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Disclaimer: Os personagens não são meus…apenas Pietro Richellier...
Pairing: Acho que os de sempre… num sei… sei lá… deixa a historia rolar.
Agradecimentos: À Ophiuchus no Shaina por revisar o capítulo.
Esta fic é dedicada à Ophiuchus no Shaina…Thanks Fabi, essa fic é sua…
'Cause I am reaching for you
but my arms aren't long enough
and I am running to you
if I could go a little faster
and I am crying to you
but I can't hear my own voice
and I am waiting for you
and trying not to fall asleep now
Capítulo 7
Os três olharam para figura que tinha acabado de sair do quarto, cabelos ainda úmidos e completamente soltos, vestido apenas com o roupão azul-marinho.
Quatre empurrou Pietro do caminho e correu até o amigo, não hesitando em abraçá-lo, mas mesmo sendo retribuído, pode notar o corpo do americano se contrair ante a seu toque. Afastou-se um pouco para olhar no rosto de Duo e notou os hematomas e as palavras de Heero e Wufei lhe vieram na lembrança.
- Duo, o que aconteceu com você?
Trowa olhou para Pietro e este fez menção para que entrasse. Assim o fez, se aproximando do marido e do amigo.
- Nada com que deva se preocupar, loirinho. - Duo respondeu. - Já está tudo resolvido.
- Você está machucado. – Quatre falou inconformado. - Como pode dizer que está tudo bem?
- Eu estou, Q. Pietro já cuidou bem de mim. – disse, olhando para o ex-amante com uma certa ironia.
Pietro sorriu e pediu licença.
- Vou deixá-los para que conversem mais à vontade. – falou, com o mesmo ar de ironia, se retirando da sala para o quarto.
No fundo, Duo agradeceu mentalmente por Pietro ter deixado que conversasse com os amigos a sós. Não queria expor nada desnecessário ao ex-amante e esperava que aquela fosse uma conversa definitiva com os amigos.
Parecia loucura que resolvesse se apresentar diante de Quatre e Trowa, depois de tanto fugir dos amigos e daquela corrida desesperada para que Wufei não o alcançasse, mas a verdade era que queria, de uma vez por todas, fazer com que eles desistissem de procurá-lo, de querê-lo por perto. Mas também, com a presença deles ali, poderia saber sobre Heero e seu estado, que ainda o preocupava tanto.
- Duo, o que está acontecendo? - o árabe questionou intrigado. Não era estranho saberem que o americano estaria envolvido numa confusão, mas estar ali, cabelos úmidos, roupão do hotel e ainda com aquele homem que sabiam ser seu ex-amante, como se nada de errado acontecesse? Talvez não fossem tão ex-amantes assim, mas isso o deixava confuso no porquê de Duo ter se envolvido com Wufei.
- O Heero… Como ele está? - foi a primeira coisa que quis saber antes de tudo, rezando para que estivesse certo e que o japonês estivesse fora de perigo.
Quatre sorriu pela preocupação de Duo, mas mesmo assim, não ficou aliviado com aquela situação.
- Está bem. Ele queria vir atrás de você aqui, mas ficamos preocupados já que Sally disse que ele deveria manter repouso. Então nós o convencemos a ficar com o Chang decodificando o disco e viemos no lugar dele.
Duo arregalou os olhos e imediatamente quis saber. A primeira coisa que havia lhe passado pela cabeça foi que talvez Wufei tivesse lhe trazido um disco falso para o encontro e estivesse com o original em sua posse ainda.
- Que disco, Q? - rezava para sua suspeita não ser verdadeira.
- Sinto muito, Duo, mas nós queríamos saber o que se passava com você e quando você ligou para Wufei e pediu o disco, achamos melhor fazer uma cópia e tentar descobrir o que tinha de importante nele.
Duo sentiu seu corpo inteiro vacilar, diante do que o amigo árabe havia lhe contado. Era um pesadelo, maior do que jamais gostaria de ter tido. Finalmente voltou seu olhar para a porta do quarto, e esperava que Pietro não tivesse escutado aquilo. Duo soube então, que o que pensou ter terminado, voltava a assombrá-lo mais uma vez. Tanto sacrifício para destruir o disco, e agora seus amigos tinham uma cópia. Uma maldita cópia!
- Vocês fizeram uma cópia do meu disco? - perguntou ainda não querendo acreditar.
- Heero está no apartamento de Wufei terminando de decodificá-lo.
Trowa, um pouco incomodado, então sugeriu.
- Eu acho melhor nós termos essa conversa em outro lugar. - não sabia até quanto poderia confiar naquela pessoa que estava com Duo e não queria arriscar.
