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Anime/Manga » Gundam Wing/AC » Open Road
Blanxe
Author of 41 Stories
Rated: M - Portuguese - Romance/Angst - Heero Y. & Duo M. - Reviews: 98 - Updated: 07-02-08 - Published: 03-11-06 - id:2839935
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Disclaimer: Os personagens não são meus…apenas Pietro Richellier...

Pairing: Acho que os de sempre… num sei… sei lá… deixa a historia rolar.

Esta fic é dedicada à Ophiuchus no Shaina…Thanks Fabi, essa fic é sua…


Mas tudo muda

Se eu pudesse voltar os anos

Se você pudesse aprender a me perdoar

Então eu poderia aprender a sentir…


Capítulo 5

Duo acordou sentindo como se um trator tivessem passado por cima de seu corpo. Ainda sentia frio, mesmo estando protegido por um cobertor. Ele sabia que aquele estado era passageiro. Eram os altos e baixos, as conseqüências, o principio, mas podia dizer que era uma droga se sentir daquele jeito, ainda mais tão impotente. Não havia o que pudesse fazer, só que Pietro ainda queria a localização do disco. Como poderia confessar que deixara o compacto na casa de Wufei? Nunca faria isso.

Não tinha noção se era dia ou noite. O quarto onde estava sendo mantido trancado não tinha janelas. Ele vasculhou com o olhar todo o ambiente e sorriu displicente, vendo que nem mesmo passagem de ar existia. Pietro pensara em tudo e certificara-se para que não existisse qualquer meio em que ele pudesse tentar escapar dali.

Levantou o corpo lentamente, sentindo todos os seus músculos protestarem, mas trincou os dentes e conseguiu colocar-se sentando, tendo que se recostar na cabeceira para não desmaiar de novo, graças a súbita tonteira que lhe tomou pelo esforço. Fechou os olhos momentaneamente para estabilizar a respiração e concentrar-se naquela onda de mal estar que se apossava de si. Ele jamais imaginou que chegaria naquele estado e se chegasse, nunca pensou que as conseqüências seriam tão ruins.

- Você não me parece bem.

Duo assustado abriu os olhos, deparando-se com Pietro sentado a beira da cama o observando com um olhar preocupado. Duo não perdeu a chance de ironizar para tentar assim camuflar sua real situação. Jamais admitiria o quão ruim estava.

- Depois de ser espancado pelos seus homens, esperava que eu estivesse sorridente e soltando fogos?

Duo viu pelos olhos de seu ex-amante que ele desconfiava de algo. Quando ele levantou a mão para tentar tocar sua face, imediatamente se esquivou, causando uma certa surpresa em Pietro. O americano jamais evitara o seu toque, mesmo que não estivessem mais juntos. De certa forma aquilo o magoava, porque sabia que fora ele quem causara aquela reação quando ordenara que batessem em Duo para conseguir as informações sobre o disco. Aquele americano era mesmo um homem admirável, já que mesmo com toda a tortura, sequer cogitara a idéia de contar o paradeiro do que procurava.

- Você não me deixou outra escolha, Duo. – disse com um certo pesar. – Seria tão mais fácil se apenas cooperasse e nos devolvesse o disco.

Mantendo a feição séria, ele mais uma vez negou.

- Devolver o disco? Pra começo de conversa o disco nunca pertenceu a vocês e segundo, eu jamais vou entregá-lo. – lutava para sua voz não sair tremula. – Aquelas informações são perigosas demais para estarem nas mãos de gente como o seu patrão. Pode me matar se quiser, faça agora, porque não vai conseguir nada de mim.

Pietro virou momentaneamente o rosto para encarar a parede e suspirou. Não esperava menos de Duo. Aquela força e desafio que sempre mantinha no olhar, era o que o haviam fascinado. Queria poder agir de forma diferente com o americano, mas ele não lhe deixava outra opção. Queria tanto poder abraçá-lo e tirá-lo dali, só que primeiro precisava saber onde estava o maldito disco que Marshall havia confiado a ele. Pietro desconfiava que o pesquisador havia dado o compacto a Duo por querer ter a garantia de que este seria entregue ao seu destino, afinal, o americano fora um piloto Gundam e teria mais probabilidades de chegar até o destino, do que uma pessoa comum. Em parte ele estava certo, mas havia bem mais por trás dos motivos de Marshall do que ele poderia imaginar, pois se soubesse, não teria tido a coragem de fazer metade do que estava fazendo.

