Help
Home Just In Communities Forums Beta Readers Search
B s . A A A   full 3/4 1/2   E E   Light Dark
Anime/Manga » X/1999 » Aposto Que Você Sonhou Comigo
le-renegat
Author of 9 Stories
Rated: M - Portuguese - Angst/Romance - Fuuma M. & Kamui S. - Reviews: 20 - Published: 08-05-06 - Complete - id:3087581

Essa fic é um presente para minha querida amiga Nekky-chan. Feliz aniver atrasadíssimo, e espero que me perdoe por ter ficado um pouco sado demais, huahuahuahua... Se bem que tinha que ser ao menos assim pra compensar o atraso, né? XD

Aviso: Lemon (cenas de sexo homemxhomem) entre Fuuma e Kamui. Se não gosta, por favor procure outra coisa pra ler.

Disclaimer: A série maravilhosa de X pertence ao CLAMP, esse é apenas um presente baseado nela que fiz a uma amiga.


Aposto Que Você Sonhou Comigo

Por Ryui-chan


O sol brilhava alto no céu azul sem nuvens. O calor, mesmo ainda sendo primavera, era intenso, fazendo com que os transeuntes, na sua maioria, usassem roupas leves e de mangas curtas. As ruas, apesar de atenuarem o calor com o concreto contínuo, estavam cheias.

Os rostos estavam vermelhos e suados, mas os que caminhavam pelas calçadas nem ao menos se importavam com isso, apenas pensavam no seu destino final e mecanicamente desviavam dos outros que seguiam na direção contrária ou até mesmo dos que mais lentamente se locomoviam.

Todos tão ocupados com suas tarefas que nem sequer eram capazes de ajudar algum deficiente físico preso a uma cadeira de rodas, ou então não paravam para auxiliar um pobre senhor que tentava atravessar a rua cheio de compras de supermercado.

E, também, ocupados demais para darem-se conta de que, sentado encostado a uma parede de um pequeno beco, havia um belo jovem de olhos violeta e cabelos negros como a noite que, extremamente ferido, chorava lágrimas transparentes que iam adquirindo cor vermelha conforme passavam por cima dos machucados abertos. Seus lábios inchados moviam-se, embora fosse muito difícil compreender o que dizia.

"Fuuma... Por quê?" murmurou, dessa vez um pouco mais alto, os pingos salgados e transparentes descendo em cascata pelos lados de sua face, pingando junto com o sangue em um ritmo irregular.

Estava cansado demais para mover-se, fatigado tanto física como emocionalmente. Seu coração apertava cada vez que ele pensava em tudo que havia acontecido a ele. Ou seja, havia um aperto constante em seu peito, e ele se perguntava se valeria a pena continuar tentando e ferir ainda mais as pessoas que se importavam com ele. Embora fossem poucas, sabia que elas ficariam tristes... Porém... Queria tentar ao menos mais uma vez.

Com dificuldade, apoiando-se nas paredes e manchando-as de vermelho, Kamui conseguiu erguer-se. Sentindo perder o equilíbrio, ele jogou-se contra a parede às suas costas, arfando e agarrando-se desesperado a algo que o suportasse. Seus olhos brilhantes inconscientemente fechados abriram-se, encarando algum ponto mais acima dos prédios de cor morta, pupilas levemente dilatadas devido à leve escuridão do local.

"Fuuma... Eu vou tentar só mais uma vez... Vou tentar te trazer de volta... Só mais uma última vez... Prometo que desisto se não conseguir..." prometeu, respirando fundo e soltando a parede, tropegamente indo em direção à calçada, em direção àquele suposto mundo iluminado onde todos deveriam conviver bem uns com os outros. Mas se era um mundo tão solidário, caridoso com as pessoas que ali viviam, por que Kamui não via seus rostos bondosos, seus sorrisos aprazíveis?

Queria ver sorrisos bonitos e cheios de sentimentos, como aqueles poucos que seu querido Fuuma lhe dera e que de alguma forma ele guardara em seu coração. Queria que seus passos, de alguma forma, o levassem de volta a um passado que ele ainda ansiava ver novamente...

Porém, no meio daquela multidão de rostos ensombreados e desfigurados, o garoto foi levado para a entrada de um parque. Não compreendendo bem o porquê, começou a transitar entre os largos caminhos cobertos pelas pequeninas e delicadas pétalas das flores de cerejeira, que ainda continuavam tão belas como no começo da primavera.

"Estranho, não me lembro de existir um parque assim no meio de Tóquio..." Pensou, olhando melhor em volta. Um dos aspectos que mais lhe supreendeu foi que o local estava... Completamente vazio. Os olhos violeta arregalaram-se e o garoto pôs-se em guarda, sentindo diversos calafrios descerem por sua espinha.

Decidiu sair dos caminhos principais e seguir pelo meio das cerejeiras. De certa forma, era mais fácil andar apoiando-se nelas. Suas costelas e pernas doíam terrivelmente, era um sacrifício apenas o ato de respirar e permanecer parado em pé.Também não sabia ao certo como, mas suas pernas cansadas e feridas o levaram até uma clareira florida, onde o sol brilhante penetrava por entre as folhas das árvores, dando uma impressão bastante surreal ao local. Mas não foi isso que prendeu a atenção do garoto. Não, não, ele pouco estava interessado no local em si. Estava vidrado, isso sim, em uma certa pessoa que se encontrava dormindo profunda e pacificamente debaixo da sombra de uma árvore.

"Fuuma!" Deu um sussurro meio gritado, um pouco alto demais, e logo suas mãos judiadas vieram ao encotro de seus lábios. Não muito adiantou, pois os olhos vermelhos de Fuuma já haviam aberto-se e sua face bonita já estava bem desperta. "Eu sinto muito, Fuu-"

"Não diga isso, Kamui, não precisa me pedir desculpas." Cortou o jovem e mais um calafrio desceu pela espinha de Kamui, que arregalou os olhos ante a mudança de comportamento no outro. Desde quando ele se tornara tão gentil, tão amável com ele? Para dizer a verdade, estava esperando mais uma daquelas surras que sempre o deixavam praticamente à beira da morte.

"Fuuma... Está... Diferente...?" A incerteza agora tomava conta dele, não sabia ao certo como agir. Nunca esperava encontrá-lo ali... Num parque enorme, vazio e estranho no meio da cidade... E principalmente mudado do jeito que estava.

"Diferente? Do que está falando, Kamui?"

