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Anime/Manga » Gundam Wing/AC » Open Road
Blanxe
Author of 41 Stories
Rated: M - Portuguese - Romance/Angst - Heero Y. & Duo M. - Reviews: 98 - Updated: 07-02-08 - Published: 03-11-06 - id:2839935
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Disclaimer: Os personagens não são meus… apenas Pietro Richellier

Pairing: Acho que os de sempre… num sei… sei lá… deixa a historia rolar.

Esta fic é dedicada à Ophiuchus no Shaina… Thanks Fabi, essa fic é sua…


Tell me a story

Where we all change

And we'd live our lives together

And not estranged

I didn't lose my mind it was

Mine to give away

Couldn't stay to watch me cry

You didn't have the time

So I softly slip away...


Capítulo 3

Duo acordou pela manhã sem saber ao certo que horas eram. As cortinas de tonalidade acinzentada bloqueavam qualquer luminosidade exterior e na mesinha de cabeceira não havia relógio despertador. Sentia-se plenamente descansado, por isso, deduziu que poderia já ser bem tarde. Ainda curtindo aquela dormência gostosa do corpo, sentou-se na cama e, com uma certa manha, se espreguiçou com um bocejo escapando dos lábios. Finalmente parou para fitar tudo ao redor na meia penumbra do quarto e recordou-se que realmente não havia sonhado. Estava na casa de Wufei. Havia se reencontrado com Heero e naquele dia ainda teria que enfrentar aqueles olhos azuis, mais uma vez, no encontro que teriam na casa de Quatre e Trowa.

Levantou-se indo até a janela e afastando as cortinas, deixando que o belo sol clareasse o quarto. Pela intensidade daquele brilho, calculava que não deveria ter dormido muito então, duvidava que já tivesse passado das dez. Talvez o cansaço tivesse que deixado tão abalado que sequer percebera que o tempo que dormira tivesse sido suficiente para se recompor por completo. Ele suspirou e sua feição ganhou linhas sérias demais para quem estava acostumado a viver sorrindo.

Ele caminhou até o armário embutido do quarto e o abriu com intenção de mexer em sua bolsa. Abriu um dos compartimentos internos, dali retirando um disco. Nas mãos deixou-se admirar aquele compacto que brilhava dentro de uma caixa transparente. Ele poderia ter feito tudo que queria sem precisar se reencontrar com os antigos amigos, mas sua ânsia, sua dita saudade quando reencontrou Wufei, não permitiu. Já que teria mesmo que estar no Japão por alguns dias, resolveu optar por rever cada um deles. Teria que arrumar um tempo e desculpas no meio daquela visita para poder resolver aquele problema o quanto antes. Achava que ainda tinha tempo, que poderia despachar aquilo sem precisar se preocupar, mas o fato é que não estava com um bom pressentimento. Riu consigo mesmo. Talvez, depois de tanto tempo, estivesse virando sensitivo como Quatre.

Guardou outra vez o disco no mesmo lugar, fechando cuidadosamente a bolsa, depois de pegar uma roupa. Arrumou-se rápido, penteando e ajeitando os longos cabelos na trança de sempre, em seguida, deixando o quarto e seguindo a procura do amigo chinês.

Duo sorriu suavemente ao sentir o cheiro de café que vinha da cozinha e deixou que o olfato o guiasse até onde encontrou Wufei, que terminava de preparar a mesa. Pelo visto ele não acordara tarde mesmo, já que lembrava muito bem de Chang ser, juntamente com Heero, um dos que mais cedo madrugava quando estavam juntos no mesmo esconderijo.

Wufei escutou os passos se aproximando e se voltou da pia na direção da mesa, onde viu o americano se sentar.

- Bom dia. – cumprimentou notando as feições de Duo bem mais relaxadas. – Dormiu bem?

- Como uma pedra. – realmente tinha apagado assim que saiu do banho e deitou a cabeça no travesseiro macio. – Que horas são?

- Já passam das nove e meia. – informou colocando na mesa posta, o bule de vidro com o café. – Eu já ia mesmo te acordar. Me poupou trabalho.

Duo riu.

- Ninguém muda por completo, não é mesmo, Fei? – ironizou, sem querer dando duplicidade a frase.

Wufei achou seu jeito de interpretar aquelas palavras, principalmente porque passariam mais um dia na companhia de seus outros amigos.

- E você não foge a isso também, certo?

A insinuação chegou a percepção de Duo, que quase preferiu ignorá-la, mas não o fez.

- Você vai me irritar se continuar com isso. – a voz séria e num tom de alerta. - É o que quer?

Wufei não se intimidou e sentou-se de frente para o americano:

- Eu não estava me referindo a isso, mas se a carapuça serviu.

Duo não se conteve e pegando um pãozinho do cesto jogou na cabeça do amigo chinês.

- Ei! – reclamou Wufei, colocando a mão onde havia sido atingido.

- Tenha isso como um aviso. – alertou Duo numa falsa altivez e tentando conter o riso. – E não deboche de mim.

Wufei sentiu vontade de rir. No fundo, Duo continuava o mesmo menino bobo de sempre, apenas tentava evitar se mostrar desse jeito, talvez com medo de expor seu verdadeiro "eu" e se magoar novamente. Pelo menos queria acreditar nisso e não ter que encarar um Duo Maxwell sério e distante como vira no dia de seu primeiro encontro.

Teriam naquele dia mais um encontro com os outros e, em seu intimo, apesar de ter sido ele quem incentivara Duo a recuperar as relações com os outros, Wufei não estava tão confiante assim se seria isso o que queria no momento, principalmente porque mais um encontro com Heero se daria. Aquela proximidade com Duo não estava lhe fazendo bem, de certo estava despertando sentimentos que pensava ter afastado há muito tempo. As palavras de Duo mais uma vez vagaram em sua mente: Ninguém muda por completo. Seus sentimentos não haviam mudado.

Heero podia dizer que estava chateado e ansioso. Chateado por estar atrasado para o encontro com os amigos e ansioso para rever Duo. Tinha ido até os Preventers finalizar um relatório importante para entregar a Une naquela manhã bem cedo, mas acabara se pegando no meio de uma inspeção cansativa por parte da comandante, já que no mesmo dia, ele e Chang estariam ausentes. Reafirmava que não gostava de deixar o setor na mão de subalternos, mas como Chang estava acompanhando Duo e ele não queria deixar de estar perto, faria o sacrifício de tirar folga no mesmo dia que o parceiro. Podia se dar ao luxo porque não havia nenhum grande caso na mão de seu setor, então, na verdade, não tinha com o que se preocupar.

Relena não poderia comparecer naquele dia, pois mais uma vez estava ocupada demais exercendo seu posto como vice-ministra, mas telefonara antes que ele saísse dos Preventers com um irônico 'boa sorte'. Tivera gana de soltar um palavrão para a ex-mulher, mas não perderia a compostura para os jogos psicológicos dela. Agradecia por não ter mais que conviver no mesmo teto com ela. De mulher apaixonada, Relena tinha se tornado uma 'psica' em atazanar a sua vida e, momentos como aquele, só lhe provavam que aquele divórcio era realmente abençoado.

