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.Dakotta.
Author of 10 Stories

Rated: K - Portuguese - Humor/Adventure - Reviews: 1 - Updated: 11-13-06 - Published: 04-13-06 - id:2891168
Vydracer. Reino cercado, até onde a vista alcançasse, de areia. Estabelecido no meio do deserto de Wateru o reino de Vydracer era, contra todas as espectativas, um grande império onde se podia encontrar todo tipo de coisa e pessoas imagináveis, sendo que a grande maioria nem humano era.

Era lá que vivia Saga de Djdas, grande mago conhecido em todos os reinos do norte de Jemya e também em alguns reinos do sul. Mas isso não é realmente importante. É apenas um fato interessante para se saber se não quiser perder a cabeça ou algo mais importante por desrespeitar alguma das várias leis que Djdas criou para aqueles que entrassem em seus domínios, batizados por ele de Nruk, nome que causava grande confusão pois ninguém sabia dizer sua pronuncia correta. Até o que o grande rei Baro tinha certo receio de fazer algo que fosse contra as vontades do mago. O grande rei Baro nunca fora visto por nenhum de seus súditos e boatos corriam que deveriam chamá-lo de grande não por sua posição na hierarquia mas sim por seu tamanho, ou melhor largura. Mas isso na verdade também não é importante.

O que neste momento é importante é Miro. Morador de Grande Stern, maior área do reino, seguida de perto pelos domínios de Saga de Djdas, e também onde a maioria da população morava, se fossemos para leste, nos aproximando perigoMiroente de Nruk, encontraríamos as grandes mansões ocupadas por moradores ilustres da cidade. As casas todas feitas de madeira importada de Bése, um dos reinos ao sul de Jemya, pois em Vydracer não existiam árvores sendo que a maior parte das crianças de lá nem sabiam dizer com certeza se existiam.

Se seguíssemos para o norte cairíamos nos domínios de Vossa Majestade e veríamos seu Castelo Cristalino, grande marco da cidade e moradia do rei.

Ao oeste não morava ninguém e o deserto começava selvagem e perigoso, porém ao sul, encontramos a parte pobre do reino, mas também era onde acontecia toda a diversão. Guerreiros e seus escudeiros podiam ser vistos andando nas ruas, elfos, trolls e criaturas que ninguém saberia classificar mas já estavam cansados de ver. Magos com suas diferentes abilidades para lidar com cada tipo de elemento também eram vistos e apesar de muitos descrentes proclamarem a não existência da magia, a maioria das pessoas acreditava nela. Afinal como um verdadeiro império poderia existir no meio de lugar nenhum, cercado pelo deserto mais perigoso de todo o mundo de Jemya se não fosse por mágica?

E era por causa dessa mágica que Miro estava encrencado. Estava encurralado no beco atrás da Caneco de Madeira, taverna em que trabalhava a troco de moradia, com a maior variedade de criaturas horripilantes que já havia visto lhe subindo pelas pernas, prontas a atacarem ao menor sinal de seu conjurador. E dizer que tudo isso fora causado por uma velhinha...

Alguns minutos antes Miro caminhava pela rua para fazer uma entrega especial de seu chefe, quando percebeu um estranho movimento: um homem empurrava uma velha senhora no chão.

Miro era jovem, não muito forte e, pelo que vira seu chefe comentar, não muito inteligente, mas não achou justo um homem daquele tamanho empurrar aquela velhinha e ajudou-a a levantar. Grande erro. Assim que a velha se levantou, o homem gritou:

- Segure essa ladra! - e antes que Miro pudesse entender que a frase fora dirigida a ele, a velha já tinha sumido.

Se o homem pudesse teria matado Miro apenas com o olhar.

- Você a deixou escapar! - disse entredentes. Mas, ainda assim, sua voz soava como trovões para os ouvidos do jovem, o qual quase cavou um buraco na areia para se esconder após ver as vestes daquele que o ameaçava. Ele era servo direto de Djdas.

- N... Não se preocupe senhor! Eu a pegarei! - "Por puro amor a minha vida..." completou em penMiroento. Pelo que as pessoas diziam, se alguém pudesse ser mais cruel que o mago, era o homem a sua frente, Radamanthys.

Levantou-se o mais rápido que conseguiu sem olhar para Radamanthys, só podendo afirmar da aparência do homem os cabelos cabelos claros e os olhos flamejantes. Apesar de o reino ter as mais diversas criaturas, um homem com olhos que queimavam em fogo negro ainda era assustador.

