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Anime/Manga » Gundam Wing/AC » Open Road
Blanxe
Author of 41 Stories
Rated: M - Portuguese - Romance/Angst - Heero Y. & Duo M. - Reviews: 98 - Updated: 07-02-08 - Published: 03-11-06 - id:2839935
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Disclaimer: Os personagens não são meus… apenas Pietro Richellier.

Pairing: Acho que os de sempre… num sei… sei lá… deixa a historia rolar.

Beta: Ophiuchus No Shaina

Esta fic é dedicada à Ophiuchus no Shaina…Thanks Fabi, essa fic é sua…


Agora que nós estamos aqui,
É tão distante
Toda a luta que nós pensamos foi em vão
Todos os erros
Uma vida conteve
Todos eles finalmente começam ir embora


Capítulo 8

Surpresa e angústia tomaram conta dos quatro ocupantes daquele carro.

- Trowa... - Quatre deixou escapar, ainda em choque por ver o marido sobre a ameaça daquele homem.

Trowa, ainda sério, piscou algumas vezes, olhando intrigado para o veículo e vendo todo o estrago, balbuciou:

- Meu carro…

Quatre há muito tempo não sentia um terror tão grande. Era certo que não estavam livres de ameaças, principalmente ele e Trowa que estavam à frente da Winner, mas um tipo de perigo como aquele jamais tinha chegado até eles de forma tão real.

Ele apertou as mãos no volante, enquanto Duo engolia a seco. Pietro estava logo à frente, ameaçando Trowa com uma pistola e a pergunta foi vocalizada por Heero.

- Como diabos ele foi pego?

- Então esse seu "amigo" tinha mesmo envolvimento com toda essa confusão, Duo? – perguntou Wufei.

Duo não conseguiu responder. Era sua culpa. Olhou para o loiro, que tinha a feição consternada e que,sentindo que era observado, voltou sua atenção para ele. Foi como se tivessem se comunicado apenas com o olhar.

Duo tinha a obrigação de fazer alguma coisa. Ele vira o medo nos olhos de seu amigo e a importância daquela pessoa lá fora para ele. Isso, para ele não era qualquer novidade, mas ver a aflição que os orbes verdes demonstravam era sua maior certeza de que tinha a obrigação de fazer alguma coisa.

- Heero, me dá o disco. – pediu ainda preso aos olhos de Quatre.

O árabe surpreendeu-se com a súbita decisão de seu melhor amigo e Wufei, que estava sentado ao lado de Heero, imediatamente protestou:

- Você não vai arriscar sair desse carro!

O olhar de Quatre queria dizer o mesmo, mas deixava transparecer que esperava que Duo fosse lá fora e resolvesse o problema, trazendo seu Trowa de volta. O americano voltou-se para trás mais determinado do que antes e encarou os dois orientais.

- Eu não vou estar me arriscando. – afirmou. – Me passem o disco que eu vou tirar o Trowa de lá.

Wufei chegou o corpo para frente apoiando uma das mãos no banco de Quatre, e olhando diretamente para os olhos de Duo, tentou trazer um pouco de senso ao americano.

- Ele vai descartar os dois assim que colocar as mãos nesse disco. Ficou louco?

- Ele não vai me matar. – reafirmou mais firmemente. – Me passem o disco agora.

Heero não poderia ir contra a determinação que via nos olhos de Duo. Não queria ceder, mas Trowa estava em perigo e tinha que confiar na palavra dele, de que não seria prejudicado ao sair para negociar. Pensado friamente, chegou à conclusão de que Duo vinha lidando a tempo suficiente com aquelas pessoas e não era nenhuma criança. Era um ex-piloto Gundam como qualquer um deles ali e, como tal, saberia se virar com as adversidades.

Ele buscou dentro da jaqueta o disco, enquanto era observado por um atônito Wufei e um, ainda estático, Quatre.

