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Anime/Manga » Gundam Wing/AC » Open Road
Blanxe
Author of 41 Stories
Rated: M - Portuguese - Romance/Angst - Heero Y. & Duo M. - Reviews: 98 - Updated: 07-02-08 - Published: 03-11-06 - id:2839935
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Disclaimer: Os personagens não são meus…apenas Pietro Richellier...

Pairing: Acho que os de sempre… num sei… sei lá… deixa a historia rolar.

Esta fic é dedicada à Ophiuchus no Shaina…Thanks Fabi, essa fic é sua…


Quando eu parti essa manhã

Eu chorei quando sai pela porta

Eu chorei pelo tempo em que estive afastado

Eu chorei por te deixar completamente sozinho…


Capítulo 6

Wufei correu atrás de Duo seguindo o pedido de Heero e também uma ânsia que ele próprio guardava de alcançar o americano a tempo. Ainda estava preocupado com o japonês, não achava nada honrado deixá-lo para trás ferido antes de uma ambulância ter chegado, mas como o próprio Heero havia exposto em total desespero, se ele não conseguisse evitar a fuga de Duo, talvez nunca mais pudessem vê-lo novamente.

O americano estava envolvido com algo perigoso e pelo que notara, haviam sido envolvidos naquela arapuca. Wufei tocou o bolso de sua jaqueta e sentiu que este já não mais guardava o disco que havia trazido para Duo. Praguejou. Agora sabia o porque do trançado estar fugindo daquela forma. O danado tinha furtado o cd de seu bolso e sem que ele percebesse. Isso fazia com que repensasse no que poderia existir de tão importante no conteúdo daquele disco para fazer com que Duo agisse daquela forma, e para que existissem pessoas ameaçando suas vidas sem qualquer restrição.

Ainda havia uma preocupação. Quando tocara Duo, alem de já saber que este estava machucado, tinha sentido a quentura anormal em sua pele e não era pouca. Não queria nem imaginar como ele estava conseguindo correr daquela maneira, a ponto de não estar alcançando-o. Em sua mente já imaginava que Duo poderia ter algum ferimento interno que ele não estava ciente. Vira pelo olhar do americano que quando tinha notado sua febre alta, este ficara assustado, como se não quisesse que tivesse tomado ciência daquele fato. Aquilo o incomodava também. Tinha que pegar aquele americano de qualquer jeito e acabar com todas aquelas duvidas.

As pessoas por quem Duo e ele esbarravam na corrida, às vezes xingavam, ou paravam para olhá-los de forma assustada. Wufei quase sentiu seu coração sair pela boca quando viu o americano atravessar a avenida movimentada de carros, sem se quer se importar de olhar os carros. Duo apenas correu de uma só vez.

Ele perdeu o fôlego e quase fechou os olhos quando começou a escutar o barulho dos freios e vendo os carros parando bruscamente para não atropelarem Duo, mas este não parou nem deu trela aos xingamentos que se seguiram por sua imprudência. Wufei respirou aliviado ao ver que o outro havia chegado a outra calçada inteiro e só então, seguiu o mesmo caminho e aproveitando o momento em que os carros ainda estavam inertes, para poder continuar sua perseguição.

Duo estava começando a ficar sem fôlego e sua visão por mais que forçasse, teimava em embaçar. Ele iria acabar desmaiando a qualquer momento se não parasse, mas sabia que Wufei estava na sua cola e não podia permitir que este lhe pegasse. Temia que Pietro também estivesse a sua caça, o homem fora explicitamente claro quando mandou que retornasse ao carro assim que conseguisse o disco, mas não o fez. Isso não diminuía a sua preocupação para com seus amigos. Pietro mostrara seu ponto quando aquele tiro que fora direcionado para Wufei, acertara Heero. Ele rezava para que tudo ficasse bem com o japonês, pelo pouco que percebera, o tiro não o atingira de forma a ameaçar sua vida, mas mesmo assim não conseguia parar de pensar nele. Não queria que nada de mal lhe acontecesse e não tinha como esconder de si mesmo, que naquele momento em que se encararam olho no olho pouco antes de fugir, confirmara que seus sentimentos por aquele japonês ainda existiam tão intensos quanto há doze anos atrás. Aquele olhar quase o fizera ficar a seu lado e não fugir, mas ele tinha consciência de que não poderia impor nem a ele, nem aos outros, o sofrimento que provavelmente se seguiria se ficasse.

Tropeçou numa pequena depressão que havia na calçada e quase caiu. Não agüentaria por muito mais tempo, isso era certo. Wufei ainda corria em seu encalço. Estabilizou as passadas novamente e continuou a corrida. Precisava despistar o chinês. Wufei não podia pegá-lo de jeito nenhum. Virou uma das esquinas e viu o que precisava para despistar o amigo. Logo mais adiante estava um shopping. Ele não hesitou e entrou a toda pelas portas giratórias do grande estabelecimento.

