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Books » Harry Potter » Pétalas de seda e sangue
Tainara Black
Author of 70 Stories
Rated: T - Portuguese - Drama/Romance - Narcissa M. & Bellatrix L. - Reviews: 12 - Published: 01-12-07 - Complete - id:3337343
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Autor: Tainara Black
Título: Pétalas de Seda e Sangue
Sinopse: Narcissa sabia o porquê, mas preferia não acreditar e devanear sobre as possibilidades. Sua fixação não era mera brincadeira. Ela realmente se perdia nas palavras e nos passos da morena; concordava com as idéias e aplaudia as falas, para no final contornar a cintura da outra com os braços finos e lhe depositar leves beijos pelo pescoço, que por hora se tornavam cálidos e escorregavam pelos ombros.

Shipper: Narcissa/Bellatrix
Classificação: Nc-17
Gênero: drama/romance
Spoilers: 6
Status: completa
Observações: Fic escrita para o 3º Challenge Femme Slash. O tema utilizado foi "The Scientist, Coldplay". E os itens: dedos entrelaçados, troca de olhares, discussão, espelho, sangue, beijo no pescoço, seda. Bônus: Nc-17, ligação entre o espelho e o sangue, crucifixo.

N/A: Caso você não goste de femme slash: não leia! ;

Boa leitura:

Pétalas de Seda e Sangue

A porta estava devidamente trancada. Ela havia verificado três vezes. Sempre três vezes, era seu número da sorte, era a quantidades de vezes que se devia rezar o terço para obter o Rosário completo, obter a salvação.

As janelas também estavam fechadas e as cortinas cobriam a paisagem imersa em sombras por de trás do vidro. O quarto estava tão abafado que as costas da moça continham gotículas de suor, dando à camisola de algodão fino e branco uma leve transparência.

A garota rumou ao banheiro e se olhou no espelho. Linda, mas penalizada. Saiu e fechou a porta. Agora era apenas o seu quarto pouco iluminado por dois candelabros com três velas em cada um. Ela abriu uma caixinha que estava sobre a penteadeira. Dentro dela havia inúmeras tarraxas de brinco, feitas do metal mais pobre dentre suas jóias, prata. Segurou-as entre as mãos, eram tantas que seria quase impossível contá-las. Nada normal ter dezenas de pares de tarraxas de prata guardadas separadamente das demais jóias.

Ela traçou, a passos rápidos, o caminho até o criado mudo, ao lado da suntuosa cama. Carregava um olhar culpado, quase desesperado. Despejou as tarraxas no chão e se ajoelhou sobre elas. Fechou os olhos. Podia sentir a prata a machucando, empurrando a carne sem perfurar.

Abriu a última gaveta e puxou um emaranhado de pano branco. Pousou o embrulho sobre o criado mudo e pegou dentro dele uma pequena tesoura de costura, muito afiada. Puxou um terço de madeira que estava pendurado na cabeceira da cama, segurando-o com a mão esquerda e, empunhando a pequena tesoura, levantou a manga esquerda da camisola. Respirou fundo suando frio.

- Pai nosso que estais no céu...

Apertou com força a primeira conta do terço recordando as inúmeras vezes em que havia feito aquilo, eram flashes. Respirou mais uma vez e forçou a ponta da tesoura contra a carne, fazendo-a sangrar.

- Santificado seja o Vosso nome...

Outra conta apertada e mais um suspiro. Enfiou mais a tesoura e estremeceu.

- Venha a nós o Vosso reino...

Agora ela começava a suar frio, como sempre. Sentia a cor faltar-lhe, então começava a ficar tonta, mas a oração a mantinha consciente de seus atos.

- Seja feita a Vossa vontade...

Rasgou a carne com dificuldade e extrema dor, acabando por perder a força da mão, e o terço caiu no chão.

- Assim na Terra como no Céu...

Soltou o corpo, tombando contra a pedra fria e rústica. Sentiu a testa encostar no chão. Puxou o tecido branco que, há pouco, envolvia a afiada tesoura e o enrolou no pulso, apertando o antebraço contra o corpo. Tateou entre as tarraxas, espalhadas no chão, o terço antigo de madeira ébano que deixara cair. Achou-o e o agarrou com a mão direita.

- O pão nosso de cada dia nos daí hoje, perdoai as nossas ofensas...

E essa era a hora em que sua alma lhe escapava do corpo, devaneava por entre sonhos calmos, onde nos quais podia correr livre pelos campos abertos, nadar em lagos de águas cristalinas e, se por ventura fechasse os olhos durante suas ilusões, ela não veria a face que a torturava tanto, fosse acordada ou dormindo.

- Como nós perdoamos a quem nos tenha ofendido... e...

Uma lágrima ousou escorrer. Deixou o corpo pesar ainda mais sobre o chão, e as gotas grossas e salgadas formaram uma pequenina poça sobre a pedra. E o rosto dela voltava a povoar sua mente. Estremeceu ainda mais, sentindo frio.

- E não nos deixeis cair em tentação...

