|
Author of 53 Stories |
Nosso segredo
Resumo: Edward Elric estava conformado a viver única e exclusivamente para a sua família, mas não contava que iria se apaixonar por aquela que não poderia correspondê-lo. UA Ed/Win.
Nota da autora: Olá! É, eu sei que havia dito que iria passar um mês de férias, mas eu não consigo passar muito tempo sem atormentar a vida do nosso amado Edo. Eu não vou falar muito agora, não sei se irão gostar desse fic como gostaram do outro, mas irei me esforçar. A minha base para este fic vem muito remotamente de um clipe de uma cantora coreana chamada Lee Soo Young, mas quem viu o clipe e esperar um fic igual pode ir desistindo porque eu como sempre vou mudar muita coisa, e no final das contas vai haver mais a autora aqui do que clipe da Lee Soo Young.
Alguns devem ter notado também que eu publiquei “Receita para a felicidade” utilizando outro nick... Aconteceu uma coisa chata comigo, e eu precisei me desvincular de vez do meu antigo nick, quem quiser informações pode ir até o meu profile. Sei que vai ser difícil se acostumar com ‘Branca Takarai’, mas é assim que prefiro ser conhecida de hoje em diante.
No mais, boa leitura. Espero que o novo fic agrade tanto como ‘Receita’ agradou.
Capítulo 01 – Destino?
“Finalmente!”. Era tudo que Edward Elric conseguia pensar após desembarcar na estação da Cidade Central. Não conseguia dizer exatamente que aquela cidade era o seu lar, mas também não podia negar que era bom estar de volta após tantos anos em que ficara sozinho.
– Nii-san! – o rapaz se virou rapidamente ao ouvir a voz do irmão chamá-lo.
Edward sorriu imaginando que aquele tom infantil do irmão não mudara em nada, mas assim que o viu, percebeu que de infantil no irmão restara apenas o tom da voz, sereno e calmo.
– Al! – Edward exclamou largando as malas de qualquer jeito no chão para cumprimentar o irmão com um abraço. – Como você está?
– Agora que você voltou tudo vai ficar bem! – Alphonse sorriu balançando levemente a cabeça enquanto um sorriso iluminava o seu rosto. – A mamãe vai ficar muito feliz por você estar aqui.
– Por que ela não veio com você? – Edward perguntou erguendo a sobrancelha.
– Por favor, não é, Nii-san? – Alphonse falou após um suspiro. – Eu disse para você que ela está em depressão! Não quer sair, não quer se alimentar, não quer fazer nada!!! A minha esperança é que agora que você está aqui ela volte a agir como antes.
Edward ficou quieto enquanto desviava do olhar do irmão. Não tinha tanta certeza assim de que tudo iria ficar bem por causa da sua presença. Que conforto poderia trazer para a sua mãe? Ele não conseguir confortar nem a si mesmo. Tanto que simplesmente resolvera fugir todos aqueles anos dos problemas.
– Como é a Alemanha? – Alphonse perguntou animado fazendo com que Edward voltasse de seus devaneios.
– Ah... – ele ponderou um pouco enquanto pegava as malas. – Diferente.
– Diferente? – Al repetiu confuso. – Imaginei que quando chegasse fosse ter mil coisas para me contar! Mas, só me diz que é a Alemanha é diferente?
– É claro que eu tenho muito o que contar, Al, mas eu estou cansado, gostaria de ir logo para casa – Edward disse em um tom que realmente expressava exaustão.
– Mas vai ter que me contar tudo depois! – Al disse emburrado, e Edward apenas sorriu pensando que o irmão realmente não mudava.
Edward havia ido morar na Alemanha há quatro anos onde termina os estudos e ingressara na universidade. Mas agora tivera que voltar uma vez que a mãe estava muito doente e precisava dos dois filhos ao lado dela para tentar superar tudo. Para o rapaz todo aquele tempo longe de sua família fora difícil, no entanto, necessária. Sempre conversava com Alphonse por cartas e por telefonemas, mas o dia a dia em outro país era mais complicado do que ele pudera imaginar no inicio.
