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Dama das Brumas
Author: Juliane.chan1 PM
Asgard. Ao reivincar uma herança, Shido viaja com Mime e se vêem envolvidos em um mistério, uma maldição e duas jovens que desejam proteger. Cap. 5 no ar.
Rated: Fiction T - Portuguese - Adventure/Romance - Reviews: 27 - Updated: 12-30-06 - Published: 04-08-06
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DAMA DAS BRUMAS

Hoje, ao lerem o fic, o façam ouvindo esta música.

Way to Mandalay, da banda Blackmore´s Night.

I wandered down the pathway, through the misty moor

Like I knew he did a thousand times before

Voices seem to echo "Come talk with me a while

Just around the corner, just another mile..."

I had heard the stories, her legend served her well

A mystic's myth or fable, truth or fairy tale

A raggle taggle gypsy, with a toothless smile

Said "Sit with me my darling, let's talk a little

while..."

And the road goes on, seeming ever longer on the Way

to Mandalay

And the road goes on, forever will I wander on the Way

to Mandalay...

The mile went on forever, the minutes turned to days

Could I have been misguided by the mystic's ways?

The moment lasts forever, at least it does for me

Caught between what happened and what could never

be...

Dá ou não dá um clima de filme de aventura?

Boa leitura a todos!

Beijos!

Capítulo 5:

A noite está ainda longe de chegar, mas ele tinha pressa.

Correndo por entre as árvores da mata cerrada próxima ao castelo, Shido avaliava todas as coisas fantásticas que presenciara até ali. Amaldiçoou os deuses por brincarem com vidas humanas desta maneira, condenando-os por transformar a vida daquelas jovens em um inferno na Terra.

Tudo isso, por culpa dos caprichos e luxúria de um homem, que Shido estava louco para confrontar e lhe ensinar o quanto suas garras de tigre poderiam ser dolorosas.

Parou de correr, como se sentisse que era vigiado. Olhou ao redor e não avistou nada de suspeito, mas era capaz de jurar que alguma coisa ou alguém o espreitava por entre as árvores.

- Talvez seja só a minha imaginação. -murmurou a si mesmo, antes de prosseguir caminho.

Atrás dele, olhos malignos o observavam afastar-se e das sombras duas figuras humanas saíram, seguindo-o. Não demorou muito e o guerreiro deus avistou finalmente a Torre.

Entrou rapidamente na Torre, subindo suas escadas.

Beijos suaves que se tornavam mais calorosos e exigentes a cada segundo. Mãos ávidas que percorriam seus corpos, tocando, sentindo, memorizando cada centímetro, a passos lentos chegaram até uma cama e quando se deram conta, estavam deitados nela. Brianna sentia o corpo forte e rijo de Mime sobre o dela, moldando-se ao seu como se fossem feitos um para o outros.

Fechou os olhos, extasiada, quando os lábios de Mime abandonaram os seus e percorriam um caminho de beijos molhados e quentes por seu pescoço, colo e ombros. Gemeu, quando as mãos que antes a seguravam pela cintura subiam e alcançavam seus seios e...

- LUDMILA!-Shido chamou, abrindo a porta bruscamente e irrompendo no quarto.

A cena a ser desenrolada foi inusitada, ou esperada pela invasão repentina de Shido no quarto. Com o susto, Brianna gritou e empurrou Mime com todas as forças para o lado, e este caiu com tudo ao chão. Shido apenas ficou parado, observando a cena e com o rosto vermelho pelo constrangimento.

- Er...desculpem...eu, vou sair e...-fazia gestos apontando para a porta.

- Por Deus! –Brianna ajeitava o vestido, levantando da cama e evitando olhar para Shido, tamanha a vergonha que sentia.

- Obrigado, Shido. –resmungou Mime, se levantando e fulminando o amigo com o olhar.-O que faz aqui?

- Ludmila. Onde ela está?-e olhou para Brianna, e lhe falou com uma voz mais serena. -Eu já sei de tudo, Brianna. Preciso encontrar sua irmã.

- Eu...

- Por favor! –Shido a segurou pelos ombros, fitando-a. - Preciso encontrá-la.

