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Author of 41 Stories |
Autora: Blanxe
Beta: Illy-Chan
Disclaimer: Os personagens de Gundam Wing não são meus, apenas o original Pietro Richelier.
Casais:1x2 5x2 5x1
Gênero: Pós Endless Waltz, Yaoi, Romance, Ação e Angst.
Esta fic é dedicada à Ophiuchus no Shaina…
Runaway to the wingless angels of sadness
Runaway fill me with peace just for now
Runaway if you hear my wish, give me happiness from now on.
Runaway there's been nothing good...
Capítulo 10
Em seu carro, Relena dirigia, enquanto notava o silêncio de Duo. O incomum e assustador silêncio vindo do americano, outrora tão falador e piadista. Ela poderia se ater ao fato dos longos 12 anos sem contato. Os anos podem mudar uma pessoa, principalmente alguém como Duo Maxwell, mas ela temia que dessa vez, aquele silêncio fosse por algo muito pior. Ela queria muito ligar para Heero e avisar que estava com ele, mas tinha medo do americano arrumar um jeito de deixá-la para trás. Se o perdesse agora, com certeza não existiriam segundas chances para ajudá-lo.
Relena olhava várias vezes de soslaio para o homem sentado no banco ao seu lado e percebia o tremor que ele tentava conter, enquanto se encolhia mais em sua jaqueta. Seu semblante estava pálido e seus lábios começavam a ficar ressequidos.
- Está sentindo dor, Duo?
- Apenas dirija. – Duo resmungou, olhando além da janela a seu lado. - Está tudo bem, não se preocupe.
- Como não vou me preocupar? – ela indagou. - Eu tenho um americano teimoso à beira de um colapso dentro do meu carro e você quer que eu não me preocupe?
- Está preocupada em ter que pensar em como se livrar do corpo? – Duo brincou, usando mais de seu bom-humor do que estava com real vontade.
Relena percebeu muito bem o quanto o homem ao seu lado estava tentando manter as aparências. Uma das coisas que aprendera casada com Heero fora ser observadora e mesmo que Duo ultrapassasse seu dom de atuação, não a enganaria ou desviaria sua atenção do fato de que ele estava usando de todo o resto de energia que lhe restava para cumprir uma meta. E ela não queria pensar que ele poderia perder aquela batalha.
- Estou falando sério. Eu acho que deveríamos voltar para um hospital, Duo.
- Se quiser, pode me deixar aqui e volte você. – ele ofereceu em teimosia.
Duo não ia desistir. Sabia que ainda tinha uma chance - mínima, mas tinha. De alguma forma a responsabilidade que pesava dentro de si era tamanha que não conseguia simplesmente ficar parado. Sua vida estava no fim e se ia morrer, que pelo menos fosse se redimindo completamente por seu erro.
- Em seus sonhos. – Relena ironizou, ainda seguindo a direção dada por Duo. - Para onde estamos indo? – ela perguntou, lembrando-se do telefonema que americano dera em seu celular, assim que deixaram o hospital.
- Encontrar uma pessoa.
- Ainda bem que é uma pessoa, não é mesmo? - ela falou com sarcasmo. - Quem?
Ele a olhou com ironia e mais uma vez ousou brincar.
- Vocês mulheres são tão fofoqueiras.
- E você tão ingênuo se pensa que se esquiva com esses deboches. – ela disse com falso humor e olhou para o homem ao seu lado e insistiu: - Quem, Duo?
Duo suspirou, em parte cansado, em parte vencido pela persistência da mulher, finalmente cedendo e respondendo, com a voz aborrecida.
- O cara que pegou o disco.
Relena arregalou os olhos. Como assim encontrar a pessoa que tinha roubado o disco de Duo? Se era exatamente aquele homem que Heero e os outros estavam atrás de encontrar, porque Duo estava indo enfrentar isso sozinho?
- Se você sabe onde encontrar esse homem, por que não avisou Heero?
Duo desviou o olhar outra vez para a janela. Fazer Relena entender seus motivos seria difícil. Não que ela fosse burra, mas sua lógica provavelmente bateria de frente com seus impulsos.
