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Author of 40 Stories |
Autora: Blanxe
Beta: Sem Betagem
Disclaimer: Os personagens de Gundam Wing não são meus, apenas o original Pietro Richelier.
Casais: 1+2+1
Gênero: Pós Endless Waltz,Yaoi,Romance, Ação e Angst.
Agradecimentos: Às meninas: Hokuto-Chan (fizeste um discurso eloqüente no fotolog da Fabi, valeu mesmo pela consideração); Litha-Chan (incentivo consciente pelo msn, muitíssimo obrigada) e Karura (que é minha amigona e não cansa de me ajudar sempre que pode com suas opiniões e idéias). A elas que me incentivaram durante o meu período de blackout (não que ele esteja sanado, mas já consegui me destravar um pouco…) Agradeço pela força de vocês…
Esta fic é dedicada à Ophiuchus no Shaina, que está no meu pé tentando me fazer voltar a escrever e sempre tentando me animar a continuar com as histórias… e que tb tem me mandado uma música atrás da outra pra desatrofiar minha mente… well… parece que funcionou, neh?… To em débito com ela… Thanks Fabie, essa fic é sua…
Prólogo
Duo:
Eu estava na plataforma de embarque. Mais uma vez esperava pelo transporte que me levaria para longe. Poderia dizer que tinham se tornado freqüente minhas mudanças, já que há muito tempo eu não conseguia passar mais do que míseros meses no mesmo lugar. Desta vez não era diferente. Eu admito que toda essa inquietação é algo de minha natureza, mas o fator só se agravou de uns anos para cá. É… existia uma causa para que eu vivesse naquela eterna jornada. Eu não era feliz e não encontrava lugar algum na Terra, nem nas colônias, em que me sentisse em casa. Mesmo com tantas viagens e mudanças, ainda não tinha encontrado um lugar que pudesse chamar verdadeiramente de lar. Tudo isso porque, há exatamente doze anos, o meu chão fora roubado debaixo de meus pés sem qualquer aviso prévio.
Então aqui estou eu, esperando por mais um transporte que me levará para outra cidade, outra tentativa de me reencontrar, e assim me distanciar mais e mais do local onde um dia eu havia sido realmente feliz. Uma felicidade ilusória, diga-se de passagem, porque no final, quando eu despertei para a dura realidade, vi que a felicidade apesar de ter existido, nunca fora recíproca. Ainda me doía lembrar, pois os acontecimentos haviam me afetado de forma definitiva, uma que nem mesmo eu poderia ter imaginado. É verdade… existe uma causa, existe um nome para a inconstância que hoje vivo. Existe um rosto e um corpo para a dor que vivia em minha alma.
Eu sempre achei que o nosso amor era garantido, que talvez durasse a vida toda. Era o que eu sentia. Mas deveria ter me precavido, sabendo que em cada estrada de nossas vidas, sempre existe uma curva que geralmente não vemos.
Ainda nos dias de hoje, sonho com ele. Não com a separação ou com os momentos ruins, mas sim como se eu ainda pudesse acordar ao lado dele e sentir sua respiração. Momentos em que nossas almas pareciam estar completamente ligadas. Nós tínhamos tudo. Nós nos sentíamos seguros, um nos braços do outro… ou pelo menos eu sentia. Ele era tudo o que eu precisava. Por ele, eu enfrentaria tudo, venceria qualquer obstáculo. Até que a ilusão se desfez e eu fui deixado com nada menos que um coração partido e uma vida para seguir em frente. Eu confesso que ainda tentei recuperar o que nós tínhamos, mas foi inútil. Caí na realidade quando ele gritou com todas as letras que não queria nada mais comigo, que eu havia sido uma mera distração, uma válvula de escape para ele se aliviar durante o período de guerra.
Eu chorei. Pateticamente eu chorei diante dele e disse o que eu acredito ser exatamente o que ele não gostaria de ouvir. Eu disse que o amava. Com isso ele deu o golpe final, dizendo que jamais poderia amar alguém como eu. Eu consegui me afastar. Mesmo com toda a humilhação, juntei os farrapos que restavam do meu orgulho e parti. Fui embora sem aviso, sem despedidas, sem rumo certo. Eu decidi firmemente naquela noite em que peguei o transporte para longe de tudo o que eu conhecia, que jamais cometeria o mesmo erro, jamais me apaixonaria novamente, para não correr o risco de me magoar daquela forma outra vez.