Ele foi trazido outra vez de seus pensamentos por uma risadinha em um tom abafado de Al.
– O que foi agora? – Edward perguntou erguendo levemente a sobrancelha.
– Eu vou ser o seu senpai! – Alphonse disse ainda rindo.
– Quem disse? – Edward retrucou balançando a cabeça negativamente. – Você está um ano atrás de mim, como poderá ser senpai?
– Mas você não conhece nada aqui, e muito menos a universidade! – Alphonse justificou. – Nisso eu sou veterano!
– Tá, depois nós discutimos isso – Edward disse dando-se por vencido. Quando Al colocava alguma coisa na cabeça era quase impossível consegui-lo fazer esquecer facilmente.
A estação de trem não ficava muito longe da casa dos irmãos Elric, e Edward até achou bom voltar caminhando, pois assim pode observar a cidade com mais calma. É claro que havia mudado e muito, nada permanecia por quatro anos do mesmo jeito, e Edward até conseguia perceber exatamente o que estava de diferente. Não fora feliz naquela cidade, e sabia que nem chegaria a ser, mas não podia negar que sentira um pouco de falta de seu país.
Quando chegaram diante da modesta casa, Edward não conseguiu conter um sorriso. Tudo podia mudar, menos aquela casa. No entanto, havia algo de errado: A porta estava entreaberta.
– Al, você não trancou a porta antes de sair? – Edward perguntou desconfiado.
– É claro que fechei, Nii-san – Alphonse respondeu confuso enquanto entrava na casa. – Mãe?! – Al chamou a senhora. – Mãe? O Nii-san chegou, está aqui!
Edward deixou as malas no chão e fez o movimento de que iria atrás do irmão, mas não foi preciso, uma vez que Alphonse voltou quase correndo pelo corredor e com uma expressão assustada no rosto.
– A mamãe não está no quarto! – o rapaz exclamou exasperado.
– O quê? – Edward murmurou achando que talvez tivesse entendido errado.
– Eu a deixei no quarto, descansando na cama – Alphonse disse angustiado. – Agora ela não está mais! Você sabe que ela não pode andar por aí sozinha, Nii-san!
– Fique calmo, Al, se desesperar nesse momento não vai adiantar – Edward disse tentando manter a cabeça fria. – Ela não pode ter ido muito longe, vamos nos separar e procurar pelas ruas aqui perto.
– Tá – Alphonse concordou fazendo um leve aceno com a cabeça. – Em meia nós nos encontramos aqui.
Edward concordou e assim deixaram a casa. O Elric mais velho só esperava realmente que Trista não estivesse muito longe.
– Se você continuar rindo assim eu juro que irei passar um bom tempo sem dirigir a palavra a você, Elysia...
– Mas é engraçado, Winry! – a garota exclamou tentando se controlar.
– Eu não consigo encontrar essa graça toda! – Winry resmungou cruzando os braços. – Isso vai ser um desastre, isso sim!
– Não vai nada! – Elysia disse animada. – Você vai ver como nós vamos conseguir dinheiro além do necessário para comprar o material! A universidade vai parar amanhã!
– Você diz isso porque não é com você! – Winry gemeu baixinho. – Eu não sei onde estava com a cabeça quando deixei vocês me convencerem!!!
– Ah, não seja tão dramática, Winry – Elysia falou finalmente parando de rir. – Você vai se sair bem.
– Você diz isso porque não é com você! – Winry exclamou furiosa.
– Bem, você sabe que meu pai ficaria feliz demais e colocaria tudo a perder – Elysia murmurou sem jeito, e foi a vez de Winry começar a rir.
– Seria lindo, Elysia! Já imaginou? – Winry disse parando de andar para poder idealizar a cena. – “A minha Elysia, tão pequeninha e já salvando o curso de Química de um futuro incerto e tenebroso!” – acrescentou fazendo uma imitação do pai da garota que por sua vez só girou os olhos.
