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POR VOCÊ, EU IRIA ATÉ O FIM DO UNIVERSO
Chiisana Hana
Leia ouvindo MILES TO GO (BEFORE I SLEEP) - Celine Dion
“I would walk to edge of universe for you...”
“Eu iria até o limite do universo por você.”
Fim da Batalha das Doze Casas.
Os cavaleiros de bronze ficam um bom tempo no hospital. Ao receberem alta, hospedam-se na casa de Saori, pois ainda estão debilitados. Até mesmo Ikki decide ficar ali antes de sumir no mundo outra vez. Shiryu parece triste mesmo tendo voltado a enxergar. Ninguém entende o porquê de tanta melancolia. Intrigado, Ikki vai conversar com ele.
- Essa sua cara só pode ser por causa de mulher. Isso é saudade dela, não é?
- Não é só saudade. Estou preocupado.
- Mas seu mestre não lhe falou através do cosmo que o Máscara da Morte não tinha conseguido machucá-la e que ela estava bem?
- Falou, mas talvez ele tenha dito isso só para não me deixar aflito no meio da batalha.
- Ah, deixa de imaginar coisas! Ela deve estar bem mesmo.
- E se não estiver?
- Liga pra lá então.
- Não tem telefone lá em casa.
- Putz. Então pede pra Saori mandar alguém lá.
- Eu não vou incomodar ninguém.
- Então eu acho que você gosta mesmo de sofrer.
- Ah, me deixa, Ikki.
- Tá bom. Sofra bastante... - Ikki diz, antes de sair rindo do amigo.
Dois dias depois, todos estão conversando na sala da mansão. O telefone toca. Tatsumi atende.
- Shiryu, é pra você.
- Pra mim? – ele indaga surpreso, pegando o fone. - Alô? Shunrei!
- Shiryu! Finalmente consegui falar com você.
- Shunrei! Como você conseguiu telefonar?
-Vim para o povoado vizinho, ora!
- Mas são 12 quilômetros! Como você chegou aí?
- Andando, ué!
- Shunrei! Não devia ter feito isso! Podia ter sido atacada no caminho ou...
- Ei, não se preocupe, eu estou bem. E você, como está?
- Estou me recuperando.
- Você se machucou muito?
- Mais ou menos.
- Mais ou menos quer dizer o quê?
- Hum... Alguns ferimentos no peito...
- No peito? Meu Deus! É grave? É por isso que você ainda não pode voltar pra casa?
- Não, não é grave. E sim, é por isso que não posso voltar. Tenho que ficar aqui para fazer umas revisões no hospital. Agora eu quero saber o que Máscara da Morte fez com você?
- Ele me jogou na cachoeira, mas o Mestre conseguiu me salvar. Só peguei um resfriado. Está tudo bem agora.
- Graças aos deuses o Mestre estava por perto. Shunrei, me perdoa. Sei que é importante pra você, mas dessa vez acho que não vai dar para passar o Natal em casa.
- Vou sentir sua falta, mas se não tem jeito...
- Eu também estou sentindo sua falta.
- Sinto muito, muito mesmo, mas vou ter que desligar agora. Tenho que voltar para casa logo. Se eu demorar muito só vou chegar à noite.
- Tudo bem. Não quero mesmo que você ande sozinha por aí altas horas da noite.
- Cuide-se.
- Você também. Caminhe rápido. Fique atenta o caminho todo e a qualquer movimento estranho, corra. Corra o mais rápido que puder e...
- Calma! Vou chegar em casa bem. Eu prometo.
- E como é que eu vou saber se você chegou?
- Isso eu não sei. Agora tenho que desligar fazer isso juntos, certo?
- Certo. Conte até três.
- Espere! Antes eu quero dizer uma coisa.
- O quê?
- Eu... eu... ah... deixa pra lá... vamos desligar...1...2...3...
Shiryu põe o telefone no gancho. Uma lágrima solitária escorre por seu rosto. Todos olham para ele de boca aberta.
- Poxa, ela caminhou 12 quilômetros só pra falar com você esses minutinhos... - diz Saori.
- É, ela é muito especial.
- Ô, que coisa! - sussurra Seiya, ainda olhando espantado para o amigo.
- Eu estava muito preocupado com ela, com o que o Máscara da Morte podia ter feito.
- E o que foi?
- Jogou-a na cachoeira.
- Caraca! Esse Máscara da Morte não era mesmo coisa que prestasse. - diz Seiya, indignado.
- Eu nunca tinha sentido tanta dor quanto naquela hora em que pensei que ele a tinha matado. Eu não me perdoaria se ela tivesse morrido por minha causa.
- Cara, você a ama! - Ikki diz, sorrindo.
- Sim. Eu sei. – ele admite timidamente.
- Eu sempre achei que só ela te amava e você não estava nem aí. - Ikki continua, agora um pouco mais sério.
- Eu a amo mais que qualquer coisa nesse mundo, Ikki.
- Quem diria? Você finge bem. - diz Shun.