- Duo, você sabe muito bem que eu não vou te matar. Eu quero aquele disco, e você vai dizer onde ele está, nem que eu tenha que começar a eliminar um a um os seus amigos até que decida falar… - ele virou-se para admirar a expressão de pânico no rosto de Duo. Era um trunfo que agora ele tinha e que o americano sequer cogitara. Duo poderia não se importar com a própria vida, mas e se os ameaçados fossem os amigos que ele viajara para rever?

Duo não conseguiu evitar demonstrar sua fraqueza. Pietro o pegara desprevenido com aquela ameaça. Seus amigos… o maldito estava usando a vida de seus amigos contra ele. Isso era covardia. Ele realmente não se importava de morrer naquele momento, ou daqui mais alguns dias, mas seus amigos eram preciosos para ele, mesmo depois de tantos anos, não poderia permitir que eles se ferissem por sua culpa. Outra vez se amaldiçoava por ter ligado para Wufei e não ter ido somente até Kyoto e só então, depois de tudo resolvido, voltado para sua vida de sempre. Tinha que ter esquecido aquele encontro com o chinês e seguido seu caminho com sempre: sozinho.

- Apenas tente fazer mal a eles, que você vai saber muito bem quem eu sou. – Duo não teve medo de ameaçar. Não tinha mais nada a perder.

Pietro riu divertindo-se um pouco com a atitude de Duo.

- Quer dizer que eles valem muito mesmo pra você? – Duo percebia seu erro, ao escutar aquelas palavras do ex-amante. – Bom confirmar isso… vai pensar na vida deles e me dizer onde está o disco, ou vai querer que eu traga a cabeça de um deles para tentar te convencer de que não estou brincando?

- Isso é golpe sujo, Pietro. – grunhiu inconformado.

- Os fins justificam os meios. – olhou-o determinado e perguntou outra vez: - E agora? Vai colaborar?

Duo lançou um olhar de ódio para Pietro. Era o que sentia, puro e simplesmente, naquele momento. Como ele tinha coragem de lhe fazer chantagem de maneira tão baixa? E como ele poderia não sucumbir diante daquela ameaça? Uma conscientização lhe batia instantaneamente. Ele infelizmente envolvera seus amigos em um problema em que não deveria. Como fora burro. Mais uma vez se recriminou por ter voltado à vida deles. Se ele morresse naquele momento seria bem mais fácil, afinal, Pietro não teria a quem pressionar, mas não teria aquela sorte e também não teria tempo. A resposta era imediata e a verdade era que não sabia o que fazer. Duo Maxwell desta vez estava de mãos atadas.

Heero estava mais do que frustrado. Ele havia conseguido na noite anterior o nome do hotel onde o tal ex-amante de Duo estaria hospedado e depois de se despedir da esposa, a primeira coisa que fez foi ir até o local para tentar falar com o homem. Não se incomodou em avisar aos outros companheiros. Havia sido um dia estressante para todos e podia fazer aquilo sozinho. O local era mesmo aquele e Pietro estava mesmo hospedado ali, mas este não se encontrava. Segundo o recepcionista que abordara, o estrangeiro não passava muito tempo no hotel. Heero praguejou consigo mesmo. Identificou-se como agente dos Preventers e conversou com o gerente do local, fazendo-o garantir que o avisaria com um telefonema quando Pietro retornasse ao hotel. Não tendo mais o que fazer ali, retornou para o seu apartamento. Estava determinado a encontrar Duo de qualquer maneira e assim o faria.

Wufei acordou pela manhã sentindo o maior vazio que já vivenciara em sua vida. Era ridículo pensar que uma noite com aquela pessoa, uma noite que o amara e passara a seu lado, pudesse fazer tanta diferença, mas fazia… e como fazia. Estava mais envolvido e apaixonado pelo americano do que estivera na época das guerras. Não havia um pingo de confusão em seus sentimentos, era puro e simples assim: o amava. Ainda refletia até mesmo sobre as reações de Heero. O japonês, apesar dos pesares, estava mesmo empenhado em encontrar o paradeiro de Duo, mas não saia de sua cabeça que as intenções do parceiro não passavam de puro capricho. Durante anos Heero nunca quisera saber do americano, era estranho que somente agora, quando ele finalmente reapareceu, que despertasse interesse e tão repentinamente. Também, olhando Duo depois de doze anos, como não sentir o mínimo de atração por ele? Ele estava mais bonito e atraente, inteligente e extrovertido, apesar de suas conversas quase sempre desenvolverem um tom sarcástico e debochado. Era normal, afinal, ele havia sido magoado e parecia que o tempo ainda não curara aquelas feridas.

