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Author of 90 Stories |
Título: Longitude Devoção
Ficwriter: Kaline Bogard
Classificação: yaoi, angust, crossover com Glühen
Pares: AyaxYohji
Resumo: Quando é preciso enfrentar a dura realidade e se descobre que não existe meio termo.
Longitude Devoção
Kaline Bogard
EPÍLOGO
Sorrindo, o líder da Weiss estendeu a mão e cobriu a mão de Yohji com a sua. Estava quente, agradavelmente aquecida.
(Aya) Hoje nós recebemos mais um integrante para a equipe... o nome dele é Kyou.
O ruivo esperou que seu amante absolvesse a informação. Ambos estavam sentados em uma pequena mesa redonda, que fora colocada sobre um amplo e bem cuidado gramado. Havia várias outras mesinhas assim.
Era o jardim de uma casa de repouso.
(Aya) Yohji...?
O loiro voltou a atenção para Aya, mas se manteve em silêncio. Os cabelos permaneciam curtos, pois assim era mais fácil de cuidar, mas é claro que Aya os cortara da forma correta, não de qualquer jeito, como fizera Yohji escondido em seu quarto, há três meses atrás. A expressão sempre séria e contida já era marca registrada da eterna apatia que se apossara do ex-playboy.
Como o tempo passava rápido. Três meses desde que finalmente internara o Weiss mais velho... três meses desde que tivera aquela conversa com Schuldig, na calada de uma noite fria...
(Aya) Sabe do que mais, Yohji?
(Schul) O que queria, Weiss? Não sou Deus... não faço milagres.
(Aya) Sabe do que mais...?
Era começo de primavera. Uma manhã quente e iluminada de primavera...
(Yohji)...
(Aya) Ken e Omi mandam lembranças...
Os caçulas nunca abandonavam o companheiro. Quando não podiam visitá-lo pessoalmente, cobriam Aya de recomendações e lembretes. Hoje mesmo, queriam muito ir junto de Aya, mas precisaram ficar em casa, para recepcionar o tal Kyou, que seria um novo colega dos assassinos.
Ao ouvir o nome dos ex-companheiros, Yohji piscou e entreabriu os lábios, mas acabou desistindo de falar, fosse o que fosse. Apenas desviou as íris de jade, voltando a fitar a grama verde.
Aya recostou-se na cadeira, finalmente tirando a mão de cima da de Yohji.
(Aya) Eles estão preocupados.
O ruivo mudara muito. Assim como Yohji, fora indiretamente afetado pela DA. Sua face não aparentava mais a eterna expressão de frieza... ele cansara-se de usar aquela máscara inútil, que não o protegera de sofrer e se ferir.
Cansara-se de tentar ser algo que não era...
Apesar disso não podia simplesmente voltar a ser Ran. Seu coração recebera tantas marcas, tantos golpes... que era impossível se tornar aquele garoto despreocupado e alegre outra vez.
Ao invés disso, Aya e Ran pareciam ter se fundido, e criado aquela nova faceta da personalidade do líder da Weiss. Uma faceta onde o conformismo era a característica mais marcante.
Uma mudança e tanto, causada por Yohji. Unicamente pelo ex-playboy.
(Aya) Vai ficar tudo bem, Yohji... eu prometo que vai... sabe por que?
(Schul) Não faço milagres... no entanto... talvez tenha uma solução.
(Aya) Porque aquele alemão conseguiu fazer a DA estacionar...
Sim. Aya se recordava muito bem das palavras de Schuldig. Doença de Alzheimer não possuía cura. E nem mesmo os poderes de telepatia podiam livrar a mente de Yohji daquela ingrata maldição. Mas pelo menos poderiam impedir seu avanço. Fazê-la hibernar por tempo indeterminado.
(Schul) Mas tenha em mente uma coisa: o que foi perdido foi perdido. A personalidade do loiro está comprometida para sempre. Ele nunca mais será do jeito que costumava ser. Posso salvá-lo da morte, mas... a recuperação será lenta e ele precisará de muita ajuda para se reestruturar. O cérebro humano é forte. Acredito que em alguns meses ele poderá retornar as atividades como Weiss. Você quer mesmo que isso aconteça?