Ele, como previra, chegou a casa de Quatre e Trowa atrasado, mas não importava, pois o único a se repreender pelo fato era ele mesmo.

Entrou na mansão guiado por um dos empregados até a sala de estar onde os quatro companheiros estavam conversando. Antes de entrar na sala, do corredor já podia escutar a voz alta de Duo. Parecia que da noite anterior, até o presente momento, o americano ficara menos na defensiva e agora se abria mais.

Quando entrou na sala, as atenções imediatamente se voltaram para ele e, por um segundo, o silencio se fez presente. Foi tão rápido, mas ele viu o sorriso nos lábios de Duo morrer. Ele incomodava mesmo o americano, mas isso não o abalava, afinal, se causava algum efeito nele era porque sentimentos ainda existiam. Intimamente não sabia se encarava aquilo como um bom sinal.

- Está atrasado, Heero. – comentou Quatre brincalhão. – Isso não é típico seu.

Aproximando-se um pouco mais, ele explicou:

- Tive que resolver algumas coisas nos Preventers antes de vir.

Duo deu um riso irônico e provocou:

- Sempre o mesmo. Trabalho em primeiro lugar, não é mesmo, Heero?

Ele preferia como Duo o chamava antigamente: Hee-chan. O apelido sempre o irritara, mas agora, achava muito formal ser chamado de Heero pelo americano. Era como existisse mesmo uma grande barreira entre os dois.

- Nem tanto. Afinal estou aqui quando era para continuar lá. – replicou.

Duo se calou frustrado. Quatre pode sentir clima entre os dois. O que deveria estar resolvido, parecia que realmente não estava. Decidiu dissipar a conversa e puxar outra, mas ainda esperava que Duo pudesse conversar com Heero e finalizar de uma vez por todas aquelas diferenças que estavam pendentes.

- Acho que podemos pedir para servirem o almoço. – falou já se levantando. – Duo já conheceu a casa, então nada melhor do que comermos e conversamos um pouco mais.

Quatre saiu em direção a sala de jantar, seguido por Heero e um indiferente Duo Maxwell. Trowa e Wufei trocaram um breve olhar e, ambos temerosos, já que não confiavam tanto no quanto o americano teria mudado para sustentar a situação de modo civilizado, afinal, no passado ele nunca conseguira conter seus rompantes quando se tratava de Heero Yui.

O almoço correu de forma tranqüila, sendo sustentado por conversas banais. Contudo, Todos ali perceberam a forma com que Duo evitava conversar com Heero, já o japonês fazia questão de fazer exatamente o contrário. No final da refeição, eles conversaram mais um pouco na sala de estar, mas o americano logo se dispersou, querendo apenas ficar um pouco sozinho para pensar.

Não demorou muito para que Heero se afastasse também e fosse a procurar pelo americano. Queria aproveitar que poderia encontra-lo isolado dos outros para conversar a sois. Achou Duo no segundo andar da mansão, num balcão da biblioteca que dava para os jardins. Olhava distraído para as flores, com o pensamento distante, mas não tanto que não percebesse que alguém se aproximava.

- Fei? – indagou sem se voltar para trás.

Escutar o americano sugerir o nome do chinês como primeira opção na mente de Duo incomodou-o e não se conteve em seu sarcasmo.

- Parece que você está bem ligado ao Chang desde que voltou? – se aproximou e viu o leve sobressalto que o tom de sua voz causou no outro, mas este não se virou para encará-lo.

- Ele está me recebendo na casa dele, foi ele que me trouxe de volta, nada mais coerente do que tê-lo como a pessoa mais próxima a mim nesse momento, não acha?

Heero se colocou do lado de Duo no galpão e, apesar de querer olhar para a mesma direção que ele, acabou ficando preso as feições amadurecidas do americano. Estava mesmo muito mais bonito e atraente que há doze anos atrás.

- Estranho… Chang sempre pareceu te achar um incomodo e agora, de repente, te trata como um grande amigo. – disse num tom malicioso.

- As pessoas mudam, Heero. – olhou diretamente para ele, os olhos frios como jamais o japonês os vira. – Apesar de que… algumas não.

Ok… Ele havia entendido muito bem aquela insinuação. Duo com certeza ainda ressentia pelo que fizera no passado. A forma como quebrou o relacionamento deles quando o americano confessava seu amor… Mesmo assim, não achava errado, nunca prometera nada a Duo, nem mesmo seu amor, sentimento que jamais tivera por ele na verdade.

- Depois desses anos todos, você ainda guarda magoa por eu não poder corresponder aos seus sentimentos?

Duo estreitou os olhos, fazendo uma careta de desdém.

- Você acha mesmo que eu guardo qualquer coisa que se relacione a você, Heero? Acha mesmo que nesses anos todos, eu ainda tenho, mesmo que seja magoa, ressentimento, ou qualquer coisa que me recorde de você? Você é mesmo muito convencido.

Heero balançou a cabeça displicente.

- Suas atitudes ainda te condenam. – fez questão de manter os olhos presos aos de Duo, como se quisesse enfrentá-los.

- Você é mesmo patético, Heero. – disse debochado, deixando a sacada. – Com licença, mas eu não tenho que ficar escutando os seus devaneios.

Ele não conseguiu ir muito longe, pois logo sentiu seu braço ser puxado e bruscamente ser jogado de contra a uma das estantes de livros. Sem tempo para reagir, sentiu seus lábios serem tomados vorazmente pelo do japonês.

Heero simplesmente agiu como sempre fora seu feitio fazer. Desta vez estavam sozinhos e não deixaria que Duo escapasse daquela forma. Desejava beijar aquela boca de novo e provar ao americano que poderia enganar a qualquer um… menos a ele. Sentiu-se vibrar quando aquela boca tão macia começou a corresponder e da mesma forma passiva e entregue de sempre. O sentiu entreabrir os lábios para que pudesse penetrar com sua língua. O fez imediatamente, buscando dominar a do americano. Podia sentir a ânsia e a saudade impressas em toda a urgência que colocavam naquele beijo. Ele próprio se via perdido nas sensações. Sim, ele sentira saudades daquela boca, e como sentira… não podia negar que precisava também daquele corpo, mas acima de tudo, precisava de Duo. Seu coração, que batia de forma desesperada, lhe dizia isso. Percebia isso agora, mas fora tolo por ter perdido tanto tempo.

Heero apartou o beijo por um breve momento e pode ver os olhos violetas cheios de desejo também.

- Quem é que está tendo devaneios aqui, Duo?

Duo inclinou um pouco a cabeça para o lado e sorriu levemente de forma inocente. Um único movimento, forte e preciso no meio das pernas do soldado perfeito foi o suficiente para uma resposta direta e fazer com que este caísse no chão se contorcendo de dor.

- Você. Respondida a sua pergunta? – disse Duo num tom sarcástico. – Agora se me dá licença…

- Filho da mãe. – gemeu ainda tentando se recuperar.

Duo saiu a biblioteca, passando por cima do corpo de Heero.

Duo apressado deixou a biblioteca, procurando pelo banheiro mais próximo, tentando se lembrar onde ficava no labirinto que era aquela mansão. Para que diabos Quatre e Trowa tinha uma casa daquele tamanho? Onde estava o maldito banheiro?