- Isso é sandice. – Wufei exasperou-se, não querendo aceitar a situação. Ele não queria que Duo saísse do carro e se arriscasse. Mais uma vez tentou argumentar. – Duo…

O americano pegou o disco e voltou-se com um sorriso indecifrável para o chinês.

- Confie em mim, Fei.

Confiar? Quando homens armados esperavam por ele lá fora? Como? Se algo acontecesse ao americano, do que adiantaria tudo o que tinha feito e se arriscado? Como ele conseguiria viver com a constatação de como poderia ser ter Duo em sua vida e isso fosse tirado definitivamente dele? Queria Duo a salvo e seguro em seus braços. Mesmo que fosse egoísta pensar daquela maneira, naquele momento, não aceitava a possibilidade dele se machucar sem que ele fizesse nada.

- Eu vou resolver essa situação. – Duo finalizou e voltando seu olhar determinado para Quatre, vendo que o mesmo se debatia entre pedir para que ele ficasse e, ao mesmo tempo, para que ajudasse Trowa. – Loirinho, não se preocupe, eu vou tirar o seu marido dessa.

- Mas… - ele conseguiu tentar argumentar.

- Nem menos. – encerrou os protestos. – Não saiam do carro.

- Tome cuidado. – Heero pediu antes que ele deixasse o carro e recebeu um sorriso agradecido pela preocupação.

Duo respirou fundo e abriu a porta do carro, saindo e tornando a fechá-la.

No mesmo instante, Wufei empurrou o ombro machucado de Heero, causando um gemido dolorido no japonês, que se contraiu com a dor. O chinês pulou para frente, se sentando no banco do carona, onde até então, Duo estivera acomodado.

- Pra que isso? – Heero perguntou confuso.

- Por ser um idiota. – Wufei respondeu contrariado, vendo Duo caminhar até Pietro e Trowa. – Como você entrega o disco para o Duo e age como se ele fosse comprar pão na padaria?

O tom de voz de Heero tornou-se mais sério, e vocalizou o que realmente pensava.

- Ele sabe o que está fazendo, Chang.

Wufei sentiu ganas de sacudir o japonês para ver se conseguia lhe trazer algum senso.

- Se ele soubesse o que faz, não estaria envolvido nessa confusão, para início de conversa. – grunhiu se controlando.

- Como se algum de nós fosse impedi-lo de fazer o que quer. – Heero replicou estreitando os olhos.

- Vocês dois querem calar essas bocas! – Quatre exaltou-se, os encarando reprovadoramente. – Se por acaso não perceberam, há dois de nós correndo perigo lá fora e eu não estou com a mínima paciência de ficar escutando essa competição idiota de vocês!

Os dois orientais se calaram e detiveram suas atenções para o que acontecia mais à frente. Quatre estava tenso e nervoso, aflito pelo marido, mas também por Duo. Não queria cogitar a idéia de que um dos dois pudesse se ferir, ou pior, que pudesse perder um que escutar as picuinhas de Heero e Wufei, num momento crítico como aquele, não só o irritava, como também trazia a certeza de que eles continuavam com a idéia de que eram aqueles que estariam decidindo quem ficaria com Duo num teste de "eu posso mais do que você", e se esqueciam que quem decidia qualquer coisa, se é que haveria algo a decidir, era Duo e mais ninguém.

A única coisa que pedia era que o amigo americano se saísse bem para poder realmente decidir por algo. Trowa e Duo tinham que ficar bem.

Duo se aproximou, mas manteve alguns passos de distância de Pietro e Trowa. Ele olhou para o semblante do amigo e só viu calma e impassividade nos profundos olhos verdes. Trowa continuava controlado como sempre. Era de dar raiva que enquanto eles se descabelavam, ele permanecesse tão inatingível. Desviou sua atenção para Pietro e este tinha aquele olhar irônico, o jeito altivo, mesmo que seu rosto expressasse apenas seriedade.