Sem parar, ele procurou por uma melhor rota a seguir e escolheu sem duvidas a mais movimentada. Naquele momento agradeceu pelas grandes liquidações das lojas de departamentos que faziam com que o shopping lotasse de forma irritante.

Saiu mais uma vez esbarrando e tropeçando durante a fuga. As pessoas não se incomodavam e ele muito menos, a não ser pela vertigem.

Wufei tentava ganhar mais proximidade de Duo, mas não conseguia. Pessoas entravam em seu caminho, uma confusão sem fim que fazia com que se retardasse ainda mais. Estava mais do preocupado. Durante a fuga e agora quando perseguia Duo pelo shopping, vira o americano perder a passada por mais de uma vez e cambalear. Tentou aproveitar desses momentos para alcançá-lo, mas sempre acabava esbarrando em alguém e pessoas se metiam na sua frente só para atrapalhar. Duo não estava bem e a angustia por constatar isso só crescia. E foi quando aconteceu, logo mais a frente o americano caiu. Wufei aplicou mais pressa para chegar até ele, mas por estarem numa loja de departamentos e ter tantas pessoas, não se ligou que caía em mais uma armação do shinigami. Ao chegar no local onde tinha a certeza de tê-lo visto cair, não havia ninguém. Parado no meio do local, olhou ao redor, num misto de raiva e desolação. Ele não podia acreditar que tinha perdido o americano. Ele não estava em nenhum lugar que pudesse ver.

Duo havia mesmo caído, não propositalmente, mas porque estava no seu limite, só que sua consciência não se deixou ficar parado e aproveitou a oportunidade para se recuperar rápido e abaixado se esgueirar para outra seção da loja de departamentos. Quando se levantou novamente, distante de onde poderia ser avistado, usou uma pilastra como proteção e espiou o chinês de longe. Partiu-lhe o coração ver que Wufei ainda tinha esperanças de encontra-lo ali e que tentara a esmo continuar procurando-o pelo local. Duo sabia que era o certo a se fazer, era o melhor que podia oferecer para ambos, sumir sem despedidas dolorosas e sem a mágoa de viver pelo que poderia ter sido.

Com um pesar crescente na alma, virou-se para sair dali.

- Sinto muito, Fei. – murmurou e mais uma vez saiu apressado do local.

Duo deixou o shopping na mesma pressa que entrara e escolhera seguir o caminho que já pensava desde que conseguira pegar o disco e fugir. Iria para algum lugar bem distante do centro, mas primeiro queria destruí aquele maldito cd, o motivo de toda aquela confusão e também por sua vida não ter mais sentido nenhum.

Infelizmente se esquecera de um porém.

Quando estava ritmando os passos para andar mais calmo e recuperar um pouco da estabilidade, se assustou ao ser pego bruscamente por um dos braços e ser jogado de contra a parede de um dos prédios comerciais da viela por onde passava.

Por segundos o mundo girou e com muito esforço, domando a dor e seu estado precário, abriu os olhos para dar de cara com um nada contente Pietro. Como pudera pensar que seria fácil escapar dele? O homem encarava com raiva, mas havia algo mais, algo que se modificou ao ver que ele reparava em seu rosto de forma intensa.

- Você pensou que conseguiria o que com essa tentativa de fuga patética? – perguntou ainda analisando-o.

Duo não gostou da forma como Pietro o estava olhando. Sabia o que aquilo poderia significar.

- Eu não… pensei, eu… consegui. – disse com a voz entrecortada. Não sabia que estava tão sem fôlego assim.

Não hesitou em rapidamente tirar o disco do bolso da jaqueta e jogar no chão, pisando em cima repetidas vezes com um dos pés e inutilizando-o completamente. Sorriu vitorioso quando viu a expressão de surpresa no semblante do ex-amante. Havia acabado. Não existia mais disco, não havia nada que pudesse servir para ameaçá-lo contra seus amigos e para ele não existia mais salvação.

Num momento de raiva Pietro agarrou-o pela gola da camisa cinza que vestia e o pressionou contra a parede fazendo com que seu corpo se chocasse, causando reações dolorosas por todo o seu corpo.

- Você sabe o que acabou de fazer, Duo? – grunhiu ameaçadoramente. - Sabe o quanto de tempo e dinheiro foi gasto nessa pesquisa para esse disco ser destruído por você?

Duo sentiu vontade de rir, de gargalhar bem alto e insanamente, assim como Heero costumava fazer durante as guerras em seus momentos de Soldado Perfeito que pode tudo. Naquele momento ele se sentia assim, um pouco senhor de tudo, um pouco insano e extremamente fraco para poder concretizar aquilo. Mas sorriu irônico, tentando manter a visão firme, enquanto estava teimava em embaçar.