Quando finalmente o encontrou, se trancou lá dentro. Abriu a torneira da pia de granito escuro e pegou água com a mão, enchendo a boca. Fazendo bochecho e cuspindo de volta na pia, repetiu o processo algumas vezes até que se viu satisfeito. Ainda deixando a água correr, apoiou as duas mãos no tampo e abaixou a cabeça, procurando acalmar a respiração e o corpo que tremia. Fechou os olhos e gritou mentalmente todos palavrões de baixo calão que conhecia contra o japonês. Quem Heero pensava que ele era pra achar que podia ter feito o que fez? O usara durante as guerras, se desfizera de seus sentimentos e agora se achava no direito de vir e querer se divertir de novo? Estava muito enganado se pensava que ainda estava lidando com o Duo bobalhão de dezesseis anos, que seria capaz de se ajoelhar aos pés dele por uma demonstração de carinho.

Ele levantou o rosto, fechando a torneira e olhou seu reflexo no espelho. Estava corado e seus lábios avermelhados e um pouco inchados por causa do beijo. Levantou a mão até tocá-los com os dedos e sentiu raiva de si mesmo. Maldito fosse Heero Yui que ainda tinha aquele tipo de reação sobre ele. Malditos sentimentos, maldita fora sua idéia de reencontrar com seus amigos. Poderia ter simplesmente vindo até o Japão, fazer o que tinha que fazer e retornar a sua vidinha de sempre, sem precisar ter que estar passando por aquilo. Era mesmo idiota. Sua imagem refletia exatamente isso: um idiota.

Quatre encontrou Heero ainda tentando se levantar do chão da biblioteca e achou estranha a expressão de raiva que o japonês tinha no rosto. Na verdade estava ali procurando por Duo, já que Wufei indicara que era onde o americano estaria. Um tanto curioso achar Heero justamente ali, mas não havia qualquer sinal do outro amigo.

- O que aconteceu, Heero? – perguntou com um fundo de preocupação. – Que cara é essa?

Heero ajeitou brevemente as roupas e falou:

- Nada.

Sabia que ganharia uma resposta daquela.

- Wufei disse que o Duo estava aqui. Você o viu?

- Vi, mas não sei pra onde ele foi.

Quatre desconfiou. Duo estivera ali sozinho com Heero. Duo não estava mais e Heero tinha aquela expressão raivosa de quem queria matar alguém. Não queria nem se precipitar em deduzir algo, ao invés disso, abordou de novo o japonês com a mesma pergunta.

- Heero, vai me dizer o que aconteceu aqui?

Heero o olhou com a feição realmente fechada e, como uma criança embirrada que tinha que responder ao pai, contou o que havia se passado.

- Eu o beijei e ele não reagiu muito bem.

A voz indignada de Quatre morreu na garganta antes mesmo de se pronunciar, pois outra mais forte se adiantou-se a sua.

- Você o quê!

Ambos, Heero e Quatre, voltaram-se para o recém chegado e se depararam com o semblante irritado de Wufei.

O chinês estava mesmo indignado com o que acabara escutando, sem querer, ao entrar na biblioteca. Era bem típico mesmo do japonês um tipo de atitude daquelas, impensada e egoísta.

- Eu o beijei. – repetiu Heero indiferente, mas por dentro já estava saturando daquela forma que via desenvolver o instinto de proteção do chinês em relação a Duo.

- Você é um desonrado mesmo, Yui. – disse com nojo.

- Como faz uma coisa dessas, Heero? – foi a vez de Quatre o censurar. - Está querendo que ele desapareça de novo, é isso? Afastar ele da gente mais uma vez? Já não bastaram esses doze anos, que por causa da sua imaturidade, nos privado da presença do nosso amigo?

- Hey, vamos com calma aí! – interrompeu até se sentindo ofendido. - Se ele fugiu foi por que quis. Vocês não podem me culpar por não corresponder aos sentimentos dele. Não sou obrigado a amar ninguém.

- Não é. – concordou Wufei. – Mas também não vamos tolerar que existam outros mal-entendidos como o primeiro.

Heero estava ficando cada vez mais irritado. O que era aquilo? Um complô contra ele? Seria por acaso algum crime o que fez há anos atrás? Não poderia ser falso e dizer que amava Duo há doze anos atrás. Era impossível e isso sim teria sido desumano. Agora podia dizer que era diferente. Quando vira o americano depois de tanto tempo e mesmo depois do beijo, algo lhe dizia que era diferente de quando estavam juntos nas guerras. Durante as batalhas estava com ele por uma conveniência, era bom e prazeroso ter Duo, mas era só isso. Agora ele o queria, talvez até tivesse que dar o braço a torcer para Relena, mas o que sentia era diferente sim.

- Não existirão outros, Chang. – disse num tom firme.

Quatre não deixou que Wufei o ameaçasse, fez isso ele mesmo.

- Heero, olhe bem o que está fazendo, porque se você magoar de novo o Duo, terá que se ver comigo, entendeu?

Definitivamente aquilo era um complô.

- Pode abaixar a crista, Quatre. – alertou cansado de assumirem coisas sobre sua pessoa. - Eu não sou nenhuma criança.

- Mas age como uma. – retrucou, dando um último olhar para o japonês e caminhando em direção a saída da biblioteca.

Quatre passou por Wufei e o puxou pelas costas da jaqueta preta. O chinês resistiu um pouco, ainda queria dizer umas verdades para Heero, mas o bom senso de Quatre não permitiria, então apenas lhe lançou um último olhar de desgosto e deixou a biblioteca junto com o árabe.

Heero ainda ficou por mais um tempo ali pensando. Julgando suas próprias ações e ponderando se estaria mesmo tão errado a ponto daqueles dois lhe ameaçarem daquele jeito. Quatre era comum, afinal, este sempre tivera um enorme amor fraternal por Duo e qualquer um que ousasse dar um peteleco nele tinha que agüentar a ira do árabe ensandecido. Agora Wufei, esse sim lhe causava desconfiança. O chinês estava chegado demais em Duo. Não acreditava naquela desculpa esfarrapada que o americano lhe dera. Pessoas mudavam sim, mas Wufei não tinha mudado tanto assim durante aqueles anos. Convivia diariamente com o chinês nos preventers, era seu parceiro, poderia estar mais sociável, assim como ele, mas a ponto de ser tão espontâneo com uma pessoa que sempre quisera distancia quando estavam juntos. Era estranho… tão estranho que até já começava a achar que ele estaria interessado em Duo mais do que deveria, mais do que ele toleraria.

Deixou a biblioteca e se juntou aos outros na sala de jogos, onde Duo se via como se nada tivesse acontecido e jogava xadrez com Trowa em uma das mesas. Apesar de demonstrar a mesma personalidade desprendida, Duo não evitou lhe lançar, uma ou duas vezes, um olhar de ironia.

No final da tarde, eles decidiram sair um pouco. Duo queria se divertir. Sempre fora uma pessoa noturna e adorava a agitação de uma boa danceteria e isso, em Tóquio, ele poderia encontrar muitas que lhe agradassem.

