
O contato entre diferentes raças mágicas pode resultar em estranhas ocorrências. Poderia o amor ser uma delas...? E seria uma mulher capaz de trocar tudo que tem, tudo que lhe é importante, por ele? SnapeOC.
Rated: Fiction T - Portuguese - Romance - Severus S. & OC - Chapters: 18 - Words: 84,749 - Reviews: 47 - Favs: 10 - Follows: 11 - Updated: 07-25-10 - Published: 12-28-06 - id: 3312703
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Capítulo 18 – Entre lobos e lobisomens
A primeira coisa que Christine pensou ao despertar foi :
'Finalmente Olive me ouviu e parou de usar aqueles incensos de cravos brancos.' Ela aspirou o cheiro de mofo do travesseiro. 'Mas assim também é demais.'
Christine abriu os olhos, esperando o quarto que Olive decorara ironicamente para ela, todo em tons claros de azul e cheio de babados, parecendo o quarto de uma menina de 5 anos. Porém o que viu foi um quarto simples, com paredes espelhadas e cujos poucos móveis eram velhos. A sua frente via seu reflexo deitada na cama, mas as contrário de si mesma o reflexo tinha os olhos despertos e seu costumeiro sorriso arrogante.
- Bom dia flor do dia, ou deveria dizer da noite?
Christine se sentou. As lembranças do dia anterior vindo à tona junto com um mau- humor.
- Algum ataque durante a noite? Ela perguntou para o reflexo, que já estava sentada de pernas cruzadas.
- Nenhum. Em todo caso, tornamos o quarto mais quente e seco para não danificar nossos poderes. O feitiço irá durar enquanto os espelhos permanecerem.
Christine ascentiu, saindo da cama e trocando de roupa aos olhos dos outros reflexos. Quando terminou de se arrumar, Lothy apareceu.
- Já mapeou a casa? Christine perguntou sem olhá-la.
- Sim mestra. Lothy respondeu satisfeita.
- Ótimo. Mostre-me onde é o banheiro para que eu possa me lavar.
Lothy guiou Christine até o cômodo e esperou sua higiene. Depois de ter se lavado, Christine disse olhando para Lothy, agora sorrindo:
- Agora pode me mostrar o que você quer me mostrar.
O sorriso de Lothy se abriu, ficando levemente assustador por causa dos dentes, mas Christine não se importou. Podia sentir a animação de Lothy dentro de si e isso apagou todo seu mau- humor. Lothy segurou a mão de sua mestra e as duas correram até as escadas, subiram dois andares e percorreram um corredor até sua última porta. Lothy então saiu do caminho de Christine e indicou a porta com o braço, incentivando-a a abri-la. Christine não se incomodou em perguntar a Lothy o que tinha no quarto, pois sabia que ela não lhe diria. Afinal, não era todo dia que podia lhe preparar uma surpresa.
Christine abriu a porta lentamente. O quarto tinha seus papéis de parede rasgados e os móveis quebrados, possuindo resquícios de um passado glorioso que fora esquecido. Mas Christine mal reparou no quarto. Sua atenção estava em um hipogrifo cinza- chumbo deitado como um rei na enorme cama de casal. O hipogrifo a encarou, penetrando as ametistas com seus olhos alaranjados, esperando ela se curvar. Mas Christine, seguindo as palavras do centauro não o fez. Os dois continuaram se encarando pó um momento que pareceu interminável até que o hipogrifo se levantou da cama e caminhou em sua direção. Lothy deu um passo a frente, pronta para proteger sua mestra, mas Christine permaneceu imóvel em sua postura aristocrática. Mas o animal, seja por ter reconhecido seu sangue, seja por ter avistado seus irmãos atrás de si, fez uma longa reverência aos pés de Christine, que sorriu inclinando levemente a cabeça. Christine então se aproximou da criatura, ficando frente a frente com seu bico, e só então estendeu sua mão para acariciar a cabeça da criatura. O hipogrifo fechou os olhos, não numa demonstração de prazer, mas para corresponder ao gesto de confiança. Assim os dois estariam se arriscando naquele contato. Christine por estar centímetros de distância do bico afiado do hipogrifo e este por estar de olhos fechado enquanto é tocado por uma feiticeira.
Os dois permaneceram na mesma ação até a têmpora de Christine vibrar. Christine tirou a mão do hipogrifo, que abriu os olhos, e a tocou sentindo a textura do silicone.
'Me esqueci de tirar os discos ontem à noite. ' Ela se lembrou recuando. Christine foi até Lothy, que lhe entregou o a chapa de metal em silêncio, e caminhou até a porta. Antes de sair olhou para trás. O hipogrifo já voltara para cama e a encarava com respeito. Christine novamente inclinou sua cabeça recebendo uma reverência em troca. Só assim se sentiu segura para sair do quarto, apertando um ponto da chapa e dizendo:
- Christine.
Todos estavam na cozinha tomando o café da manhã quando ouviram uma voz no corredor:
- Eu não quero saber. Estamos planejando isso por anos e não vou deixar que um mero peão estrague tudo... Ele pode ser substituído?... Então mate ele e o substitua!
Foi nesse momento que Christine apareceu na cozinha, vestindo um blazer azul marinho fechado por onde saía uma gola alta branca. Segurava uma chapa de metal e tinha uma expressão tensa. Logo atrás vinha Imlothriem.
Ela se sentou massageando a têmpora e dizendo para o nada.
- Está bem. Eu cuido dos serviços burocráticos, você tem meia-hora. Eu tenho outra ligação, nos falamos mais tarde. – Christine tocou em outro ponto da chapa. – Christine... Sim... Sim, eu estou ciente... Eu sei que algo precisa ser feito, mas... – Ela olhou para os bruxos que a encaravam atônitos. – Eu estou um pouco ocupada. Espere , eu tive uma ideia. – Ela disse acariciando o rosto de Lothy que fechou os olhos ronronando de prazer. Christine sorriu maléfica quando Lothy abriu os olhos, encontrando os seus. – Achei nossa assassina... Não se preocupe, até o final dessa semana general Castro irá desaparecer misteriosamente. Christine deu outro toque na chapa e falou com Lothy, sem deixar de acariciar seu rosto.
- Estou contando com você querida. Não me decepcione. Lothy bateu continência e Christine riu.
- Bom dia a todos. Desculpem-me pelo atraso, mas nas férias eu me permito acordar tarde.
Todos permaneciam em silêncio, ainda atônitos com a conversa que ouviram quando Rony Weasley verbalizou o que todos pensavam:
– Você estava encomendando assassinatos? Christine suspirou.
- Sim, eu sei que isso não é comum para vocês...
- E é comum para os feiticeiros?
- Em certos casos, sim. Deixem-me explicar: O general Castro é o novo chefe do departamento de pessoas desaparecidas, que é uma fachada para procurar traidores do sangue, como Olive. Para proteger não só ela, mas outras dezenas de casais mestiços eu devo eliminá-lo, logo estou matando-o para que ele não mate meus aliados. Enquanto o outro... – Os olhos de Christine endureceram por um segundo para antes voltar ao normal. – É um mero empregado que se insubordinou contra um de meus aliados, pondo um plano meu a perder. Ele se tornou um obstáculo para mim e eu não terei piedade de atravessá-lo.
- Obrigado por avisar. Alguma data para meu desaparecimento? Sirius perguntou com sarcasmo.
Lothy olhou para Christine de forma esperançosa, balançando a cabeça frenéticamente, mas Christine a repreendeu com um olhar.
- Lothy, não. – Lothy abaixou a cabeça, tristonha e Christine encarou Sirius séria. – Não dê a Lothy falsas esperanças senhor Black, pois ela poderá levá-lo a sério e talvez eu não esteja aqui para salvá-lo como ontem.
Sirius engoliu em seco ao se lembrar do dia anterior e de perceber o desejo assassino em lothy tão intenso quanto no dia em que se conheceram.
Christine se serviu de torradas com patê enquanto falava.
- A propósito, é um belo hipogrifo que tem aqui. Não são muito interessantes para mim, mas acredito que seja o suficiente para vocês.
- O que quer dizer com isso? Perguntou Harry.
- Já experimentou voar em um hipogrifo, senhorita Anderson? Sirius perguntou utilizando uma polidez irônica.
- Sim. Já experimentou voar em um grifo, senhor Black? Christine perguntou com um sorriso de vitória no rosto, já esperando pelo silêncio de Black.
- Grifos são criaturas mais inteligentes e não se deixam ser montados. Disse Hermione.
- Verdade. Mas meu irmão mais velho é apaixonado por esportes radicais e sempre me levava com ele quando eu era pequena. – Ela suspirou. – Um dos poucos momentos em que nosso sangue servia para alguma coisa.