"Ele não se lembra... Como das outras vezes... Será que... Será que ele voltou a ser o Fuuma de antes?" Não conseguia acreditar. Seu desejo... Havia se tornado realidade? Como? Assim, de um momento para outro encontrava Fuuma dormindo e ele acordava uma pessoa diferente? Aliás, o que diabos ele estaria fazendo ali? Dormindo debaixo da árvore? Claro... Já fora enganado o suficiente para saber que não podia ser isso. "Não pode... Alguém deve estar pregando uma peça em mim."

"Kamui? O que foi? Há algo de errado?" Estava sentindo-se cada vez mais inconfortável com a situação. Não estava sabendo lidar com isso e definitivamente não era boa coisa.

"É, bem... Fuuma... Eu..." Começou a gaguejar. NÃO! Isso não podia estar acontecendo! O rubor tomava conta de suas faces, e a cada segundo que passava sentia seu rosto mais e mais quente.

E as risadas de Fuuma não estavam ajudando muito.

"Kamui." Ele riu, levantando-se e aproximando-se dele com aquele sorriso doce que derreteria qualquer geleira. Parou na sua frente, e enquanto o encarava percebeu que seus machucados não mais doíam. E também... Percebeu que não se importava se estavam lhe enganando ou não. Estava desconfiando demais... O momento estava como ele queria, não? Então o que tinha que reclamar? Provavelmente isso tudo deveria ser o efeito-Fuuma que agia com duzentos por cento de intensidade em si.

Sentiu os braços aquecidos pelo sol o prenderem de ambos os lados, mas apenas deixou-se levar. Relutante, retribuiu o abraço, afundando o rosto no tórax largo, sorrindo contente após algum tempo imóvel, apenas curtindo a sensação.

Os dois permaneceram um bom tempo ali, de pé, abraçados, sentindo o sol bater em seus corpos.

"Kamui..." Fuuma quebrou o silêncio, afastando-se ligeiramente, porém sem desfazer o abraço. "Você me ama?"

A pergunta chocou Kamui. Esse assunto... Abordado assim, tão de repente, com tanta naturalidade... Não parecia algo que Fuuma lhe diria. Pelo menos não o Fuuma que ele ansiava, que ele conhecia antes. Suas faces coraram ao pensar nisso, e ele olhou para cima, dentro dos olhos profundos de rubi do outro.

"Ah... Eu... Eh..." Novamente ouviu a voz grave e profunda em uma risada, o que o fez sentir-se pior ainda. Não conseguia se expressar... Embora já tivesse uma resposta à pergunta dele.

"Você não precisa me dizer agora..." Sentiu uma mão pousar em seu peito. Abaixou a cabeça, acompanhando o toque, mas ela logo foi levantada pela mão livre de Fuuma. Não sabia dizer ao certo quanto tempo um olhar sustentou o outro. Para ele pareceram horas sem fim... Uma pequena eternidade... Quebreada pelo toque de lábios quentes sobre os seus próprios.

Uma dança desajeitada e frenética de línguas iniciou-se, ambos não tendo quase nenhuma experiência amorosa. As carícias quase inexistentes foram timidamente aparecendo, e os também tímidos gemidos vibravam das gargantas dos dois, abafados pelo contato extasiante.

A falta de ar começou a fazer-se presente, obrigando os dois a separarem-se por alguns instantes. Com testas coladas, olhos vidrados uns nos do outro, os dois interromperam o beijo, ofegando bastante.

"Fuuma... Eu te a-hhhhhh..." Cortou a própria fala com um gemido ao sentir a boca quente e macia do outro beijar, lamber e morder de leve seu pescoço alvo, insistindo tanto em determinados pontos que marcas avermelhadas eram deixadas.

"Eu já disse... Não precisa falar nada agora." Ouviu-o dizer contra sua pele, causando-lhe arrepios. Desde muito tempo vinha sentindo-se atraído por seu... Deveria dizer ex-amigo?... A tal ponto que sua vida passara a girar em torno dele. Dele eram seus sonhos, seus pensamentos... E também seus desejos.

Seus pensamentos voavam de lembrança em lembrança enquanto delicada e sutilmente o outro garoto retirava suas roupas já bastante rasgadas, com todo o cuidado para não abrir ainda mais seus ferimentos que já começavam a secar. Sentindo uma pontada de dor quando o que restava de sua calça do uniforme deixou seu corpo e olhando para si mesmo, Kamui enfim deu-se conta da situação constrangedora em que estava. Um arrepio de frio passou por seu corpo desnudo.

"F-fuuma! O que está..." Seus protestos foram calados por um beijo forte e avassalador que o deixou tão atordoado que foi lentamente parar no chão, com o outro o suportando de forma que os dois acabaram deitados na grama verde e abundante do local. Fuuma por cima e Kamui por baixo.

"Não era isso o que você mais queria?" Disse ele em uma voz sedutora, fazendo arrepios descerem pela espinha descoberta do outro.

Kamui sentiu uma mão vagar perigosamente pelo seu abdômen, indo cada vez mais e mais para baixo. Suas faces ficaram mais vermelhas ainda ao sentir seu... Deveria dizer amante?... Tocar e estimular seu membro, e seus sentidos enloqueceram de vez quando os beijos e lambidas do outro seguiram o mesmo caminho da mão. Os olhos gentis de Fuuma então tornaram-se cruéis, seu sorriso gentil virou um de sadismo puro. Ele levantou-se, sem deixar de estimulá-lo com as mãos, olhou-o nos olhos e sibilou emudecidamente as palavras 'não é esse o seu desejo?'. Foi o golpe de misericórdia.

"Oh, FUUMAAAAAA-"

"-AAAAAAAAAAAAAAHH!"

O corpo suado e quente de Kamui projetou-se da cama, sentando-se imediatamente na cama de lençóis um tanto quanto úmidos e amarrotados e levando as mãos à cabeça latejante. Meu Deus... O que diabos fora aquilo? Olhando para baixo, viu que o resultado fora bastante molhado. Suas faces aqueceram-se e ele não conseguia mais olhar para seu próprio corpo.

"Um... Sonho?" Balbuciou, ainda não conseguindo acreditar no que acontecera. Seus olhos nervosos percorreram o quarto escuro, como que em busca de algo, embora não soubesse o que era. "Um sonho... Foi só um sonho."

Em um impulso, suas mãos percorreram seus braços, apenas para assegurar-se e constatar que não havia machucado nenhum. Passou as mãos pelo rosto e por ali também não havia nenhum traço de sangue. Logo o cobertor foi descansar de encontro ao chão, assim como as calças molhadas com sua semente. Também nenhum machucado em suas pernas.