Encontraram-se mais à noite num local que Trowa e Quatre conheciam bem. Era bem movimentada e trazia os ritmos que Duo apreciava.

Estavam sentados a uma mesa e Trowa havia ido buscar no bar algumas bebidas, mas Duo estava impaciente. Vestia-se com botas, uma calça jeans justa com alguns rasgos ao longo da perna, um blusa preta justa semi-transparente e sem mangas, que delineavam os músculos bem trabalhados de seu abdômen. Ele estava se coçando para ir para a pista de dança. Uma coisa que jamais conseguira se livrar era o gosto por aqueles lugares, onde podia dançar e perder um pouco sua mente dos problemas e de sua desolação. Vez por outra sempre acabava arrumando um amante quando deixava o local. Era uma pena que ali teria que se conter, afinal estava no apartamento de Wufei e seria muito estranho se fosse passar uma noitada num motel quando sua intenção era se reaproximar dos amigos.

A música trocou e ele não pode mais se conter. Trowa estava no bar ainda e não se importaria para o que iria fazer.

Colocou a mão sobre a de Quatre e o olhou.

- Loiro, eu não agüento mais ficar aqui parado. – Quatre o olhou de forma intrigada. – Vamos dançar.

Quatre riu e deixou ser puxado por Duo para fora da mesa. Antes de ser praticamente arrastado para pista, o loiro olhou sorrindo e mostrou a língua de forma infantil para os dois orientais que tinham ambos uma feição nos rostos.

- Digam ao Trowa que não demoro… eu acho. – riu sabendo que Duo podia querer ficar horas ali dançando, mas não se importava. Era bom ter aquele contato com o melhor amigo de novo.

Quando Trowa retornou com as bebidas e as descansou sobre a mesa, olhou intrigado para os dois amigos que haviam restado na mesa. Wufei e Heero pareciam ter as atenções presas em algo distante, que nem notaram sua chegada. Inconformado ele se colocou na frente dos dois.

- O que houve com vocês?

O que recebeu foi um leve empurrão para o lado de um contrariado Heero e um olhar reprovador de Wufei.

- Tudo bem, isso foi estranho. – disse, ainda sem entender e resolveu seguir o olhar dos dois.

Aquilo também era estranho. Na pista, Quatre dançava com Duo. Seu Quatre estava sensualmente de costas se esfregando colado em Duo, que lhe segurava a cintura de uma forma possessiva. Ele levantou uma de suas sobrancelhas e sorriu. Se não soubesse que aqueles dois eram tão platônicos, já teria ido arrancar aquela trança de Duo.

Virou-se e deixou-se sentar numa das cadeiras, de forma a não atrapalhar a vista dos dois companheiros.

- Eu espero que essa baba toda seja só pelo Duo. – ironizou num tom brincalhão.

Conseguiu a atenção dos dois, que voltaram suas atenções imediatamente para o moreno.

- O quê! – indagaram em união.

Trowa riu. Aqueles dois podiam mesmo divertir num momento daqueles.

- Eu disse que espero que essa baba que está escorrendo aí, seja apenas pelo Duo, afinal, o loiro tem dono.

Wufei e Heero se entreolharam e ambos finalmente se apercebiam da mesma coisa. Tanto um, quanto o outro, estavam enfeitiçados pelo americano.

- Não seja idiota, Barton! – Wufei o repreendeu. – Eu não estava babando por ninguém! Quanto ao Yui… isso eu já não posso garantir a mesma coisa.

- Ah, mas estava sim. – insistiu Trowa ainda risonho, gostando de ver a expressão no rosto de Heero. – Tanto você, quanto Heero estavam se deleitando com aquela visão ali na pista.

Heero estreitou os olhos para Wufei, caindo finalmente em si. Era isso que falhara em perceber nas intenções do chinês, ele realmente tinha muito mais interesse em Duo, do que um amigo deveria ter. Um sentimento de raiva veio lhe consumindo e se não fosse sua personalidade controlada, teria pulado ali mesmo para acabar com aquele chinês. Como ele ousava a ter qualquer tipo de intenção com o americano?

Wufei enfrentava o olhar de Heero sem medo algum. Não se importava de ter deixado transparecer e o japonês ter descoberto seus verdadeiros sentimentos em relação a Duo. Era até bom que Heero soubesse e entendesse que, por isso mesmo, jamais deixaria que ele brincasse com Duo novamente.

- Err… eu acho que ambos vão perder o grande premio da noite. – a voz de Trowa os trouxe de volta daquela guerra declarada que mantinham com o olhar.

Quatre voltava com um sorriso enorme para a mesa, enquanto Trowa o recebia com um abraço e o colocando em seu colo.

- Cadê o Duo? – perguntou Heero num tom preocupado.

Quatre olhou com estranheza para o japonês, mas se virou um pouco e meneou com a cabeça.

- Serve aquele ali? – ironizou.

Heero e Wufei olharam para a pista de dança e viram o que fez seu sangue ferver. Duo estava dançando com outro homem, um que não era Quatre e que era totalmente estranho a eles. O americano parecia ter alguma intimidade com o tal, pois este dançava bem junto, lhe fazendo carinho com a mão em seu pescoço, enquanto falava em seu ouvido.

- Parece que é amigo do Duo, chama-se Pietro. – olhou para Heero e debochou. – Bonitão ele, não?

Trowa riu baixo, encostando a cabeça no ombro do loiro e indicando na direção de Wufei.

- Acho que temos dois perdedores hoje, anjo.

Quatre olhou para o chinês e realmente viu o que o marido queria dizer. Para ele era mesmo uma surpresa ver aquele ciúme estampado tão claramente no rosto de Wufei, enquanto este, juntamente com Heero, não conseguia mais desprender o olhar da pista de dança.

- Era isso que você estava fazendo segredo? – se virou um pouco para encarar o marido.

- Só confirmei hoje, mas era isso sim. – disse com um sorriso.

- Confusão. – previu Quatre displicente. – Isso vai dar confusão.

Na pista, assim que Quatre deixou-o a sóis com o belo homem, este se aproximou e começou a dançar com ele, como se dança uma música lenta, mesmo que o ritmo tocado fosse um pouco agitado. Pietro era bonito sim, tinha seus trinta e sete anos, cabelos curtos e lisos num tom de loiro acinzentado. Trajava roupas bem sociais para o ambiente descontraído, mas este sempre fora seu estilo qual fosse a ocasião. Vestia calça de linho bege, uma blusa branca e sobreposto a essa, um blazer cinza. Era alto e tinha traços aristocráticos. Os olhos num tom azul muito claro, eram encantadores. Duo conhecia Pietro muito bem, tanto em sua vida social, quanto completamente nu sobre ele embaixo dos lençóis. Fora o seu último amante, mas como sempre, jamais envolvera sentimentos quando se dava a alguém, e com Pietro não fora diferente. Mal podia acreditar que ele estava mesmo ali, mas desconfiava que o encontro não era uma obra do acaso.

- O que está fazendo aqui, Pietro? – perguntou aproveitando a vantagem que proximidade lhes dava.

- Senti sua falta. – ele confessou deslizando a mão por sua cintura.

Duo soltou uma rápida risada.

