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Capítulo Quinze: Os Homens do Time 7
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Embora Naruto houvesse desesperadamente tentado me acalmar, não funcionou. Não sabia dizer se era pela decepção ou pela dor ou mesmo pelo meu abalado estado emocional. De repente foi como se uma cortina se abrisse e me cegasse, permitindo que eu visse tudo que havia permanecido por tanto tempo oculto nas sombras.
Aquela lucidez me afogou.
Não pude ouvir as vozes que alardeavam à minha volta. Tudo o que queria era um pouco de silêncio, um pouco de solidão, apenas o suficiente para permitir que tudo se ajeitasse mais uma vez em seus lugares, para dar tempo de que as persianas se cerrassem e minha fraca memória deixasse tudo o mais para trás. Como deveria ser feito. Como eu queria que acontecesse.
As lágrimas despencavam com fúria dos meus olhos e eu cerrei o maxilar para tentar obter controle sobre aquelas emoções desenfreadas. O tufão ainda varria todo o meu interior e minhas costelas doíam com o movimento da respiração desregulada. Os ossos ficavam algumas semanas sensíveis após o trabalho da restauração por chakra. Daquele modo, todos os médicos que se prezassem sabiam que seus pacientes deviam evitar emoções fortes. Mas aparentemente ser médica não me tornava imune às fraquezas humanas.
Pude ouvir a enfermeira tentar o diálogo uma última vez, então comecei a ficar sonolenta.
Braços me empurraram de volta para cama e senti alguns fios escapados da trança roçarem no meu rosto. Fechei os orbes por um instante, numa tentativa de piscá-los, mas fui empurrada para um mundo de sonhos e negridão.
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A consciência foi retornando aos poucos. Podia ouvir o barulho de um pássaro cantando perto dali e passos no corredor. Constantes passos no corredor. Sempre havia muita gente. Era um hospital movimentado. Vinham vozes de longe. Meus sentidos pareciam alerta a aproximações.
Apreciei por um segundo o barulho da minha respiração. Estava compassada e tranqüila. Logo as recordações recentes me assolaram e eu franzi o cenho, me virando na cama. Aquele torpor e moleza de estar muito tempo dormindo me invadiram. Detestava aquele efeito pós-medicação. Parecia que todos os meus membros haviam se transformado em gelatina. A cabeça pesava de uma maneira estranha, como se estivesse em meio a uma alucinação.
Suspirei, expelindo o ar dos pulmões com força, e fui forçando meus olhos a se abrirem aos poucos.
Mirei o teto. A luz forte continuava acesa. Nunca se desligava.
Demorei um segundo para me habituar.
As memórias da briga com Sasuke retornaram com força total. Franzi o cenho com aquele fluxo intenso. Apoiei os cotovelos na cama, colocando sobre eles o peso do corpo, erguendo o tronco. Meu couro cabeludo doía por ter dormido de trança. Tinha também um gosto ruim na boca, por ter estado apagada por tempo demais.
Sentei e joguei os lençóis para o lado. Com o suporte do soro e sentindo o gelado do azulejo sobre os dedos dos pés, caminhei até o banheiro. Lancei um olhar para a minha mochila, onde ela deveria estar, mas já não estava ao lado da cama. Vasculhei então o quarto com os olhos. Naruto já não estava lá também. As revistas estavam empilhadas sobre a mesa de cabeceira. A porta do pequeno armário estava aberta. Provavelmente uma enfermeira havia desfeito a mala.
Quando entrei no banheiro, encontrei a escova de dentes sobre a pia. Havia também o meu perfume preferido. Mordi o lábio quando o vi. Não recordava de Sasuke tê-lo trazido.
Peguei-o na mão. Era um frasco pequeno e azul-claro. Estava quase no final. Fora um presente da minha mãe, lembrei enquanto tirava a tampa para cheirá-lo. Sândalo. Um cheiro agradável e delicioso. A fragrância era refrescante e duradoura. Costumava colocá-lo apenas uma vez por dia, mas o aroma durava por muito tempo.
Escovei os dentes e desfiz a trança. As mechas ficaram onduladas, mas ainda assim caíam às costas sem volume. Encarei minha própria expressão no espelho. Ainda estava pálida e com uma aparência adoentada. Tinha uma fisionomia infeliz e os lábios estavam crispados inconscientemente. Passei a mão pela bochecha com um suspiro e cerrei os orbes. Acho que precisava tomar um banho e espairecer. Mas era uma porcaria lavar os cabelos com aquele soro no braço.
Tirei a roupa com vagareza e abri o chuveiro, sentindo a temperatura da água com os dedos.
Lavei-me sem pressa. Não sabia que hora era, mas devia ser cedo. O sol estava começando a nascer. Minha janela estava já aberta.
Quando saí, soltei um gemido ao ver que não havia trazido roupas íntimas. Enxuguei-me na toalha, me enrolando logo depois, e calcei os chinelos enquanto tornava a voltar para o quarto. Abri a porta, me deparando mais uma vez com aquele perfeito branco imaculado. A brisa balançava as cortinas.