Duo deu razão a Trowa. Aquele não era o local mais apropriado para ficarem discutindo sobre aquele disco. Mas ele também não queria explicar, não queria ter que contar tudo o que estava acontecendo. Infelizmente tinha que pegar aquela cópia e para isso tinha que ir com eles. Tudo estava dando para trás.
- Eu vou me arrumar e vou com vocês. - decidiu, percebendo o leve sorriso aliviado de Quatre.
Puniu-se mentalmente, enquanto se dirigia para o quarto. Estava fazendo seus amigos se preocuparem e era tudo o que não queria. Sofrimento, preocupação, lamentações, pensara que tudo isso seria dispensável quando viera para o Japão, quando pensou que tudo daria certo… Deu tudo errado. Continuava tudo dando errado. A senhora sorte, que sempre fora sua amiga, parecia estar querendo debochar dele nos últimos dias. O que faria quando se visse sozinho com eles novamente e fosse-lhe exigida as devidas explicações? Mentir? Não tinha jeito de mentir depois de tudo o que eles já deveriam saber e desconfiar, mas omitir certas partes da história, que poderiam ser ignoradas, talvez fosse possível.
Infelizmente seu problema maior não era seus amigos.
Quando entrou no quarto para colocar as roupas, não viu Pietro em seu campo de visão e após dar alguns passos dentro do cômodo, teve um pequeno sobressalto ao escutar a voz vir de trás dele. Virou rapidamente para ver o ex-amante encostado a parede perto da porta. A primeira coisa que lhe veio à mente quando observou o olhar e o sorriso no canto dos lábios do loiro, foi que ele não havia sido tolo e escutara sua conversa com os amigos.
- Você tem até amanhã de manhã para me trazer essa cópia, Duo. - disse com um tom divertido.
Duo fechou o rosto contrariado e negou:
- Você sabe que eu saindo daqui não vou trazer nada de volta pra você. Assim que estiver com o disco, eu vou destruí-lo como fiz com o outro. - desafiou sem medo algum.
Pietro se afastou da parede e se aproximou do americano a passos calmos e sem perder aquele brilho estranho nos olhos azuis.
- Duo, você sabe que não vou te matar por destruir o cd, mas você vai conseguir viver o resto da sua vida com o peso da morte de um dos seus amigos na consciência?
- Essa ameaça já está ficando batida, Pietro. – ironizou, indagando-se o quão longa sua vida seria para se lamentar. No mínimo, seria uma agonia saber que fora responsável pela morte de um deles.
- Sim, mas é o que te comove, não é mesmo? Acho que eu nem preciso pensar muito para escolher uma vitima para sua falta de cooperação. Aquele oriental que te abraçou no parque seria uma ótima escolha, o que acha?
Se Pietro queria deixá-lo angustiado, estava conseguindo ao ameaçar justamente Wufei.
- O disco já vai estar destruído, para que iria tentar alguma coisa contra o meu amigo?
- Amigo mesmo, Duo? Acho que para quem não mentia, você está me saindo um ótimo Pinóquio. – debochou, ficando frente a frente com o americano. - É ele, não é mesmo, Duo?
Sabia bem ao que Pietro se referia. O ex-amante sempre quisera saber quem fora o homem que havia lhe conquistado de tal forma que não deixava que ninguém mais tivesse chance em seu coração.
- Já disse que não é nenhum dos meus amigos. - mentir estava ficando mais freqüente do que queria. Afastou-se e desamarrou o roupão, deixando-o caído no chão, enquanto vestia peça por peça da roupa que estava separada na cama, sem se preocupar com sua nudez.
Pietro ficou sério com a negativa de Duo, mas dele não comprava mais as palavras.
- É extremamente irônico que depois de tudo o que aconteceu, seus amigos ainda tenham o que eu quero. – comentou, admirando as formas do homem a sua frente, bem como os machucados e hematomas que eram bem nítidos por todo corpo delgado. -Vai me trazer o disco sem rebeldia, ou prefere pagar para ver o que vai acontecer?
Mais ameaças e ele já estava se cansando. Terminou de vestir a blusa e se voltou para o outro homem o encarando. Como sempre ele vivia de improvisar, pensaria como resolver a situação no caminho.
- Você vai se arrepender, Pietro. - disse deixando o quarto.
Pietro sorriu consigo mesmo.
- É o que veremos, Duo.
Heero decidiu passar a noite no apartamento de Wufei tentando quebrar as senhas dos demais arquivos que faltavam. Maldito de quem criara aquelas barreiras, mas entendia a importância e a necessidade de dificultar o seu acesso o máximo que fosse possível. O parceiro chinês estava na cozinha fazendo um chá e tentando fazer-lhe companhia enquanto trabalhava durante aquele período. Wufei estava tão preocupado quanto ele, e não querendo mais nada do que terminar aquele pesadelo de uma vez.
