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Naru-L
Author of 71 Stories

Rated: T - Portuguese - Angst/Drama - Kagome & Inuyasha - Reviews: 102 - Updated: 10-24-09 - Published: 06-17-07 - id:3599725

N,A, - Eu sei... longa demora... Sorry for that, people ._.

Tentarei não demorar, mas logo começa época de amigo secreto, presentes de Natal e... eu sempre enlouqueço com isso. x-x

Espero que gostem do capítulo!

EDIT - Agome-chan me avisou por review do meu erro quanto a idade da Kagome no final do capítulo. Já consertei, thanks por avisar.

Erros que passam batido quando a revisora some...

Eu teria mandado PM, mas você está com isso desabilitado XP



Until Death

Capítulo 15

I don't want to do this anymore
I don't want to be the reason why
Everytime I walk out the door
I see him die a little more inside
I don't want to hurt him anymore
I don't want to take away his life
I don't want to be... a murderer

Unfaithful – Rihanna

Kagome sentou na cama assustada quando as cobertas foram puxadas, piscou ao encontrar a claridade vinda da janela e virou bruços, puxando o travesseiro sobre a cabeça.

- Vá embora, Sangô.

- Levante. – A garota respondeu, agarrando o travesseiro. – Não pode ficar aqui para sempre.

- Quer apostar? – Kagome perguntou, agarrando o travesseiro com as duas mãos, quase gritando as palavras.

- Kagome, você não pensa que pode ganhar de mim, não é? – Sangô segurou o travesseiro com mais força e o puxou, conseguindo tirá-lo das mãos de Kagome.

- Vá embora! – Ela gritou meio histérica, empurrando a outra garota. Arregalou os olhos quando a viu dar um passo para trás, desequilibrada, e estendeu as mãos para segurá-la. Os olhos castanhos fitando-a cheios de surpresa foram à última coisa que viu quando suas mãos se tocaram.

Estava escuro, mesmo para uma noite sem lua. As casas de aparência pobre pareciam desertas, e parte dela esperava que apenas o som dos animais noturnos se fizesse presente, mas até mesmo isso lhe estava sendo negado.

Suas mãos se fecharam no Hiraikotsu em busca de uma sensação de apoio que não veio. A máscara que cobria seu rosto parcialmente pela primeira vez parecia sufocá-la. De seu esconderijo ela buscou a figura conhecida de seus companheiros, mas novamente não encontrou nada. Fechou os olhos, pensando no pai e no irmão.

Por favor, estejam bem.’

O som da corrente chamou sua atenção e ela voltou a abrir os olhos, procurando pelo irmão. Podia reconhecer o som da arma de Kohaku em qualquer lugar. Gemidos de dor a alcançaram e ela inconscientemente saiu de seu esconderijo. Correu em direção aos sons de luta, ignorando o terror de ver seus companheiros caírem por onde passava.

- Kohaku... – Sua voz falhou quando a arma de Kohaku passou ao lado de sua cabeça. Observou com terror a corrente se estendendo a seu lado e a lâmina afiada fincando no peito de seu pai. – Não... – Disse inutilmente enquanto corria para o pai que caia de joelhos a sua frente. A corrente novamente passou a milímetros de sua cabeça, mas ela a ignorou. – As lágrimas a cegavam parcialmente, mas ela conseguiu visualizar a figura do irmão, parada alguns metros de distância quando finalmente abraçou o pai e se virou – O que você fez?

O irmão não proferiu nem uma palavra, ela tampouco conseguiu ver sua expressão quando ouviu o barulho da corrente esticando novamente e a lâmina voando em sua direção. Contrariando tudo o que lhe fora ensinada, ela apenas se curvou sobre a figura do pai, sem conseguir acreditar que aquilo estava realmente acontecendo.

A dor da lâmina penetrando suas costas foi à última coisa que sentiu antes de perder os sentidos.

- Kagome? – Sangô chamou, sem esconder o pânico. Kagome estava ajoelhada a sua frente, onde tinham caído. Os olhos abertos sem realmente vê-la. O rosto pálido enquanto lágrimas deixavam seus olhos. – Você está bem? Kagome?

A garota piscou algumas vezes, tentando se livrar da visão. Lágrimas deixavam seus olhos enquanto ela focalizava o rosto de Sangô a sua frente.

- O que aconteceu com ele?

- Você está bem? – Sangô repetiu a pergunta preocupada. – O que aconteceu? Kagome?

- O que aconteceu com ele?

- Quem?

- Seu irmão. - Ela disse simplesmente, a voz quase um sussurro. - Kohaku.