– Pior que era bem fácil ele dizer algo desse tipo mesmo – Elysia disse em um tom de desgosto. – Por isso eu digo que não daria certo. A sua avó não vai dar chilique, aliais, ela nem vai ficar sabendo! E não reclame mais, você foi muito bem no ensaio hoje! – a jovem acrescentou para colocar um ponto final naquela conversa. – Não há com que se preocupar.
Winry resmungou contrariada, e sem falar mais nada continuou caminhando. Quando dobraram no final da esquina a jovem notou que eram poucas pessoas que andavam pela calçada, e o movimento de carros não estava tão intenso. As duas pararam perto da faixa de pedestres para esperar que o sinal fechasse para os carros.
– Eu não sei, aquele professor me parece meio duvidoso! – Winry comentava sorrindo, a um comentário que Elysia havia feito.
Mas seu sorriso desapareceu quando ela virou o rosto para frente e viu uma mulher atravessando a rua com o sinal ainda fechado. Um carro estava vindo rapidamente na direção dela. O motorista mexia imprudentemente no som e não prestava atenção no que acontecia a sua frente.
O que aconteceu a seguir foi muito rápido para que qualquer um conseguisse acompanhar: Winry, sem pensar duas vezes, correu em direção da mulher e a empurrou para o lado impedindo assim que o carro as atingisse. Tanto ela como a mulher foram de encontro ao chão.
– Ah... Que susto! – foi tudo que Winry conseguiu dizer. Estava sentindo as pernas bambas e com certeza precisaria de algum tempo para se acalmar. – A senhora está bem? O sinal estava vermelho! Não observou isso antes de atravessar? – ela continuaria a falar, mas sua voz se perdeu quando a mulher ergueu o rosto. Não havia brilho nos olhos dela.
– Winry! – Elysia a chamou preocupada, mas a garota ainda estava atordoada demais para conseguir esboçar qualquer reação.
Um pequeno amontoado de pessoas cercava as duas perguntando se estavam bem.
– Por favor, com licença – Edward pedia tentando passar entre as pessoas, e arregalou os olhos ao ver a mãe caída no chão. – Por favor, é a minha mãe!!!
– Edward? – Trista murmurou com a voz fraca.
– Sim, mãe, sou eu! – o rapaz disse ajoelhando-se ao lado dela e segurou suas mãos com força. – O que aconteceu?
– Enlouqueceu? – Elysia exclamou exasperada enquanto ajudava amiga a levantar. – Pular na frente do carro daquele jeito!
Edward ergueu a cabeça e seus olhos dourados encontraram os azuis da jovem por um breve instante. Winry sentiu o rosto arder, e sem dizer nada, puxou a Elysia, e sumiu entre as pessoas.
– Hey! Espere!!! – ouviu quando rapaz a chamou, mas fingiu não ter escutado e logo estava longe o bastante para respirar tranqüila.
– Winry, o filho da mulher que você salvou está te chamando – Elysia disse apontando para o outro lado.
– Ela é cega – Winry murmurou sem ouvir o que a amiga dissera.
– O quê? – Elysia disse arregalando os olhos.
– Por isso ela não viu o sinal, nem o carro – Winry disse abaixando a cabeça.
– Mas você a ajudou, Winry – Elysia disse colocando uma das mãos sobre o ombro da amiga. – O rapaz só queria te agradecer por isso.
– Eu prefiro ir para casa – Winry murmurou cansada. – A senhora está bem com o filho, isso que importa.
– Tudo bem – Elysia disse concordando com um leve aceno. – Eu te acompanho até lá.
Edward entreouvia o irmão falar com a mãe, mas não prestava muita atenção. Estava perto da janela, com as mãos nos bolsos do casaco, e uma expressão distante no olhar. Não conseguia tirar aquela menina da sua cabeça. Por que ela saíra correndo daquele jeito sem que ele nem ao menos pudesse agradecer pelo que ela havia feito?
– Edward? – o loiro estremeceu ao ouvir a mãe chamá-lo com aquela voz serena e suave.
– Sim – ele respondeu aproximando-se de cama.
– Está tão quieto – Trista disse preocupada. – Eu posso não enxergar, mas sinto que você não está bem. Por acaso não está feliz por voltar para casa?