- Pensei que tínhamos um acordo, Pietro. – Duo falou, lembrando das palavras do ex-amante antes de deixar o hotel.

- Nós não tínhamos acordo nenhum e mesmo que tivéssemos o primeiro você quebrou. – expôs calmamente, enquanto mantinha a arma apontada para a cabeça de Trowa. – Então, com toda essa confiança abalada, tive que tomar minhas precauções.

Duo viu Trowa erguer uma das sobrancelhas como se estivesse debochando da conversa dos dois.

- Deixe-o ir. Eu estou com o que você quer.

- Você também estava da última vez. – replicou insatisfeito. – Me dê o disco e depois que tudo for verificado, eu deixo o seu amigo ir.

Duo se via num beco sem saída. Ele não tinha como negar entregar o disco, quando Trowa estava logo diante de si, correndo risco de pagar por causa de seus erros. Infelizmente, render o disco para Pietro, seria o mesmo que condenar tudo o que fizera: sua fuga e esforço. Se fosse ponderar a importância de manter o compacto a salvo e a vida de uma pessoa por isso, o disco ainda seria a opção certa a ser escolhida. Só que na balança estava à vida de um de seus amigos e, mesmo tendo isso mente, jamais conseguiria fazer uma escolha diferente.

- Você vem comigo e seu amigo também. – decidiu Pietro. – Mas antes, diga aos ocupantes do carro para que não nos sigam e nem contatem os Preventers. Você sabe muito bem do que eu sou capaz.

Duo assentiu com a cabeça e fez o caminho de volta ao carro. Não podia negar nada, mas pensaria num plano para reverter à situação. De alguma forma arrumaria um jeito de proteger Trowa e não render o disco para Pietro.

Ele fez sinal para que Wufei abrisse o vidro e encarou os olhos confusos e temerosos do chinês.

- O que está acontecendo?

- Ele vai querer confirmar os dados no disco antes de libertar o Trowa… Eu vou junto com eles.

- Isso ainda é loucura, Duo. – Wufei protestou irritado. – Ele pode muito bem depois de certificar o disco, eliminar vocês dois.

- Pietro é um homem de palavra, Fei. – garantiu sabendo que se ele tinha prometido uma coisa, cumpriria.

- Nós vamos segui-lo, então. – Quatre abruptamente falou.

- Não, loirinho. – teve que contrariá-lo. – Ele exigiu que vocês ficassem longe e nada de requisitar os Preventers, Heero. – finalizou lançando um olhar para o japonês como se tivesse lido sua mente.

Wufei queria gritar. Estava com um mau pressentimento e não costumava ignorar isso.

- Duo…

- Vai ficar tudo bem, Fei. – assegurou-lhe com um olhar ameno, quase cedendo a vontade de tocar-lhe à face e beijá-lo.

Wufei sentia o coração se constringir em seu peito. Algo estava errado. Queria conversar e poder dizer ao americano tudo o que guardava por ele desde a época das guerras. Parecia ser uma urgência que ele próprio não entendia, como se não fosse ter tempo de fazer mais aquilo. Para sua surpresa, Heero abriu a porta de trás do carro e sem cerimônia puxou Duo para um abraço. Estático, vendo aquela cena, Wufei só podia sentir o ciúme lhe corroer, bem como a mágoa por ver Duo corresponder ao gesto, fechando os olhos. Ele tentava acalmar seus sentimentos, se convencer de que, apesar de tudo, Heero também era amigo de Duo, mas sua consciência, que sabia que existia naquele abraço muito mais do que gostaria, não lhe permitia.

Wufei desviou o rosto quando sentiu a mão em seu ombro e virou-se para encarar o olhar de simpatia de Quatre. O árabe nada comentou, mas por seus olhos, via que ele entendia plenamente o que estava lhe incomodando. Queria que aquele inferno terminasse logo para poder resolver as coisas com Duo, tentar a chance que não tivera coragem de agarrar quando abdicara a favor de Heero. Queria o amor do americano.