- Corta essa. Agora me diz, o que você veio fazer aqui?

- Assim você magoa meus sentimentos Duo. – disse parecendo ofendido. - Porque tem que haver um motivo?

- Por que eu sei pra quem você trabalha. – fez uma pausa, mas não mediu as palavras. - Veio me matar foi?

- Você sabe muito bem que eu não faria isso. – disse acariciando a linha do pescoço do jovem. – Mas não medirei esforços até que você devolva o que Marshall lhe entregou.

- Ele não me entregou nada. – disse um pouco nervoso, não sabia se com a ameaça, ou pela forma que o homem se impunha contra ele.

Pietro abaixou o rosto chegando os lábios bem perto da orelha de Duo e falou.

- Não precisa mentir, Duo. Você nunca foi bom nisso mesmo. Sabemos que ele lhe entregou o disco. Por que não nos poupa aborrecimento e trabalho e devolve logo.

- Que malandro eu seria, se devolvesse algo que me foi confiado assim de mão beijada?

- O que você quer então? Diga. Se for dinheiro sabe que isso não é problema.

Duo pensou. Poderia mesmo ganhar algum tempo se exigisse uma quantia alta de dinheiro, mas sabia que Pietro teria qualquer quantia rapidamente se solicitasse. Mesmo assim daria tempo para que fugisse.

- Tudo bem, Pìetro. Consegue arrumar um milhão? – jogou alto esperando uma barganha que não veio.

- Sem problemas. – disse quase aliviado. - Posso te dar essa quantia amanhã mesmo em dinheiro se você quiser.

Pouco tempo. Muito pouco tempo… mas teria que se virar com aquilo.

- Perfeito. Amanhã você me trás o dinheiro e vai ter seu disco de volta.

Pietro se afastou o suficiente para olhar diretamente nos olhos de Duo e sorriu.

- Sabia que era ambicioso… Marshall se enganou quando pensou que poderia confiar em você.

Duo retribuiu o sorriso de forma displicente.

- Todo mundo tem seu preço, não é mesmo?

Pietro olhou para os lábios de Duo e se aproximou, deixando os seus roçar nos deles enquanto falava.

- Poderia ter bem mais que isso se voltasse comigo hoje, sabe disso.

Pietro não esperou resposta e tomou delicadamente aquela boca num beijo. Duo não teve qualquer outra reação a não ser corresponder, ele próprio buscando mais contato, deixando que a língua buscasse a do outro. Tudo era um motivo para ganhar mais tempo. Sabia bem que o homem era louco por ele, infelizmente nunca correspondera aos seus sentimentos, mas não podia dizer o mesmo de sua libido.

Na mesa, Quatre e Trowa estavam vendo a forma que tudo se dava até aquele beijo acontecer. Heero estava pronto para matar o tal homem, que além de beijar Duo, agora passava uma das mãos atrevidamente por suas nádegas. Wufei parecia imune, mantinha a máscara, mas no fundo, um pouco de mágoa existia. Ambos se negariam a fazer qualquer escândalo que fosse, afinal, nenhum dele tinha nada a ver com a vida de Duo, mas não impedia de sentirem daquela forma.

Quando Pietro apartou o beijo, Duo sabia que teria que dar a sua resposta. Maldito homem por ser tão sensual, que o fazia ficar excitado daquele jeito. Tinha que pensar no disco e na importância de entregá-lo em seu destino. Sua vida dependia disso.

- Eu sinto muito, Pietro, mas você sabe que não sou de me apegar a um só lugar e a uma só pessoa.

- Aquela velha história do seu amor não correspondido? – perguntou num tom mágoa e, ao mesmo tempo, irônico. – Por acaso é um daqueles naquela mesa? – meneou a cabeça na direção onde estavam os amigos e Duo se viu encarando o local também.

Duo pode ver que Heero estava irritado, muito irritado. Aquilo o agradava, principalmente para mostrar que não tinha apego nenhum a ele. Mas quando seus olhos encontraram os de Wufei, um sentimento de culpa lhe abateu. O chinês parecia indiferente demais, talvez quisesse ver uma reação ali também. Amaldiçoou mais uma vez seus confusos sentimentos.

- Não, ele não é nenhum daqueles naquela mesa. – respondeu com um tom pesaroso.

- Duo… - pensou em insistir, mas foi cortado.

- Amanhã a gente se encontra. – finalizou o breve encontro e o olhou firme. – Não esqueça do meu dinheiro.

Pietro pensou duas vezes em deixar aquilo mal resolvido ali, mas teria um novo encontro com Duo e poderia tentar convencer ele longe dos amigos.

- Como quiser, na estação de Tóquio, as duas da tarde. – beijou os lábios mais uma vez de forma leve, numa demonstração de carinho. – O disco intacto, Duo, nada de truques.

- Nada de truques. - sorriu divertido.

Pietro se afastou e partiu, logicamente confiando na palavra de seu ex-amante. Duo, por sua vez, não tinha intenção alguma de devolver aquele disco para o homem. Parecia que sua estadia com os amigos seria bem mais curta do que tinha pensado. Era uma pena. Não podia se lamentar. Escolhera ver os amigos sabendo que, mais cedo ou mais tarde, teria que se despedir. Infelizmente, nem a despedida poderia fazer, pois exigiriam saber de seu paradeiro e isso não poderia dar. Respirou fundo para enfrentar voltar a mesa.

Os quatro viram Pietro partir e Duo retornar a mesa como se nada tivesse acontecido. O sorriso que tinha no rosto não tinha nada de constrangido.

Heero estava louco para perguntar sobre o cafajeste, mas Quatre lhe poupou o trabalho.

- Amigo é Duo? – o loiro zombou da forma com que Duo lhe tinha apresentado o homem.

Duo deu de ombros e riu.

- Não deixa de ser. Amigo íntimo. Ex-íntimo e agora só amigo.

- Percebemos o ex-íntimo que você exibiu no meio da pista. – implicou Heero, doido para arrancar o americano dali e faze-lo explicar muito bem a situação.

- Foi só um beijo, nada demais. Relembrar os velhos tempos não mata, Heero. – implicou querendo irritar ainda mais o japonês.

- Vou me lembrar dessa sua frase quando te beijar de novo. – replicou relembrando do acontecido na mansão de Quatre.

O semblante e sorriso de Duo se fecharam no mesmo instante e ele o olhou de forma fria.

- Eu acho que essa noite já deu. – ele se levantou determinado. – To indo nessa.

Quatre olhou para Heero com raiva e depois voltou-se para Duo e tentou argumentar.

- Duo, por favor…

- Desculpa loirinho, mas eu já estou farto. – beijou a testa do amigo. – A gente se esbarra.

Wufei se levantou. Não estava satisfeito com o que vira na pista, mas também não queria que Duo fosse embora daquela maneira, nem muito menos sozinho.

- Eu vou com você.

Duo não contrariou, nem tinha como, pois estava hospedado na casa de Wufei. Teria então que arrumar um jeito ir embora de lá sem criar alarde no chinês. Pensaria em algo no caminho.

Quando os dois foram embora, Quatre e Trowa olharam para o japonês de repreensivos.

- Você não tem jeito mesmo, Heero. – falou Quatre.