- Heero está, assim como os outros, desesperado demais para tentar encontrar uma cura para a minha doença. Acabaria metendo os pés pelas mãos. – Duo tentou conter a tosse que o acometeu e falou: - Além do mais, eu preciso convencer Pietro de que é prioritário acabar com a organização para a qual ele está trabalhando.
A crise de tosse finalmente irrompeu em Duo e Relena só queria dar meia volta com o carro e ir direto entregar aquele teimoso para Sally Po.
- Para quê? Salvar a sua vida é mais o importante de tudo agora.
- Não. – Duo contrariou, conseguindo conter a crise. - Eu estou muito além de qualquer salvação, Relena, mas se aquele disco for usado para os fins errados, eu vou ser o culpado pela morte de pessoas inocentes.
- Heero e os outros podem lidar com isso.
- Eles não convenceriam Pietro. – Duo disse pesaroso, sabendo muito bem que até suas chances de conseguir isso eram poucas. - E somente ele pode ajudá-los com a organização.
Relena não forçou mais o assunto. Duo parecia estar cansado demais e a cada minuto parecia ficar mais abatido. Ela não admitiria naquele momento, mas estava com medo, muito medo de que o que Duo dizia viesse realmente a se concretizar que ele estivesse mesmo acima de qualquer salvação e que morresse longe de Heero. O ex-marido jamais a perdoaria por isso, mas esse era o menor dos problemas, já que imaginava o sofrimento que abateria o japonês ao perder a pessoa por quem viera a se descobrir apaixonado depois de tanto tempo.
O telefone tocou e Heero grunhiu. Escutava o barulho do chuveiro, quando ele próprio já tinha acabado de tomar um banho. Wufei ainda se estendia no box por mais um tempo, enquanto ele já terminava de se enxugar e vestia uma boxer azul-marinho. Estava exausto, mas nem em pensamentos lhe ocorrera a palavra 'descansar', pois sabia que cada minuto estava contando para reaver aquele disco e quem sabe, salvar Duo: jamais conseguiria dormir tranqüilo com a consciência de que o americano estava no hospital, com sua vida se esvaindo. Tinha quase certeza de que Wufei pensava o mesmo - pelo menos se este o amava tanto quando ele próprio se descobrira amando - e disso, Heero não duvidava. Ele vira nitidamente nos olhos ônix os sentimentos que este guardava pelo americano, por isso, seu coração se contraía dolorosamente ante ao fato.
Wufei amava Duo e, por conseguinte, era correspondido. Escutara com todas as letras Duo confessar o amor que sentia, sempre sentira, por Wufei. O estranho era que não estava disposto a desistir ou recuar para dar seu lugar para o chinês, isso nunca. Aquele sentimento egoísta sempre voltava e o impulsionava a não tirar a idéia fixa de que reconquistaria Duo se necessário, não importando o que tivesse que fazer para isso.
No entanto, há pouco mais de uma hora, tinha feito sexo com Wufei. Um ato impulsivo, talvez desprovido de sentimentos, ou quem sabe não, mas o fato era que tinha permitido que acontecesse; que seu lado emocional sobrepujasse o racional e isso só acontecera com uma única pessoa e esta estava doente no hospital. Isso fazia com que quisesse refletir sobre muitas coisas, mas o barulho do maldito telefone não deixava.
Deixou o quarto, indo até a sala atender o aparelho, escutando a água do chuveiro cessar exatamente nesse instante.
- Alô.
- Heero?
Aquela voz fez Heero gelar por dentro. Os piores pensamentos lhe abateram. Duo… Tinha acontecido algo com Duo!
- Sally?
Para a sua surpresa, a presença do chinês vindo do quarto, ainda um pouco molhado e tendo apenas uma toalha enrolada ao redor da cintura, lhe desconcentrou.
- Aconteceu alguma coisa? – Wufei perguntou, se aproximando e preocupado ao escutar o nome da médica dito por Heero, mais uma vez. A mesma preocupação intensa o invadindo. - Duo está bem?
Heero fez sinal para que Wufei esperasse.
- Heero, não tenho boas notícias. – Heero queria gritar para que Sally não enrolasse tanto, mas esperou e logo ela disse: - O Duo… Ele sumiu.
Tudo bem que ele esperava alguma notícia bombástica, mas um 'Duo sumiu', era tudo o que ele jamais imaginara àquela altura dos acontecimentos.
