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: B s . A A A    : full 3/4 1/2   : E E   : Light Dark Anime/Manga » Fullmetal Alchemist » Algumas Coisas Não Mudaram

Amande Hiromu
Author of 6 Stories

Rated: K+ - Portuguese - General/Tragedy - Scar - Reviews: 6 - Published: 06-03-06 - Complete - id:2972005

Oi de novo!

Eu tive a idéia de fazer esse fic na última quinta-feira, em que um ishbariano à beira da morte escreve uma carta para qualquer um que encontrá-la, onde ele compara os ocorridos na Guerra Civil de Ishbar com uma guerra mais atual, a Invasão do Iraque. Ficou um pouco maior do que meu outro fic, mas ainda está muito pequeno pro meu gosto ¬¬. Bem, aí está.

Disclaimer: Full Metal Alchemist e o povo Ishbariano não me pertencem, e sim a sua criadora, a Ilustríssima Arakawa Hiromu.

Disclaimer nº2: Alguns fatos que escrevo nesse fic não ocorreram.


Algumas Coisas Não Mudaram

Falluja, 2003

V.S.ªs que encontrarem esta carta,

Eu era um médico que trabalhava aqui na Região de Falluja, no Iraque. Sou, ou melhor, era, um descendente de um povo já extinto, os Ishbarianos. Esse povo foi perseguido durante décadas no século XX.

Sua cidade, Ishbar,foi detruída no período entre os anos 1901-1909, de acordo com os registros, numa guerra chamada Guerra Civil de Ishbar. Após esse período, os sobreviventes dos Ishbarianos foram perseguidos discretamente pelo exército, obrigando-os a viver com medo e como nômades. Um número muito pequeno de sobreviventes dessa outra perseguição viveram negando seu sangue.

Esses homens viveram na comunidade e "misturaram" seu sangue ao povo considerado "normal". Confesso que até escrever esta carta, não dizia a comunidade que minhas raízes eram ishbarianas. Porque renegamos nosso sangue? Com medo de um novo ataque.

Acho que os militares tem medo até hoje de que um de nós saiba algo que comprometa a imagem do governo. E sim, esse segredo foi guardado durante esse quase século. Mas, estando aqui, nas condições em que me encontro, resolvi partilhar desse segredo.

Meus bisavós, avós e meus pais me falavam que durante esses anos a população de meu país foi enganada, pois o governo havia inventado um motivo para abafar a polêmica da Guerra. Minhas fontes não são tão seguras, mas parece que eles disseram que havia uma grande "pressão" entre os Ishbarianos e os soldados, e que os Ishbarianos se revoltaram contra as vigilâncias do exército, pondo início a guerra.

Uma grande mentira.

O governo enviou uma espécie de "Unidade Especial" para a cidade de Ishbar, com o único e exclusivo objetivo de destruir todo e qualquer Ishbariano, pois, de acordo com eles, nosso povo estava planejando uma rebelião.

Após a matança ocorrida, o governo silenciou os membros dessa unidade, mas fez alguma utilidade deles, transformando-os em meras cobaias de laboratório.

Silenciadas as testemunhas de que o governo havia posto início a guerra, era só esperar que os Ishbarianos quisessem reagir à morte de seus entes queridos.

O que não demorou muito a acontecer.

A guerra teve seu fim no ano de 1909, mais ou menos, mas o terror continuou. Os sobreviventes da guerra buscaram locais para viver, tornando-se nômades. Os militares continuaram perseguindo os ishbarianos, reduzindo mais e mais o número de sobreviventes. Percebendo que não haveria maneiras de sobreviver, os restantes resolveram se esconder no meio do povo normal.

Bem, eu não posso imaginar os motivos dessa guerra... mas tenho quase certeza que um deles foi a diferença entre os povos. As pessoas não aceitam as outras que sejam diferentes delas. Rejeitando e temendo... é assim que se iniciam as guerras.

Aos olhos do exército nós éramos diferentes, porque realmente, nossa cor de pele, a cor dos olhos e as crenças eram diferentes. Mas uma das coisas que mais gosto nesse mundo é das pessoas que sabem conviver com as diferenças. E essas pessoas não são muitas.

Incrível é a capacidade da humanidade de se auto-destruir.

Mas porque eu estou escrevendo esse sermão chato a vocês?

Porque, parece loucura, mas a história está se repetindo.

Esquecendo um pouco o século XX, voltemos ao século atual, XXI. Outra grande guerra está acontecendo, a Invasão no Iraque. Sempre vivi lamentando as desgraças de meu povo, e resolvi vir ajudar este, que parece que terá um destino parecido. Sei que não pude fazer muito, mais dei o meu melhor para salvar alguns iraquianos que estavam à beira da morte.

Decidi vir pra cá esse ano mesmo, 2003. Os motivos dessa guerra são apenas três: poder, ditadura e petróleo. Os Estados Unidos de hoje agiram da mesma maneira que o Exército em 1901. Inventaram um motivo para que a guerra se inicia-se.

De uma certa maneira, aquele 11 de setembro caiu como uma luva na mão da Casa Branca. A destruição das Torres Gêmeas era um motivo mais que perfeito para dar início a uma guerra. Então, os Estados Unidos arranjaram alguns aliados e partiram pra cima.

Ao saber do início dessa nova guerra, decidi que viria para cá, Falluja, uma cidade que estava sofrendo uma grande baixa, tentar resgatar as vidas de alguns sobreviventes.

A recepção aqui não foi tão difícil. O povo me recebeu bem. E durante alguns meses eu cuidei dos feridos do ataque.

Devo confessar que vi muitas coisas aqui. Crianças morrendo carbonizadas... crianças... esses seres sem maldade, tão inocentes, tão puros... que culpa eles teriam daquele 11 de setembro? Famílias sofrendo frente ao corpo de um ente querido... casais se separando devido a guerra... só de escrever sobre esses fatos já fazem uma lágrima cair de meu rosto.

E a próxima vítima sou eu. O exército invadiu a cidade e atirou para todos os lados. Uma dessas balas acertou meu braço esquerdo. Está sendo difícil escrever e resistir a essa dor. Mas eu vou feliz, porque sei que nesses meses dei o meu melhor para salvar as pessoas daqui.

Escrevo essa carta num apelo, num desabafo, chame do que quiser. Se, quando esta carta for encontrada, a guerra ainda estiver acontecendo e se por acaso você for um soldado americano lendo essa carta, eu peço pela minha alma que já estará ausente que você pare e reflita um pouco sobre o que você está fazendo.

Você está destruindo a sua raça. A raça humana. Você e os iraquianos são iguais: nascem, vivem, sorriem, choram, pensam e morrem. Aprendam a aceitar suas diferenças... afinal, a criança que morreu carbonizada agora pouco não tem um fiapo de culpa no que aconteceu naquele 11 de setembro. Aprendam a conviver com as diferenças...

Sinto que vou partir... Adeus, e que Ishbara me receba no céu pelos meus esforços em salvar meus iguais.

Assinado: Dout-

Nesse exato momento, a caneta deslizou pela mão do médico e sua cabeça caiu acima da carta, em um último suspiro.


Bem, agora que já leram, eu só tenho uma coisa a pedir: deixem reviews, por favor!

Abraços,



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