Caminhando pelo cômodo em busca das minhas roupas, vesti a primeira peça na qual pus as mãos. As rodas do suporte de ferro do soro faziam um ruído ininterrupto quando me movimentava, o que era totalmente aborrecedor. Tive de levantá-lo enquanto o levava de volta para o banheiro a fim de tentar dar um jeito no cabelo em frente ao espelho, o qual limpei com a mão, pois o mesmo se encontrava embaçado pelo vapor do chuveiro.
Penteei os cabelos rapidamente, deixando-os soltos.
Não sabia onde estava o resto do time 7 e não sabia se queria descobrir. Mordi o lábio àquele terrível pensamento, o que me fez sentir culpada.
Naruto, Kakashi-sensei e mesmo Sai nada tinham a ver com o meu estranho e extraordinário desentendimento com Sasuke. Na realidade, gostaria mesmo que algum deles estivesse ali para me fazer companhia. Podia ouvir com precisão os ruídos vindos do corredor, mas não tinha coragem de deixar aquele casulo, sem saber o que poderia encontrar lá fora.
Encolhi-me na cama, após ter agarrado o almanaque de cruzadas amassado, e tentei desfazer algumas dobras antes de começar a fazê-lo. O vento que adentrava da janela me batia na lateral da face enquanto riscava freneticamente sobre o papel ordinário. O nível difícil tinha perguntas específicas e salafrárias, mas não me impediu de respondê-las. Mordia a tampa na caneta quando enfim percebi que alguém se aproximava e só tive tempo de erguer a cabeça.
A porta foi aberta num movimento rápido. Sai tinha uma expressão de extremo desgosto no rosto, mas ela desapareceu quando pôs os olhos em mim e no meu semblante surpreso, de lábios meio entreabertos. "Você está acordada." Disse, aproximando-se. "A enfermeira falou que o efeito dos sedativos a manteria inconsciente até o início da tarde."
Encolhi os ombros, baixando a caneta. "Pois ela errou." Articulei, displicente.
"Como está se sentindo?" Ele se acomodou na poltrona, aparentando tranqüilidade. "Pelo que sei, você deu um belo show para o Uchiha ontem à noite, feiosa."
Um bolo subiu à minha garganta com a lembrança das duras palavras que recebi em troca de anos de preocupação. "Que seja." Respondi, baixando os orbes para a atividade infantil que me mantivera entretida antes da sua chegada. "Espero que os espectadores tenham se divertido."
"Não, duvido muito." Sai tinha o seu sorrisinho cretino no rosto, percebi quando o mirei de canto. "Na realidade, acho que foi a primeira vez que o vi realmente irritado, o seu garotão, quero dizer. E essa raiva o manteve desperto pela metade da noite." Apoiou o cotovelo sobre a guarda do assento, postando o queixo sobre a palma da mão, pensativo. "É incrível como metade desse time gira em torno de Sasuke. Você deve tê-los chocado."
"Não quero falar sobre Sasuke." Falei, fria, numa tentativa de cortar o assunto.
Sai arqueou uma sobrancelha para mim. "Está bem. Parece-me que o seu tópico preferido mudou, então." Soltou um riso baixo. "Você tomou banho, mas não pôs o perfume que eu trouxe. Por quê?" Ergui o rosto, surpresa por ele haver reparado. "O seu cheiro está impregnado neste quarto todo, doçura." Respondeu à minha duvida silenciosa, sarcástico.
Corei, irritada por aquela réplica irônica sem necessidade. "Apenas me esqueci." Expliquei, embora ele não o merecesse, e desisti de continuar a resolver a atividade e fechei a caneta e a revista.
Houve um segundo em silêncio entre nós, enquanto eu deslizava o dedo por sobre a capa multicolorida do almanaque, distraída. "Kakashi e o Uchiha fora fazer uma vistoria no terreno que você lhes indicou. Se tudo der certo, muito em breve nós invadiremos e pegaremos o nosso prêmio. Então poderemos ir para casa." Disse Sai de repente.
Me retraí à recordação de Touga e das reações físicas e lancinantes que me provocava. Não queria pensar naquilo. Obriguei os meus pensamentos a mudarem de rumo, mas eles voltavam freneticamente para o meu período de cárcere. Mordisquei o lábio com força, fixando os olhos no nada por alguns instantes, e quando me virei para fitá-lo, percebi os orbes escuros de Sai focados em mim, como se me analisassem.
Tremi, assustada com a idéia de que de algum modo ele pudesse suspeitar do que havia me acontecido, e desviei o rosto para não mais encará-lo. "Está bem." Foi tudo o que pude dizer.
"Tão monossilábica." Comentou ele, parecendo enfadado. "E assustadiça. Sempre com a guarda alta. Nem parece a feiosa distraída e frágil que chegou com nós a este maldito país." Comentou, as sobrancelhas franzidas.
