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Yo Minna! Vocês também odeiam o vestibular? Eu sim! Essa maldita prova usada para separar os idiotas dos imbecis está virando minha vida de ponta cabeça! Milk sente sua moto se afastando por estar sem tempo de trabalhar Não! Volte Honda!
Cof Cof... Então... sem tempo para escrever, está difícil postar fics que estou fazendo agora como Entre Asas e Olhos, o povo deve estar querendo me matar x.x Mas ainda assim, para tentar me redimir estou caçando antigas fics já terminadas. A maioria delas é de Sailor Moon e Inu Yasha, por falar em Sailor Moon é duro como um vício volta. Depois de reler minhas milhões de Fics de Haruka e Michiru salvei mais de 100 imagens no PC, desenhei em todas as apostilas, Harukizei e Michirizei meu computador enfim... estou insuportável...
Algumas anedotas antes da fic para que tenham uma idéia da situação :
1. Hotel em São Paulo, Milk, Zumi, e Jounx tentando dormir depois de conversarem. Milk não consegue, tenta se conter, se revira na cama, finalmente libera um grito de liberdade!
“WORLD SHAKING!”
2. Sala de aula, algum santo intervalo, Milk está babando completamente popotizada pela visão à sua frente.
“O que foi Milk?” – Jounx
A pobre criatura viciada vira a cabeça lentamente e diz em estado de êxtase:
“Urânio e Netúnio estão lado a lado na Tabela Periódica! O amor não é lindo?”
3. Novamente na Sala de Aula, Professora comentando sobre Plutão não ser mais um planeta.
“O que aqueles cientistas sabem afinal? Se resolverem rebaixar Urano ou Netuno também, alguém vai sair muito machucado!”
“o.õ” – professora
Espero que tenham se divertido com minha falta de sanidade! Agora falemos sobre a história desta fic... Os primeiros capítulos não são lá aquelas coisas mas eu prometo a vocês muitas surpresas mais para frente e muitas gargalhadas também.
Espero que se divirtam e sintam vontade de comentar! Quero saber a opinião de vocês!
OBS: As pessoas que comentaram em Shiokaze ni Nosete depois que esta acabou serão citadas no próximo capítulo.
Vamos à fic :
Era um dia quente, muito quente, estupidamente quente. E o fato de estarmos rodeados por motores fumegantes de carros de corrida não refrescava de maneira nenhuma. Amaldiçoei o uniforme da equipe, ele não contribuía em nada, abri o zíper até a metade para que ao menos algum ar circulasse. Não funcionou. Encostei-me no carro, logo iria para o ponto de partida, isso me excitava, estava ansiosa para ganhar aquela corrida disputando em minha própria cidade. Hotaru segurava o meu capacete, ela fez questão de vir conosco para me ver vencer (me impressiono com minha humildade), Michiru voltou com o refrigerante dela e a pequena bebeu como se sua vida dependesse daquilo. E naquele calor era bem possível que estivesse certa. Michi encostou-se em eu ombro e eu a enlacei pela cintura. Um de meus companheiros de Equipe, Hirota Shingo, um grande cara (literalmente falando) me ofereceu uma garrafa com água. Hirota-kun era um cara engraçado, eu gostava dele. Era alto, estupidamente alto. Deveria ter quase dois metros. Eu me considerava uma pessoa alta até conhecê-lo, depois disso desisti de alguma carreira no basquete. Seus cabelos eram curtos e penteados, seus olhos pequenos e castanhos. Era um homem encorpado se querem saber, aqueles que designamos como “armários”, no caso Hirota-kun tinha cinco portas.
-Olá Hotaru-chan, veio torcer por Tenou-kun hoje?
Hotaru adorava ele. Shingo era o tipo de cara que imitava macacos para fazer bebês sorrirem. Me disse uma vez que já quebrou uma perna fazendo isso. Desde então evita tentar se pendurar em lustres (faz mal pra saúde).
-Sim Shingo-san! Haruka-papa disse que vai ganhar por mim desta vez!
Ganho tanto que poderia dedicar uma vitória a cada cidadão da China (Modéstia a parte).
-Ele disse é? Kaiou-san deve ter ficado enciumada.
-Verdade Michiru-mama? – Hotaru olhou com os olhos suplicantes de quem tem medo de fazer algo de errado. Eu ri da situação.
-Não coloque minhocas na cabeça de Hotaru-chan, Hirota-kun!
-É claro que não tenho ciúmes, e depois que sua Haruka-papa ganhar o que acha de irmos comemorar tomando um sorvete?
A garota juntou as mãos alegremente.
-Sim!
O primeiro sinal para os pilotos se prepararem foi dado. Me desencostei do carro virando-me para meu mecânico favorito.
-Já está tudo pronto?
-Sim, mas se quer um conselho Tenou-kun, tome cuidado com aquele cara ali...
Apontou para o outro lado da pista aonde um cara de cabelos castanhos arrumava o uniforme. Tinha um penteado espetado engraçado e um sorriso amigável. Parecia um rapazinho, do tipo que cai tentando colocar as botas.
-O que tem ele?
-É estrangeiro, Luke Merrow ou algo do tipo. É inglês, o melhor corredor de lá. Diz que veio para cá só para te vencer.
-Se ganhasse uma moeda por cada um que dissesse isto...
Suspirei.
-Eu sei, mas não se engane pela aparência dele. Ouvi alguns caras das outras equipes dizerem que ele joga sujo.
-Isso aqui é lá Speed Racer?
Só o que me faltava, será que aparecerá alguém com uma máscara de corredor “X” agora? Acho que meu amigo tem visto muitos desenhos animados. Piloto do mal... Aposto que ele rouba a caixinha da Igreja.
-Estou só avisando... você não tem um Mach 5...