Para esquecer, não fiz contato com nenhum dos meus amigos. Não queria ouvi-los comentando sobre ele, e eu sei que eles falariam. Eu até temia ficar tentado a perguntar sobre o que dele se havia feito. Por isso eu segui assim, sozinho e sem rumo. Ao longo dos anos, amantes tive muitos, na tentativa de esquecer o toque dele - também tentando satisfazer a minha própria libido - mas nunca os deixei chegar perto o bastante para render-lhes meus sentimentos. Decepção eu não queria mais. E aos poucos eu percebi que não conseguia mais ficar parado num mesmo lugar, precisava de mudanças. Assim segui com a minha vida durante esses doze anos. Eu consegui parar numa colônia tempo suficiente para me formar e uso desse diploma para conseguir empregos em todo lugar novo que me instalo. Mas sempre que penso que esse lugar pode me abrigar definitivamente, quando dou por mim, estou de mudança outra vez.
Esta é mais uma dessas vezes. Sigo para esse novo lugar, essa nova cidade, onde mais uma vez tenho a esperança de me acertar definitivamente.
oOo
Heero:
Eu jamais pensei que me sentiria assim. Em meus 28 anos de vida, eu poderia dizer que tinha realizado tudo o que eu queria em minha vida, sem remorsos. Eu, junto com meus companheiros, havia vencido duas guerras com honras e méritos apesar da pouca idade que tinha na época. As lembranças daquele tempo ainda estavam vivas em minha memória, mas hoje vivo confortável e tranqüilamente na Terra. Eu levo uma rotina estável e trabalho com algo que não pude afastar da minha vida, que é a ação. Eu tinha me unido a uma das filiais dos Preventers, ganhando logo a posição de um agente de elite, e disso me orgulho mais do que tudo. Eu me casei ao completar a maioridade com uma garota por quem pensei estar apaixonado. Poderia mesmo ter sido paixão, porque passou quando o ímpeto de termos um ao outro se extinguiu. O que nos restou foi apenas o divórcio. Nós tínhamos dado a entrada no processo esta semana e ainda não era oficial a nenhum de nossos amigos a separação. Nós não queríamos criar alarde antes de tudo já estar resolvido.
Eu deixei a casa para ela e já tinha movido minhas coisas para um apartamento montado que aluguei próximo ao meu local de trabalho. Confesso que gosto da minha mulher, muito mesmo, mas não com a intensidade que ambos merecemos. Eu tinha me enganado, depositado minhas esperanças naquela paixão que eu pensei sentir por ela.
Ultimamente meus pensamentos têm se voltando para ele. A pessoa a quem eu abandonei logo depois da segunda guerra. Não sei por que depois de tanto tempo, a imagem e as lembranças dele invadem a minha mente. Eu nunca soube definir o porquê de durante as guerras tê-lo tomado como amante. Nós não tínhamos nada em comum um com o outro. Nossos pensamentos sempre colidiam e a única coisa que compartilhávamos era o ideal pela causa que lutávamos. Sempre vi em meu parceiro uma válvula de escape para as minhas frustrações e tensões. Quando eu tomava o seu corpo era como se conseguisse deixar para trás toda a pressão e medo que às vezes me atingiam, e ele sempre se entregava de forma intensa e total, nunca me negando nada.
Quando as guerras terminaram, eu vi que era o momento de seguir com a vida normal – procurar os meus verdadeiros objetivos - e eu o abandonei sem pensar duas vezes. Tê-lo como amante tinha sido bom, mas a vida real batia a minha porta e não o queria por perto para atrapalhar meu desenvolvimento. Acreditei que ele pensava o mesmo, que suas intenções comigo durante as guerras eram as mesmas que as minhas; só que me enganei. Ele me procurou e insistiu. Ele chorou diante de mim, enquanto eu negava o que ele mais queria. Chocou-me sua confissão ao dizer que me amava. Eu não senti pena dele, afinal, eu não tinha dado margem para que aquele sentimento surgisse. Fui sincero dizendo que jamais poderia amar alguém como ele. Não tínhamos afinidades, nosso objetivo comum não existia mais, então nosso caso também deveria seguir pelo mesmo caminho.
Ele partiu. Não se despediu de ninguém, nem mesmo daquele a quem considerava ser seu melhor amigo. Até hoje não sei o seu paradeiro. Ele simplesmente desapareceu.
