Help
Home Just In Communities Forums Beta Readers Search
B s . A A A   full 3/4 1/2   E E   Light Dark
Anime/Manga » Gundam Wing/AC » Open Road
Blanxe
Author of 41 Stories
Rated: M - Portuguese - Romance/Angst - Heero Y. & Duo M. - Reviews: 98 - Updated: 07-02-08 - Published: 03-11-06 - id:2839935
Share

Autora:Blanxe

Beta: Illy-Chan

Disclaimer: Os personagens de Gundam Wing não são meus, apenas o original Pietro Richelier.

Casais: 1+2 5x2 5x1

Gênero: Pós Endless Waltz,Yaoi,Romance, Ação e Angst.


What was your motive in this fight?
Did they play you for the weaker of them?
How could you ever think you'd make it here?
Was it greed that pushed your heart through the struggles you've endured?


Capítulo 11

Relena se alarmou ao ver de longe a movimentação na entrada do prédio, de onde não demorou muito para que um carro com vidros escuros deixasse a garagem, escoltado por mais dois. Ela praguejou querendo saber onde estava Heero - tinha lhe telefonado e confirmado que estivera com Duo e informado sua atual localização. Conhecendo o ex-marido e suas tendências suicidas, já era para ele ter chegado ali, então por que demorava tanto? Não sabia ao certo o que fazer, principalmente por seu sexto sentido estar gritando que deveria seguir aqueles automóveis ; que havia algo neles que não poderia perder.

Sem pensar mais, ela deu partida em seu carro, determinada a seguir os veículos, mas antes que pudesse arrancar, uma mão segurou seu braço que estava ao volante e ela olhou assustada pela janela, respirando com alívio ao ver o semblante sério de Heero.

- Onde ele está? – o japonês questionou e ela reconheceu o olhar que era tão comum quando ele era apenas um piloto Gundam.

- Ele tinha entrado nesse prédio. – Apontou, reparando em Wufei que, ao escutar isso, apressou-se para a entrada da construção.

- Wufei! – Heero chamou, dando o primeiro passo para seguir o parceiro, sendo impedido pela pegada da ex-mulher em seu braço.

- Heero, você tem que fazer outra coisa agora. – ela reparou que o chinês já havia desaparecido dentro da portaria. – Entre no carro. Rápido!

Heero estranhou a atitude da mulher, mas não contestou, sabendo bem que ela não lhe exigiria tal coisa se não tivesse um propósito forte. E assim que bateu a porta, Relena arrancou.

- O que está acontecendo? – ele perguntou ansioso.

Prestando atenção no trânsito e na direção em que os carros seguiam, Relena respondeu:

- Se eu estiver com meu sexto sentido em dia, Duo pode estar em um daqueles carros que vão lá à frente.

Heero identificou os carros que Relena apontara. Todos os três seguiam próximos um do outro e eram sem dúvidas suspeitos, com aquele estilo em que até mesmo os vidros eram escurecidos para evitar que se identificasse quem quer que estivesse em seu interior.

- E se não estiver? - Heero ainda ponderou.

- Wufei já está no prédio. – ela lembrou. – Se Duo ainda estiver lá, ele vai encontrá-lo.

Heero olhou desconfiado para a ex-mulher, mas não a contrariou, afinal, não poderia permitir que perdessem Duo, se este realmente estivesse dentro de um daqueles carros. Esperava que se não fosse o caso, Wufei pudesse agir sozinho e conseguisse encontrá-lo de qualquer forma. Isso era tudo o que importava no momento.

oOo

Duo grunhiu sentindo seu corpo inteiro protestar ante a dor que por ele se espalhava, somando pontadas latejantes em sua nuca. Estava deitado e pela vertigem, quase certo que estava em movimento também. Um carro, provavelmente.

- Não se mexa muito, Duo. Só vai causar mais dor em sua cabeça.

Pietro, bem perto de si. Recapitulou os acontecimentos de que se lembrava e concluiu basicamente o que estava acontecendo.

Abriu os olhos com algum custo, pois até suas pálpebras pareciam protestar e assim que ganhou foco, localizou o loiro sentado no banco da frente ao lado de um motorista.

- Não se preocupe. Você vai ficar bem. – Pietro garantiu, voltando-se para trás e olhando-o com aquele jeito preocupado.

Ele queria deixar o país, concluiu Duo, provavelmente levá-lo de volta para Espanha. Tinha certeza que Pietro estava convicto que nos laboratórios de lá poderiam salvá-lo, entretanto, ainda que fosse verdade, não agüentaria uma viagem. O disco era tudo o que importava agora. Nada mais.