(Aya)...
(Schul) Fortalecer o corpo é uma coisa... quando o assunto é a mente... se complica um bocado. As chances de reconstruir uma personalidade como a de antes são quase nulas. Ele será Yohji, mas ao mesmo tempo não será. As lembranças que ainda não se degeneraram, permanecerão... mas o que foi esquecido, foi esquecido. Acho que você ainda não compreende o que eu quero dizer... pode ser muito doloroso olhar para a pessoa, e ter sempre na mente que nunca mais será como antes.
Aya piscou, fazendo as lagrimas desaparecem de seus olhos. O que Schuldig estava lhe propondo era muito precioso para que recusasse, apesar das recomendações.
(Aya) Faça.
O alemão deu de ombros diante de tanta firmeza.
(Schul suspirando) Claro... claro...
(Aya) O que quer em troca? Qual o seu preço?
Ao ouvir a pergunta Schul finalmente sorriu.
(Schul) Por enquanto não quero nada. Vai ser divertido ver você se desesperar diante do que o espera. Seu desejo é egoísta, e é uma faca de dois gumes. Só não esqueça de uma coisa...
O alemão virou as costas e começou a se afastar com as mãos no bolso e os cabelos alaranjados esvoaçando, embalados pelo vento frio.
(Schul) Vai ficar me devendo essa, Weiss. Vai me dever uma grande... e um dia, quando menos esperar, baterei a sua porta e cobrarei sua divida...
(Aya) Que seja.
Quando Schuldig viesse cobrar seu preço, Aya estaria pronto para pagá-lo, fosse qual fosse o sacrifício exigido.
(Aya) Confie em mim, Yohji.
Foi nesse momento que uma enfermeira se aproximou. Era um tanto baixa, tinha expressão gentil e maneiras afáveis.
(Enfermeira) É hora do senhor Kudou voltar para o quarto. Já teve exercício demais para um dia.
(Aya) Entendo. Até a próxima, Yohji...
O ruivo entendia e concordava. Era a primeira vez em duas semanas que Yohji saia do quarto. Há muito tempo não mostrava ânimo em sair no jardim. Fora um avanço e tanto. Justamente por isso Aya o colocara em uma casa de repouso, longe do doutor Shiroyama e de qualquer outro médico.
Uma casa onde a recuperação, aparentemente inexplicável, não levantaria suspeitas nem chamaria a atenção. Afinal de contas, o líder da Weiss não queria ninguém fazendo perguntas indiscretas. Muito menos queria o amante como objeto de estudos de uma junta médica.
Ficando em pé com a ajuda da enfermeira, Yohji lançou um último olhar na direção de Aya. Olhar que foi acompanhado pela sombra de um sorriso.
A sombra de um ex-playboy.
Sem se deixar abater por aqueles pensamentos, Aya apenas assistiu seu amante retornar para dentro da casa a passos lentos, mas não tão vacilantes. O loiro estava se recuperando. Se recuperando de verdade!
Podia não ser aquele cara despreocupado e brincalhão nunca mais, mas ainda assim era Yohji.
O espadachim tinha fé em sua recuperação. Acreditava que ele ficaria forte e um dia voltaria para a Weiss. Voltaria para Aya.
Tudo o que importava era que seu amante estava vivo.
Estava vivo...
Como dizem: enquanto há vida, há esperança.
E a esperança não se desfaz.
FIM
O verso inicial é de autoria dos Racionais Mc's, porém eu troquei uma palavra da última frase, apenas para adaptá-la ao contesto.
Todas as informações foram retiradas dos seguintes sites:
w w w . alzheimermed . com . br
w w w . drauziovarella . com . br
Eu ia encaixar lemon nessa história. Na verdade, lemon devia ser um complemento fundamental, mas acho que entrei no inferno astral yaoi, pois não consigo digitar um lemon descente, então desisti da idéia.
Gostaria de dedicar essa fic, de coração, à Pime-chan, que além de acompanhar a história, deixou review incriveis em cada capitulo. Muito obrigada, moça. Cada palavra sua me deixou feliz e emocionada. Nem sei como agradecer! Beijos!
Maio/2006