Revivendo todos esses fatos em minha mente hoje, sinto uma ponta de saudade. Ele era uma pessoa cheia de vida, tão ativa e alegre. Me pergunto onde ele poderia estar nesse momento, onde viveria, qual seria o tipo de pessoa com quem estaria compartilhando sua vida, mas, principalmente, imaginando se ele estaria bem.
oOo
Quatre:
Era uma coisa boa de contemplar. Haviam mesmo se passado doze anos desde o final das guerras. Era bom saber que eu havia participado dessas duas conquistas. O que na minha vida tinha começado por motivos tolos, uma birra de um menino mimado, se tornara um motivo de desenvolvimento para mim. Era apenas um garoto na época, não mais que quinze anos, e viver em meio a toda aquela confusão, fazer parte de toda aquela causa, tinha me dado outra perspectiva de vida. Em meio a tanta violência e caos daquela época, consegui tirar muitas coisas boas, dentre elas a amizade de companheiros valorosos e um amor verdadeiro.
Quem poderia dizer naquela época que sobreviveríamos e nos tornaríamos as pessoas que somos hoje? Eu, por exemplo, dirijo a Winner Enterprises que herdei com o falecimento de meu pai, e tenho sempre a meu lado meu marido. Estamos mesmo juntos desde o tempo das guerras e oficializamos nosso relacionamento há mais de seis anos. Foi um casamento e tanto. Estávamos completos e felizes naquele dia, nossos amigos e família presentes, mas a falta de uma pessoa importante nos foi sentida com extrema tristeza. Um de nossos mais queridos amigos de guerra não esteve presente.
Tentamos encontrá-lo, ou pelo menos fazê-lo saber do acontecimento para que comparecesse, mas foi impossível localizá-lo. Ele era meu melhor amigo e eu queria tanto que estivesse presente naquele dia tão importante da minha vida. Eu sentia saudades do louco com sorriso e rosto de menino, que sempre iluminava qualquer ambiente com sua alegria contagiante. No fundo eu sempre soube que não o encontraríamos e que ele não compareceria ao casamento. Ele havia partido há tanto tempo. Confesso que fiquei magoado com sua súbita partida, sem deixar qualquer aviso, sem se despedir nem pelo menos de mim. Não digo isso querendo desmerecer nossos outros companheiros naquela época, mas ele era meu melhor amigo, sempre confidenciávamos tudo um ao outro, éramos quase como irmãos. Me magoou sim, quando ele sumiu e jamais deu qualquer noticia sobre seu paradeiro, mas hoje, eu só consigo sentir saudade e tristeza por sua ausência em minha vida e também na de nossos amigos.
Tenho uma vida feliz ao lado de meu marido, dirigindo as empresas que um dia foram de meu pai. Mas aquele menino travesso, o meu irmãozinho nas guerras, deixara um buraco impreenchível em minha vida.
oOo
Trowa:
Daqui eu posso vê-lo perfeitamente bem. Lindo e angelical como sempre, sentado trabalhando em sua mesa no escritório. A cada dia que passa, os anos, só me fazem amá-lo mais e mais, se é que isso é possível. Nós havíamos nos conhecido de forma inusitada, chegamos a lutar um contra o outro, mas nosso destino estava muito além das batalhas, interligados por um sentimento que foi, à primeira vista, algo mais do que forte.
Depois de todas aquelas batalhas desesperadas pela paz nas colônias e na Terra, nós finalmente pudemos encontrar a nossa paz. Ele decidiu tomar a liderança sobre os negócios da família e eu o incentivei a trilhar por esse caminho. Minha irmã no inicio não compreendeu o nosso relacionamento, devo dizer que ela desde que nos conhecemos, tinha aquele sentimento protetor, mas não tendo alternativas e vendo que nosso amor era realmente sincero, teve que aceitar.
Eu o pedi em casamento alguns anos depois, quando tive a certeza de que aquele era o último passo que faltava para nossa felicidade ser completa. Ele, como eu esperava, aceitou emocionado. Eu tinha que admitir que era o homem mais afortunado por ter uma jóia como ele em minha vida, mas senti a decepção que foi para o meu anjo a ausência de um de nossos companheiros. Ainda havia ressentimento por sua partida inusitada há tantos anos atrás. Tentei localizar aquele danado de todas as formas possíveis e inimagináveis para pelo menos fazê-lo comparecer ao casamento e assim ser completa a felicidade do meu pequeno anjo, mas foi em vão. Nem com a ajuda dos amigos que trabalhavam para os Preventers foi possível localizar o nosso querido fugitivo.