Buscou forças, em vão. O máximo que foi capaz de fazer foi erguer os joelhos e deixar-se sobre o colchão macio, forrado com lençóis brancos de seda pura. O corpo todo tremia, quase compulsivamente, quase incontrolável. Cobriu-se com a seda, mas isso não detinha o frio que a atingia. O calor era quase vulgar comparado ao pseudo frio enregelante que a fazia suar.

- Mas livrai-nos do mal...

Estancou. Não sentia, não via, meramente ouvia algo no andar de baixo. A respiração continuava descompassada, ofegante e, se tentasse, conseguiria parar os batimentos cardíacos. O sangue ainda escorria, talvez tivesse furado fundo demais desta vez, talvez fosse tarde demais...

- Amém.

As pálpebras pesaram. A seda quase pôde se tornar parte da epiderme da menina. Seus olhos padeceram sob a escuridão e seu corpo amoleceu, entregando-se a exaustão. Então a adrenalina cessava e a mente se entregava ao sono e sonho que Morfeu lhe oferecia.

- Srta. Black! – o elfo guinchou quando o dia já raiara.

Moleza, sonolência... lembranças. Abriu os olhos em sobressalto, sentando na cama e se escondendo com o lençol de seda. Permaneceu em silêncio, admirando o tipo de aberração que estava parado na sua frente. Esperou a respiração voltar ao normal enquanto o bicho lhe guinchava novamente:

- Já arrumei tudo para a senhorita não ter que se preocupar. Preciso apenas da vossa roupa de dormir para lavá-la.

Levantou-se, o lençol de seda jazia tingido de sangue. Entrou no banheiro, sua cabeça parecendo rodar, e tirou a camisola com dificuldade, vestindo o roupão negro felpudo, para depois desenrolar o pano do pulso cuidadosamente, tendo que umedecê-lo para desgrudar da pele machucada.

O elfo viu a porta se abrir e a loura jogar a camisola sabre ele. A roupa de cama já era nova.

- Agora vá embora – mandou num tom nada delicado.

- Sim Srta., e o café da manhã já foi servido. – aparatou.

Ela voltou ao banheiro. Com magia, encheu a tina com água bem quente e cristalina. Por que não conseguia ser transparente como a água? Apoiou-se na pia e sentiu os olhos arderem, deixando a cabeça pender para frente, as lágrimas se acumulando e fazendo a visão ficar turva. Logo depois, lá estavam elas, rolando pela pele lisa e pálida. Suave. Mesmo destruída, ela permanecia suave.

Como se deixara errar tanto? A atração, o sentimento, os olhares. E por quê a maldita correspondia seus olhares? Ela não sabia que era errado? Não era ela que costumava dizer que precisavam ser mais discretas? Estava tudo errado, a dor da punição, as marcas, as cicatrizes, o sangue, a seda.

Levantou o rosto: o contorno dos olhos estava vermelho, concluiu olhando o reflexo no espelho embaçado. Tirou o roupão e entrou na tina. O contato da água quente abrigando a carne fria, sem escrúpulos, a carne oca, sabia que tudo o que havia feito tinha derrotado-a . Sua alma padeceria, pagando pelos pecados da carne aos quais cedera. Ela sempre cedia...

Prendeu a respiração e afundou. Agora estava imersa na água. Abriu os olhos, vendo todo o seu corpo em distorções. A água é transparente, mas nada que vemos através dela é real. Deixou de reparar nas proporções disformes e se permitiu voltar até a superfície da tina. Até conseguia se sentir melhor reparando que nada, nem mesmo a água, é perfeito. Quase podia sorrir.

Não era uma prática diária, não era rotina, mas era necessário quando sentia a alma gritar por misericórdia. Pensava que era apenas um modo de sentir dor, pois o padre havia dito que a dor é o caminho mais eficaz para a redenção, a remissão dos pecados. Não era católica, não mesmo. Uma vez chegou a perguntar ao pai porque os Black freqüentavam a igreja. Seu pai explicou que o melhor modo de entender o adversário é saber das coisas que ele sabe. Sua família, como todas outras seguidoras do Toujours Pur, era anti-trouxas, por isso iam à missa, para saber os pontos fracos deles, para aprender a maltratá-los.

E aí entra a culpada pelo pecado: Bellatrix era a única que realmente gostava de ouvir os sermões. Ela dizia que os trouxas temiam Deus e que se algum dia matasse um deles, rezaria um Pai Nosso durante o ato. Ela era o próprio demônio, era as sombras, os medos e todos os sete pecados capitais em personificação de mulher.

A pele branca contrastava tão cruelmente com as madeixas negras que Narcissa se perguntava se fora alguma espécie de erro, ou acerto brutal, do querubim que pintara Bellatrix quando Deus a fez. Erro ou acerto brutal... o contraste era capaz de entorpecer qualquer um. Era uma beleza própria dela, ninguém se assemelhava, pelo menos para Narcissa...