Sangô se afastou dela como se tivesse sido atingida. Pensou em perguntar como ela sabia o nome de seu irmão, mas a julgar por sua aparência, podia jurar que a garota tivera outra de suas visões. Fechou os olhos, cruzando os braços na frente do peito enquanto tentava se recuperar do choque. Não devia se surpreender por aquilo acontecer, o mesmo havia acontecido com Kikyou.

- Ele morreu há muito tempo.

- Não, ele—

- Kohaku está morto, Kagome. – Sangô repetiu, impedindo-a de continuar. – Eu o matei.

Kagome piscou, erguendo a cabeça para fitar a garota quando ela se levantou, tentando se manter o mais longe possível dela.

- Ele era inocente.

- Eu sei. – Sangô lhe deu as costas. – Eu sei que ele era inocente, mas mesmo assim... Ele... – Respirou fundo antes de continuar. – Ele me pediu para matá-lo, Kagome. – Suas mãos se fecharam com força. – Quando ele não pôde mais resistir a Naraku, quando nos traiu novamente... – Sangô virou-se para fitá-la mais uma vez, os olhos castanhos cheios de lágrimas e dor. – Ele me pediu para matá-lo antes que tudo se repetisse. Kohaku não queria matar mais inocentes.

- Sangô, me desculpe...

- Venha comer. – A garota disse antes de sair do quarto.

Kagome estremeceu ao ouvir os passos rápidos no corredor e o som da porta do outro quarto batendo com força. Escondeu o rosto nas mãos e não tentou mais lutar contra as lágrimas.

oOoOoOoOoOo

Kagura apertou o ombro de Kana quando o espelho voltou a escurecer. A visão da garota estremecendo, o som de seus soluços, ainda soava em seus ouvidos.

- O que foi, irmã?

Kagura fitou a garotinha pálida sentada a seu lado. Sentia o próprio coração apertado depois de ver aquilo e uma parte sua desejava poder arrancar aquele amaldiçoado espelho das mãos da irmã e destruí-lo, mas sabia que aquilo não adiantaria de nada. Kana apenas continuava a fitá-la, sem qualquer sinal de reação pelo que haviam visto.

- Não conte sobre isso a Naraku. – Kagura finalmente disse quando conseguiu se controlar.

- Mas ele disse que—

- Naraku quer saber a localização da garota. – Kagura argumentou, tentando parecer convincente. – Lembranças de outras pessoas... Coisas que ele sabe que aconteceram não vão ajudar em nada. – Apertou o ombro de Kana carinhosamente, oferecendo um sorriso. – Você viu a reação dele quando você falou sobre kikyou no outro dia.

Kana piscou, inclinando a cabeça para o lado, parecendo considerar aquilo. Baixou os olhos para o espelho escuro por alguns segundos antes de falar calmamente.

- Isso é importante para você?

Kagura prendeu a respiração, pensando quanto deveria compartilhar com a irmã. Quanta diferença faria dizer a verdade, qualquer uma, a Kana. Gostaria de poder ver seu rosto, não que isso fizesse muita diferença. A garotinha estaria com aquela costumeira expressão vazia.

- Sim, é importante para mim.

Kana finalmente desviou os olhos do espelho e fitou a irmã. Os profundos olhos negros pareciam analisá-la. Ver cada um de seus segredos, assim como costumava fazer com seu espelho.

- Você tem razão, irmã. – Ela disse calmamente, colocando o espelho cuidadosamente sobre a cama entre as duas. – Isso é insignificante demais. Nosso irmão não precisa saber disso.

A garota morena quase suspirou aliviada, deslizou a mão até tocar a da irmã.

- Obrigada, Kana.

oOoOoOoOoOo

Kagome virou rapidamente ao ouvir passos se aproximando da cozinha, sem esconder seu desapontamento ao ver Miroku, e não Sangô, entrando.

- Você sabe, ao invés de atingir meu orgulho desse jeito, fazendo essa cara quando me vê, a senhorita poderia simplesmente ir até o quarto e perguntar como ela está.

- Atingir seu orgulho?

- Não é muito lisonjeiro quando alguém gira os olhos e faz cara feia quando te reconhece.

- Desculpe... – Kagome voltou a lavar o resto da louça. – Sangô... Ela está bem?

- Por que não segue minha sugestão e vai falar com ela?

- Não acho que ela queira falar comigo no momento.

Kagome continuou lavando a louça, tentando ignorar a presença de Miroku até ouvir uma cadeira sendo arrastada e o rapaz suspirando.

- Ela está bem, senhorita Kagome. – Miroku deu um pequeno sorriso quando ela finalmente fechou a torneira e se virou para encará-lo. – A senhorita entende que ela não goste de falar sobre o assunto.

