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Capítulo 5
“Como uma rosa florescendo no deserto”
Time may change my life
(Tempo pode mudar minha vida)
But my heart remains the same to you
(Mas meu coração continua o mesmo pra você)
Time may change your heart
(Tempo pode mudar o seu coração)
My love for you never changes
(Meu amor por você nunca muda)
Harry soube através do vínculo que os unia, que Draco Malfoy estava acordando.
Os olhos verdes se mantinham fixos no rosto pálido, que se contraía. Fora uma longa noite, uma dura vigília. Finalmente chegava ao fim.
Harry passara a noite toda vigiando o loiro, velando-lhe o sono conturbado, sentado em uma cadeira ao lado da cabeceira do Auror. Precisava ter a certeza de que tudo ficaria bem ou nunca se perdoaria.
Desorientado, Draco despertou. Parecendo confuso, observou o quarto muito claro, pintado de branco, olhou para si próprio, coberto com um edredom amarelo. Finalizou fixando as íris cinzentas em Harry. O ex-Slytherin parecia um tanto surpreso.
– Malfoy? – Harry perguntou tentando não soar ansioso.
Desde a noite anterior, quando levara o Auror ao Libertinus apesar de todas as recomendações, ele aguardava preocupado o momento quem que o loiro acordaria. Tinha que se desculpar pelo ato imprudente. Brincara com a vida do outro de forma despreocupada e sentia-se culpado. Havia prioridades naquele caso, e a vida das pessoas era a maior de todas. Não podia salvar Dean Thomas à custa de Draco Malfoy. Não podia mesmo...
Sem responder, Draco ergueu uma sobrancelha, fitando Harry com o que parecia ser curiosidade. O Inominável insistiu:
– Malfoy...?
– Quem... – Draco perguntou em voz baixa – ... é você? Que lugar é esse?
O coração de Harry deu um salto. Ele não compreendeu as perguntas desorientadas. Poderia o vínculo ter afetado tanto Draco a ponto dele se esquecer das coisas? Perder a memória?
Draco analisou a profunda palidez que tomou conta do rosto de Harry, assim como os olhos arregalados e o ar estupefato.
– Você... Não me é estranho... – os olhos cinzentos passearam pelo rosto do Gryffindor. – Quem é...?
Amnésia? Sem memória? Céus!
A culpa esmagou o peito de Harry. Como se já não tivesse problemas o bastante, agora era responsável pela perda de memória de Draco! O quanto o loiro estaria afetado pelos danos? Qual a extensão da amnésia? Haveria um meio de revertê-la?
Então, pra surpresa de Harry, o Auror fechou os olhos riu baixinho, sem forças, mas esbanjando petulância e zombaria divertida:
– Harry, você é um imbecil! – suspirou de leve – Não acredito que caiu nessa!
– O que?
– Idiota!
Draco riu mais um pouquinho, debochando, e Harry sentiu-se realmente um idiota.
– Malfoy, pare com isso!
Imediatamente Draco parou de rir, apesar dos olhos brilharem divertidos. Ele vangloriava-se de ter pregado uma peça no Garoto Que Venceu.
A culpa que Harry sentia evaporou-se por completo. Malfoy era mesmo um bastardo. Nem devia ter se preocupado com o estado do outro. Não... Não era bem assim. Ainda devia desculpas...
Mas só as daria depois que o Auror parasse de debochar de si.
– O que houve, Harry? – Draco olhou em volta outra vez – Só me lembro de termos chegado ao... Libertinus... Não me lembro de mais nada...
Harry sondou pra ver se o ex-Slytherin dizia a verdade. Só explicou ao ter certeza da sinceridade daquela pergunta:
– Você apagou. Havia muita magia natural lá e afetou o vínculo recente.
– Porque eu acho que você está resumindo demais?
Harry rolou os olhos e respirou fundo antes de admitir: – Estou mesmo. Enviei uma coruja para Hermione e Ron. Eles virão para cá, então vamos esclarecer as coisas de uma vez.
Draco amuou: – Não quero que eles me vejam com isso! – referia-se à Coleira.
– Eles não verão. – Harry explicou com pouca paciência – Só quem está relacionado ao Libertinus pode enxergar o Bem de Direto e o Único Dever.
– Mas...
– Calma, Malfoy. Vou explicar tudo, pra você e para o Ron.
Draco mexeu-se na cama de modo desconfortável: – Harry... Eu quero ver a minha mãe! Estou aqui há dois dias! Eu...
– Sinto muito... – dessa vez Harry disse de modo mais gentil – Não pode sair daqui, enquanto o vínculo não se estabilizar. É para o seu próprio bem.
– Harry...