Era isso, então. Bellatrix além de ganhar nome de uma estrela, ganhara o seu brilho e beleza também, enquanto Narcissa ganhara o nome de um mito e herdara a maldição.

Aproximou-se, a curtos passos, da porta de vidro que dava para os jardins do fundo. Tinha certeza que dali em diante nunca mais ia errar. Talvez conseguisse cumprir a promessa pela primeira vez. Trajava o vestido azul claro de seda que lhe confortava tanto, trazendo-lhe a sensação de nostalgia, fazendo com que voltasse no tempo daquele azul infantil, a seda pura, tão aderente á pele que parecia nua. Mas havia as mangas longas escondendo marcas e cicatrizes. As mangas eram os símbolos do presente, dos erros maduros e atuais, nada infantis, que apareciam em cada um de seus atos.

Observava a desenvoltura que a outra tinha para lidar com o público, os brilhantes amigos do seu pai. Algum deles logo se casaria com Bellatrix, um não tão velho, Rodolphus Lestrange. Para ela era fácil descobrir um novo brilho no olhar da irmã, e esse brilho perpassava toda maldita vez que alguém mencionava o casamento, ou nos momentos onde 'o casal' estava reunido. Bella aceitara com facilidade e gostara da idéia. Lestrange era galante e rico. A mais velha sempre almejara por um homem de influências.

Desencostou a porta e seguiu até a mesa disposta no jardim. Todos a olharam. Não recuou, apenas enrubesceu e sorriu sem jeito.

- Interrompo? – era uma exímia atriz, realmente. Seu poder de persuasão era quase tão bom quanto o da irmã, era quase...

- De maneira alguma! – e ela nunca perdia a pose – venha, Narcy, sente-se ao meu lado – Bellatrix indicou-lhe a cadeira.

Baque.

Foi quando aconteceu de novo: os olhares se cruzaram. A loira não conseguia ver a mesma culpa e preocupação nos olhos da outra, mas também não era a falta disso. Os olhos de Bellatrix eram túneis de azul penetrante, túneis sem fim. Eram apenas o agora, o agora e as dúvidas. Sentiu um arrepio e baixou o rosto, mirando os pés dentro dos sapatos de salto. Todos só a esperavam se acomodar.

- Você está bem, Narcissa? – Como. Era tudo o que ela desejava compreender: como Bellatrix podia ser tão falsa. Aquele ar e o falso tom de preocupação...

- Tudo bem, só uma tontura. É que ainda não comi – mentiu. Os olhos se esbarraram novamente e, quando achou que não mais agüentaria, um anjo a tirou do frenesi louco em que entrava quando Bellatrix invadia seu sistema nervoso.

- Senhorita Black, eu lhe ajudo – era igualmente loiro, com olhos de diamante e jovem. Com certeza jovem – a Senhorita deve se alimentar se não deseja passar mal. Sua face está pálida! – o rapaz tomou-a pelo braço e circulou a mesa em seu encalço, sentando-a perto da outra.

- Ah, Narcy, esse é Lucius Malfoy – apresentou, entregando-lhe um copo de suco de abóbora.

- Sabe, Bella, estive pensando...

Bella. Quem ousava chamá-la assim?
Os olhos de cristal da loira faiscaram ao fuzilar Lestrange, era simples: tinha ciúmes. Ou, ainda mais simples: apenas ela podia chamar Bellatrix naquela maneira. O apelido era apenas delas. Ponto final.

- Você é tão desenvolta com as palavras, que aparenta muito mais maturidade do que uma moça de 19 anos! Cygnus, não acha que devo apresentá-la ao Lorde? – 'Lorde? Que Lorde?'.

- Você se refere ao Lorde das Trevas? Não faço objeções, até admiro a idéia.

As palavras saíram, calmamente, da boca de seu pai e lhe ocasionaram um engasgo com o suco. Que, Diabos, Bellatrix faria com o Lorde das Trevas? E o engasgo não passava. Começou a tossir. Só parou ao sentir uma mão quente apertar a sua sob a mesa. A mão de Bellatrix sempre era quente. A tosse cessou. Os dedos finos e longos da morena se entrelaçaram aos seus, apertando com firmeza, até o susto passar. Mas o aperto não afrouxou.

O polegar de Bellatrix fazia uma espécie de carinho nas costas de sua mão com repetidos movimentos circulares.

Perdeu a fome.

Era este o efeito da pele da morena ao tocar a sua: anestesiava; tudo parecia certo e normal. Na verdade, estava tudo tão fora do lugar: os pensamentos, os desejos, os atos, as mãos...

- Eu realmente não estou me sentindo bem. Melhor eu subir – e era assim que escapava, ou, pelo menos, tentava escapar. Levantou-se.

- Eu te ajudo. Aproveito e peço para um elfo preparar algum...

- Não precisa, Bella. – falou firme.

A morena levantou os olhos para a irmã, nenhum resquício de raiva, mas insatisfação. Frustração. Narcissa nunca a recusava, sempre gostara de seu auxílios. Fez-se silêncio. Todos observavam o ar ganhar peso até ficar intragável.

