|
Author of 11 Stories |
Retratação: Lee e Gaara não me pertencem, infelizmente. Ah! E eu não ganho dinheiro escrevendo fanfics... Infelizmente também...
Atenção: Conteúdo Yaoi!
Insônia
Gaara ficou alguns instantes sentado na cama, sem reação. Quando decidiu que devia ir atrás de Lee ele já estava longe, da porta da casa quase não conseguia mais vê-lo, tão rápido que ele corria, certamente sob efeito do Renge. Impossível de ser alcançado.
Voltou para dentro ainda meio desnorteado e maquinalmente deu continuidade à sua rotina matinal de Kazekage. Tomou banho, se vestiu, fez o desjejum e rumou para o escritório a pé, lentamente, como sempre fazia. Em poucos minutos estava sentado à sua mesa, rodeado de papéis. Hokuto, a secretária que organizava sua agenda, entrava e saía da sala, dizendo coisas, perguntando outras. O telefone tocava, os dois ramais de uma vez, em tempos diferentes. Por fim, um Chounin entrou na sala depositando sobre a mesa um calhamaço de correspondências... E Gaara estava alheio àquela realidade, como se observasse todo o caos de longe, sem entendê-lo e sem dar a mínima importância para ele. Como se aquele não fosse o seu mundo.
Talvez tivesse realmente exagerado, de repente não conseguia mais encontrar um único motivo que justificasse a sua reação tão agressiva... Talvez tivesse realmente exagerado... Claro que era absurdamente difícil para Gaara aceitar que havia coisas que ele, o poderoso Kazekage, simplesmente não podia fazer - como ter um filho com Lee, assim como também era bastante doloroso lidar com as desagradáveis lembranças de sua infância que aquele assunto truxera de volta. Isso sem contar com a inquietante dependência que ele sabia ter por Lee e que agora ficava ainda mais evidente. Qualquer pessoa no Universo seria sumariamente executada por provocar tamanho desconforto ao Kazekage... Mas Lee não era qualquer pessoa do Universo. Lee era o homem que o fizera sentir-se verdadeiramente humano, aos 17 anos.
Eram esses os pensamentos que lhe ocorriam no exato momento em que foi 'trazido de volta' para o escritório por Hokuto. Aquele era o seu mundo, afinal.
- Gaara-sama - ela falava com um tom de voz levemente mais alto, na tentativa de finalmente conseguir a atenção do Kazekage - está se sentindo bem?
Gaara suspirou profundamente e olhou em volta com algum estranhamento, quase como se despertasse de um transe. Não conseguia se lembrar de como fora parar ali, a última coisa de que se lembrava era de ter ido até a porta de casa e visto Lee indo longe... Teve então um estalo de consciência e mirou apressadamente as próprias roupas, talvez ainda estivesse de pijamas, não conseguia lembrar-se de tê-lo trocado, mas o havia feito. Misteriosamente.
- Sim, estou bem.
Mas não estava.
As tantas horas que passou em claro ao lado de Lee, fingindo que dormia, quando um simples 'me desculpe' teria resolvido tudo... Recostou-se na cadeira e respirou profundamente duas ou três vezes enquanto repetia mentalmente o 'me desculpe' - aquelas palavra tão difíceis de serm ditas -, como se Lee pudesse ouvir seus pensamentos. Por um breve instante sentiu fervilhar dentro de peito um estranho ímpeto de sair imediatamente daquele gabinete e correr para Konoha, onde se atiraria aos pés de Lee se fosse preciso, implorando pelo perdão dele. Mas foi só por um breve instante, o estranho ímpeto desapareceu sem deixar vestígios logo em seguida. Se 'perdão' já era um conceito absolutamente vago na mente do Kazekage, 'implorar' então...
Percbeu que Hokuto continuava parada no mesmíssimo lugar. Aquele 'sim, estou bem' não fora muito convincente, afinal. Não tinha como ser. Esfregou os olhos nervosamente, ficar remoendo aqueles acontecimentos e os estranhos sentimentos que lhe provocavam não ia adiantar nada.
- Quais são os meus compromissos hoje? - perguntou enquanto pegava a primeira pasta de uma pilha recém-depositadas sobre a mesa, em uma tentativa desesperada de mudar o foco da sua atenção.
A moça listou prontamente os compromissos do dia: a mnhã estava reservada para colocar em dia a leitura dos relatórios de missões da última semana e redigir os pareceres, às 13 almoço com representantes dos produtores agrícolas de Suna e às 17 uma audiência com os Conselheiros para fechar algumas propostas de comércio de alimentos com outros países. O último verão fora menos chuvoso do que o esperado e Suna passava por mais uma grave crise no setor rural, com os preços da maioria dos alimentos subindo de forma alarmante e alguns já faltando nas prateleiras dos supermercados.
