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: B s . A A A    : full 3/4 1/2   : E E   : Light Dark Anime/Manga » Saint Seiya » Coisas da Vida I Shiryu e Shunrei

Chiisana Hana
Author of 29 Stories

Rated: T - Portuguese - Romance/Drama - Reviews: 10 - Published: 12-10-06 - Complete - id:3283291

Os personagens de Saint Seiya pertencem ao tio Kurumada e é ele quem enche os bolsinhos. Todos os outros personagens são meus, eu não ganho nenhum centavo com eles, mas morro de ciúmes.

COISAS DA VIDA I - SHIRYU E SHUNREI

Chiisana Hana

Rozan.

Quatro e meia da manhã.

Horário habitual para Shiryu acordar, comer apressadamente e sair. Primeira tarefa de todos os dias: duas horas trabalhando na lavoura! O Mestre dizia que ele precisava estar apto a fazer outra coisa caso não conseguisse a armadura. “O trabalho dignifica o homem, alguém disse isso, Shiryu. E é verdade.” Depois do trabalho, meditação, yoga, kung-fu, musculação. Exercícios e mais exercícios, tudo sob a supervisão do Mestre. Mas aquele dia não havia começado igual aos outros.

Normalmente, Shunrei já estaria de pé, com um sorriso enorme e o café quentinho pronto, só esperando por ele, mas hoje não.

Shiryu vai até o quarto dela. Abre a porta com cuidado. A menina ainda está deitada na cama, mas não está dormindo. Tem um olhar assustado e uma expressão de dor.

- O que houve? - pergunta o rapazinho que acabara de fazer doze anos.

- Desculpe... Não consegui me levantar para fazer seu café.

- Não tem importância. Quero saber o que está acontecendo com você.

- Eu não sei. Acho que vou morrer.

- Morrer? Pelo amor de Deus, o que está sentindo?

- Sinto uma dor na barriga... e...

- E? Fala, Shunrei! Estou ficando preocupado!

- Estou sangrando muito... – ela diz num sussurro quase inaudível.

- Sangrando? Onde?

- Tenho vergonha de dizer...

- Ora! Mas se é caso de vida ou morte, tem que me dizer!

- Eu não posso...

- Fala logo!

- É... aqui... embaixo... você sabe...

- Ai, meu Deus! O que é que eu faço?

- Fica aqui. Estava esperando você acordar. Não quero morrer sozinha.

- Não fala assim! Quando começou isso?

- Há uns dois dias, mas era só um pouquinho. Eu achei que tinha me machucado, mas agora estou sangrando muito. Eu vou morrer, não vou?

- Não! Eu não vou deixar você morrer. Fica quietinha aqui. Eu vou falar com o Mestre pra ele vir ficar com você e depois vou pedir ajuda.

- Não demora.

Minutos depois, um Shiryu desesperado relata os fatos ao Mestre que lhe responde... com uma sonora risada!

- Como o senhor pode rir de uma situação dessas, Mestre? Ela pode morrer! – brada um indignado Shiryu.

- Ela não vai morrer! Se for o que eu estou pensando, não. Ora, eu devia tê-la preparado para esse momento. Bom, não eu pessoalmente. Mas seu treinamento me absorveu tanto que esqueci da pequena Shunrei. Desça até o povoado e procure uma senhora chamada Mei-Ling. Diga que eu estou chamando e que é urgente.

- Ela pode ajudar Shunrei?

- Pode, pode. Eu vou lá acalmar a menina. – diz o velho homem, ainda rindo da inocência dos dois.

No quarto de Shunrei...

- Menininha. - sussurra o Mestre Ancião.

- Mestre, estou morrendo.

- Não está, não. – ele diz.

- Não?

- Não. O que está acontecendo é que você está deixando de ser uma menininha.

- Como assim?