"É apenas impressão sua." Falei, tentando me mostrar desinteressada. "Estou faminta. Por que ninguém veio me trazer o café?" Afastei a atenção para os lençóis, os quais arrumei sobre mim, desfazendo os amassados, o cenho apertado, numa tentativa de levar o foco da conversa para outro tópico. "E você não me disse nada sobre Naruto. Ele certamente não foi junto." Comentei, imaginando um loiro barulhento tentando permanecer à espreita num terreno inimigo. Não era muito o forte daquele Uzumaki.
Sai negou. "Não mesmo." Sorriu, irônico. "Naruto está dormindo. Ele passou a madrugada ao seu lado. A enfermeira sugeriu que não a deixássemos sozinha, para o caso de alguma recaída."
Fitei-o, irritada. "Isso não é necessário. Já estou bem." O que não mudava o fato de que detestaria ficar ali, sozinha, pensei, um pouco nervosa com a idéia.
"Não me diga que está bem. Você teve um ataque histérico ontem à noite, Sakura." A voz de dele estava ligeiramente fria, mesmo que não houvesse expressão impassível nenhuma no seu rosto. Ao contrário, pois Sai parecia de algum modo aborrecido. "Alguém que precisa ser sedada não está bem. Agora cale a boca que eu vou chamar uma enfermeira e trazer o seu desjejum."
Quando ele se levantou e saiu, praguejei alto para que o moreno pudesse me ouvir, mas ele apenas me ignorou, da maneira que fazia sempre que achava os meus comentários indignos de atenção e queria me irritar por aquela negligência proposital. Fiquei por algum tempo olhando feio para a porta recém fechada e levei o dedão até a boca, roendo a unha num gesto sistemático e inconsciente. Não havia tido um ataque histérico, pensei, chateada.
Tudo o que eu fazia certamente era associado a Uchiha Sasuke. Mesmo que me encontrasse infeliz ou irritada, mesmo que eu tivesse a razão - ou mesmo se não tivesse -, todas as minhas simples, mínimas ou dispensáveis ações eram ligadas à presença dele na minha vida. Como se ele fosse o Sol e eu fosse meramente o Plutão, distante e insignificante.
Não era eu a errada naquela relação.
Girei a caneta entre os dedos, melancólica. Havia perdido vários anos acreditando num amor infeliz. Havia me dedicado a ele, o havia cultivado por nós dois, havia sido gentil quando precisara ser gentil e serviçal quando precisara ser serviçal. Havia bancado a mãe, porque nenhum deles a tinha, e também a frágil, para ser tratada como mulher. Estivera todo o tempo ali, somente querendo um pouco de considerada atenção. E reconhecimento.
Mas a vida, desde que eu conhecera Sasuke, me mostrara que não era para estarmos juntos, porque não valia a pena, nem para mim e nem para ele. Porque não era para ser. Ela sempre se encarregaria de por um empecilho entre nós, um obstáculo impossível de ser contornado, e minava ano a ano e pouco a pouco as minhas energias.
A verdade era que, por mais que eu desejasse, simplesmente não existia uma relação. E não havia motivos para ter ataques histéricos, portanto.
Permaneci em silêncio quando Sai retornou acompanhado de uma enfermeira e uma bandeja. Sorri para a moça, começando a comer, e não voltei os olhos nenhuma vez para o moreno que se acomodara ao meu lado. E ele tampouco requisitou qualquer atenção.
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Naruto apareceu no início da tarde, muito espalhafatoso, e me manteve ocupada com as suas piadas incessantes e um jogo de forca. O riso dele me distraía de modo que nada mais no mundo parecia fazê-lo e eu relaxei. Meus ombros doíam pela tensão, embora não o houvesse percebido até então.
As gargalhadas provocadas pela personalidade excêntrica do meu cone ambulante preferido faziam o meu estômago doer. E agradeci silenciosamente por alguém tê-lo posto na minha vida.
Esqueci todos os tormentos que carregava na alma. Apenas alguns minutos de distração, prometi a mim mesma, mas acabou acontecendo que as horas passaram e passaram e eu não percebi o tempo voar por nós.
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Anoitecia e o jantar já havia sido trazido. Sai disse que Kakashi-sensei apareceria para me visitar logo após o turno de serviço. Nenhum de nós falou nada sobre Uchiha Sasuke e eu agradeci por haverem respeitado o meu desejo. Durante todo o tempo foi como se ele simplesmente não existisse, o que era uma infelicidade, considerando a sua beleza hipnótica.
Não era justo e sabia estar sendo infantil. Mas era a única maneira que encontrara de atenuar aquela sensação opressora de infelicidade.
Estava na sobremesa, dando a última mordida na maçã, depois de tê-la dividido com Naruto, quando ouvi leves batidas na porta. Mandei que o recém chegado entrasse e logo a fisionomia alegre do líder do time 7 se fez presente. "Boa noite, Sakura. Você parece melhor." Comentou, as mãos nos bolsos, soando desinteressado. "A propósito, estive falando com a responsável pelo seu caso e é provável que você receba alta amanhã ou muito em breve."