Fez um leve movimento para tentar se sentar, suportando um choque de dor que se espalhou por todo seu sistema com o movimento. Desarmado, teria mais uma desvantagem contra si.

- Por que simplesmente não fica deitado e descansa? – Pietro lhe perguntou, reparando no outro homem sentar-se com dificuldade, ofegante, quando finalmente recostou-se no banco detrás.

Duo nada respondeu; tentava suprimir os ofegos para que não deixassem tão evidente sua vulnerabilidade, apesar de saber que isso certamente era inútil já que Pietro conhecia sua situação. Entretanto, não era porque estava morrendo que perderia seu orgulho e demonstraria suas fraquezas.

Ele queria o disco, então analisou qual o local mais provável para o maldito estar. O motorista estava distraído demais com a direção, guiando-os por um caminho que Duo reconhecia e que os levaria para o aeroporto.

- Você não vai conseguir deixar o país. – conseguiu falar, achando a voz ainda mais rouca que o normal. – Os Preventers já devem estar avisados.

Pietro o olhou pelo retrovisor e afirmou:

- Eu não vou deixar o país. – o loiro viu os olhos violetas lhe encararem confusos e logo deu uma explicação: – Você vai.

Duo fechou o cenho e mesmo com sua cabeça latejando entendeu plenamente o plano de Pietro. Ele lhe mandaria com o disco direto para as mãos de seu chefe. Certamente os Preventers procuravam por Pietro, mas não por Duo Maxwell.

Estava cansado, queria desistir, porém, não poderia. Se fosse apenas a sua vida que corresse risco, não se importaria… Tinha que pensar num meio de sair daquela situação e destruir o disco. Infelizmente não estava armado e, ainda por cima, se encontrava no limite do que deveria suportar. E estando no limiar, Duo apenas agiu com o instinto de levar - de qualquer forma - aquele maldito disco consigo.

Pietro não teve reflexo suficiente para reagir a tempo quando Duo repentinamente inclinou-se para frente e, utilizando-se de uma força que não aparentava ter, torceu o pescoço do motorista, causando um barulho que o fez arregalar os olhos azuis ao ver o corpo sem vida do homem ao seu lado bater de encontro ao volante e de imediato, o carro perder a direção.

oOo

Tanto Heero, quanto Relena, se assustaram quando viram um dos carros, mais precisamente o que seguia entre os outros dois, simplesmente dar uma guinada em seu percurso, como se estivesse desgovernado. Era sinal de que algo estava extremamente errado e provavelmente isso tinha a ver com Duo.

Milhares de possibilidades passavam pela mente do japonês que, ao ver o veículo que ia mais atrás se aproximar do outro, tomou uma decisão drástica baseando-se na simples suposição de que Duo estaria tentando escapar daquele carro sem direção.

- Acelera, Relena! – ele ordenou.

A loira hesitou apenas um segundo, o suficiente para olhar de esguelha para o homem ao seu lado e ver seu olhar calculista na direção dos carros mais a frente. No segundo seguinte ela cumpriu com a demanda, pisando fundo no acelerador e dirigindo de forma a alcançar o carro que estava na mira de Heero.

O pouco tráfego daquele horário apenas ajudou e quando se viu perto o suficiente para garantir uma boa mira, Heero pegou a arma no coldre por dentro de sua jaqueta e debruçou-se para fora do carro em movimento, sentindo o vento frio agredir seu rosto, mas não o suficiente para afetar a mira que fez com seu braço bom e assim, acertar em cheio um dos pneus do carro do qual estavam mais próximos.

O veículo oscilou e foi obrigado a parar, quando um segundo tiro atingiu o outro pneu traseiro e um barulho estridente do contato da roda com asfalto se fez presente juntamente com a fumaça dos pneus queimando com o atrito.

Endireitando-se novamente no banco do motorista, Heero pegou o celular e ligou para os Preventers, vendo à sua frente aquele carro - onde imaginava estar Duo - ganhar um pouco de estabilidade outra vez.

oOo

A buzina disparou com o peso da cabeça do homem morto sobre o volante, enquanto Pietro praguejou, agindo impulsivamente ao tentar afastar o corpo pesado do motorista e ganhar alguma mobilidade na direção para que não batessem.

- Você ficou maluco? – ele gritou com raiva ao conseguir parcialmente a segurança no volante.