- Eu sei exatamente o que fiz, Pietro. E o dinheiro que seu chefe investiu, não é nem a metade do que o governo gastaria se esse disco fosse usado de forma errada.

Pietro de certo queria sacudir Duo e trazer um pouco de senso aquela cabeça paranóica dele, mas algo que já pegara sua visão o impediu de fazer aquilo. Duo estava extremamente pálido, suava frio e aparentemente respirava com dificuldade. Pensou se os ferimentos causados pela surra dada por seus homens o havia deixado tão debilitado que a corrida que fizera durante aquela fuga, tivesse sido demais para ele.

Naquele instante esqueceu-se por um momento que todo seu trabalho fora em vão e que o disco que seu chefe queria estava perdido para sempre.

- Duo, você está bem? – disse afrouxando a pegada na gola da blusa do americano e com a outra mão tentou tocar sua face.

Duo bateu a mão de Pietro para longe, mais uma vez, antes que este pudesse encostar em seu rosto.

- Está acabado, Pietro. – a única coisa que queria era ir para bem longe de qualquer um que o conhecesse e mesmo Pietro sendo quem era, sabia que sofreria também se ficasse perto dele. - Não existe mais disco, agora pode me deixar em paz.

Pietro estranhava a atitude tão ríspida de Duo ante a seu toque. Talvez merece aquilo, talvez o americano o odiasse por ter permitido sua tortura e por ter ameaçado seus amigos, mas era seu trabalho e Duo também não havia colaborado da maneira que deveria. De qualquer forma, tudo fora em vão, perda de tempo, perda de dinheiro, perda de vidas. O disco estava destruído. Seu chefe provavelmente ficaria furioso, mas não havia mais o que ele pudesse fazer. Quanto a Duo, queria que ele entendesse sua posição e, mais do que tudo, se afastar dele era o que não queria.

Duo sentiu Pietro soltá-lo e retroagir alguns passos para trás e só então percebeu que o que o estava sustentando em pé era a pressão que este fazia nele contra a parede. Seu corpo apenas pendeu para frente e caiu. Qualquer determinação ou força que lhe mantinha de pé e consciente o abandonou e sentiu-se apenas ser amparado pelos braços seguros do homem a sua frente. De longe ainda pode distinguir os chamados e o tom preocupado com que era tentado a voltar a abrir os olhos, mas por mais que quisesse, a única coisa que enxergava era a escuridão. Uma calma e convidativa escuridão que deixou que lhe consumisse.

Heero estava deitado na cama do hospital, ainda com Sally Po checando as bandagens de seu mais novo ferimento. Havia passado por uma pequena cirurgia para a extração da bala, mas não havia muito com que se preocupar, pois o tiro não fizera estrago permanente a seu ombro. Fora transferido para o hospital conveniado ao Preventers e como não podia ser diferente, o tratamento que recebeu lá, não deixou de passar por questionamento e um aviso de que a Comandante Une estaria ciente de todo o acontecido e que esperava que ambos, ele e Wufei, reportassem a ela os acontecimentos e o motivo de não terem comparecido ao trabalho naquela manhã de segunda-feira. Tudo podia se resumir a Duo Maxwell, e, Heero estava mais do que irritado pela demora em receber alguma noticia do parceiro chinês.

Já havia se passado tempo suficiente para que Wufei pudesse entrar em contato e dizer se tinha ou não conseguido pegar Duo. Estava já disposto a largar aquela cama de hospital e a ordem de repouso de pelo menos alguns dias dadas pela médica, e ir atrás de Chang ele mesmo.

Quando Sally deixou o quarto, ele esperou. Recostou a cabeça nos travesseiros e olhou para a janela fechada, mas que mostrava a ele a noite em seu auge. E a única coisa em que conseguia pensar era Duo. Nos olhos violetas que se prenderam nos seus por questão de segundos, mas que foram o suficiente para ver o quanto temia. Viu clara a despedida que ele passou naquele simples contato, principalmente quando voltou os olhos para Wufei. Seu ciúme foi massacrado pela preocupação de ver o americano fugir, mas ali, quando podia analisar tudo mais calmamente, sem a adrenalina do momento, aquele sentimento lhe invadia.

Era infantil de sua parte pensar daquela forma, mas não se continha. Ainda mais por saber que Duo tinha transado com Chang. Não engolira aquilo também e ainda o corroia de forma insana. Perguntava-se se o americano tinha mesmo sentimentos pelo chinês, se havia algo além de uma noite de prazer, e não gostava nada de pensar numa resposta positiva para aquilo. No fundo acreditava que Duo ainda tinha por ele o mesmo sentimento de quando havia terminado o relacionamento. Simples. Quando o havia beijado na biblioteca da casa de Quatre, sentira a paixão na boca que lhe correspondera a principio. Era a mesma intensidade que se lembrava de ter quando tinham apenas 16 anos. Duo não era tão bom em esconder sentimentos quanto a ele.