- Não estou pedindo para ir, Narcissa, estou anunciando que vou. Você ainda está pálida e fraca, e são muitos lances de escada para subir sozinha. Pode acabar desmaiando.

- Muito obrigada, Bellatrix, mas não quero que vá. – relutaria até o último instante. Talvez, desta vez, conseguisse domar o pecado, aprisionando-o nos pensamentos e não nos atos. Deu alguns passos receosos tomando distância, mas se virou para a irmã – eu não preciso da sua boa vontade.

- Não é boa vontade! – enervou-se levantando – É zelo! – não era zelo, era pecado. Pecado este que escorria em suas veias e permanecia translúcido nos olhos. Bellatrix tinha os olhos do pecado, os olhos do anjo negro que despencou dos Céus e foi parar na Terra. No Inferno.

- Meninas, já basta. – pigarreou Cygnus. A loira pôde sentir os pés gelarem. Agora ofendera o nome da família sendo mal-educada na frente das visitas – Narcissa, nunca mais desrespeite a sua irmã. Ela é mais velha.

- Dois anos, grande coisa – desdenhou. Os pés gelavam ainda mais. E os olhos de Bellatrix pareciam pedras de gelo cobertas de fogo. Narcissa sabia que a irmã queimava por dentro, queimava de desejo, em apenas olhá-la. Queria-a para si, tanto quanto Narcissa a queria.

- Suba, Narcissa. Isso é uma ordem.

Subiu.

Odiava o verão. O calor impregnado entre as grossas paredes. Elas deixavam tudo ainda mais tenso. Aquele ar quente pelos corredores só piorava o calor que sentia por dentro, parecia que o Inferno era mesmo quente, pois o pecado que a desonrava era ludicamente quente. Fervilhava. Borbulhava até queimar, e queimava intensamente de maneira imprópria. Impura. Era toda impura, sua pureza se fora com seus belos pulsos alvos sem cicatrizes, se fora há muito tempo.

Subiu as escadas e traçou passos rápidos até o sótão. Era lá onde guardavam coisas velhas ou coisas que não deveriam, de nenhum modo, serem vistas, nem usadas. Bellatrix podia lhe procurar, mas não estaria em seu quarto, para onde sempre ia, ou no quarto de sua falecida mãe. Ela estaria no escuro, enfrentando o medo das estantes apinhadas de livros de magia oculta, poções, jornais velhos... Estaria sentada próximo da janela, de onde poderia manter os olhos fixos nos armários carcomidos pelas traças, cheios de tranqueiras e roupas surradas.

Empurrou a porta pesada de carvalho e adentrou a escuridão, esperando as pupilas se acostumarem com os tons negros do cômodo. Então seguiu o feixe de luz que vinha do outro lado do quarto. Andou até a janela se sentando no chão, encolhida, abraçada aos joelhos, comprimindo-os contra o peito...

Quando tudo aquilo começara? Tinha vezes que não conseguia lembrar. Sempre fora assim, era a única visão de irmã que conseguia ter quando se referia a Bellatrix. E isso nunca mudaria...

Sempre fora a bonequinha de Bellatrix. A morena gostava de alisar os cachos louros mal definidos e prendê-los com um laço de fita cor de rosa; costumava fazer isso desde que os cabelos de Narcissa ficaram compridos. Naquela época, as tardes eram longas e ensolaradas, e Andrômeda ainda gostava de ficar no balanço junto com as irmãs, lendo histórias, "Contos de Fadas", contos trouxas que pegava escondida dos pais na seção de literatura trouxa, na biblioteca de Hogwarts.

Ela não conseguia lembrar com precisão quando foi que o frágil e infantil sentimento mudou tão drasticamente. Talvez aos treze, ou aos quatorze. Apenas lembrava dos abraços ficarem mais demorados, os toques inebriantes, o simples ato de pentear o cabelo se tornando o mais provocante e tentador possível. Assim começara.

Talvez na época em que Andrômeda foi embora de casa. Naquele tempo Bellatrix rondava os corredores escuros da casa em busca de luz, da luz de Andie. Mas ninguém achava a tal luz por nenhum canto, fosse na cozinha, no quarto ou biblioteca. A primogênita havia ido embora e, ao ir, levara a luz consigo. Foi naquele instante que Bellatrix percebeu que precisaria de ajuda; precisava de alguém em quem se apoiar.

Narcissa sabia o porque, mas preferia não acreditar e devanear sobre as possibilidades. Sua fixação não era mera brincadeira. Ela realmente se perdia nas palavras e nos passos da morena; concordava com as idéias e aplaudia as falas, para no final contornar a cintura da outra com os braços finos e lhe depositar leves beijos pelo pescoço, que por hora se tornavam cálidos e escorregavam pelos ombros.