- Isso mesmo. Acho que errei em tê-la deixado aqui tão isolada. Se bem que não tive outra escolha. Acalme-se. Você já vai saber o que está acontecendo com seu corpo. E você não vai morrer. Ainda vai demorar muito para esse dia chegar.

Depois, Shiryu retorna com a senhora que Dohko mandara chamar.

- Dohko! Há quanto tempo! Segundo o que o rapazinho me contou aos brados, a menina cresceu, não é?

- É, cresceu. O tempo passa, afinal. Converse com ela, Mei-Ling. Por favor.

- Pode deixar. Vocês dois saiam daqui!

- Ela sempre foi mandona assim. – o mestre diz consigo, e continua: - Vamos, Shiryu.

- Então, Shunrei, você virou mulher. – Mei-Ling diz a Shunrei, sentando-se na cama da menina.

- Segundo o Mestre, sim. Mas eu não entendi.

- Isso significa que você já está pronta para ter um bebê.

- Quê? Bebê? Como assim?

- Ah, não precisa saber detalhes. O que você precisa saber é que vai sangrar todo mês, então acho melhor você fazer umas toalhinhas como essas que eu trouxe.

- Todo mês? Ah, não.

- Ah, sim. Não tem jeito.

- E essa dor?

- É normal sentir cólicas. Tome chá, bastante chá.

- Mas o que a senhora quis dizer com ter bebês? Como é que eu vou ter um bebê?

- Ele fica dentro da sua barriga.

- Como ele entra?

- Você não precisa saber agora. Apenas mantenha distância de Shiryu.

- Por quê?

- Porque ele também está crescendo. Não vê como está alto?

- Sim, mas ele também vai sangrar e vai poder ter bebê?

- Raio de menina curiosa! Não. Ele não vai sangrar. Quanto ao bebê, digamos que ele pode fazer um. Mas o bebê fica dentro de você.

- Não entendo.

- Não precisa entender. Mantenha distancia dele. É isso. Fale com ele só o necessário. E agora eu vou embora...

- Mas dona Mei-Ling eu ainda quero saber...

- Depois, depois... – a senhora diz, já deixando o quarto.

“Humpf... Por que os adultos não explicam as coisas direito?”, Shunrei pensa.

Na sala, Mei-Ling fala com Dohko.

- Estou indo, Dohko. Falei com ela só o que devia. Ela é curiosa, queria saber mais, mas eu não falei tudo.

- Normal ela querer saber, pobrezinha.

- Preciso lhe dar um conselho.

- Sou todo ouvidos.

- Separe esses dois. Não os deixe juntos nessa casa. Isso não vai dar certo. Você ainda vai ter problemas.

- Ah, não é preciso separá-los. Você não conhece Shiryu. Ele é incapaz de fazer alguma coisa errada.

- Isso até agora. Mas com os hormônios fervilhando, vai ser difícil ele se controlar. Todos os homens são assim.

- Tenho certeza de que não preciso tomar uma medida drástica como essa.

- Você é quem sabe. Depois não diga que eu não avisei.

- Está tudo bem. Obrigado por vir.

- De nada.

Shiryu, que também estava na sala, manifesta-se.

- Por que ela quer me separar da Shunrei?

- Porque ela é boba. Vá ver como Shunrei está. Depois vá para a cachoeira. Está de folga do treinamento hoje. Quero conversar com você.

- Certo, mestre.

No quarto dela...

- Shunrei. tudo bem? – Shiryu pergunta.

- Sim. Mas a Dona Mei-Ling não quis me falar as coisas todas.

- O que ela falou?

- Que eu virei mulher, que posso ter bebê, que é para tomar muito chá e que é pra ficar longe de você.

- Ela falou isso para o Mestre também. O que eu fiz de errado?

- Eu não sei.

- E o sangue? Vai parar?

- Ela disse que vai sangrar todo mês, pode?

- Que coisa esquisita...

- Pois é.

- Comigo também acontecem coisas esquisitas.

- Mas ela me disse que você não vai sangrar.