-Mas tenho um macaco no porta-malas. Pode ficar tranqüilo, ninguém corre melhor que eu.
-Desde que corra por sobre a pista... – Michiru alfinetou. Sorri tentando manter as coisas sossegadas. Não seria nenhum moleque de meio metro de altura que iria me tirar da pista.
-Não se preocupe Sereia, não vou deixar ninguém além de você me tirar o controle. – Ela corou um pouco subindo o zíper de meu macacão.
-Não estou brincando Haruka, pode ser perigoso, então tome cuidado.
-Você me conhece Michiru.
-É exatamente este o ponto. Você odeia tanto perder que pode fazer uma loucura.
-Michiru-mama tem razão. Não faça nada perigoso.
-Ok, eu vou me lembrar disso, se vocês pararem de fazer essas caras. Eu não vou morrer aqui.
-Promete?
-Michiru!
Ela riu. Estava zombando de minha cara de novo. Pegou o capacete das mãos de Hotaru e me entregou. Hirota-kun acabava de dar uma última revisão no motor e nas rodas. Ele estava realmente preocupado com o carro.
-Vou me encontrar com Usagi-chan e as meninas na arquibancada, tem certeza de que vai chegar inteiro ao fim?
-Não sei... – Trouxe-a para perto a beijando demoradamente no rosto – Por que não me dá um motivo para isso? – Ouvi-a suspirar enquanto sussurrava em seu ouvido. Beijei-a novamente na face, quando fiz menção de capturar seus lábios ela me parou com a mão em meu rosto.
-Não... – olhou-me com carinho. Perdi-me no mar de seus olhos por alguns segundos. – Continuamos quando você ganhar.
Deu-me cruelmente (e deixe-me ressaltar a crueldade) as costas e pegou Hotaru pela mão.
-Vamos Hotaru-chan?
A garota concordou e só naquele momento eu recobrei completamente a consciência. Agora sim havia uma flama dentro de mim que me obrigava a chegar primeiro e viva ao fim da corrida. Nenhum corredor “X” ou sociedade secreta me pararia. O beijo da sereia é mais importante para mim que o Santo Graal, e se Indiana Jones chegou lá, eu com certeza chego, com ou sem musiquinha tema idiota.
-Vejo vocês mais tarde!
Abanei a mão enquanto colocava o capacete.
-Boa sorte Haruka-papa!
-Estarei te esperando Haruka. – me lançou um olhar no mínimo sedutor (no máximo depravado) que não contribuiu em nada para minha temperatura naquele dia estupidamente quente. Se houver algum acidente com minha pessoa, podem ter certeza de que a culpa não de foi minha incompetência como piloto, mas de minha incompetência emocional, chegamos à conclusão de que Michiru (com seus olhares pecaminosos) é a principal culpada por minha falta de concentração.
OoOoOoOoOoOoOoOoOo
As garotas esperavam por nós sentadas na arquibancada. Usagi, como sempre, já enchera os bolsos dos vendedores de guloseimas. De onde ela tira tanto dinheiro é um mistério. Como consegue falar com dois cachorros-quentes na boca é um mistério maior ainda. Mas eu jamais desejaria que nossa princesa fosse diferente. A corrida já havia começado, não fazia idéia do número de voltas, mas desde a primeira Haruka havia disparado em primeiro lugar, com aquele tal de Luke em sua cola. Cheguei a conclusão de que não gosto daquele cara, apesar dele não me ter parecido muito ofensivo, estou com um sexto sentido gritante de que aquilo iria mudar.
-É Haruka-san mesmo que está dirigindo naquela velocidade? – Usagi perguntou com certo espanto. Eu também estava preocupada.
-Nunca a havia visto antes? – Makoto perguntou.
-Sim, mas tenho a impressão de que hoje ela está ainda mais rápida.
-Você tem razão. Haruka não quer ser ultrapassada por ele...
-QUEM?
Eu e minha grande boca.
-Luke Merrow... o piloto que está em segundo.
-Mas a vantagem que ela tem sobre ele é absurda... – Rei concluiu. E eu realmente concordo com a opinião dela. Haruka estava quase uma volta a frente de todos os outros naquela corrida. Então PARA QUE ACELERAR COMO LOUCA? ACASO QUER ME VER MORTA DE PREOCUPAÇÃO? (Não deixei que meus reais pensamentos se fizessem claros em minha fisionomia)
-As vezes não sei se Haruka é orgulhosa demais ou apenas burra... – ponderei suspirando. Foi o fim de meu disfarce. Todas perceberam que eu estava realmente nervosa e obviamente tentaram me animar.
-N-Não se preocupe Michiru-san... – Makoto começou sem saber ao certo o que dizer – Ela sabe o que está fazendo.
-É claro! Haruka-san não é a piloto número um do Japão à toa. Não vai ser um estrangeiro com nome de protagonista do Star Wars que vai desconcentrá-la. – Minako disse confiante. Por um momento eu rezei para que ela estivesse certa. Nunca fui muito religiosa, isto mostra o quanto eu estava com a “pulga atrás da orelha”.
OoOoOoOoOoOoOoOo
Nunca corri tão rápido, estava quase uma volta na frente e por incrível que pareça não senti dificuldade alguma em pilotar naquela velocidade, pelo contrário, me sentia extremamente à vontade. Talvez Hirota-kun estivesse exagerando afinal.
Estranho, mas alguma coisa me dizia que não. O tal de “Luke” estava longe demais para tentar alguma coisa, mas ainda assim eu não conseguia deixar de me preocupar. Foi aí que minhas suspeitas se confirmaram. Ouvi um estalo. Em outra situação não daria importância, mas logo depois descobri que um dos pneus estourara. “Simplesmente ótimo!” pensei enquanto perdia o controle do carro. Maravilha! O maior corredor do Japão vencido por um pneu furado! NÃO MESMO! Com toda a agilidade que consegui lutei contra o volante para manter o carro sob controle. E logo na última volta! Já havia passado pelo Pit Stop o que me deixava perigosamente sem opções.