- Sim, eu entendo. – Kagome enxugou as mãos no avental antes de aproximar-se da mesa. – Mais do que gostaria. É por isso... – baixou os olhos. – É por isso que eu não sei se ela vai querer minha companhia agora.

- Como a senhorita se sente quanto ao que aconteceu a sua família?

A garota ergueu os olhos para fitá-lo, surpresa e magoa se misturando em seus olhos. Abriu e fechou a boca algumas vezes, sem conseguir encontrar as palavras corretas para se expressar.

- É o mesmo para Sangô. Pior, na verdade. – Miroku disse gentilmente. – Ela não gosta de falar no assunto porque se sente fraca e inútil por não ter podido fazer nada. Ela gostaria de falar com alguém sobre o assunto, mas sabe que não pode fazer isso sem chorar. E o que adiantaria chorar pelo que aconteceu? Lágrimas trariam Kohaku, ou os outros, de volta? – O rapaz sorriu. – Você entende isso, não é mesmo, senhorita Kagome?

Ela continuou a fitá-lo em silêncio até concordar com um aceno e finalmente aproximar-se da mesa.

- Pensei que não me chamasse mais de ‘senhorita’.

Miroku sorriu, e qualquer distância que houvesse se colocado entre eles, desapareceu.

- Bom, como eu já disse, não é muito encorajador ser recebido por suspiros desanimados quando você entra em um cômodo.

- Eu já me desculpei.

- Eu sei. – Miroku continuou sorrindo. – Vai tentar falar com ela?

- Acha que é a coisa certa a fazer?

- O que você acha?

- Não quero piorar mais as coisas.

- Vá falar com Sangô, Kagome. – Ele disse, levantando-se. – Não há nada que você possa fazer parar piorar a situação.

A garota concordou com um aceno e tirou o avental, deixando-o sobre a mesa antes de caminhar para a porta. Parou quando ele segurou seu braço.

- Pare de se afastar de nós.

- Eu só estou tentando proteger vocês. – Kagome disse, sentindo-se um pouco incomodada pela mão do rapaz segurando-a.

- Não está funcionando. – Miroku disse, qualquer traço de riso deixando seu rosto. – Nada teria acontecido hoje se não fosse sua teimosia.

Kagome concordou com um aceno e virou a mão para segurá-lo quando ele a soltou. O rapaz a fitou curioso, e ela se forçou a dizer o que vinha pensando há dias.

- Fuja com Sangô e InuYasha enquanto ainda há tempo.

Miroku voltou a sorrir e colocou sua outra mão sobre a da garota.

- Esta pedindo isso as pessoas erradas.

Kagome mordeu os lábios, desviando os olhos do rapaz.

- E se eu lhe disse que não é só por vocês? E se houvesse mais alguém?

- Não acho que exista alguém importante o suficiente para justificar abandonar um amigo.

A garota sentiu seu rosto corar ao ouvi-lo chamá-la de amiga. Não havia trazido nada além de problemas para eles. Como Miroku poderia considerar arriscar a própria vida pela dela?

- E se fosse seu filho?

- Desculpe-me? – O rapaz pareceu engasgar com aquilo.

- E se nós não fossemos os únicos a correr risco? E se Sangô estivesse grávida?

- Ela não—

- Ainda não. – Kagome salientou a palavra.

O rapaz levou alguns minutos para se recuperar, mas quando respondeu, suas palavras não eram as que Kagome esperava ouvir.

- Nós não abandonamos amigos. – Ele fez com que a garota o soltasse e a empurrou delicadamente. – Vá falar com Sangô. – Ela não havia se afastado muito quando o ouviu novamente. – Quanto tempo temos?

Kagome girou lentamente para fitá-lo.

- Eu não sei.

oOoOoOoOoOo

InuYasha esperou que o som dos passos da garota se afastasse para entrar na cozinha. Parou ao lado do outro rapaz, esperando que ele se recuperasse da conversa com Kagome antes de falar.

- Vou entender se você quiser partir.

- Não seja idiota, InuYasha. – Miroku disse.

- Você ouviu o que Kagome disse?

- Claro, não sou surdo, você sabe. – Miroku sorriu. – E quero continuar vivo. – Fez uma pausa e riu quando o hanyou o encarou confuso - Considero Sangô muito mais perigosa que Naraku quando contrariada.

- Você... – InuYasha balançou a cabeça, dando um pequeno sorriso. – Você é um idiota.

- Se vocês ficarem, nós ficaremos também.

O hanyou concordou com um aceno. Esperou alguns minutos e quando o outro rapaz não disse mais nada, suspirou.