- É quase não fala e agora que resolveu falar só sai besteira. – concordou Trowa.

- Eu não vou desistir, tenham certeza disso. – limitou-se a dizer convicto.

Wufei dirigiu em silêncio até o prédio onde morava. Estranhamente Duo também não dera uma palavra para puxar assunto. Não sabia se o americano estava irritado pelo comentário de Heero, ou vergonha pelo beijo que deixara a todos presenciar na danceteria. De qualquer forma, sabia que ele estava chateado. Não tinha o direito, mas estava. Estava morrendo de ciúmes de Duo, primeiramente fora com Heero, o desonrado do japonês forçara um beijo no belo americano, e agora aquele desconhecido que sabia que havia sido um ex-amante, que tinha beijado e Duo havia correspondido. Como lidar com aqueles sentimentos que tinha por aquele lindo homem de olhos violetas? Que inveja por não ser ele a beijar e sentir o gosto daqueles lábios.

Quando entrou no apartamento, Wufei tinha a pura intenção de ir para seu quarto e meditar um pouco, talvez assim conseguir colocar as idéias em ordem, mas quando começou a rumar para dentro, a voz de Duo lhe impediu de dar mais qualquer passo que fosse.

Duo estava achando irritante o silêncio de Wufei. Desde que havia deixado a danceteria que ele nem lhe olhava nos olhos. Por que ele simplesmente não lhe dava um sermão como sempre fazia nas guerras? Era só recriminar com firmeza a sua atitude que tudo ficaria bem, acabaria com aquela tensão. Mas não, o chinês resolvera lhe ignorar. Não queria partir e deixar aquela má impressão com o amigo. Talvez não se vissem nunca mais mesmo e era terrível pensar que Wufei ainda estaria magoado por algum motivo.

- Fei… aonde vai?

Wufei parou e se virou ainda muito sério.

- Para o meu quarto descansar.

Duo achou melhor se conter então. Talvez não fosse uma boa idéia mesmo querer conversar com Wufei. Sem mais nada dizer, viu o chinês entrar para seu quarto e fechar a porta. Definitivamente não tinha sido uma boa idéia voltar a vida dos amigos. Tarde para se lamentar. Suspirou vencido e procurou na geladeira algo pra beber, voltando a sala com uma lata de cerveja, olhou para o som e deu de ombros. Sua noite já fora um fiasco mesmo, porque não finalizara mais tranqüilamente.

Buscou na pilha de cds ali expostos algum que lhe agradasse. Muitos títulos em chinês e de todos só conhecia bem poucos. Tirou um que escolheu e colocou no som. Deixou o volume baixo para não incomodar Wufei e apertou o repeat na que mais gostava. O cantor era chinês, mas cantava em inglês, conhecia aquela musica, depressiva, mas bonita. Era como estaria se sentindo naquele momento? Não sabia dizer ao certo. Situação difícil em que se metera e, ainda por cima, não conseguia tirar a angustia que tinha em seu peito em relação ao comportamento de Wufei.

Wufei trocou de roupas e conseguiu descansar um pouco. Sua meditação fora um completo fracasso, já que sua mente não conseguia se concentrar de jeito nenhum. Acabou adormecendo sem perceber. Duo era a única coisa que tinha na cabeça. Ironicamente concluiu que a presença daquela pessoa ali estava começando a afeta-lo demais.

Acordara assustado algum tempo depois. Um pesadelo que ele não sabia se era mesmo real, ou não. Passou a mão pelos cabelos negros trazendo as mechas que caiam no rosto para traz e confirmou que estava mesmo em seu quarto e que cochilara. Olhando para o relógio digital vira que passava um pouco da meia noite, mas a angustia do pesadelo não cessava. Era difícil ter um daquele tipo que o deixasse impressionado de tal maneira. Levantou-se da cama e nem se preocupou em calçar nada, apenas com o short preto que vestia saiu do quarto. Do lado de fora percebeu o som baixo da música que vinha da sala. A iluminação que provinha das luminárias, quase não chegava ao corredor. Tinha que ir até lá conferir, apenas para ter certeza que estava tudo bem.

Chegou no cômodo e não viu ninguém. Seu coração chegou a descompassar e seu primeiro pensamento foi correr até o outro quarto e averiguar, mas um pequeno ruído de movimento no sofá lhe atraiu a atenção e ele caminhou até o centro da sala.

Como o sofá ficava se costas para o corredor não vira, mas Duo estava ali, deitado. Parecia estar dormindo. Os olhos fechados e o corpo encolhido. A música que tocava no som parecia estar repetindo. Não fez menção de ir desligar o som, mas aproveitou a oportunidade para admirar mais o belo americano. Ainda vestia as roupas com que saíra e tinha a expressão tão relaxada.

Wufei pode também respirar aliviado. Ele realmente ainda estava ali. Vagamente se lembrava sobre o que sonhara, mas sabia que nele Duo tinha ido embora. Apenas um sonho. Mesmo assim sabia que logo o americano estaria realmente indo embora e o que ele faria então? Sabia que Yui queria reconquistá-lo, mas não sabia os verdadeiros sentimentos de Duo em relação a isso. Ele negava que seus sentimentos por Heero ainda existiam, mas ele ainda tinha duvidas.

- O que você tanto pensa parado aí, Fei?

Ele teve um pequeno sobressalto, assustado com a pergunta vinda de Duo. Ele não estava dormindo, mas continuava com os olhos fechados.

- Vim ver o que você ainda fazia. – respondeu tentando acalmar-se do susto. – Não é tarde pra ficar curvado aí no sofá? Vai acordar dolorido amanhã.

Duo finalmente abriu os olhos e achou o chinês logo a frente. Uma bela visão, diga-se de passagem. Afinal o homem que estava logo ali, vestia apenas um short, deixando seu dorso e pernas fortes a mostra.

- Não estava com sono. – Duo fez uma pausa observando o rosto do chinês e comentou. – Você deveria deixar os cabelos soltos com mais freqüência, Fei. Você fica bem com eles assim.

Wufei sorriu ante ao elogio e viu Duo se sentar na poltrona, ainda com as pernas encolhidas para o lado. Ele chamou batendo no estofado para que senta-se a seu lado.

- Ainda pensando no acontecido na danceteria? – perguntou caminhando até Duo e sentando-se no sofá.

- Você se refere ao que aconteceu na pista, ou a cretinice do seu parceiro?

Wufei preferia que Duo não tivesse levantado a questão do beijo, mas não podia dizer nada.

- Ambos. – respondeu um pouco incomodado e não conseguindo esconder isso no tom de sua voz.

Duo o olhou atentamente e perguntou curioso.

- Por que está tão chateado desde que deixamos a danceteria, Fei?

Wufei desviou o olhar e tentou buscar uma desculpa, que não existia.

- É impressão sua. Deve estar interpretando meu cansaço de forma errada.