Duo foi pego de surpresa pela demonstração de carinho do japonês e inconscientemente retribuiu o abraço. Fechou momentaneamente os olhos, pensando no quanto desejara que Heero expressasse aquele tipo de sentimento, ou qualquer sentimento de carinho por ele. Anos e anos guardando mágoa, tristeza e amor intenso que, por mais que tivesse tentado, não conseguira apagar. E apesar de, a princípio, quando voltara para rever seus amigos, acreditar que não seria afetado por Heero, que conseguiria se manter firme em suas decisões, a prática era bem diferente da teoria.

- Não se arrisque em demasia por aquele disco. – Heero pediu, sussurrando em seu ouvido.

- Eu vou tentar.

Sentiu a mão do japonês mexer por trás na barra se sua calça jeans e algo frio ir de encontro a sua pele. Duo sorriu e agradeceu:

- Obrigado, Heero.

Heero se afastou e olhou nos olhos violetas, se perdendo neles por um momento.

- Apenas garanta que vai voltar inteiro.

Ele não prometeu nada. Apenas se afastou do abraço.

- Nada de peripécias, Heero. – lembrou num alerta.

Heero também não prometeu nada.

Duo olhou novamente para dentro do carro e percebeu que Wufei não lhe encarava mais. Penalizou-se por ter causado algum constrangimento ou mágoa ao chinês. Queria ser dono de seus próprios sentimentos e decidir por quem seu coração, naquele momento, batia mais forte, mas não era. Não podia decidir, embora, mais do que tudo, queria beijar e retribuir as palavras de Wufei. Wo ai ni – fora o que ele tinha declarado àquele dia. Porque não poderia ter sido um dia a doze anos, quando daria qualquer coisa por uma demonstração de afeto dele… quando era mais do que apaixonado por aquele chinês e ele o ignorava completamente.

Seria egoísmo corresponder às palavras de amor, quando sabia que apenas o faria sofrer com sua perda depois.

- Nos vemos mais tarde, loirinho. – despediu-se caminhando para o carro de Pietro.

Quatre também não respondeu. Ficou observando Duo entrar no carro com Trowa e Pietro e a única coisa que passou em sua mente quando viu o carro partir, foi vocalizada, ao mesmo tempo em que Heero voltou a se acomodar no banco de trás e bater a porta.

- Se esse desgraçado pensa que pode ameaçar meu marido e meu melhor amigo e querer que eu fique aqui esperando de braços cruzados, ele está muito enganado.

Wufei olhou pelo retrovisor para Heero e ironizou:

- Quem foi que disse que era o sistema Zero que o deixava surtado?

Duo sentiu um calafrio percorrer seu corpo e percebeu que começava a suar frio. Quase riu internamente em deboche. Seria muito bom se os benditos paliativos funcionassem pelas horas que deveriam, estando ele no estado que se encontrava. Começava a, mais uma vez, apresentar e sentir os sintomas. Sentiu-se observado e quando olhou para seu lado viu Trowa o olhando de forma estranha. O moreno definitivamente tinha percebido alguma coisa e o estava analisando, tentando descobrir ao certo o que era.

Seus olhos verdes perguntavam se ele estava realmente bem e entendia que não precisavam de palavras, nem de chamar a atenção para seu visível estado alterado. Duo limitou-se a assentir positivamente com a cabeça e continuar pensando num modo de sair daquela furada.

Eles prestavam atenção no caminho que o carro tomava e a certeza de que não estavam voltando para o hotel se fazia presente. Duo desconfiava que eram levados para o primeiro local onde fora mantido em cativeiro. Isso não significava muita coisa, pois não tinha mesmo a mínima idéia de onde era. Do Japão não conhecia tanto assim, mas Trowa provavelmente sabia que lugar seria aquele.