Um dia cheio, mais um. Gaara sabia que não havia como consciliar aquela sua rotina atriubulada e a preocupação com a crise entre ele e Lee, a Vila dependia dele...
oooooo
Naqueles primeiros dias depois da briga, Gaara teve quer se esforçar muito para conseguir manter-se concentrado no que fazia. Abria com certa ansiedade as correspondências que vinham de Konoha e, vez por outra, se pegava lembrando das palavras duras dirigidas à Lee na noite fatídica. Entretanto, tais sintomas foram esmaecendo na mesma medida em que o seu ritmo de trabalho foi se acelerando.
Quatro ou cinco dias depois, esse assunto já nem lhe ocorria mais. E ele também sequer achou estranho quando, no sexto dia, se pegou escolhendo maçãs do deserto - que, a bem da verdade, não passavam de frutos de cactus - no mercado, quando ia do escritório para casa, no final do dia. Gaara não gostava das macãs, eram excessivamente adocicadas para o seu paladar, mas sempre as comprava para Lee. A maioria delas acabava estragando e servindo como alimento para os pássaros, afinal Gaara nunca sabia quando Lee viria, então simplesmente não podia correr o risco de não ter as maças quando ele chegasse...
Não havia nenhuma melancolia naquele ato, nenhuma angústia. Havia saudade - palavra recentemente acrescentada ao vocabulário do Kazekage - a mesmíssima saudade de sempre, de todas as vezes que Lee voltava para Konoha. Passavam 15 dias, um mês, às vezes até mais do que isso, sem sequer se falarem, até que Lee voltasse à Suna em alguma missão e os hormônios de ambos tratassem do resto. Lee ia novamente embora alguns dias depois e começava tudo novamente... Era sempre assim.
E continuava sendo...
Conscientemente ou não, Gaara percebeu o quanto era confortável viver aquela fantasia, como se aquela ausência de Lee fosse apenas mais uma, ordinária. Como se a briga nunca tivesse acontecido, ou como se Lee tivesse simplesmente esquecido dela assim que colocara os pés fora de Suna naquela manhã. Não importava como isso aconteceria, nem um pouco. Tinha a certeza de que Lee voltaria, assim poderia esperar pelo tempo que fosse... Sem trsiteza, só com saudade.
Era psicótico, sem dúvida. Realidade paralela, esquizofrenia, delírio... Mas, mesmo antes deste episódio, o funcionamento da mente de Gaara estava distante do considerado normal.
Ele só não contava com uma coisa, o mundo não sabia que aquela era a nova realidade em vigor, decretada pelo Kage de Suna. E Gaara descobriu isso uma semana depois.
oooooo
Gaara estava sentado à sua mesa, compenetrado analisando um relatório, quando Hokuto entrou pela porta do gabinete.
- Gaara-sama...
Ele ergueu os olhos na direção da secretária. Detestava ser interrompido.
- Desculpe incomodá-lo... Mas parece ser um assunto urgente...
Gaara pensou em todas as coisas urgentes que tinha para fazer e não deu muita importância, que aquela urgência entrasse no final da fila.
- Acabou de se apresentar um enviado de Konoha...
Enviado de Konoha... Os sentidos de Gaara se excitaram imediatamente.
- Ele diz trazer uma mensagem urgente do Hokage...
Gaara se levantou da cadeira com uma expressão indecifrável aos olhos da secretária. Por dedução, Hokuto concluiu que era uma expressão de raiva, por ter sido incomodade por algo tão desimportante, e se apressou em explicar.
- Eu disse que o Senhor estava ocupado, disse que o alojaria em um hotel até que eu conseguisse encaixá-lo na sua agenda para uma audiência... Mas ele insistiu!
O que Hokuto não sabia era que Gaara já nem ouvia mais o que ela dizia, só uma coisa importava - Onde ele está? - A pergunta saiu difícil da boca de Gaara.
- Na sala de reuniões...
Nem bem a secretária completou a frase, Gaara rumava, apressado, para o local indicado.
O corpo todo sacudido por um repentino e aterrador turbilhão de pensamentos e sensações. Não havia no mundo nada que fosse capaz de pará-lo naquele instante, quem quer que tentasse fazê-lo seria imediatamente encerrado no Sabaku Kyuu.
Não sabia o que faria na presença de Lee, mas tinha certeza absoluta que neste instante tudo estaria resolvido, para sempre.