Duo apesar de analisar a expressão do chinês, não podia deixar de admirar a masculinidade dele. Wufei se tornara um homem feito e, porque não dizer, um belo e tentador homem feito. Não conseguiu conter o olhar de vagar pelo corpo do chinês. Era forte, mas sem exageros, e muito bem definido. Era estranho, mas sempre admirara Wufei, mas quando mais jovens, o mesmo jamais lhe dera chances de se aproximar. Acabara também encantado com Heero e, naquele tempo, aprendera a conviver com o desprezo do companheiro. Mas agora, naquele reencontro, ele se mostrava tão amigo, tão gentil e complacente com tudo. Como não fazer com que seu coração batesse de uma forma diferente por aquele homem?

- Você sentiu ciúmes, Fei? – perguntou talvez tentando ganhar uma resposta para sua imaginação fértil. Na verdade ele gostaria de ouvir o chinês confirmar.

Wufei piscou algumas vezes e voltou-se para encarar o rosto a seu lado.

- Como? – não podia mesmo acreditar que Duo havia lhe feito àquela pergunta. Não pensava ser tão transparente assim.

Duo queria arriscar, mas por algum motivo tinha medo, medo de que pudesse se envolver com o amigo muito mais do que deveria. Não queria perder a amizade de Wufei, mas o que estava sentindo parecia ser mais forte.

- Eu perguntei se você sentiu ciúmes lá na danceteria. – repetiu, já tentando evitar transparecer sua própria ansiedade.

Wufei negaria. Era essa sua intenção, mas consigo mesmo refletiu do porque faria aquilo. Por que mentiria, quando era verdade que havia se contorcido internamente ao ver Duo beijando aquele homem? Por que se negaria aquela chance de expor o que sentia pelo americano, já que a cada minuto que passava a seu lado, só reafirmava a intensidade do que guardava consigo, talvez não só durante aquele breve reencontro, mas também ao longo de tantos anos, desde que o conhecera.

- Eu sei que não tenho esse direito, mas foi o que eu senti sim. – pronto, finalmente tinha confirmado.

Duo ficou sem fala. Não sabia se tinha expressado alguma reação estranha com a confissão, mas a verdade era que, mesmo arriscando perguntar sobre aquela simples desconfiança, ainda sim tinha quase certeza de que seria negada. Sentiu algo em seu âmago se contrair. Então era mesmo verdade que Wufei tinha algum interesse nele, além da pura e simples amizade. Só a realização daquele fato o acalentava de uma forma incompreensível.

Wufei não esperava o gesto que se seguiu. Duo se movimentou no sofá, apoiado-se nos joelhos e ficando próximo. Seus olhos travessos, naquele momento, num misto de ternura e receio, buscaram os seus como se pedissem permissão para aquele contato que se seguiu. A mão tocou carinhosamente sua face e o calor que ela emitiu, se espalhou por todo seu corpo, fazendo seus batimentos ganharem um ritmo descontrolado. Uma vontade enorme de fechar os olhos e deixar se perder na sensação daquele toque surgiu, mas não o fez, não se atreveu a quebrar o contato com o olhar de Duo, não até que este desceu seus lábios sobre os dele, deixando que as orbes violetas se fechassem lentamente.

Uma onda de calor invadiu o corpo de Wufei. Os lábios tão macios e suaves nos seus, se movimentando de uma forma que só sentira em seus sonhos, fez com que finalmente deixasse os próprios olhos negros se fecharem. Levou uma das mãos até a nuca do americano e sua boca começou a corresponder ao beijo com a mesma suavidade com que era beijado, aproveitando lentamente o que lhe era oferecido ali.

Duo vibrou internamente ao sentir Wufei corresponder ao seu beijo. Estava inseguro, até mesmo com medo de ser rejeitado, mas felizmente não fora. Queria poder fazer tantas perguntas, poder conversar sobre o que estava sentindo, saber se era loucura ou não pensar que sentiam o mesmo e que não era apenas uma simples atração, mas a verdade era que não tinha tempo. Estava sob a fina linha entre a vida e a morte e queria aproveitar, caso a última opção lhe fosse apresentada nos dias que se seguiriam.

Sem perder o contato da boca, ele levou o corpo à frente, posicionando e colocando-se sentado de frente sobre o colo do chinês. Com uma perna de cada lado do quadril dele, enlaçou o pescoço com ambos os braços, sentindo as mãos do outro se colocarem em sua cintura.

Wufei sentiu seu membro despertar ante a proximidade do corpo de Duo tão junto ao seu. Era mesmo um sonho virando realidade, mas precipitado demais para que não desconfiasse e interrompesse tudo.

Duo ficou confuso quando o chinês apartou o beijo e o olhou de forma estranha. Estava tão excitado e ainda tinha aquele turbilhão de emoções que queria decifrar dentro de si, mas não podia. Não queria que aquele momento fosse quebrado.

- Duo… porque isso agora?

- Porque eu quero, Fei. – respondeu com a voz rouca - Eu quero você.

- Mas eu não queria que isso acontecesse apenas porque você quer saciar a sua libido.

- Não é só tesão, Fei. – confessou aproximando as bocas outra vez, delineando os lábios do chinês com a ponta da língua.

Wufei entreabriu os lábios e Duo não perdeu tempo em deslizar sua língua para dentro da boca dele. O beijo que se seguiu, as línguas se acariciando em movimentos sensuais, inebriaram ambas as partes. Chang deixou de pensar em por quês. Uma grande esperança em ser correspondido em relação aos seus sentimentos surgiu e quando o corpo que tanto desejara começou a projetar os quadris para frente, esfregando o sexo duro, que estava contido dentro da calça jeans, de contra o seu, foi praticamente o estopim para agir apenas por aquele momento.

Duo gemeu quando as mãos do chinês desceram até suas nádegas, apertando-as e em seguida puxando-o mais para junto de si, fazendo o atrito entre eles ser maior. As mãos atrevidas então deslizaram para frente de seu jeans, habilmente abrindo o botão e fazendo o zíper ser baixado. O gemido se intensificou quando sua ereção foi liberta e tomada pela mão forte, que ganhou movimentos agoniantemente deliciosos.

Wufei o beijava e o tocava sem qualquer restrição. Fazia tudo da forma que desejava e tinha a resposta que jamais um dia pensou que teria. Duo gemia, se contraia em desejo ante aos seus toques, correspondendo as suas ministrações completamente. Apartou o beijo para tirar a blusa do corpo delgado e jogou-a para um canto qualquer da sala, preocupado apenas em se deliciar com aqueles mamilos rosados.

Duo estremeceu ante a sensação da língua de Wufei tocando o bico de um de seus mamilos, para logo em seguida chupá-lo, enquanto dedos torturavam o outro. Estava quase explodindo ali mesmo só com aqueles toques.

Wufei estava extasiado com o corpo de Duo, mas ele queria mais. Ouviu um pequeno gemido de protesto quando abandonou as caricias no sexo rijo e nos mamilos. Mas foi perfeitamente compreendido quando fez o americano abandonar o seu colo e ficar de pé a sua frente. Sem constrangimento algum fez a calça que Duo vestia descer pelo contorno das pernas e logo tinha a sua frente, completamente nu, o belíssimo corpo do americano. O sexo completamente duro pulsava livre e Wufei não demorou a tomá-lo em sua boca, provando com vontade como sempre quisera.

