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Branca Takarai
Author of 53 Stories

Rated: T - Portuguese - Romance/Drama - Edward E. & Winry R. - Reviews: 167 - Updated: 05-25-08 - Published: 05-09-07 - id:3531154

Capítulo 15 – Be with you

Winry levou as mãos ao rosto sentindo seu torpor abandoná-la aos poucos. Sentia a cabeça latejar, e o corpo doer, e nem ao menos se lembrava de ter tentado dormir. Estava tão cansada que deveria ter pego no sono de qualquer jeito. E deveria confessar que preferia continuar dormindo a ter que enfrentar a realidade na qual se encontrava.

Quando abriu os olhos, porém, não conseguiu reconhecer o lugar em que estava, e por um segundo entrou em pânico pensando que tivessem a levado para outro lugar, mas assim que tentou se levantar sentiu algo segurando a sua mão, e se estivesse pé certamente teria caído para trás. O ‘algo’ que sentiu era uma das mãos de Edward segurando a sua com força, apesar do fato dele estar profundamente adormecido ao lado da cama.

Com um pouco de esforço, ela conseguiu se sentar.

– Edward... – Winry murmurou tentando não assustá-lo.

O rapaz demorou um pouco para entender que não estava sonhando, e que Winry estava realmente o chamando.

– Win! – exclamou e sem o menor aviso a abraçou. Winry, pega de surpresa, demorou um pouco para que correspondesse ao abraço passando os braços em torno do pescoço do rapaz que a apertou mais contra o próprio peito, e fez com que Winry se sentisse extremamente protegida.

Mas não demorou muito para que ela entendesse o que acontecera.

– Edward – ela o afastou e o encarou com um pouco de medo. – Não me diga que você...!

– Não importa o que eu fiz para o te tirar de lá – ele disse colocando os dedos sobre os lábios dela.

– É claro que importa, Edward! – Winry exclamou puxando a mão dele. – O seu pai queria que você terminasse aquela droga e...

– Não importa, Winry – Edward disse sério. – O que importa é que você está aqui e eu não vou permitir que ninguém mais te faça algum mal.

Winry ficou quieta apenas fitando o rapaz. Tinha certeza de que nada do que falasse iria fazê-lo entender a gravidade da situação, e muito menos fazer com que o tempo voltasse atrás.

Desistindo de continuar aquela naquele momento, a jovem olhou para si mesma e percebeu que estava usando uma das blusas de Ed, e corou furiosamente.

– Foi você que trocou minha roupa? – perguntou um pouco hesitante, e recebeu um sorriso travesso como resposta que a fez ficar ainda mais vermelha.

– Bem que eu gostaria – ele disse ainda sorrindo. – Mas foi a Elysia. Al ligou para ela e contou que você estava aqui e ela veio correndo – o sorriso desapareceu. – Os dois não param de perguntar como eu te encontrei.

– Você não quer contar que foi o seu pai? – Winry perguntou confusa.

– Tenho medo da reação do Al – Edward confessou encolhendo os ombros. – Al sabe que aquele cara sumiu das nossas vidas, mas nem tem idéia do que ele fazia e ainda continua fazendo. Eu estava esperando você acordar para contar.

– Não precisa contar – Winry disse fazendo com que Edward a encarasse cheio de confusão.

– Você não vai denunciá-lo a polícia? – perguntou ele.

– Não – Winry respondeu com convicção. – Isso traria sérios problemas para você já que você terminou aquela droga.

– Mas...! – Edward começou a dizer, porém foi interrompido por Winry.

– Vou dizer que fugi – ela falou sem alterar. – E que não tenho idéia de quem era o mandante do meu seqüestro.

– Isso não é certo! – Edward exclamou exasperado.

– Nem o que você fez para me tirar de lá foi – Winry disse lentamente. – Eu irei dizer que fugi e consegui ajuda para ligar para você.

– Vão perguntar a razão pela qual você ligou justamente para mim – Edward disse ainda não concordando nem um pouco com aquele plano.

– E eu irei dizer a verdade – Winry sorriu enquanto colocava mão no rosto dele fazendo com que Edward imediatamente se acalmasse.

Por um segundo ele pensou como poderia ter se apaixonado tanto, como podia ter deixado que as coisas chegassem naquele ponto que um simples toque dela era capaz de fazê-lo esquecer todos os problemas.

– Vou dizer que liguei para aquele que eu amo e que eu não consegui deixar de pensar um segundo que fosse enquanto estivesse no cativeiro – Winry murmurou docemente, e sorriu quando viu o rosto do rapaz se iluminar. – Eu ia dizer isso naquele dia: Que eu não quero me separar de você, nem ter que esconder mais os meus sentimentos, e que não importa o que for, nem os problemas que vamos ter com o meu pai e com Russel, mas eu vou ficar ao seu lado.

Edward não disse nada. Apenas a abrçou mais uma vez. Já tinha certeza dos sentimentos de Winry, mas não imaginava que ficaria tão feliz em ouvir isso dos lábios da garota.