Não hesitou um único segundo quando finalmente alcançou a porta que procurava. Enfiou a mão na maçaneta e entrou como um furacão, o rosto ligeiramente corado pela corrida até ali. Imediatamente vasculhou o local com os olhos, mas foi achado antes que o achasse.
- Gaara-sama...
Ouviu a voz que vinha do lado esquerdo, estranhou o sufixo 'sama' e o tom da voz. Mas a sua consciência apenas se convenceu que não era Lee que se dirigira a ele quando se virou e identificou o ninja como Kiba, acompanhado de Akamaru. Entrara na sala errada, foi o pensamento que lhe ocorreu, saindo logo em seguida. Mas, quando se viu novamente no corredor, teve a vívida impressão de que era aquela sala mesmo que ele procurava. Aproximou-se da porta e leu a placa. 'Sala de reuniões' era o que estava escrito lá. Um buraco havia se aberto sob os seus pés, sentia-se em queda livre.
Entrou lentamente dessa vez. E o chamado se repetiu.
- Gaara-sama...
Se da primeira vez que entrou tinha a face corada, agora estava pálido, ainda mais pálido.
Kiba fez uma breve reverência e continuou, uma vez que Gaara não perecia ter a intensão de dizer alguma coisa.
- Me desculpe por insistir... Mas trago uma mensagem urgente de Naruto-sama...
Mmuito mais do que a mensagem urgente de Naruto, interessava a Gaara saber se Kiba era o único Shinobi de Konoha naquela sala. Vasculhou todo o aposento com os olhos, atentamente, tudo indicava que sim.
- Você veio sozinho? - foi a única frase que Kiba ouviu da boca do Kazekage.
- Sim...
O ar lhe faltou subitamente.
Era um acordo silencioso que havia entre o Kazekage e o Hokage. Sempre, sempre - sem excessão até aquele dia - era Lee quem Naruto mandava para as missões em Suna. E Gaara não acreditava que a ausência de Lee e a briga de 13 dias atrás fossem apenas uma infeliz coincidência. Ele sabia que não era...
Kiba achou que o Kazekage estava estranho, mas todos falavam que ele era mesmo um sujeito "um pouco fora dos padrões" - para manter a diplomacia. Então não deu muita importância ao fato de Gaara parecer simplesmente não estar ouvindo nada do que ele dizia, lhe passou a mensagem enviada por Naruto, como Shinobi responsável que era, e se retirou da sala logo em seguida.
Quando se viu sozinho naquela sala - e Gaara se sentia verdadeiramente sozinho neste momento - permitiu que seu corpo perdesse definitivaente as forças e caísse de joelhos no chão. O que tinha feito? Destruído o sentimento delicado que o ligava a pessoa mais importante de todas. Com a sua insensibilidade que parecia ser feita de aço, mais cortante do que qualquer kunai, e com o seu egoísmo coltivado por anos e mais anos de solidão... Conseguira finalmente ferir aquela criatura que estava disposta a tudo para ficar ao seu lado, a única que conseguira lidar com aquele mundo obscuro, cheio de fantasmas e pesadelos, em que Gaara vivia.
A cabeça rodava violentamente. Então estava tudo acabado mesmo...
Mais uma coisinha, o 'making of' dessa fic se encontra em www (ponto) thesenseiclub (ponto) blogspot (ponto) com.
Respondendo aos comentários
Uchiha Gih: Eu sou uma criatura incapaz de escever one-shot, eu gosto de prolongar o meu sofrimento (e o deles) o máximo possível... hehehe. E, não... Lee-kun ainda não teve filhote com ninguém, vamos devagar, essa confusão só se resolve pelo quarto ou quinto capítulo - o que, nesse meu ritmo, vai ser lá para o Natal. Mas, mesmo que ele tivesse, não seria nem com Sakura-sem-sal e nem com a Ino-pat (olhar assassino) , pode ficar tranquila.
FeH-Chan: m-preg -> male pregnant -> gravidez masculina. Isso não vai entrar aqui nessa fic não, mas eu tenho alguns outros planos malignos (risada à la Saga, hauhauahauahaua). Afinal, o Gaara-sama grávido é a coisa mais linda do mundo, e imagina o humor dele como não ficaria...
Lana-sama: Ahhh... chama o Gaara-sama de burro não, ela só tem uma certa dificuldade inata de lidar com os sentimentos humanos. Mas ele ama o Lee-kun, pode acreditar!
Uchiha Danii-chan: Oi pra você também... hehehe
Uchiha Mandy Lua: Dear, ou sou completamente incapaz de separar os casais que se amam! Pode ter certeza que eles vão ficar juntos no final. Mas não sem antes sofrer um pouquinho.
|
Review this Chapter |