Em pé, sentindo seu membro ser sugado pela boca do chinês, Duo ofegava. A intensidade do que sentia o fazia ter a plena certeza de que se não parasse Wufei ali mesmo, não agüentaria.

- Fei… pare. – estava difícil até formular as palavras. – S-se continuar e-eu…

Era isso mesmo que Wufei queria. Queria fazer Duo gozar ali mesmo e provar de sua essência. Intensificando os movimentos, não demorou mais que alguns segundos para obter a resposta que queria. Fortes jatos fluíram em sua boca, acompanhados pelo gemido de prazer do americano ao alcançar aquele gozo.

Duo sentiu seu corpo entorpecer, mas não teve tempo para contemplar nada, pois logo o chinês estava de pé junto a si, o beijando mais uma vez. Pode sentir seu gosto na boca dele, enquanto as mãos vagavam por seus contornos. Os toques chegaram as suas nádegas, apertando e tocando-o mais intimamente. Aprofundando-se mais no beijo, aproveitou para deixar suas próprias mãos se deleitarem pelo corpo de Wufei e atrevidamente começou a tirar o short que ele ainda usava. Logo deixou o outro graciosamente no mesmo estado que ele.

Wufei sentiu aos poucos ser levado a deitar no chão por sobre o tapete macio que cobria o piso da sala. Duo por sobre seu corpo atacava-lhe o pescoço, chupando, lambendo, mordendo. O abandono daquelas caricias logo se deu quando o americano se endireitou montando em seus quadris e deslizando lentamente seu membro, até então negligenciado, para dentro de seu corpo. Com os olhos nublados de desejo ele podia ver o belo rosto do americano se contrair num misto de dor e prazer, já que se deixava penetrar sem qualquer lubrificação. Wufei não conseguiu conter o suave gemido rouco que escapou de seus próprios lábios, resultado da visão que tinha a sobre si daquele belo homem e também pelo fato de sua ereção estar sendo envolvida naquele canal quente e apertado.

Quando Duo sentiu Wufei completamente enterrado dentro de si, esperou apenas alguns segundos para deixar se ajustar. Era deliciosa a sensação de ter o chinês dentro de si. Jamais imaginara que um dia se daria justamente para ele, que sempre achara que lhe odiasse. Queria poder perguntar a ele quando fora que seus sentimentos haviam mudado daquela forma.

Wufei se viu tomado numa onda de puro prazer, quando Duo começou a se mover vagarosamente sobre seu corpo. A sensação quente que aquelas paredes que lhe envolviam transmitiam, em conjunto com os movimentos lentos, que investida após investida iam se intensificando, o faziam quase delirar de prazer. Ainda observava Duo, que tinha os olhos fechados, nitidamente se deleitando a cada vez que se empalava de contra seu corpo. Era inebriante.

Segurou firme o quadril do americano e começou ele próprio a ditar o ritmo daquelas investidas. Duo se viu entregue, deixando-se embalar num entre e sai mais vigoroso. Logo as estocadas que lhe violavam eram tão profundas que sua próstata era atingida a cada nova reentrada. Seu sexo pulsava por atenção, querendo mais uma vez explodir de prazer. Ele prontamente se atendeu e começou a se masturbar.

Era a visa mais excitante que Wufei poderia ver em toda sua vida. Duo ainda se empalando contra seu corpo, ofegante e se tocando sensualmente, enquanto gemia repetindo seu nome como se fosse um mantra para alcançar o clímax mais uma vez. Era um estimulo único para ele não conseguir segurar mais e deixar explodir seu sêmen dentro do corpo de Duo num gozo extremamente intenso. Assim como Duo clamava por seu nome, ele o fez naquele instante chamando pelo do americano.

Duo gozou mais uma vez ao sentir o liquido morno o preencher e principalmente ao escutar Wufei gemer seu nome naquele exato instante. Deixou-se deitar por sobre o corpo do chinês e este o abraçou carinhosamente.

Era realmente muito cedo, mas Duo não fechara seus olhos durante a noite toda. Ficara aninhado no peito de Wufei pensando, trazendo tudo o que estava passando até aquele momento para poder analisar o que estava sentindo. Detestava aquele sentimento que o consumia. Culpava-se por ter se envolvido com o amigo e principalmente porque o magoaria com sua partida desavisada. No fundo ele gostaria de ficar, mas era impossível. Estava tão confuso. Mas sua prioridade deveria ser cumprida.

Assim cuidadosamente levantou-se da cama, deixando para trás o calor acolhedor do amante e seguiu para o banheiro, onde tomou um banho rápido e se arrumou. Em seu quarto catou todos os seus pertences, tirando mais uma vez o disco de dentro da bolsa para encará-lo. Aquele disco era a única garantia de que poderia sobreviver e precisava levá-lo para seu destino antes que fosse pego e caísse nas mãos de quem não deveria.

Andando até a sala com o disco na mão, ele pode escutar que a música que deixara no repeat do som ainda tocava. Em meio a tanto frenesi e torpor, nem ele nem Wufei haviam se importado em desligar. A música ainda nostálgica, o fez lembrar de imediato de cada momento que passara naquela noite com o chinês. Ficou se sentindo pior ainda. Não poderia partir sem pelo menos deixar uma nota, apenas uma despedida para que Wufei soubesse que aquela noite realmente significara algo para ele. Foi o que decidiu fazer.

Tirou o cd do som e procurou por um papel e caneta. Escreveu rapidamente o que queria e pensou em ir dar uma última olhada em Wufei, mas decidiu que não. Ele continuava dormindo sossegado e não queria se arriscar a desapertá-lo com ruídos. Duo queria poder beija-lo, apenas um leve beijo de despedida. Suspirou entristecido. Pegou a nota que tinha escrito e o cd de música que trazia na mão com o intuito de colocar no balcão da copa, mas a sorte parecia que estava contra seu favor e acabou deixando escapulir e o que trazia nas mãos caiu no chão, fazendo um barulho chato, quando principalmente a caixa do seu disco caiu no chão, junto com o resto.

Arregalou os olhos, temeroso de ter acordado Wufei. Agiu rápido, prestando atenção a qualquer ruído ou movimento que indicasse que o chinês despertara. Apressado pegou a nota e o cd colocando-os em cima do balcão, catou o seu disco e guardou-o novamente dentro da bolsa. Deixou o apartamento imediatamente para não dar chance ao acaso, lutando para que o marejado em seus olhos não caíssem em lágrimas por sua face.

Na nota, que se encontrava junto com o cd, em cima do balcão, um trecho se destacava:

Anytime at all

Just hear this song

When the day is too long

Just turn it on

With or without me holding you at all


Termineeeiiii! Oh capítulo cabuloso de finalizar… Espero que gostem… Ah! O trecho aí de cima é do refrão da música que o Duo tava escutando, pertence mesmo a um cantor chinês chamado Nicholas Tse e é linda… See Ya!

Agradecimentos eternos a Litha-Chan, que online, via msn, além de me ajudar com o trecho difícil desse, dá ou não dá, do lemon entre Fei e Duito, também me fez gargalhar horrores com seus surtos, tentando descobrir o que tem no disco que o americano doido tava protegendo… Lithaaaa, é SE-CRE-TO! E valeu pela ajuda!

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