Sorri, ainda que aquela não fosse uma notícia relevante para mim. Não adiantaria sair dali se não pudesse ir para casa. "Sim." Disse apenas, largando o resto da fruta sobre a bandeja. "Ainda estamos posicionados naquela casa perto da escola de arte?" Perguntei para ninguém em especial.
"Não. Estamos hospedados na casa do Kage, ou daquele que diz ser o Kage. Enfim, isso não importa agora." Kakashi-sensei fez um maneio com a mão, demonstrando impaciência. "Agora..." Fixou o olho escuro visível em mim, sério. "Precisamos ter uma conversa séria, de ninja para ninja. E Sasuke está esperando para entrar, portanto você terá alguns segundos para se acostumar com a idéia." Avisou.
Arregalei os orbes com a sua frase, sentindo novamente aquele bolo de lágrimas reprimidas querer subir garganta acima. Desviei o rosto, como vinha fazendo com freqüência ultimamente, e mirei as minhas próprias mãos, numa tentativa de não perder o controle. Ou de camuflar os meus sentimentos tempestuosos, que seja.
Ficamos em silêncio por pouco tempo, mas pareceu ter sido uma eternidade. Tudo o que pude fazer foi acenar em concordância, ainda com os olhos baixos, hesitante.
Kakashi-sensei soltou um 'Pois bem' desprezível e eu ouvi mais uma vez o barulho da porta sendo aberta. Os passos de Sasuke era suaves, discretos, quase imperceptíveis para ouvidos menos treinados. Ele por inteiro era uma mistura de discrição e capacidade de ocultação perturbadoramente bem sucedidas.
Nenhum de nós falou nada, então Naruto tomou a dianteira e perguntou o que havia acontecido. Sai estava sentado no parapeito da janela ainda aberta e passara metade da tarde desenhando figuras no caderno que sempre o acompanhava, volta e meia relanceando os orbes sobre mim enquanto soltava uma piada impossível de ser contida. Todo o clima de saudável camaradagem existente durante o dia havia se fragmentado em milhares de pedaços.
"Nós seguimos as instruções de Sakura e fomos até o esconderijo de Hakudoushi." Ergui a cabeça para fitá-lo quando Kakashi-sensei pronunciou aquelas palavras num tom pesado. Não tinha uma boa expressão. "Nosso objetivo era apenas sondar o local, mas aparentemente ele foi abandonado ainda nesta manhã."
Gelei o ouvi-lo. Foi como se tudo no meu corpo houvesse parado, inclusive os batimentos cardíacos.
Não podia ser verdade, pensei, com medo. Isso queria dizer que eles poderiam estar em qualquer lugar. Poderiam estar ali, à espreita, para que pudessem me capturar novamente. A imagem da Touga na minha cabeça quase fez com que eu começasse a tremer. Touga novamente com as mãos em mim, Touga com as mãos no meu corpo, abrindo a minha roupa.
Oh meu Deus. Aquilo não poderia acontecer. Ouvi Sai dizer qualquer coisa a respeito do assunto enquanto eu me mantinha imóvel, apertando o lençol com tanta força que os nós dos meus dedos estavam brancos. Aquela língua em mim, mexendo com a minha cabeça, me perturbando. Meu coração batia tão rápido que podia escutá-lo ribombando em meus ouvidos com toda a força. Mesmo assim, era como se não conseguisse pôr ar para dentro dos pulmões.
Por um longo e tortuoso segundo achei que fosse desmaiar, a visão nublada, até que percebi estar tendo uma crise de pânico.
Rilhei os dentes, tentando afastar aquela sensação de torpor que chegava com mais força, querendo me derrubar, até que consegui focalizar o quarto à minha volta novamente. A voz de Kakashi-sensei era a única a ecoar pelo ambiente, embora não pudesse distingui-la com perfeição.
"Preciso ir embora." Disse, cortando-o, a voz rouca.
"O quê?" Naruto me olhou, franzindo as sobrancelhas.
"Eu quero ir embora. Agora." Meu lábio inferior tremeu, dando-me uma entonação também trêmula. Mirei Kakashi-sensei, o maxilar rígido. "Não posso ficar aqui. Não posso ficar aqui." Repeti com mais firmeza, embora meus olhos refletissem todo o terror que me inundava a alma com a força de um maremoto.
"Eu prometi que iria protegê-la-ttebayo." Naruto se pôs de pé, segurando o meu braço, chateado. "Você não confia em mim?" Indagou, sério.
Quando o fitei, quis dizer 'sim, Naruto, confio em você mais do que confio em mim mesma', mas aquilo não queria dizer nada. Uma pequena parte apavorada de mim gritava, ensandecida, que fora pela negligência dele que eu caíra em mãos inimigas - o que não era certo, pôr a culpa em outrem. E ela berrava mais alto do que todas as outras. Entreabri os lábios, pronta para mentir, mas a expressão do meu rosto deve ter me denunciado, pois ele me soltou como se tivesse levado um choque.