Ouvi o locutor dizer algo do tipo:
-O Carro de Tenou parece passar por problemas, ele está perdendo o controle do veículo!
Brilhante dedução seu pessimista careca cretino. Não vou jogar a toalha agora que estou tão perto da chegada. Perdi considerável velocidade enquanto meio que ziguezagueava tentando manter o controle e não sair da pista. Podia sentir o desespero de Michiru e das meninas. Foi quando o calor fez sua parte e uma estranha fumaça começou a sair do motor. SIMPLESMENTE PERFEITO! Aquele Inglês tirano realmente armou pra cima de mim. Então... há apenas alguns metros da chegada, com o “Skywalker” perigosamente perto, fiz o que todo o piloto experiente, racional, e inteligente faria. ACELEREI ATÉ DIZER CHEGA! O cheiro de borracha queimada foi delicioso. Aposto que aquele gringo safado ficou boquiaberto com minha imprudência. Bem meu amigo, saiba que eu não pretendo morrer aqui. Talvez morra depois vitima da fúria de minha sereia, mas Tenou Haruka ganhará esta corrida e o beijo de sua namorada. Não pude evitar gritar:
-Nem que transforme o carro num fósforo gigante!
Subitamente o carro pegou fogo (eu e minha grande boca...). Faltava pouco para a linha de chegada, aquele inglês porco bateu na minha traseira e isso só serviu para inflar minha raiva, acabei aproveitando o impulso (que teve a intenção de me tirar da pista) para cruzar a linha parecendo um churrasquinho de segunda. Quando o carro finalmente parou eu abri a porta e me atirei para fora, segundos depois uma explosão violenta se ouviu e pedaços de metal flamejante voaram para todos os lados. Eu ganhei? EU GANHEI! EU REALMENTE GANHEI! E ESTOU VIVA! Machuquei um pouco o pulso, MAS NÃO PERDI A MÃO! BANZAI! Meus companheiros de equipe correram para me ajudar. Minhas pernas demoraram um pouco para se firmarem. Vi Hirota-kun correr em minha direção, obviamente para me felicitar e... me deu um soco no estômago!
-SEU GRANDE IDIOTA!
Nossa obrigada, eu estou lisonjeado por seu apoio e felicidade ao me ver sair vitoriosa.
-O QUE PENSA QUE ESTÁ FAZENDO? – Gritei mostrando minha gratidão.
-O QUE VOCÊ PENSA QUE ESTÁ FAZENDO? PODIA TER MORRIDO! – brilhante dedução, mas eu tinha certeza de que não iria morrer... ok, nem TANTA certeza assim, mas eu não morri!
-EU GANHEI, NÃO GANHEI?
Ele me pegou pelos ombros.
-E ACHA QUE MICHIRU-SAN VAI FICAR FELIZ POR ISSO? VOCÊ PROMETEU PRA ELA TENOU-KUN! NÃO IRIA FAZER NENHUMA LOUCURA! – O que? Você acha que é loucura acelerar com o pneu furado? Ou correr com o carro em chamas? Ou atirar-se num destino incerto afundando o pé no pedal tendo à sua frente somente fogo e fumaça como no inferno? Pois EU ACHO que não há nada mais normal que isto! Ok... ele tem razão... Fui obrigada a desviar o olhar.
-Me... desculpe... – Ele suspirou e eu percebi a besteira que havia feito. Eu podia realmente ter morrido, como encararia Michiru se morresse? Não encararia, esta é a questão. Meu Deus, ela deve estar furiosa, deve ter morrido do coração, Haruka sua idiota, você é um fracasso como ser humano, não presta pra nada!
-Tudo bem, ao menos está vivo... e vai poder dar seu troféu à Hotaru-chan.
-Sabe, eu acho que aprendi algo com isto tudo...
-Pneus furados, alta velocidade e calor não é uma boa combinação?
-Não... Ingleses são perigosos...
-É quase a mesma coisa... Vamos.
Ele me arrastou até o podium e eu fui “coroado” com graças. Nunca recebi tantos aplausos na vida. O tal de “Luke” estava em segundo lugar e eu me senti extremamente feliz em estar “acima” dele. Deram-me o champanhe para abrir e eu realmente cogitei a idéia de quebrar a garrafa na cabeça daquele inglês tirano, mas me contive. Mais tarde acertaríamos as coisas... Depois da enxurrada de repórteres consegui um pouco de paz na sala de espera dos pilotos. Foi quando a porta se abriu e Michiru e as meninas entraram com caras de choro... eu odeio ver mulheres chorando, eu prefiro ver propaganda eleitoral a ver mulheres chorando.
-Haruka... – Ela quase sussurrou e eu não tive coragem de olhá-la nos olhos. Parabéns Haruka, você é uma retardada, estúpida, medíocre e covarde. Mas ela tocou em meu rosto e me beijou nos lábios, eu podia sentir o gosto salgado das lágrimas o que me fez sentir pior ainda. Ela aprofundou ainda mais o beijo me deixando completamente entorpecida e sem fôlego. Quando nos separamos ela me deu um tapa! Um Tapa MUITO forte! Tudo bem eu mereci. Olhava para baixo com o rosto ardendo. Meu Deus que força absurda! Você deveria ser uma pintora delicada!
