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Disclaimer: Saint Seiya e todos os seus personagens pertencem a Masami Kurumada. Este texto não possui qualquer caráter comercial
Capítulo 18 - Lundi
Segunda feira, 00:17, casa dos Kyrillos
- Conseguiu, MdM? – perguntou Kanon.
- Si. L' instruzzioni sono qui. E o Saga não tem mais como acessá-las. Io... Bom, acho que Saga desconfia que estamos monitorando todas as comunicações dele.
- Não tem problema, desde que ele não consiga sair do apartamento. – disse Aioria em voz baixa.
- Ele não consegue, Oria. O Deba é quem está cuidando disso.
- E o Saga...? Alguém já o drogou? – perguntou Kanon. O remorso era evidente em sua voz.
- Sim. Eu mesmo cuidei disso. Acho que o vi dormindo em frente à TV – disse Aioria.
- A Shina e o Flor? – perguntou Kanon baixinho.
- Também. – respondeu Aioria com o mesmo remorso ecoando na voz.
- O Shion, o Shura, o Shaka e o Mu estão lá embaixo só esperando pelo nosso aviso – disse MdM.
- Ótimo! Pode chamá-los. Vamos ver como o Julian quer pegar o Saga desta vez. – disse Kanon rapidamente.
Segunda-feira, 9:57, EstaçãoHaussmann Saint-Lazare
Kanon desceu do metrô na estação Haussmann Saint-Lazare. Há muito tempo que ele não andava de metrô... "Tomara que eu não me perca...", pensou. E, diligentemente, Kanon começou a procurar a saída Grands Galeries.
Segunda-feira, 9:57, local incerto
Kamus estava acordado há horas! E sentia uma imensa dor de cabeça. Não! Não adiantava mais insistir. Ele não iria mais conseguir ficar na cama. Três dias haviam se passado daquele pesadelo. Kamus mal vira Milo desde aquela horrível crise de flash-back. Kamus passava todos os dias trancados em seu quarto e só saía à noite para jantar com Julian Solo, já que este odiava jantar sozinho... Maldito fosse ele. Não fosse o fato de que Julian Solo sempre estava rodeado por seguranças, Kamus teria tentado matá-lo, sem sombra de dúvida. Na primeira noite, Julian Solo lhe estendera algumas fotos após o jantar e dissera que precisava de ajuda para escolhê-las. Kamus virou o rosto tão logo as viu. Eram várias fotos de Milo sendo espancado. Kamus tinha a mais absoluta certeza de que Saga as receberia no dia seguinte. E, do nada, Julian Solo lhe perguntara:
- Kamus, você e o Milo tiveram algo, não tiveram?
Kamus, é claro, negara qualquer envolvimento. Afinal, ele não era burro a ponto de deixar um flanco aberto para Julian Solo atacar. A partir daí, a conversa, ou melhor, monólogo se desenvolvera para o ódio que Julian Solo sentia por Saga. Como Saga afastava Kanon de si, como Saga se recusava a se entregar, como Saga era covarde por não se entregar, sobre o que mais Julian devia fazer a Milo para ajudar Saga a se entregar e como Saga devia sofrer. Após mais de uma hora, Kamus perguntara:
- E o que você fará comigo e com Milo quando Saga se entregar?
Kamus não gostou nem um pouco do sorriso que recebeu. E menos ainda da tentativa de Julian Solo de tocar-lhe o rosto. Ele começava a compreender porque Saga não se entregava, afinal. Julian Solo era irremediavelmente louco.
Na segunda noite, Julian Solo levara-o até o alojamento de Milo e pedira que Kamus desse a sua opinião. Milo não estava, é óbvio. Kamus fora informado de que ele estava em procedimento. "O que isso poderia significar?", desesperou-se Kamus. Ele fora introduzido num quarto abafado, pequeno, sem janelas ou móveis e muito, muito quente. Quando a porta se fechou, Kamus sentiu-se apreensivo, mas a seguir o minúsculo cubículo foi invadido por luzes e sons fortíssimos. Em dois minutos, Kamus estava com uma terrível dor de cabeça. Julian Solo permanecia sorrindo como que encantado ao seu lado. Sua intenção era óbvia. Privar Milo de sono ou descanso de qualquer tipo. Quando saíram de lá, Julian Solo pediu a Kamus sua opinião sobre qual seria a melhor forma de mostrar a Saga o quarto de Milo. Fotos? Um filme? Seria bom Milo aparecer? Os seguranças tiveram que segurar Kamus para impedi-lo de avançar sobre Julian Solo, que sorria feliz.