– Também te amo – murmurou sem soltá-la.

Winry sorriu e ficaram apenas abraçados daquele jeito, sem dizer mais nada, apenas aproveitando o momento de paz que estavam podendo, em fim, ter.

– Eu acho melhor ir avisar a Elysia que você acordou – Edward disse lentamente, sem um pingo de vontade de se afastar da garota. – Porque do jeito que ela é doida se entrar aqui e nos ver assim vai começar com um discurso do tipo ‘Winry ainda está convalescendo e você tentando abusar dela!’.

– Pior que é verdade – Winry disse rindo.

– E nem poderia ao menos me defender porque não posso negar que vontade de... – ele não pode terminar a frase porque Winry deu um tapinha no braço dele, fazendo com Ed risse. – Volto logo. Vê se não faz um estrago muito grande no meu quarto – acrescentou enquanto deixava o quarto, e não a viu corar.

Quatro dele? A garota olhou atentamente para os lados, e viu que estava muito pouco bagunçado, considerando-se que era o quarto de um rapaz. Depois voltou a deitar-se sentindo a cabeça doer um pouco.

Encolheu-se na cama, e ficou apenas sentindo o cheiro bom dos lençóis. Se pudesse ficaria ali para sempre. Esquecer dos problemas com o seu pai, e os que ainda iria ter. Vovó Pinako com certeza a entenderia e apoiaria, mas não queria realmente ter que fazer algo contra a vontade do pai.

No entanto, não iria fugir mais. Iria enfrentar a situação.

– Winry! – Elysia exclamou entrando afobada no quarto, e tirou a garota dos seus pensamentos.

– Eu estou bem, El – Winry sorriu procurando acalmar a amiga.

– Edward não tentou fazer nada? – Elysia perguntou estreitando os olhos. – Você ainda está convalescendo!

Winry riu enquanto Edward girava os olhos murmurando um ‘Eu não fiz nada!’.

– Você consegue ser igual ao seu pai quando quer – Winry disse fazendo com que Elysia torcesse o nariz.

– Eu estava morrendo de preocupação – Elysia fez drama. – E é isso que me diz? Você está bem? Não te machucaram? Afinal, quem foi esse desgraçado que te seqüestrou?

– Estou bem. Só fiquei meio fraca porque me recusei a me alimentar enquanto estava lá – Winry respondeu calmamente. – E não tenho a menor idéia de quem me seqüestrou. Consegui fugir e liguei para Edward que foi me buscar.

A jovem viu Elysia e Alphonse, que estivera quieto até então, trocarem um olhar de desconfiança, mas, para o alivio de Winry, resolveram não continuar com aquela conversa.

– Estávamos preocupados com você – Elysia disse mais calma.

– Eu sei – Winry assentiu levemente. – E eu não queria de forma alguma tê-los preocupado. Minha avó já sabe que estou aqui?

– Al e Ed queriam avisá-la e a Riza também, mas eu achei melhor deixar que você acordasse porque com certeza o seu pai iria fazer um escândalo e tentar te levar daqui de todo jeito, isso sem falar no cara de porco espinho do Russel – Elysia disse mau humorada.

– Tem razão – Winry concordou cabisbaixa. – Melhor não saberem ainda.

– Você pretende voltar para casa quando? – Elysia perguntou preocupada.

– Quanto mais eu puder adiar, melhor – Winry respondeu sem emoção alguma.

– É melhor deixá-la descansar – Al disse puxando a mão de Elysia levemente. – Eu vou te levar em casa.

– Está me expulsando, Alphonse? – Elysia perguntou em um tom de brincadeira, e o fez corar levemente.

– Não é nada disso – disse nervoso. – A sopa está em cima do fogão, Ed, é só esquentar, vê se não vai colocar fogo na casa.

– Ora, não sabia que seus dotes culinários eram tão bons assim, Ed – Winry disse com um quê de ironia e foi a vez do Elric mais velho corar.

– Amanhã bem cedinho eu ‘tô aqui! – Elysia exclamou enquanto era puxada por Al.

– Vou esquentar a sopa porque a senhorita está precisando se alimentar – Edward disse também deixando o quarto.

Pôde ouvir Elysia e Al discutirem alguma coisa sobre o horário de ‘visitas’ do dia seguinte, e girou os olhos. Desde o dia em que haviam ficado trancados no armário aqueles dois não haviam parado para conversar direito sobre o que sentiam. Edward esperava que agora que Winry aparecera o irmão e Elysia resolvessem sentar e conversar civilizadamente sobre o assunto.

– Edward? – o rapaz estremeceu ao ouvir a voz da mãe atrás de si.

– Sim, sou eu – ele disse um pouco nervoso enquanto acendia o fogo para esquentar a sopa.

– Ouvi Al saindo com a namorada – Trista disse sorrindo.

– Eles não são exatamente namorados – Edward respondeu um pouco hesitante.

– Discutindo daquele jeito? – o sorriso dela alargou-se ainda mais. – Se não são ainda, não tardarão a ser. E a sua amiga? Acordou?