A fisionomia sempre alegre se transformou de repente, até que pareceu ficar despedaçada. Quis tocá-lo, porém nem mesmo me movi. Era como se houvessem cordas invisíveis me amarrando àquela cama, prontas para jamais me deixar abandoná-la.
Mordi o lábio. "Desculpe." Sussurrei, ainda que soubesse que de nada adiantaria. Soltei o lençol, começando a estender o braço na sua direção, mas desisti.
Nada que pudesse dizer dali adiante ia tirar da cabeça dele a parcela de mim que já não sabia se confiava no membro mais carismático do time. Doeu no meu peito ao vê-lo daquela maneira, porque tudo o que eu menos desejava era feri-lo. Entretanto algumas coisas pareciam mesmo inevitáveis.
"Nós não podemos ir embora antes que a missão seja concluída." Falou Kakashi-sensei, os braços cruzados, interrompendo-me os pensamentos. Mirei-o, surpresa pelo seu sangue-frio. Ele jamais havia sido tão imparcial quando se tratava de mim. "Sei como você se sente, Sakura," continuou, parecendo gentil. "mas nós fomos pagos para isso, para levar isso até o final." Referia-se àquela situação infeliz, percebi, o que de nada serviu para diminuir o meu desespero.
Encarei-o, impassível. Incrédula. Não, não saberia dizer o que trazia na face. Era um pouco de decepção e muito receio e uma nova e súbita raiva por aquele desmazelo.
O sucesso de uma missão era importante, sim, para o nome da Vila e dos ninjas que dela participaram, mas nada valia a pena se estivesse só. Tsunade-shishou me ensinou muito, além de lutar e beber. Ela me ensinou a abrir mão do prestígio impecável quando as prioridades por algum motivo se alteravam. A vida de um ninja não era apenas sucesso, era também companheirismo.
Tive vontade de chorar e me esconder nos braços de alguém que me fizesse esquecer todos os problemas.
"Não." Falei, pois todos esperavam ouvir a minha voz. "Você não sabe como é." Movi a cabeça, voltando os orbes para os meus próprios dedos. "Você não sabe como é ser surrada e passar fome enquanto precisa gastar todo o chakra pra curar um assassino. Você não sabe como é." Frisei, erguendo o rosto. "Você nunca foi o alvo, você nunca foi a peça que falta no quebra-cabeça, você nunca foi aquele que deve ser protegido. O que vocês estiveram fazendo enquanto eu estava lá, naquele inferno? Como você pode saber?"
A expressão em seu rosto dizia que ele não sabia. Ele não sabia, porém nada daquilo importava naquela ocasião. Kakashi-sensei era, como sempre, o líder e nós devíamos acatar às suas ordens como acatávamos as leis que regiam o nosso país. Precisávamos ser racionais. Só que eu não conseguia ser racional, como sempre havia sido. Não em se tratando de Touga.
O meu ar acusatório fez com que Kakashi-sensei suspirasse, passando a mão pelo cabelo.
Aquele era geralmente o momento em que o ofendido recebia algum conselho ou palavras gentis, de apoio e para reflexão. Já havia tido vários dias para refletir, enquanto estive presa naquele subterrâneo. Refletira sobre as minhas qualidades e defeitos e sobre a infeliz ironia da minha vida. Não havia mais o que refletir.
"Escute, Sakura." Mas eu me movi antes que pudesse escutá-lo. Arranquei o soro da minha veia, fazendo Naruto soltar um palavrão, e pus os pés para fora da cama.
Todos os membros daquele grupo já haviam negligenciado o seu país, os seus amigos antes. Sakura sempre fora a boa e regrada moça, orgulho da Hokage, que nunca desrespeitava as regras, enquanto todos os demais membros do time desapareciam sem deixar rastros. Nunca nem mesmo negara fazer algo que me desagradasse. A pobre e boba Sakura.
Movi a cabeça, ignorando a mão de Naruto que tentou segurar o meu braço.
"Eu achei que nós fôssemos um time." Desabafei, indo até o armário e o abrindo. "Mas nós não somos um time. Durante o que pareceu um milhão de anos eu acreditei que o time 7 voltaria a ser o que havia sido anteriormente. Entretanto eu percebi que nós simplesmente não havíamos sido nada. Nós sempre fomos Naruto, Sakura, Sasuke e Kakashi, em universos distintos. Vocês nunca me respeitaram. Vocês me negligenciaram, esconderam coisas de mim, partiram sem se importar com o que eu queria."