Virou a cabeça rapidamente na direção da porta do quarto, quando a escutou abrir. Endireitou-se na cama, mas pela feição de Wufei, não teria a noticia que esperava escutar. O chinês parecia cansado e decepcionado demais para ter uma resposta positiva a sua pergunta, mas mesmo assim a fez.

- E o Duo?

Wufei sabia bem das expectativas de Heero, infelizmente, não tinha como supri-las.

- Escapou. – disse num desabafo, deixando-se cair pesadamente no sofá creme do quarto, segurando a cabeça entre as mãos. – Eu o perdi no meio de um maldito shopping… Eu ainda tentei rodar a área toda, ver se conseguia pegar sua trilha novamente, mas foi inútil.

Heero não tinha o que falar perante aquela falha, afinal, era até compreensível.

- Ele é imbatível em fugas mesmo. – tentou mesmo assim apaziguar a situação para o parceiro.

Wufei levantou o olhar rapidamente para encarar o olhar do japonês e contrariou aquela calma.

- Ele não está bem, Yui. – contou rispidamente. - Não venha querer analisar tudo friamente agora porque não dá.

- Eu percebi, Chang. Eu vi os hematomas.

- Não é só isso. Ele estava com febre e estranho, ele simplesmente me repeliu quando eu constatei isso. Durante a fuga, eu vi perfeitamente o quanto ele oscilava… - Wufei então desviou o olhar para o chão do quarto, sentindo-se envergonhado por sua falha. – Eu deveria ter sido mais atento e não deixado que ele escapasse…

Heero olhou para Wufei ainda um pouco confuso com o que havia sido dito por ele. Duo estava mesmo tão ferido assim? Aquilo o preocupou de imediato.

- Eu ainda tenho uma pista que pode nos levar ao Duo. – lembrou-se de imediato. – Aquele desgraçado da boate, Chang. Eu o localizei ontem, o hotel onde ele está hospedado.

Wufei novamente levantou o olhar e intrigado indagou:

- Você ainda está seguindo o raciocínio do Barton em relação a esse cara?

- Porque não? – disse indiferente.- Trowa tem razão. Essa confusão começou depois que Duo se encontrou com esse homem naquela noite. Eu vou atrás desse pilantra.

Wufei olhou para a bandagem no ombro do japonês e meneou a cabeça na direção do ferimento.

- Você não está em condição de ir averiguar nada, nem ninguém. – constatou ganhando um olhar mortal de Heero.

- Você não acha que eu vou ficar aqui olhando pro teto, enquanto você vai atrás do Duo sozinho, acha?

Wufei percebeu pelo tom de Heero que havia algo por trás de todo aquele empenho.

- Não seja idiota, Yui. Não estamos em nenhuma competição ridícula. – o criticou de imediato.

Heero estreitou os olhos e replicou no mesmo instante.

- Eu não penso em competição nenhuma! – aumentou o tom de voz e Wufei estranhou, pois era difícil de ver o japonês se alterar daquela forma. – Pensa que estou levando isso como algum jogo de quem chega primeiro e fica com o Duo? Droga! Você acha que eu não estou preocupado com ele?

Wufei, realmente intrigado, levantou uma de suas sobrancelhas e cruzou os braços sobre e peito.

- Acho. – confirmou sendo sincero. - E por acaso não está?

Heero contou até dez reunindo toda a frieza que tinha para não avançar ali mesmo e quebrar o pescoço de Wufei. Finalmente respirou fundo e determinado expôs a sua posição.

- Vamos deixar as coisas claras aqui, Chang. Eu não sei que cargas d'água deu em você pra se aproximar do Duo e querer ele na sua cama assim tão de repente, mas eu o quero de volta. – ele pode ver uma interrogação irônica no semblante do chinês e fez questão de responde-la. – Eu não errei em nenhum momento e você sabe disso. Duo foi quem na época criou expectativas demais.

- Duo foi ingênuo e, analisando desse ponto de vista, sua "culpa" é anulada. Mas rebato a sua frase: e você agora resolveu do nada que o quer de volta? – indagou com sarcasmo.

Heero ficou em silêncio apenas encarando o ônix dos olhos do chinês. Chegava a conclusão de que nada que dissesse faria com que suas palavras fossem levadas a sério enquanto não levasse as do outro também.

O impasse foi quebrado quando o celular de Wufei começou a tocar.

Rapidamente ele vendo que se tratava de Trowa, atendeu-o sob o olhar atento de Heero.

- Wufei, onde foi que vocês se meteram? Estamos tentando ligar para o celular do Heero, mas eu acho que ele desligou o aparelho e o seu só consegui completar a ligação agora.