Numa corrida desesperada, Miro procurava a velha. Não se sentia bem fazendo aquilo, mas se alguém tivesse que morrer, antes ela que estava velha, provalvemente passando fome e talvez até com alguma doença horrível do que ele que estava jovem e forte! Tão forte quanto poderia ficar... E foi nessa linha de pensamentos que ele avistou as roupas da velha e, sem pensar duas vezes, se jogou em cima dela fazendo-a cair de cara na areia e entre as plantas rasteiras cheias de espinhos sobre as quais ela estava inclinada. Dando uma segunda olhada Miro pecebeu que as tais plantas eram aquelas chamadas... Sarinion! Isso! E eram usadas por magos e bruxas. Será que a velha é bruxa?

- O que você pensa que está fazendo em cima de mim? Menino! Nunca fui tão humilhado em toda a minha vida! - a tremedeira que tomou conta dos ossos de Miro fez o jovem perceber que aquilo não era nenhuma velha ladra e sim um mago muitíssimo poderoso e no momento, extremamente nervoso.

Mas nem o mago conseguiu pegar o rapaz que escorregou por seus dedos e iniciou mais uma vez a corrida desenfreada, a única diferença eram seus motivos, agora eram apenasa simples e desavergonhada fuga.

Entrou em um beco e suspirou aliviado, crente que havia conseguido fugir, alívio que não durou muito tempo. O mago estava em seus calcanhares e até Miro virar-se para ele, criaturas conjuradas já começavam a escalar seu corpo.

- Mamãe! - murmurou em seu desespero.

O sorriso do mago exalava vingança. Apesar da infração de Miro não ter sido tão grave, os magos costumavam ser muito vingativos.
Miro fechou os olhos e se conhecesse algum tipo de prece estaria recitando-a agora, péssima hora para lembrar-se que não sabia o nome de nenhum deus! Se sobrevivesse àquilo descobriria tudo sobre um deus e sempre que pudesse faria tributos a ele. E foi após pensar nisso percebeu que estava mais desesperado do que imaginara, acabara fazendo promessas a todos os deuses, por sinal deuses que não conhecia. Decidiu se concentrar em um só.

- Oh Deus dos Azarados! Sei que existes porque se não, eu não teria passado dos três anos de idade! - clamou entredentes relembrando sua desastrosa infância - Me dê mais uma ajudinha, sim? Não digo que será a última vez porque... Bem... Convenhamos as situações em que me meti até hoje, por que justo agora elas parariam de acontecer?

E foi nesse momento de apelo que algo realmente aconteceu, Radamanthys entrou no beco iluminando aqueles que lá se encontravam com as chamas de seu olhar.

- Garoto! - chamou como se não notasse os pequenos demônios subindo pelas pernas de Miro - Onde está a ladra?

- B... Bem senhor... - o jovem não sabia se tremia ou se respondia - E... Eu achei que sua ladra fosse... Ele... - apontou o mago com um aceno de cabeça - Mas... Aparentemente, me enganei...

Radamanthys sorriu ao ouvir um leve rosnar da parte do mago.

- Se afaste! Esse pobre diabo é meu!

Em qualquer outra situação, Miro riria da expressão que oservo fez ao ouvir o encapusado.

- Senhor... - disse com calma, pois mesmo o servo mais poderoso de Djdas sabia que um mago nervoso atrás de vingança poderia ser um gigantesco problema - Sei que lhe daria grande prazer acabar com o verme, mas ele já me pertencia antes!

- Então, o senhor deveria tomar cuidado com aquilo que lhe pertence, não? - respondeu sem nem dirigir um simples olhar ao homem que se encontrava a suas costas.

- Ele deverá ser punido em nome de Djdas não importando o que o senhor diga! - a ferocidade aumentou na voz de Radamanthys.

E como se uma intensa clareza tomasse conta da mente do jovem encurralado, ele percebeu que aquilo levaria horas para se resolver, isso se alguém não terminasse morto antes! Então percebeu que não estava mais tão encurralado assim.

As criaturas antes atentas a seus mais insignificantes movimentos, loucas por sua carne, agora começavam a se voltar na direção do servo de cabelos claros, como se atraídas pelo fogo de seus olhos. Uma vez livre, Miro começou a caminhar vagarosamente, encostado na parede, quase sem respirar e assim que atingiu a rua, correu mais do que imaginava que suas pernas poderiam aguentar e não se sentia nem um pouco cansado.

Quando começou a anoitecer, julgou seguro sair de trás dos arbustos de sanirion onde havia se escondido e começou a caminhar de volta para o Caneco de Madeira, afinal devia sérias explicações ao seu chefe e não tinha mais nenhum lugar para ir, ainda mais daquele jeito. Não bastaram as garras das demoníacas conjurações rasgarem suas roupas e sua pele, agora os espinhos das plantas terminaram de machucá-lo.

Ao chegar a porta do estabelecimento, estranhou ver a porta fechada e com medo de interromper alguma reunião, decidiu entrar pela cozinha onde encontrou seu chefe com um olhar desolado.