– O que posso fazer é ir com você à Mansão. – Harry afirmou e emendou, cortando o protesto que Draco formulava – É isso ou nada feito. Não vou permitir que corra mais riscos do que ontem à noite.
Draco não retrucou. Apenas remexeu-se outra vez, ainda mais desconfortável. Percebendo o incomodo do outro, Harry depositou a mão aberta sobre o colchão e respirou fundo antes de oferecer:
– Segure aqui. Vai se sentir melhor. – deduziu isso do que Warren lhe dissera na noite anterior.
Talvez fosse influência do vínculo, mas a verdade é que Draco nem cogitou recusar. Sem pensar duas vezes tirou uma mão de sob as cobertas e enroscou os dedos esguios nos de Harry. No mesmo instante todas as sensações ruins foram embora e ele relaxou. Satisfeito, suspirou de leve.
Harry contemplou a palidez acentuada e doentia que destacava ainda mais o brilho dos argutos olhos cinzentos que, naquele momento, pareciam cheios de sono e acalento. No fundo o conforto não era apenas para o loiro. Grande parte era pra si próprio. Então, ele soube: estava sucumbindo às facilidades fornecidas pelo vínculo... O coração acolheu as sensações, a mente deixou-se levar... E Harry entendeu que não era forte o bastante...
– Ei... Harry...? – a voz cheia de sono do Auror cortou o silêncio do quarto.
– O que foi? – Harry indagou distraído.
– Esse... Treco no... Seu... Braço... – Malfoy falou de maneira entrecortada – Mudou de... Cor... Não mudou?
Só então Harry notou o fato. Estivera tão preocupado e absorvido no desmaio de Draco que não percebera antes. Seu Bem de Direito mudara. Agora ele era laranja...
De alguma forma passara a ser um mestre do segundo nível...
HPDM
Draco abriu os olhos lentamente e arrependeu-se amargamente do ato. Viu-se ainda no quarto do Garoto Que Venceu, mas sendo profundamente observado por Hermione Granger, Ronald Weasley e Harry Potter, sentados ao redor da cama. Imediatamente amuou:
– O que estão olhando? – puxou o edredom amarelo até o queixo. Não queria que aqueles dois vissem sua Coleira. Seria humilhante.
– Bom dia, Malfoy... – Ron cumprimentou com diversão na voz. Céus! Queria muito zombar da cara do loiro, mas sabia que se fizesse isso, estaria encrencado com Hermione. E ninguém gostaria de estar encrencado com a jovem mulher.
– Sente-se melhor, Draco? – Harry perguntou e foi mirado com um olhar impaciente.
– Um pouco. – respondeu de má vontade.
– Então se sente. Temos muito que discutir.
Contra a vontade Draco obedeceu, mas manteve o edredom bem seguro, de modo a proteger e ocultar o pescoço. Harry rolou os olhos antes de tomar ar e começar:
– É hora de acabar com todos os segredos. Ron, você também precisa saber o que está acontecendo.
– Sobre o Libertinus, não é? – o ruivo perguntou – Não me diga que o Departamento de Mistérios está envolvido? Deduzi isso ao vê-lo chegando ao Pub, mas desde então não tive oportunidade de perguntar.
Draco franziu as sobrancelhas olhando agudamente para Harry.
– O que Weasley quer dizer com isso?
– Harry é um Inominável, Malfoy. – Hermione explicou – Ele trabalha para o Departamento de Mistérios. Você não achou que ele ficava no Ministério todo esse tempo à toa, achou?
– Ah... – o loiro não deu resposta. Claro que ele achara! O que mais poderia pensar?
– Mas Ron está errado. – o moreno continuou – Não temos nada a ver com o que se passa no Libertinus. O caso foi entregue aos Aurors, e não ao nosso Departamento.
– Certo, amigão. Sabemos que a Luna teve problemas... Ei, mas se você não está envolvido como Inominável o que está fazendo lá? – a expressão de Ron era confusa.
– Bem... Seamus Finnigan e Dean Thomas. – Harry respirou fundo – Eles também fazem parte do Libertinus. Foi Seamus quem me deu o convite. Ele me pediu ajuda...
Ron ficou pálido. O trabalho como Auror ajudara a desenvolver seu pensamento. A cada caso ficava mais aguçado, e seu instinto se aprimorava. Sacou logo:
– Então um dos dois...?
– Hn. Seamus ficou com o Bem de Direito, e entregou o Único Dever a Dean. Mas casais começaram a adoecer, e Seamus entrou em pânico. Pediu minha ajuda para investigar e libertar Dean do feitiço. Só que...
O Inominável calou-se. Hermione tomou pra si a vez de falar:
– Só que Dean contraiu a Doença Misteriosa. Ele está doente, seu corpo se contaminou com a marca rósea e se ela atingir seu coração, Dean morrerá.