Restava ali apenas a dor psicológica. Sentia as pernas doerem... Mas sabia que não havia nenhum ferimento. Seu peito apertava. Por que até mesmo seus pesadelos tinham que brincar daquela forma com seus sentimentos?

Sentado, pernas abertas e nuas em cima da cama, Kamui apoiou os cotovelos em cima dos joelhos, escondendo o rosto nas mãos.

"Droga... Nem mesmo em meus sonhos sou capaz de salvá-lo... Fuuma..." Disse, lágrimas já escapando seus olhos e caindo desreguladamente no colchão, cujo lençol de baixo também encontrava-se em estado parecido ao das cobertas que há muito haviam sido esquecidas ao lado da cama.

Seu estado poderia ser considerado deplorável. Pensando com tanto amor e insistência naquele que fazia de tudo para vê-lo sofrer... E ainda por cima sonhando com uma de suas mais profundas fantasias, onde Fuuma era ainda seu amigo gentil e carinhoso de infância... Que tornava-se incrivelmente comandador na hora do... Sexo...

Queria sumir. Cavar um buraco com as unhas na parede mais próxima, ou até mesmo em um chão que depois seria coberto com concreto e sumir, desaparecer. Vergonha, raiva, frustração, tristeza... Tudo isso misturava-se em sua mente ferida e ele sabia que não havia como escapar.

Um som molhado chegou a seus ouvidos, e sentiu-se corar. Seus olhos um tanto quanto cansados e preguiçosos voltaram-se para a janela, por onde podia ver a fúria de Deus em forma de chuva castigando a cidade iluminada que nunca dormia. Tão forte, tão intensa que agora escorria livremente pelo vidro, tomando-o por completo. Trovões ressoavam, raios iluminavam o céu escuro e as nuvens mais escuras ainda. Kamui encolheu-se ante a visão, sentindo-se sozinho e com frio.

A ansiedade agora tomara conta dele, substituindo o cansaço. Eram tantas as mudanças de sentimento em seu corpo que ele próprio surpreendia-se. Não queria ficar ali sozinho... Não queria ter outro sonho daqueles, não queria ser ferido pela mudança em seu amigo de novo. Sacudindo a cabeça, Kamui levantou-se, indo de qualquer jeito para o banheiro e ligando o chuveiro no frio. Decidiu que não era uma boa idéia e trocou para uma temperatura mais agradável quando seu corpo começou a tremer sem parar.

Apenas deixou-se ficar debaixo da água morna. Lavando seu corpo... E de certa forma lavando sua alma de todas as preocupações que pudesse ter no momento. Não lhe importava se o destino do mundo estava em suas mãos, se seu melhor amigo estava contra ele, se esse amigo tinha matado a garota que ele mais amava, se esse amigo tinha se tornado sua obsessão e a pessoa que ele mais amava atualmente. Tudo que importava é que havia uma água reconfortante caindo em seus ombros, massageando seus cabelos negros, passando por entre seus músculos tensos e relaxando-os pouco a pouco.

Mas todo sonho bom tem um fim.

Kamui logo desligou o chuveiro, deixando a água pingar de seu corpo e escapar pelo ralo de metal frio logo abaixo entre suas pernas. Em seguida os arrepios lhe advertiram que seu corpo reclamava do frio, e ele obrigou-se a buscar uma toalha fora do box. O tecido felpudo deslizava por sua pele macia e alva, acariciando e secando-a.

Mecanicamente ele abriu a porta e procurou por uma roupa quente dentro de seu guarda-roupa. Tudo o que via era uma calça de couro e blusa negras, que colocou imediatamente.

Agarrou um casaco de um misto de vermelho com preto e desceu cuidadosamente as escadas, esperando não acordar ninguém. Seus companheiros, mais do que ninguém, mereciam esse descanso tão aguardado... E ele não queria incomodá-los.

Olhando para frente decidido, Kamui enfim chegou à rua, fora da escola CLAMP.

Seguia andando pelas ruas de Tóquio. A chuva molhava mais uma vez seus cabelos ainda úmidos, mas ele pouco se importava. Andava firmemente entre as pessoas que, apressadas, procuravam andar o mais próximo possível dos toldos que supostamente as protegeriam da chuva. Mas aquilo era inútil. Se qualquer um observasse melhor, veria que elas estavam encharcadas. Ternos, calças, sapados, saias, blusas... Todos colados e pesando no corpo, tornando difícil a movimentação.

Era isso que a cidade tinha a oferecer para seu povo? Como algo poderia ser tão injusto? Pessoas com dificuldades mal conseguiam atravessar uma rua para abrigarem-se dentro de alguma loja ou em algum metrô... Enquanto as ricas podiam abrigar-se dentro de seus carros luxuosos ou sumir em uma mansão ou até mesmo ir a alguma cidade onde não estivesse chovendo...

Um tanto quanto apático ao que acontecia à sua volta, o jovem colocou as mãos no bolso, deixando-se molhar pela água que não cessava em cair e castigar seus ombros cobertos pelo casaco negro. Andava sem ao menos olhar para onde ia, desviando mecanicamente das pessoas que vinham numa direção contrária à sua.

Olhando para baixo, estranhou um pouco quando, de repente, o número de pessoas que havia na rua diminuiu drasticamente. Olhou para a frente, e uma tontura tomou conta de si justamente com a sensação de déjà vu.

Kamui estava parado na frente da entrada do mesmo parque que aparecera em seu sonho.

Mesmo reflexivamente dando alguns passos para trás... A curiosidade dentro do jovem foi maior e ele decidiu penetrar por entre os caminhos de cerejeira escuros e molhados daquele parque esquisito.

Quando chegou ao caminho principal, aquele coberto pelas pétalas róseas de cerejeira, um arrepio percorreu toda a sua espinha, fazendo-o curvar-se ligeiramente para trás. Que diabos era isso? Estava com uma sensação terrível.

Começou a andar pelos mesmos caminhos de seu sonho, mas com a sensação de que havia alguém lhe espiando das trevas. Não era muito agradável... Calafrios passavam por todos os membros do seu corpo, e estava começando a sentir um pouco de medo. Não... Não era assim no seu sonho!

De repente, algo passou voando pelo seu rosto.

Kamui quase deu um pulo de tão concentrado que estava. Passou a mão pelo local onde o objeto estranho havia passado... E, mesmo com a escuridão, pôde ver e sentir o sangue escorrendo do pequeno corte.