Duo nada respondeu, apenas aproveitou do momento de adrenalina para se projetar para o lado de Pietro e pegar a maleta que este guardava até então, percebendo o carro oscilar, mais uma vez desgovernado, quando Pietro tentou impedi-lo com uma cotovelada forte no rosto - entretanto, isso não o deteve e ele puxou a maleta consigo para o banco detrás.

- Duo, seu idiota!

"Nem tanto." o americano pensou, abrindo rapidamente a maleta e encontrando o que queria no meio de alguma papelada inútil. Seu corpo então tombou bruscamente para a esquerdaquando a direção foi deixada totalmente de lado pelo espanhol, que tentou pegá-lo pela jaqueta para assim arrancar o disco de sua mão. Conseguiu se esquivar ao mesmo tempo em que um forte tranco fez com que seus corpos fossem projetados para frente.

oOo

- Oh, meu Deus! – Relena se desesperou ao ver o carro à sua frente perder mais uma vez o controle violentamente, fazendo-o dar uma guinada para a esquerda.

- Merda! – Heero praguejou, tomando-lhe a direção e virando o volante para a direita, assim evitando que o carro que atravessava a sua frente se chocasse contra sua lateral.

Relena gritou quando viu a quase batida que sofreriam e se assustou ao escutar o barulho da colisão daquele outro veículo. A única coisa que conseguia pensar então era na possibilidade real de Duo estar naquele carro.

- Encosta o carro, Relena! – Heero exigiu, não se preocupando com o carro mais à frente que apenas continuou em fuga, sem se importar em voltar para enfrentar a situação.

A mulher atendeu mais uma vez a solicitação fria, mas que no fundo carregava o peso de uma angústia que jamais pensara em ver embutida na voz daquele homem. Ela diminuiu rapidamente a velocidade e parou o carro da forma mais segura possível junto ao acostamento, se surpreendendo com a rapidez de Heero ao deixar o carro antes mesmo que este tivesse parado de vez.

oOo

Duo trincou os dentes e fechou forte os olhos quando seu corpo se chocou contra o banco da frente. Mesmo o acolchoado tendo amortecido o impacto, a dor se alastrou como se tivesse sido jogado por inteiro contra uma parede de concreto. Sua cabeça zuniu e por um instante pensou que perderia a consciência vergonhosamente outra vez. Mas isso não aconteceu e agradeceu por notar que o carro estava parado. A buzina voltara a disparar escandalosamente.

Colocando-se dolorosamente sentado mais uma vez, Duo notou então que fatidicamente haviam batido contra uma das muretas de proteção da estrada. O motorista já estava morto mesmo e quanto a Pietro, não sabia dizer, mas seu corpo estava jogado contra o painel do carro, inconsciente com o rosto manchado por sangue que escorria de sua cabeça. No fundo, queria se certificar se o espanhol estava bem; no entanto, seu instinto mais uma vez decidiu por si, fazendo com que abrisse desajeitadamente a porta detrás e cambaleasse para fora do veículo.

oOo

Duo estava trêmulo, Heero podia claramente perceber isso, mas o sorriso em seu rosto em momento algum oscilara ante ao reconhecimento de vê-lo ali, ao mesmo tempo em que quebrava o disco que trazia nas mãos, deixando as partes caírem no chão e em seguida danificando-as ainda mais ao arrastá-las no asfalto com o pé. Algo apertou seu coração quando o americano finalmente deu um primeiro passo vacilante em sua direção e depois mais outro, sempre amparando o torso com um dos braços. A princípio não reagiu, não sabia também dizer por que, mas simplesmente não se mexeu.

- Consegui. – Duo lhe disse com o mesmo sorriso no rosto, a voz extremamente rouca. – Acabou.

Então seu corpo se moveu por conta própria, enquanto sua mente estava chocada demais para pensar em qualquer outra coisa que não fosse a agonia de ver as sobrancelhas de Duo franzirem expressando a dor que o corroia, enquanto sangue começava a escorrer de seu nariz.

Em dois segundos Heero estava junto dele e o amparou antes que pudesse atingir o chão.

oOo

Wufei estava deixando o prédio depois de nada encontrar, quando o celular tocou. Ele parou imediatamente à frente da portaria, finalmente se dando conta que Heero e Relena tinham desaparecido. Ficara tão concentrado em encontrar Duo que se esquecera que o japonês não o seguira. Sem demorar mais, buscou pelo aparelho no bolso da jaqueta dos Preventers que usava – uma que pegara emprestada do armário de roupas de Heero – mas esqueceu-se de atender quando viu algumas viaturas da polícia passando mais do que rapidamente com suas sirenes ligadas. Aquilo lhe chamou a atenção e um sentimento de desconfiança e preocupação se instalou em si.