- Como assim sumiu? – Ele exaltou-se, afinal, como aquele americano poderia ter sumido no estado em que se encontrava?
- Deveríamos ter desconfiado que aquele desgraçado não ficaria deitado, esperando. – Heero escutou Wufei dizer, voltando apressadamente para o quarto, onde viu pela porta que estava aberta, ele catar um par de roupas em seu armário e começar a se vestir, mas logo voltou a sua atenção para o que a médica falava ao telefone.
- Eu não sei, mas eu acredito que sua ex-mulher esteja com ele. – Relena… ele tinha pedido para que ela passasse a noite com Duo, até que alguém pudesse cobri-la. - Ela tinha chegado ao hospital, e como você mesmo pediu foi lhe dada autorização para que ficasse com Duo.
Heero raciocinou rápido. Se Relena estava com Duo, isso indicava que as coisas não eram tão ruins assim, ou não. Pelo que conhecia do americano, poderia dizer que ele não desistira de agir por conta própria, e se a ex-mulher estava levando a sério a missão de olhar por ele a seu pedido, estava grudada naquele idiota. Esperava realmente que fosse isso e não algo pior.
- Ok, Sally. Conseguiu alguma coisa com o vírus? – Heero perguntou, ainda com alguma esperança de que a médica dos Preventers pudesse descobrir um meio de reverter a situação de Duo, mas a resposta não suprimiu a essa ânsia.
- Sinto muito, ainda não.
Era um pouco decepcionante escutar aquele tom de quase derrota na voz da médica, mesmo assim não iria desanimar. Heero alarmou-se ao ver o chinês já completamente vestido, se dirigindo para a porta.
- Se tiver qualquer novidade, me ligue imediatamente. – o japonês se despediu, colocando rapidamente o fone no gancho e chamando a atenção do parceiro. - Wufei, espere!
O chinês parou a um passo da porta e voltou-se aborrecido para Heero.
- Esperar o quê?
Para Wufei não existia o que esperar. Pelo que escutara da conversa, Duo tinha sumido do hospital e, se ele tinha sumido, quem garantia que não havia sido pego pelas mesmas pessoas que estavam com o disco? Ele não estava em condições de fugir do hospital sozinho, muito menos enfrentar quem quer que fosse. Não queria nem pensar na possibilidade dele estar…
- Vou ligar para Relena. – Heero cortou seus pensamentos. - Sally acredita que eles estejam juntos.
Wufei franziu o cenho, momentaneamente abandonando a idéia de sair às cegas à procura de Duo.
- Maxwell e a sua onna juntos? – era irônico, porque não dizer ridículo, imaginar Duo e Relena fugindo do hospital juntos. E para fazer o quê? – O céu virou cor de rosa?
Heero o fuzilou com o olhar pela descrença de Wufei e replicou pegando o fone novamente e discando o número do celular da ex-esposa:
- Deboches e piadas nunca foram seu forte.
Wufei não respondeu, apenas esperou que Heero fizesse a sua ligação, no fundo torcendo para que Relena atendesse e confirmasse que estava com o americano e garantisse que ele estava bem.
- Ou a bateria acabou ou ela desligou o aparelho de propósito. – Heero disse, após ter escutado o sinal de chamada e em segundos depois este simplesmente ser cortado. – Eu tenho certeza que estão juntos, mas por que ele está fazendo isso? Nós avisamos que cuidaríamos de tudo.
Wufei não precisou pensar muito para responder aquela pergunta de Heero. Ele parecia saber muito bem como funcionava aquela cabeça confusa do americano, mesmo tendo o reencontrado há tão pouco tempo.
- Eu acredito que ele se sinta culpado e queira algum tipo de redenção, resolvendo tudo por si mesmo.
- E causando a própria morte. – Heero completou de imediato, um pouco de raiva embutida em sua voz. Raiva pela estupidez de Duo e por estar vendo que o americano parecia estar cada vez mais longe de qualquer salvação.
- Se este for o preço a pagar, eu acho que está mais do que disposto. – Wufei confirmou, deixando seu desapontamento misturado com a tristeza virem à tona.