"O que diabos será que passou por aqui?" O jovem começou a se perguntar, agora ficando realmente apavorado. Tentou enxergar pela escuridão, mas novos objetos vieram voando de encontro a si. Com agilidade, ele conseguiu agarrar um deles, e ficou atônito ao ver que era uma das pétalas de cerejeira que estavam no chão, carregada de uma energia estranha e negra. Aquilo não era bom... Tinha que sair dali o mais rápido possível.

Correndo o mais depressa que podia, Kamui atravessou o corredor das cerejeiras, sendo ocasionalmente atacado por pétalas afiadas que lhe rasgariam a roupa negra e lhe trariam cortes bastante profundos em diversos lugares do corpo.

Em um certo ponto, entrou pelo meio das árvores, como já sentia haver feito antes... Aquilo realmente estava lhe dando medo. Como ele nunca havia ouvido falar daquele parque...? E como ele sonhava com esse mesmo parque, e logo depois entrava nele? Era muito estranho... Parecia uma ilusão... Era coincidência demais para ser verdade.

Chegou então à mesma clareira de antes. A mesma clareira onde encontrara Fuuma dormindo, encostado numa árvore... Tão pacífico...

Como que ansiando em avistá-lo, seus olhos escanearam o local, procurando um sinal da presença do outro em cada canto escuro que compunha aquele sombrio e maravilhosamente belo parque em que estava.

E então, como que antendendo suas espectativas, um par de olhos vermelhos se fez enxergar entre as sombras de duas árvores. Kamui sentiu seu corpo enrijecer e suas mãos gelarem.

"Me procurando, Kamui?" A voz penetrante e profunda de Fuuma soou logo à sua frente, e o Chi no Ryuu saiu de seu "esconderijo".

"F-FUUMA!"

Fuuma passou a mão pelo cabelo encharcado, alguns pingos voando longe com o ato, e Kamui sentiu-se cada vez mais vidrado nele. Como é que um homem podia ser tão bonito, tão sensual, tão atraente aos seus olhos? Para ele, se Afrodite tivesse um irmão gêmeo que fosse o deus grego da beleza junto com ela, esse deus seria Fuuma.

Mas como todo deus tinha seu lado mais humano e como nenhum deles era perfeito... Seu Fuuma tinha de ser cruel com ele. Por que sua personalidade mudara tanto? Por que não podia ter o outro Fuuma de volta? Aquele que ele amava tanto, com que ele se sentia protegido...

Parecia que jamais poderia concretizar seu desejo...

"Novamente lhe pergunto, Kamui... Me procurando?" Fuuma repetiu a pergunta, desta vez aproximando-se, revelando de vez todo o corpo envolto nos tecidos negros de couro habituais... E Kamui quase teve de reter um suspiro cheio de desejo.

"Fuuma. Não, eu não estava..." Respondeu baixinho, deixando a frase no ar e virando o rosto um tanto quanto corado, decidindo que uma pequena folhinha no chão era a coisa mais interessante do mundo. Fuuma sorriu maldosamente e aproximou-se sem fazer barulho algum, fazendo o outro perceber sua presença apenas quando já estava passando uma mão por sua cintura delgada e prensando-o contra a árvore mais próxima.

Rapida e efetivamente, o Chi no Ryuu abriu os primeiros cintos do casaco de Kamui, indagando a si mesmo por que o gosto do jovem (A/N: E o seu próprio, já que as roupas eram bastante parecidas...) tinha que ser tão voltado para o lado do "difícil de tirar"... E finalmente abaixou-se, lambendo e beijando o pescoço alvo.

"Não... Aaah... Fuuma... Não... Faça isso..." Kamui disse, mas suas ações eram bastante contraditórias, e ele inclinou-se ligeiramente para dar mais acesso à língua quente e convidativa de Fuuma, secretamente adorando o que ele estava fazendo e sentindo seu rosto pegar fogo.

Fuuma sorriu ante a carne imaculada do pescoço e ante aos pequenos cortes que conseguia ver pelo resto do corpo do garoto. Sim, fizera um trabalho bastante bem feito... Riu sadisticamente por dentro. Mal sabia o jovem Ten no Ryuu o que o esperava... Voltou a concentrar-se no pedaço já arroxeado de pele do outro.

"AAAAAAAAAH!" O grito de dor ecoou pelo lugar, e o sangue já escorria livremente do mais recente machucado de Kamui. Ele levantou os olhos e fez seu pescoço retornar à posição original, olhando assustado para o homem à sua frente. "O que..."

"Quieto." Disse, selando a boca do outro com a sua própria, e sentiu-o reclamar, lutando para se libertar do abraço forçado que o prendia à árvore atrás deles. "Sabe, Kamui... Não imaginei que você viesse parar aqui..." Começou, parando um pouco para lamber e mordiscar o lóbulo da orelha perfeita à sua frente. "E pela sua reação, acho que nem você."

Afastou-se um pouco dele, e ficou um minuto observando aquela expressão de 'Sim, mas e onde é que você quer chegar com isso?' que sua bela presa fazia. Riu, fechando os olhos, mas em seguida abriu-os, encarando e assustando as duas ametistas que não desgrudavam de si.

"Sabe, Kamui... Que tal fazer fazermos uma pequena aposta?" Sorriu, cruel, passando a mão pelo pescoço machucado do outro, apertando-o ligeiramente, como que mostrando o que aconteceria se ele recusasse.

"A-aposta?" Droga... sentia que estava começando a ficar excitado e essa definitivamente não era uma boa ocasião para isso.

"Eu não gosto de parecer tão confiante..." A frase não podia ter soado mais cínica. "Mas acho que você provavelmente sonhou comigo."

Kamui estancou onde estava. O suor frio descia por suas têmporas e seu estômago revirou. Oh, estava bastante encrencado.

"Sim, sim... Eu aposto, Kamui... Já que esse seu olhar me diz..." Fuuma olhou-o sadisticamente, sorriso penetrante fazendo com que Kamui continuasse paralisado à sua frente, água correndo por entre suas mechas negras de cabelo que teimavam em grudar em seu rosto. "Já que esse seu olhar me diz, eu aposto que você sonhou comigo."

"Do que está falando, Fuuma?" Kamui tentou negar, mas seus olhos violeta muito arregalados o traíam, o denunciavam para seu predador. E, claro... Ele não poderia estar mais contente com essa reação.

"Vamos fazer esse joguinho, Kamui?" Fuuma propôs, lambendo o sangue que teimava em sair da mordida que dera no pescoço de sua presa. "Aposto que você sonhou comigo. Se eu adivinhar exatamente o que você sonhou comigo... Eu ganho... E você terá de submeter-se a mim."