Ficava horas a fio sentada na frente do chafariz vendo a água saltar e cair, sentindo-se assim: eram rompantes em que saltava numa felicidade exorbitante e desigual, para logo depois cair, e a cada tombo eram novas cicatrizes, internas... externas. E depois, quando cansava de ver a dança da água, deitava-se no gramado do imenso jardim e olhava para o céu, sentindo as pupilas retraírem por causa da claridade. Então se dava ao luxo de fechar os olhos e sentir o calor do sol lhe aquecer, protegendo-a.

E, minutos depois, saía de seu devaneio, levando um breve susto ao sentir gotas geladas d'água lhe serem lançadas. Abria os olhos e via a irmã se debruçando contra seu tronco. Quinze anos e as sensações mais ousadas de sua vida. Lembrava dos lábios de Bellatrix, úmidos, se aproximarem da sua orelha e lhe chuparem o lóbulo, eriçando os pêlos do corpo todo. Depois eles percorriam seu pescoço beijando, mordiscando, chupando... e lambiam seu queixo, para voltarem ao pescoço e descerem até o decote quadrado do vestido. Beijava o colo, o tórax e iam descendo sem pudores, afastando o tecido até chegarem aos seios, e era aí que ela brincava com os dedos, lábios e língua ao som da respiração arfante e dos gemidos de protesto de Narcissa, que temia que alguém as visse.

Bellatrix, após se deliciar com os mamilos rosados e, à essa altura, rígidos, enfim lhe beijava a boca, sugando a alma. Sempre era correspondida; a loira nunca deixava de corresponder. Narcissa gostava do pecado. Então os dedos finos e quentes de Bella lhe subiam por entre as pernas e se perdiam na dobra da virilha, escondendo-se dentro da calcinha, arrancando suspiros e tremores. Nessa hora não havia mais pudor e sequer se preocupavam se alguém ia ver as duas meninas no jardim. Ninguém se preocupava muito com elas... Não naquele momento.

A claridade não importava mais, fazia-se desnecessário permanecer de olhos abertos, por vezes, as sensações devem ser apreciadas de olhos fechados, para serem belas sem serem vistas, para serem belas por si só.Os lábios não se largavam, as mãos se buscavam, buscavam o corpo alheio. Alheio em todos os sentidos; o corpo da outra; o corpo que lhe implorava para ser tocado; o corpo que estremecia; o corpo que reproduzia os gritos da alma. Não tinham alma, tinham apenas o templo dela, mas o templo é o guardião do pecado...

Então pecavam.

Abriu os olhos e se assustou ao se ver dormindo sob a janela do sótão. Perdera a noção do tempo, afinal a escuridão e a lua anunciavam a noite. Voltou ao seu quarto na ponta dos pés, orando a Deus para não encontrar ninguém no caminho. Adormecera pela manhã e sequer havia comido algo, era melhor assim, penitenciar o corpo pelos erros da alma, se é que tinha alguma. Seguiu pelo corredor vazio, escutando conversas no andar de baixo.

Entrou no quarto.

- Onde esteve todo esse tempo? – a voz fez Narcissa se recostar na porta com o coração acelerado, refletindo sobre como as oportunidades fazem do homem o seu próprio ladrão. Odiava aquele tipo de oportunidade para sua promiscuidade. – eu te procurei!

- Tentei me manter bem longe de você, apenas isso.

Seguiu até a penteadeira e se sentou admirando sua imagem no espelho. Pôde ver a outra se aproximar entristecida, pelo reflexo. Como sempre, como sabia que aconteceria, Bellatrix pousou as mãos quentes nos seus ombros, acariciando-os sutilmente, arrepiando-a.

- Você não me ama mais... – sussurrou em falsete.

- Não, Bella, é você quem nunca amou nesse jogo. Eu sou apenas o seu conforto nas horas ruins, para quando te bate a solidão. Você não me ama, apenas entende que se eu não estiver aqui você estará sozinha, presa na sua própria escuridão.

Passou a pentear o cabelo num ritual simples, lento e repetitivo, o rosto sem expressões e os olhos absortos no tom intensamente loiro de suas madeixas. Apenas Bellatrix não compreendia aquilo, apenas ela achava que tudo era uma brincadeira.

Mas não era...
Não mais.

Narcissa chorou incessantes horas quando percebeu que Bellatrix não queria o mesmo que ela. Chorou a noite e o dia seguintes ao noivado da outra, mas Bella parecia tão feliz, estava tão feliz... Era fato. Quando não agüentava mais chorar foi até a igreja acender uma vela para que o bom menino Jesus e sua Mãe lhe concedessem a benção de descobrir que também não sentia nada. Infelizmente, não deu certo, mas pelo menos parou de chorar.

- Não fale assim. Não é verdade.

- Você sabe que é, Bella. Você gosta da idéia de se casar com Rodolphus e isso é o que você deseja para a sua vida. – mostrava-se tão calma, mas não estava.

- Mas eu nunca disse que seria diferente. Somos meninas, é natural que nos casemos. – e então ela riu com deboche – não me diga que, algum dia, você nos imaginou juntas, digo, praticamente casadas? – silêncio: a confirmação – Oras, Narcy, somos irmãs! Somos mulheres! Somos... somos...

- Diferentes. Porém, iguais.