Wufei queria mesmo acreditar que tinha uma chance com Duo se por acaso ele voltasse as suas vidas, mas no fundo, não via as coisas tão simples assim. Para ele ainda soava que a noite de amor havia sido reflexo de um impulso. Aquela noite, os momentos, os toques, tudo não lhe saia da memória e lhe castigavam tão vividamente, que chegava a sentir o perfume dos cabelos castanhos do americano. E a verdade era que temia que se Heero decidisse mesmo investir, como estava claro que pretendia, que Duo o perdoasse e tudo o que haviam vivido se tornaria apenas mais uma ilusão.

Levantando-se e sentando com os pés para fora da cama, Wufei suspirou. De nada adiantava se martirizar antecipadamente. Tentaria controlar toda a ansiedade e angustia em relação a Duo, até que conseguisse reencontrá-lo.

Ele virou a cabeça para olhar a hora no rádio despertador, que ficava em cima da mesinha de cabeceira, e acabou desviando sua atenção para o bilhete e o cd que ali estavam. Ele estendeu a mão e os trouxe para si. Com nostalgia releu o bilhete que explicava tão pouco, mas que tinha aquele pequeno trecho da musica que Duo escutara tão insistentemente naquela noite. Ele trouxe então o cd à frente do bilhete e franziu o cenho. Podia jurar que Duo teria separado aquele cd de música para poder colocar junto com o bilhete, mas aquele compacto ali não parecia em nada com um disco de áudio. Nenhum dos lados tinha qualquer prensagem e pela linha de gravação, o que quer que fosse que tivesse ali não era muito grande como um cd de música seria.

Ele teve um pequeno sobressalto quando o telefone começou a tocar. Ainda com o disco e o bilhete na mão, apressou-se até a sala para atender o aparelho que ficava numa mesinha junto ao sofá.

- Alô.

Houve um breve silêncio na linha e Wufei se chateou por não ter uma resposta imediata, mas quando ia questionar de novo, sofreu um baque pela voz que se dirigiu a ele do outro lado da linha.

- Fei.

O seu coração simplesmente perdeu o compasso dos batimentos e uma confusão de tantos sentimentos o invadiram que sequer conseguia formular um pensamento coerente, justo quando mais precisava. Quando escutou mais uma vez a voz lhe chamando, foi que saiu daquele estado e finalmente perguntou o que precisava tão urgentemente saber.

- Duo, onde você se meteu? O que foi que aconteceu pra sumir desse jeito?

A voz de Duo parecia estranha, soava um pouco fraca, poderia dizer desanimada e hesitante, mas mesmo assim forte o suficiente para cortá-lo em seu rompante por informações.

- Fei, eu esqueci uma coisa no seu apartamento. Um disco.

Wufei olhou para o cd em sua mão e finalmente entendeu. Duo havia esquecido aquele objeto ali. O que o fazia estranhar era o que poderia haver de tão importante naquele compacto para fazer com que Duo lhe telefonasse a procura dele. Mais estranho ainda era a forma direta e impessoal como o americano estava lhe dirigindo a palavra. Teriam mesmo razão em desconfiar que havia algo por trás daquela fuga de Duo?

- Sim, eu estou com ele aqui. – respondeu e logo quis saber. – Duo, onde você está? Você fugiu sem qualquer explicação depois de…

Duo o cortou bruscamente.

- Fei, eu preciso desse disco, preciso que traga ele pra mim. Pode fazer isso?

Wufei angustiou-se. Por que Duo estava agindo daquela maneira? Mas se ele estava querendo que levasse o disco, isso significava que poderia reencontrá-lo. Se fosse assim conversaria sobre tudo pessoalmente com ele.

- Você sabe que sim. Onde e quando?

Outro silêncio estranho tomou conta da linha, mas podia escutar a respiração de Duo. Por que a respiração do americano parecia tão pesada? Aquilo estava realmente preocupando Wufei e, mais uma vez, quando questionaria sobre aquilo, Duo respondeu:

- Hoje as onze no parque perto da estação.

- Estarei lá… Duo, você está bem? – ele não conseguiu conter aquela pergunta de ser feita. Algo estava muito errado ali.

- Chang, não se preocupe comigo, mas com o cd. Não se atrase.

A linha ficou muda então e ele estarrecido, com o telefone ainda na orelha. Era um choque, mas percebeu que foi o meio de Duo passar a mensagem que queria. Agora tinha certeza. O americano estava mesmo com algum problema. Ele jamais, nunca, fosse a ocasião que fosse, havia lhe chamado pelo sobrenome. E ainda lhe disse para não se preocupar com ele e sim com o cd. Estava certo em suas desconfianças mais uma vez. Aquele cd deveria guardar alguma coisa de muita importância.