- Tivemos problemas aqui, Barton. – respondeu sem ser especifico com nada. Não precisavam de um Quatre desesperado vindo para o hospital, quando o problema não era tão sério assim. - O que aconteceu?

Trowa primeiro lhe abordou com outra pergunta.

- E o Duo? Estão com ele?

- É uma longa historia, mas ele não está conosco. Fugiu com o disco.

Wufei não gostou do silêncio que Trowa fez do outro lado da linha. Ou estava lhe xingando mentalmente, ou arrumando uma forma de lhe contar alguma coisa que não iria gostar.

- O que houve, Barton?

- Nós conseguimos abrir parcialmente alguns arquivos do disco.

- E…? – falou querendo saber o que era.

- E é melhor você voltar pro seu apartamento junto com o Heero para ver isso aqui.

Wufei entendeu que deveria ser algo importante para que Trowa quisesse evitar falar pelo celular e mesmo estando curioso, resolveu seguir o pedido do amigo.

- Estou a caminho.- Desligou o celular e se levantou do sofá, logo respondendo ao olhar inquiridor de Heero. – Parece que Barton e o Winner conseguiram abrir alguns arquivos do disco e encontraram alguma coisa importante.

Heero imediatamente se colocou sentado, com os pés para fora da cama.

- Pegue as minhas roupas, Chang.

Wufei franziu o cenho e discordou

- Não mesmo, a Sally me disse que você teria que ficar aqui por mais alguns dias.

Heero o olhou indiferente e pulou da cama, indo em direção ao pequeno guarda roupas do quarto. Wufei levou displicente a mão a testa e balançou a cabeça em negativa, pela falta de vergonha do japonês que, graças a roupa do hospital, podia ser vista toda sua retaguarda. Não que Heero não tivesse um corpo que não fosse admirável, pelo contrario, era um homem com músculos bem definidos e distinta masculinidade, mas jamais conseguira olhar para o japonês com outros olhos que não fosse do parceiro de trabalho a quem sempre invejara por ter tido a oportunidade de estar com Duo Maxwell e este a desperdiçara de modo patético.

- O que você pensa que está fazendo, Yui?

Heero se voltou para o chinês enquanto terminava de subir a calça jeans e o olhou com ironia.

- Não está obvio pra você? – disse tirando a camisola do hospital e jogando para cima da cama, e logo depois fechou o zíper e o botão da calça. - Eu vou com você.

Wufei resolveu não gastar saliva com o japonês cabeça-dura. Heero era a pessoa mais teimosa e persistente que já conhecera e se havia encasquetado que não iria ficar no hospital, ninguém o faria. Alem do mais, não tinha muito com o que se preocupar com o ferimento no ombro, já que este havia sido tratado e o parceiro só precisaria seguir os horários dos antibióticos, enfim, já vira Heero agüentar bem mais do que um simples tiro no ombro e sabia que sair do hospital não o afetaria em muita coisa mesmo.

Havia tanto o que se preocupar relacionado a Duo que não tinha porque ficar se martirizando pela teimosia do japonês. Sentia-se impotente por saber que Duo estava numa situação perigosa, de certa forma, enfrentado-a sozinho e ele estava de mãos atadas, completamente cego, sem ter como ajudar. Se pelo menos Duo tivesse ficado com ele e não fugido daquela forma. Para que fugir? Ele queria entender e, principalmente, ter o americano de volta.

Duo mais uma vez voltava a abrir os olhos. A principio ficou um pouco desorientado, não se lembrava bem do que tinha acontecido. Virou a cabeça para o lado e vagou com o olhar pelo cômodo bem mobiliado e limpo. Seu corpo protestou um pouco ao tentar virar o corpo e finalmente se lembrou. Estava discutindo com Pietro numa viela depois de ter destruído o disco que tivera tanto trabalho para proteger.

A questão era que se tinha apagado durante a discussão com Pietro, aquele lugar não era o quarto em que antes estava sendo mantido preso. E mais, já não se sentia tão ruim como antes, podia até arriscar dizer que sua febre tinha abaixado. Pela luz artificial das luminárias que davam ao quarto uma iluminação parcial, era certo afirmar que já era noite. A porta do cômodo estava entreaberta e podia ver a luz mais intensa que vinha do lado de fora.

Estava pronto para tentar se levantar, quando Pietro entrou no quarto e, assim que viu que estava acordado, sorriu, num misto de alivio e satisfação.

O belo loiro se aproximou, sentando-se na beira da cama macia fazendo o colchão ceder um pouco e fez um leve carinho em seu rosto. Desta vez Duo não negou a leve caricia.

- Você me fez passar um susto, Duo. – confessou, sem hesitação alguma. – Por que escondeu que estava com febre?