Apressou-se até o carro, mesmo que sua mente pensasse no quão infundada seria aquela ação, afinal, aqueles carros poderiam estar indo atender algum acidente ou qualquer outro problema relacionado à polícia; entretanto, quando deu por si, já estava sentado ao volante do carro de Heero. O celular que ia jogar de volta no bolso da jaqueta tornou a tocar e, impaciente, atendeu a chamada.

- É importante? – perguntou dando partida no veículo, apoiando o telefone entre o ombro e o ouvido para que suas mãos ficassem livres para firmar no volante e passar a marcha.

- Wufei. – reconheceu de pronto a voz um tanto nervosa de Relena que avisou: – Duo está aqui.

Franziu o cenho e parou qualquer movimento para conversar com a mulher.

- Aqui onde, onna?

- Aqui.

- Está desorientada ou acha que eu sou adivinho?

- Desculpe, Wufei. É que estou um pouco… Heero pediu para que o avisasse.

- Onde vocês estão, onna? – Wufei perdeu a paciência.

- Na principal em direção ao aeroporto. – ela respondeu rapidamente. – Quer dizer, não estamos mais. Vamos em direção do hospital, levando Duo pra Sally.

Na principal em direção ao aeroporto? Levando Duo para Sally? Algumas possibilidades logicamente passaram pela mente de Wufei, mas não tinha tempo a perder para ficar pensando nelas.

- Estou a caminho. – finalizou a ligação e arrancou com o carro.

Se eles estavam agindo daquela forma era porque Duo não estava nada bem. Isso não era qualquer novidade, mas a voz de Relena fizera com que a situação parecesse realmente ruim, fazendo com que sua angústia só aumentasse com a possibilidade de não conseguir ver mais o americano com vida.

Determinado e sem se importar de ultrapassar qualquer limite de velocidade, ele seguiu para o hospital para onde certamente Duo estava sendo levado.

oOo

Heero estava no banco detrás do carro, enquanto Relena dirigia. Abraçava junto a si o corpo de Duo, tentando aconchegá-lo o máximo possível para que não ficasse desconfortável. Quando ele caíra em seus braços, Relena tinha reagido imediatamente chamando uma ambulância, porém, ele fora avesso à idéia de esperar por socorro ali, sendo que seria bem mais rápido se levassem Duo diretamente para Sally. Não se importara em checar se havia mais algum ocupante vivo dentro do carro de onde o americano saíra - deveria, mas não o fizera porque não queria deixar Duo nem por um segundo. Já havia acionado os Preventers e vira quando os carros da polícia começavam a chegar ao local, enquanto já estavam fazendo o retorno para outra pista.

O disco que gerara toda aquela confusão fora destruído. Não existiam mais cópias, nem como recuperar os dados. Isso não era alívio nenhum para Heero, porém, parecia ser para Duo, que ainda sorria levemente como se tivesse tirado um grande peso das costas. Mesmo adorando o sorriso do homem em seus braços, este não lhe trazia qualquer alento ou alegria naquele momento. Não deixava transparecer, mas sua angústia era grande, querendo que chegassem logo até Sally e ela pudesse cuidar do americano de forma apropriada.

- Heero… - a voz rouca lhe chamou, fazendo com que saísse de seus pensamentos e percebesse que agora Duo mantinha os olhos fechados.

- Nós estamos indo para o hospital. – Heero informou. - Não gaste suas energias falando.

- Eu deveria ficar ofendido com esse seu desinteresse em ouvir minha voz em meus últimos momentos. - conseguiu brincar, querendo quebrar a tensão que percebia na voz do japonês.

- Não fale besteiras, idiota! – Heero o recriminou. Não gostara nada da forma como Duo brincava com algo tão sério, como se sua vida não tivesse mais salvação e toda a corrida para socorrê-lo fosse uma grande piada.

- Obrigado pelo carinho, Heero. – Duo resmungou irônico, se contraindo ante a dor de tentar rir da seriedade do amigo.

- Não é isso… - o japonês sentiu-se culpado por ter exaltado a voz quando o americano estava naquele estado. Mesmo que suas piadinhas sem graça ainda o irritassem, não queria perder o controle, porém, era tudo tão estressante e desesperador que não conseguia aceitar que Duo não levasse a sério o que estava passando.

- Eu sei… - Duo confessou, interrompendo o raciocínio do oriental. - Não é fácil pra mim também.

- Você vai ficar bom. – Heero reafirmou.

Duo ficou em silêncio, sem responder ou implicar com a convicção de Heero. Não valia a pena…

- Cadê o Fei? – finalmente perguntou.