Wufei não hesitou em agilizar as coisas. Primeiramente telefonou para Quatre, Trowa e Heero, solicitando que viessem a seu apartamento. Não explicou muito, mas deixou claro que tinha a ver com Duo, e isso foi o bastante para mobilizar os três.

No tempo que esperou a chegada dos companheiros, não se conteve em ligar o computador na sala e verificar o conteúdo daquele disco. Pura ilusão pensar que seria tão fácil. A primeira tela que surgiu ao rodar o compacto, foi a proteção exigindo um código serial para que fosse garantido o aceso.

Praguejou. Aquilo não era sua especialidade, mas resolveu tentar assim mesmo.

Estava quase quebrando literalmente aquela máquina, quando ouviu a campainha. Bufou estressado e se levantou para abrir a porta. De frente foi presenteado com um olhar mortal de Heero. Wufei desconfiava que o japonês não estaria muito satisfeito, já que quando telefonara pedindo para que viesse ao seu apartamento e não quisera entrar em detalhes sobre o que envolveria Duo, desligara o telefone na cara do parceiro.

Logo atrás de Heero também estavam Quatre e Trowa, esses com olhares mais de preocupação por saber o que se passava de tão importante para chamá-los de forma tão urgente até ali.

Wufei abriu passagem convidando-se a entrar e antes mesmo que conseguisse fechar a porta, Heero impaciente o questionou:

- Qual o motivo da reunião? O que descobriu sobre Duo?

Exigente, como sempre. – pensou o chinês ao escutar as perguntas de Heero, mas ali já não existiam mais motivos para rodeios. Sendo assim foi direto ao assunto.

- Duo telefonou.

Quatre ficou surpreso, mas não demorou a processar a informação. Wufei sabia exatamente a chuvarada de perguntas que recairiam sobre ele vindas diretamente do loiro, por isso, se antecipou.

- Calminha, Winner. Antes que descarregue suas centenas de perguntas, eu não conversei muito com ele, não sei onde ele está e nem o por que de sua partida.

- Que telefonema foi esse então? – Trowa se manifestou intrigado.

- Ele quer uma coisa que esqueceu aqui. – revelou o chinês, revezando o olhar entre os amigos. – Mais especificamente um disco de dados.

Heero arqueou uma de suas sobrancelhas, raciocinando o mesmo que Wufei quando este atendera aquele telefonema de Duo.

- Já verificou esse disco?

Wufei assentiu positivamente.

- Tentei pelo menos. O disco tem um sistema de segurança que precisa ser quebrado para ser acessado.

- Então esse não é mesmo um disco qualquer. – afirmou Quatre.

Wufei concordou imediatamente.

- Exatamente. Eu sinceramente acredito que o Duo está metido em alguma confusão.

Heero franziu o cenho. O que o chinês dizia fazia certo sentido, até explicaria o fato do americano ter fugido deles daquela maneira. Duo sempre fora mestre em se meter nas mais perigosas situações, mas também sempre fora auto-suficiente para sair delas sozinho. Infelizmente isso não o impedia de se preocupar.

- Como chegou a essa conclusão? - Heero perguntou, querendo mais informações da conversa que o parceiro tivera com o americano.

- Palpite. Ele não parecia estar bem, a voz no telefone não parecia normal e no final da conversa ele disse que eu deveria me preocupar mais com o disco do que com ele, sem contar que ele me chamou de Chang. Duo jamais me chamou direito pelo primeiro nome, o que dizer justamente do último numa conversa como aquelas.

Trowa sabia que Wufei tinha razão. Duo jamais chamava nenhum deles pelo último nome, a não ser Heero, mas isso se estivesse muito enfezado com o japonês.

- Definitivamente foi uma mensagem. – Trowa concluiu. – Temos que decodificar esse disco e descobrir o que tem nele de tão importante.

Wufei olhou para o relógio na estante e lembrou:

- Temos que fazer isso rápido então. Duo quer esse disco às onze.

Heero sentou-se à frente do computador. Ele era o que, entre os quatro, mais entedia sobre quebra de códigos e sistemas. Achar aquela senha talvez não fosse difícil para ele.

O japonês trabalhou por quase uma hora em cima daquela senha. Enquanto os outros nada podiam fazer além de esperar. Wufei serviu café para todos, enquanto os minutos passavam rapidamente. Logo era quase chegado o momento de ir ao encontro com Duo. Foi quando finalmente Heero foi recompensado por seu trabalho com a quebra da senha. Infelizmente não teve nem tempo de se vangloriar, pois no disco existiam vários arquivos e, ao tentar abrir um deles, uma nova caixa de pedindo senha pulou na tela do monitor.