"Fuuma... Não... Espere..." Kamui tentou argumentar, não queria esse joguinho, mas Fuuma o calou com um beijo dominador, fortemente mordendo seus lábios no final, fazendo-o corar e secretamente ansiar por mais. Por mais que amasse o outro Fuuma... Esse "diferente" lhe deixava praticamente louco. "E-e... Se você não adivinhar?" sussurrou, como que indagando a si mesmo as outras regras do jogo.

"Se eu não adivinhar... Você pode me pedir algo que deseje." Ele pareceu considerar o que faria por um momento, mas depois sorriu e tornou a lamber e mordiscar a pele sensível do pescoço de Kamui, que apenas suspirou e apoiou-se mais na árvore, ainda segurando-se nos braços do outro.

"Algo... Que eu deseje..." Suspirou, rendendo-se completamente às carícias que o outro fazia em seu torso ferido... Arranhando-o, mordendo-o, tocando-o de formas que ele nunca imaginava ser possível. Não lhe importava se doía... Seu coração e seu corpo já estavam destroçados o suficiente... E por mais que dissesse o contrário, não queria machucar Fuuma, e sabia que o único jeito de tentar pará-lo era lutar com ele.

Fuuma, sentindo a entrega de Kamui, começou a rasgar todas as suas roupas, ansiando cada vez mais pela pele macia e facilmente ferível do outro. Kamui podia não saber, mas seu ser lhe intoxicava, lhe deixava completamente excitado apenas em olhar para aquele corpo delicado... Não entendia a si mesmo, ficava violento e cínico perto dele... Queria vê-lo submisso a si.

Kamui era como um anjo... Um anjo que tivera suas asas feridas e que caíra à terra, despertando a curiosidade de todos. Como uma pessoa conseguia ser tão bonita, tão sensual e ao mesmo tempo ter tanta angústia no coração? Ele, mesmo não querendo, chamava a atenção de todos... Era uma pessoa verdadeiramente bonita.

E por causa disso, Fuuma ficava com ciúmes. O ódio de ver Kamui dando mais atenção a Subaru ou Sorata do que ele... Isso o deixava maluco, tão cego que chegava a querer punir seu objeto de desejo por ser... Bem, tão desejado. Mesmo sabendo que Kamui passava boa parte de seus dias pensando apenas nele... Não conseguia evitar em sentir ciúmes dele.

Deixando o garoto completamente nu, encostado na árvore, a chuva castigando ambos os corpos, Fuuma logo tratou de começar a beijar e morder as partes de pele recém descobertas. Começou a rodear os mamilos, provocando o garoto, ansioso por ouvir seus gemidos.

"E então, Kamui? Foi assim que fiz no seu sonho? Ou eu comecei a lamber mais para baixo?" Disse, rindo contra a pele já marcada dele, passando as unhas de leve sobre as costas, deixando marcas mais esbranquiçadas sobre a carne branca, que logo foram ficando avermelhadas. Mordeu os pedaços róseos de carne entre seus lábios, sentindo o outro remexer-se e jogar a cabeça para trás, ouvindo um pequeno baque que indicava que ela batera contra o tronco grosso da árvore.

"Fuuma... Não... Pare..." Disse ele, abrindo os olhos violeta, sentindo as lágrimas começarem a escorrer por suas bochechas e misturarem-se com a água da chuva e com o sangue aberto do machucado que o outro antes fizera em seu rosto.

"'Não... Pare...'? Afinal, é para eu parar ou é para eu continuar?" Ele perguntou, rindo maldosamente enquanto explorava o corpo descoberto de sua obssessão. Lambendo depois mordendo até ficar com marcas roxas, ele foi descendo cada vez mais e mais pelo corpo frágil do outro, parando no umbigo, deixando um excesso de saliva por ali, que logo foi lavado com a chuva, que ficava cada vez mai forte.

"Pare... Não... Fuuma... Eu..." Kamui tentou argumentar, sua cabeça levantando-se ligeiramente. Fuuma estava machucando-o... Ferindo-o por dentro e por fora. "Não era isso... Que eu tinha sonhado... Não é assim que eu quero..." murmurou, mas foi alto o suficiente para que o outro pudesse ouvir.

"Como?" Agora a raiva tomara conta do Chi no Ryuu. Primeiro se entregava e agora dizia que não era isso que queria? Mas claro... Sabia que Kamui preferia o "antigo" Fuuma... Mas como fazê-lo entender de uma vez por todas que esse que estava à sua frente era o verdadeiro Fuuma? Prensou o garoto contra a árvore, machucando propositalmente suas costas, vendo que ele reclamava e se contorcia.

"Não é isso que eu quero!" O grito choroso de Kamui fez soar acima do barulho da chuva, acima de qualquer pensamento que Fuuma pudesse estar tendo no momento. Ele parou, apenas segurando-o e olhando em seus olhos lacrimejantes. "Por que, Fuuma? ... Eu te amo tanto... Por que faz isso comigo? Por quê?"

O choque agora era de Fuuma. Embora já soubesse que Kamui nutria esse tipo de sentimentos por si, não imaginava que ele seria capaz de dizer isso a ele. Estava confuso... Mas decidiu espantar qualquer pensamento que pudesse fazê-lo afastar-se dos seus propósitos.

Abaixou-se, lambendo gentilmente, com uma calma a bastante custo conquistada e mantida, os quadradinhos definidos do abdômen provavelmente cansado de sustentar o corpo em chamas de Kamui. Mordeu levemente, depois sugando ternamente o sangue dos machucados que ele mesmo fizera. Sentiu o corpo de Kamui ir rendendo-se aos poucos a seus carinhos. Provavelmente fora com isso que ele sonhara... Desde o início sabia exatamente o que deveria ser.

Foi levando-o ao chão, cuidando para que suas costas não fossem mais machucadas ainda. Ele já estava completamente excitado, e do jeito que estavam indo as coisas sabia que ele não ia agüentar muito.

"Deixe-me livrá-lo disso..." Sorriu gentilmente, sabendo que provavelmente era uma das coisas mais falsas que já fizera até esse momento. Correu as mãos pelo mesmo caminho que fizera antes com os lábios, expirando e inspirando sobre os mamilos róseos, decidindo por fim sugá-los e deixá-los ainda mais duros.