Heero sentiu uma pontada de ciúme o abater. Com tudo o que tinha passado e ainda vinha sofrendo, o americano só pensava em Wufei.

- Vai nos encontrar no hospital. – informou e como Duo nada comentou, Heero decidiu falar, aproveitar a oportunidade para dizer o que sentia: - Duo, eu queria que soubesse que meus sentimentos…

- Não acredito neles. – Duo cortou bruscamente.

- Mas eu…

- Não diga. – pediu solicito. - Talvez eu ficasse feliz em ouvir isso há anos atrás, mas agora… só me magoaria mais.

Era quase definitivo. Duo o estava descartando e qualquer possibilidade de tê-lo e amá-lo como desejava. Entretanto, não queria perder, não quando sabia que nada era certo, desde que não desistisse.

- Eu entendo… - Heero falou amenamente e afirmou com determinação: - Quando você melhorar vou provar que mudei e vou reconquistá-lo.

O coração de Duo se aqueceu incrivelmente ao escutar aquelas palavras determinadas, mas ao mesmo tempo se encheu tristeza. Afinal, ele não ficaria bem, nem mesmo para que Heero tentasse provar sua mudança ou tentar reconquistá-lo. Estava no fim da linha e ele não poderia conquistar sentimentos que Duo queria dedicar apenas a uma pessoa, mesmo que no fundo não pudesse negar o quanto o japonês mexia consigo. Com um pouco de esforço envolveu o corpo do oriental num abraço, sentindo mais do calor que este transmitia e escutando as batidas do coração dele, fortes e rápidas. Ainda que não quisesse aceitar, aquela era uma das provas que Heero não lhe mentia. Fechou um pouco mais forte os olhos querendo evitar a vergonha de lágrimas escaparem e sorriu ao sentir os braços fortes que o amparavam intensificarem um pouco mais o abraço que mantinham.

Relena se emocionou ao ver pelo retrovisor aquela pequena demonstração de carinho, principalmente da parte de seu ex-marido. Entristecia-lhe ver o quanto Heero estava apaixonado por Duo e, mesmo assim, ser rejeitado. Entretanto, ela tinha esperanças de que, se o americano se salvasse, Heero cumprisse com a promessa que acabara de fazer. O japonês era determinado e Relena desejava do fundo do coração que ele alcançasse seu objetivo e fosse feliz.

oOo

Wufei estava na frente do hospital juntamente com Sally. Ambos esperavam a chegada de Duo. A médica já tinha uma maca e alguns enfermeiros de sua equipe aguardando na entrada, mas sua atenção estava voltada para a ansiedade e frustração que o agente chinês expressava sem perceber. Ambos haviam namorado por algum tempo e durante esse período aprendera que pouquíssimas coisas poderiam angustiar aquele homem daquela maneira, entretanto, estavam tratando de Duo Maxwell e, nesse caso, Sally sabia o quanto o americano era considerado por Wufei. Nunca fora leiga em relação aos sentimentos do antigo amante, afinal, apesar do relacionamento entre eles não ter sido uma fuga, o mesmo acontecera num momento em que o chinês estava determinado a esquecer Duo. Não a surpreendia que Chang estivesse revivendo seus antigos e fortes sentimentos pelo homem de trança.

Uma grande pena que isso acontecesse em meio a uma situação tão ruim. "Vou fazer todo o possível para salvá-lo." – ela prometeu silenciosamente, enquanto olhava para o rosto tenso de Wufei que não desviava o olhar da entrada de carros do hospital.

- Chegaram! – ele avisou e ela viu junto com o agente, o carro dirigido por Relena vir na direção onde estavam.

Sally fez sinal para que os enfermeiros levassem a maca para perto do carro quando este estacionou, vendo que Wufei já estava junto ao veículo antes mesmo que este ficasse parado.

Heero deixou que os enfermeiros tirassem Duo de seus braços, logo depositando-o com cuidado na maca. Não queria se separar do americano e a falta do corpo dele junto ao seu, do abraço, lhe comprimia o coração tanto quanto vê-lo tão vulnerável e inerte enquanto os enfermeiros ajeitavam a segurança da maca para que pudessem seguir para dentro do hospital.

Wufei sentia algo bem parecido a Heero. Duo quase não aparentava estar vivo, a respiração deixara de ser errática e agora quase não se notava. Queria dizer alguma coisa, entretanto, temia não saber o que falar. Se pudesse abraçá-lo…

Assustou-se quando Duo arqueou as costas e reprimiu um grito de dor trincando os dentes, enquanto suas feições se contorciam numa expressão que dizia o quanto estava sofrendo. Imediatamente Wufei segurou a mão do americano, aflito por não poder fazer aquilo parar e nem mesmo confortá-lo como queria.