Christine percebeu o olhar cético de Hermione sendo seguido pelo de seus amigos. Christine suspirou derrotada, retirando um fio de lembrança de sua têmpora.
- Querem confirmar? Pois vejam. Cen rîn. E o fio explodiu, cegando todos que estavam no cômodo.
Quando a luz diminuiu a cozinha havia desaparecido e todos estavam numa trilha aos pés de uma montanha. A frente deles estava um homem, que Snape rapidamente reconheceu como Scarface, sendo seguido por uma Christine de 8 anos. Ela usava um vestido azul claro rendado até os joelhos, meias longas brancas e sapato boneca e, apesar de estarem numa floresta, suas roupas estavam impecavelmente limpas. Seus cabelos estavam soltos, voando cada vez que ela pulava ou corria, sempre com postura ereta. Já Scarface se deslocava pela floresta com facilidade, como se a conhecesse intimamente.
- Eu disse para você usar roupas confortáveis. Ele disse sem olhar para trás.
- Você já viu o guarda-roupa que a senhora Anderson preparou para mim? Este é a melhor roupa que eu tinha e terei sorte se ela não se desfizer dele depois disso. – Ela suspirou. – Scar, você não poderia pedir para ela parar de me tratar como uma boneca de porcelana?
- Poderia. – Christine deu um sorriso reluzente. – Mas aí eu não teria do que rir. O sorriso morreu e ela fez um biquinho.
- Você é terrível, irmão. Ao ouvir isso, Scar gargalhou guturalmente, fazendo com que os animais próximos fugissem. Eles continuaram caminhando até Christine perguntar cansada.
- Por que estamos fazendo isso, Scar?
- Porque você anda muito triste, não sem razão, é claro. – Ele se apressou em dizer. – Mas como seu irmão eu tenho o direito de tentar te animar.
- Montando em grifos? Ela perguntou com descrença.
- Ei, não diga nada até montar em um.
Eles continuaram a caminhar em silêncio até que Christine falou de novo.
- Scar, eu já montei um hipogrifo. Não é a mesma coisa?
Scarface parou de andar, ficando de costas para a irmã em silêncio. Depois voltou a andar, dizendo.
- Ainda bem que você é minha irmã, senão matava-lhe pela insolência. Christine se calou ante a ameaça.
Os dois seguiram em silêncio até um paredão de pedra. Scarface o subiu num único salto enquanto Christine teve de saltar de uma saliência a outra até chegar ao topo. Quando alcançou seu irmão, ele falava com os grifos em sua própria linguagem, numa mistura de terra com ar. Scarface apontou para ela e mostrou seu cordão com o símbolo. Os grifos a olharam longamente até se curvarem. Christine inclinou a cabeça levemente sob os olhos orgulhosos do irmão.
– Não precisava fazer isso.
– Gosto de demonstrar respeito aos outros.
Ele deu de ombros e montou em um grifo castanho com penas amarelas. Christine se aproximou olhando os grifos um a um até se decidir por um negro de penas brancas.
– Com licença. Ela disse ao tentar montar no grifo.
– Scar! Onde eu seguro? Ela perguntou para o irmão.
– Não segura. Ele respondeu divertido enquanto os grifos começavam a voar.
Christine se desesperou e agarrou o pescoço do grifo, murmurando um "desculpe". Os grifos tinham um corpo menor do que os hipogrifos, sendo mais ágeis e rápidos. O vento incomodava os olhos de Christine, que ficavam semicerrados.
– Chris! Olhe só isso! Christine se esforçou para olhar sem afrouxar o aperto.
Scarface voava com os braços estendidos ao longo do corpo, se segurando apenas com suas pernas.
– Sem as mãos... – ele deu um sorriso maléfico. – e sem os pés!
No momento em que terminou de falar, Scarface abriu as pernas, sendo empurrado para fora do grifo pela velocidade.
– SCAR! Christine gritou desesperada ao ver seu irmão caindo.
Esquecendo o medo que tinha, ela segurou o grifo pelas penas do pescoço e o incitou a mergulhar. O grifo obedeceu e os dois iniciaram uma decida em espiral. Christine chorava pelo ressecamento dos olhos e pelo medo de perder seu irmão, mas antes de Scarface atingir o chão um grifo amparou sua queda, passando por baixo dele para que Scarface caísse sentado. Ele subiu com seu novo grifo de volta aos céus com um sorriso maroto.
– E então? O que achou? Christine estava em choque.
– Loucura! Suicídio! O que você estava pensando Scar? Não, eu não quero saber o que você estava pensando.
– Ei, acalme-se. – Ele disse tentando acalmá-la, mas Christine continuava assustada. Scarface suspirou ficando sério. – Escute, haverá momentos em que você não terá tempo de planejar. Nesses momentos filhote, hesitar pode ser fatal. Quando a hora chegar, você terá que ousar e se arriscar, seguindo apenas sua intuição. Chris, nunca tenha medo de se arriscar.
– Mas Scar, também não podemos nos arriscar sempre.
– Mas também não podemos nos ater completamente à estratégia. Às vezes você precisará as adaptar a situação e modificar o plano e isso terá um risco. Não tenha medo de se arriscar Chris. Você nasceu com uma boa intuição, use-a.
Christine encarou-o séria, os olhos abertos pareciam não sentir mais o vento. Sem responder ela iniciou um vôo vertical para cima, subindo cada vez mais alto. Quando o grifo piou, revelando seu limite de altitude, ela se içou para cima, soltando o grifo. Christine subiu mais um metro, sentindo o ar rarefeito, e quando se sentiu parar no ar se inclinou, deu um mergulho de costas em direção ao chão.
Christine cortou o ar num mergulho perfeito, ouvindo acima o grito de seu irmão e vendo as árvores se aproximarem cada vez mais rápido. Scarface fez o grifo mergulhar, tentando pegá-la. Christine viu o chão chegar mais perto e quando faltava poucos metros o mesmo grifo deu um vôo rasante passando por baixo de Christine, dando-a tempo de agarrar o pescoço do animal, se desviando de seu curso e voltando a montá-lo. Quando voltou ao céu, Scarface veio até ela raivoso.
– Sua louca! No que estava pensando?
Christine riu da atitude protetora do irmão.
– Você tinha razão, irmão. Os grifos são muito interessantes.
Scarface riu guturalmente junto com Christine.
– Você é terrível irmã. Ele disse com orgulho.
De repente houve outro flash de luz e quando todos abriram seu olhos, estavam de volta a cozinha da mansão Black. Todos menos Christine aparentavam uma expressão de confusão, essa apenas sorria com seu ar vitorioso.
– Acredita em mim agora senhorita Granger?
- Mas... Como ele conseguiu?
- Muitas raças mágicas conhecem o poder de minha família e se submetem a ela. Os grifos são uma delas.
Sirius piscou por alguns segundos:
- Parece interessante... – disse vagarosamente.
Christine sorriu ainda lembrando:
- E é.
Sirius lhe lançou um olhar maroto para ela e sorriu:
- Mas eu já fiz coisa muito melhor – disse e mordeu a torrada – E garanto que bem mais emocionante do que isso aí.
Todos viraram os olhos para ele, incrédulos. Christine o olhou curiosa:
- O senhor já cavalgou em um Lobisomem transformado?
- É claro que não! Isso é impossível. Ele respondeu. Christine tomou mais um gole de café, embaraçada.
- Então o senhor já esteve presente em um ritual necromântico? Ou na casa de um?
- Necromantes não existem. Sirius falou, mas seu tom de voz buscava a confirmação de Christine, que se calou com mais um gole de café.
- Já voou num dragão, talvez? Sirius ficou boquiaberto.
- Você não pode estar falando sério! Não dá pra fazer nenhuma dessas coisas!
- Então a quê exatamente o senhor está se referindo? – perguntou Christine confusa.
Sirius finalmente pareceu perceber os olhares todos em cima dele e abriu um sorriso maroto:
- Proibido para menores – disse sonsamente, mas ao ver o olhar escandalizado de Remus acrescentou rapidamente – Só estou brincando, senhor protetor da moral e dos bons costumes.
Christine deu de ombros:
- Não sou uma menor.
- Ignore-o, Christine. Ele estava blefando, por isso fica fugindo da pergunta. Snape disse displicente. Sirius o encarou com repulsa.
- Não se meta onde não é chamado ranhos...AHRG! Sirius gritou com a queimadura que Lothy fizera na lateral de seu abdômen. Ele a encarou com raiva, mas os olhos amarelo-alaranjados de Lothy eram mais intimidadores.
- Estamos tendo uma conversa civilizada senhor Black, sem agressões físicas ou emocionais. No entanto, eu não tolerarei que agrida meu aliado de qualquer forma. Portanto, se o senhor quiser realmente abaixar o nível da conversa para algo menos civilizado, lembre-se que Dumbledore requisitou minha ajuda exatamente por saber que eu estou acima da média dos feiticeiros. Ela disse ameaçadoramente séria.