Tinha quase certeza de que aquele disco tinha mais a ver com Duo do que queria imaginar, mas a verdade veio à tona quando finalmente decodificou o último arquivo, a chave-mãe para aquele maldito mistério, e a coisa toda caiu como uma bomba em sua cabeça. A cada linha que lia sua mente tentava negar que aquilo pudesse mesmo ser verdade e querendo se afirmar no que via, chamou pelo parceiro.
- Chang!
O chinês se assustou ao escutar o tom alto e urgente que a voz de Heero havia lhe solicitado. Desligou o fogo e se apressou até sala, onde se preocupou ao ver a expressão prostrada do japonês para a tela do monitor.
Imediatamente se aproximou e puxou a cadeira ao lado de Heero, se sentando. E não precisou que lhe pedisse nada, apenas tomou o mouse na mão e rolou as informações que o parceiro acabara de abrir. Havia uma foto de Duo e informações básicas sobre ele, mas não era isso o que trouxe preocupação e angústia a ele e sim o que vinha nas explicações da página seguinte.
- Eu sabia que aquele americano idiota tinha se metido em encrenca, mas não imaginava que a fossa era tão profunda assim. - Heero comentou ainda chocado.
Wufei lia e como Heero, queria uma confirmação de que não estava lendo e interpretando de forma errada.
- Isso aqui é…
- Duo está envolvido além do pescoço nessa pesquisa.
- Mas como pode?
- Você nunca foi muito chegado ao Duo para saber de muita coisa, chinês. - acusou aproveitando-se do momento para espetá-lo com a verdade. Wufei sentiu a ironia acusatória do japonês ao lhe dizer aquelas palavras. Ele realmente não conhecia muito sobre o passado de Duo simplesmente por não ter se deixado conviver o suficiente com o americano, mas isso não diminuía em nada o que sentia por ele. Heero prosseguiu:
- Duo vivia em L2 quando a praga que assolou aquela colônia matou milhares de pessoas. Duo era um menino de rua e viva com um bando de outros garotos, ele viu cada um dos amigos morrerem doentes, enquanto ele não foi afetado em nenhum aspecto pela doença.
- Segundo essas informações, parece que Duo tinha contraído a tal praga e esta apenas ficara incubada em seu sistema. - Wufei tentou ignorar e se ater aos fatos em geral.
- É o que parece. - Heero confirmou, relendo o relatório juntamente com Wufei. - De alguma forma, esses arquivos indicam que Duo foi usado nessa pesquisa, como base para conseguirem criarem uma mutação do mesmo.
- Mas aqui não diz sobre o antivírus ter sido desenvolvido. - Wufei constatou, terminando de ler o relatório e vendo que era o último arquivo que faltava. O disco havia sido totalmente decodificado.
- Não, mas a base de toda a pesquisa está aqui, só não entendi ainda o porquê do Duo estar trazendo esse disco para o Japão.
- Realmente não faz sentido. Tem muito mais envolvido nisso tudo, do que estamos conseguindo pegar. - Wufei falou ainda pensativo - Como Duo se envolveu com tudo isso?
- Não tenho a mínima idéia. - Heero confessou. - Ele não se prontificaria a ajudar em algo assim.
Wufei o olhou desconfiado.
- A não ser que…
Heero estreitou os olhos e antes que pudesse indagar qualquer coisa, o telefone do apartamento começou a tocar interrompendo-o, ao mesmo tempo em que a campainha da porta.
Eles se entreolharam intrigados e Wufei meneou a cabeça para que Heero atendesse ao telefone, enquanto ele se encaminhava para a porta.
Heero pegou o fone e foi logo se surpreendeu com a voz de Quatre.
- Heero? Você estava certo o tempo todo. Conseguimos encontrar o Duo. - disse o loiro atropelando as palavras.
Heero apertou a mão no fone, sentindo um enorme alívio de escutar o amigo falar aquilo, mas franziu o cenho no momento em que Wufei verificou o olho mágico da porta e logo voltou seu olhar para ele.
Não podia ser nada bom para o chinês estar o olhando daquela forma. Ele fez sinal para que Heero, que apenas se levantou e se apressou para buscar exatamente o que o parceiro pedira com o sinal.
- Quatre, tenho que desligar agora. - não esperou pela resposta e simplesmente desligou o telefone, jogando-o por cima do sofá, ao mesmo tempo em que Wufei perguntou a quem quer que estivesse na porta o que queria.