Quando pararam, estavam de frente para, ao que parecia ser, uma fábrica, certamente abandonada. Havia pessoas esperando na entrada. Homens que trabalhavam para Pietro.

Deixaram o veículo. Pietro ainda ameaçando Trowa com a arma. Duo se martirizava por não estar conseguindo pensar em nada que pudesse reverter àquela situação, ao mesmo tempo em que praguejava internamente a sua súbita fraqueza, que começava a tomar conta de seu corpo. Não. Não poderia sucumbir antes de destruir o disco e, principalmente, livrar Trowa de Pietro.

Respirou fundo e concentrou-se em seguir o ex-amante para dentro do prédio abandonado.

Heero, no banco de trás do carro, reparava em tudo, desde o número de possíveis ameaças, quanto às possibilidades para uma entrada e saída no caso de fuga. Estava preocupado em tirar Duo e Trowa vivos dali, em acabar com aqueles miseráveis e sair de lá sem que acabassem perecendo também.

Pelo que Duo expressara, aqueles homens não brincavam com fogo sem queimar os outros; e não queria, de jeito nenhum, que Duo se ferisse.

Wufei e Quatre, por sua vez, se entreolharam preocupados quando viram Duo vacilar, quase que imperceptivelmente, ao sair do carro. O escuro da noite, somado a pouca iluminação, os privava de ver a palidez na face do amigo, mas podiam afirmar, sem sombra de dúvidas, que ele não estava bem.

O chinês já ficara preocupado quando no encontro no parque, sentira a febre alta na pele do americano, ainda mais quando durante a fuga pela cidade, ele apresentara fraqueza física. Ele não tinha parado para se lembrar daquilo quando estivera com Duo perto mais uma vez, e só se recordara agora porque o vira vacilar.

A voz de Heero quebrou qualquer raciocínio a mais que Wufei pudesse querer ter.

- É hora de agirmos.

Wufei olhou duvidoso para o braço do japonês, ainda pendurado na tipóia e indagou:

- Não é melhor você deixar a ação conosco?

Heero fechou o cenho e fez questão de replicar:

- Depois de tudo o que eu passei como piloto, não pensa que isso aqui vai me deter, certo?

Wufei deu de ombros e desistiu de insistir em trazer senso à mente daquele japonês cabeça dura.

- Cadê a sua arma, Yui?

Heero meneou a cabeça para a fabrica e respondeu:

- Lá dentro.

Wufei franziu o cenho e Quatre vocalizou a pergunta que ele queria fazer:

- Duo está armado?

Heero assentiu e, sem querer dar maiores explicações, abriu a porta do carro para sair. Wufei então caía em si. Aquele abraço que o japonês tinha trocado com Duo, havia sido um subterfúgio para que ele passasse a arma. Penalizou-se, analisando que, apesar dos pesares, Heero estava conseguindo pensar e agir mais friamente do que ele. Tinha que começar a se concentrar e deixar os sentimentos de lado.

O que havia acontecido foi que Pietro, antes partir, havia dado um sinal mudo para que os seus homens terminassem o serviço na zona portuária, ou seja, eliminá-los. Eles haviam tentado, mas haviam perecido depois de se depararem com um árabe nada são. Com a ameaça eliminada, eles aproveitaram para pegar as armas dos inimigos, bem como o carro, e vinham seguindo o veículo onde estavam Duo e Trowa. Depois de seguir uma rota provável, tinham encontrado o caminho pelo qual os outros tinham ido.

Dentro da fábrica, as luzes se faziam acesas. Eles estavam sendo encaminhados para uma das salas no térreo mesmo. No pequeno trajeto, não deixaram de marcar os detalhes. Foi quando Duo teve uma idéia. Só esperava que Trowa soubesse entender e brincar com ele.

- Pietro… - Duo murmurou, fazendo sua voz soar fraca, o que não era lá tão difícil dada sua condição.