Ele voltou os olhos azuis pra ela:
- É um desafio, senhorita?
- Sirius... – murmurou Remus em alerta, mas ele não pareceu escutar e permaneceu encarando Christine com um ar displicente.
A garota o encarou de volta e sorriu:
- Não, senhor Black. Não há graça em desafiar você. Fora senhor Snape, bruxos normalmente são fracos demais para sobreviver a qualquer desafio lançado por um feiticeiro.
Todos na mesa olharam para Sirius, temerosos, mas ele manteve um sorriso calmo no rosto:
- Você está falando com alguém mais velho, mais experiente e mais orgulhoso que você, senhorita. Christine deu um risinho de escárnio.
- O último é equivocado, o penúltimo duvido muito e o primeiro percebe-se – disse de uma vez só em tom provocante, olhando-o de alto a baixo. A magia das palavras novamente.
Se seu objetivo era fazê-lo parar de sorrir, ela conseguiu:
- É, passar treze anos em Askaban costuma ter esse efeito nas pessoas. Disse soturnamente e bebeu seu café com um gole profundo. Christine rolou os olhos.
- Se espera pela minha compaixão, senhor Black, eu receio ter que desapontá-lo, pois não falei pensando em sua estadia em Azkaban e sim nos quinze anos de idade que nos separam. Porém eu não darei tratamento especial ao senhor só porque o senhor acha que sofreu mais do que qualquer um aqui presente por ter estado na prisão.
- Eu não desejo tratamento especial. Sirius rosnou ameaçando se levantar.
- Ótimo. Então pare de se lamentar ou de trazer o assunto a tona como se quisesse lembrar ao mundo de seus infortúnios. Se você os sobreviveu apenas levante a cabeça e siga em frente, pois relembrá-los é um desperdício que só traz dor, além de apresentar seus pontos psicológicos fracos.
- Que direito tem de falar isso, uma vez que já nos revelou não entender a dor de estar em Azkaban?
- Posso não entender a dor de seus infortúnios, mas já tive os meus próprios, que são considerados cruéis por muitos feiticeiros e que seriam tão grandes ou maiores que os seus. Ela disse séria. Sirius sorriu de escárnio.
- E quais teriam sido? Ela o olhou com desprezo.
- Por que eu contaria meus infortúnios a você? O sorriso de Sirius aumentou.
- Aparentemente você prefere fugir de minha resposta. Talvez por que ela não exista.
Christine o olhou intensamente, revelando nos olhos toda a dor e angústia que já sentira, fazendo com que Sirius desviasse os seus por não conseguir suportar a visão. Lothy começou a rosnar em reação aos olhos de Christine, como se culpasse Sirius pela dor nos olhos de sua mestra, mas não o atacou, permaneceu ao lado de Christine que acariciava sua cabeça. Fez-se um silêncio muito sério cortado apenas pelo rosnado baixo de Lothy.
- Pergunte a Dumbledore. Ele provavelmente deve conhecer muitos de meus infortúnios. – Ela disse ácida por fim e depois sorriu de forma mais suave – Por favor, evite falar esse tipo de coisas na presença de Lothy. Ela realmente não precisa de mais estímulo para acabar com você.
- Não duvido – respondeu ele formalmente, mas não sorriu mais.
O clima na mesa desanuviou um pouco. Aparentemente a lembrança da pequena heliopata era suficiente para fazê-lo se calar. Todos continuaram a comer embora Christine, tenha percebido os olhares apreensivos de Gina Weasley e de Hermione em sua direção e os olhares desejosos dos irmãos Weasley, que não foram exatamente discretos. Até mesmo Snape lançou olhares irritados aos três e Sirius parecia se divertir particularmente com isso. A Sra. Weasley forçou uma conversa informal com Lupin e Tonks na esperança de tornar a refeição mais agradável, e estava sendo bem-sucedida até Moody entrar na conversa e resolver relatar seus agradáveis casos de perseguição de comensais que pareciam terminar invariavelmente na tortura ou morte de alguém. Christine o ouviu interessada sobre os métodos de perseguição dos bruxos que, apesar de lhe parecerem profundamente ineficientes, eram muito inventivos o que compensava suas limitações:
- E então os encurralamos no beco e estuporamos os cinco simultaneamente – contava Moody com seu sorriso torto – Foi um dia glorioso aquele!
- E por que não os mataram logo? – perguntou ela curiosa.
Todos lhes lançaram olhares chocados, surpreendendo-a. 'Mas não estamos falando dos inimigos deles?' Ela pensou. Moody sorriu:
- Nervos de aço, mocinha... – disse satisfeito – Não, não tínhamos permissão pra isso nessa época, embora eu lhe garanta que não me faltou vontade. E todos os cinco sem dúvida o mereciam. De qualquer forma foram enterrados vivos em Askaban sem julgamento.
Sirius bateu o copo na mesa com força;
- Não podemos assassinar aqueles que acusamos de assassinato – disse com fúria – E nem devíamos prender pessoas sem julgamento. Não fale com se fosse uma vantagem!
Christine o olhou por um instante, se inclinou em sua cadeira e suspirou, pondo os indicadores nos lábios, refletindo:
- Das mortes envolvendo feiticeiros, 30% ocorrem por vingança e 20% por nenhum motivo aparente. Estes assassinos, quando interrogados, apenas dizem: "Matamo-los porque somos feiticeiros. É a nossa natureza." Numa referência direta ao nosso ditado que diz que um feiticeiro não precisa de motivos para matar. Os assassinos são libertados para logo depois se tornarem vítimas dos 30%. Ela olhou para cada um dos bruxos que a olhavam chocados e deu de ombros.
- São dados estatísticos recentes que tive acesso. Pelo menos os senhores possuem algum tipo de justiça. – Ela riu. – Não que nosso sistema não nos agrade, apenas gostamos de realizar nós mesmos a "justiça". – Ela voltou a olhar para os outros, que continuavam chocados até que se lembrou.
- Me desculpem. Esqueci que os bruxos possuem coração – disse tristemente.
Fez-se um breve silêncio:
- E os feiticeiros...? – perguntou Hermione por fim com um fio de voz.
Ela a encarou com os olhos violeta brilhando:
- Não – disse séria – Ao menos não deveríamos. Ter coração para nós é uma fraqueza. Nós possuímos a força, o poder e a capacidade de sentirmos prazer quando o usamos contra alguém.
A garota baixou os olhos, perturbada:
- Isso é... desumano...
Christine deu nos ombros:
- Sem dúvida. É por isso que nos apelidei de super-neandertais...
Snape abriu um sorrisinho que ela percebeu. Seus olhos se cruzaram por breves instantes e então ela se voltou para Hermione:
- É importante que vocês se acostumem com esse tipo de coisa, se os comensais são tão impiedosos quanto dizem.
- Me recuso a me acostumar com isso – disse Harry falando pela primeira vez. Os olhos verdes encararam os violeta com uma firmeza peculiar. 'Curioso... a força de seus olhos é diferente de qualquer uma que já vi. Não vem do ódio ou de um desejo. De onde ele a consegue?' Olhou então para sua testa onde uma cicatriz vermelha brilhava. Percebeu a aura de feitiço. Não era um machucado comum:
- Cicatriz interessante senhor Potter. Onde a conseguiu?
Todos a olharam incrédulos, mas Harry abriu um sorriso surpreso:
- Acho que você é a primeira pessoa a quem preciso explicar de onde veio isso – disse e então o sorriso sumiu e ele olhou para Lupin pedindo confirmação.
- Não vejo por que não possa contar a ela – disse – É algo que ela descobriria facilmente pelos seus contatos.
Ele suspirou:
- É verdade... – disse e respirou fundo – Voldemort tentou me matar quando eu tinha um ano. Matou minha mãe, meu pai, mas quanto tentou me matar apenas me deixou essa cicatriz e sumiu. Agora está de volta.
- Interessante... Por quê?
Harry olhou novamente pra Lupin que assentiu:
- Hum... Dizem que é porque minha mãe morreu tentando me salvar e isso criou um contra feitiço poderoso.
Christine franziu a testa:
- Um sentimento foi capaz de criar um contra feitiço?
- Não o sentimento, mas sim a concretização sublime do sentimento através do sacrifício. Respondeu Lupin.
Ela assentiu, mas então percebeu a expressão no rosto de Snape e se surpreendeu. Era pura dor. Tentou encontrar a resposta em seus olhos, mas Snape percebeu a sondagem e se levantou:
– Preciso terminar o meu relatório – disse em tom ríspido – Obrigado pela comida, Sra. Weasley.