-SUA IDIOTA! – já me disseram isso, não me faça sentir pior ainda, eu sei que sou um verme, e ouvir isso de você me deixa abaixo do solo. – VOCÊ ME PROMETEU HARUKA! PODERIA TER MORRIDO! TEM IDÉIA DE COMO ME SENTIRIA SE ACONTECESSE? TEM IDÉIA DE COMO ME SENTI?
Ela chorava. Chorava mesmo! Eu nunca a vi chorar daquela maneira! Morremos duas vezes e ela nunca chorou assim! Eu sou um verme mesmo! Eu sou uma bactéria! E eu odeio vê-la chorar! Mas que merda!
-Michiru...
Encostei nossas testas, ela ainda tentava secar as lágrimas com as mãos, eu a abracei tentando fazê-la se sentir melhor e tentando me fazer sentir melhor.
-Me desculpe... eu fui orgulhoso demais, me perdoe... – Hotaru e as meninas também pareciam com uma vontade enorme de me chamar de idiota então eu lhes dei permissão.
-SUA IDIOTA! – Usagi não conseguiu dizer nada mais por causa das lágrimas. Idiota? De novo idiota? Que povo sem criatividade! Por que não estúpida, mentecapta, retardada, cretina ou coisa assim? Já fui chamada por todos de idiota!
-COMO PÔDE FAZER AQUILO? – Minako parecia realmente brava.
-QUE DROGA DE RESPEITO VOCÊ TEM POR MICHIRU-SAN? – Rei estava se contendo para não grudar em meu pescoço.
-ACHAMOS QUE VOCÊ FOSSE MORRER! – Até Ami desabafou. Devo ter sido realmente estúpida.
-SUA IMPRESTÁVEL! – Makoto não pode evitar mostrar sua decepção, mas ao menos foi a mais criativa.
-HARUKA-PAPA IDIOTA! EU PODIA ESPERAR ATÉ A PRÓXIMA CORRIDA! –Droga Haruka, você é mesmo uma idiota (elevada à vigésima potência), você não presta. E Michiru continuava a chorar em meu ombro.
-Me desculpem meninas, eu fiquei cego pelo orgulho, me perdoem... – Abaixei a cabeça, realmente eu mereço ser derretida em cal! – Me perdoe Michiru...
Elas enxugaram o rosto e sorriram. Sorriram? Eu não mereço estes sorrisos, deveriam tacar bigornas em minha cabeça.
-Ao menos estamos aliviadas que esteja viva. – Usagi disse carinhosamente, é impressionante a capacidade dela de ter lapsos de maturidade. As vezes ela me lembra uma mãe, o que é sobrenatural para uma garota que come o dobro de seu peso por dia.
-Vamos te perdoar desta vez. – Minako fez sinal de paz e amor, e eu me senti melhor.
-Mas da próxima, se você não morrer, te mataremos. – Jupiter é sempre direta em suas palavras.
-Ao menos você ganhou, irá pagar nossos sorvetes! – Um preço baixo mesmo assim salgado. Mas acho que Rei esta somente salvando seu bolso afinal.
-Sorvete! – É impressionante como as crianças esquecem todo o resto frente à “sorvete”. Se bem que Hotaru já tinha 12 anos. Michiru limpou o rosto me beijando na face.
-Desta vez eu te perdôo Haruka, mas não se atreva a testar minha tolerância de novo. – Sorri acariciando-lhe os cabelos.
-Obrigado...
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Haruka havia ido se trocar no banheiro da sorveteria. Por motivos de “preservação de imagem” ela não usa o vestiário masculino do autódromo. Não é difícil arranjar uma desculpa para isso, tem pilotos que usam a mesma meia desde que começaram a correr, qual o problema de achar mau agouro se trocar na frente de homens? Se bem que no caso de Uranus, isso traria bem mais que mau agouro...
A dimensão absurda do sorvete de Usagi me deixou sem palavras. Mal podia ver os dois odangos por trás da cobertura de chantilly! Enquanto isso nós tomávamos nossos modestos sundaes que agora me pareciam insignificantes. Eu bem que gostaria de ter apetite para comer tudo aquilo e ainda continuar magra. Talvez toda a comida vá para algum outro lugar, o cabelo talvez... Ele me parece cada dia mais comprido.
Haruka voltou minutos depois mexendo o pulso de um lado para o outro. Eu sabia que não havia saído ilesa daquele acidente. Se sentou ao meu lado e eu encostei em seu ombro suspirando, quase lamentando o modo como ela consegue, sem esforço, adormecer todos os neurônios de seu cérebro exatamente no momento em que precisa deles.
-O que tem no pulso Haruka-san? – Impressionei-me que Usagi tenha conseguido dizer algo claro com duas colheres de sorvete dentro da boca.
-Acho que fiz força demais para virar o volante...
Vênus encostou-se no estofado da cadeira com os braços cruzados.
-Mas é estranho que alguém como Haruka-san tenha sofrido um acidente destes...
-É claro que não foi um acidente Minako-chan... – Rei respondeu fazendo bolinhas no suco. Todas imitaram o gesto num momento de total concentração e meditação enquanto as bolhas de ar subiam.
-Colocaram uma bombinha na parte interna do pneu...
O susto fez as meninas soprarem mais forte fazendo boa parte do suco voar na cara delas (juro que segurei a risada), ainda assim encontraram fôlego para gritar com o rosto ensopado.
-O QUE?
-Foi o que Hirota-kun disse... Ele revirou o carro mais de cinco vezes, nada que estivesse do lado de fora da roda iria passar despercebido... Mas não se preocupem, ele disse que vai tomar maiores precauções, e eu ganhei afinal.