- Fei… - Duo murmurou, assim que a onda de dor se tornou menos forte, reconhecendo o toque do chinês em sua mão. Era forte e ao mesmo tempo acolhedor. Sentia que estavam em movimento, provavelmente já dentro do hospital, sendo levado para algum quarto de UTI. "Inútil" – pensou consigo mesmo, mas nada comentou, estava cansado demais, sofrendo com seu corpo debilitado.

- Vai ficar tudo bem, Duo. – Wufei já não sabia se dizia isso para não deixar que o outro desistisse ou para convencer a si próprio, enquanto acompanhava determinadamente a maca para não perder o contato que tinha com Duo. - Não se preocupe.

Duo abriu os olhos, apesar de senti-los pesados e sorriu ao encontrar o rosto do chinês. Era exatamente o que precisava: vê-lo; saber que ele estava ao seu lado e mais uma vez afirmar para que Wufei não se esquecesse:

- Eu amo você… Amo mesmo.

Wufei franziu o cenho, sentindo os olhos arderem. Aquelas palavras soavam tanto como uma despedida. Não queria se despedir. Uma lágrima escorreu por seu rosto sem que se desse conta, ao mesmo tempo em que os olhos de Duo vertiam suas próprias... em seu rosto a tristeza, expressando justamente o que Wufei não queria aceitar. Duo tinha certeza que era o fim... não voltaria a ver nem seus amigos, muito menos a pessoa que amava. Tentava manter os olhos abertos o máximo que podia.

Wufei sentiu a pegada em sua mão afrouxar, vendo os olhos violetas se fecharem, causando um pânico e aperto em seu peito que jamais pensou ser possível sentir.

- Não… - ele sussurrou debilmente olhando para a figura imóvel e extremamente pálida na maca. - Não. Não. Não. – ele negou apertando fortemente a mão do outro homem várias vezes tentando assim ver se conseguia alguma reação, mas sem qualquer sucesso.

- Chang, afaste-se! – a voz de Sally pediu, assim que entraram no quarto.

Wufei não lhe deu atenção, focado apenas no rosto de Duo, continuou a falar:

- Você é forte. Não vai deixar que uma doença idiota o vença!

- Chang, afaste-se agora! – Sally exigiu com firmeza.

- Maxwell desgraçado, reaja! Você não pode entrar nas nossas vidas e sair desse jeito!

- Heero! ela chamou, num grito.

- Você me deve o direito de me redimir pelo passado! Está escutando, idiota? Está ouvindo, Maxwell?

Wufei sentiu um par de braços o agarrarem por trás e começar a arrastá-lo para fora do quarto. A perda do contato que tinha com a mão do americano foi dolorosa; e sabendo bem quem era atrás de si, tentou se livrar de sua pegada, inutilmente. Mesmo sendo forte, não tinha como comparar-se à força física de Heero. Viu um dos enfermeiros praticamente rasgar a blusa de Duo, enquanto Sally aplicava algo em seu braço e a porta do quarto foi fechada quando a viu pegar o desfibrilador.

Parou de resistir então, completamente arrasado, encarando em meio ao corredor a porta fechada à sua frente.

- Ele vai ficar bem, Wufei. – Heero disse junto ao seu ouvido, ainda agarrado ao seu corpo por trás. – Acredite.

Wufei abaixou a cabeça, se impedindo de chorar verdadeiramente. Queria acreditar como Heero e não se entregar ao desespero, só que era tão difícil dada as circunstâncias...! Naquele momento pensou que a única coisa o impedindo de fazê-lo era mesmo a confiança do japonês e seu abraço.

oOo

Sally olhou com pena para os dois agentes sentados no saguão do hospital. Relena há muito já havia ido embora e pedira para que uma das atendentes informasse a Trowa e Quatre, mas tanto Heero quanto Wufei se negavam a deixar o local. Não existia nada que pudessem fazer ali, tinha comunicado a ambos que Duo continuava numa situação bem crítica e que eles só ficariam exauridos permanecendo lá, como via que realmente estavam - só que aqueles dois eram mais teimosos que mulas.

Ela se aproximou da dupla, os quais ao perceberem sua chegada se colocaram em alerta de imediato.

- Como ele está? – Wufei perguntou primeiro e ela sorriu em simpatia.

- Na mesma. Agora vocês vão para casa.