Ron ficou pálido. Draco abriu os lábios de leve. Aqueles Gryffindors sabiam de muita coisa a respeito do caso!
– Temos que fazer algo! – Ron praguejou.
– Por isso me infiltrei no Libertinus. Não tinha nenhum submisso, por isso não estava indo a lugar algum. Malfoy apareceu no momento certo! – nesse ponto Harry deu uma olhadinha na direção do Slytherin – Eu não conseguia avançar as investigações. Mas agora... – apontou o bracelete – Passei para o segundo nível. O Bem de Direito ficou laranja.
Ron e Hermione se entreolharam. A garota meneou a cabeça antes de confirmar:
– Não podemos ver ainda, Harry.
– Eu sei. Somente os envolvidos com o Libertinus podem ver. Isso é...
– Errado, Harry. Eu vi muito bem esse seu bracelete, antes de ter entrado no Libertinus, ou de ter qualquer coisa a ver com tudo isso.
Harry concordou com a cabeça: – O terreno ao redor do pub foi encantado com inúmeros feitiços. Dentro dele é possível ver o Bem de Direito e o Único Dever. Fora dele, os feitiços de Anonimato bloqueiam-nos de quem não recebeu o vínculo.
– Esses feitiços incluem o Pacto de Silêncio, não é? – Hermione perguntou.
– Exato. – o Garoto Que Venceu continuou – Por isso Seamus não leva Dean ao St. Mungus. Quebrar o Pacto pode ser infinitamente pior. No caso do Libertinus, é como assinar a sentença de uma morte horrível.
Nesse ponto Hermione enfiou a mão dentro da capa e tirou a varinha e um livro que fora miniaturizado. Bateu com a varinha nele, fazendo-o recuperar o tamanho real:
– A morte do submisso faz com que o Único Dever desapareça. Perla e Syélen não possuíam mais as Coleiras. Harry pôde comprovar. As Dominadoras também não estavam mais com o bracelete.
– Você tem ajudado nisso, não é Mione? – Ron acusou de forma cansada. A esposa estivera a par de tudo, junto com seu melhor amigo. Sentiu-se um tanto traído.
A bruxa folheou o livro até parar em uma parte específica.
– Vamos conversar depois, em casa, Ron. Agora vejam isso. Tentamos traçar semelhanças entre os casos: Laureen e Perla, ambas com 18 anos, cursaram Bearxbaton juntas, descobri que eram amigas de infância, nascidas bruxas. – tomou fôlego antes de continuar – Martha e Syélen, ambas com 27 anos, cursaram Hogwarts juntas, conhecendo-se lá. Martha era bruxa de tradição, Syélen nasceu Muggle. Esses foram os dois casais vitimados pela Doença Misteriosa desde que Harry se infiltrou.
Os rapazes fizeram um instante de silêncio analisando as informações. Ron se pronunciou primeiro:
– E então, temos Seamus e Dean...
– Exato. – Harry soou grave – Não consegui nenhum indício a mais. Essa droga é um tabu entre os freqüentadores do Libertinus. São raras as exceções, a maioria dos casais consegue freqüentar o pub normalmente, sem sofrer com a Doença Misteriosa.
– Reconheceram algum sintoma? – Draco perguntou, movendo-se desconfortável. Não estava gostando nada daquilo.
– Não. – Harry recostou-se na cadeira. – Ela simplesmente acontece. O Submisso dorme e não acorda mais, uma mancha surge nas pontas dos dedos, e vai se espalhando pelo corpo. Quando alcança o coração, ele pára de bater.
– Oh. – o Slytherin pareceu impressionado.
– No caso de Dean aconteceu bem rápido. – Hermione folheou o caderno novamente – Os casos anteriores aconteceram mais lentamente. Não consigo compreender o por que.
– Tentaram traçar um perfil? – Draco perguntou com uma careta.
– Claro. – Hermione suspirou – As coisas que os casais têm em comum: parceiros com idades iguais, parceiros que se conheciam antes de freqüentar o Libertinus.
– Parceiros do mesmo sexo. – Ron completou com as orelhas levemente avermelhadas.
Harry e Hermione se entreolharam.
– Sim. – o Garoto Que Venceu piscou – Casais homossexuais.
– Mas ainda assim... – a garota fechou o livro – Estamos deixando algo passar. Porque ainda existem outros casais homossexuais, da mesma idade e que se conheceram antes de freqüentar o Libertinus que não foram afetados pela Doença Misteriosa. Tem que ter outro fator que estamos perdendo.
– Ah... – Harry chamou atenção, fazendo os outros olharem pra ele – Ontem consegui contato com Monroe. Nós conversamos bastante.