Como se isto justificasse alguma coisa! De que adianta ganhar e chegar sem cabeça? Haruka idiota. Mas devíamos comemorar afinal. Brindamos e conversamos muito até que eu percebi um olhar sobre nós. Olhei para o lado encontrando com dois olhos castanhos avermelhados que encaravam não à mim, mas à Haruka. O que me deixou ainda mais intrigada. Aproveitei para analisá-la de cima a baixo. Cabelos longos, negros num penteado engraçado que a deixava com um “mono-cacho”, parecia uma mola. Calculei mais ou menos a minha idade, uns vinte anos. Usava uma blusa preta com uma calça jeans. Não era feia, tinha um rosto delicado, mas um olhar intimidador (ou ao menos tentava intimidar) de quem não é lá muito agradável. Tentei ignorar, afinal não eram poucas as mulheres que olhavam para Uranus, desde que ela não fosse cantá-las como normalmente fazia eu não preciso me preocupar. Apesar do jeito Casanova dela, eu sei que nunca me trairia. Mas aquela garota não parava de olhar! Argh, isso está começando a me dar nos nervos! Quem ela pensa que é secando MINHA Haruka desse jeito? Só eu posso passar mais de cinco minutos olhando com segundas intenções para ela! Não me importa que essa mulher pertença, à CIA, ao FBI, ao KKK, DNA, HIV, ou o diabo a quatro, não tem permissão para tal ousadia!
-O que foi Michiru-san? Está quieta... – Makoto tentou ser gentil e todas as atenções se viraram para a minha pessoa (lembrar-me-ei de agradecer à ela por isso mais tarde...). Recobrei a consciência do que acontecia ao meu redor e sorri tentando parecer natural. Não funcionou...
-Só estou distraída...
Ela deve ter uma arma! Eu sei que tem uma arma! Deve ser uma terrorista! E se sua intenção era fazer terror psicológico em mim, CONSEGUIU! Calma Michiru... você não é tão ciumenta assim, repita isso 20 vezes mentalmente e torça para que a psicologia funcione. A quem quero enganar? A verdade é que sei disfarçar como ninguém, devo ser mais paranóica que Haruka! Sem exageros Neptune! Você deve estar abalada pelo perigo eminente. Haruka tem ciúmes até do Tio que vem entregar as cartas (mais conhecido como: carteiro), deu até um apelido carinhoso para ele : “Aquela Múmia no Cio”.
-Quer ir para casa? – Haruka perguntou me fazendo despertar novamente. Quer saber? Talvez eu queira... lá não tem nenhuma agente da MIB disfarçada te comendo com os olhos. Não que os olhos me preocupem, eles só me incomodam (MUITO), mas eu nunca admitiria tão facilmente que estou com ciúmes de alguém que nem sequer se aproximou de nós. Se bem que se houvesse se aproximado não demoraria muito a tropeçar misteriosamente e cair de nariz no chão. Claro que não faria algo assim, não correria o risco de Uranus resolver socorre-la.
-Não, eu estou bem, só estava... – Pense Neptune! – Observando a arquitetura! – Genial, talvez façamos uma ótima dupla de idiotas...
-Você percebeu? Acabaram de reformar... – Rei parecia surpresa com minha “sensibilidade”, mal acreditei na sorte que dei! Deveria apostar em alguma loteria hoje...
Por incrível que pareça a tarde passou agradável. Decidi me esforçar para não dar importância à “caçadora de recompensas” e quando percebi, ela já havia ido embora, o que me aliviou muito. Espero que tenha sido abduzida e nunca mais volte! (Risada maligna mental) Já era quase noite quando nos despedimos das meninas e fomos para casa (a corrida havia acabado por volta das quatro horas de modo, digamos, explosivo). Hotaru estava cansada, pegou um dos livros que estava lendo (algo sobre Freud ou coisa assim, isso prova que nossa Saturn não é uma garota normal, onde estão os gibis quando se precisam deles?) e se recolheu em seu quarto. Eu ia para a sala de música tocar violino, mas Haruka aparentava ter outras idéias quando me encurralou contra a parede me olhando com aqueles olhos famintos de tigre que eram sua maior arma. Talvez só eu conhecesse os efeitos deles, eram o verdadeiro “poder” de Uranus, um olhar repleto de luxúria e perversão que te despia lentamente, eu juro ter tido o reflexo de cobrir meu corpo perante ele (apesar de estar devidamente vestida). Ok Neptune, revide! Você já fez isso antes! Também tem seus truques! Use-os! Vai sua incompetente! Como se eu não soubesse que era inútil. Ela me pegou completamente desprevenida. Quando começou a se aproximar e a tocar meu rosto eu comecei a pedir para que o livro de Hotaru fosse interessantíssimo de forma que ela ficasse entretida nele o suficiente para não dar importância a meros ruídos do dia-a-dia. Pois enquanto ela se concentra na psicanálise, eu e Haruka estudaremos Kinsey, em uma aula prática.
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Como viemos parar no quarto é uma ótima questão! Passei a maior parte do trajeto de olhos fechados, parcialmente consciente com os lábios de Michiru sobre os meus em uma luta desenfreada. Talvez já tenha feito o caminho tantas vezes que tenha se tornado automático... Caímos na cama ainda nos beijando, separei-me só para olhá-la mais firmemente nos olhos ainda duvidando que realmente os Deuses tenham mandado a própria Afrodite para me amar e receber meu amor. E esta não é mais uma metáfora estúpida que eu invento para atrair a atenção das mulheres (apesar de parecer). Tudo o que falo a respeito de Michiru é verdade, eu jamais mentiria para ela. Senti seus braços rodearem meu pescoço, acariciarem minha nuca e trazer-me para perto. Obviamente não ofereci resistência alguma, para que resistir afinal? É a vontade dos deuses! Somos somente pobres mortais guiados pelo desejo divino... que de santo não tem nada...
