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Nota: Spoilers do capítulo 274.
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- Eternidade -
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Sasori fez da arte sua única razão para viver. Havia arte em tudo o que fazia, em tudo o que via e em tudo o que acreditava. Sua avó costumava encorajá-lo, dizendo-lhe que sua arte fazia parte de uma tradição que já existia há séculos. E ele ficava ainda mais deliciado ao lembrar daquilo.
Arte, para Sasori, era tudo aquilo que duraria para sempre, que estaria lá para ser contemplado pela eternidade.
Seus pais haviam sido mortos em uma missão por Suna quando ainda eram muito jovens, e depois de muitos anos ele próprio já não conseguia mais lembrar de como era bonito o rosto de sua mãe, ou como eram grandes e pesadas as mãos de seu pai.
Na ocasião, sua avó o levara para o deserto e lhe apontara uma duna de areia, mostrando como o vento levava os grãos de um lado para o outro vagarosamente. Ela lhe disse, segurando seus ombros pequenos com suas mãos enrugadas, que tudo o que ele conhecia havia sido daqueles ínfimos grãos de areia, a madeira, a corda, o óleo, a carne, e que um dia tudo à areia voltaria.
Quando chegasse a hora ela, assim como seus pais, também se tornaria areia ao vento.
Assim como ele.
Nada durava para sempre, foi o que Chiyo tentou ensinar seu neto naquele dia, tudo um dia encontra seu fim, seja por meio pacífico ou não. Mas Sasori decidiu que não veria aquele fim chegar.
Ele se tornaria arte, e viveria pela eternidade.
Por isso ele deixou Suna antes que ele, assim como seus pais um dia sua avó, também se tornasse areia.
Ele achava, realmente achava, que a cada tira de pele arrancada, cada vaso sangüíneo rompido, cada centelha de vida roubada, era um passo para o que havia de mais verdadeiramente belo.
Então ele substituía a carne pela madeira, o sangue pelo óleo, os músculos pelas cordas, e via naquele corpo que se tornava marionete em suas mãos a mais bela obra de arte que a humanidade poderia conceber. Porque não importava a diversidade de sua época ou as mudanças no mundo, sua arte jamais iria desaparecer.
E por anos, longos e demorados anos que faziam a transição de dias parecerem um simples piscar de olhos, sua tese era comprovada a cada inimigo novo que não conseguia feri-lo, tocá-lo ou sequer vê-lo em seu corpo artificialmente alterado. A cada batalha ele percebia que, enquanto houvesse arte em sua vida, não haveria lâmina que pudesse matá-lo.
Ele havia encontrado um meio para viver para sempre.
E esse meio seria perfeito sob todo e qualquer aspecto, se não fosse por uma brincadeira pregada consigo pelo próprio tempo com o qual achava que era aliado.
Aquela pessoa que ele julgava ultrapassada ainda estava de pé, mostrando que ainda havia vigor em sua pele ressecada e agilidade em seus pés cansados. Sua avó, a única que conhecia suas fraquezas, ainda estava viva e lutando contra ele.
Assim, como se fosse a coisa mais natural do mundo, sua arte se voltou contra ele e o encurralou, mostrando-lhe que suas convicções não passaram de ilusão.
Aquilo que o fazia viver foi o que o levara à morte.
Aquilo do qual fora criado, finalmente à areia retornava.
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