Quatre escutou o telefone ficar mudo e olhou de forma intrigada para o aparelho celular em sua mão. Haviam deixado o hotel e agora rumavam para o apartamento de Wufei. Estava realmente feliz porque haviam encontrado Duo e o estavam levando a salvo com eles. Ter encontrado o americano pela suspeita de que o ex-amante tivesse algum envolvimento com o desaparecimento, tinha sido uma surpresa para o árabe. Para eles, porém, ainda continuava o mistério de qual seria e como Duo se envolvera naquela confusão. Tinha muitas coisas que queria questionar ao amigo, mas primeiro quis tranqüilizar aos orientais de que estava tudo bem. Infelizmente, o que acontecera durante o telefonema não fora bem o que esperava.
- É impressão minha, ou parece que o Heero desligou na sua cara? - Trowa observou, ao volante.
Quatre que estava sentado no banco do carona do carro, ainda tentava entender o que tinha acontecido. Olhou para Trowa e incerto do que responder, apenas disse a verdade.
- É... Ele desligou... Isso foi estranho.
Duo, que estava sentando no banco de trás com sua atenção voltada para fora da janela, de repente despertou para algo, quando escutou o loiro falar sobre ter achado estranho Heero desligar o telefone. Ele se endireitou no banco e inclinou o corpo para frente.
- Trowa, faz esse carro voar.
Olhando para o rosto preocupado do americano pelo retrovisor, Trowa indagou, já acelerando o carro como lhe havia sido pedido:
- O que houve, Duo? – perguntou, vendo que o americano parecia se debater mentalmente sobre o que estava acontecendo.
Duo piscou algumas vezes e encarou os olhos verdes de Trowa pelo retrovisor.
- Acho que tem alguma coisa acontecendo lá. - disse tentando manter a calma em sua voz.
Quatre virou o corpo para trás, agora realmente preocupado e curioso ao extremo para saber sobre o que Duo sabia.
- Como você sabe disso, Duo?
Duo se martirizava mentalmente. Como pudera pensar que Pietro confiaria nele para levar o disco sem danificá-lo? Um ataque direto para reaver o CD seria o mínimo que deveria esperar do ex-amante e era exatamente aquilo que imaginava que tinha acontecido. Temia que os homens de Pietro já estivessem agindo, enquanto eles ainda estavam a caminho do apartamento de Wufei.
- Pietro escutou a conversa que tivemos na sala. Ele sabe que vocês têm uma cópia do disco e vai fazer o possível para ter esse CD, Q.
Quatre ainda se sentia no escuro mesmo com o que Duo contava e se alterou com isso.
- Mas que droga está acontecendo, Duo? Que confusão é essa em que você se meteu?
Duo abaixou o olhar, sabendo que merecia a fúria de Quatre contra si, afinal acabara envolvendo-os nos seus problemas e eles sequer sabiam de tudo o que estava acontecendo. Era muita coisa para explicar e ele não sabia por onde começar, ou se queria mesmo começar a contar.
- É complicado, loirinho. Eu sinto muito por vocês estarem no meio da bagunça da minha vida...
Quatre ressentiu-se por ter se exaltado e, de alguma maneira, queria suplicar para que o amigo lhe contasse logo o que estava acontecendo, mas Trowa tomou a palavra para si.
- Por que essa gente está atrás de uma cópia do disco, quando você levou o original? - perguntou agora sem desviar a atenção do trânsito.
Trowa estava preocupado com Heero e Wufei e temia por suas vidas. Ele já havia entendido que aquele disco era muito cobiçado por alguém e que aquele Pietro realmente estava envolvido com todo o esquema, estando disposto a tudo para tê-lo nas mãos, mas queria mesmo saber o porquê, afinal, Duo estava com ele naquele hotel, sem qualquer jeito de que estava obrigado ou sendo torturado a ficar ali, e pelas informações de Wufei e Heero, Duo já tinha o disco original. Não queria desconfiar que o amigo americano havia mudado tanto durante aqueles anos, que agora estava compactuando com coisas escusas. Não queria mesmo.
- Eu destruí o disco original antes que Pietro pudesse pegá-lo. - confessou voltando a recostar o corpo pesadamente no banco do carro.
- Entendi... Ele sabendo dessa cópia...
- Não vai poupar ninguém pra poder tê-lo nas mãos. - Duo finalizou, penalizado.
Quatre olhou com pena para o rosto marcado pelo hematoma e perguntou:
- Não vai nos contar como se envolveu com isso tudo?
Sem encarar o amigo, ele virou o rosto mais uma vez para a janela e falou:
- É uma historia longa, Q. Eu não sei se vale à pena contar e fazer com que se envolvam mais nessa bagunça toda.
- Como nos envolver mais? O que pode acontecer de pior que já não tenha acontecido? - indagou aflito.
Triste, Duo retornou o olhar para os olhos verdes do árabe e sorriu quase que de forma penosa.
- Muita coisa, loirinho. E eu já coloquei as vidas de vocês demais em risco.