- Não é sangue. É outra coisa. Mas...

- Mas...?

- Deixa pra lá. Vou para a cachoeira. O mestre quer falar comigo.

- Será que ele vai separar a gente?

- Acho que não. Ele falou que a mulher era uma boba.

Na cachoeira...

- Bom , Shiryu, você já está com doze anos. Acho que já devíamos ter tido essa conversa antes, mas nunca é tarde. Eu já lhe disse que quero prepará-lo também para a vida, não é? Shunrei comentou o que Mei-Ling disse a ela?

- Sim. Alguma coisa sobre bebês e ficar longe de mim. Ela não entendeu e eu também não...

- Pois é. O que ela quis dizer é que você e Shunrei cresceram e que juntos já estão prontos para fazerem um bebê. Isso, do ponto de vista fisiológico, claro. Porque do psicológico vocês dois são duas crianças ainda.

- Como assim, fazer bebê?

- Isso mesmo que você ouviu. Aconteceu alguma coisa estranha com você nos últimos tempos?

- Erh... sim... mas como o senhor sabe?

- Shunrei me contou que você não tem deixado ela lavar suas roupas e seus lençóis algumas vezes. Ela acha que você andou fazendo xixi na cama, mas eu imagino que não seja isso.

- Não. É que eu tenho tido uns sonhos... esquisitos... e quando eu acordo... estou... a cama está... com aquela coisa... Quando estou acordado, também sinto umas coisas estranhas, mas consigo me controlar... Bom, uma vez, na cachoeira eu não consegui... eu estava espiando a Shunrei e... aconteceu... e... e...

- É isso que faz bebês, filho. Você também cresceu.

E eles conversam sobre essas coisas tão essenciais.

Enquanto isso, Shunrei se desespera com a possibilidade de ter que se afastar de Shiryu.

- Eu não vou ficar longe dele! Não vou! Ninguém vai me afastar dele agora! Já basta saber que ele vai embora quando acabar de treinar! Eu queria que esse treinamento não acabasse nunca! - revolta-se a mocinha, para logo em seguida redimir-se. - Não, não. Perdão, meu Deus. Eu sei que ele sofre, que se machuca. Não quero que aconteçam essas coisas com ele para sempre. Mas também não sei como vai ser minha vida longe dele. Não quero descobrir isso agora. Ainda tem mais de um ano de treinamento, mais de um ano perto dele. Por que eu gosto tanto de ficar com ele? Por quê?

Na cachoeira...

- Mas não preciso ficar longe dela. Eu consigo me controlar bem quando estou acordado.

- Não, não precisa se afastar dela. Eu confio em você. Vá para casa. Amanhã, tudo volta ao normal.

- Sim, Mestre.

- Não entre em detalhes com Shunrei sobre o que conversamos. Não agora. Ela já está sabendo do essencial. Mais tarde, quando você quiser, pode conversar com ela. - diz o Mestre. Shiryu sai apressado.

“Ou fazer essas coisas com ela.”, pensa o Mestre e sorri.

De volta a casa...

- Shiryu! Estou tão aflita! O que o Mestre, falou? Vou ter que ir pra outro lugar?

- Calma! Você não vai a lugar nenhum. Está tudo bem, ok? Ele não falou nada de mais. Não me explicou direito essa coisa dos bebês. Disse que depois vamos saber – Shiryu mente. - Estou de folga. E é a primeira desde o começo do treinamento! Vamos para a cachoeira?

- E meu sangue?

- Ah, lá tem tanta água que não vai dar nem para perceber!

E os dois vão brincar na cachoeira como duas crianças que é o que eles ainda são apesar das mudanças em seus corpos e das responsabilidades que ambos carregam desde tão pequeninos.

O Mestre os observa carinhosamente.

- Por Athena! Como são lindos juntos! - ele diz consigo. - Foram feitos um para o outro. Com certeza.

FIM



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