O loiro parou por um instante juntamente com Trowa e desviou sua atenção para Duo. Não conseguiu se impedir de ficar preocupado quando finalmente notou a palidez no rosto do americano.

Duo vacilou por um segundo, deixando seus olhos mostrarem-se pesados e procurou por um apoio que não existia, permitindo que seu corpo sucumbisse. Como previra, foi amparado antes que colidisse com o chão.

Trowa se assustou ao ver o americano desfalecer bem diante de seus olhos. A aparência de doente só fazia com que a situação parecesse pior. Logo viu Pietro deixar seu lado e a ameaça que lhe tinha e se adiantar para acolher Duo antes que esse caísse no chão. Apesar de ter certeza de que o amigo não estava mesmo bem, existia algo fora do lugar. E estava certo.

Pietro se viu pego num erro. Ficara perdido quando viu a palidez no rosto de Duo e que este desmaiava. Mas agora, quando o amparava, deixara a guarda que fazia no outro e tinha um sorridente americano nos braços com uma pistola apontada para sua testa. Um de seus homens que os estava acompanhando, puxara sua arma, mas pegou-se sem saber como reagir já que Duo tinha a vida de Pietro na ponta de um gatilho.

- Acho que está na hora do jogo virar um pouquinho, Pietro. – ironizou Duo, mesmo que no fundo não estivesse disposto a atirar realmente em seu ex-amante.

Quando Heero, Quatre e Wufei estavam deixando o carro, os estampidos nítidos e assustadores de disparos ecoaram pela noite, vindo de dentro da fábrica. Os homens que estavam de vigília na entrada, puxaram suas armas e entraram sem hesitação. Isso deixou a entrada completamente vulnerável para qualquer um… Para eles.

Não foi pela facilidade que eles correram, mas pela preocupação por seus amigos. Mais tiros foram disparados e os três abandonaram qualquer cautela e entraram com armas devidamente em punho.

Um tiro resvalou no braço de Quatre e sem precisarem de um outro aviso atiraram, ao mesmo tempo em que procuravam por cobertura para se protegerem. Pilhas de caixotes serviram de parede protetora contra os tiros. Heero ficou do lado oposto e, tomando mais cuidado, foi achando um caminho para se esgueirar entre o escudo de caixotes e ganhar mais terreno para frente. Wufei, que havia apoiado o árabe, certificava-se de que este estava realmente bem.

- Eu estou bem, Wufei. – garantiu o loiro que não dava muita atenção ao braço direito que sangrava.

Wufei deu uma rápida checada e constatou que só havia sido mesmo um arranhão, por isso, voltou a se concentrar no fogo cruzado que mais uma vez se metiam.

- Os dois que estavam lá fora, mais três que já deveria estar aqui dentro. – analisou passando as informações para o árabe e procurando algum sinal de Heero, sem qualquer sucesso. – Parece que Duo agiu sozinho, tem um homem morto um pouco mais adiante.

- Algum sinal de Duo e Trowa? – o loiro perguntou, enquanto o chinês espiava de forma segura por entre as frestas o que podia ver mais adiante.

- Nada. – respondeu, vendo as escadas que levavam para o segundo andar da fábrica e vendo o vulto de Heero seguindo para dar a volta, tomando aquela direção. – Yui vai precisar de cobertura. – anunciou se preparando para agir.

Quatre não entendeu bem onde Heero estava, mas sabia que deveriam garantir a passagem de Heero, trazendo as atenções para eles próprios. Ele deixou o chinês, enquanto se esgueirou pelo lado contrário das pilhas de caixas, até conseguir uma posição favorável para contra-atacar.