Olharam-se, mas não pelo espelho. Espelhos são meros reflexos disformes, não são reais, são imagens que refletem o que se aproxima, os melhores espelhos são os dos olhos. Olhos com olhos duelam. Bellatrix tentou se aproximar dos lábios da irmã, mas não conseguiu. Era fraca demais para aquilo. Não conseguia ser a pessoa que fingia ser; com Narcissa não era assim.

Quando estava com ela as coisas não pareciam ser incessíveis como eram longe de Narcissa. Ela não conseguia ser fria, petulante e cheia de si. Ela simplesmente caía em seu abismo de medos, inseguranças e trevas que carregava junto de si. Ela era, na verdade, uma mentira.

Quase podia tocar aquilo que estava sentindo. Narcissa sentia uma raiva quase palpável. Podia implorar para não sentir, mas continuava a odiando, mais e mais. Odiava pelo simples fato dela lhe gerar um vazio e uma agonia crescente, por estarem tão próximas e, ao mesmo tempo, tão distantes. Amava e odiava Bellatrix.

Narcissa não era tão forte, nunca fora para falar a verdade. Não sabia se controlar.

Aquele estado que Bellatrix gerava em Narcissa parecia uma espécie de combustível: quanto mais raiva e ódio a loira sentia, mais vontade sentia de mostrar para a outra que a comandava. E assim fazia. Levantou-se.

Colocou a mão no próprio pescoço, alisando a pele, a sua carne oca como costumava pensar. A mão correu para os ombros, empurrando o vestido para o lado. Era um convite, ou um anúncio do que pretendia fazer. Porém, fez mais que aquilo. Narcy trancou a porta e puxou a irmã para si. Doía entrar em contradição, mas era adorável a sensação de estar no controle.

Sufocavam-se uma na outra. Narcissa sufocava com a simples menção de estar com Bellatrix nos braços. Era tudo que sempre desejava, sua eterna fixação. Aos poucos, tudo se tornava certo, até as cores do quarto tinham mais sentido e vida. Tudo que era acompanhado de Bella fazia mais sentido para ela.

Os corpos se davam bem, principalmente sobre a seda. Eles se entendiam e correspondiam assiduamente. Só bastava então a noite virar dia e a desolação e culpa voltavam para assolar a consciência de Narcy.

Os raios claros e frios do sol da manhã inundaram o quarto e invadiram o sono de Narcissa, fazendo-a espreguiçar vagarosamente, virou-se para o lado, e viu a irmã, ainda embalada em sono profundo, imersa nos lençóis branco-perolados de seda. Era tão complicado de entender...

E lá ia ela pegar o embrulho de panos de algodão e o terço e seguir para o banheiro. Recomeçava o ritual rezando o Pai Nosso, e perfurando o punho com a tesourinha de costura, fazendo cortes compridos e profundos, sem os cortes do dia anterior terem sequer cicatrizado.

"Melhor assim" – pensava – "que as marcas ficam para sempre". Mas quando entrou no seu frenesi e sentiu a alma lhe escapar, jogou-se na tina d'água, afundando todo o corpo e tingindo a água de tinto.

- Devia parar de fazer isso – ouviu a voz, mas não quis voltar à superfície da água. Estava bem ali – não adianta nada. Eu, bem, eu vou para o meu quarto e... Narcy, não é para tanto, são apenas... momentos de prazer e descontração, e você não precisa se punir por isso.

Ela não levantou. E Bellatrix foi embora.

A chuva caía em torrentes sobre as plantas, castigando as rosas. Todas despetalavam com a força das gotas. Ela ficou ali, parada, sob o toldo de madeira do terraço, desejando ir além, mas lhe faltava algo. Faltava esperança, julgou, esperanças para que ousasse contemplar o toque firme das gotas d'água caindo sobre si. Riu da estupidez de estar admirando a chuva como uma garotinha apaixonada que devaneia sobre as possibilidades de ser notada.

Deu vários passos seguidos, longos e lentos, em direção ao meio do jardim, arranjando esperanças para tomar chuva. Esperanças para contemplas os problemas de um novo ângulo. Talvez se alguém a visse diria que a menina Narcissa estava perdendo o juízo, mas ela sabia que juízo era algo que não tinha há muito tempo. Rodou sob os pingos grossos e pesados, sentindo a água lavar toda a sua alma. Costumava gostar da água. Dizem que a chuva purifica, e ela orava com força para que isso fosse verdade.

Durante várias semanas se sentia vazia. Não era ruim, afinal, não havia pecados para lhe machucar, mas por outro lado, essas longas seis semanas lhe custaram uma dor estranha no peito, um nó na garganta, uma sensação de morte. Era isto: sentia-se morta, sem vida, sem luz, sentia-se como uma estrela apagada, gelada. E tinha aquele maldito pesadelo repetitivo.