As mãos encontraram o membro completamente duro dele, e Fuuma fez com que seu dedo acariciasse a fenda da qual já saía um líquido esbranquiçado. Sentiu o garoto contorcer-se e roçar a cabeça de encontro à madeira, a um ponto sabendo que nas costas dele deveriam haver diversos machucados.

Decidiu não mais torturar o pobre garoto que arqueava as costas na sua direção. Foi traçando o mesmo caminho das mãos com os lábios mais uma vez, dando leves mordidas na parte interna das coxas, e enfim colocando a glande na boca.

"Oh, FUUMA!" Gritou, agarrando os cabelos negros e molhados do outro, forçando sua cabeça de encontro ao seu membro pulsante. Aquilo estava lhe deixando maluco... Não sabia se conseguiria agüentar por muito tempo... Era como em seus sonhos.

Kamui sentia que Fuuma continuava bombeando seu órgão com os lábios, e apertou as mãos em sua cabeça. Oh... Não sabia nem o que dizer... Estava ficando louco.

"Hmmm." Fuuma gemeu, ainda sugando-o, e esse foi o golpe de misericórdia.

"FUUMA!" Gozou, sentindo-o engolir tudo e, um tanto quanto esgotado e enxergando tudo branco ainda, recostou-se na árvore, sentindo a água gelada, tão contrastante com a boca quente de Fuuma que continuava a lhe beijar, lavando seu corpo.

"Não era isso que você mais queria?" Fuuma levantou e encarou-o, sádico e irônico, e os olhos violetas arregalaram-se. Como ele sabia com o que sonhara?

"Ah... Como...?"

"Parece que eu ganhei a nossa pequena aposta..." Fuuma riu, puxando uma das mexas do cabelo negro do outro. "Acho que você terá de fazer o que eu quiser..."

"..." Kamui virou o rosto, rangendo os dentes. Droga... Como deixara-se ser enganado desse jeito? Então para Fuuma ele era apenas um brinquedo que ele podia fazer definhar aos poucos?

"Você deve cumprir com a sua parte da aposta." Olhos cruéis olharam-no de cima a baixo, o sorriso sádico tendo desaparecido do rosto bonito e moreno do outro. Ele retirou Kamui de seu não-tão-confortável encosto na árvore e trocou-o de lugar consigo, o que deixou o garoto um tanto quanto desconcertado. O que ele estava tentando fazer?

"Sim... Mas o que você quer que eu faça?" Ele inocentemente perguntou, arrancando uma risada do outro. Oh, como podia ser tão inocente, Kamui? Fuuma continuou a dar algumas risadas, olhando profundamente nos olhos de ametista.

"Ora, ora... Não finja inocência, Kamui... É inútil e ainda por cima estraga o clima." Riu quando viu-o corar. Agora tinha certeza que ele sabia o que queria. Para completar, bateu com uma das mãos em cima de seus quadris, enfatizando seu pedido.

"Droga... Vamos ver quanto tempo dura esse olhar sádico, Fuuma. Você me paga. Posso te amar... Posso não ser forte... Mas agora você me irritou." Kamui pensou com raiva, enquanto agachava-se para começar a sua pequena "parte" da aposta. Respirando fundo e fechando os olhos, ele assumiu um ar bastante sedutor e conduziu sua cabeça enxarcada até a altura dos quadris de Fuuma, respirando pesadamente e sentindo-o gemer. "Você me paga... Vou te deixar louco, assim como você faz comigo."

Devagar, Kamui pegou o zipper com a boca, deslizando-o por toda a sua extensão, sentindo o corpo do outro subir e descer cada vez mais rápido. Pelo menos o ritmo da respiração ele estava alterando... Estava até um pouco surpreso consigo mesmo. Quando pensara que poderia excitá-lo desse jeito?

Não, não. Não podia deixar seu senso de inferioridade tomar conta de si no momento... Tinha que permanecer confiante...

Subiu as mãos pela parte interna das coxas do outro, arrastando consigo o tecido de couro. Só então reparara no quão belas e torneadas aquelas pernas estavam... E ainda mais definidas pela calça extremamente justa. Kamui gemeu internamente. Assim não conseguiria completar sua pequena... "vingança".

"Kamui... Espere..." Ouviu Fuuma ofegar ao longe, mas estava tão concentrado em seu pequeno "plano" que apenas ignorou-o, começando a puxar a cintura da calça, dando um leve gemido ao perceber que era extremamente baixa e que Fuuma não usava nada por baixo.

"F-fuuma.." Gemeu ao sentir as mãos ele ajudarem-no a retirar as calças. Em seguida começou a beijar e lamber a virilha, em áreas muito próximas ao membro do outro, que ele sabia que era o que Fuuma desejava que ele sugasse. Com isso arrancara alguns suspiros no começo, mas depois sentiu que ele estava irritado. As mãos fortes forçaram sua cabeça diretamente contra o sexo ereto, pulsante.

Com as bochechas bastante coradas, ele pegou o enorme membro do outro nas mãos e colocou a glande na boca, chupando de leve. Dentro de alguns segundos já o tinha inteiro na boca, percorrendo por toda sua extensão, fazendo círculos com a língua e ouvindo os gemidos extasiados de Fuuma.

Sem deixar de estimulá-lo, dessa vez trocando os lábios pelas mãos, Kamui começou a explorar os lugares em volta, deliciando-se ao ouvir um gemido alto e ver a expressão abandonada no rosto do outro, que provavelmente desejava que ele continuasse a lhe sugar.

"Ahhhhh... Kamui..." Fuuma gemeu meio suspirado, desejando novamente ter aquela boca lhe estimulando. Estava completamente perdido no prazer que o outro lhe proporcionava. Não conseguia pensar em mais nada que não fosse Kamui, seu corpo perfeito, sua boca quente lhe dando prazer... No desejo que sentia por ele...

Sentia-o subir, beijar seus lábios, fazendo-o sentir seu gosto...

E então, subitamente, seus pensamentos voltaram ao seu lugar.

Era para Kamui estar se submetendo a ele... E não o contrário.

Puxou os cabelos negros molhados do outro, fazendo-o ficar no mesmo nível seu e obrigando-o a olhá-lo nos olhos. Seu olhar era uma mistura de desejo e irritação... E o que via nos olhos violeta do outro era um pouco de medo, desejo e desafio a ele. Mal podia esperar... Queria tê-lo ali mesmo, naquele segundo. Afinal, era isso que planejara desde o começo, não?

