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Os personagens de Saint Seiya pertencem ao tio Kurumada e é ele quem enche os bolsinhos. Todos os outros personagens são meus, eu não ganho nenhum centavo com eles, mas morro de ciúmes.
COISAS DA VIDA III – SAORI
Chiisana Hana
O poderoso Mitsumasa Kido está em seu luxuoso carro com sua netinha Saori. Eles acabam de passar por uma loja de brinquedos.
- Vovô, eu quero todos os brinquedos daquela loja! – a menina diz, autoritária.
- Claro, querida. Tatsumi, compre a loja inteira. Pague quanto for necessário. Saori quer tudo e ela vai ter.
- Sim, Senhor.
- Pronto, querida. Todos os brinquedos serão seus.
- Obrigada, vovô! Vovô, por que eu não tenho pai? Nem mãe? Por que só tenho avô, vovô?
- Querida, essa é uma longa história.
- Eu quero ouvir, vovô! Pode começar. Não estou cansada, não!
- Bom, é que seus pais morreram logo depois que você nasceu lá na Grécia, querida.
- Eu sou ‘greciana’, vovô?
- É grega, Saori. Diz-se grega. E você é grega, sim. Quando seus pais morreram, seu vovô trouxe você para o Japão.
- Como se chamavam a minha mamãe e o meu papai?
- Ah... bom... sua mãe se chamava... se chamava... Hera... e seu pai... erh... Zeus. - diz o senhor Kido, tentando não rir ao pensar que a Athena mitológica nascera de uma machadada na cabeça de Zeus, já adulta e armada.
- Que nomes engraçados!
- É. Você nasceu numa linda noite estrelada. E era o bebê mais lindo que eu já vi.
- Eu ainda sou muito linda, vovô.
- É a criança mais linda de todas. Chegamos em casa, querida. Vá lavar as mãozinhas para jantarmos.
- Tá bom, vovô.
- Está começando a ficar curiosa. Não é bom, mas é inevitável. - sussurra o magnata.
- O que disse, senhor? – indaga o mordomo.
- Nada, Tatsumi. Depois do jantar preciso falar com você. Um assunto muito sério.
- Sim, Senhor.
Mitsumasa Kido janta com sua netinha e depois de colocá-la para dormir, segue para o escritório, onde Tatsumi já o espera.
- Tatsumi, meu fiel mordomo, há quantos anos você está comigo? Quantos segredos meus você sabe?
- Muitos anos, senhor. Sinto-me muito honrado por ter sua confiança.
- Você a tem, sim. É o único a quem posso confiar meu principal segredo. É sobre Saori. Você sabe que ela não é minha neta. Afinal, meu único filho legítimo, Mei, ainda é criança e está sendo treinado para ser cavaleiro. (1)
- Eu sei.
- Também sabe que eu a trouxe da Grécia, que falsifiquei alguns documentos, inclusive a certidão de nascimento de uma filha que nunca tive para poder colocar o nome dela, e conseqüentemente o meu, no registro de Saori. Se não fosse assim, jamais poderia trazê-la comigo.
-Sim, senhor.
- O que eu não lhe contei foi que eu não trouxe a menina por causa do desejo de ter uma filha, você sabe que tenho muitas filhas bastardas. Podia escolher qualquer uma delas.
- Sim, senhor.
- Ora, pare de dizer ‘sim, senhor’!
- Desculpe, senhor.
- Saori tem uma importância muito maior do que parece. E como eu sinto que meus dias na Terra estão chegando ao fim, preciso confiar esse segredo a alguém. Ele não pode morrer comigo.
- Pode contar, senhor.
- Saori é a reencarnação de uma deusa, Tatsumi. Da deusa Athena.
E os dois conversam por um longo tempo, até que o Sr. Kido recolhe-se ao seu quarto.
No dia seguinte...
- Deixa eu ir acordar meu vovô, sua tonta! Eu quero ir! - grita Saori, chutando a canela de sua babá.
- Srta. Saori, o Sr. Kido pediu para não ser acordado cedo.
- Eu mando nessa casa e mando em você também! Eu vou acordar meu vovô! - grita a menina ainda mais alto antes de sair correndo para o quarto do avô. - Vovô!! - diz alegremente, ao pular na cama de Kido. - Ô, vovô, acorda! Vim te dar um beijo de bom dia!! Vovô!! Por que meu vovô não acorda? Vovô! Eiiiiiiiiiiiii - Saori grita chamando sua babá. - Me ajuda a chamar ele, sua tonta! Vovô!
- Vamos sair, Srta. Saori. - diz a mocinha, com um olhar perplexo. - Vou chamar o Sr. Tatsumi. Sr. Kido... não posso acreditar... que ele partiu... Tatsumiiiiiiiii!
- Que você quer dizer? Ele ainda está aqui. Num partiu não. Ele só vai viajar amanhã! Você é tonta mesmo!
Tatsumi entra no quarto e se aproxima de seu patrão. Verifica o pulso. O coração dele já não bate mais.
- Vá com a Sachiko, Srta. Saori - diz Tatsumi, chorando discretamente.
- Por que você está chorando, seu tonto? Me ajuda a acordar o vovô!
- O vovô não vai acordar mais, Saori. – diz o mordomo.
- Como não vai? Vai sim! Eu quero que ele acorde e eu tenho tudo que eu quero!
- Não dessa vez. O vovô dormiu para sempre.