- Kuso! – Heero praguejou, batendo o punho fechado no apoio do teclado.

Quatre se aproximou junto com os outros e viu o motivo da frustração do japonês.

- Se todos os arquivos estiverem protegidos, vamos levar horas só quebrando as senhas. – constatou, vendo a quantidade de pastas que existiam no disco.

Wufei olhou mais uma vez para o relógio na estante e não viu outra solução.

- Nós não temos mais tempo. Eu vou me arrumar para poder levar o disco. Façam uma cópia enquanto isso.

Wufei deixou a sala e Heero fez exatamente o que havia sido sugerido pelo parceiro. Realmente não havia mais tempo para perder ali, só que, se o chinês pensava em sair sozinho para se encontrar com Duo, nisso ele estava muitíssimo enganado.

Quando voltou a sala, terminando apenas de ajustar a arma no coldre dentro da jaqueta preta, Wufei viu que Quatre já estava sentado ao computador ao lado de Trowa, ambos verificando a cópia feita por Heero. O japonês esperava encostado a bancada da copa, com o disco original em sua mão.

- Chang, nós vamos continuar aqui tentando decodificar o resto do disco. – Trowa informou, vendo que o chinês estava pronto para partir.

- Sem problemas. – ele se voltou para Heero e pediu: - O disco, Yui.

- Eu também vou.

- Ah, não vai não. – disse indignado e logo exigiu. – O disco agora.

- Você não vai sozinho se encontrar com o Duo. – afirmou de maneira decidida.

Wufei não estava acreditando que o japonês estava querendo ter ataques de ciúmes num momento como aquele.

- Isso não é um joguinho de quem pode mais, Heero. O Duo pediu para que eu levasse o disco e, se tiver alguma coisa perigosa por trás disso tudo, você pode atrapalhar.

Quatre, mais uma vez, se estressou com aqueles dois. O loiro via que o tempo estava sendo perdido em vão ali e não se deteve em se manifestar.

- Acho que essa discussão inútil não vai levar a lugar nenhum. – o árabe não queria tomar partido por nenhum deles, apesar de seus créditos serem todos para o chinês. Foi imparcial. – Porque não vão juntos? Wufei pode ir como o combinado, e Heero ficaria em background para ver se existe mesmo alguma coisa de errado.

Os dois orientais se encararam com a expressão desgostosa e insatisfeita, mas concordaram com a propósta feita pelo amigo árabe.

- Tudo bem, mas você fica distante, Yui.

- Não sou idiota, Chang. – o japonês replicou, entregando o disco para o parceiro. – Pode deixar que estarei de olho em vocês.

- Que seja. – Wufei, indiferente, finalizou.

Os dois deixaram o apartamento e assim Quatre e Trowa se entreolharam.

- Duo tem mesmo uma tara estranha por orientais imaturos. – Trowa ironizou.

- Concordo em gênero, número e grau. – Quatre falou apoiando o marido.

Os dois voltaram as atenções para a decodificação da cópia do disco.

Duo estava sentado no banco do carona do carro de luxo e vidros filmados, com Pietro a seu lado. Esperavam pela chegada de Wufei, que estava atrasado alguns minutos. O americano estava receoso tanto pela integridade física do chinês, quanto por sua própria ansiedade em revê-lo. Ele fora obrigado a entrar em contato com o amigo para pedir o disco, não havia outro jeito se não quisesse que um deles se machucasse gravemente. Durante o telefonema fora difícil conter qualquer emoção que viesse inconscientemente a demonstrar, pois Pietro estivera a seu lado durante toda a ligação. Não queria que o ex-amante percebesse que tinha sentimentos por Wufei além da antiga amizade. Se Pietro desconfiasse que guardava algo especial pelo chinês, tinha certeza que todas as ameaças se voltariam para ele. E ainda tinha que se manter estável, camuflando seu estado debilitado, pois se até isso fosse descoberto, também estaria mais do que em maus lençóis. Pietro ainda não percebera sua condição. Duo estava fazendo o possível para que não chegasse ao conhecimento do ex-amante até que não tivesse mais volta, pois ele tinha planos para aquele maldito disco.

Assim que viu Wufei vir caminhando para o local do encontro, Duo sentiu o coração em disparada. Havia pensado que jamais veria o belo chinês outra vez. Pelo menos, por uma última vez, lhe era garantido se despedir do homem que estava fazendo seu coração bater mais forte, alguém que depois de anos, não se chamava Heero Yui.