Sonhava, quase todas as noites, com aquele pesadelo... Estava deitada numa cama grande, cheia de lençóis de seda, perolados, alvos. Eram muitos lençóis, então ela tentava levantar da cama, mas começava a se enroscar nos lençóis, era como se eles criassem vida e não permitissem que ela se movesse. Debatia-se em agonia na tentativa vã de se salvar. E nesse momento ouvia sinos badalando furiosamente e o som ressoava pelo quarto todo feito em paredes cor de vinho, ricocheteando contra as paredes, fazendo elas vibrarem e os tímpanos ficarem prestes a estourar.

E cada vez mais se emboscava nos lençóis, perdia o ar na sua luta em escapulir da seda. E, de repente, tudo silenciava e várias pétalas de rosa vermelha desprendiam do teto, igualmente rubro, caíam com delicadeza sobre si. Caíam e caíam e não paravam até cobrirem seu corpo ainda enroscado nos lençóis, estava nua e imersa em pétalas e seda. Seria bonito se parasse aí, pois quando se acalmava e conseguia até sentir um pingo de paz, as paredes começavam a escorrer, e delas jorrava sangue, um sangue tinto e vigoroso escorria das paredes manchando o chão branco e os lençóis de seda pura. Então seus pulsos ardiam com as amarraduras do tecido que começavam a se apertar mais e mais, e também sangravam. Sangravam exatamente onde costumava se cortar...

Pétalas de seda... e sangue a jorrar.

Ouviu os trovões e despertou de seu devaneio, decidiu que seu ato infantil já estava de bom tamanho. Conseguiu rir por brincar na chuva como, há tempos, não fazia. Rumou ao quarto correndo e molhando os corredores por onde passava, rindo da inédita sensação de liberdade que sentia.

Abriu a porta do quarto e não precisou ver para saber que ela estava lá. Depois de mais de um mês ela, enfim, estava lhe procurando, soube pelo perfume, o novo perfume que ganhara do noivo e costumava usar. Aquele cheiro extremamente doce de rosas vermelhas.
Malditas rosas. Que despetalassem com força sob a chuva no jardim.

Riu e olhou a morena. Bellatrix parecia cada dia mais bonita, mais tentadora, mais alheia aos olhares.

- Bella...

- Vim me despedir... amanhã é o meu casamento e, como já sabe, essa será minha última noite nesta casa.

- Imaginei que viesse. – se aproximou. Oras, o que devia temer? Era a última vez: a última para nunca mais recair. Puxou a cadeira de modo que se sentasse de frente da irmã, que permanecia esparramada na cama – você é tão linda.

Segurou a mão alva entre as suas, era a última vez, e porque não fazer desta vez a mais especial? Os dedos longos de Bellatrix estavam tão quentes.

Aproximou os lábios da testa de Bella, beijou-lhe. Depois acariciou os lábios com a ponta dos dedos e os selou, mas antes que Narcissa pudesse fazer qualquer coisa, Bellatrix recuou, indecisa, mas com uma espécie de nuvem negra perpassando em seus olhos.

- O que há, Bella?

- Na verdade, eu vim aqui para falar com você.

- Podemos falar depois – se aproximou novamente, sorrindo.

- Narcissa, eu vim te dizer que tudo isso é ridículo! Que nada disso deveria ter acontecido e que você é mais ridícula ainda em acreditar que podia existir algum sentimento por de trás da nossa diversão.

Parou, retraiu e voltou a se acomodar na cadeira.

- Não era apenas diversão, para mim, e nem para você. Eu sei que não era... – respirou fundo, engolindo a certeza de que a irmã jamais a amara.

- Você sempre soube que eu te amava, mas não é mais assim, ta certo. Nunca foi um amor como você desejava que fosse. Mas eu sempre te amei.

- Você é contraditória, Bellatrix, muito contraditória. Da última vez, disse que apesar de ser uma brincadeira você me amava, e hoje você diz que sempre me amou como irmã, e nada mais.

- Mas é a verdade, Narcy! Eu juro. E eu sempre te amei, sempre...

- Então pra que veio até aqui hoje? Para me afastar do seu casamento e não permitir que eu o atrapalhe em nenhum momento? Ou não, essa é mais uma de suas jogadas para permanecer intocada. Para sempre olharem para a menina Narcissa e dizerem: "É ela sempre teve problemas, sempre ficava correndo atrás da irmã, mas nunca descobrimos se era uma fixação em querer ser como a Bellatrix, se era inveja, se era amor...".

- Pare com isso, Narcissa! Sabe que eu nunca faria mal para você.

Narcissa se levantou e rumou até a penteadeira mirando o espelho com raiva. Era como se tudo desmoronasse, não podia acabar assim. Sabia que após o casamento tudo mudaria, mas Bellatrix parecia pensar diferente, pensar que Narcissa sempre seria um empecilho.