Era verdade, minha mente gritava ensandecidamente. Todas aquelas palavras duras e frias nada mais eram do que uma verdade cruel. Nós podíamos fingir que estava tudo certo e mentir a nós mesmos, dizendo que nada nunca acontecera, mas todas as traições e abandonos sempre estiveram vividos em minha cabeça, que se esforçava para ignorá-los. Sempre me movi com o pensamento otimista e ignorei e me fiz de estúpida para um par de coisas que esteve à minha frente todo o tempo.
Mas não podia ignorar o pavor que Touga causava em mim e não podia passar por cima daquele trauma daquele modo, sendo obrigada e oprimida.
Comecei a jogar as poucas peças de roupa que havia nas prateleiras dentro da mochila, evitando que o tremor que me dominava as mãos subisse para o resto do corpo. Não era hora para lágrimas, pensei, contendo-as com toda a minha força de vontade. Quem sabe pudesse chorar depois, logo depois, quando ninguém estivesse vendo.
"Sempre pensei que fosse fraca e que não me viraria sozinha. Mas eu me virei. Enquanto vocês matavam gente e sentiam ódio, enquanto percorriam os seus próprios caminhos em busca de poder, enquanto deixavam para trás a irritante garota que não sabia se defender." Virei de relance o rosto para encarar Sasuke, séria. "Essa garota morreu." Declarei. "Estou indo embora agora e não me impeçam, por favor. Não posso e não vou fazer isso." Fechei o zíper, jogando a alça pelo ombro ao me virar para Sai. "Você vem comigo?"
Ele pareceu surpreso com o meu convite, mas riu e ergueu as sobrancelhas, pondo-se de pé. "Só se me proteger durante o caminho, Haruno-destruidora-de-inimigos." Zombou.
Revirei os olhos, dando-lhe um pequeno sorriso de canto. "Cale a boca e vá andando, idiota." Mandei.
Sai desapareceu numa nuvem de papéis picados, atrás dos seus pertences.
"Sakura-chan, por favor." Naruto segurou me segurou pelo ombro antes que arriscasse um movimento. Havia uma profunda expressão de angústia na sua face. "Me desculpe." Pediu, os olhos claros infelizes e límpidos como um céu sem nuvens. "Me desculpe se os meus atos a machucaram." Repetiu. "Eu amo você e nunca quis feri-la."
A declaração dele fez o meu peito inteiro se aquecer como se houvesse sido aconchegado em um colo quente. Foi como encontrar conforto após horas de tortura. E nenhuma palavra verbalizada seria objetiva o bastante para exprimir aquela maravilhosa sensação de ser amada, independente de cada minúsculo defeito. A estarrecedora capacidade de Naruto em ser adorável enquanto sincero era algo que mexia com o meu interior.
Devia-lhe mais do que anos de gratidão. Devia cada gota de suor e lágrima que o fizera derramar, devia todos os bons e maus momentos em que permanecera ao meu lado, em que nunca me julgara por ser frágil ou egoísta, em que me abraçara e fora ciumento, porque esse era o seu jeito, e que acalantara os meus sentimentos destruídos.
"Posso perdoar qualquer coisa que você faça." Disse, pousando a mão sobre a dele. "Você foi aquele que sempre esteve lá por mim. E sei que sempre estará." Sorri, gentil. "Não importa o que aconteça, vou amá-lo. Você está no meu coração."
Recebi um sorriso vacilante em troca.
"Eu apenas..." Soltei um suspiro frustrado, afastando-me e enfiando a mão entre os fios desarrumados do meu cabelo. "Apenas estou no meu limite, está bem? Vou ir embora, não importa o que diga." Assegurei. "Preciso me trocar. Vou partir nesta madrugada. Vocês podem ir agora." Disse para Kakashi e Sasuke. "Cuide-se, mocinho." Dei um piparote na testa de Naruto, dando-lhe as costas e caminhando até o banheiro, onde fechei a porta.
Sentei sobre a tampa abaixada do vaso após ter largado a mala no chão, escondendo o rosto nas mãos.
Aos poucos todo o desespero trêmulo me invadiu e eu soltei um soluço baixo, ofegante e assustada. As lágrimas vieram um pouco depois, devagar, uma a uma, até que despencavam pelas frestas dos meus dedos, caindo nos joelhos.
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Chorar nem sempre me ajudou. Às vezes funcionava como um reflexo de auto-defesa e às vezes não havia mesmo um porquê. Sabia ser interiormente fraca, como uma porcelana, e me esforçava para negar cada ínfimo lapso de covardia. Admito que me irritava mais do que caía ás lágrimas, nos últimos anos, o que não queria dizer que absolutamente tudo houvesse mudado. A Sakura boboca continuava lá, domada pela independência, e isso não significava que havia desaparecido. Apenas se calara.
Permaneci imóvel por um longo tempo, apenas sentindo o meu corpo pôr para fora toda aquela desilusão, infelicidade e desespero, até que nada restou além do rastro quente sobre as minhas bochechas e uma dor de cabeça.
Respirei fundo para me acalmar. Sequei os vestígios de lágrimas no canto dos olhos, erguendo a cabeça devagar.