Duo não tinha como dar a verdadeira explicação do por que, ele simplesmente não podia, pois isso desencadearia outra série de problemas e, desta vez, ele entraria no lugar daquele disco maldito.

- E por que deveria deixar você saber, quando mandou seus homens me torturarem por respostas?- disse com sarcasmo. – Além de me humilhar, ainda queria que eu expusesse as minhas fraquezas?

Pietro riu de forma divertida.

- Eu não sabia que pilotos gundam ficavam doentes. – ironizou sabendo muito bem que o sistema do ex-amante não era igual ao de qualquer pessoa normal.

- E eu não sabia que você se importava tanto. – Duo debochou, se endireitando na cama e recostando na cabeceira. Estava achando estranho, mas realmente sentia-se melhor. – O que aconteceu afinal?

- Você teve uma queda de pressão e desmaiou. Eu pedi que um médico do hotel te examinasse e ele não viu qualquer dano interno que tivesse sido ocasionado pelo pequeno corretivo que você levou e indicou que provavelmente a febre e a pressão baixa seria uma reação ao estresse.

Estresse… Duo ficou pensando naquilo e no quão seria bom se seu problema fosse mesmo apenas estresse por tudo o que vinha passando. Mas não entendia o porque de seu organismo estar reagindo novamente. Provavelmente seria resultado de alguma medicação que o médico que Pietro chamara, deveria ter injetado nele. Tudo o que ele precisava. Algo para amenizar o processo que viria pela frente e que fizesse com que Pietro não desconfiasse da verdade.

- Eu estou me sentindo bem melhor. Será que agora pode me deixar ir embora?

Pietro pareceu um pouco decepcionado com o pedido que havia lhe sido feito.

- Vai voltar pra casa?

Voltar para casa? – pensou por um momento, desviando o olhar para a coberta que cobria suas pernas. Seu apartamento estava fechado, seu gato estava aos cuidados de uma senhora simpática que morara no andar abaixo do seu, e como tinha se metido naquela confusão, não tivera tempo de estabilizar um emprego na nova cidade. Tinha vontade de voltar para lá, reassumir a vida que levava, sem grandes preocupações, sem ter que ainda lidar com as emoções que o confundiam e angustiavam tanto. Poderia voltar? Teria tempo suficiente para isso? Não importava.

- Provavelmente, Pietro. – respondeu baixo, ainda parecendo pensar enquanto mantinha o olhar nos desenhos disformes do cobertor.

- Poderia voltar comigo, Duo. – sugeriu, mesmo sabendo qual seria sua resposta.

Duo não respondeu, apenas acusou.

- Você ordenou a morte de um dos meus amigos hoje, se lembra?

Pietro sorriu de um jeito triste.

- Eu disse que não estava brincando, Duo. Mas parece que seus amigos, assim como você, não jogam para perder. – comentou. – Eles também eram pilotos?

- Posso tomar um banho? – desconversou mais uma vez, tanto pelo fato de não querer confirmar o obvio, quanto por sentir que realmente necessidade de um.

Pietro suspirou vencido e se levantou da cama. Como fora se deixar apaixonar por alguém tão obstinado?

- Claro. Eu vou pegar algo limpo para você vestir.

Duo não tinha restrições com Pietro. Ele poderia ter sido um filho da mãe por ter ameaçado seus amigos, ter ordenado a pequena sessão de tortura e tudo mais, só que sabia bem que não eram decisões dele. Pietro apenas cumpria ordens e até achava louvável a fidelidade que tinham por seu chefe, mas tinha plena noção, que ele jamais ultrapassaria a linha de seu limite por ninguém, por isso era certo que o ex-amante jamais o mataria. Duo tinha em sua mente muito claro que não era puritano, nem uma boneca de porcelana para se quebrar tão fácil, ou ficar se lamentando pelos cantos por coisas que com certeza passara bem pior durante as guerras. Compreendia os métodos e isso não o magoava, não envolviam sentimentos. Era esse seu entendimento. Mas diferente de Pietro, se por acaso este tivesse realmente matado um de seus amigos, para Duo não existiria linha de limite, o que sentia por Pietro não era intenso o suficiente para conter a sua ira e se vingar na mesma moeda. Contudo, estava acabado. Não existiam mais ameaças, não haveria mais mortes desnecessárias e, apesar de tudo, ele se sentia bem.

Ele se levantou da cama cautelosamente, temendo ser arrebatado por alguma onda de tonteira, mas essa não veio. Seu corpo ainda estava um pouco dolorido, mas podia culpar os hematomas dos golpes recebidos dos capangas de Pietro. Colocou os pés para fora da cama e levou a mão a testa. Não havia mais febre como suspeitava. O paliativo que havia sido ministrado pelo médico era muito bem vindo.