- Não vamos sair daqui. – Heero deixou claro mais uma vez, se ajeitando na cadeira. – Desista, Sally.

Ela bufou, esfregando a mão na testa e apontou:

- Olhem só para vocês. Parecem que não dormem direito há dias. Estão caindo de cansados e ainda assim são teimosos para ficarem plantados esperando nesse saguão até que aconteça alguma coisa. – ela olhou de um para o outro, sem ver qualquer reação e continuou: - Se caírem por estafa vai ser muito pior, porque aí mesmo não vão poder sequer estar perto de Duo se ele melhorar.

- Ele vai melhorar. – Heero outra vez afirmou.

- Então, por favor, vão pra casa e descansem pra que quando isso acontecer, possam estar do lado dele e não numa cama de hospital. – ela aconselhou. – Heero tem que cuidar desse ombro, então Wufei pode ajudá-lo e ambos podem repousar um pouco. Prometo que se existir uma ínfima alteração no estado dele, telefono pra vocês.

Wufei então olhou para a loira com a expressão um pouco desolada e questionou:

- Teve algum progresso em achar um antivírus?

- Infelizmente não, Wufei. – ela falou pesarosamente. Realmente queria poder ter a solução para o problema de Duo, mas nem mesmo o pessoal mais capacitado de sua equipe estava conseguindo deter o processo de progressão rápida do vírus no corpo de Duo.

- Quanto tempo? – o chinês perguntou, sentindo o olhar cortante que Heero, sentado ao seu lado, lançou para si. O japonês queria a esperança, mas tinham que lidar com a realidade também e Wufei precisava de chão, saber onde pisava para não ser pego de surpresa e não conseguir reagir.

- Eu não sei, Wufei. Se conseguirmos retardar, talvez mais um dia.

Ele fechou os olhos controlando a agonia e, sem mais nada dizer, se levantou, enfiando as mãos nos bolsos da jaqueta.

- Volto mais tarde.

Heero balançou a cabeça negativamente, mas se levantou e seguiu o parceiro em direção à saída do hospital.

oOo

Eles voltaram para o apartamento em silêncio.

Wufei dirigira, enquanto Heero limitara-se a olhar o vislumbre da cidade pela janela; porém, no fundo estava incomodado com aquela situação, principalmente com seus sentimentos e a forma como Wufei deixara o hospital. Seguira-o porque concordava com Sally, mas não admitia a passividade que o chinês vinha demonstrando.

Tanto que assim que abriu a porta de seu apartamento e Wufei entrou, não conseguiu se conter e indagou:

- Desistiu?

Wufei nada respondeu e continuou andando em direção ao sofá da sala.

– Ainda se acha digno de nutrir sentimentos por Duo e ser correspondido? – Heero indagou com raiva, ainda seguindo atrás do chinês.

- Agora quem não quer pensar sobre isso sou eu. – Wufei finalmente respondeu. - Já estaria feliz se ele apenas sobrevivesse.

Heero parou, ficando poucos segundos em silêncio, digerindo as palavras de Wufei e chegando a uma conclusão: jamais poderia ser como ele, abdicar do que sentia apenas para ver a outra pessoa bem ou feliz. Não tinha instintos derrotistas ou resignados. Era um bastardo egoísta que pensava em si, não havia como mudar. Queria Duo e nunca desistiria dele, nem mesmo para a morte-que parecia tão próxima e certa de levá-lo embora para sempre. Mas existia a abdicação que o outro homem à sua frente demonstrava sem qualquer vergonha: "Estaria feliz se ele apenas sobrevivesse"… Ele não desistira, mas se fosse o caso de ver Duo vivo e nos braços de outra pessoa, Wufei dizia que isso seria suficiente para mantê-lo feliz.

- Eu acho… que agora entendo um pouco os sentimentos de Duo.

Wufei escutou as palavras de Heero e parou, se virando e olhando para o outro homem parado há alguns passos atrás de si.

- Hum?

- O que ele viu em você. – Heero esclareceu.

Wufei o olhou com desconfiança e esperou até que o japonês continuasse.

- Não estou dizendo que estou apaixonado por você ou qualquer coisa do tipo… - Heero confessou, mesmo não tendo certeza. - Não posso estar… porque eu sei o que sinto por Duo.

O olhar de Wufei se amenizou. Compartilhava daquelas mesmas incertezas e certeza que Heero expunha e queria de alguma forma esclarecer tudo aquilo; talvez aquele não fosse o melhor momento, mas de qualquer forma, em alguma hora, teriam que trazer à tona o que tinham vivido.

