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Nota do autor: Um poema escrito por mim para a minha priminha recém nascida, cujo nome, acreditem ou não, é mesmo Morgana.
Morgana, a Fada
Maldição cem vezes bendita
Porquanto te abençoaram com o seu nome
Bênção mil vezes maldita
Pequenina, destinada estás a soberanos voos
Quebro assim com o meu clamor
O veneno encerrado nesse nome
Qual víbora cerrada em caixa de prata
E dou-te esta melopeia de bênçãos
Como dádiva fraternal
A minha bênção te dou,
Para que os teus olhos
Se tornem negros abismos
Para os quais os homens se atirem livremente
A minha bênção te concedo,
Para que a tua pele
Em doce porcelana se transforme
E assim se conserve para além do findar dos tempos
A minha bênção te confio,
Para que os teus lábios inocentes
Murmurem assentimentos
Em resposta aos infinitos amores
Que murmurados serão aos teus ouvidos.
A minha bênção te consinto,
Para que os teus cabelos negros
Se alonguem como a noite
E sejam como ela povoados de estrelas
A minha bênção te murmuro,
Para que o teu corpo diminuto e delicado
Cresça e ganhe porte de rainha
Pois tu, princesinha, foste feita para governar
Te abençoo então,
Para que diante de ti se curvem demónios, santos e homens,
Assim como os anjos dos coros celestiais,
E os bárbaros de terras distantes, bestas com sangue de gigante
Para que te adorem, te respeitem e te temam
Assim como adoraram, respeitaram e temeram outra de igual nome
Te abençoo sobretudo,
Para que espalhes o bem e a bondade,
Para que dos teus olhos desçam pérolas e da tua boca diamantes
Para que dances enfeitiçando a Natureza
Pois esta, orgulhosa,
Não reconheceu o teu poder em devido tempo
Estas são todas as bênçãos que te posso deixar,
Asseguro-te que elas são tudo o que me resta
Por isso tas dou com maior vontade
A ti, Morgana, a Fada,
Rainha das Trevas e da luz da Aurora,
A ti, Morgana, a Fada…