Ficou de pé e andou até a outra porta, que levava ao banheiro da suíte Acendeu a luz e nem se incomodou de já ir tirando as roupas suadas e sujas, largando-as pelo chão e entrando no box quando ficou completamente nu. Desfez a trança, correndo os dedos pelos longos fios que há muito se viam confinados e finalmente abriu a água quente do chuveiro.

Sentiu-se bem em poder lavar o corpo e os cabelos. Naqueles longos minutos ali, teve tempo para pensar em qual caminho seguir. Infelizmente sua mente voltava para os acontecimentos daquela tarde, para confissão de Wufei, para o tiro que Heero havia tomado. Mesmo se garantindo que aquele tiro não poderia ter abalado o Soldado Perfeito, mesmo assim, ainda vinha aquela pontada de preocupação. Heero havia salvado a vida de Wufei e, apesar de se sentir meio enganado pelo japonês, por este ter estado escondido aquele tempo todo, tinha que agradecer por sua atitude. Estremecia só de pensar que Wufei poderia ter morrido, principalmente por sua causa.

As palavras do chinês, aquela confissão, podia escutar o eco delas ainda sendo sussurrada em seu ouvido. Por que justo agora? Por que Chang não se apaixonara por ele há doze anos atrás, quando fazia qualquer coisa por sua atenção, quando ainda poderia corresponder?

Não queria fazê-lo sofrer, não queria poder vê-lo sorrir, para mais tarde amargurar por suas lágrimas. Não era justo.

E ainda sim, havia Heero. O louco e insano sentimento que ainda guardava por aquele japonês de olhos azuis. Por mais que quisesse e tentasse, não conseguia se ver livre daquela dependência. E sabia que precisava certificar-se de que ele estava bem. Precisava tirar de uma vez aquele peso do coração. Depois disso, ganharia o mundo novamente, o mais longe do Japão que pudesse estar.

Wufei chegou a seu apartamento acompanhado de Heero. Trowa estava a frente do computador, ainda tentando decifrar o resto dos códigos do disco, enquanto Quatre parecia ter se cansado e esperava-os chegar olhando pele janela da sala.

Quando ambos viram os dois entrando, Trowa franziu o cenho e em Quatre podia-se ver a expressão imediata de surpresa e preocupação. Os dois haviam reparado na roupa suja de sangue de Heero e o braço suspenso pela tipóia.

- Heero, o que aconteceu? – o loiro perguntou, já aflito se encaminhando até o japonês.

- Tivemos problemas no encontro com o Duo. – respondeu, vendo o árabe se alarmar ainda mais.

- O Duo fez isso! – indagou incrédulo.

Wufei balançou a cabeça displicente, quase achando graça da idéia que se passou na mente do amigo. Duo atirando em Heero era uma coisa impossível, mesmo sendo fato que isso já acontecera uma vez, mas naquela época os dois não se conheciam.

- Não, Winner. Acontece que durante o encontro alguém atirou na nossa direção. – explicou, vendo os olhos verdes de Quatre se arregalarem ainda mais.

- Havia uma pessoa dentro do carro em que Duo estava e um atirador em cima de um dos prédios. Quando eu percebi só deu tempo de tirá-los da frente. – Heero contou.

- Mas e o Duo?

- Ele fugiu. – Wufei mais uma vez se lamentou. - Pegou o disco e fugiu.

Trowa após ter escutado tudo o que havia se falado, finalmente se manifestou.

- Talvez o conteúdo deste disco seja a explicação para a fuga de Duo e essas pessoas que aparentemente o estão ameaçando.

Tanto Wufei quanto Heero se aproximaram do computador, ao mesmo tempo em que Trowa abria os arquivos que já conseguira quebrar a segurança.

- Sobre o que se trata isso? – Wufei perguntou, sem entender todos aqueles relatórios.

Quatre, que estava mais atrás e já tinha estudado tudo por alto, respondeu ao chinês:

- Pesquisas. Para ser mais especifico uma pesquisa muito bem fundamentada sobre um vírus e suas mutações.

- Mas o que Duo estava fazendo com isso? – o chinês perguntou preocupado.

Heero que já se sentara na cadeira vaga ao lado de Trowa e analisava o conteúdo dos arquivos liberados, comentou sem perder sua atenção do monitor.

- Aquele idiota vive metendo o bedelho onde não deveria. É provável que tenha descoberto alguma coisa sem querer e está tentando resolver o problema sozinho.

Nenhum dos três discordou do ponto de vista de Heero. Todos sabiam, infelizmente, que era verdade. Duo era mais do que curioso e bisbilhoteiro e ver algo errado e querer agir sozinho para reverter uma situação, também era com ele mesmo.

- Você acha que ele descobriu essas informações e roubou o disco e, por isso, esta sendo perseguido e ameaçado? – Wufei retrucou para o japonês.

- Não há como saber ao certo, mas é a explicação mais lógica que consegui até o momento.