Brianna pensou bem antes de responder, talvez as profecias que as vozes das brumas não pudessem mesmo ser evitadas. O guerreiro que carregava o espírito indomável do tigre iria enfrentar Godric para libertar a ela e sua irmã, e talvez não sobrevivesse à luta. Desviando o olhar de Shido, respondeu:

- Antes do anoitecer... Ela sempre retorna a Torre. Apenas espere por ela aqui.-olhou para fora.

- Obrigado, Brianna. –Shido sorriu, soltando-a e olhando para fora.

Muitas horas depois... O sol que se escondia no horizonte.

Liberdade...

Esta era a sensação que Ludmila experimentava todas as vezes que alçava vôo, que sentia o vento bater em seu flexível corpo de falcão.

Mas somente desfrutava desta liberdade à luz do sol.

O astro rei já se escondia no horizonte, logo a lua surgiria, e precisaria estar na segurança da Torre. Temia que "ele" saísse de seu reduto e viesse atrás dela como sempre fazia.

Com sua visão privilegiada, avistou a Torre e se direcionou a ela, batendo suas asas. Em sua mente, a certeza de que não veria Shido novamente. E isso he causou um aperto em seu coração. O conheceu por tão pouco tempo, mas a sua gentileza e cuidados para com ela jamais seriam esquecidas.

Jamais havia sentido algo assim antes por um homem, nem mesmo quando o pai lhe apresentara um candidato a pretendente, se entusiasmou com a sua pessoa. Foi-lhe indiferente na época.

Mas, Shido era diferente. Havia algo em seu olhar que lhe aquecia, despertavam promessas. Era melhor esquecê-lo, pois com certeza era o que devia fazer para protegê-lo.

Com uma habilidade impressionante, a ave voa por entre as lápides antigas e sobe a Torre, entrando por uma de suas janelas abertas, pousando suavemente em cima de uma das camas.

E nem percebera que era observada.

Na floresta.

- Tem certeza de que... -Mime perguntou a Brianna, segurando em sua mão.

- Por favor, não quero que me veja quando eu me tornar um animal. -ela pediu, fitando-o.

- Eu compreendo e respeitarei isso. -Mime tocou o rosto de Brianna em uma carícia, e ela sorriu.

Brianna soltou-se da mão de Mime, entrando na mata. Retirou as roupas e as colocou em um canto qualquer. Depois sentiu a dor familiar que antecedia a sua transformação, era a mesma sensação que um recém nascido teria ao ser tirado do útero protetor de sua mãe e lançado ao mundo. Dor, alívio... O corpo delgado que começava a tomar as formas de uma fera, pêlos prateados que cobriam a pele, os ossos e músculos se torcendo e modificando para sustentarem a nova forma. O rosto delicado, tomando formas animalescas, até que o único resquício da mulher que fora outrora, se mostre apenas em seus olhos azuis e penetrantes.

Então, saiu da proteção das árvores, fitando Mime que a esperava. Ele ajoelhou-se ao seu lado e acariciou sua cabeça.

- Prometo que isso irá acabar Brianna.

O animal baixou a cabeça, para em seguida erguer-se movida pela sensação de que o perigo os rondava. Os pêlos eriçaram e ela rosnou, olhando para a floresta. Mime se pos em alerta, e praguejou intimamente por ter deixado sua armadura no castelo, sentia o perigo próximo também... Um cosmo maligno, mas era frio, como o cosmo de um morto, estava se aproximando.

Diante deles, as sombras pareciam ganhar vida, unindo-se e tomando a forma de um homem. Tinha a aparência assustadora, lembravam um homem do norte, pelas longas barbas e cabelos dourados, olhos sem vida os fitavam. Sem dizer nada, um machado materializou-se em sua mão e os atacou.

Com os olhos fixos, incapaz de desviá-los, Shido presenciou a fantástica transformação do falcão em Ludmila. Quando a transformação estava em seu final, um gemido de dor escapou dos lábios da jovem, algo que fez o coração de Shido apertar-se. Por milhares de vezes ela sofreu estas mesmas dores...todas as noites.

Quando finalmente as penas da ave deram lugar a sua pele alva e os longos cabelos castanhos, esta pareceu soltar um suspiro de alívio. Ainda nua, Ludmila caminhou hesitante até a janela e lançou um olhar pesaroso para fora, antes de caminhar na direção de sua cama, onde suas roupas estavam estendidas, lhe esperando.