Até hoje posso ver uma pequena sombra de tristeza no olhar de meu marido quando este está muito pensativo, perdido em suas recordações. Eu sei que nesses momentos é nele em quem está pensando e para quem volta suas preocupações. Mas não o culpo. Até mesmo eu às vezes me pego pensando nele e sentindo falta de suas conversas incessantes ou de suas piadas sem graça. Mas não tocava no assunto, ou deixava transparecer, pois isso de nada ajudaria, pelo contrário, só aumentaria o pesar de meu marido por não saber onde o melhor amigo está.
Eu sempre disfarço e tento distrair meu anjo daquelas preocupações, pois tenho certeza que um dia nosso amigo vai reaparecer e nos sorrir mais brincalhão e inocente do que nunca.
oOo
Wufei:
Era de praxe ir todo ano à convenção na matriz dos Preventers. Há doze anos atrás eu tinha aceitado o convite de uma amiga para me unir à organização. Justiça era um grande e antigo ideal meu, e trabalhar com algo que sustentasse esse ideal, era algo que me fazia muito bem. Eu tinha conseguido exorcizar quase todos os fantasmas que haviam me acompanhado durante as guerras. Minha esposa e meu clã haviam sido mortos pela violência daquela época, mas hoje, descasavam em paz em minhas lembranças.
Eu consegui me estabelecer como um dos melhores agentes especiais de nosso departamento, talvez só perdendo para meu parceiro. Mas o que dizer sobre isso? Ele é um obcecado pelo que faz e não existe mesmo ninguém que consiga superar o Soldado Perfeito.
Lady Une, nossa comandante, havia confiado a mim o cargo de representante para aquelas convenções anuais, já que ela não queria e nem podia se ausentar do departamento. E eu sempre cumpria meu trabalho honrando a confiança que me era depositada.
Diferente dos meus companheiros, eu não havia me casado, ou constituído família. Não tinha encontrado a pessoa certa para dar tal passo ainda e não queria acabar com um casamento falido como o Soldado Perfeito. Ele tentava esconder, mas eu já havia percebido que as coisas entre ele e a esposa não estavam bem. Ele nunca tinha se dado conta, mas sua real chance de felicidade havia ido embora há doze anos, na forma de um americano sem travas na língua e com o sorriso mais lindo que eu já tinha visto. É… naquela época eu invejava o Soldado Perfeito por ter a seus pés o Deus da Morte, e isso eu não estou exagerando, pois ele tinha mesmo o garoto a seus pés.
Não sei bem o que aconteceu. Ninguém sabe. Um belo dia ele se foi, mas acredito que tenha alguma coisa a ver com o japonês idiota. E verdade seja dita, o grupo jamais foi o mesmo sem ele. De alguma forma percebemos que o americano era o grande ponto que nos ligava. Com sua partida nós continuamos amigos sim, mas não nos sentíamos tão perto um dos outros, como quando ele estava por perto.
De qualquer forma, já fazia tanto tempo. A única imagem que eu guardo dele é a lembrança em minha mente do garoto risonho que lutara durante a guerra pilotando o Gundam Deathscythe. Às vezes eu tento imaginar o quanto ele teria mudado e, com certeza, isso teria acontecido… todos nós mudamos. Estávamos com vinte e oito anos agora e quando o tínhamos visto pela ultima vez, ele só tinha dezesseis.
Era momento de eu parar de divagar. Meu transporte finalmente chegava à plataforma de desembarque e tinha que me apressar para pegar um táxi, me registrar no hotel e depois me preparar para convenção daquela noite.
Foi quando saindo do transporte e caminhando pela plataforma que eu passei por essa pessoa que andava na direção oposta que a minha. Algo aguçou a minha desconfiança, quando de relance eu reparei o balançar de uma longa trança. Imediatamente parei e me voltei para trás para ter certeza de que não estaria imaginando coisas. Deixei meus olhos se prenderem naquela figura que caminhava na direção do transporte que deixaria a cidade para seu próximo destino. Ele levava uma mochila pendurada apenas num dos ombros e a enorme trança estava lá, eu não havia imaginado nada. Mesmo estando de costas, eu sabia, tinha que ser ele. Ele estava tão perto de entrar naquele transporte.
- Maxwell! – eu gritei, chamando o seu nome.
Ele parou imediatamente ao meu chamado e se voltou na minha direção com a feição intrigada. Eu, mais uma vez, me vi sendo encarado por aqueles olhos ametistas que pareciam procurar tentar reconhecer quem eu era.
- Fei?
oOo
Continua...
Nova fic criada depois de um longo período de blackout…