Heero se compadecia dos sentimentos de Wufei, pois ele próprio os compartilhava. Perder Duo seria a pior coisa que poderia acontecer naquele momento e era ainda mais revoltante saber que o próprio não ligava para issoque parecia não se importar com o que eles sentiam. Mais uma vez era seu egoísmo falando, afinal, Duo estava agindo com a intenção de salvar muitas vidas, enquanto ele e Wufei priorizavam, sem sombras de dúvidas, apenas a dele, pelo menos no momento atual.
- Eu já disse que não vamos perdê-lo. – repetiu-se, relembrando suas palavras após de terem feito sexo e isso trouxe à tona a condição estranha que compartilhavam.
Viu Wufei desviar brevemente o olhar e, um pouco sem jeito, tentar falar algo a respeito.
- Yui, entre nós dois… Pode ter sido por impulso, frustração, eu ainda não sei, e não queria pensar nisso agora, mas…
- Não é hora para isso. – Heero o interrompeu. Assim como Wufei não estava preparado para falar e lidar naquele exato momento com o que tinham feito, ele também não estava. Não queria pensar em nada além de encontrar Duo e resolver aquela situação. As conseqüências sobre aquela noite poderiam resolver depois, mas o chinês parecia não pensar tão similarmente a si.
- Eu amo o Duo, Yui e…
- E eu também, acho que já tínhamos nos entendido quanto a isso. – ele cortou mais uma vez e foi para o quarto colocar uma roupa. - Estamos perdendo tempo aqui.
Wufei balançou a cabeça negativamente, impressionado como Heero se impedia demonstrar os próprios sentimentos. Mas talvez o que tinham passado há tão pouco tempo tivesse sido mesmo apenas um alívio para ele, talvez fosse melhor seguir sem pensar e apenas esquecer que acontecera. Só não sabia se conseguiria tão facilmente como o japonês.
Quatre desligou o telefone e Trowa olhou-o preocupado ao notar sua expressão consternada e nervosismo. Eles tinham chegado à pouquíssimo tempo em casa e o máximo que conseguiram foi ele ser colocado na cama como se fosse uma criança doente, enquanto o loiro expusera a intenção de ir preparar um banho, mas tudo acabou num piscar de olhos com o toque do celular. Não precisava ser um gênio para desconfiar e ter quase a certeza que era algo relacionado ao americano que haviam deixado internado no hospital. Sabia que não deveria ser nada tão grave, pois o marido ainda não desmoronara, mas definitivamente alguma coisa acontecera.
- O que aconteceu? – Trowa perguntou, vendo os olhos aqüa-marine focarem-se em si.
- Duo fugiu do hospital. Wufei acabou de me avisar.
Por algum motivo não se surpreendeu com aquela notícia. Duo era teimoso e detestava depender dos outros para resolver seus próprios problemas, mesmo que suas condições fossem praticamente terminais. Só que existia mais alguma coisa implícita na forma como Quatre não o encarava e andava de um lado para o outro no quarto.
- E? – o moreno questionou indo mais além do que o amante havia lhe falado.
- Heero e Wufei vão atrás dele. – Quatre informou e isso também não causou qualquer espanto em Trowa, afinal, era tão óbvio que ambos estavam perdidamente apaixonados pelo americano, que era compreensível que fossem até o inferno por ele, mas o que o amante disse em seguida foi o que finalmente deixou o moreno apreensivo - Trowa, eu vou até Kyoto.
- O quê? – perguntou controlado, mas com tom de incredulidade.
- Eu tenho que ir até lá. – Quatre confirmou, parando de tentar abrir um buraco no assoalho e encarando os olhos verdes do marido. Ele sabia que suas palavras não tinham agradado Trowa em nada, mas estava sendo consumido por aquela incapacidade de fazer alguma coisa, em apenas ter que cruzar os braços e esperar. Não queria esperar até o dia seguinte para investigar, ainda mais depois de Duo ter ido de resolver tudo por conta própria. Era contraditório o fato de uma pessoa no estado em que o americano se encontrava estivesse lutando com as últimas forças que lhe restavam para mudar as coisas, enquanto ele, que estava bem, não fazia praticamente nada para ajudar seu amigo.
- Fazer o quê?
Quatre respirou fundo e se sentou à beira da cama, de frente para o marido e explicou de forma a tentar convencer o outro de sua necessidade de ajudar.