- Pelo que eu pude avaliar sobre as pesquisas até agora é que são baseadas na praga que assolou L2 e que eles estavam, através dela, tentando desenvolver um novo tipo de vírus letal. Pelos resultados que constam aí, todas cobaias humanas que utilizaram durante essas pesquisas não sobreviveram aos testes. Isso indica que até então eles não tinham um antivírus. – Trowa continuou a contar.

Heero estava com o olhar sério, totalmente compenetrado nos relatórios que lia, mas estava atento as palavras de Trowa. Confirmava todas elas através do que via ali. Lembrou-se imediatamente de Duo quando leu que as pesquisas estavam sendo levantadas através da praga que matara milhares de pessoas em L2. Perguntou-se então até onde aquilo envolveria o americano. Coincidência aquela pesquisa ser exatamente baseada na praga da colônia natal de Duo, ou existia com relação ainda maior? Não conseguiu impedir de questionar isso em sua mente. Havia arquivos ainda para serem decodificados e talvez neles estivesse o resto das respostas que precisava.

- Isso só afirma mais ainda que Duo precisa da nossa ajuda. – Quatre concluiu, mais do que angustiado pelo bem estar do amigo que retornara a sua vida há tão pouco tempo. – Nós temos que fazer alguma coisa.

- Eu vou de novo atrás do tal de Pietro. – decidiu Heero, se levantando da cadeira.

- Yui, não acha que já saracoteou demais, não? – Wufei criticou. – Caso tenha se esquecido, você foi baleado e precisa de repouso.

O japonês o olhou de forma ameaçadora.

- Eu sei de meus limites, Chang. Dispenso seus conselhos.

- Wufei tem razão, Heero. – Quatre apoiou o amigo chinês. – Você deveria repousar um pouco. Por que não deixa que terminemos de desbloquear o disco e cuidemos de ir averiguar esse tal de Pietro?

Heero, desta vez, lançou seu olhar contrariado para o loiro e não concordou.

- Quatre, se estivermos certos, Duo está com esse disco e se fugiu, tem gente que poderia matá-lo para conseguir isso. Acha que eu tenho condições de ficar em casa repousando, enquanto cada minuto pode estar contando?

Quatre ponderou. Não queria ser egoísta, nem expor Heero com este estando ferido, mas Duo era importante para ele. Pensar que o americano estava correndo perigo, que poderia morrer por não ter ajuda, o deixava mais do angustiado.

- Então você fica com a decodificação do disco e deixa que nós cuidemos desse Pietro. – o loiro negociou querendo pelo menos ter uma solução mais branda para a situação.

Duo saiu do banheiro vestido num roupão felpudo azul marinho. Seus cabelos soltos e úmidos, caiam voltados para seu ombro esquerdo e andava descalço pelo carpete que cobria o chão do local que ele já tinha presumido ser um quarto de hotel de luxo.

As luzes do quarto continuavam apenas nas luminárias e ele logo localizou as roupas dobradas em cima da cama que Pietro tinham separado para que vestisse. Suspirou de forma pesada e se encaminhou até a beira da cama, onde ficou por um momento olhando as peças. Sorriu pesaroso e passou a mão de leve pelo tecido da camisa que estava por cima. Ele queria, mas infelizmente não conseguia sentir ódio, raiva, ou qualquer repudia por Pietro, mesmo depois de tudo o que este fizera, ainda lhe tratava de forma carinhosa. Sabia bem que provavelmente o chefe dele teria dado ordens expressas para eliminá-lo, mas era fato que Pietro não faria aquilo.

Duo caiu pesadamente de costas de contra o colchão macio. E foi quando escutou a campainha tocar. Pensou que seria provavelmente algum serviço de quarto solicitado por Pietro, e não fez questão de se mover.

Na sala, Pietro estranhou a campainha. Não havia pedido nada ao serviço de quarto. Mesmo assim, abriu a porta e deparou-se com dois homens. Um ele reconheceu sendo o loiro que dançava com Duo na noite em que o havia abordado na danceteria, o outro mais alto sabia que era também um dos amigos de Duo. De todo modo, fez-se de desentendido.

- Em que eu poderia ajudá-los? – disse na porta, olhando diretamente os dois.

- Estamos procurando por nosso amigo Duo. – Quatre informou num tom sério. - Sabemos que você é conhecido dele e temos quase certeza de que pode nos informar seu paradeiro.

Pietro se debateu em dizer a verdade ou não. Afinal, Duo iria embora dentro em pouco, mas não sabia se o americano gostaria de falar com os amigos depois de tudo o que acontecera. Não sabia quais eram as perspectivas do ex-amante depois que o deixasse partir.

- Eu estou aqui.


Well...acho que já deu pra ter uma idéia do que tem no disquinho do Duo... no próximo capitulo tem mais explicações...
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