Encarei o banheiro um instante antes de me levantar, agarrando a mochila. Tirei dela uma muda de roupas, os movimentos lentos e desanimados. Vesti-me devagar. Não tinha calçados. Naruto me tinha comprado uma sandália de saltos rasteiros, um presente para me animar, e ela estava em algum lugar debaixo da cama ou pelo quarto.
Quando abri a porta, encontrei Sasuke encostado à parede.
Seus orbes negros me sondaram e certamente perceberam a minha expressão cansada. Senti um pouco de raiva, mas estava cansada demais para exteriorizá-la. Desviei os olhos dos dele, seguindo atrás dos meus calçados.
"O que você está fazendo aqui?" Perguntei, séria, sem encará-lo.
"Precisamos conversar." Ele disse, sua voz rouca e enlouquecedora penetrando nos meus ouvidos como uma música deslumbrante.
"Nós não temos nada para conversar, Sasuke." Respondi, encolhendo os ombros. Achei um dos pés da sandália, calçando-a. "Você já me disse o que pensava a meu respeito, mais uma vez, e eu acho que é o suficiente."
"Não." Ele moveu a cabeça numa negativa. "Todas as coisas que falei, bem," Sasuke respirou fundo, passando a mão pelo cabelo. Virei-me para olhá-lo, mas os olhos escuros não estavam sobre os meus, como normalmente. "eu apenas estava irritado. Você não pode simplesmente pedir para que os perdoemos." Esfregou a nuca, impaciente.
Não, eu não podia. Mas também não podia permitir que pusessem as mãos em Touga ou aparecessem no seu caminho. Não havia porque pô-los em frente a um risco desnecessário. Tinha medo de que se ferissem ou descobrissem coisas que não lhes agradariam. Assim como não me agradavam. E continuar com aquela busca, permitir que eles obtivessem o nosso rastro, agir como se fôssemos as presas, não era uma boa decisão.
Mesmo assim, nada falei durante algum tempo. Apenas continuei a esmiuçar a fisionomia maravilhosa que por tantos anos me pôs de pernas trêmulas.
"Está bem." Respondi, quietamente. Dei-lhe as costas novamente, procurando pelo outro pé do sapato. "Mesmo assim, você pode ir embora agora." Falei, abaixando-me para pegar o objeto, que calcei. Tinha o maxilar rígido. Não queria fraquejar. "Nunca mais vou pedir pra que fique." E aquelas palavras soaram duras mesmo para mim.
"Sakura." Ele falava baixo e num tom aveludado que quase me levou às lágrimas. Sasuke tinha um poder de atração paralisante. "Não faça isso comigo."
Tremi.
"Você sabia que eu tinha de ir."
"Você passou sete anos da sua vida tentando me afastar. Você conseguiu." Disse, os orbes fixos na parede. Apertei os punhos ao lado do meu corpo com força. "Sempre será importante para mim, mas nós não fomos mesmo feitos para ficarmos juntos. Eu ainda amo você, mas eu não quero mais você."
Houve um grande período de silêncio entre nós, no qual eu não me atrevi a pronunciar mais o que fosse. Apenas havia no ar o ruído da minha respiração ofegante, que soava terrivelmente mal.
"Você passou sete anos da sua vida tentando fazer com que eu a amasse. Você conseguiu." Quando me virei para olhá-lo, chocada, ele já não estava mais lá.
Aquela frase ecoou na minha cabeça por um longo tempo, como se o cérebro estivesse procurando processá-la, em vão. E assim que pensei em procurá-lo, me repreendi. Mordi o lábio com força, sentindo-o se abrir entre meus dentes. Percebi o gosto do sangue. Apoiei o braço na parede, vacilante.
Levei a mão ao coração, notando-o doer. Foi como ouvir o que eu esperei ouvir desde que nasci, mas ao mesmo tempo foi como não ouvir nada demais.
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Por que é como se ainda assim algo faltasse em mim?
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Quando Sai voltou, me encontrou imóvel no mesmo lugar. Entrou pela janela, carregando uma mochila, e tinha um sorriso divertido no rosto, como se recém houvesse feito algo que o agradasse. Ele era fisicamente parecido com o moreno que me manteve cativa por quase uma década, mas era tão estupidamente diferente que às vezes me pegava pensando no por que serem daquela maneira semelhantes.
Saltou para dentro do quarto com um pulo gatuno e carregava o caderno de desenhos embaixo do braço. "Você parece que foi esbofeteada ou descobriu que é filha do homem mais maligno da face da Terra." Disse, assim que me voltei para fitá-lo. "Acertei em alguma das teorias?"
"Não." Respondi, movendo a cabeça. Afastei-me da parede, sentindo o braço descer lentamente para o lado do corpo mais uma vez. "Está pronto?" Desviei o assunto de modo proposital.