Foi quando um barulho chamou sua atenção, deixando-a em alerta, colocando a peça de roupa contra o corpo como se fosse uma proteção.

- Brianna? É você?

-Não...sou eu. Brianna está com meu amigo, Mime. Está segura.-Shido saiu das sombras, assustando mais ainda Ludmila. –Não! Não precisa ter medo de mim, Ludmila. Por favor...

Ela fica em silêncio alguns minutos, apenas fitando Shido. De repente, se deu conta que estava nua, com um vestido contra seu corpo apenas a cobri-la, sentiu as faces corarem e arderem pelo constrangimento. E uma informação passou por sua mente, e ela o indagou, receosa:

-Quanto tempo você está...-engole em seco.-Aí?

-Bem...a tarde toda. Te esperando.-respondeu sem graça.

-Ohhh...você me viu...viu o falcão...eu...você...-estava nervosa.-VOCÊ ME VIU SEM ROUPAS?

-Vi.-e sorri de maneira tão confiante e sedutora que ela achou que iria perder o fôlego.-Algo que não irei esquecer jamais é a visão de sua beleza natural, Ludmila.

Ela sentiu as pernas fraquejarem e deu um passo para trás, vendo-o se aproximar. Shido colocou suas mãos em seus ombros, e Ludmila teve a sensação de que uma corrente elétrica passou por todo o seu corpo naquele instante. Ele sorriu.

-Eu vim para te proteger, te libertar deste fardo que carrega Ludmila. Vista-se, iremos conversar quando se sentir pronta para isso.-e lhe beijou a testa e em seguida seu rosto.-Estarei esperando do lado de fora. Chame-me quando estiver vestida.

Ela piscou várias vezes, vendo aquele homem se afastar e sair do quarto, fechando a porta em seguida. Tocou o local onde a beijara em seu rosto, havia tanta ternura naquele gesto, que a moça precisou sentar-se na cama para recuperar o domínio dos movimentos de suas pernas.

-Que tipo de homem é você, Shido? Nunca senti isso antes...-murmurou, sentindo o próprio coração disparado.-Qual será a sensação de provar seus lábios.

Deu um riso, se sentindo tola com tais pensamentos. Depois vestiu-se rapidamente para finalmente conversarem.

Do lado de fora do quarto, Shido respirava profundamente assim que fechou a porta atrás de si. Precisou de toda a sua força de vontade para não tirar aquele vestido que lhe impedia de ter a livre visão daquele corpo perfeito novamente.

Lutou contra a tentação de abraçá-la, beijá-la...possuí-la ali e agora.

-Louco! Quer é assustá-la agindo assim!-repreendeu-se.-Ludmila precisa de carinho...proteção. E eu irei dar tudo isso a ela!

Poucos minutos se passarão e então ele a ouviu lhe chamar.

-Shido...pode entrar.

O guerreiro deus entrou no aposento imediatamente, parando para admirar a beleza da jovem. Ela parecia uma deusa de tempos antigos, uma divindade celta, com os belos cabelos castanhos soltos a adornar o rosto e o corpo. O vestido verde destacava o esmeralda de seus belos olhos.

Ficou sem palavras.

- Shido, eu...-ela começou a falar, evitando olhar para o guerreiro diante dela, movendo as mãos, dobrando um lenço, em um gesto nervoso.

- Ludmila...me deixe falar primeiro. –ele pediu.- Esta manhã, tive um encontro no mínimo...único. As lendárias deusas Nornes vieram a mim...elas são as deusas que regem o destino dos deuses de Asgard. E são elas que falam com você e sua irmã através das brumas.

- O que?

- E elas querem que eu as liberte!-se aproximou, abraçando-a. Deixando a jovem sem reação alguma.- Na o ligo para o que elas ordenam...sigo apenas a Odin, Hilda de Polaris e meu coração. E neste momento, o meu coração ordena que eu a ajude, proteja...ame.

- Shido por favor...-tentando em vão, empurra-lo.

Shido tomou-lhe uma das mãos apoiadas em seu peito e beijou-lhe a palma aberta.

- Não me peça para me afastar de você, Ludmila.-foi abaixando a cabeça, mirando seus lábios.-Desde que a vi, só tenho o desejo de lhe beijar.