Quatre, apesar do tempo distante, podia ver pelo olhar de Duo como sempre fizera. Sempre conseguira enxergar por trás daquela máscara que ele usava e, por algum motivo grave, ela estava caindo e ele não fazia questão de tentar esconder. Isso era o que o afligia, o que o fazia ter certeza que tinha algo muito errado, e em seu âmago, sentiu medo.
- Duo... - tentou inquirir mais alguma coisa, mas o marido lhe cortou.
- Vamos primeiro ver o que está acontecendo com Wufei e Heero, deixe o interrogatório para depois.
Duo trocou um olhar com Trowa pelo retrovisor, em agradecimento por ele ter contido Quatre, mas sabia que mais cedo ou mais tarde teria que contar tudo o que estava passando e sobre o disco. Teria que enfrentar o que não queria. Por um momento pensou em quais seriam as possibilidades dele reaver aquele disco e mais uma vez tentar fugir para longe de todos. Saída covarde, sim, era verdade, mas já não se importava mais. Poucas coisas lhe tinham importância naquela altura dos acontecimentos, e as únicas que ainda estimava e dava valor eram seus amigos, salvos e seguros de qualquer mal que o seu retorno pudesse lhes trazer.
Trowa parou o carro e se assustou ao ver um pequeno alvoroço na frente do prédio de Wufei. Tinham pessoas na entrada, uma viatura da polícia e uma ambulância. Ele escutou as portas do carro se abrirem e viu Duo e Quatre deixando o veículo às pressas. Os dois podiam ser diferentes em muitos aspectos, mas eram iguais no que se dizia respeito ao emocional.
Ele deixou também o carro e se apressou até os dois, que não pararam na portaria e subiram direto para o apartamento do chinês. Juntos pegaram o elevador e quando chegaram ao andar, viram mais policiais e os para-médicos saindo da residência de Wufei, levando uma maca com um corpo coberto.
O trio empalideceu ao ver que havia ocorrido mesmo alguma coisa no apartamento do amigo e que alguém morrera ali. Duo não esperou. Alarmado e angustiado se adiantou até os enfermeiros que levavam a maca e, apesar de ser repreendido, pois não poderia se aproximar, não escutou. Os fez parar e abriu o zíper que fechava o corpo que era levado.
Havia um buraco de bala bem no meio da testa e Duo sorriu aliviado ao ver que o homem ali não era nem Heero, nem Wufei. Não o conhecia. Provavelmente era um dos homens de Pietro. Eles estiveram mesmo ali, mas Heero e Wufei estariam bem? Tinham que estar.
- Você não pode fazer isso. - um dos para-médicos disse, afastando Duo da maca. - Não escutou o que te falei?
Duo não respondeu, pois logo um oficial da polícia veio abordá-lo.
- Conhecia esse homem?
Quatre e Trowa finalmente se aproximaram e o loiro, mais diplomático dos três ali, resolveu conversar com o oficial, indicando para que Trowa e Duo fossem checar o apartamento.
- Não senhor, nós somos amigos do dono do apartamento. - informou. - Wufei Chang. O senhor poderia me dizer o que aconteceu aqui?
Duo e Trowa se afastaram, ouvindo Quatre ser inquirido com algumas perguntas do oficial, e assim entraram no apartamento. Ficaram chocados com o estado do anteriormente tão organizado e bem mobiliado apartamento do amigo chinês. Estava um caos. O sofá estava virado, buracos de bala pelas paredes da sala, o computador parecia ter sido atingido também e pegado fogo, pois estava enegrecido como se chamas tivessem consumido o monitor. Muita coisa quebrada e destruída. A visão de um fogo cruzado foi o que veio a mente dos dois, mas ali não estava nenhum dos dois amigos.
Logo o pânico voltou a atacar Duo. Deixou o apartamento antes de Trowa e apressou-se até o elevador. Quatre vendo o americano entrar no elevador, correu até ele e conseguiu chegar a tempo de segurar a porta e entrar junto. Trowa, quando saiu do apartamento, foi abordado pelo oficial e não conseguiu alcançar os dois.
- Onde você pensa que está indo, Duo? - o loiro perguntou aflito por Duo estar com um semblante estranho e não ter falado nada desde que haviam deixado o carro.
- Eu vou atrás do Pietro. - disse decidido, sem olhar para o árabe. - Você vai ficar aqui com o Trowa e ver se consegue saber o que aconteceu com o Heero e o Fei.
- Mas você enlouqueceu mesmo! Vai voltar atrás daquele cara?
- Os homens dele estiveram aqui e fizeram essa festa. Onde você acha que estão indo agora se pegaram o disco?
- E se não pegaram? E se o Heero e Wufei conseguiram escapar e estão com o disco?
A possibilidade que Quatre levantava era plausível e poderia ser verdadeira. A porta do elevador se abriu e eles saíram do prédio.