Só então lembrei-me de verificar se a porta estava fechada. Estava. Não me lembro de tê-la fechado. Michiru diz que não consigo me concentrar em trancar a porta quando estou mais interessada no fecho de seu sutiã, por isso ela costuma cuidar deste detalhe. Faz bem fechá-la quando se mora com uma pré-adolescente e a Guardiã da Porta do Tempo que vem a cada seis meses e sabe TUDO sobre TUDO, além de ser extremamente indiscreta em nos culpar por suas noites mal dormidas (ok, eu confesso sermos culpadas...). Literalmente vivemos sob constante pressão, não que eu me importe com o peso do corpo dela sobre o meu, ou o de suas mãos contra minha pele, existem pressões capazes de relaxar com absurda eficiência, vocês não imaginam o quanto. Nem Freud deve ter sequer cogitado o bem que estas “pressões” fazem para o corpo e a mente, chegamos à conclusão de que Freud era sexualmente frustrado (ok, ignorem esta conclusão). Já era alta madrugada quando, mesmo exausta (você pode imaginar o porquê...), explorava uma última vez os segredos de minha sereia (metáforas a parte).
-Michiru... – Era incrível como aquele nome soava bem no escuro, entre os suspiros e gemidos lascivos da dona dele. A fonética era fantástica. Assim como a visão dela apertando os lençóis em êxtase junto a uma longa exclamação de prazer antes de relaxar todo o corpo cansado com a respiração acelerada demais para falar. Deitei-me ao seu lado cobrindo-nos com o lençol antes de adormecer embalando-a em meus braços.
Na manhã seguinte eu já me arrumava para ir ao treino. Michiru havia acabado de sair do banho e estava se vestindo, mas é engraçado como eu me sinto envergonhada nesta situação, fiquei o tempo todo de costas tentando contrariar as leis da física colocando tudo o que eu precisava dentro da mala, talvez a grande quantidade de sangue em meu rosto esteja prejudicando minha noção espacial, pois eu tenho certeza de que não estou levando nada além do que levo todos os dias! Será que a bolsa encolheu?
-Haruka, que mal lhe pergunte o que faz com a bolsa de Hotaru?
Olhei melhor e me deparei com a malinha que Hotaru levava na escola quando estava no primário. GENIAL URANUS! Como não percebeu que estava tentando colocar um capacete em uma lancheira infantil? Você é muito esperta mesmo! Ok, eu confesso ter desviado o olhar para trás muitas vezes, talvez este seja o motivo por não perceber a diferença. Michiru atrapalha meu raciocínio de maneira absurda, seria interessante ouvir a opinião de Freud sobre isso.
-Er... Estava... verificando sua resistência! – Eu me impressiono com as absurdidades que digo. Mas aparentemente Michi já se acostumou (nada mais justo, ela é a principal culpada afinal), parece até que se diverte me confundindo. Não que eu não faça o mesmo com ela, mas eu posso!
Então o telefone tocou. É incrível como esse som quebra totalmente o ambiente! Dói os ouvidos! Fiquei extremamente tentada a jogar o capacete contra o aparelho, mas isto não seria muito inteligente. Hotaru apareceu na porta do quarto já pronta para ir à escola.
-Haruka-papa, é para você.
-Quem é? – Perguntei com evidente desinteresse. Qualquer um que ligasse a esta hora não merecia minha simpatia.
-O técnico da equipe. Disse que é urgente.
-Oyama-san? Ele nunca liga em casa... – Michiru me olhou com evidente curiosidade, praticamente me perguntando se eu sabia de alguma coisa. Dei de ombros mostrando que não. Duvido que ele esteja me ligando para me oferecer uma assinatura de revista...
-O que pode ser tão catastrófico? Coloque no Viva-voz para mim Hotaru-chan.
A preguiça de ficar com aquela joça na orelha é extrema, me recuso a dar as costas para a modernidade do viva-voz.
-Certo...
Ela atravessou o quarto discando o ramal e saiu logo depois para tomar café. Neptune terminava de colocar a blusa quando comecei a falar (não conseguiria falar direito antes disso...).
-Oyama-san?
-Tenou-kun! Graças a Deus ainda está em casa!
Ele parecia realmente preocupado. Será que estou sendo procurada pela polícia? Ou ele descobriu que fui eu quem quebrei o modelo em miniatura do Titanic e não um pelicano? Não... impossível... Ele nem deve saber o que é um pelicano.
-Já estou indo para aí...
-NÃO! Não venha! Como seu técnico e amigo tenho de te avisar antes que o pior aconteça!
Meu Deus o que pode ser tão importante assim? Ele está me dispensando do treino! Isso é muito surreal para minha cabeça! O que vem depois? Vai me direcionar para aulas de dança? Me obrigar a fazer Yoga? Soltaram uma arma química no autódromo? FOI O BRITÂNICO! EU SEI QUE FOI! Não importa que a Al Qaeda assuma a culpa, eles estão mentindo! FOI O BRITÂNICO!
-Antes de qualquer coisa, Kaiou-san está aí?
Olhei para Michiru. A não ser que seja uma ilusão por demais real, ou uma irmã gêmea do mal, sim, Michiru está aqui.
-Sim.
-Então se livre dela homem!
Fiquei pasma.
-O QUE?
Michiru presenciou algum crime seu, meu caro diretor? O que anda fazendo? Espera que eu faça o trabalho sujo por você? Eu não vou matá-la se é o que está sugerindo e se o senhor tentar se deparará com um triste, mórbido, angustiante e doloroso futuro (que usa saias).
-Ela não pode sequer imaginar o que tenho para te dizer!
Neptune me olhou desconfiada. Obviamente ele não sabia que estava no viva-voz. Retribuí o olhar com um de plena confusão, não fazia idéia do que estava acontecendo.