"Claro. Eu vou adorar fazer algo que ponha a Hokage de cabelos em pé. E já estava mesmo na hora de alguém destroçar a fantasia de família feliz que existe entre vocês. É enjoativa." Comentou, observando as unhas, levemente distraído. "Kakashi não concorda com a sua posição e não irá apoiá-la, apesar de tudo. E Naruto está muito tentado a segui-la. Acho que o fará. Mesmo."
"Oh." Entreabri os lábios num gesto surpreso. A parte inferior estava dolorida. Levei o dedo indicador com chakra até ela para curá-la, indo até a minha mochila enquanto o fazia. "Talvez não seja bom. Não quero encrencá-lo. E se o resto do time vai mesmo levar esta sandice adiante, quanto mais reforços sobrarem melhor." Encolhi os ombros, agarrando a alça para levar a bolsa ao ombro direito. "Vamos desaparecer daqui antes que a minha enfermeira chegue. Não quero que saibam que tive alta. Podem estar à minha procura."
Assim que comecei a caminhar na direção da janela, Sai segurou o meu braço, impedindo-me de continuar.
Sua expressão estava séria, combinando com a pele alva e a boca corada. "Desde o princípio, você não me enganou, feiosa. Sei que fizeram algo que a perturbou mais do que passar fome ou ser surrada. Pude ouvir você murmurar os seus pesadelos. Saiba que estou aqui. E continuarei aqui." Falou, baixo.
Soltei-me do seu aperto, hesitante. "Não é nada que eu não possa suportar." Reiterei, sem encará-lo. "Não se preocupe." Virei a cabeça assim que subi no parapeito. "Agora vamos para casa."
Nós pulamos, nos embrenhando na escuridão da noite.
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Estava deixando Sasuke para trás, pensei após algum tempo. Estava deixando os meus sonhos de garota para trás, os meus anseios mais pueris, minha vontade de sentir o corpo dele sobre o meu e todo o magnetismo hipnótico da personalidade dura e impassível. Era como abandonar uma parte vital do meu corpo e estar ciente disso.
Todas as nossas chances, os meus esforços, eles haviam sido jogados no chão e cruelmente pisoteados. Sofri com aquela conclusão, porque tudo o que secretamente sempre desejei era ser a impecável senhora Uchiha. E, ao mesmo tempo, uma pequena parcela de alivio crescia dentro daquele coração espicaçado. Iria deixá-lo ir, repeti a mim mesma. Iria deixá-lo seguir o seu próprio caminho, como eu seria o meu caminho, e nós eventualmente nos encontraríamos. Ainda o amava. Ele possuía uma parte dos meus sentimentos, ainda que por vezes não o merecesse. Mas esse amor se transformaria e se tornaria uma simples amizade.
Podia ouvir o barulho do ar deixando as narinas de Sai e a sua proximidade me acalmou.
Sasuke era o mais doce paraíso. Voltei os orbes para a figura do homem correndo silenciosamente ao meu lado, as bochechas coradas, o que não era comum na sua face branca. Sai, diferente dele, era uma deliciosa visão do mundo terreno. Uma visão perto o bastante dos meus dedos e que não se escoaria como a água por entre as brechas. Não era eterno e ao mesmo tempo era como se fosse.
O time 7 talvez não fosse um grande time. Talvez não fosse mesmo um time. Talvez realmente vivêssemos em realidades distintas, como proclamei naquele quarto de hospital, mas Sai dividia a mesma existência que eu. Enquanto o meu delicado sonho de infância se afogava num mar de sangue e vingança, do qual já não havia mais retorno.
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N/A: Então, É ISSO. Vocês, grande parte de vocês, adorou o fora do Sasuke, não adoraram? Não foi simplesmente 'te deixei sem palavras, baby'? Porque eu adorei. Mesmo. Foi sacal. Foi tipo cair na real depois de anos de ilusão e perceber que tudo não passou de uma pura e simples fantasia. Esse capítulo foi, pra mim, um dos melhores, porque mostrou o quanto a Sakura cresceu e parou de acreditar nos contos de fada impossíveis. Yeah, ela resistiu, mas no final encarou a realidade. E desistiu do que só lhe trazia dor.
Achei fofa a interação NarutoSakura, apesar dos pesares.
Para os que reclamaram do Sai, agora ele apareceu, hein? Eu adoro como ele presta atenção nos detalhes, como o cabelo e o perfume dela. É um luxo. E vamo que vamo! Nos próximos dois últimos capítulos vamos ver como andará o desenvolvimento disso tudo e vai ter um pouco mais de Touga para as fãs (Touga é pop, minha gente!) e mais Naruto. Eu pago pau pra gostosura do Sasuke, mas, como diz a Ika Maria - que até agora não se conforma -, perdeu, prayboy.
Vou atualizar meu livejournal hoje! Portanto fiquem espertos! Mais comentários e curiosidades sobre A Cor da Noite, incluindo detalhes sobre o Touga e algumas cenas cortadas!
COMENTEM! E GOGOGOGOGO, SAI! REVIEWS. Amo vocês.