- Ah, Kamus. Eu sei que você e o Milo tiveram algo. Eu sei... – Kamus sentiu-se estremecer ao ouvi-lo.
Mas, sem dúvida, o pior dia fora o terceiro... Milo fora levado para a sala de jantar, meio que arrastado. Milo mal se mantinha em pé, estava amordaçado, algemado e era amparado por dois homens. Roupas rasgadas, sinais de agressão, barba por fazer, abatido, olhos injetados, imensas olheiras e sujo. Era óbvio que ele estava esgotado. Céus! Kamus tentara se aproximar, mas eles não o deixaram. Ele tentou falar com Milo, dizer-lhe que não ia abandoná-lo, que eles sairiam de lá. Mas Milo fora afastado às pressas. Julian Solo ouvira tudo e sorrira vitorioso.
Fora logo depois que Julian Solo fizera a proposta. Julian estava furioso com Saga, que ainda não dera sinais de vida. Verdade seja dita que Kamus começava a odiar Saga por manter-se em segurança enquanto Milo passava por aquilo. Covarde! Milionário egoísta. Afastara Milo de si e agora não se importava com ele. Se Milo não tivesse se envolvido com aquela família maldita, isso não estaria acontecendo. Obviamente Saga não devia gostar de Milo para abandoná-lo daquela forma. Milo estava tão mal... Isso era evidente. Maldito fosse Saga! Se Saga escapasse de Julian Solo, Kamus daria um jeito de matá-lo ele mesmo. Foi aí que Kamus ouviu novamente a voz de Julian Solo:
- Está nas suas mãos não deixar que o Milo se machuque ainda mais, Kamus. O que você me diz?
- Bien sûr. Je vais faire ça.
- Ótimo, Kamus. É bom saber que ao menos alguém se importa com o Milo... Eu tenho a impressão que ele não vai agüentar muito mais...
Segunda-feira, 10:01, Galerie Lafayette
Finalmente Kanon conseguira achar a saída certa. E agora ele entrara pela Galerie Lafayette pela Porte Etoile. Agora tudo o que ele tinha a fazer era encontrar o balcão de informações e fazer alguma pergunta estúpida até que recebesse novas instruções. Não demorou muito e Kanon sentiu alguém colocar algo em sua mão. Kanon afastou-se um tanto da multidão para ler as instruções. Tudo o que ele tinha a fazer era subir até o 5º. andar e localizar o banheiro na diagonal direita, dar três batidas longas e uma curta. O banheiro deveria estar com uma placa "Em Manutenção". Pela milésima vez Kanon pediu aos deuses para que tudo desse certo!
Segunda-feira,10:01, casa dos Kyrillos
Saga acordou suando frio, com a sensação de que dormira demais. Aliás, onde fora que ele dormira? Ah, na sala de TV... Estranho... Ele não se lembrava de nada... Absolutamente nada... Bom, ele se lembrava de ter visto Kanon, Aioria e MdM conversando no escritório a portas fechadas na noite anterior. Ele entrara e brigara com Kanon, como sempre fazia desde que tentara se entregar a Julian Solo. Kanon, é óbvio, o ignorara novamente. Ele parecia ter desenvolvido esta nova habilidade desde o seqüestro de Milo... Não importava o que Saga fizesse, Kanon sempre conseguia dar um jeito de não lhe responder... Saga não agüentava mais ser mantido naquele estado. Praticamente preso em sua própria casa. Sempre que ele via Kanon, este o evitava. Ele tinha a constante impressão de que Kanon, Aioria e MdM estavam planejando algo e mantendo-o deliberadamente afastado do que quer que fosse. Sim, Saga sabia que eles monitoravam todas as suas comunicações, com medo de que Julian Solo tentasse fazer com que Saga se entregasse novamente. Ele olhou para o relógio... 10:01 da manhã. Estranho! Era muito tarde. Aquele seria mais um longo dia em que ele ficaria trancado em casa sem ter notícias de Milo...