Wufei atirou prevenindo-se de mirar no inimigo de forma certeira e tentar não ser ferido; mirar e disparar eram coisas que fazer ao mesmo tempo davam problema. Viu que Quatre deveria estar com ganas de sangue, pois apesar de ter tempo que não se colocava num combate direto, acabava de dar baixa em um dos homens que preveniam o seu avanço. E o que realmente se perguntava era: onde estava Duo? Como toda aquela confusão dentro da fábrica se dera e como tinha ganhado espaço para se projetar para um outro lugar? O corpo estendido quando entraram, era provavelmente obra do americano, mas não via Pietro, ou Trowa. Havia mais inimigos espalhados pela fábrica? Duvidava, mas não poderia baixar a guarda.

Atirou numa seqüência de três disparos e conseguiu levar outro dos capangas de Pietro ao chão. Perdeu completamente Heero de vista, tendo certeza que ele não subira pelas escadas a sua frente, mas escutou disparos vindos do nível superior. Não poderia se preocupar com o que quer que estivesse acontecendo, tinha que se concentrar em se livrar daqueles homens primeiro.

Heero havia encontrado uma porta no meio do caminho. Tinha pensado que seria difícil passar e subir por aquela escada, já que os homens de Pietro se concentravam perto dela, mas ao ousar seguir pelo corredor que a porta lhe proporcionou, viu que aparentemente a sorte estava ao seu lado. A escuridão era amenizada por uma luz que havia sido mantida acesa no final, perto de uma passagem para um escritório. Rapidamente seguiu até o local e entrou garantindo que a sala estava vazia, mas era nítido que ali estava sendo plenamente usado, pois havia mesa com computador, ligado e conectado a internet, uma pequena geladeira e uma aparente organização e limpeza num lugar que era para estar completamente inativo e sujo.

Partiu diretamente para o acesso à outra escadaria que havia no final da sala e subiu.

Duo mais uma vez fugia. Desta vez o próprio Pietro estava atrás dele. Tinha gastado os poucos tiros que tinha na pistola que Heero lhe dera, matando o capanga que estava acompanhando-os e durante a escapada subindo as escadas. Não sabia bem como escaparia do prédio, se estava saindo agora no terraço da fábrica. O ar frio da noite lhe acariciando a face quente e causando um arrepio por todo seu corpo, mas não tinha tempo para pensar no frio que estava sentindo. Os passos atrás de si estavam bem próximos. Correu na intenção de se afastar, mas o jeans de sua jaqueta foi puxado, mas não o bastante para prendê-lo, mas acarretou num tropeço longo, fazendo com que se desequilibrasse, o disco que estava em sua mão caísse de sua pegada e ele indo de encontro a borda sem proteções.

Escutou os passos no concreto se aproximando e o rosto de Pietro o olhar de forma preocupada, mas irônica. Em uma das mãos ele tinha o disco que lutara tanto para proteger.

- No final das contas, o prejuízo continuou sendo seu, Duo. – ele falou com a expressão triste. – As coisas poderiam ter sido tão diferentes.

Duo o olhava com raiva, mesmo tendo que concentrar as forças que perdia pouco a pouco, enquanto se segurava por uma das mãos, na borda do terraço, para não cair.

- Pietro, esse disco deve ser destruído. – ainda tentou impor alguma noção na mente do ex-amante. – É uma ameaça e você sabe o problema que será se for usado da maneira errada.

O barulho da porta sendo batida com força indicava que alguém mais estava subindo pelas escadas.

- A gente se vê, Duo.

Dito isso, Pietro simplesmente se afastou. Sabia que era provavelmente um dos amigos de Duo que conseguira passar por seus homens e não queria mais tumulto. Já tinha o que queria em seu poder e, apesar de Duo estar em perigo pendurado daquele jeito, tinha certeza que seus amigos dariam um jeito de tirá-lo bem dali. Então se apressou até a escadaria de incêndio que dava para fora do prédio e deixou o local.