- Volte para o seu marido, loiro. - disse se apressando até o carro de Trowa. - Eu vou resolver isso.
Quatre, insatisfeito por estar sendo descartado, fechou o cenho e correu atrás de Duo.
- Você está precisando de uma camisa de força, se acha que eu vou deixá-lo longe das minhas vistas de novo. - avisou alcançando o amigo, antes que esse pudesse abrir a porta do motorista. - Eu dirijo.
Duo olhou sério para o loiro. Estava ainda se debatendo sobre questões internas, sobre como estava cada vez mais envolvendo os amigos nos seus problemas. Não queria, mas infelizmente sabia que discutir com um árabe enfezado e decidido nunca fora bom e não tinha tempo para debates e discussões. Precisava agir logo, mesmo que fosse apenas para interceptar Pietro.
- Você sabe mesmo dirigir? - perguntou irônico, indo para o lado do carona.
Quatre riu sarcástico.
- Eu sabia pilotar um gundam, porque acha que eu não saberia dirigir um carro?
Duo deu uma olhada para o amigo, meneando a cabeça de lado, e brincou:
- Tá na cara que você tem sempre alguém pra dirigir por você, então eu apenas deduzi que suas mãos delicadas não precisariam tocar num volante.
Quatre rodou os olhos e entrou no carro junto com Duo.
- Vamos esperar o Trowa? - perguntou ainda na esperança de Duo criar algum juízo.
- Tá louco? Toca isso aí, loiro!
Quatre sorriu e ligou o motor com as chaves que Trowa havia deixado na ignição. Saíram do local, primeiramente fazendo o caminho de volta ao hotel que haviam deixado há pouco tempo.
Trowa deixou o prédio e só viu o carro saindo, sem que tivesse chance de detê-los. Não pode se impedir de sorrir consigo mesmo. Sabia que ter os dois juntos não poderia sair muito boa coisa. Lembrava dos tempos em que ainda eram pilotos e que ambos pareciam mesmo irmãos, um sempre encobrindo e defendendo o outro. Eram amigos inseparáveis e parecia que toda aquela confusão os estava aproximando da mesma maneira que tinham se unido nas guerras. Infelizmente, não confiava em nenhum dos dois com aquele tipo de gente os ameaçando. Duo era a prova de que eram vulneráveis aos ataques daquelas pessoas, dado o estado em que havia sido pego e agora se encontrava. Tinha que garantir que ambos não se ferissem.
Quatre tirou o celular do bolso e jogou para Duo, enquanto dirigia. O americano o olhou intrigado e o loiro logo lhe indicou o que fazer.
- Aperte a agenda e tente ligar para o celular do Heero ou do Wufei. Eles não estavam no apartamento. O oficial me disse que o tiroteio aconteceu e os vizinhos assustados chamaram a polícia, mas que quando chegaram lá, só havia o apartamento arrombado e o corpo daquele homem morto.
Duo começou a procurar pelo telefone e primeiro tentou o celular de Wufei.
- Acha que mesmo que eles conseguiram fugir com o disco? - perguntou ainda com dúvida sobre aquilo.
Quatre o olhou debochado e indagou:
- Duvida que aquele tiro no meio da testa daquele homem não foi obra do Heero e que eles não tenham capacidade de conseguir fugir com o disco?
O telefone em sua orelha deu sinal de fora de área. Bufou e desta vez procurou e discou o de Heero.
- Eu não sei, Q. - confessou sinceramente. - Eles têm ordens de Pietro para matar sem remorso e pegar o disco.
- Heero e Wufei trabalham para os Preventers há anos, Duo. Alguém, mais treinado do que eles para lidar com o impossível, não existe.
Duo teve um pequeno sobressalto ao escutar que o telefone fora atendido e a voz de Heero soar em seu ouvido.
- Quatre, acho que ainda não é o momento de mais um telefonema.
Duo ficou aliviado, mas pode escutar alguns disparos e a voz de Wufei ao fundo praguejar.
- Onde vocês estão? - perguntou já aflito, sabendo que eles ainda estariam lidando com alguma ameaça.
- Duo? - a voz do japonês soou aliviada e um pouco surpresa.
- Quem mais? - debochou. - Nós já passamos pelo apartamento do Fei. Onde diabos vocês estão?
Duo pode escutar desta vez tanto Heero, quanto Wufei xingarem a mãe de alguém e o barulho de vidros sendo estilhaçados.
- Em movimento, Duo. - o japonês revelou. - Fogo cruzado.
- Onde? - perguntou com um tom de desespero.
Heero ficou em silêncio por um instante e Duo ficou com medo da ligação ter caído, ou o próprio japonês ter desligado.