Saga sentia que não vivia mais. Que simplesmente arrastava o seu corpo sem vontade de um lado para o outro, sentindo por toda parte a falta de Milo, como se um pedaço seu estivesse faltando. Céus, até quando ele agüentaria aquilo?
Será que aquilo era amor? Nem mesmo quando Milo ficara no hospital, Saga se sentira daquele jeito. Naquele tempo, Saga sabia onde Milo estava. Ele falava com os médicos todos os dias. Ele o via... Enfim, ele sabia o que estava acontecendo. Mas agora... agora era infinitamente pior. E Saga achava que não tinha mais forças para agüentar aquilo!
Desde que voltara do hospital, ele era praticamente prisioneiro em sua própria casa, terminantemente proibido de sair de casa. MdM e Aldebaran só liberavam o uso de seu próprio computador depois que eles baixavam todos os e- mails e verificavam se havia algo de Julian Solo. Aldebaran era quem tinha seu celular e Saga só podia falar com quem ele liberava. O telefone de casa fora desativado. Todos os celulares desapareceram... Ah, depois que recebera as fotos que Julian Solo lhe mandara, sua correspondência era aberta antes de chegar às suas mãos. Ninguém podia falar com ele antes que MdM e Aldebaran conversassem com a pessoa que lhe ligara.
Já Kanon não lhe dava notícia alguma. E eles nem mesmo brigavam mais... Quando Saga começava a discutir com ele, Kanon o abraçava e saía de casa. Saga não podia ir atrás dele, já que os seguranças novos tinham ordens de usar de violência contra Saga se ele tentasse sair. E de fato usaram duas ou três vezes...
Por incrível que pudesse parecer, Kanon e Aioria estavam se dando muito bem. Todos os dias os dois se trancavam na biblioteca e ficavam horas conversando com MdM e Aldebaran. Saga não sabia do que se tratava. Saga tentara contratar uma empresa de detetives para ter notícias de Milo, mas Kanon descobrira e cancelara suas ordens.
Assim, Saga passava todos os dias entre o trabalho fiscalizado por MdM e Aldebaran e a companhia de Shina e Afrodite, que finalmente voltara do hospital. Todos faziam o possível para se ajudarem, já que a situação deles era muito parecida. Todos estavam preocupadíssimos. Todos estavam sob forte vigilância. E todos queriam Milo de volta. Em anos e anos de convivência, sem dúvida, era a primeira vez que os três se aproximavam daquela forma. Saga descobrira coisas dos dois que nunca se preocupara em saber antes...
Saga descobrira que Afrodite gostava de MdM. Era tão óbvio! Mas Saga confessava que nunca prestara atenção a isso antes. E agora ele notava que também MdM gostava de Afrodite. Ao final do dia, MdM sempre aparecia para jantar com eles e o amor entre os dois era evidente. Sim, no começo, Saga notara que MdM tinha vergonha. "Por quê?", pensou Saga. Qual o problema de seu melhor amigo gostar de seu primo mais doce? Eles faziam um belo casal, afinal. Claro que ultimamente Saga estava furioso com MdM, pela forma como era tratado, mas isso não afastava o fato de que MdM era, sim, o seu melhor amigo. E que Saga sabia que ele fazia aquilo tudo na melhor das boas intenções...
Já Shina lutava e muito para recuperar-se daquela noite. Ela tentava se animar, tentava vencer as lembranças. Mas de vez em quando ela acordava gritando e Saga e Afrodite iam vê-la e ficavam com ela até que ela voltasse a dormir. Kanon ficava de pé do lado de fora do quarto de Shina, sem se atrever a entrar...Saga perguntara por que Kanon agia assim, mas Kanon não lhe respondia... Ah, mas Saga tinha a certeza de que Shina era forte e que iria superar aquilo logo. Maldito Julian Solo! Saga se lembrava de quando Shina viera morar com eles. Shina tinha pesadelos horríveis. Às vezes ele e Kanon tinham que chacoalhá-la para que ela acordasse e se desse conta de que era somente um sonho. Fora tão difícil para ela! Tão difícil! Mas ela superara aquilo. Então, ela se ligara em Saga que nem lhe dera importância. Shina fora uma adolescente revoltada ao extremo e esse fato o cansara imensamente. Saga fizera tudo para se afastar dela, mas ela sempre o perseguia. Até que um dia Kanon se aproximou dela e tudo pareceu se resolver. E depois veio o seqüestro de Shina. Saga pensara que ela precisaria de repouso, de um tempo, de terapia, mas ela superara aquilo também. Shina invariavelmente vencia os obstáculos, por mais que demorasse... Shina sempre superara tudo. Ela iria superar aquilo também. Ah, mas ela tivera o apoio de Kanon naquele tempo. E agora ele parecia não se importar à mínima com Shina. Engraçado... Saga ainda se lembrava do quanto Kanon e Shina se davam bem. Por que isso agora?