Duo se sentia impotente e idiota. Tinha mais uma vez deixado que Pietro ganhasse sobre ele e levasse o disco. Perdido… Tudo perdido. Ali, pendurado, a vontade que sentia era apenas de largar aquela borda e deixar-se cair. Adiantar o processo que o levaria ao mesmo destino que aquela queda. Mas foi trazido de volta de seus devaneios quando uma voz conhecida, já não mais fria e inexpressiva, gritou por seu nome e sentiu seu pulso ser segurado por uma mão forte.

Olhou para cima e encontrou-se diretamente com os olhos azuis escuros de Heero, que tentava mantê-lo firme para que não escapulisse e caísse.

- Duo…

Ele podia ver que o japonês tinha dificuldade de manter-se estável e segurá-lo apenas com um único braço, já que o outro estava imobilizado.

- Heero, vá atrás de Pietro! Ele está com o disco!

Os olhos do japonês se escureceram num misto de incredulidade e raiva.

- E te largar aqui? – a resposta era positiva no olhar de Duo. – Nunca!

- O disco é mais importante!

- Mais importante que você? Ficou louco?

- Heero, eu… você precisa pegar aquele disco de volta!

- Eu não vou largar você. – afirmou tentando trazer Duo para cima, mas com um único braço e o outro ferido, era um esforço quase inútil.

- Escute-me, Heero, aquele disco pode trazer a morte de muitas pessoas, assim como aconteceu em L2… não permita que isso aconteça, por favor…

- Eu não posso…

- Eu vou morrer de qualquer jeito, seu idiota! – gritou com os olhos violetas marejados presos aos azuis.

Heero ainda ali lutando para trazer Duo de volta a segurança ao escutar as palavras tão fortes e certas, simplesmente parou por um momento, buscando a veracidade delas no olhar do americano e sentiu seu peito se contrair ao constatar a pura e simples verdade. Duo morrer? Mas como? Por quê? Raciocinar claramente não era algo que estava conseguindo naquele instante, mas logo que sentiu o pulso de Duo ceder de sua mão, escapulindo, voltou à única certeza que tinha em sua mente: Não deixaria Duo cair. De jeito nenhum!

Pelo menos essa era sua vontade. Queria se livrar daquela maldita tipóia e deixar seu outro braço livre, para assim poder trazer Duo facilmente para cima, mas nem isso podia. Estava preso àquela situação.

Duo via no olhar determinado de Heero que este não o soltaria por vontade própria. Não poderia esperar menos do Soldado Perfeito. Era bom saber que ele se importava tanto assim com sua vida. Era bom saber que já não era apenas a missão que era importante àquele homem. Heero realmente mudara e gostaria de ter tido tempo de conhecer melhor aquela nova pessoa que ele havia se tornado. Um novo calafrio fez com que fechasse os olhos e quando tentou reabri-los, sua visão oscilou.

Teve a impressão de ver Wufei ao lado de Heero e um par de mãos se agarrando a seu pulso, puxando seu corpo para cima. Seria apenas impressão sua? Estava ficando zonzo demais para ter certeza.

Wufei correu quando viu a situação em que Heero estava e imediatamente ajudou o japonês a trazer Duo para segurança, inconscientemente amparando o corpo amolecido do americano em seus braços quando este pareceu estar escapando da consciência rapidamente. Ele ficou assustado ao ver a palidez no rosto, nos lábios, e como a pele parecia quente ao contato de suas mãos.

- Duo? O que você tem? – perguntou sacudindo-o um pouco e conseguiu com que ele entreabrisse brevemente os olhos, mas se contraiu assustado ao ver o sangue que começou a escorrer do nariz do americano. – O que você está sentindo?

Duo lhe ofereceu um sorriso fraco e de forma muda deixou que os lábios pronunciassem palavras que somente Wufei pode entender ou decifrar, deixando em seguida que a escuridão o presenteasse com a mais pura isenção de dor e sofrimento.


No próximo capítulo tem as explicações sobre a finalização dessa confusão...Sorry pela demora na atualização...

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