– O dono do Libertinus! – a jovem bruxa ficou eufórica – Céus, Harry! Descobriu alguma coisa com ele?
– Não. – passou a mão pelos cabelos – Não podia ir interrogando... Mas ele me deu dicas boas. Disse que os desenhos do Único Dever revelam mais sobre os Dominadores do que sobre os Submissos. Ele pareceu achar interessante o fato do meu ter o desenho de olhos. E afirmou que os desenhos da Coleira de Morgan são curvilíneos por que ele camufla bem o que sente.
– Como são dos de Seamus e Dean? – Ron perguntou curioso.
– São cobertos de aranhas. E levando em conta o que Monroe disse... Se a Coleira diz sobre Seamus... Significa que Seamus Finnigan é o tipo de Dominador que prende seu Submisso o máximo que pode.
– Como eram os desenhos das outras vítimas? – Malfoy perguntou com a voz levemente cansada. Harry sentiu através do vínculo que o Slytherin estava se desgastando com a conversa. Mesmo as magias de Ron e Hermione o incomodavam. Estava chegando a hora de acabar com a conversa.
– Eram na forma de cruzes no caso de Laureen. E anéis no caso de Martha.
– Sabem o significado de algum desses?
– A cruz representa culpa. – o moreno explicou – Anéis... não, não sei. Também não sei o significado de desenhos abstratos e retos, como os de Ruterford. Será que têm algo a ver com a forma de liberar o vínculo?
– Não creio. – a castanha ficou pensativa – Parece ter mais a ver com a interação dos casais. Dominadores com sentimentos profundos... Seamus que prende muito Dean, Laureen que por algum motivo carrega culpa. Monroe que camufla o que sente. E os olhos de Harry... os Olhos... faz sentido...
Terminou murmurando a última parte, de modo que Harry acabou corando:
– Que quer dizer, Mione?
A garota piscou e meneou a cabeça:
– Que se você pensar com cuidado... vai entender porque o seu Bem de Direito tem a forma de olhos. – olhou fixamente para o amigo antes de continuar misteriosamente: – Por que olhar tem sido suficiente, não é? Até agora...
Ron e Draco olharam de um para o outro sem entender lhufas, sentindo que haviam perdido alguma coisa. O rubor de Harry se acentuou, e mais do que nunca o Garoto Que Venceu sentiu que tinha que dar a conversa por encerrada:
– Vamos continuar isso depois. Malfoy está se desgastando outra vez. Acho que a magia de vocês já interferiu o bastante.
– Está bem. – a garota sorriu comovida – Não é todo dia que a gente vê um Gryffindor fugindo da batalha. – riu.
– Mione... Você podia falar a nossa língua, por favor? – Ron coçou os cabelos ruivos.
– Em casa a gente conversa, Ron. Prometo.
– É bom mesmo. A senhora vai me explicar direitinho essa história de investigar casos com um Inominável sem me falar nada.
O casal se levantou. Iam embora através da Rede de Flu. Antes de partir, a moça ainda voltou-se para Harry, com as últimas recomendações:
– Se acontecer alguma coisa, entre em contato imediatamente. Caso vá a casa de Seamus também. Precisamos saber como eles estão. Tentarei pesquisar mais sobre esses desenhos. Talvez em Artes Mágicas...
– Certo. Amanhã levarei Malfoy a casa da mãe dele. Não posso permitir que vá sozinho, pois o vínculo ainda está instável.
Ao ouvir isso, Hermione ficou muito séria. Olhou de Harry para Draco, com ar solene. O Garoto Que Viveu intuiu que algo aconteceria. E aconteceu. Mione pos a mão na maçaneta e abriu a porta, deixando que Ron saísse a frente. Antes de seguir o marido, lançou:
– Malfoy. Vou te dar algo para pensar. Existe um motivo, um único motivo pra Harry ter aceitado a proposta de ser um Inominável.
– Hermione! – Harry advertiu. Mas nada no mundo pararia a garota. Ela tinha uma intuição, e não deixaria a oportunidade passar.
– E esse motivo é você. – depois da revelação, foi finalmente embora.
Draco arregalou os olhos e mirou Harry, que estava corado, evitando fitá-lo de volta.
– O que ela quis dizer com isso, Harry?
Harry & Draco
A música do começo é um trecho de “Say Anything” da banda X-Japan.
NOTA: Eu ia postar isso semana que vem, mas como a Sam me pediu gentilmente, estou adiantando e postando hoje. A todos que acompanham essa fic: sinceras desculpas pelo atraso fenomenal. Mas não posso prometer que não acontecerá de novo. A única coisa que prometo, é: isso vai ter um fim.
Mais detalhes em meu profile.