Pensando nisso agora, Saga se dava conta de que naquele tempo Kanon só parecia feliz quando estava ao lado de Shina. Os dois brincavam, saíam, passeavam. E Saga sentira um alívio sem tamanho por Kanon afastar a menina dele. Mas teria sido só isso mesmo? Será que Kanon só o quisera ajudar? Depois do seqüestro de Shina, Kanon afastou-se dela como se ela tivesse uma doença contagiosa e Shina voltara a ser briguenta e encrenqueira. Quando os dois se envolveram com Milo, Shina sentira um ciúme avassalador de Milo. Mas depois passara, claro! Até mesmo Shina fora afetada pelo jeito de Milo. Mas Kanon nunca mais se aproximou de Shina. Nunca mais!
Mas agora, Shina precisava de novo daquela amizade. Sim, Saga falaria com Kanon. Depois pediria por notícias de Milo, apesar de saber que Kanon não lhe diria nada novamente... Céus! Saga sentia-se tão vazio sem Milo. Era como se alguém tivesse arrancado seu coração! Era como estar morto, muito embora o resto do corpo se recusasse a morrer... E aquela falta de notícias!
Saga sentiu uma estranha agitação. Ele tinha certeza de que estava acontecendo algo ruim... Muito ruim! Saga levantou-se de súbito, sentindo uma ligeira tontura. Drogado, é óbvio! Mas ele não se importou. Seu pensamento fixou-se em Kanon. Ele tinha que saber onde estava Kanon! E Milo! Será que algo tinha acontecido a Milo? Saga rezou a todos os deuses que conhecia para que eles protegessem Milo e que um dia Saga pudesse vê-lo bem novamente. Então ele chacoalhou levemente a cabeça antes de sair do quarto. Céus! Ele arrancaria notícias de alguém. Ele não agüentava mais aquilo.
Segunda-feira, 10:05, Galerie Lafayette
Kanon finalmente avistou o banheiro do 5º andar e bateu da forma combinada. A porta se abriu e ele foi puxado para dentro brutalmente. Um loiro de cabelo mau cortado disse de forma antipática:
- Você é Saga Kyrillos?
- Sim.
- O Sr. Solo estava te esperando.
- Eu sei. Vamos logo com isso. – disse Kanon arrogante.
O maldito o jogou de costas na parede violentamente e Kanon sentiu um revólver em sua cabeça antes de ouvir uma voz rancorosa:
- Sou eu quem dá as ordens aqui.
- Então dá rápido – disse Kanon sem se intimidar e levou um violento safanão.
- TIRA A ROUPA DE UMA VEZ.
- E eu vou sair daqui pelado? – perguntou Kanon em tom de gozação somente para receber uma forte coronhada na cabeça. Ele se sentiu meio zonzo.
- E coloca essas roupas aí
Um cara caladão com jeito nórdico olhava-o tirar a roupa. Raios! O mais difícil na história toda seria ficar sem o seu remédio de asma."Tomara que eu não tenha uma crise", pensou Kanon enquanto se despia. Quando ele acabou de tirar a roupa, o cara passou um detector de metais esquisito em seu corpo. Claro que o treco disparou quando deu com o relógio que Kanon usava.
- Dá o relógio – disse o homem com um pesado sotaque.
- NÃO! O relógio é de família e...
Mas o loiro surgiu do nada e deu-lhe um forte soco nos rins. O caladão arrancou o relógio do pulso de Kanon e passou-o novamente pelo estranho aparelho, cujo alarme disparou de imediato. Foi o que bastou para que o loiro torcesse o braço de Kanon dolorosamente. Depois, ele largou-o caído no chão, chutou-o uma ou duas vezes e pegou sua carteira retirando todo o dinheiro. Ah, por sorte MdM lhe dera os documentos de Saga... "Por sorte sou eu a passar por isso e não Saga", pensou Kanon suprimindo um gemido de dor. "E graças aos deuses a Shina está em segurança...".