- Chefe? - perguntou em voz baixa.

- Miro! Pelos deuses, achei que estivesse morto! Pela sua aparência deve ter sido quase isso... - caminhou até o garoto e deu-lhe um tapa com força na parte de trás da cabeça¹ - Pelo menos trouxe minha encomenda seu incopetente?

- N... Na verdade senhor... - ao tirar o embrulho do bolso, o som de algo quebrado como cacos de vidro fez-se ouvir e Miro se encolheu, fechando os olhos esperando novo golpe.

- A sua sorte é que era realmente vidro! Se fosse algo mais importante, eu te entregaria para aqueles caras estranhos que estão te procurando!

- Caras estranhos?

O chefe não pode evitar lançar um olhar cansado para o garoto.

- Quem te deixou nesse estado mesmo? - os olhos arregalados do rapaz demonstraram que ele entendeu a mensagem.

- Ai não! É mesmo! Mergulhei num arbusto de sanirion e agora tenho que tomar um banho! Vai saber se essa treco é tóxico ou não!

Com um suspiro o homem que fora quase um pai para Miro pela maior parte de sua vida decidiu uma coisa.

- Se você for pego, seu idiota, prefiro que seja sozinho! - e chutou o garoto porta a fora.

Ele começou a entrar na noite, sem entender plenamente o que acontecera e depois de algum tempo de caminhada começou a sentir o terrível calor da noite. No deserto de Wateru os dias tinham a temperatura amena, muitas vezes fria, e as noites eram de um calor escaldante e não era difícil acontecerem tempestades de raios e o reino de Vydracer, por fazer parte do deserto, não era diferente.

Enxugou o suor da testa com a manga da blusa e continuou caminhando. Quando já pensava em parar ouviu um barulho estranho vindo da direção do deserto aberto e resolveu que continuar andando talvez fosse mais seguro. Quando não aguentava mais, sentou-se sob o telhado de uma casa e rescostou-se na parede, observando a gigantesca e quente Lua sobre sua cabeça. Fazia tempo que não se metia numa confusão tão grande.

Adormeceu. Só acordou com o amanhecer, a temperatura baixando e o pequeno, distante sol surgindo no horizonte. Se espreguiçou e antes mesmo que pudesse levantar, levou um balde de água gelada na cabeça. Mesmo que alguns desinformados pensem que a água é algo escasso no deserto, eles estão certos. Mas era exatamente essa a razão de existirem tantos magos em Vydracer, eles "produziam" a água e ganhavam muito bem por isso.

Miro volvou a andar, agora com o corpo e o clima esfriando, sentia que tremia mas não podia evitar. Continuava sua caminhada quando reconheceu uma pessoa, a velha que caminhava com dificuldade a sua frente era a mesma velha ladra de antes!

- Ei! Senhora! - ninguém na rua pareceu ao menos percebê-lo - Alguém segure essa velha! - ao ouvir essas palavras, a própria velha o ouviu, levantou a barra do manto esfarrapado até os joelhos e, com uma agilidade impressionante, saiu correndo deixando a todos de queixo caído.

O jovem, agora indignado, saiu correndo atrás dela, desejando que em vez de uma senhora ela fosse na verdade um homem menor que ele, bem menor, para que ele pudesse ao menos lhe dar um soco. Afinal ele nunca bateria numa mulher... Elas são muito vingativas.

Quando conseguiu finalmente alcançá-la, não teve dúvidas e mais uma vez se jogou sobre a mulher, dessa vez tendo certeza de que esta não era um mago poderoso e perverso. Os dois rolaram na areia e a sorte pareceu sorrir a Miro quando ele se viu por cima, segurando-a no chão.

- Te peguei velha! - disse com satisfação enquanto descobria o rosto dela - Mas que... - só podia ser um erro, o rosto que estava a sua frente não era de uma velha e sim de uma jovem garota de cabelos vermelhos - Você não é uma velha! - ele conseguiu falar em seu espanto. E ao perceber que estava deitado sobre o corpo dela, sentiu o rosto corar.

- Jura que não sou velha? Garoto estúpido! Sai de cima! - ela disse se debatendo fazendo Miro cair, ainda completamente abobalhado.

xooo0ooox

N/A.:. E aeeee? Mais uma fic babaca minha pra vocês perderem tempo!
Não reparem se o universo for muito insano... Eu tirei essa história de um sonho... XD

Leiam Também: O Canto Da Confusão; Sanctuary High School; Lince Negra; Um solteiro... Incorrigível?

Não sou tão egocêntrica quanto pareço, só uma dessas histórias é minha!
Até a próxima!

Obs.:. O nome da fic é uma pequena sacanagem com o filme Nárnia... É esse nome ao contrário... Um dia eu conto o porquê!



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