– É claro que estou – Edward disse tentando colocar alguma emoção na voz. – Só fiquei preocupado! A senhora nos deu um susto, sabia?
– Vocês estavam demorando muito – Trista se defendeu. – Resolvi ir procurá-los na estação.
– A senhora não pode sair sozinha! – Edward retrucou exasperado.
– Eu não fiquei inválida, Edward! – Trista disse tristemente.
– Mãe, a senhora precisa entender que não possuir mais a visão lhe debilita muito – Edward falou após um suspiro de cansaço. – Por mais que a senhora queira não vai mais poder fazer as mesmas coisas que fazia quando possuía todos os sentidos.
– Nós vamos preparar alguma coisa para o almoço, mãe, não se preocupe – Alphonse disse rapidamente quando Trista não respondeu ao que Edward disse e um clima pesado se instalou no quarto. – Vamos, Nii-san?
Edward apenas balançou levemente a cabeça e deixou o quarto juntamente com o irmão. Foram até a cozinha, Alphonse começou a tirar algumas coisas da geladeira enquanto Ed puxou uma das cadeiras da mesa e largou-se lá exausto demais para fazer qualquer coisa.
– Você não disse que ela não queria sair do quarto e estava de depressão? – o Elric mais velho perguntou.
– Sim, mas quando ela está sozinha quer sair – Alphonse disse cabisbaixo. – Não sei, parece que ela fica procurando formas de se machucar.
– E hoje poderia ter acontecido uma tragédia! – Edward retrucou balançando levemente a cabeça. – Se não fosse aquela garota eu nem sei o que poderia ter acontecido.
– Você agradeceu, não é, Nii-san? – Alphonse perguntou agora se dirigindo até um armário menor e pegou uma faca para começar a cortar alguns tomates.
– O pior que não – Edward respondeu desanimado. – Ela saiu quase correndo antes que eu pudesse pelo menos perguntar o nome dela ou agradecer.
– Que estranho – Alphonse comentou erguendo levemente a sobrancelha, mas tirar os olhos do tomate que já ficava em pequenos pedaços.
– Ela é linda – Edward continuou com o olhar perdido.
– Pelo visto você ficou impressionado com ela – Alphonse disse desviando o olhar para o irmão e sorriu ao ver a expressão dele.
– Não só bonita por fora. Que pessoa faz algo assim por outra, quem arrisca a própria vida para salvar alguém que nem conhece? – Edward continuou, mas logo parou diante do olhar do irmão, e percebeu que estava falando mais do que deveria.
– Ficou muito impressionado – Al disse e depois começou a rir baixinho.
– Tudo bem, tudo bem, eu confesso que fiquei mesmo – Edward resmungou irritado enquanto cruzava os braços. – Mas vai ficar só nisso mesmo já que eu não sou daqui e muito difícil volte a encontrá-la.
– Nunca se sabe, Nii-san, agora você mora aqui – Alphonse disse maneando levemente a cabeça. – Pode ser o destino de vocês se encontrarem mais uma vez.
– Destino não existe, Al – Edward murmurou desviando o olhar. – Nós que escolhemos nossos caminhos. Ela não quis falar comigo, e o assunto acabou ali.
– Eu não concordo com você, e não vou insistir no assunto – Alphonse disse balançando levemente os ombros. – Será que vai me ajudar com o almoço ou vai ficar assistindo?
– Na verdade – Edward desconversou. – Eu ainda continuo sendo um verdadeiro desastre na cozinha então se quer algo com um gosto decente não fique pedindo a minha ajuda.
– Para mim você continua o mesmo Edward trapaceiro de sempre – Alphonse retrucou fingindo aborrecimento. – Não vou pedir para que você me ajude e muito menos aceitar os seus desafios nos jogos de cartas.
– Trapaceiro? – Edward repetiu emburrado. – Al, olha como fala do seu irmão mais velho!
Alphonse sorriu e continuou cortando os legumes. Edward ficou apenas observando o irmão preparar o almoço, mas seu pensamento estava longe, com alguém que ele nem sequer sabia o nome.