Segunda-feira,10:06, local incerto
Milo acordou surpreso. Ele dormira, afinal. Céus! Ele estava cansado daquilo. Há três dias que aquele pesadelo não passava. O lado bom era que ele quase não vira Julian Solo também.
No primeiro dia eles o espancaram para tirar fotos e mandar para Saga. Mas sempre que ele pedia notícias de Kamus os caras riam da cara dele e não lhe diziam nada. Na verdade, a única notícia que ele sempre recebia era a de que Saga estava sendo devidamente informado sobre o que se passava consigo, mas aparentemente desistira de tentar salvá-lo... Sempre a mesma notícia. Claro que Milo não culpava Saga. Ele já tinha sofrido o suficiente com essa perseguição sem fim do lunático Julian Solo. Saga já o salvara uma vez! Talvez até mais de uma vez, já que Saga o colocara sob a proteção da família Kyrillos. Saga não tinha porque salvá-lo agora. Aliás, se a família tivesse o mínimo de bom senso, eles proibiriam Saga de tentar se aproximar. E à noite Milo fora jogado naquele maldito cubículo. Cacete! Nem dormir ele conseguira. A situação parecia realmente perdida.
No dia seguinte, Milo acordara mal. Uma forte dor de estômago que o impedia de ficar em pé. Uma náusea fortíssima. Ele ficara encolhido no chão quase que o dia inteiro. Nem água parava em seu estômago. Céus! Será que eles o envenenaram? Teria sido isso? E o pior era agüentar aquelas luzes e sons que nunca paravam. Quando alguém aparecia, Milo pedia notícias de Kamus. Ele ainda tinha esperanças que Kamus estivesse vivo. Mas eles só diziam que Milo não era ninguém e que Saga não viria. Que Saga recebera fotos, filmes e instruções, mas que não viera ajudá-lo. Milo sabia que eles tinham razão. Saga não viria... Claro que não! Seria bobagem esperar por Saga. Ele esperaria como esperara no hospital... e Saga não viera... Por que os caras o lembraram disso? Por quê? Claro que ele sabia que não era ninguém... Mal daquele jeito, vomitando, sem conseguir se levantar, sujo. Nem dormir ele conseguia. À noite Milo fora novamente jogado no cubículo. E ele não conseguiu comer nada nem dormiu novamente.
O dia seguinte fora uma mera repetição do anterior. Jogado no chão e passando mal. Sem notícias de Kamus. Céus! O que eles tinham feito com Kamus? Será que Julian Solo o matara? NÃO! Que não fosse isso! Por que eles faziam isso? O que é que eles queriam? Nem eles mesmos achavam que Saga viria. Não era isso que eles falavam sem parar? Por que não o matavam de uma vez? Era óbvio que Saga e os Kyrillos desistiram de ajudá-lo. Desistiram dele. Três dias haviam se passado. E tudo em que ele conseguia pensar era em ver Saga uma última vez. Claro que não iria acontecer... Saga era importante, ocupado e rico. Com certeza ele arranjaria outra pessoa. Era tão claro! Só Milo não quisera ver. Ele quisera acreditar que era importante para os Kyrillos. Mas a verdade era que seria impossível que eles o considerassem mais do que um passatempo, uma diversão. Isso, é claro, se eles não sentissem pena de si. Pena por ele ser tão inútil e por haver despertado aquele ódio insano em Julian Solo. Sim , era por isso que ninguém viria. Era por isso que ele iria morrer ali. Com aquela luz infernal. E aquele som horrível que nunca abaixava. Milo só lamentava que também Kamus vira quem ele era. Um inútil, fraco, assustado e patético. Ele achara – achara realmente – que pessoas como Saga e Kanon poderiam realmente ter gostado de alguém como ele. Ah, era melhor mesmo morrer e acabar logo com aquilo. Milo estava tão cansado. Tão... cansado. Não conseguia mais se lembrar porque um dia achara que Saga podia gostar dele...Naquele estado, nem ele mesmo gostava de si... Tão... cansado...