A ruiva assentiu parecendo pouco surpresa e tirou a louça dele de cima da mesa em um gesto de varinha automático. 'Típica dona de casa' pensou.
- Entendo...é mesmo muito intrigante. – Ela disse se levantando e indo em direção a Harry enquanto Lançava um de seus charmosos sorrisos tímidos. – Será que eu poderia...tocar em sua cicatriz? Harry corou e disse após limpar sua garganta.
- Claro. Não vejo problema algum.
Christine sorriu e se inclinou para tocar a misteriosa cicatriz. Porém, quando seus dedos encostaram-se no raio minúsculo, sua própria marca reagiu, causando-lhe dores terríveis que a fizeram morder seu lábio inferior, na tentativa de conter seus gritos. Infelizmente, Harry pareceu sentir a mesma dor em sua testa, mas ao contrário dela, ele gritava de dor. Christine podia ouvir em seus ouvidos o som de uma batalha furiosa, que ela percebeu estar sendo travada por aqueles que os marcaram, embora ela não fosse capaz de saber quem estava vencendo.
'Papai, não sei mais quanto tempo conseguirei aguentar.' Ela pensou rezando para que seu pai a ouvisse e acabasse com o suplício.
Sirius e Snape foram os primeiros a ir ao encontro dos dois e depois de muito esforço, pois o dedo parecia estar grudado à testa, eles conseguiram libertá-la. Harry choramingava enquanto Christine ofegava, tremendo compulsivamente nos braços de Snape.
- O que foi que você fez! Sirius gritou enquanto amparava Harry.
- Aparentemente essa cicatriz não gosta de mim. – Ela disse mais para si mesma que para Sirius. – Me desculpe senhor Potter. Eu não fazia ideia de que isso fosse ocorrer. Não esperava uma reação de sua cicatriz ao meu toque.
'Nem da minha.' Ela completou em pensamento.
- Tudo bem. Eu percebi que você também ficou surpresa. Mas o que era aquilo?
Christine percebeu que ele se referia à luta, mas para explicá-lo precisaria contar sobre sua própria cicatriz, o que não era de seu interesse. Resolveu mentir.
- Eu não sei. Ela disse expressando uma confusão que enganou a todos.
O ambiente ficou em silêncio enquanto Sirius ajudava Harry a se sentar e Snape fazia o mesmo com Christine. Quando todos estavam novamente acomodados Christine falou.
- Senhor Potter, posso lhe dar um conselho? Harry a olhou confuso.
- Claro.
- Uma vez uma pessoa que respeito muito me disse algo muito interessante: Tenha orgulho do que você é e do que representa, mesmo com todos os infortúnios que esta posição lhe traz, pois significa que é o único capaz de superá-las.
Harry esboçou um sorriso meio atordoado em retribuição e então ela sentiu então um olhar fuzilante da ruiva menor sobre si. Sorriu ainda mais. 'Como são ricos em emoções,' pensou, 'é incrível que não parem de sentir por um minuto. E apesar de ser uma feiticeira, rodeada por tantos bruxos, pareço ser a única capaz de perceber seus vínculos.'
Sua têmpora vibrou de novo, fazendo-a perder todo o seu humor.
- Christine. Está tudo pronto? Ótimo, já estou indo para aí. Ela disse se levantando.
- Vai matar mais alguém? Sirius perguntou sarcástico.
-Não, ele já foi morto. – Ela disse displicente, não percebendo o tom de Sirius. – Mas sou eu quem retira todas as provas para que não haja crime.
- Então está cometendo um erro ao contar isso para nós. Agora sabemos que o crime foi cometido. Christine o olhou nos olhos e abriu seu costumeiro sorriso vitorioso.
- Mas que crime senhor Black? O que o senhor sabe exatamente?
Sirius abriu a boca para falar, mas a fechou. Não sabia nada do tal crime que pudesse identificá-lo. Christine sorriu ao ver a conclusão nos olhos de Sirius.
- Lothy, obedeça senhor Snape. Snape, tente impedir Lothy de matar senhor Black, a menos que esta seja sua vontade. Não me demoro. E ela desapareceu no teletransporte.
Lothy olhou para Black, numa ameaça velada e pulou para o castiçal mais próximo, entrando nas chamas. Snape decidiu continuar na cozinha para evitar um ataque surpresa de Lothy a Black. Logo depois da saída de Christine, Gina ralhou.
- Parem de ficar olhando pra ela, seus idiotas! Ela é perigosa. Parece uma psicopata.
E daí? É uma psicopata muito gata – foi a resposta de Fred.
- Uma psicogata. Completou Jorge. Gina bufou.
- Se eu fosse vocês não perdia tempo me apaixonando por uma feiticeira – disse Lupin muito calmo – Vocês ouviram. Ela não tem coração.
Moody deu uma risada:
- Mas é justamente por isso que eu gostei dela. Tem sangue frio.
Snape sentiu vontade de rir da ignorância deles. Afinal, a fala de Moody era no mínimo irônica, se soubessem que Christine possuía o sangue quente.
- É... combina bem com você, Alastor – Tonks disse com um toque brincalhão.
- É, ou com o Snape – replicou Sirius em tom debochado.
- Cuidado com a língua, Black, ou posso permitir que Lothy sacie seus desejos. Snape rosnou.
– Vai mesmo se esconder atrás de uma garotinha, Ranhoso? Perguntou Black petulante.
– Ainda não entendeu, Black? Imlothrien é uma arma e Christine me deu o direito de usá-la. A única diferença entre ela e uma varinha é que sua destrutibilidade é maior enquanto que sua variabilidade de ataques é menor.
Black abriu a boca para responder, mas sua atenção foi desviada para a parede de pedra. As pedras se afastaram, revelando atrás dela um homem. Ele era alto forte, típico "armário". Seu rosto era jovem, com cabelos castanhos brilhantes e curtos que combinavam com seus olhos verdes. Usava um sobretudo preto gasto por cima de uma roupa preto- arroxeada com uma marca de pata de lobisomem em vermelho-sangue e coturno. Mal saiu da passagem na pedra, perguntou grosso:
– Onde está Christine? Black se levantou enraivecido.
– Ei! Eu não sei e nem quero saber qual é a sua relação com aquela... feiticeira, mas não vou ficar abrigando os amiguinhos psicóticos dela aqui! Saia já da minha casa!
O homem lançou um olhar de ódio e desprezo a Sirius e mudou o pé direito de posição. De repente, atiradores surgiram das paredes, fundidos a elas da cintura para baixo, segurando rifles. Cada atirador apontava para uma pessoa da sala. Estavam cercados. O homem voltou a falar entre os dentes.
– Onde. Ela. ESTÁ? Ele rugiu.
– Por que quer saber? Perguntou Snape se levantando, a mão já na varinha.
– E QUEM É VOCÊ PARA QUERER SABER? Ele rugiu de novo, avançando para Snape.
De repente ele parou e olhou para a porta, onde estava Lothy, de braços cruzados. O homem fez uma leve reverência dizendo:
– Imlothrien. – Lothy apenas inclinou sua cabeça. – Poderia, por favor, me dizer onde está sua mestra?
Lothy não respondeu, mas Snape pode perceber que o homem ouvia respostas em sua mente. Depois de um tempo ele disse:
– Entendo. E ela irá demorar muito? – Mais uma pausa. – Eu prefiro esperar se não se importa. Lothy deu de ombros, mas Sirius esbravejou.
– Eu me importo! A casa é minha e eu não preciso ficar recebendo feiticeiros que apontam armas para nossas cabeças...
– Se isso te irrita tanto – o homem gritou mais alto que Sirius – posso te matar e roubar a escritura da casa, passando-a para meu nome! Assim eu e Christine estaríamos na minha casa enquanto todos vocês estariam de favor!
Sirius se calou ao perceber que ele falava sério. O homem sorriu ante o silêncio de Black e caminhou em direção à mesa, sentando-se em uma cadeira ao lado da de Christine e olhando para Snape.
– Então você é o novato bruxo de quem andam falando?
– Sim. O Homem levantou uma sobrancelha.
– Não vai perguntar como eu soube?
– Christine deu permissão ao conselho da serpente para divulgar minha existência, e sei que eles trabalham rápido. Quando você avançou em minha direção, questionou minha postura, mas se deu por satisfeito depois de ter falado com Imlothrien. Logo, ela lhe disse que eu era o aliado que o conselho anunciou.
O homem abriu um sorriso, revelando dentes afiados.
– Muito bom. Percebi que não é um tolo qualquer. E posso ver pelos seus olhos que também não é um fraco. Christine escolheu bem, mas e você?
– Como assim?
– Por que se aliou a ela? Por que quis se arriscar a morrer numa guerra que não é sua? Snape franziu as sobrancelhas.
– Por que você se arrisca por ela? Ele devolveu a pergunta.