- Que sempre? Que sempre? Ninguém dorme para sempre! Eu não sou boba! A gente só dorme de noite e pronto.
- Não, senhorita. Às vezes a gente dorme e não acorda mais. Foi isso que aconteceu com o vovô.
- Não quero! Quero o vovô aqui! Traga ele de volta! Vovô!
- Leve-a, Sachiko. Vou tomar as providências.
- Vamos, menina. - diz a babá, também profundamente comovida. - O senhor Kido sempre foi austero, mas era um bom patrão e amava tanto a menina Saori.
- Eu não querooooo! Vovô!
No dia seguinte, depois de muitos gritos de Saori, todos os empregados estão na sala da mansão ao redor do caixão do senhor Kido. Depois, o caixão iria para o Ginásio da Fundação que ele construíra, para receber as últimas homenagens. Kido era um homem importante e muito conhecido pela imensa fortuna, mas também pelo interesse por causas sociais. Todas as grandes autoridades da Ásia estariam presentes.
- Por que colocaram ele nessa caixa?? - pergunta Saori, no colo de Tatsumi, olhando o avô dentro do caixão.
- É onde ele vai descansar para sempre.
- Não parece fofinho. Não quero que meu vovô fique numa cama feia, preta e dura.
- Ele está confortável, senhorita. Despeça-se dele agora. Temos que levá-lo.
- Despedir? Dizer adeus?
- É.
- Não vou dizer adeus! Meu vovô vai voltar. Eu sei. Vocês estão me enganando.
- Dê um beijinho na testa dele.
- Tá bem. Tchau, vovô. Volta logo desse descanso na camona dura.
- Pronto. Podem levá-lo. - acena Tatsumi para os outros empregados.
- Ei, por que estão fechando a camona? Tem ar condicionado lá dentro?
- Saori, você é uma menina inteligente. Por que não quer entender que o vovô não vai voltar.
- Porque eu sei que ele vai voltar sim! Ele nunca me deixaria sozinha! Nunca! Seus tontos!
- Está bem. Sachiko, leve-a para o quarto. Nós vamos para o ginásio.
À noite, ao retornar do funeral, o desolado mordomo toma um café.
- Tatsumi, o vovô morreu, não é? - diz a menina, aproximando-se timidamente.
- É. Que bom que você entendeu.
- Eu pensei que fosse brincadeirinha dele. Quero meu vovô. - diz a menina, chorando.
- Agora você só tem a mim, Saori. E eu prometo que vou cuidar de você.
- Não serve. Quero o vovô Kido.
- Não adianta querer.
- Agora não tem nem aqueles órfãos pra eu brincar. No ano passado foram todos embora. Só tem você mesmo? Você é chato.
- Eu sou, mas não quer tentar brincar comigo?
- Brincar de quê? Você é muito grande... Ah. já sei! Vamos brincar de Godzilla! E você é o Godzilla que vai destruir a minha cidade!
- Está bem, senhorita. - diz Tatsumi.
- Venha, Godzilla!
- Eu sou o Godzilla! Vou destruir tudo!
- Não é assim. Tem que fazer cara de Gozilla! E Godzilla não fala, seu tonto. Ele só faz uns barulhos: grrrrrrrrr, brrrrrruuuuu, brrrrrrauuuuuu, grrrrrrrooooooooo. Entendeu?
- Sim.
- Vamos lá, Godzilla Tatsumi! Destrua tudo. Eu vou só gritar e pedir socorro.
- Grrrrrrrrrr... - e lá vai Tatsumi, bancando o Godzilla para entreter a menina.
- Ahhhhhh! Um monstro horrível! Socorro! Quem vai me ajudar?! Minha casinha! Ai, ai! Derrubou minha casinha!
No fim da brincadeira...
- Você não é tão chato assim, Godzilla Tatsumi.
- Obrigado, senhorita.
- Cansei de brincar. Me leva pro quarto?
- Boa idéia. Sachiko vai lhe dar um banho e você vai dormir.
- Você me conta uma história? O vovô gostava de ler para mim.
- Está bem. Depois do banho, eu conto.
Na cama...
- Era uma vez uma linda princesinha chamada...
- Quero que o nome da princesa seja Saori. - a menina interrompe autoritariamente.
- Está bem, princesa Saori. Ela caminhava alegremente pelo jardim de seu palácio e...
- Encontrou um jacaré azul.
- Não vai me deixar contar a história?
- O vovô deixava eu inventar as coisas. Ele chamava de in... inte... intetedadivadid...
- Interatividade?
- Isso.
- Está bem. Uma história interativa. Vamos continuar. Tomara que ela se canse e durma logo.
Uma hora depois ...
- Uff... finalmente adormeceu. Boa noite, senhorita. Durma bem. Sonhe com seu vovô Kido. Agora seus sonhos são o único lugar onde poderá vê-lo.
FIM
(1) Está na Gigantomaquia. Mei é o único filho legítimo de Mitsumasa Kido e submeteu-se ao treinamento para cavaleiro por vontade própria.
Nota: Pelas minhas contas, Saori tinha oito anos quando o avô morreu, certo? Ou errado? Não importa. Nem o Kurumada sabe fazer as contas direito. Como é que Marin e Shina, com 16 anos, treinaram Seiya e Cassius respectivamente por 6 anos. Viraram amazonas aos 10? E quando foram treinadas? Melhor nem tentar pensar pra não dar nó na cabeça.