- Se eu fosse você eu largava essa porra toda de armadura, guerra e tudo mais só pra ficar com ela. - argumenta Ikki.
- Não largava não! Na primeira ocasião em que nós estivéssemos em apuros você viria nos ajudar.
- Que nada! Vocês iam se ferrar. Se a Esmeralda estivesse viva, eu ia ficar com ela.
- Quem acredita nisso? No primeiro “Ikkiiiiiiiiiiiiiii” que o Shun dissesse, você estaria aqui. - diz Hyoga.
- Nem a pau. Shiryu, você tem noção do quanto essa menina sofre por você?
- Lógico que tenho. Por isso me sinto tão mal. Mas o que posso fazer se nós nos apaixonamos?
- Você já falou pra ela que a ama?
- Não, Ikki, mas ela sabe.
- Saber não basta! Tem que abrir a boca e falar! Não sabe o quanto me arrependo de nunca ter dito nada a Esmeralda.
Saori sai da sala abruptamente.
- Que deu nela? - pergunta Seiya.
- Deve ser inveja. - Ikki responde.
- Inveja de quê? De não ter sido morta pelo Máscara? - pergunta Seiya.
- Ah, você não entende nada mesmo, seu tapado! - Ikki retruca, dando um tapinha na cabeça de Seiya.
Dia seguinte. Todos estão na cozinha tomando o café-da-manhã. O telefonema de Shunrei ainda é o assunto em pauta. Saori, que ninguém mais tinha visto desde a saída abrupta da sala no dia anterior, entra na cozinha.
- Shiryu, tem alguém que quer lhe ver. - diz Saori, olhando para a menina que estava a seu lado.
- Shunrei! – ele exclama. Seus olhos brilham intensamente.
- Shiryu! – ela também exclama, olhando-o carinhosamente.
Os dois se abraçam. Olham-se nos olhos por alguns segundos.
- Shunrei, eu tive tanto medo de que tivesse acontecido algo ruim com você. Foi uma dor tão grande! Agora eu sei como você se sente quando estou lutando. Será que você pode perdoar tudo que eu faço você sofrer?
- Não há nada para perdoar, Shiryu... porque eu... eu... eu amo você... - diz a menina, com o rosto muito vermelho. – Era isso que eu ia dizer ontem antes de desligar o telefone.
- Eu também amo você. - Shiryu responde, quase tão vermelho quanto Shunrei. - Amo você mais do que você pode imaginar. Shunrei, posso beijá-la?
- Claro...
E o casal tem seu primeiro beijo sob os olhares dos outros cavaleiros bronze e de Saori.
- Ah, desculpem, mas eu não podia deixar isso pra depois... - diz Shiryu, vermelhíssimo.
- Finalmente, né? - fala Ikki.
- Srta. Saori, obrigada por ter me trazido pra cá. - sussurra Shunrei, ainda muito vermelha.
- De nada. Agora está tudo bem, não é, Shiryu?
- Tudo ótimo. Obrigado, Saori.
- Vou mandar arrumar um quarto para ela.
- Não quero. - diz a menina, imediata e firmemente.
- Por quê? - pergunta Saori, muito surpresa.
- Eu quero ficar no quarto do Shiryu.
- Tudo bem, Saori. Ela fica comigo.
- Mas não é... escandaloso demais? – a deusa pergunta.
- Saori, nós moramos juntos numa casinha menor que um quarto dessa mansão. Não vai ter problema se ela ficar lá comigo. Não vai acontecer nada demais. - diz Shiryu, abraçando a menina com força.
- Pode confiar nele. É um bobão. - Ikki sussurra no ouvido de Saori.
- Então está certo. Ela fica com você.
Mais tarde, já no quarto...
- Comoveu-me muito o que você fez ontem, Shunrei.
- O quê? Andar 12 km para falar com você? Eu iria até o fim do universo por você.
- Eu sei, florzinha, eu sei. Você também sabe que eu faria o mesmo por você... mas...
- Mas você tem sua missão que é ser cavaleiro e proteger Athena e este mundo onde vivem as pessoas que você tanto ama, inclusive euzinha aqui.
- É...
- Já conheço essa história de cor! Tudo bem. Eu sei que toda essa coisa de Athena, Santuário e armadura é muito importante para você. Mas não me peça para aceitar resignada suas partidas porque eu não vou fazer isso. Como eu poderia aceitar ver o homem que eu amo arriscar a própria vida dezenas de vezes sem chorar, sem gritar? Eu não posso.
- Eu nunca lhe pediria isso. Na verdade, eu gostaria que... você não me amasse... - diz o rapaz, abaixando ligeiramente a cabeça.
- Shiryu...
- Se você não me amasse, não sofreria tanto...
- Se eu não amasse você, que razão eu teria para viver?
FIM
Nota: Mais uma fic do casal Shiryu e Shunrei. Eu amo esses dois! Eu sempre imaginei essa ceninha. Gosto muito dela. Escrita não parece tão coerente, mas eu gosto mesmo assim.
Xauzin
Chiisana Hana