Levantando o corpo menor, Fuuma fez o outro sentar em seu colo, trazendo o tórax gelado e molhado de encontro ao seu, ainda coberto. Impaciente, suas mãos foram arranhando toda a extensão das costas de Kamui, até chegar às nádegas e, por fim, fazendo o garoto dar um grito agudo de surpresa, introduzindo um dedo dentro dele.

Kamui, naquela posição bastante inconfortável, só conseguiu agarrar-se aos ombros largos do outro, gemendo ante ao incômodo que sentia em ter um, depois dois, e em seguida três dedos em seu interior. Droga... Não esperava por aquilo... De que jeito agora poderia continuar com seu pequeno plano?

Devido à situação, levou alguns instantes para pensar no que faria a seguir. Mas quando conseguiu claramente perceber, logo encostou sua cabeça entre o pescoço e o ombro do outro, impossibilitando-o de ver seu pequeno sorriso diabólico.

"Oh, Fuuma... Você me paga. Vou te enlouquecer..."

Vermelho, Kamui levantou sua cabeça, puxando Fuuma para outro beijo quente, cheio de desejo, abrindo espaço para que o outro, em sua ânsia de dominância, pudesse tomar conta de sua boca. Agarrou-se ao pescoço dele assim que separaram-se, dando um falso olhar submisso de "quero mais". Bom... O "quero mais" ele não precisou realmente fingir, mas era melhor nem pensar nisso.

"Fuuma... Eu quero você..." Gemeu baixinho, mordendo os lábios inchados do outro, dando mais ênfase à sua pequena trama.

Sem dizer uma palavra, Fuuma retirou os dedos, e Kamui sentiu uma estranha sensação de que... Algo faltava a ele. Mas esse algo logo fora reposto... Por algo bem maior do que simplesmente três dedos finos e alongados. Gemendo de dor pela estocada bruta que colocara meio membro de Fuuma dentro de si, Kamui ofegou. Sentia mãos em seus quadris, forçando-o para baixo.

"Não." Ele conseguiu gemer, retirando as mãos de seu corpo e, rapidamente pegando uma de suas roupas que estavam ao seu alcance, prendeu as mãos de Fuuma atrás de suas costas. Viu o outro olhá-lo confuso. Oh, sim, começaria agora. "Não, Fuuma..." Disse, e nem se importando com a dor (até gostando um pouco dela), ele forçou-se para baixo, fazendo Fuuma entrar por completo dentro dele. Nem esperando para se acostumar com tamanho volume dentro de si, ele começou a mover-se para cima e para baixo, tão devagar que sentia o outro gemer e gemer, implorando para que fosse um pouco mais rápido.

"Kamui... Me... Solte..." Kamui nem percebeu que parecia um tanto quanto engraçado Fuuma ser quem pedia para que ele lhe soltasse. Normalmente era ele quem implorava para que Fuuma lhe soltasse ou para que não ferisse aos outros...

"Ah... Não..." Gemeu, apoiando-se no abdômen dele e continuando com o vai-e-vém, deixando-o cada vez mais e mais louco. Sentia seu ânus arder... Provavelmente não conseguiria sentar depois dessa... Mas nem se importava, contanto que sua vingança se completasse.

Fuuma gemeu. O que ele estava pretendendo fazer? Não sabia que era inútil tentar lhe dominar?

Mas mesmo assim, queria deixá-lo só um pouco no comando. Só um pouco... Queria ver o que ele era capaz de fazer consigo. Queria sentir-se dentro dele... Queria vê-lo mexer os quadris... Só para ele...

Deixando sua imaginação voar, Fuuma começou a gemer continuamente, fechando os olhos e sentindo a chuva, que agora ficara mais forte, cair por seu corpo inteiro, molhando-o, molhando a Kamui... Tentando esfriar o calor que se desprendia dos dois corpos. Parecia que um vulcão estava prestes a explodir dentro dele... Era tão poderoso que não sabia se conseguiria se controlar por muito tempo.

E ainda com Kamui finalmente entrando em seu joguinho de sedução... Suas fantasias iam às alturas, coisas que ele nunca sonhara em fazer continuavam aparecendo em sua mente como coisas normais... Pensando no que ele poderia fazer com aquele corpo belo e magro, em como poderia transformar aquelas poças de luz violeta em orbes contendo o mais puro desejo...

Alguns pingos grossos de chuva caíram em cima da testa de Fuuma. Percebendo então que estava quase no seu limite, ele abriu os olhos, usando um pouco de sua força para livrar-se da roupa que prendia suas mãos às costas, por sua vez pegando-a e imobilizando o outro, que ficara atônito e nem vira direito o que acontecera, tamanha velocidade com que o Chi no Ryuu atara suas mãos.

"Não, não, Kamui... Quem ganhou a aposta fui eu... Não você. Não tente me enganar..." Riu, virando-o sem sair de dentro dele e forçando-o contra a árvore, cuja casca do tronco já começava a esfolar-se, grudando nas costas de Kamui que, um tanto quanto contorcido, fazia uma adorável cara irritada. Seu plano fora por água abaixo... E mal sabia ele que fora literalmente.

Fuuma levantou suas pernas e, finalmente sentindo-se livre, começou a estocar o garoto sem piedade. Os gemidos de Kamui agora eram do mais puro prazer.

"Ahhh... Fuuma... Isso... É... Ah... Incrível..." Pensava repetidas vezes, engolindo golfadas de ar misturadas com a água da chuva, sentindo o corpo fervente e firme de Fuuma investir dentro de si, proporcionando-lhe sensações incríveis. Seus olhos estavam brilhantes e sua expressão prazerosa era extremamente bela. "AAAAHHHH...!"

"Kamui... Não faça essa carinha pra mim... Assim você me deixa louco..." Pensou Fuuma, que abaixava-se para puxar o garoto para um beijo quente e cheio de desejo. Sentindo que dessa vez ele lhe respondia, não pôde evitar em deixar o "velho" Fuuma "voltar" pensando, enquanto dava suas últimas estocadas antes sentir o sêmen de Kamui lambuzar sua roupa e de gozar dentro dele...

"Eu te amo..."

Kamui abriu os olhos alguns instantes depois, sentindo-se meio confuso e sentindo um peso enorme em cima de seu tronco. Seus olhos ainda estavam bastante desfocados, e suas pernas doíam terrivelmente... Haviam cortes mal coagulados por todo o seu corpo, inclusive em seu rosto. Sentia também uma respiração que ganhava mais uma vez seu compasso correto em seu pescoço, e a água da chuva que molhava ambos os corpos.

