixado para trás… dormiu pensando no resto da semana que estava por vim e no resto das coisas que estariam por acontecer… breve.
Final do Capítulo Três
Sorry pela demora, mas finalmente chegou!
E aí está, a irmã do shaka fazendo mais bagunça possível no santuário e 'mexendo' com os cavaleiros desse grupo de Athena.
Bom, espero que continuem lendo… e se acham que o cap está merecedor de um review, ficarei imensamente feliz em recebê-la.
Ja ne.