-Calma Oyama-san, qualquer coisa que tenha a dizer pode dizer, não tenho nada a esconder de Michiru...
-Tem certeza? Pois acho melhor varrer sua memória Tenou-kun. Nunca... explorou novos horizontes?
Levantei as sobrancelhas. Que tipo de pessoa ele acha que eu sou? O que ele quer dizer com isso? Odeio o jeito malicioso com o qual ele disse essa frase. Ok, é oficial, estou irritada.
-O que quer dizer?
-Tem certeza de que quer que eu diga com Kaiou-san em casa?
Que tipo de perversão masculina descarada ele quer dizer afinal? Por que Neptune não pode ouvir? É tão repugnante assim? Eu não tenho nada a ver com sua vida sexual meu amigo, mas se quiser algumas dicas está pedindo da maneira errada e Michiru não parecia nada feliz com o rumo que a conversa tomava. Tentei ficar calma, mas era difícil sentindo um tridente em meu pescoço, ela deve achar que fiz algo de errado, mas eu não fiz!
-Fale logo!
-Uma moça acabou de vir aqui te procurar...
Ele diz como se isto acontecesse raramente, já usaram tochas, toras, tratores, helicópteros, tudo para invadir o treino me “procurando”. O que há de novidade nisso? Ela é alienígena?
-E daí?
-Ela tinha uma criança...
Deve ser uma anã disfarçada, um truque velho.
-E?
-E ela disse que o filho era seu!
-O QUE!... (obs. A quantidade de pontos de exclamação e interrogação é igual ao número de algarismos depois da vírgula do número “pi”)
Fiquei em estado de choque : Ela só pode ser uma alienígena! Michiru saltou sobre o aparelho desligando o viva voz para depois me pegar pelo colarinho prensando contra a parede. Espero que Hotaru não tenha ouvido minha cabeça quebrar a moldura do quadro e o quadro (se bem que deve ter fugido depois daquele “o que”).
-COMO VOCÊ OUSA HARUKA?
Aquela voz me atingiu como o sussurro da morte, eu sequer consegui me mover! A força dela era absurda! Isso é uma namorada enraivecida? Eu não mereço isso! Eu sou um anjo! (Cof Cof!)
-M-Michi...
-DEPOIS DE TUDO O QUE DISSE E FEZ, COMO SE ATREVE A TER UM FILHO COM OUTRA MULHER?
Ela estava com tanta raiva que algumas lágrimas escapavam de seus olhos e eu estava com tanto medo que nenhuma palavra saia de minha boca. Obviamente a súbita notícia tirou a razão dela! Isso é uma calúnia! É simplesmente impossível que o filho seja meu!
-VOCÊ NÃO PRESTA MESMO! EU ACHAVA QUE VOCÊ CANTAVA AS OUTRAS MULHERES POR PURO ORGULHO, COMO PUDE ESTAR TÃO ERRADA! UM FILHO? O QUE HOTARU VAI PENSAR? EU NUNCA ESPEREI INFIDELIDADE DE VOCÊ HARUKA! VOCÊ NÃO SENTE MAIS NADA POR MIM, É ISSO?
-Michiru...
Eu juro que estava tentando falar. Ela não tinha noção do que estava dizendo! Ela está esquecendo dos cromossomos! Do Yin Yang! Adão e Eva! Lança e Cálice! Cristo Redentor e Estátua da Liberdade!
-CALE A BOCA! COMO PÔDE DIVIDIR A CAMA COMIGO DEPOIS DO QUE FEZ? VOCÊ VAI TER QUE ARCAR COM AS CONSEQUÊNCIAS AGORA!
Ela vai me matar! Eu sinto que ela vai me matar! Eu estou com medo! Estou com medo de morrer! Meu Deus, ela está furiosa! Estou praticamente borrando as calças de pavor! Olhei rapidamente para os lados para me certificar de que as facas estavam na cozinha, mas infelizmente o abajur era MUITO pesado.
-QUANTAS VEZES ME TOCOU PENSANDO EM OUTRA HARUKA? QUANTAS VEZES? – Bateu novamente minha cabeça na parede... vamos ter de remendar algumas partes. – DEUS QUE ÓDIO! UM FILHO! DÚVIDO QUE O FEZ NA PRIMEIRA VEZ! DESDE QUANDO VEM ME ENGANANDO? EU TE AMO TANTO! NÃO É O SUFICIENTE PRA VOCÊ?
Neptune está fora de si! Eu não sou o pai! Ou a mãe... o que quer que seja!
-MICHIRU!
Peguei-a pelos ombros forçando-a a me olhar. Ela continuava pronta para me chutar! Talvez assim descobrisse que não há o que chutar o que não significa que não vai doer.
-NÃO ME VENHA COM DESCULPAS!
-Use a cabeça sereia! Será que você não está se esquecendo de um pequeno detalhe? Algo ínfimo, quase sem importância, mas que provaria que o filho não é meu?
-Um... detalhe...
-Sim, o “x” da questão... algo como uma herança genética...
Os olhos azuis se arregalaram, e eu tive a esperança de que ela houvesse recobrado a razão.
-Você é estéril?
Tombei de decepção.
-MICHIRU! EU SOU MULHER!
Ela levantou as sobrancelhas.
-O que isto tem a ver?
Meu Deus, realmente o excesso de fúria deve ter nocauteado alguns neurônios dela. Decidi suspirar esperando que eles se recuperassem (espero que não demore muito pois o abajur está perigosamente perto...).
-Mas... isso quer dizer que o filho não pode ser seu... É impossível!
Pim Pom! Resposta correta!
OoOoOoOoOoOo
Comecei a rir descontroladamente. Não só por minha incompetência em processar o óbvio, mas por haver alguém tentando armar contra Haruka sem saber “com quem” está lidando! Deus que ironia! Dei as costas tentando conter as risadas.