Foi tirado de seu transe de pensamentos pela voz firme de Pietro.

- Já sabe, Duo. Nada de conversa fiada, nada de encontros emocionado. – olhou para o homem de olhos violetas a seu lado, reparando no quão abatido este estava. – Pegue o disco e volte.

- Não força, Pietro. – irritou-se com as ordens e virou-se abrindo a porta do carro para sair, mas foi detido quando a mão forte do outro homem lhe segurou pelo braço da jaqueta jeans que usava, obrigando-o a encará-lo mais uma vez.

- Eu estou falando sério. – a ameaça era verdadeira no fundo daqueles olhos azuis tão claros. – Se atreva a desobedecer a uma dessas ordens e vai pagar caro. Estou te dando a oportunidade de fazer isso sem que seus amigos sejam envolvidos.

Duo nada respondeu, apenas livrou seu braço bruscamente e saiu do carro tentando não deixar transparecer o quanto estava machucado pela surra que levara no dia anterior. Mas era uma coisa inútil de se fazer, pois seria impossível impedir Wufei de questionar qualquer coisa quando este visse os hematomas em seu rosto. A febre por algum motivo estava se mantendo controlada, não muito alta, mas desconfiava que era apenas um beneficio de ter um sistema imunológico mais resistente, sendo assim, seu processo provavelmente seria bem mais demorado até chegar a fase final.

Duo respirou fundo e começou a caminhar lentamente, mas em passos seguros, na direção onde Wufei o esperava.

Heero, que havia se posicionado distante e escondido do campo de visão dele. Viu exatamente quando Duo saíra do carro. Podia estar longe, mas não o suficiente para não ver e perceber que o americano estava ferido. Alguém o havia machucado e isso só vinha confirmar que era certo acreditar que Duo estava metido em alguma confusão. De qualquer forma, estava atento a tudo o que poderia acontecer ali e não tinha um bom pressentimento quanto aquele encontro.

O sorriso de Wufei morreu antes mesmo de surgir em seus lábios. A medida em que Duo se aproximava, ele podia ver com mais clareza e horror os hematomas no lindo rosto do americano. Ficou estático.

Quando Duo finalmente parou a alguns passos e ficando frente a frente a ele, além do ódio que crescia em seu ser por quem quer que tivesse ferido Duo daquela maneira, Wufei também não queria nada além do que abraçá-lo e não permitir que se afastasse nunca mais. Era a primeira vez que se encontravam depois da noite que haviam passado juntos.

- O disco, Chang. – Duo pediu tentando fingir indiferença do melhor jeito que podia. Não sabia por quanto tempo conseguiria manter aquela fachada e não abraçar o outro ali mesmo.

Sabia que havia muito mais por trás daquela atitude de Duo, mas Wufei não gostou da demanda lhe feita, principalmente depois do que haviam dividido juntos naquela noite.

- Nada de disco enquanto você não me disser o que está acontecendo. – exigiu com a mesma determinação que o americano lhe dirigira a palavra. – Em que confusão você está envolvido?

Duo não podia e nem tinha tempo para poder explicar tudo o que se passava. Ele acreditava nas ameaças de Pietro e não queria arriscar a vida de Wufei por aquele disco.

- O que acontece na minha vida não lhe diz respeito. – rebateu com a mesma postura decidida, mas por dentro quebrando ao perceber a magoa que foi impressa no semblante do chinês, quando proferia aquelas palavras. – Doze anos se passaram e uma noite de sacanagem não lhe dão o direito de que querer se impor e exigir nada.

Wufei, por um momento, entristeceu e magoou-se com tudo o que Duo lhe dizia.

- Então isso foi tudo o que significou pra você? Uma noite de sacanagem?

Duo recuou um pouco ao escutar aquela acusação. Era obvio que para ele não havia sido somente isso, mas não poderia deixar que aquela conversa seguisse adiante.

- Pensei que você fosse mais esperto que isso, Fei. – na verdade se fosse, teria percebido algo no inicio das guerras e não foi o que aconteceu.

Wufei abrandou a raiva que começava a sentir de Duo ao escutar suas últimas palavras. Havia tristeza e ressentimento nelas e, finalmente, o americano voltara a lhe chamar pelo apelido carinhoso. Algo logo estalou em sua mente. Era lógico que Duo estava representando e, ele envolvido demais por seus próprios sentimentos, deixara se levar facilmente.