- Wufei disse que Sally não está conseguindo um antivírus pra parar a progressão do estado de Duo. Aquele cientista, que Duo estava atrás, foi assassinado em Kyoto e trabalhava lá. Não posso esperar até amanhã. Se eu for até lá, talvez consiga alguma coisa, talvez achar algo sobre a pesquisa.
- E você acha que os caras que mataram o tal cientista não levaram embora todas as provas ou pesquisas relacionadas ao vírus? – Trowa contradisse.
- Não sei, Trowa! – Quatre exasperou-se, se levantando da cama e passando uma das mãos nervosamente pelos fios loiros e voltando a encarar o marido. - Eu não posso ficar parado esperando ele morrer, só isso. Talvez não exista nada, mas talvez exista, e qualquer coisa que eu consiga pode ajudar a Sally no trabalho dela.
Trowa riu silenciosamente e balançou a cabeça displicentemente.
- Eu pensei que essa adrenalina toda não voltaria nunca mais às nossas vidas.
Quatre entendeu de imediato o que o marido quis dizer com aquelas palavras e com isso, parte da tensão que estava sentindo se esvaiu um pouco. Nenhum deles poderia conceber que teriam que vivenciar aquele tipo de ação, todos juntos novamente, tantos anos depois, apesar de ser bem diferente da época das guerras.
- Ninguém imaginou que um dia ele fosse voltar, não é? – Quatre falou, e era a verdade, por mais otimistas que fossem, ninguém apostava mais que veriam Duo Maxwell outra vez, e ele parecia ser o único capaz de gerar aquele tipo de confusão que unia o grupo daquela forma.
- Acho que não. – Trowa confessou o óbvio, já que nem mesmo para a festa de sua união estável com Quatre, eles haviam conseguido localizar o americano que simplesmente evaporara, apagando todas as pistas que pudessem levá-los a seu paradeiro.
- E agora que ele voltou… - Quatre continuou, voltando a demonstrar sua frustração. - Como vamos enfrentar que tudo só aconteceu para podermos enterrá-lo apropriadamente? Eu não posso aceitar isso, Trowa.
Trowa sabia que Quatre não teria paz mental enquanto não fizesse o que achava ser certo não teria como impedi-lo também, mas não poderia permitir que o marido enfrentasse isso sem ele.
- Você não vai sozinho.
- E você não vai comigo. – Quatre rebateu apontando. - Sua perna…
- Eu posso me virar bem… - Trowa começou, sendo interrompido imediatamente.
- Você poderia me atrapalhar… - o loiro rebateu, vendo Trowa elevar uma das sobrancelhas, demonstrando visivelmente que achava a hipótese ridícula. - Tudo bem, eu não quero que você se machuque mais. Eu posso ir e voltar sem problemas. Confie em mim, eu ainda sei me defender sozinho.
Trowa ponderou por alguns segundos, mas acabou cedendo.
- OK. Mas qualquer problema, qualquer um, telefone direto pros Preventers.
- Obrigado, Trowa. – Quatre sorriu e adiantou-se para abraçar o marido.
- Se cuide. – ele pediu, retribuindo o abraço.
Quatre se afastou e assentiu com a cabeça, se levantando em seguida e deixando o quarto e logo a casa. Mesmo com a ciência de que Quatre, por ter sido como ele um piloto Gundam, era capaz de lidar com situações mais adversas, Trowa não conseguia deixar a preocupação de lado. Mas fora inútil persuadi-lo do contrário, assim como era inútil querer enganar a si próprio em dizer que ficaria parado ali esperando.
Relena estava cansada de dirigir, quando finalmente Duo mandou que parasse em frente a um prédio comercial. Era ali que provavelmente o tal Pietro estava e foi impossível para ela não ficar temerosa. Queria que o homem ao seu lado mudasse de idéia, desistisse e voltasse com ela para o hospital. Duo se endireitou no banco do carona e ela se alarmou quando ele trincou os dentes e sua expressão se contorceu de dor, deixando que um gemido escapasse de sua garganta.
- Duo, você tem que voltar para o hospital. – Relena disse aflita, vendo o quanto o americano parecia estar sofrendo. – Lá eles evitariam que você sofresse assim.
Duo não respondeu de imediato, querendo continuar a controlar a respiração que se tornara errática, mas ainda buscava amenizar o próprio estado, ao mesmo tempo em que agüentava a dor que percorria mais intensa por todo seu corpo.