-Desculpe Haruka, eu fiquei um pouco perturbada.
-Um pouco? Achei que fosse me matar!
-Não exagere... pensei em te castrar, mas é claro que descobriria ser impossível.
Ela suspirou designada encostando-se na parede. Sentei-me na cama de frente para ela que parecia um tanto perturbada. Um “filho” deve ser responsabilidade demais mesmo... Ah! Eu não consigo deixar de achar a situação engraçada!
-Mas essa acusação pode trazer sérios problemas, logo o Japão inteiro achará que sou infiel, um cafajeste.
-E eu serei a pobre vitima que permanece ao seu lado por amor.
Quer saber? Talvez não seja tão mal assim. Posso ser santificada pelo papa. Já me chamou tantas vezes para virar freira (o que seria impossível). Até ele acha que Haruka é um “demônio fornicador”. A fama de “sedutor conquistador de mulheres” vai longe... ao menos até o Vaticano vai.
-Você sempre se dá bem, não é?
-Mas é sua culpa ter deixado todos pensarem que é homem.
-Eu nunca disse que era homem! Também nunca desmenti, mas...
-Sei que se sente melhor assim, mas eu amo você pelo que você é, não porque se parece com um homem. Me apaixonei por você porque é a Haruka, seja homem ou mulher, é a minha Haruka.
Ela ficou vermelha como eu previ. Era divertido ver o lado tímido dela, um dos lados que só eu conheço. Duvido que a “mãe da criança” tenha visto qualquer um deles. Será que estou com ciúmes? Talvez esteja. Não gosto que ninguém tente roubar Haruka de mim e a intenção dessa descarada deve ser exatamente esta. Que a ira de Neptune caia sobre ela! E há de cair!
-E-Está tentando me deixar envergonhada?
É claro que sim.
-É claro que não meu amor, estou apenas sendo sincera.
Ela suspirou de novo. Estava sendo um dia difícil.
-De qualquer maneira não posso revelar agora que sou mulher. Isso acabaria com minha carreira no automobilismo sem contar a quantidade de garotas que se suicidariam... –maldito egocentrismo... – Mais que isso, você e Hotaru ficariam em uma situação constrangedora...
-Cale a Boca Haruka... – Eu não consigo acreditar no que ela está dizendo. Já disse a ela tantas vezes que não me importo que isso desta vez me limitei a um “Cale a Boca”. Ela sorriu.
-Ainda assim prefiro esperar que Hotaru cresça um pouco mais.
-E como pretende provar que não é o “pai”? – Ela começou a tirar a jaqueta da equipe como se o assunto já estivesse encerrado.
-Não sei... DNA talvez...
Aquela conclusão foi como um tapa em meu raciocínio lógico. Não que eu tenha alguma moral para falar de raciocínio lógico depois de ter causado maremotos e quebrado o quadro com a cabeça de Uranus por ELA ter tido um filho com OUTRA, mas por que não fica pelada na frente do juiz de uma vez?
-Er... amor... eu acho que esta não é uma boa idéia...
Haruka se virou com dúvida no rosto. Como ela ainda não entendeu aonde eu quero chegar? Acho melhor que ela tire o cérebro do “Hiatus”.
-Por que?
-Digamos que os médicos se depararão com uma... “incógnita X”... duas na verdade.
Finalmente uma descarga elétrica fez a cabeça de Haruka voltar a funcionar normalmente. Ela bateu a palma da mão na testa se punindo por sua ignorância.
-Meu Deus, é verdade! E se subornarmos os médicos? – Mas que mente maligna! Confesso que também pensei na possibilidade...
-Nenhum dinheiro do mundo compraria a chance de delatar o piloto número um do Japão...
-Você acha que sou tão odiado assim?
-Pelos homens? Acho...
Deus sabe o quanto odeio admitir, mas não há uma colegial no Japão que não tenha uma foto, um pôster ou um modelo em tamanho natural de Haruka (Já devem ter feito até bonecos infláveis com partes que vibram, pouco realistas é claro, mas...). E todos os namorados destas meninas se debatem de raiva. Não é difícil que um deles seja médico. E mesmo que consigamos alguém que mantenha segredo, é claro que verificarão se não há nada de errado (como estranhas quantias na conta bancária do doutor). E é muito pouco provável que o tribunal nos deixe escolher o hospital...
-É melhor não se arriscar Ruka.
-Fiquei sem idéias...
-Você nem viu a criança ainda! Pode ser negra...
-Ninguém seria tão incompetente assim em forjar alguma coisa. Com certeza devem ter pintado os cabelos dela de loiro.
-Isso eliminaria boa parte do país...
Ela terminou de se trocar e pegou as chaves do carro.
-Talvez não aconteça nada afinal. Quem sabe ela já tenha desistido da idéia? Tirei o dia de folga, vamos tomar um café depois de deixar Hotaru na escola. Lá com certeza encontraremos as outras sailors e tenho certeza de que nada mais de estranho acontecerá.
Meu sexto sentido espancava minha alma dizendo que aquilo era só o começo, mas decidi ignora-lo e tentar me iludir. Olhei para o AquaMirror sobre a escrivaninha. Quem sabe não fosse a hora certa de usá-lo? Ver a cara da cretina que está tentando prejudicar Haruka. Só uma olhadinha, nada muito significante e... Não Michiru, não! Controle-se!
Continua...
Cenas do próximo capítulo :
Mas que mulherzinha medíocre. Ia responder, mas Michiru se colocou a minha frente e decidi deixar que elas se entendessem, ao menos as chances de sair viva eram maiores.
-Se você está tão certa assim de que dormiu com ele, então não se importaria em me dar certos detalhes, não?