O homem apenas riu e abriu os braços.
– Ainda não percebeu? Snape o analisou meticulosamente. Depois disse num suspiro.
– Você é um lobisomem.
– Exato. – Disse o outro imediatamente depois. – Logo você deve saber que não há muita opção para mim. Mesmo que eu não quisesse, eu seria um dos soldados dela, pronto para derramar meu sangue para que o dela continue a correr. E, embora eu não precise de motivos para segui-la, eu tenho um. Christine me deu uma nova vida quando a minha antiga foi destruída. Ela foi a única a creditar em mim e a única a me dar uma chance. Tudo que eu consegui foi graças a ela e quando eu morrer, vou apenas estar devolvendo tudo o que ela me deu.
– Então você é o cachorrinho dela? Perguntou Sirius irônico. Mas o lobisomem apenas sorriu malicioso.
– Você faz soar como algo ruim. Mas é muito melhor do que ser um vira-lata sem dono. Não faz ideia das vantagens que este título traz. Pessoas são capazes de matar para serem o cachorrinho favorito de Christine. Eu sei, eu fui uma delas. Ele disse saboreando as palavras como se lembrasse da batalha.
– Eu não entendo. – Disse Lupin. – Eu também sou um lobisomem, mas não possuo essa vassalagem para com Christine.
O estranho encarou Lupin pela primeira vez, analisando seus olhos, seu cabelo, seu corpo e seu rosto. Então finalmente disse:
– Deixe-me adivinhar: você foi transformado contra a sua vontade por um indigno. Ele te abandonou e você preferiu viver com os da sua antiga espécie a viver com os da nossa. Lupin corou.
– Sim, é verdade. Ele disse com a voz levemente carregada de culpa.
– Ei! Como descobriu tudo isso? Perguntou Black.
– E o que é indigno? Perguntou Rony.
O estranho ignorou a pergunta de Rony, olhando para Black e dando de ombros.
- Simples. Os lobisomens dignos não transformam as pessoas sem o consentimento dessas.
– Quem iria querer ser transformado num lobisomem? Rony perguntou de novo. O forasteiro lhe lançou um olhar intimidador.
– Força, agilidade, sentidos aguçados e uma forma animal poderosa e resistente a algumas magias. Quem não iria querer tudo isso?
– Mas a forma do lobisomem é sem controle. Argumentou Hermione. O homem, porém, bufou.
– Só se for para ele. – Apontou para Lupin. – Se tivesse vivido entre nós, saberia nossa cultura, nossos segredos e principalmente: saberia quem é Christine e a respeitaria por isso. Mas você escolheu virar as costas para sua besta e tentar ignorá-la a todo custo. Espero que tenha valido a pena.
Lupin baixou a cabeça, incapaz de responder. O estranho se voltou novamente para Snape.
– Não pense que conseguiu fugir da minha pergunta. Diga-me, por que se aliou a Christine?
– Por que ela me ajudaria na minha guerra se eu a ajudasse na dela. O homem riu.
– Você fez um péssimo negócio, meu caro. Sua guerra é ridícula comparada a que Christine vai realizar. Para ela, sua guerra será um treino de verão, enquanto, em contrapartida, a dela será para você o inferno na terra.
– Sou capaz de me defender sozinho.
– Ah! Então é pelo poder? Claro, estar ao lado de Christine confere um enorme número de benefícios a qualquer um que se alie a ela. Eu sei disso porque fui um dos beneficiados. Não importa o quanto somos bons, sempre ficamos melhores nas mãos dela. – O lobisomem esperou que Snape falasse alguma coisa, mas como ele ficou quieto, prosseguiu. – Eu estava imaginando que você tinha se aliado a ela para conseguir mais poder, mas achava que, para vocês, o preço não valia à pena.
– O que quer dizer?
– Que eu achava que um bruxo não seria capaz de pagar um preço tão alto para ter o poder de Christine.
– Que preço? O lobisomem o olhou atentamente.
– Ela não te disse o preço? – Frente à resposta negativa de Snape, ele começou a pensar alto. – Christine, o que você pretende com isso? – Se voltou para Snape de novo. – Ela ao menos lhe fez a pergunta?
– Pergunta?
– Sim. Aquela que todos os aliados devem responder corretamente para serem considerados entre os outros.
– Não. O lobisomem se levantou furiosamente e esbravejou.
– Como ousa se considerar um aliado de Christine sem ter respondido à pergunta?
– Se quiser, faça-a agora, pois não tenho medo de respondê-la.
O lobisomem sorriu e abriu a boca para proferir a pergunta quando foi interrompido por um forte facho de luz. Todos se viraram para ver Christine saindo da luz do teletransporte. A primeira pessoa que ela reparou foi no lobisomem.
– Billy? Ela o chamou ainda sem acreditar.
O lobisomem apenas sorriu para ela e estendeu os braços. Christine correu para abraçá-lo, sendo rodopiada por Billy. Os dois ainda riam quando se separaram.
– Mas o que está fazendo aqui? – Ela então reparou nos soldados nas paredes. – ...Com a sua guarda pessoal... Billy. Ela o chamou em tom de advertência.
– Ei! Não me olhe assim! Aquele cara ficou me enchendo o saco falando o tempo todo "é a minha casa, é a minha casa", que me irritei e fiz todo mundo de refém.
Para a surpresa de todos, menos de Billy e Lothy, Christine riu.
– Você não tem jeito mesmo. – Ela disse, mas logo depois saiu do abraço e ordenou enquanto ia para sua cadeira. – Tire-os daqui. Billy não perdeu tempo.
– Vocês ouviram, pessoal, mas fiquem próximos caso eu precise de vocês.
Os soldados voltaram para as paredes e se fundiram a elas como se nunca houvessem estado lá. Billy se voltou para Christine, que já estava em sua cadeira, sorrindo.
– E então? Qual é o motivo de sua visita? Ela perguntou numa postura de liderança.
Billy ficou sério e disse algo numa língua estranha. Logo em seguida um tubarão cinzento saiu do chão segurando um homem assustado pela boca.
– Ele estava falando seu nome demais. Você o conhece?
O homem estava sujo e se vestia como um mendigo. Seus cabelos ruivos estavam bagunçados e encardidos e seus olhos e cheiro revelavam alguma dependência química. Christine por um momento sentiu nojo por seu nome ter saído daquela boca, mas logo depois reconsiderou.
"Na verdade, é bem apropriado."
Christine se esforçava para reconhecê-lo quando ouviu os outros chamarem.
– Mundungo!
– Vocês o conhecem? Ela perguntou.
– Ele faz parte da Ordem. E estava aqui ontem a noite, não se lembra? Perguntou Sirius.
Christine olhou de relance para Lothy que concordou.
– Bom, se o senhor está dizendo – ela se voltou para Billy – eu o conheço, mas ele não é meu aliado.
– Então temos um problema. Disse Billy sério enquanto encarava Mundungo. Nisso, o ruivo focalizou seus olhos injetados em Christine e começou a gritar de terror.
– É você! Você é ela! Não era uma lenda, era real! Você existe! Você é ela!
– Fletcher, do que você está falando? Perguntou Olho-tonto.
Billy se adiantou para Mundungo, mas Christine o impediu.
– Prossiga senhor Fletcher. Quem sou eu? Ela perguntou enquanto um sorriso divertido se formava em seus lábios.
Mundungo, depois de umas golfadas de ar, finalmente falou.
– Você é Irma Shark!
O sorriso de Christine aumentou ao mesmo tempo em que os olhos de Billy se tornaram ameaçadores. Christine lhe fez um sinal com o olhar e Billy pôs a mão no chão, ficando de cócoras. Snape percebeu uma leve iluminação abaixo de Mundungo e Christine e notou que havia ali um pentagrama, mas nenhum outro percebeu o mesmo.
– Do que está falando, Dunga? Perguntou Lupin preocupado.
– Quem é essa tal de Irma Shark? Perguntou Moody sério.
Mundungo hesitou um pouco antes de começar.
– Ele – ele apontou para Billy com a cabeça – é Billy Shark, líder da maior e mais temida gangue de Londres. Mas há uma lenda urbana que diz que ele não conseguiu isso sozinho. Que havia alguém por trás de Billy Shark, fazendo-o crescer, e depois utilizando-o como um fantoche. E esta pessoa teria o nome de Irma Shark! Ele terminou de falar apontando para Christine que riu.
– Na verdade, o nome era "Irmã de Shark", pois Billy é como um irmão de consideração para mim. E eu não o controlo como um fantoche. Apenas peço alguns favores e participo de algumas missões de recrutamento de vez em quando.
- Então é realmente você! Mundungo concluiu e começou a gargalhar vitorioso.