– Sim. Estou esquentando a sopa para levar para ela – Edward respondeu tentando parecer indiferente a inclusão de Winry na conversa.

– Eu acho que não devo perguntar o que essa garota significa para você, não é? – Trista falou fazendo com que o filho mais velho ficasse ainda menos a vontade.

– Ela... Ela é a pessoa mais importante para mim – Edward admitiu após ponderar um pouco.

Se Winry iria enfrentar o pai e dizer o que havia entre os dois, então Edward pensou que devia fazer o mesmo e contar a mãe que estava apaixonado pela menina que estava em seu quarto.

– Eu vou contar tudo para a senhora – Edward disse após um suspiro. – Antes eu vou levar a sopa para ela, e depois eu lhe contarei tudo.

– Estarei esperando aqui, querido – Trista disse sorrindo, e Edward deixou a cozinha rapidamente.


Al e Elysia nem sabiam ao menos a razão pela qual estavam discutindo desde o momento em que saíram da casa dos Elric. Talvez não quisessem ficar sem assunto, e acabarem tendo que falar sobre o beijo - amasso do armário. Só em pensar na possibilidade Elysia corava até o último fio de cabelo.

– Ah, as pernas são minhas então eu vou até a casa de vocês na hora que eu bem entender! – Elysia exclamava furiosa.

– Mas cinco da manhã é meio cedo pra receber visita, não é não? – Alphonse retrucou perdendo a paciência. E olha que para conseguir Alphonse Elric perder a paciência tinha que realmente se esforçar muito.

– Eu vou visitar a minha amiga! Tenho que ficar de olho pra ver se o seu irmão não avança o sinal! – Elysia disse emburrada.

– Então vê se vai de táxi e com algo que possa ser chamado de saia porque esse pedaço de pano não dá nem pra entrada – Alphonse resmungou enciumado.

– Que coisa! – Elysia retrucou irritada. – Nem meu pai reclama tanto! Larga do meu pé, Alphonse! Como se você se importasse com tamanho da minha saia ou com quem eu saio ou deixo de sair!

– É claro que eu me importo, Elysia! – Alphonse exclamou decidido, e só então Elysia percebeu o quão séria aquela conversa estava. Não queria ouvi-lo dizer que se preocupava porque ela era sua amiga.

– Minha casa já é bem ali, Alphonse – Elysia disse um pouco nervosa. – Não preciso mais de companhia.

– Espera, Elysia! – Alphonse tentou segurá-la, mas Elysia apertou o passo para se afastar dele. – Nós precisamos conversar!

– O que eu preciso é descansar, Al, então me esquece por hoje! – Elysia disse já começando a entrar em desespero por ele simplesmente não dar meia volta e ir para casa.

Ela passou quase como um raio pelo portão da casa, e avançava sem olhar para trás pelo jardim da casa, mas sabia que Al ainda estava a seguindo de perto.

– O que custa parar um pouco? – Alphonse perguntou quando conseguiu, finalmente, segurá-la.

– Porque eu não quero conversar com você! – Elysia disse tentando, em vão, se soltar.

– Do que você tem medo? – Al perguntou serenamente. – Eu não vou te agarrar, nem nada do tipo – acrescentou em um tom de brincadeira.

Eu tenho medo de não conseguir me controlar...”, Elysia pensou e procurou não encará-lo.

– Uma hora ou outra vamos ter que conversar sobre o que aconteceu – Alphonse continuou sem perder a calma.

– E o que aconteceu? – Elysia perguntou fazendo-se de desentendida. – Continuamos amigos como sempre, Al.

– Eu não quero isso – Alphonse disse sério, e Elysia ergueu a cabeça para encará-lo, sentindo o rosto corar. – Se eu não falei antes era porque estávamos todos muito preocupados com o sumiço de Winry, mas eu...

– Elysia! – a garota fez o movimento de que iria pular para longe de Alphonse quando ouviu a voz do pai, mas o jovem Elric segurou a mão dela com força, e em passos decididos caminhou até a porta da casa onde o Sr. Hughes estava praticamente colocando fogo pela boca.

– Espera, Al, o que você vai fazer? – Elysia perguntou desesperada.

– Espero que tenha uma boa explicação para estar com esse rapaz outra vez, Elysia – Hughes disse irado.

– Pai, eu... – Elysia começou a dizer, mas foi interrompida por Alphonse.

– Sr. Hughes, eu sei que essa não é a melhor hora, mas eu estou aqui para pedir a sua permissão para namorar a sua filha – Alphonse disse em um tom sério e calmo.

Elysia, por um segundo, pensou que estivesse sonhando, mas se fosse apenas um sonho seu pai não estaria ali, parado diante dos dois, com uma cara de que iria matar o engraçadinho que estava tentando ‘roubar’ sua preciosa filha.

Obrigada a Bel Dumbledore, Missae no Sekai, patilion, Aislyn Matsumoto, Artemys Ichihara e Uchiha Sak-chan pelas reviews.

Branca Takarai.



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