"Fuuma...?" Kamui chamou baixinho, sua voz rouca de tanto que gritara - e não se dera conta. O jovem demorou alguns minutos para responder, mas saiu de cima dele, encarando-o com seus brilhantes olhos de rubi. Kamui sentiu-se calou-se e engoliu em seco. Nunca recebera um olhar tão intenso assim... Era quase como se Fuuma o convidasse a afundar em seus olhos, ficar ali com ele para todos sempre...

"Kamui..." Ouviu-o mas não ouviu-o dizer... Estava muito concentrado em encará-lo. "Vista isso." Despertou do "encanto" assim que o casaco que o outro anteriormente usava foi jogado em cima de si. Olhou-o, confuso. Desde quando recebia um tratamento tão especial e carinhoso de Fuuma? "Parece que seu casaco não está em condições de ser usado." Disse cinicamente, rindo com um dos cantos da boca, fazendo Kamui corar.

Fuuma olhou-o intensamente, odiando ter que admitir que preferiria muito mais se ele decidisse ficar desse jeito. Aquela expressão perdida e o olhar vago em seus olhos o deixavam tentador. E falando em tentação, se não se controlasse era capaz de querer tomá-lo mais uma vez. Estava quase indo de encontro a ele quando Kamui levantou-se, lutando debilmente para vestir o casaco, trancando suas mãos nos curtos cintos de couro que o adornavam. Fuuma riu, dessa vez sem sadismo ou sarcasmo em sua voz, indo ajudar o garoto, que olhou ainda mais confuso.

"Será que Fuuma voltou?" Pensou, mas algo nele, uma vozinha interna lhe disse que talvez... Talvez aquele fosse o verdadeiro Fuuma. Talvez as pessoas realmente mudassem repentinamente... Talvez elas realmente acordassem em meio a uma situação chocante. Fechando os olhos e abaixando a cabeça, de modo que sua franja encobria seu rosto e impossibilitava que Fuuma o visse, Kamui sorriu. Um sorriso nostálgico, de final compreensão de algo que ele antes cegava-se para não ver.

"Bem... Fuuma... Eu... Vou embora." Ele disse, sentindo a surpresa que o outro demonstrava ao ouvir isso mesmo sem enxergar seu rosto. E, realmente, Fuuma não compreendia o porquê desse súbito comportamento de Kamui. Geralmente - e agora tudo se encaixava em sua mente - era ele quem ia sempre embora e o deixava agoniando em seu lugar, prostrado e sangrando. A menos que...

A menos que ele tivesse finalmente se dado conta de alguma coisa importante.

Algo que fosse capaz de mudá-lo um pouco.

"Kamui?" Não conseguia pensar em uma frase concreta que expusesse suas idéias de forma correta. Então apenas murmurou o nome do outro como uma pergunta, sobrancelhas arqueadas, punhos cerrados. O que significava isso?

"Subaru... Sorata, Arashi... E Yuzuriha... provavelmente vão ficar preocupados... Se eu não voltar agora." Olhou-o com olhos tão firmes e decididos, afrontando-o de tal forma que os pêlos atrás da nuca de Fuuma eriçaram-se. "Então..." Ele sorriu, uma mistura sedutora de inocência com um toque de sarcasmo. "Então... Estarei esperando o dia que você me propuser uma nova aposta..."

Kamui caminhou até ele, puxando o tecido grudado de sua camisa negra, forçando seu pescoço e cabeça a descerem em sua direção, e pressionando os lábios contra os dele, em um beijo incompleto e, mais ainda, selando um acordo.

Fuuma mais do que depressa agarrou seus cabelos e puxou-o mais contra si, forçando sua boca a abrir-se e ao garoto a lhe dar um beijo mais... Decente.

"Será um imenso prazer... Kamui." O nome soou como uma melodia proibida aos ouvidos de seu dono. Na hora não compreendera bem o trocadilho, mas logo depois que Fuuma largou-o e desapareceu por entre as cerejeiras, deixando-o sozinho na chuva, que agora não passava de uma fina garoa, em seguida processou a informação, suas bochechas queimaram e decidiu de uma vez por todas ir embora e meter-se debaixo das cobertas, pensando que não mais diria que não deveria ter saído de debaixo delas de manhã.

Caminhando pelo parque, foi olhando ao seu redor e percebendo que o lugar não mais lhe parecia tão sombrio quanto antes. Na verdade, uma beleza rústica envolvia aquele lugar... Gostaria ao menos de saber seu nome.

Encontrando a saída, ele rapidamente passou pelo portão, virando-se alguns metros adiante para dar uma última observada.

E seus olhos arregalaram-se.

O local inteiro simplesmente desaparecera.

Olhos abriram-se na penumbra do quarto. Kamui levantou-se rapidamente, ficando de pé no chão gelado para depois sentar na cama, apoiando os cotovelos no joelho.

Por Deus, tivera outro sonho estranho.

Não que estivesse reclamando do conteúdo do sonho - muito pelo contrário, mas apenas o achava... Estranho. Já faziam algumas semanas que não tinha um sonho assim - o último fora aquele que tivera quando saíra e encontrara-se com Fuuma no parque esquisito que desaparecera.

Suspirando, o garoto sacudiu a cabeleira negra, levantando-se para ir ao banheiro lavar o rosto suado.

Apoiou-se na pia de mármore, ligando a água e em seguida colocando sua cabeça debaixo da torneira aberta, molhando seus cabelos e refrescando seu rosto corado e suado. O alívio tomava conta de si, e suspiros cada vez mais freqüentes saíam de seus lábios. Enfim, decidindo que estava começando a congelar e era suficiente, Kamui desligou a torneira e, com uma toalha limpa, foi secando os cabelos enquanto voltava ao quarto.

Apenas para ouvir uma voz grave e sedutora assim que pisara no piso de madeira.

"E então, Kamui? Que tal fazermos uma aposta?"

.

.

Fim.


Não farei outras fics de X tão cedo... XP Elas dão muito trabalho! Aliás... Outras fics só daqui a um boooooooooom tempo. XD Ah, mais uma coisa... :3 Não creio que o verdadeiro desejo do Kamui seja que Fuuma o ame neeeeeesse sentido... Acho que é algo mais profundo, porque amar os dois já se amam desde o princípio, é algo mais que uma simples amizade como colocam alguns. A própria Ohkawa diz isso. ;)

PS: Nekkieeeeeeeeeeeeee... Calma, respire fundo e tente controlar as nosebleeds! XD Tó o lencinho... Espero que tenha gostado do presente!

Ryui-chan.

Review this Story
Share

Return to Top