- O que aconteceu entre nós…

Heero imediatamente cortou, como se realmente não pudesse existir mais nada além do que apontava.

- Impulso, desespero, carência, tesão…

- Aonde quer chegar com isso então? – Wufei perguntou frustrado.

- Eu não sei… - Heero falou cansado, olhando diretamente para o chinês, como se ele pudesse lhe dar aquela resposta. Queria que alguém tivesse mesmo a resposta certa para aquilo que o corroia.

O silêncio imperou mais uma vez, enquanto os dois se encaravam especulando, esperando que talvez a situação se resolvesse por si só. Até que Wufei confessou, sem saber exatamente o por que.

- Eu sinto inveja do que ainda existe entre vocês.

Heero o olhou com incredulidade e contradisse:

- Não existe nada entre nós.

- Por mais que eu não queira admitir isso, Yui, acredite, existe sim. – disse amargamente com um sorriso. - Durante essa confusão, nos poucos momentos em que estiveram juntos, eu percebi… vocês se entendem só com o olhar. Se não fosse pela mágoa…

- Ele nunca vai me perdoar. – Heero o interrompeu. - Se eu fosse ele, jamais me perdoaria também, só que eu não vou desistir.

Wufei deixou um riso escapar e balançou a cabeça negativamente. O japonês era mesmo teimoso e o admirava por sua perseverança.

- Eu acho que também entendo um pouco como Duo se sente… em relação a você.

Heero o olhou ressabiado e esperou que continuasse.

- Não posso afirmar que estou apaixonado por você… - Wufei baixou a cabeça, falando confuso e sem jeito. - Não poderia estar… porque eu amo o Duo mais do que qualquer coisa.

- O que quer dizer com isso? – Heero franziu o cenho, intrigado, se aproximando aos poucos do chinês.

Wufei voltou a encará-lo e teve a certeza então das palavras que deixaram sua boca.

- Existe algo que não desapareceu com o que fizemos àquela noite. Não importa que seja carência ou tesão… essa coisa, o que quer que seja… ainda está aqui. E não quer ir embora.

Heero sentiu a garganta ficar ressequida, sem entender porque em seu peito, seus batimentos haviam acelerado.

- Talvez… - aproximou seu rosto ao de Wufei. – Eu sinta o mesmo que você… - seus lábios tocaram levemente os do chinês, fazendo com que ambos fechassem brevemente os olhos ante a sensação suave, diferente da forma brusca com que tinham se beijado da primeira vez. – O mesmo amor por Duo… - disse fazendo uma breve pausa, tocando o rosto e provando da boca de Wufei mais uma vez e sussurrando contra os lábios dele em seguida: - Essa mesma sensação inexplicável… que não quer ir embora.

Wufei apenas deixou que o beijo se aprofundasse, sem querer mais entender ou conversar sobre aquilo, permitindo-se somente sentir as novas sensações que a companhia de Heero lhe proporcionava. Algo dentro de si dizia que era certo, que a presença dele junto de si o ancorava naquele mar de desespero no qual poderia vir a afundar caso Duo viesse a abandoná-los realmente.

oOo

E depois que seus corpos saciaram a ânsia que existia dentro de ambos, mais uma vez a exaustão tomou-os por completo e, enquanto dormiam na cama de casal no quarto, o telefone na sala começou a tocar e assim permaneceu continuamente... até novamente apenas o silêncio e o ressonar dos dois homens restasse dentro do apartamento.

oOo

Não diga adeus
Porque eu não quero ouvir estas palavras esta noite
Porque talvez não seja o fim para você e eu
E apesar de sabermos
Que essa hora chegaria para mim e você
Não diga coisa nenhuma esta noite
Se você for dizer adeus…


Notas da Illy-chan:

Chorando feito uma desesperada desde a hora em que o Duo abraça o Heero no carro...

...passando pela chegada dele no hospital e a angústia velada de Wufei em não saber o que falar para ele...

...pelo desespero do seu chinês com a eminente despedida do americano e o fato de ser o Heero quem o abraça, impedindo de se fragmentar lá mesmo...

...chorando mais ainda, com a beleza do que acontece entre ele e Heero: a insegurança, o temor de algo desconhecido – bem como o amor dos dois por Duo - está tudo lá, mas ainda assim ambos vão em frente: juntos.

Um capítulo 'Arrasa Corações', em todos os sentidos.

Ou seja...

... eu passei 75 por cento deste cap chorando.

... isso é maldade, para uma pobre fã cardíaca como eu, Blanxitaaaa! i.i

Review this Chapter

Return to Top