E à noite, ele fora arrastado de lá. Mas Milo foi amordaçado, algemado e levado para os andares superiores. Foi com surpresa que ele ouviu a voz de Kamus. KAMUS. Ele estava vivo! Milo sentiu alívio! Era o melhor sentimento que passara por sua cabeça desde que aquilo começara. Kamus estava vivo e parecia bem. Graças aos deuses! Milo já fizera Kamus sofrer muito na vida. Se ele pudesse voltar no tempo... Se ele pudesse mudar o que fizera... Talvez nada disso tivesse acontecido... Mas talvez ele não tivesse conhecido Saga...
Milo não se lembrava direito como voltara ao seu cubículo. Ele só se lembrava do barulho infernal. Mas agora ele tinha certeza de que tinha dormido um pouco... E mais, que ele ouvira alguém mexer na porta...
Segunda-feira, 10:07, Galerie Lafayette
Kanon se vestira com dificuldade, uma vez que seu braço não o obedecia direito e ele estava um tanto zonzo. Mas o revólver em sua cabeça era um incentivo e tanto... Logo que ele acabou, o caladão lhe deu três comprimidos e meio copo de água, mandando-o tomar rápido. Kanon perguntou o que era aquilo, mas o loiro imbecil se aproximou e lhe deu outro soco, mandando que ele tomasse de uma vez. "Raios!Será que eles o vão me envenenar antes de encontrar Milo?", pensou Kanon, preocupado.
Mas com o revólver na cabeça, Kanon tinha poucas opções e tomou os comprimidos. Então o caladão lhe disse que ele teria exatos sete minutos para descer os cinco andares, achar a Porte Lafayette, sair da loja, virar à direita, descer um lance estreito de escadas, entrar na garagem e aguardar. Se Kanon não fizesse isso no prazo, ele possivelmente desmaiaria e nunca mais veria Milo.
Kanon saiu rapidamente do banheiro em busca da escada rolante. Ah, ele se sentia tonto demais!
Segunda-feira, 10:08, Galerie Lafayette
Shaka viu Kanon sair do banheiro meio tonto. O que será que acontecera? Ele não parecia ferido, mas caminhava em direção às escadas rolantes meio desequilibrado... como se estivesse bêbado ou drogado... Hum... mas isso não deveria afetar a sua parte. Shaka andou logo atrás de Kanon até a escada rolante e, casualmente, colocou um pin no bolso deste. No fim da escada, Shaka seguiu seu caminho em direção contrária, passando propositadamente em frente a Kanon.
Kanon enterrou a mão no bolso, pegou o pin e o engoliu. "Com sorte aquele nano GPS iria funcionar e eles achariam Kamus", pensou Shaka, preocupado.. "E tomara que Mu não se meta em confusão".
Segunda-feira, 10:13, Galerie Lafayette
Após esperar por alguns minutos, Mu viu dois caras com jeito de estrangeiros saírem do banheiro e retirarem a placa "EM MANUTENÇÃO". Eles se portavam como se nada de estranho houvesse acontecido e se preparavam para seguir Kanon. Mu viu o exato momento em que um deles fingiu ter esquecido um pacote sobre um balcão. Mu esperou o momento certo e – fingindo que falava ao telefone – tirou uma foto dos dois. A seguir ele começou a andar para o outro lado enquanto enviava a foto para o número combinado.
Os dois seguiam Kanon à distância. Mu foi tranqüilamente ao balcão e pegou o pacote que devia conter as roupas de Kanon e o tal relógio onde eles instalaram um GPS. Com certeza eles haviam esperado por algo assim e Kanon cumprira com as expectativas. Idéia de Shion, é claro!
Bom, agora Mu só torcia para que o nano GPS funcionasse e eles conseguissem localizar Milo e Kamus. Só depois disso é que ele se sentiria plenamente em paz para aproveitar o relacionamento com Shaka.
Segunda-feira,10:15, lateral de L´Opera
Junto com Aioria, MdM monitorava Kanon em seu computador portátil. MdM esperava que o nano GPS funcionasse e que os capangas de Julian Solo não o descobrissem. MdM também esperava que Kanon não tivesse nenhuma crise de asma, já que não havia como ele levar o remédio. MdM também esperava que eles não descobrissem que eles tinham Kanon e não Saga, caso contrário ele não tinha a mínima idéia do que podia acontecer! Céus! MdM tinha a impressão de que aquele era um plano cheio de falhas e que as chances de que as coisas dessem erradas eram imensas. Mas quando Shion fizera o plano, tudo parecera se encaixar perfeitamente...