- Do tipo, morte sem dor? – ele brincou, depois que conseguiu ter confiança para falar sem deixar que a voz falhasse.
- Olha pra você, Duo. – ela falou com comiseração. - Você não vai conseguir o que quer assim. Por favor. – sua voz praticamente implorava para que ele a escutasse.
Duo sorriu e abriu a porta do carro, saindo deste e batendo a porta em seguida. Antes que ela pudesse fazer o mesmo para segui-lo, ele se inclinou na janela e ordenou:
- Vá embora Relena.
Ela riu sardonicamente e afirmou:
- Nem morta.
Duo ficou sério. Não tinha como convencê-la, mas também não poderia levá-la, seria impróprio em sua situação.
- Eu disse, vá embora! Eu vim esse caminho todo para recuperar aquele disco e se você vier comigo vai estragar tudo. É isso que quer? Colocar em risco a vida de milhões de pessoas por teimosia?
Ele reparou em como ela comprimiu os lábios, frustrada por ter que escutar aquilo e não poder rebater e quase respirou aliviado quando ela ameaçou, ao mesmo tempo em que dava partida no carro novamente:
- Eu vou chamar o Heero.
- Chame quem você quiser. – ele disse sombriamente se afastando, para em seguida sussurrar para si mesmo: - Quando chegarem aqui, já vai ter acabado.
O carro de Relena se afastou, enquanto ele seguiu para dentro do prédio.
Duo estabilizou-se a muito custo para andar normalmente até o elevador, apesar de seus passos serem bem mais lentos do que o normal. Encontrar Pietro não era uma coisa tão difícil assim para ele. O ex-amante mantinha os mesmo números de conexões para celular e sua aceitação em recebê-lo era unicamente porque ainda guardava algum sentimento em relação a si. O fato não alterava o jeito resguardado que Pietro tomara em sua posição. Ele tivera que assegurar que viria sozinho e que não haveria truques, e não haveria, realmente, pelo menos não se pudessem conversar. Percebera que existiam homens da organização espalhados à paisana pelo lugar, principalmente em frente ao prédio, por isso, tratara Relena de forma tão rude. Tinha que afastá-la de qualquer ameaça e se Pietro decidisse que ela seria um risco, não vacilaria em matá-la para preservar seus interesses.
Ele subiu até o sexto andar, seguiu até a porta de número 603, onde dois homens guardavam a entrada. Ambos fizeram a revista assim que dissera seu nome. Pietro certamente avisara sobre sua chegada. Um deles o acompanhou para dentro, onde havia um salão grande, mobiliado como se fosse um local de espera, quase uma recepção, e caminharam até uma ante-sala, na qual o capanga bateu na porta anunciando que a visita havia chegado.
Recebendo uma ordem positiva de Pietro, o homem abriu a porta e meneou com a cabeça para que Duo entrasse. Não demorou para que ele acatasse a indicação e logo tivesse a porta fechada atrás de si. À sua frente, sentado a uma grande mesa, Pietro sorriu ao vê-lo, mas seu olhar oscilou para aquela impressão preocupada, assim que notou que algo não estava bem com o americano. Duo não o culpava, mas mais do que ninguém sabia que estava nas últimas e não precisava ser lembrado disso a cada segundo, pois só faziam as coisas parecerem piores.
- O que você fez com o disco?
Pietro franziu o cenho e juntou as mãos em cima da mesa, entrelaçando os dedos.
- É só nisso que você pensa?
- No momento é. – Duo disse lutando para evitar que a voz saísse trêmula.
- Esqueça o disco, Duo. – Pietro aconselhou, ainda o inspecionando com o olhar. - Quantas vezes vou precisar repetir isso? Já está ficando chato e… você deveria descansar. Está péssimo.
Duo nunca tinha pensado que seria fácil, até porque Pietro deixara-o pendurado naquele terraço e teria morrido,não fosse Heero, com a ajuda de Wufei, tirá-lo daquela situação...e isso tudo, por querer recuperar definitivamente aquele disco. Pietro não entregaria o cd de mãos beijadas só pela beleza de seus exóticos olhos violetas. Ele precisava atingir o ex-amante de alguma forma e mesmo que essa fosse algo que já usara antes, tentou mais uma vez buscar pelo afeto que sabia existir no loiro em relação a si.