- Duo, nós não podemos te ajudar se…

- Eu preciso do disco, Fei. Agora. – ele esperava que Wufei tivesse entendido a sua mensagem pelo telefone e verificado o disco, mas pela forma que agia ali, não parecia ter descoberto o conteúdo que nele havia.

Wufei deduziu que aquela urgência de Duo só poderia significar uma coisa. Que certamente ele estaria sendo vigiado. Esperava que Heero pudesse observar melhor que ele, pois temia tentar procurar a fonte que ameaçava Duo e acabar prejudicando a situação.

O americano queria o disco, mas se o desse, o que aconteceria depois? Duo desapareceria mais uma vez sem olhar para trás? Ele ficaria bem quando entregasse aquele disco a quem o estivesse exigindo? Eram perguntas que ele sabia que não teriam respostas, mesmo se as fizesse ao maior envolvido na questão. Conseguiria então ver Duo partir mais uma vez e não fazer nada para impedir?

Duo estava vendo tempo demais ser perdido ali, provavelmente Pietro não estaria nada satisfeito com aquela demora toda e a conversa que estava tendo com Wufei. Precisava do disco naquele momento e sair o quanto antes dali.

- Não tenho tempo pra toda a conversa fiada que você quer. – insistiu quase em desespero e, finalmente, cedeu a suplica. Não queria que nada acontecesse a Wufei. – Por favor, Fei… me dê o disco.

Chang queria respostas, queria tanta coisa. Estava mesmo hesitando em entregar o maldito disco e era proposital, não queria que tudo terminasse ali.

No carro, Pietro já tinha se cansado da protelação de Duo. Imediatamente pegou o celular e discou o número privado e deixou apenas dar um toque, em seguida desligando sem precisar se preocupar com mais nada.

Se o americano não tinha dado valor a suas palavras, as faria valer então.

Sem se importar se seria repelido ou não, se estariam sobre vigia e que o próprio Heero viesse lhe ameaçando com seu famoso "Omae o Korosu", Wufei antecipou-se abraçando Duo. Mas sentiu o americano sobressaltar-se e gemer. Mesmo assim não se afastou. Precisava dizer, precisava confessar antes que Duo resolvesse sumir de sua vida outra vez e não voltasse mais.

Duo foi abalado pela repentina demonstração de carinho do chinês e, apesar da pressão que o abraço fazia de contra seu corpo machucado e dolorido, não tentou afastá-lo, pelo contrário, deixou ser envolvido no calor daqueles braços. Não conseguia mais fingir indiferença e, envolvido por aquele momento, até se esqueceu da eminente ameaça.

Wufei aproximou os lábios do ouvido de Duo e sussurrou:

- Wo ai ni…

Heero estava agüentando quieto a demora toda na conversa de Wufei com Duo, mas quando viu o chinês de aproximar e abraçar o americano, sussurrando qualquer coisa em seu ouvido, só não surtou pegando sua arma e atirando naquele desonrado, porque algo mais importante pegou seu campo de visão.

Heero viu perfeitamente o brilho estranho vindo de cima de um dos prédios. Era um atirador de elite.

Ele apenas agiu o mais rápido que pode.

Escutando aquelas palavras sussurradas por Wufei, Duo se desarmou de vez e se viu retribuindo o abraço com imenso carinho, escondendo o rosto no ombro do chinês. Estava emocionado pela declaração que acabara de lhe ter sido feita e como lamentava por esta não ter vindo a anos atrás, pois naquele momento era tarde demais. Não havia futuro mesmo que quisesse retribuir aquelas simples e tão significativas palavras e faria sofrer aquela pessoa se o fizesse. Não queria ver Wufei sofrendo por ele, sofrendo por algo que nunca mais poderiam ter. Seus olhos marejaram de tristeza por Chang e por ele próprio. Habilmente pegou o disco que estava no bolso da jaqueta de Wufei e transferiu para o seu, sem que o outro percebesse nada. Era isso que precisava, tinha apenas que se livrar daquela situação e ir embora, poupando o sofrimento de ambos.

Wufei delicadamente afastou Duo do abraço. Queria ver o rosto do americano, ver sua reação verdadeira ante sua confissão. Tinha tanta esperança de poder ver uma chance para eles naqueles olhos ametistas. E ele viu algo que o intrigou. Haviam lágrimas contidas nos olhos de Duo e um semblante de puro desalento que para ele era indecifrável.

Ele levou a mão até o rosto alvo e manchado pelos hematomas, apenas tocando de leve, para fazer um carinho, mas foi pego de surpresa pela quentura anormal que emanava do local.