Mas agora as coisas não pareciam ir tão bem assim. Kanon saía da loja. De onde estava, MdM conseguia vê-lo. Kanon parecia bêbado e segurava um de seus braços com cuidado. O que teria acontecido? Céus! Teria sido tão mais fácil prender os capangas de Julian Solo na loja e depois torturá-los até que eles contassem onde estava Milo... Mas Kanon não aceitara o plano de MdM. Ele dissera que se eles fizessem isso, as chances de Julian Solo matar Milo seriam imensas. MdM tivera que concordar com ele, é óbvio. Aliás, ele tinha que admitir que desde o início dessa crise Kanon parecia outra pessoa. Centrado, confiável, calmo, ajuizado e totalmente focado em trazer Milo de volta são e salvo. Mas, ainda assim, MdM se sentia um canalha pelo que estava fazendo a Saga. Prendendo-o em casa, invadindo a sua privacidade, drogando-o. Mas era para o bem dele, tentou se convencer MdM ao ver Kanon descer um estreito lance de escadas totalmente desequilibrado. A impressão que dava era que ele tropeçaria e cairia a qualquer instante.
No mapa da loja, MdM verificou que aquele lance de escadas conduzia para uma garagem subterrânea. E essa garagem tinha três saídas. Em que carro eles colocariam Kanon? E qual saída eles utilizariam? Ah, agora chegara o momento de confiar no nano GPS. Tomara que tudo desse certo...
E graças aos deuses que sua Flor continuava a salvo em casa. Mas, resolutamente, MdM afastou a imagem de Afrodite da sua cabeça. Agora ele tinha que se focar no plano.
Segunda-feira, 10:16, Galerie Lafayette
Com alívio Kanon empurrou a pesada porta com o braço bom e se viu em uma grande e escura garagem. Graças aos deuses! Fosse o que fosse que eles lhe deram, aquilo fazia com que a luz o incomodasse demais. Kanon tivera a certeza de que empurrara várias pessoas e que tropeçara por várias vezes. Mas ele estava quase certo de que conseguira chegar àquele lugar dentro dos 7 minutos que eles lhe deram. E ele conseguira engolir o nano GPS que Shaka lhe entregara. Tomara que funcionasse e que eles não o revistassem mais com aquela máquina esquisita... "Tomara que tudo funcione conforme o planejado", pensou em desespero.
Sim... porque afinal Kanon estava tão tonto que sentia que podia cair no chão a qualquer momento. Ele não era capaz de fazer mais nada daquele jeito. Tudo girava ao seu redor. O ambiente à sua volta parecia envolto em brumas... Meio desorientado, Kanon apoiou-se com as costas em uma coluna. O que ele faria agora? E Kanon se sentiu escorregar para o chão, sem conseguir mais se sustentar em pé. NÃO.. .! Ele não podia desmaiar! Ele tinha que achar Milo! Ele tinha que salvá-lo! Ele tinha que se manter consciente... O que aqueles idiotas o fizeram tomar? O que? E a última coisa que ouviu foi um irritante barulho de pneus muito próximo a onde ele estava.
Segunda-feira, 10:19, uma delegacia
Na delegacia, Shura apresentava a foto dos dois capangas de Julian Solo e tentava descobrir quem eles eram e qual teria sido seu último paradeiro. Tomara que eles fossem fichados pela polícia... Facilitaria tudo. Raios! Por que é que esses sistemas demoravam tanto?
Segunda-feira, 10:21, ruas de Paris
Aioria dirigia o carro com velocidade na direção indicada por MdM. Se ele ao menos lhe dissesse com maior antecedência para onde ele devia ir... mas até agora, naquele trânsito infernal, eles não haviam descoberto qual era o carro que eles seguiam... E talvez fosse melhor assim... Claro que era! Se eles desconfiassem que eram seguidos, possivelmente Kanon correria perigo.