- Heero! - chamou em voz alta no telefone.
- Não grita, idiota. Estamos na avenida principal tentando chegar ao prédio dos Preventers. - grunhiu e em seguida se despediu. - Não dá mais para papear, Duo.
Ouviu o telefone ficar mudo e olhou frustrado para o amigo loiro.
- Ele desligou na sua cara? - perguntou com um sorriso irônico nos lábios.
- O filho da mãe desligou na minha cara. - confirmou impressionado.
- Frustrante, não?
- Continua com a educação que mãe lhe deu. - replicou e voltou a ficar sério. - Hora de mostrar seus conhecimentos de um bom piloto de fórmula um, loirinho. Pisa fundo e segue pela principal. Estão tentando chegar nos Preventers e estão com problemas.
Quatre sorriu de forma inocente e angelical, aconselhando:
- Ajeita esse seu cinto de segurança e aproveite a viagem. – ironizou, enquanto pisava fundo no acelerador do carro, fazendo Duo arregalar os olhos de forma impressionada.
Duo realmente ficou mais impressionado quando viu a velocidade que o amigo alcançou pelo velocímetro e a forma como este fazia o carro facilmente costurar no trânsito, como se tivesse feito aquilo à vida toda. Pensou consigo mesmo que existam coisas que perdera durante sua ausência durante aqueles anos e uma delas eram aquela capacidade de Quatre dirigir tão bem. Provavelmente poderiam ter se divertido muito se tivessem um carro na mão enquanto eram mais jovens e sem tantas responsabilidades.
Ele tinha perdido muito da vivência que poderia ter tido com seus amigos, tudo porque não queria lidar com a realidade, com seus sentimentos magoados e nem com aquela pessoa que acabara de falar ao telefone. Hoje parecia fácil lidar com Heero, mas infelizmente seus sentimentos estavam mais confusos e intensos do que queria se lembrar. Irônico pensar que se tivesse escolhido enfrentar toda a situação há doze anos atrás, hoje não estaria envolvido com aquele problema. Ainda assim, imaginava que se não tivesse sido tão impulsivo e pensado, talvez pudesse ter tentado voltar seus afetos para Wufei, como quisera no princípio das guerras e não conseguira. Talvez tivesse sido esse fator, a recusa, repudia e afastamento que sempre recebia do chinês, que o fizera não cogitar essa possibilidade na época, ou estivesse magoado demais até mesmo para pensar em outra pessoa que não fosse Heero Yui e ele próprio.
Infelizmente, o passado não podia ser mudado e agora tinha que se preocupar com a presente situação.
Heero estava se protegendo junto com Wufei, atrás do carro, ou o que restara do mesmo, depois da capotagem, próximo a zona portuária. Estavam no fim de sua munição e seus perseguidores pareciam não ter qualquer problema em gastar a deles, indicando que provavelmente tinham de sobra para quando a deles finalizasse.
Wufei e ele se revezavam no tiroteio na rua de armazéns, onde a movimentação de carros àquela hora da madrugada era nula. Haviam se ferido um pouco quando o carro fora atingido em um dos pneus, e o chinês perdera o controle da direção pela velocidade que estavam. Eram cortes e escoriações que provavelmente doeriam mais no dia seguinte, mas nenhum outro ferimento que pudessem julgar, naquele momento, sobre a adrenalina do momento, que fosse considerado sério.
- Isso é vergonhoso. - Wufei reclamava ao seu lado, enquanto colocava o último clipe em sua arma e esperava o melhor momento para contra-atacar. - Situação ridícula.
Heero olhou para o parceiro e no fundo tinha que concordar. Eles, dois pilotos gundans treinados, encurralados atrás do ferro-velho de um carro, protegendo um disco que sequer sabiam ao certo se valeria à pena no final, isso é, se saíssem vivos dali. Daria tudo por uns explosivos a mão naquele momento.
- Se Duo estava vindo mesmo, não vai demorar a nos encontrar.
Wufei quase riu.
- E o que o Duo vai poder fazer? - lembrando-se de como o americano parecia machucado e fraco da última vez que o vira. Saber que Quatre e Trowa o tinham encontrado e o estavam levando de volta tinha o deixado contente, mas agora, precisava sair vivo dali.
Logo o barulho de um carro pode ser ouvido e os dois orientais se entreolharam. Wufei com os olhos negros incrédulos, enquanto Heero com um ar irônico lhe disse:
- Pelo menos, eu estava certo.
Por estarem atrás do veiculo capotado, não conseguiram ver o que aconteceu. Mas escutaram o carro e, pelo motor, a velocidade alta em que vinha naquela direção. Tiros que não estavam sendo direcionados para eles, foram disparados de forma repetitiva.