Christine continuava sorrindo, mas seus olhos estavam apertados. Christine então estalou os dedos fazendo com que Billy, que havia se deslocado para perto de Mundungo, pusesse a mão na têmpora do ruivo e retirasse um fio de pensamento à força, fazendo com que o ruivo desmaiasse após o processo.
– Mundungo! Os bruxos correram ao seu encontro enquanto Billy olhava para o fio prateado.
– O que eu faço com isso? Ele perguntou para Christine.
Lothy se aproximou, abrindo sua bocarra e apontando para dentro. Billy então deixou o fio de pensamento cair na bocarra de Lothy, que o engoliu rapidamente.
– O que fez com ele? Bradou Sirius.
Billy encheu o peito, pronto para responder no mesmo tom, mas Christine levantou sua mão, impedindo-o e respondeu entediada.
– Billy retirou permanentemente da memória dele a informação de que sou Irma Shark. Ele nunca mais poderá fazer essa relação de novo. Esta é uma informação preciosa que jamais deve cair em mãos erradas.
– Mas ele nos contou. Apontou Fred.
– Isso significa que confia em nós essa informação? Perguntou Jorge.
– Ou que teremos o mesmo fim que ele? Perguntou Fred.
– Nenhum dos dois. Billy o enfeitiçou e a mim enquanto ele contava a vocês. Daqui a pouco esta informação será esquecida e sequer será armazenada em suas memórias-permanentes.
Um rápido olhar de Christine para Snape o fez perceber que não estava incluído no feitiço.
– A propósito Christine, eu conheci o novato. Disse Billy sério. Christine o encarou.
– E daí?
– Daí que ele não conhece o preço que se paga por estar ao seu lado! Billy esbravejou.
– É claro que não sabe. Ele não irá pagar o preço. Christine respondeu calma.
Billy a encarou pálido.
– Está dizendo...que ele receberá tratamento especial...por ser um bruxo! Billy falava tremendo de raiva.
– Não. – Christine disse autoritária, se levantando e indo até Billy. – Billy, este é um assunto muito delicado...
– ELE NÃO RESPONDEU A PERGUNTA! – Billy explodiu, mas ao ver o olhar repreensivo de Christine começou a falar mais baixo. – Como pode confiar nele se ele nem respondeu a pergunta?
Christine segurou o rosto de Billy com as mãos o encarou séria.
– Eu não quero que ninguém cumpra a pergunta, Billy. Eu nunca quis. E – ela começou a falar mais baixo para que apenas Billy pudesse ouvir – quanto ao preço de Snape, foi meu pai que o colocou em minhas linhas. Snape aceitou seu destino, mas... eu não vou estipular um preço a algo imposto. Se meu pai quiser fazer isso, eles que se entendam sem mim. – Christine se afastou e voltou a falar em tom normal. – Não gosto que discutam minhas decisões, Billy. Lembre-se que foi graças a elas que você está aqui.
– Sim, eu sei e peço perdão pela minha insolência. Ele disse se curvando.
Christine deu as costas, voltando para sua cadeira e cruzando as pernas.
– Mais alguma coisa? Ela perguntou levantando a sobrancelha.
– Sim. A encomenda que me pediu há alguns anos está pronta, quando quiser pode ir visitá-la, e o serviço que me pediu ontem a noite foi feito. – Billy tirou dois arquivos de seu sobretudo. – Aqui estão as fotos do serviço e os espólios.
Christine pegou o arquivo com as fotos. Apesar de ser uma feiticeira e estar acostumada com atrocidades, Christine não foi capaz de olhar por muito tempo para as fotos, virando o rosto numa expressão de repulsa.
– Eu nunca imaginei que algo tão horrendo e atroz pudesse ser feito algum dia, mas... – Christine fechou o arquivo e sua expressão mudou instantaneamente para orgulho. – você se superou Billy. Meus parabéns. Foi perfeito.
– Segundo suas especificações, é claro. Ele disse sorrindo.
– O que você pediu a ele? Perguntou Lupin.
– Nada demais. Um favor que irá me ajudar num plano que poderá beneficiar a Ordem, mas principalmente, irá me beneficiar.
– Mas o que é? Insistiu Black, mas Christine simplesmente o ignorou e Billy, por precaução, guardou a pasta com fotos.
– Agora vamos à distribuição de espólios. – Ela disse folheando a outra pasta. Isto aqui é o seu pagamento. – Ela disse entregando algumas folhas a Billy que sorriu agradecendo. – Isto é meu. Isto é de Caliel. – Ela foi separando separando os conteúdos, que eram imediatamente enviados por Lothy. Christine sorriu maleficamente ao pegar um anel de rubi. – Isto é de Viviam. E isto... acho que vou dá-lo para o Lord.
Todos se surpreenderam com as palavras de Christine, inclusive Billy que resmungou.
– Achei que era a única que não se curvava para o Lord.
– E quem disse que eu me curvo? Mas ainda não entreguei meu presente de natal a ele e isso seria uma falta de educação, uma vez que eu entreguei a todos meus aliados.
– Então Voldemort é seu aliado? Perguntou Black.
Os dois feiticeiros o encaravam confusos.
– Quem? Billy perguntou.
– Do que está falando senhor Black? – Perguntou Christine. Então a compreensão a atingiu. – Oh, Bastard! Você pensou que falávamos...oh, Bastard!
– O que ele pensou? Perguntou Billy.
– Que falávamos de um pseudo-lord bruxo contra quem eles lutam. Billy começou a rir da confusão.
– Então você falavam sobre quem? Perguntou Molly.
– Lord Gray, é óbvio! Falou Billy.
- Lord Gray é um dos feiticeiros mais importantes, chefe da família mais nobre e pai de meu namorado, Dhrimiam.
Todos ficaram surpresos, fosse pela revelação de comprometimento de Christine, fosse pelo erro cometido. Christine continuou.
– Além do mais, por que eu iria me aliar com Voldemort? O que ele teria a me oferecer?
– Cabeças bruxas? Billy tentou. Christine bufou.
– Cabeças. Pois saiba Billy, que as melhores cabeças estão do lado de Voldemort. Se eu estivesse nessa guerra apenas para matar, eu ficaria exatamente contra ele. Quero dizer, olhe os comensais! Eles praticamente são feiticeiros com menos poder. Voldemort tem dementadores, gigantes, feiticeiros e eu nem tenho a lista inteira. Então não venha me dizer que o lado de Voldemort me oferece mais cabeças porque são todas de péssima qualidade, a exceção desses aqui presentes. O melhor lugar para estar nessa guerra é exatamente onde eu estou.
Os feiticeiros ouviram aquele discurso um tanto pasmos. Aquele era o lado feiticeiro falando, aquele que seria capaz de pesquisar o melhor local em uma guerra apenas para querer matar mais, sem se preocupar com ideologias. Seu lado assassino. Christine percebeu o estado de choque em que a maioria dos bruxos estava e tentou remediar seu discurso.
– Mesmo que o lado de Voldemort fosse uma melhor escolha, eu tenho dois motivos para lutar ao lado de vocês. Mas lembrem-se: Eu sou uma feiticeira, uma assassina, e é assim que eu luto e vou lutar ao lado de vocês. Vou lutar pensando em matar por matar e não por algum tipo de ideal. Sou uma mercenária aqui, não se esqueçam disso.
Os bruxos não foram capazes de responder e Billy aproveitou a situação para falar, tirando uma foto do casaco enquanto Christine despachava a última folha por Lothy.
– Quase me esqueci. Selene me pediu para entregar isso.
– Selene? Christine perguntou surpresa.
– Sim, eu também achei estranho. Perguntei por que ela não poderia te entregar em mãos, mas ela disse que eu provavelmente me encontraria com você antes.
Christine pôs a foto na mesa de cabeça para baixo para que ninguém mais olhasse, mas continuou encarando-a.
– Alguma notícia...do meu mestre? Billy perguntou um tanto constrangido com a palavra. Christine o olhou pesarosa.
– Não, mas vamos matá-lo, você sabe.
– Eu não iria querer outra coisa, Christine. Billy disse com os olhos baixos.
– Eu...posso conseguir que você veja a execução dele, se desejar. Christine tentou consolá-lo.
– Eu adoraria. Billy sorriu mais animado.
– É, porque não há nada melhor do que assistir a uma execução de alguém. – Disse Sirius com sarcasmo. – Um bando de psicopatas que gostam de matar uns aos outros... Nem sei como ainda restam seres de sua raça. Vocês são doentes!
Billy começou a avançar para Black rosnando, mas Christine segurou seu braço.
– Senhor Black, não fale do que não entende.
– Por que ele está vivo afinal de contas? Achei que mais do que ninguém, você iria querer matá-lo! Billy esbravejou, ainda tentando avançar em Black.
– O que está dizendo Billy? Perguntou Christine.