Pena que Aldebaran não pudera ajudá-los! Mas ele ficara responsável por manter Saga, Shina e Afrodite em segurança. E Marin também é claro! Aioria dera um jeito de fazer com que ela fosse para a sua casa no domingo à noite e agora ela também estava confinada lá. Por sorte Aioria não estaria por perto quando ela acordasse. Céus! Seria difícil segurar a ira da ruiva. Ah, seria sim. Mas só assim Aioria teria a tranqüilidade necessária para seguir com o plano de Shion.
E tão logo eles descobrissem para onde Kanon fora levado, eles avisariam Shura e Shion que colocariam a polícia no caso. Assim, quem corria o maior risco era Kanon. Quem iria pensar que, um dia, Kanon seria capaz de ajudar alguém? Mas, pensando bem, quem acreditaria que Saga poderia sofrer tanto com o seqüestro de Milo? Talvez Aioria tenha errado durante a vida toda. Talvez seus primos não fossem tão egoístas como ele sempre julgara. Talvez... bom, talvez... eles também tivessem sofrido com o naufrágio... A tal ponto de não conseguir demonstrar que se importavam com alguém... "Enfim", pensou Aioria desconfortável, "talvez seus primos não fossem tão desprezíveis, afinal". E talvez se eles tivessem se ajudado mais durante a vida nada disso teria acontecido. Mas ainda havia tempo. Claro que sim!
Ah, sim, e quando o encontrasse, Aioria daria um murro nas fuças daquele Julian Solo imbecil. E o faria pagar por tudo o que eles passaram! Isso era mais do que certo. E aqueles pensamentos confortaram Aioria.
Segunda-feira, 10:30, escritório
Shion recebeu os reportes de Shura, Mu e Shaka. Céus! Ele só esperava que Kanon Kyrillos não sofresse nenhum mal e que o plano desse certo. E que Milo e Kamus voltassem em segurança. Naquela situação eles não podiam confiar inteiramente na polícia sem fazer nada... Mas ele tinha um problema mais premente no momento... Explicar a Dohko, que o aguardava numa das salas de reuniões, por que tantos membros do staff estavam ausentes naquela manhã de segunda-feira. Afinal, ele ainda tinha um escritório para conduzir.
Segunda-feira, 10:35, local incerto
Julian Solo sorrira feliz ao receber a mensagem em seu telefone. Saga finalmente se entregara. Saga finalmente sumiria do planeta. E Milo também. Ninguém mais lhe roubaria o amor de Kanon. Ninguém. Em breve Kanon seria seu como sempre deveria ter sido.
Ah, ele ainda não sabia exatamente o que fazer com Kanon quando o tivesse. Prendê-lo? Torturá-lo? Matá-lo? Amá-lo? Ah, fosse o que fosse seria... maravilhoso. A existência de Kanon deveria estar ligada à sua. Somente a sua vontade deveria determinar o que aconteceria a Kanon... Kanon devia servi-lo. Kanon devia ser seu. E agora depois de tanto tempo, finalmente Kanon seria seu... Tudo o que ele sempre desejara quase ao alcance de suas mãos... Kanon.
Olá! É... Eu sei que demorei... Desculpem! Eu sei que até deu a impressão de que eu tinha desistido desta fic... E – acreditem – eu realmente queria. Sim, eu sei que esta fic tem falhas imensas, mas creditem isso ao fato de que esta é apenas a minha segunda fic... Mas eu recebi tantos comentários, incentivos e gentilezas que me forcei a escrever. Mesmo assim, demorei mais de três meses... Desculpem...
Gostaria de agradecer a todas as pessoas que deixaram reviews, comentaram, me incentivaram e me cobraram a continuação. Obrigada Boromira, Dionisiah, Allkieds (hoje Domino Havey), Sirrah, Annie, Lukinha, Frozine, Athenas de Áries, Pure Petit Cat, Marin de Águia, Lyta Moonshadow, Virgo no Áries, Chibiusa-chan, Pri-chan, Cristal Samejima, Nuriko-riki, Leo no Nina, Condessa Oluha, Saga de Pijama, Cating Misao-chan, Kimi Tsukishiro, Ignea e Nathalie-chan. Sem o carinho e incentivo de vocês eu com certeza teria desistido desta fic. Obrigada!
Agradeço – especialmente – a Cristal Samejima que além de me ajudar com a betagem, sempre me incentiva. Obrigada, querida!
BOA PÁSCOA!
Beijos da
Virgo-chan
Mar/08