Quatre e Duo viram de longe, ao seguirem o caminho que provavelmente Wufei e Heero teriam tomado, o carro capotado e três homens armados trocando tiros com seus amigos. Quatre não pensou duas vezes em direcionar toda a velocidade em que viam para cima deles. Os tiros voltaram para a direção do veiculo onde estavam. Mesmo assim, Quatre manteve o volante firme e quando os tiros cessaram, souberam que os capangas de Pietro deixavam a rota que o carro seguiria para colidir com seus corpos.
A conseqüência da alta velocidade e da freada brusca que Quatre impeliu ao veículo, foi uma derrapada, que foi controlada e o loiro conseguiu fazer com que não capotassem, ou batessem de contra a parede de um dos armazéns.
Quando o carro parou, Duo olhou para Quatre e, admirado, não se segurou em ironizar a habilidade do loiro.
- Onde foi mesmo que você tirou sua carteira?
Quatre sorriu, ainda um pouco nervoso e sem acreditar que ele próprio tinha feito aquela loucura, contradisse:
- Quem disse que eu tenho carteira?
Duo arregalou os olhos violetas e se não estivessem numa péssima situação teria gargalhado do rosto pálido do amigo.
- Diz que pelo menos tem uma arma dentro desse carro.
- Eu sabia que tinha alguma falha nesse seu plano, Duo. - ironizou frustrado.
Os tiros reiniciaram atingindo a lataria do carro, fazendo com que os dois se retraíssem de imediato e ainda procurassem proteção dentro do veículo.
- Pelo menos mandar blindar o carro não foi uma má idéia, certo? - Quatre disse, vendo que realmente os tiros haviam trincado o vidro, mas nenhum projétil havia ultrapassado a blindagem.
- Estranharia sendo quem é, que não tivesse pelo menos feito isso para sua própria segurança. - Duo comentou. - Agora temos que arrumar um jeito de...
Quatre olhava para a situação a sua frente e interrompeu o americano quando teve uma idéia.
- Sem armas, só tem um jeito.
Duo ficou receoso até mesmo de perguntar o que se passava na mente daquele loiro, mas não se assustou ao ver o mesmo engatar a marcha no carro e acelerar mais uma vez. Desta vez não tão drasticamente e diferente do que pensava, ele não direcionou o carro para cima da ameaça e sim virou o curso direto para o carro que estava capotado.
Heero e Wufei voltaram a escutar os tiros e, apesar do som do carro estar se aproximando, se assustaram ao ver o mesmo parar a centímetros deles. O belo carro, que sabiam ser a paixão de Trowa, estava com mais buracos que estrada mal pavimentada. Ambos se entreolharam e aproveitaram para, abaixados, dar a volta no carro, onde abriram a porta de trás e entraram.
- Bem-vindos a bordo. - Quatre cumprimentou.
Quando Wufei bateu a porta, um pouco de alívio tomou conta dele e de Heero, mas suas atenções logo se voltaram para a figura sentada ao lado de Quatre. Duo lançou-lhes um olhar pelo retrovisor e um meio sorriso, que apesar da situação, trouxe a segurança e certeza de que com o americano estava realmente tudo bem. Ambos inconscientemente sorriram da mesma forma e ao mesmo tempo, retribuindo o gesto do objeto de suas afeições.
Quatre se não estivesse concentrado em tirá-los dali, teria dado boas gargalhadas do quão patéticos os dois pareciam. De certo, dois patetas apaixonados pelo que confirmava ali.
- Não preciso perguntar se estão com a cópia do disco, certo? - Quatre perguntou.
- Acha que estaríamos comendo chumbo se não estivéssemos? - Heero ironizou sarcasticamente.
Duo deu de ombros e antes que Quatre pudesse passar a marcha segurou sua mão. Um outro carro havia parado um pouco distante, mais à frente do carro em que eles estavam e os tiros haviam cessado. Algo estava errado.
- O que houve? - Wufei perguntou
Suas atenções ficaram presas. Apesar dos trincados no vidro dianteiro do carro, podiam ver um veículo branco, ainda de faróis altos, abrir as portar traseiras e dele saltar Pietro. Duo sentiu seus batimentos acelerarem. Aquele homem estar ali não podia ser coisa boa. Algum de seus homens estaria provavelmente lhe passando seus passos, ou... Ele não queria pensar, ele não queria cogitar a idéia de que Pietro teria colocado um localizador nele. Não teve nem tempo de querer procurar por algo fora do comum que pudesse confirmar aquilo, pois logo depois de Pietro, uma outra figura deixou o automóvel, ameaçada pelo cano de uma 9mm.
Surpresa e angústia tomaram conta dos quatro ocupantes daquele carro.
- Trowa... - Quatre deixou escapar, ainda em choque por ver o marido sobre a ameaça daquele homem.
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