- Por que eu deveria acreditar nas mentiras que você diz, Bella? Você não se cansa de mentir todo o tempo? Não se cansa de fingir? Eu não quero mais ser submissa às suas necessidades, eu não quero ouvir nada que você tem a me dizer hoje, eu não quero acreditar em tudo o que você está falando. Eu não quero recair quando você correr atrás de mim mesmo casada dizendo que ainda em ama e que tudo o que me disse hoje foi puramente uma maneira de tentar se afastar de mim, porque eu sei que você é capaz de fazer isso. Eu não quero que me deseje apenas quando é necessário se agarrar em algo para não ruir por dentro. – parou de falar respirando com dificuldade, as palavras se misturando aos soluços e se misturando às lágrimas – eu não agüento mais te segurar quando você precisa, eu não agüento mais cair sem ter aonde me segurar, porque você nunca me segurou.

Bellatrix parecia imóvel, sem sorrisos, sem nada, inócua. Uma carcaça sem vida, seus olhos estavam estatelados na irmã e as suas lágrimas também rolavam. Era um fim, o pior fim que havia esperado.

- Por que, Diabos, você está chorando? - berrou - se sou eu quem te amo, se sou eu quem vou perder você?

- Você não entende. Você nunca entendeu que eu não sei lidar com esse seu modo de ser, você fala as coisas que não devem ser ditas, você obriga as pessoas ouvirem as coisas que elas não querem ouvir. - soluçou - acha que eu nunca imaginei nós duas juntas? É lógico que imaginei! Mas eu sei que é impossível, eu sempre soube... EU ODEIO VOCÊ! Você é mimada, egoista e acha que tudo vai acontecer quando e como deseja: o mundo não é seu!

Narcissa explodiu. Lançou o punho fechado contra o espelho, trincando-o em mil pedaços. Repitiu o ato despedaçando o espelho, fazendo o sangue escorrer de suas mãos e pulsos.

- SAIA DAQUI, BELLATRIX! VOCÊ SÓ QUER ME TIRAR DA SUA VIDA!

Jogou algum dos pedaços estilhaçados do espelho contra Bellatrix que permanecia sentada na cama. Depois, deixou-se cair no chão, sobre os cacos, chorando, escondendo o rosto entre as mãos e manchando a pele alva de vermelho. Era pior do que qualquer pesadelo, pior do que tudo, sentia o sangue escorrer, a cabeça latejar, as mãos arderem, sentia o coração bater disparado e os olhos embaçarem por conta das lágrimas. Era sua morte.

- A cruz sagrada seja a minha luz...

- Narcissa? - Bellatrix se aproximou.

- Não seja o dragão meu guia...

A morena se agaixou e tomou as mãos ensanguentadas da irmã para si, trazendo-as para próximo de seu corpo.

- Retira-te, Satanás...

- Narcissa, olhe para mim. Por favor.

- Não me aconselhe coisas vãs...

Bellatrix abraçou a irmã. Ajoelhando-se junto dela, sobre os cacos de vidro, sentindo-os arranharem seus joelhos.

- É mau o que tu me ofereces... - oraram em conjunto.

As lágrimas vieram compussivamente, rolando com fúria dos olhos. Naquele momento Narcissa teve a impressão de que sentiam a mesma dor, o mesmo sentimento.

- Bebe tu mesmo teu veneno...

Bellatrix se levantou trazendo o corpo de Narcissa consigo, levantando-a. Aproximou os lábios e beijou airmã com desespero. Sôfrega pelo amor que Narcissa lhe oferecia, sentia tudo faltar, talvez agora entendesse o que a irmã sentia, o desespero de ficar sozinha. Bella jamais a tomara nos braços para zelar pela sua alma, para destruir os medos. O beijo aumentou, Narcy suspirou.

- Amém. - Bellatrix completou sozinha.

A morena sorriu limpando as gotas de lágrimas de Narcissa, afastando o tinto do sangue. Acalmando.

- Eu sempre amei. Só não sabia disso. - soltou-a, dando um beijo na curva do pescoço. Desistindo. - eu tenho que ir, senão, eu não vou conseguir.

Concordou com um aceno vendo Bellatrix sumir pela porta. Sumir com seu perfume de rosas, sumir com os cabelos negros que deixavam sua vida tão turva, foi-se para longe de seus lhos, para longe de sua vida. Olhou ao redor e viu sobre sua cama, forrada em lençóis de seda branca, rosas vermelhas, algumas despetaladas, outras não. Os pulsos sangrando, doendo tudo por dentro, rasgando e ardendo.

Suspirou entre os longos soluços que atrapalhavam sua respiração. Deitou-se na cama, encolhendo-se contra a seda, se embrenhando nos lençóis e despetalando ainda mais as rosas vermelhas, prendendo-se em seu pesadelo.

Eram as pétalas e a seda que lhe salvavam da dor, era o sangue que limpava sua alma, não era a chuva... Nada a salvaria de seus pecados, nem ela, nem a própria Bellatrix.

- Amém. - murmurou.

Estava terminado. Adormeceu.

N/A:
orações usadas:
1º - Pai Nosso
2º - Oração de São Bento

Fic, em partes, betada pela Asrail (ela betou o começo e o meio pra mim) Agradecimento eterno, Kindim ;

Beeeijos, Tainara Black.
reviews são bem vindas, tá?

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