– Que lobos sarnentos devem ser sacrificados!
Christine soltou o braço de Billy em choque. Billy, ao perceber a reação de Christine, olhou-a intensamente.
– Você não sabia? Perguntou descrente.
– Esta é uma acusação muito séria Billy...
– É A VERDADE! Ele gritou.
Christine olhou para Sirius como se nunca o tivesse visto antes e apontou seu báculo para ele. Imediatamente um alvo azul neon apareceu no meio da testa de Sirius. Os olhos de Christine se abriram em pânico.
– Pelas sete caudas da raposa! Ela exclamou enquanto recuava até bater na parede. Billy correu para ampará-la, pois ela parecia não ter mais forças nas pernas.
– Chris, basta uma ordem e meus homens estarão aqui. Ainda podemos matá-lo.
'Não podem não.' Ouviu Scarface.
'Você sabe que não.' Reforçou Alphonse.
– Não podemos. Christine disse por fim, tentando se recompor.
– Por que não, Chris? Ele é um maldito lobo!
'É bom vocês me darem um bom motivo para me deixarem perto de um lobo e ainda querer que ele viva!' Ela reclamou para os irmãos.
Christine ficou um tempo em silêncio, ouvindo a explicação dos irmãos, para depois sussurrá-la no ouvido de Billy. A medida que contava, os olhos de Billy se abriam de surpresa.
– Tem certeza? Billy perguntou ao fim da explicação.
– Você duvida de mim? Christine perguntou ofendida.
– Não. Ele disse convicto.
– Billy, acho melhor você ir. Christine disse depois de um tempo.
– Tem razão. Não quero correr riscos. – Ele disse olhando para Black com desprezo. Depois voltou-se para Christine preocupado. – E você?
– Eu preciso ficar aqui. Ordens do meu pai. Mas não se preocupe, eu tenho um bom autocontrole.
– É bom mesmo. – ele disse rindo, mas o riso foi morrendo aos poucos. – Mas se não agüentar, eu estou aqui.
Christine sorriu triste enquanto via Billy se dirigir para a parede que se abrira. Porém, antes de entrar ele se voltou para Snape e falou:
– A pergunta é: Você daria sua vida para salvar a de Christine?
E sem esperar por uma resposta, entrou.
Christine continuava escorada na parede, tentando se recompor, quando viu Sirius se aproximar, falando enraivecido.
– Ok. Em primeiro lugar, que marca estranha é essa na minha testa e em segundo, por que ele me chamou de lobo?
– Senhor Black, para sua própria segurança, seria melhor se o senhor se afastasse de mim.
– Por que? Perguntou Lupin. Christine respirou fundo.
– Este alvo na sua testa é chamado de Marca do Condenado. Segundo a lenda , ela identifica os inimigos de Bastard e incita seus seguidores a odiá-los e matá-los. Lobo é um nome popular para esses condenados, pois eram os inimigos naturais de Bastard.
– Espera um pouco. Bastard? Ele é um mito, não é real! Exclamou Hermione.
– Bastard é tão real quanto Griffindor. Retrucou Christine.
– E que provas você tem?
'Todas.' Pensou Christine, embora sua resposta tenha sido outra.
– Fora o fato de senhor Black possuir esta marca? Suficientes. Ela disse e saiu da cozinha.
Snape a seguiu em silêncio, aproveitando que ninguém o percebera, para perguntar mais coisas para Christine. Coisas que só um aliado poderia saber.
– Espere Christine. Eu...
– Não vou lhe dizer qual é o preço, senhor Snape, nem porque o senhor não precisa pagá-lo.
– Por que não?
– Porque não irá influenciar em nada o nosso acordo e... isso não é algo que eu me sinta confortável a falar. – Snape abriu a boca para retrucar, mas Christine o interrompeu. – Escute, o senhor se tornou meu aliado sob circunstâncias excepcionais. Logo, seu contrato é diferente dos outros. Billy não deve ter percebido isso no relatório, mas estava lá.
– Tudo bem. Quanto à pergunta...
– Eu não preciso da resposta. Christine disse categórica.
– Mas...
– Isso não vai influenciar em nada no contrato. Independente disso você é meu aliado e ponto final. Além do mais – os olhos de Chistine começaram a ficar tristes. – eu até gostaria que dissesse não. Muitos de maus aliados morreram por minha causa. Eu não quero, nem vou permitir que isso se repita. – Ante o silêncio de Snape ela perguntou. – Era só isso, senhor Snape?
Ele assentiu e Christine foi para seu quarto, dizendo um "bom dia" enquanto voltava a subir as escadas. Snape voltou para a cozinha, repassando a declaração de Christine quando algo tomou sua atenção: Black e o trio de grifinórios pegaram a foto que Billy deixara e estavam observando.
– Isso não pertence a vocês. Ele disse tentando pegar a foto.
– A sua feiticeira era uma gracinha quando criança. Black disse levantando a fotografia para que Snape não a alcançasse.
Irritado com a criancice, Snape pegou sua varinha e disse "Accio foto" e a foto voou para sua mão. Nela Christine devia ter entre 6 e 7 anos, usava um vestido cheio de babados com uma saia balão, como uma boneca. Ela segurava um bebê com uma expressão de extrema felicidade. Atrás dela havia um casal usando roupas de couro e peles, com uma aparência selvagem, sorrindo, e um garoto de 12 anos, igual aos adultos, mas de aparência entediada. A foto era trouxa, mas parecia possuir pequenos movimentos.
'Encoste a varinha na foto.' Ele ouviu a voz infantil de Lothy ecoar em sua cabeça. Ele a obedeceu e um flash de luz saiu imediatamente da foto, transformando a sala numa imensa floresta. Snape percebeu imediatamente que estava numa lembrança, embora não fosse capaz de ver ninguém no local.
A floresta era densa e com árvores grossas, onde o sol mal conseguia chegar. Não havia ninguém por perto, mas o som de passos era ouvido. Mesmo assim, se surpreendeu quando o homem da foto apareceu, correndo mais rápido que um centauro e freando em sua frente.
Ele tinha longos cabelos castanhos, presos por uma fita de couro, cheio de folhas e gravetos como se nunca tivesse sido penteados. Usava apenas uma calça e sobretudo, ambos bastante gasto e sujos. Era bastante forte e seu peito era marcado por diversas cicatrizes, uma delas ainda em cicatrização. Seus olhos castanhos observavam a floresta atentos enquanto seu nariz farejava o ar.
Ele parou subitamente tudo o que fazia, retirou o sobretudo de um jeito displicente, revelando mais cicatrizes nas costas, e o estendeu sobre a raiz de uma árvore que se levantara, formando um banco natural. Ele se sentou ao lado do casaco, suspirou e falou para o pequeno vão entre a árvore e o chão.
– Você esqueceu de encobrir seu cheiro. – Nada aconteceu. – Eu sei que está aí e não vou embora sem você. Pode continuar a me ignorar, mas eu realmente gostaria de entender porque você fugiu e quem sabe, conversar um pouco. – Mais silêncio. – Sabe que pode confiar em mim.
Um leve barulho foi ouvido dentro do vão e, lentamente, a pequena Christine da foto saiu se arrastando para fora. O homem a ajudou a sair e depois a olhou.
Christine estava toda suja de terra, seu vestido branco encardido, seu cabelo cheio de folhas e com uma expressão entre triste e envergonhada. O homem riu e começou a limpar seu rostinho com um lenço.
– Olha só como você está suja. Agora vou ter que ouvir Daniela reclamar, dizendo que somos um bando de selvagens que nem conseguem te manter limpa...
Ele parou de falar quando percebeu as lágrimas saindo de seu rostinho inalterado.
– Ei. – ele falou mais sério. – Eu estou brincando. Não me importo nem um pouco com o que Daniela vai dizer.
Porém aquelas palavras não acalmaram Christine, que pôs as mãos em seu rostinho para chorar, mas o homem as retirou.
– Não precisa ter vergonha. – Ele disse trazendo-a para seu colo e aninhando-a em seu peito. – Deixe-me ser seu cúmplice de lágrimas. Chore o que precisar chorar, eu não vou sair daqui.
Christine obedeceu e chorou abertamente. O homem não disse mais nada, apenas a abraçava e acariciava suas costas. O choro de Christine durou alguns minutos e aos poucos ela foi se acalmando. Quando ela pareceu terminar, ele limpou suas lágrimas com outro lenço, dessa vez conjurado, retirou de seu casaco um cantil e o ofereceu a Christine que o bebeu avidamente. Ele esperou ela devolver o cantil e perguntou:
– Está melhor?
Ela assentiu com a cabeça. Ele a sentou em cima do casaco e disse:
– Ótimo, então podemos conversar. Por que fugiu do velório de Dustan?
Christine hesitou antes de responder.