- Eu não vou esquecer o disco porque graças a ele eu vou morrer.
Pietro franziu o cenho, completamente confuso com o que Duo lhe dissera.
- O quê?
Duo respirou mais profundamente, expressando estar tomando fôlego para contar uma história, quando no fundo estava buscando ar para se manter estável.
- Sou eu, Pietro. – confessou, ainda jogando a verdade para tentar comover o ex-amante. - O objeto de teste que o Marshall estava escondendo.
Dessa vez foi Pietro que pareceu perder a cor. Ele piscou algumas vezes e se levantou.
- Como?
- Eles me usaram e eu só soube pouco antes de Marshall morrer, que eu sou o hospedeiro do vírus que seu chefe está atrás. Pode conferir no disco, se duvida.
- Eu não acredito…
Pietro se negava a aceitar a realidade, ou pelo menos acreditar nela. Aquele tempo todo vira aos poucos Duo aparentar estar cada vez mais doente e nunca percebera o quão grave poderia ser. Como poderia? Jamais passaria por sua cabeça que justamente o homem por quem nutria algum sentimento estaria ligado diretamente às pesquisas do vírus que seu chefe tanto queria. Sabia sim, que Duo trabalhava no laboratório, pois ele próprio o apresentara a Marshall, mas nunca desconfiaria que envolveriam Duo daquela maneira. Foi arrancado de seus pensamentos quando viu Duo ser tomado por uma crise forte de tosse e imediatamente estava ao lado do americano, dando-lhe apoio e percebeu como estava quente e o quanto tremia, em meio aos espasmos causado pela tosse.
- Vê? Eu estou morrendo. – Duo disse, mostrando a mão manchada de sangue que afastara da boca, causando mais espanto ainda no espanhol. – Pietro, o conteúdo desse disco é perigoso demais, você tem que me devolver ou destruí-lo.
- Não existe nada naquele disco que possa curá-lo? – Pietro questionou, vendo o olhar acusador de Duo voltar-se diretamente para si.
- Você matou, em Kyoto, a única pessoa que poderia me ajudar.
Pietro engoliu em seco… O parceiro de Marshall que estava no Japão…
- Não pode ser verdade…! Duo. Deve existir uma cura!
- Não existe! – Duo explodiu, causando uma onda de vertigem que aos poucos se dissipou. - Agora é tarde… Por favor
- Você vai voltar comigo para a Espanha. Lá eles cuidarão de você.
Duo riu sardonicamentefrente à tamanha "ingenuidade" que Pietro demonstrava.
- Antes de chegar lá eu já teria morrido... e se caso o meu corpo suportasse, eu seria mais uma vez, talvez até numa escala pior, um rato de laboratório. – Duo disse pesarosamente, transmitindo em seus olhos violetas algo que pareceu sensibilizar o espanhol. - Seu chefe me usaria, você sabe disso. Eu sou exatamente o que ele quer.
Duo ficou ansioso quando Pietro se afastou de si e foi até a mesa. Quase sorriu abertamente quando o viu pegar, dentro de uma das gavetas, o disco que tanto queria e lhe trouxera inúmeros problemas até então. Finalmente poderia colocar um fim em todo aquele pesadelo e descansar.
O loiro se aproximou mais uma vez e estendeu o disco, que Duo pegou rapidamente, sem qualquer hesitação. Ele olhou nos olhos de Pietro passando seu breve agradecimento e se despediu:
- Eu tenho que ir.
Pietro viu Duo se virar para partir com o disco e sussurrou:
- Eu sinto muito.
Duo sentiu a dor do golpe em sua nuca, ao mesmo tempo em que tudo ao seu redor escureceu, enquanto seu corpo foi agilmente amparado antes que atingisse o chão.
- Você vai voltar comigo para a Espanha. – Pietro disse, olhando a figura imóvel em seus braços.
Ele não permitiria, depois de saber que Duo estava ligado diretamente à pesquisa do vírus e principalmente terminalmente doente, que ele simplesmente fosse embora.
Continua...
Nota da Beta Illy-chan HimuraWakai - Ainda EM COMPLETO ESTADO DE GRAÇA com a transa do Heero e do Wufei XD
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