Duo percebeu o erro que cometera ao ver nos olhos preocupados e assustados de Wufei. Havia sido descoberto algo que ele não queria que viesse a ser conhecimento de ninguém. Duo imediatamente recuou, escapando do abraço e do toque em seu rosto. Era hora de fugir, de definitivamente deixar tudo que conhecia para trás… seu fim de linha.

- Duo… - Wufei estava assustado com o que constatara e agora via que o americano estava pronto para deixá-lo e ir embora.

Não houve mais tempo para qualquer palavra de nenhum dos dois. A voz de Heero rompeu entre eles num grito aflito.

- Chang! Duo!

Duo ficou confuso e olhou para Wufei de forma acusadora. Heero estava escondido em algum lugar o tempo todo e agora corria na direção deles. Erroneamente interpretou que seria algum surto do japonês por tê-los visto juntos. Não era. Havia pressa, havia urgência do japonês em chegar até eles. O estampido não foi escutado por ninguém. A distancia e o tipo de arma, impedia que qualquer barulho fosse audível a eles, mas Heero sabia do perigo e esperava evitar o pior.

Ele fora rápido o suficiente para chegar até os dois e empurrá-los para o chão, mas não para escapar do curso da bala, que havia sido intencionada para o parceiro chinês. Sentiu a parte posterior de seu ombro esquerdo queimar insanamente. Ele conhecia muito bem aquele tipo de dor, já a vivenciara através de dois tiros disparados por Duo quando haviam se encontrado pela primeira vez.

Ele deixou-se cair ajoelhado no chão, amparando o ombro ferido com a mão direita, enquanto o sangue rapidamente manchava o blusão azul que usava por dentro da jaqueta. Ele olhou na direção do prédio, temendo que o atirador tentasse um novo disparo, mas já não avistava mais o brilho da arma. Era provável que com todo alarde criado pelo primeiro disparo, o assassino tivesse retroagido e fugido. Ouviu alguém, um civil, gritar para que chamassem a policia e uma ambulância, enquanto Wufei imediatamente se recuperou do tombo provocado e se apressou até ele.

Duo, ainda ajoelhado no chão, estava estático com a realização do que havia acontecido. Pietro cumprira com a ameaça. Aquele tiro era para ter atingido Wufei e se não fosse por Heero, o chinês estaria provavelmente gravemente ferido, ou morto. Ele percebeu que o japonês, apesar do ferimento, o olhava com uma certa intensidade, que com todos os acontecimentos fazia com que seu coração disparasse sem qualquer controle. Era sua culpa Heero estar ferido. Não sabia se era grave, mas pela forma que o japonês segurava o ombro, esperava que não fosse, pois não poderia ficar e arriscar que algum outro assassino atentasse contra a vida daqueles dois. Ele desviou o olhar assustado de Heero para Wufei, que tentava saber deste se estava tudo bem, e mentalmente se despediu. Num único movimento, reuniu forças que nem sabia que tinha. Se levantou e correu para longe deles, longe dali.

Vendo a súbita escapada do americano, Heero quase se desesperou.

- Duo! – gritou, tentando chamar a atenção do trançado de volta para eles, só que inutilmente, pois este continuou a correr.

Wufei percebeu então que Duo fugia. Assim como o parceiro sentiu o mesmo desespero em ver o objeto de suas afeiçoes partir daquela forma, mas não poderia abandonar Heero ferido ali, enquanto uma equipe medica não chegasse. Foi quando sentiu a mão do japonês segurar forte em seu braço, conseguindo sua total atenção.

- Vá atrás dele, Chang. – pediu, tentando manter a voz firme ante a dor do ferimento no ombro.

Wufei estava tentado mesmo, mas hesitava.

- Eu não posso te deixar desse jeito.

- Droga, Wufei! Ele vai sumir e você sabe que não vamos conseguir mais encontrá-lo se o perdermos de novo! – bradou inconformado. – Eu vou ficar bem! Vá logo!

O chinês podia ver refletido nos olhos azuis de Heero o mesmo medo que ele próprio exibia em seus olhos. Era um reconhecimento entre eles naquele momento, que ambos sentiam o mesmo por aquele homem chamado Duo Maxwell.

Wufei assentiu, se levantando rapidamente e correndo atrás do americano, sendo observado pelo olhar apreensivo de Heero.


- Wo ai ni, significa eu te amo em chinês.

- Queria citar a senhorita Thoru, que leu o capítulo anterior e pegou todos as deixas e simplesmente desvendou o que havia no disquinho do Duo. Não podia deixar de citá-la, já que foi a única que chegou até mim e disse certinho tudo o que se passava, (Litha… nessa chegaram na tua frente… tee-hee!)

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