– Por que eu tinha medo que a família dele me culpasse.
– Eles nunca iriam fazer isso, Christine. Você não teve culpa de nada...
– Tive sim! – Ela gritou com a voz aguda pelo choro. – Dustan morreu para me salvar. Se eu não fosse filha de Bastard os indignos não teriam atacado, Dustan não tentaria me proteger e não acabaria morto!
– Christine. Indignos sempre atacam, com você aqui ou não. O homem tentou argumentar.
– Mas eles sempre atacam mais quando eu estou aqui. Eu sei disso. Christine falou.
– E Dustan iria te proteger, você sendo filha Dele ou não. Você é uma criança Chris, e crianças devem ser protegidas pelos adultos. Dustan nunca seria capaz de olhar novamente para sua mulher e filhos se deixasse uma criança morrer.
Christine balançou a cabeça com convicção.
– Ele morreu por minha causa, Tris. Todos que eu gosto morrem por causa do meu sangue. Eu não quero isso Tristan, não quero que pessoas se sacrifiquem por mim, não quero que meus amigos morram por minha causa. E se tudo isso é por causa do meu maldito sangue eu não quero mais ele! Ela terminou a frase chorando e cravando suas pequenas unhas manicuradas no pulso.
Apesar da tentativa de suicídio ser muito fraca e ineficaz, Tristan se assustou e segurou rapidamente seus bracinhos, encarando-a sério. Porém, Christine devolveu um olhar triste que amoleceu o coração do lobisomem.
– Por favor, Christine, nunca mais faça isso de novo. – Ele pediu soltando seus bracinhos gentilmente. – Eu sei que está triste por nós, mas lembre-se: precisamos de você. Você, minha princesinha de três caudas, é a única capaz de enfrentar o que está por vir e é por isso que te protegemos; porque podemos lidar com esses pequenos obstáculos agora, mas no futuro, só você poderá lidar com...seu destino.
Christine o abraçou triste, como se temesse que Tristan pudesse morrer naquele minuto.
– Christine, sempre tenha orgulho do que você é e do que representa, mesmo com todos os infortúnios que sua posição lhe traz, pois você sabe que é a única capaz de superá-las.
– O único infortúnio que eu temo é o de perder todos os meus amigos no caminho... é o de perder você! – Christine disse chorando no colo de Tristan. – Eu te amo Tris. Eu queria muito que você tivesse sido o escolhido para ser meu pai e não Caliel.
Tristan a abraçou com mais força e confessou sussurrando.
– Eu teria ficado honrado e muito feliz. Você seria uma ótima filha.
E finalmente seus olhos expressaram dor. Snape o observou mais atentamente enquanto ele consolava Christine.
Uma batalha de sentimento se passava pelos olhos de Tristan. Por um lado, ele sabia que um dia iria morrer por causa de Christine e já havia se resignado com isso. Por outro, o sofrimento de Christine e o medo de ser abandonada por aqueles que amava o havia atingido. Christine não parecia lidar com as morte de seus aliados como uma feiticeira, o que agradava e preocupava Tristan. O primeiro por ela ter um belo coração, raro entre os da sua raça, e o segundo por saber que ela sofreria mais do que o normal quando a hora chegasse.
– Você nunca estará sozinha, princesa. Seu pai e seus irmãos sempre estarão ao seu lado. Ele tentou.
– Prefiro ficar com você. Ela disse manhosa e ele deu um sorriso triste. Um brilho passou pelos olhos de Tristan que afastou Christine para encará-la.
– Já sei o que vamos fazer: Você vai treinar bastante e ficar bem forte e um dia...
– Eu vou poder defender vocês? Christine tentou completar, as ametistas brilhando de expectativa.
– Não. – Ele disse e teve que rir do biquinho de decepção dela. – Mas você poderá lutar ao nosso lado, como iguais.
– Promete? Já não havia mais tristeza em seu rosto e sim determinação para o futuro.
– Palavra de lobisomem. – Ele disse solene enquanto apertava a mãozinha dela. – Agora vamos princesinha, temos que voltar para o velório de Dustan e pedir desculpas por nossa saída repentina. Ele disse colocando-a no chão e se levantando.
– Tem certeza que a esposa dele vai me perdoar?
– Absoluta. Ela e Dustan sabiam das conseqüências.
– Que conseqüências? Perguntou Christine.
– Que qualquer um de nós poderia morrer ao lutar contra aquele indigno. Tristan explicou, mas Snape percebeu que ele não falara tudo.
– Tristan.
– Sim? Ele perguntou enquanto colocava o sobretudo.
– Poderia para de me chamar de princesa? Ele riu.
– Como quer que eu a chame então?
– Como chama todas as outras lobisomens: de irmã.
Ele a olhou com carinho, assentiu com a cabeça e de ajoelhou de costas para ela.
– Então vamos irmãzinha. Ela fez uma careta.
– Eu posso correr sozinha.
– Eu sei, mas estamos com pressa. E eu corro mais rápido que você. Ele riu do embaraço dela.
Christine, ainda envergonhada, subiu nas costas de Tristan.
– Segure-se firme. Foi tudo o que ele disse antes de disparar a correr de quatro.
Como se estivesse amarrado ao lobisomem, Snape sentiu um puxão pelo umbigo e a floresta pareceu correr contra ele. Ainda conseguia ver Christine cavalgando no lobisomem, que corria mais rápido do que quando estava sobre duas pernas.
– Tristan?
– Sim, irmãzinha?
– Posso contar que cavalguei em um lobisomem não-transformado?
– Não. Ela riu com a resposta.
E tudo ficou branco.
Snape sentiu que estavam para sair da foto, quando ouviu a voz de Tristan.
– Eu te amo muito para te julgar, irmãzinha. Por isso, não precisa ter medo de mim. Ainda sou seu cúmplice de lágrimas e ainda espero um dia cumprir nossa promessa.
A voz se calou ao mesmo tempo em que voltava para a cozinha num flash de luz. Snape viu os bruxos descobrindo os olhos, voltando a enxergar. Aparentemente só ele vira o conteúdo da foto.
– O que aconteceu? Perguntou Rony.
– Será que essa foto cega todos se ativada? Hermione analisou.
– Espero que a foto não tenha se estragado...
Mas Snape não esperou Lupin terminar sua frase, pegando a foto e saindo do cômodo assim que ouviu os passos de Christine indo para a porta.
– Vai sair? Ele perguntou quando ela ia entrar no vestíbulo.
– Preciso resolver alguns assuntos. Ela disse ainda desconfortável pela conversa anterior.
– Leve isso.
Ele estendeu a foto e a viu hesitar.
– Entregue-a para Lothy. Ela sabe onde guardar. Christine disse, mas como o braço de Snape não cedeu, ela se viu forçada a pegar a foto.
– Christine.
– Sim? Ela disse se virando, já em frente a porta de saída.
– Você já montou em um lobisomem não-transformado?
Christine ficou muda, a face insondável. Por fim, respondeu enquanto abria a porta.
– Não. E saiu antes de ver que Snape percebera a mentira.
Oi gente! Eu sei q este cap está super-mega-ultra-atrasado, mas entendam q ele tem 28 paginas e que no meio tempo eu pensei até em desistir de postar a fic. Como eu estou cursando uma facul q exige criatividade e historias originais, estou tendo q escrever e pensar em 3 historias ao mesmo tempo sem contar com essa fic! Eu fiquei muito na dúvida se deveria ou não colocar esse flash back. Tristan é um dos meus pjs favoritos, embora eu não vá ter tempo de desenvolve-lo bem na história. Por favor me digam se gostam ou não de flash backs pq a proxima talvez tenha alguns. Se vcs gostam, eu irei colocá-los, se não, irei passar por eles bem rápido. Afinal, eles não são a história principal...
TTSeven: muito obrigada por tudo (principalmente pelas 4 reviews e pela intenção de me ajudar), meus contatos de sirius as veses somem e por isso eu empaco numa parte da fic em q preciso saber o q ele diria. Se o sirius dessa historia tiver uma droga é pq EU NÃO SEI FAZER ELE! O q o dumby fez eh um segredo q vai ser revelado um poko mais pra frente, mas foi o suficiente para todos aqueles q gostam da chris se voltarem contra ele, o q sabemos q eh muito perigoso... é tudo q eu posso falar!
Amanda Lais: para minha infelicidade eu percebi q soh consigo postar caps semestralmente, pq eu escrevo mais durante as férias e pq meus caps são enormes. As vezes eu consigo postar 2 no inicio dos anos, mas nem sempre rola. Eu agradeço q vc vire uma leitora fixa e q mais alguem além da TTS esteja lendo.
E no proximo capítulo: Uma aliada de Christine aparece, desenterrando histórias e temores que Christine gostaria de esquecer.
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