- Nesse caso...-ela suspirou, fechando os olhos.-Nada posso fazer a não ser...submeter-me a seu desejo...

Shido sorriu, antes de tocar com ternura os lábios de Ludmila e comprovar que eles eram doces, saborosos...que o impulsionavam a explorar com mais ânsia aquela boca. Quando ela começou a corresponder o beijo, ele o aprofundou, trazendo-a para mais perto de seu corpo, com as mãos em sua cintura delgada.

Ludmila o abraçou, enlaçando-o pelo pescoço, acariciando sua nuca. E Shido a estreitou em um abraço quente e carinhoso.

De repente, Shido parou o beijo e tenso olhou para fora. Sentiu cosmo em conflito e reconheceu imediatamente o de Mime. Uma luta estava sendo travada ali perto.

- O que houve?-ela notou que algo estava errado, pelo semblante carregado dele.

- Fique aqui e não saia!-ele ordenou, correndo para fora do quarto.

Ludmila ficou sem saber o que fazer, então Shido retorna, lhe rouba um beijo rápido e ardente e diz antes de sair novamente.

- Eu volto!

Mime desviava dos golpes de machado daquele homem estranho com relativa facilidade. Ele parecia um boneco que se movia de acordo com o desejo de algum mestre em marionetes.

Achou melhor não prolongar aquilo tudo, pois temia que Brianna se ferisse em um ataque. Elevando seu cosmo, disparou contra ele uma rajada de sua mão desta mesma energia, atingindo-o em cheio e o lançando a metros de distância, antes de cair ao chão e ser arrastado por ele, abrindo um vão no solo por onde passasse.

- O que era aquilo? –indagou em voz alta.

A loba que assistia ao combate aproximou-se de Mime demonstrando contentamento por ele estar bem, mas seus instintos se aguçaram e ela voltou-se na direção que o agressor fora lançado e rosnou, eriçando os pêlos prateados.

Aquele homem estava se levantando como se nada houvesse acontecido.

- Impossível! Lancei energia suficiente para matá-lo! E ele n...-espantou-se ao notar que o ferimento aberto pelo golpe de Mime cicatrizava diante de seus olhos.

-Isso é loucura!-murmurou.

Em resposta, o ser diante dele emanou uma estranha energia negra, um cosmo sombrio, e ergueu o machado de guerra. Ele avança contra Mime, que se posiciona defensivamente.

- Garras do Tigre Negro!

O golpe de Shido chegou a um momento oportuno, jogando o homem contra uma árvore, e o corpo coberto por uma fina camada de gelo. Shido de Mizar caminha calmamente até o amigo, com um sorriso confiante.

- Estou te estranhando, Mime...por que não acabou com este lixo de uma vez?

- Por causa daquilo. – o jovem guerreiro deus de Benetnasch apontou para o ser caído, que se erguia novamente.

- Ah...um zumbi. Que beleza!-resmungou Shido.

Logo, os dois guerreiros viram sombras se agrupando ao lado da criatura semi morta, e assumindo a forma de outro soldado, desta vez empunhando uma espada. Ambos emitiam gemidos guturais e um cosmo sombrio.

E a uma velocidade além da imaginação humana, investiram contra os guerreiros deuses.

Continua...

Tradução de Way to Mandalay, da banda Blackmore´s Night.

Vaguei pela estrada, através da charneca embrumada

Assim como eu soube que ele fez umas mil vezes antes

Vozes parecem ecoar: "Venha conversar comigo um pouco

Logo depois da esquina, apenas outra milha..."

Eu tinha ouvido estórias, sua lenda lhe caiu bem

Um mito místico de fábula, verdade ou conto de fadas

Uma louca-esculhambada cigana, com um sorriso sem

dentes

Disse "Sente-se comigo, querido, vamos conversar um

pouco..."

E a estrada continua, parecendo sempre maior

No caminho para Mandalay

E a estrada continua, pra sempre irei caminhar

No caminho para Mandalay

A milha pareceu eterna, os minutos viraram dias

Poderia eu ter sido enganado pelos caminhos místicos?

O momento dura para sempre, ao menos para mim

Pego entre o que aconteceu e o que pode nunca ter

Havido.

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