- O que conseguiu descobrir sobre a família dela?

Miroku puxou uma cadeira e sentou-se antes de falar.

- Você tinha razão. Eles estão mortos.

InuYasha apertou os lábios, desejando ter estado errado sobre isso.

- Todos?

- O irmão mais novo, Souta, talvez esteja vivo. – Suspirou. – A chance é muito pequena, mas ele conseguiu fugir quando a mãe e o avô morreram.

- Eles se sacrificaram para que ele tivesse uma chance.

- Sim. – Miroku disse. – Imagino que não queriam mais que Naraku os usasse para controlar Kagome.

- Sim, imagino que não quisessem. – InuYasha fechou os olhos, sentindo-se cansado. Podia sentir seus poderes diminuindo enquanto a noite se aproximava. – Acha que deve continuar procurando?

- Não vai nos fazer mal, certo? É melhor ter certeza antes de dar a notícia para ela.

- Sim, você tem razão. – InuYasha suspirou, antes de se dirigir para a porta que levava a sala.

- Aonde você vai?

- O que você acha? – O hanyou responde de mau humor, caminhando na direção do corredor que levava aos quartos. – Descobrir o que elas estão falando.

- Espere por mim. – Miroku se apressou a levantar e o seguiu.

oOoOoOoOoOo

Kagome parou na frente da porta sem saber se aquilo era o certo a fazer. Ela conseguia entender o que Miroku dissera, bem demais talvez. Não havia passado um dia sem se culpar pelo que tinha acontecido com sua família, mas não achava que falar sobre o assunto fosse fazer alguma diferença. Nada poderia mudar o passado. Nada poderia salvá-los.

Baixou a cabeça, pensando em dar meia volta e entrar no próprio quarto quando a porta se abriu.

- O que está fazendo parada aí?

A garota piscou, encarando Sangô sem saber o que dizer. Havia algo que ela pudesse dizer para melhorar as coisas?

- Kagome? – Sangô estendeu a mão para tocá-la, mas pareceu desistir, lembrando-se do que acontecera pela manhã. – Você está... – Ela parou de falar quando a outra garota a abraçou. Pensou em afastá-la, mas acabou desistindo quando percebeu que ela estava chorando. – Esta tudo bem.

- Desculpe, Sangô. – A garota disse – Eu realmente sinto muito. Eu não sabia... Eu apenas...

- Eu sei. – Sangô suspirou quando viu a outra garota levantar a cabeça, os olhos cheios de lágrimas que ela tentava controlar. – Acho que você esta chorando por nós duas.

Kagome sorriu, afastando para limpar as lágrimas. Concordou com um aceno.

- Desculpe, eu realmente—

- Não estou brava com você. – Sangô disse. – Eu só não gosto de lembrar... – Suspirou. – O que você viu?

- Seu pai morrendo... Kohaku... Esse era o nome do seu irmão?

- Sim. – Sangô entrou no quarto, fazendo sinal para que a garota a seguisse. – Então você viu aquela noite. – Sorriu ao sentar-se na cama. – Você alguma vez tem uma visão de momentos felizes?

Kagome piscou antes de compreender o que a garota estava perguntando. Balançou a cabeça, negando enquanto dizia.

- Não em muito tempo.

- Acho que você tem motivos para chorar o tempo todo.

- Eu não...

- Não vejo você sorrindo. – Sangô disse parecendo tentar se lembrar de algo que a contradissesse. – Acho que nunca a vi sorrir de verdade nesse tempo que está aqui. Você deveria estar feliz. Aliviada. Afinal...

- Eu não tenho motivos para sorrir, Sangô. – Kagome disse, aproximando-se da cama. – Eu não consigo me livrar dos meus problemas, não faço idéia do que aconteceu com minha família e agora... Agora coloquei vocês em perigo. – Sentou-se na cama, o mais afastada de Sangô que podia. – Você tem Miroku.

- E você tem InuYasha.

- Não. – Kagome disse depois do choque inicial que a deixou sem palavras. – Eu não tenho ninguém.

- Você não pode ser tão tola. – Sangô suspirou. – Achei que o cego inútil aqui fosse InuYasha.

Kagome abriu a boca para protestar, mas parou ao ouvir um rosnado baixo do corredor.

- Eu ouvi isso!

- Então pare de bisbilhotar! – Sangô sorriu, piscando para a garota a sua frente. – Feche a porta, Miroku.

Kagome se virou a tempo de ver a porta se fechando e os dois rapazes discutindo sobre quem era a culpa por terem sido descobertos. Voltou a fitar Sangô, o rosto corado, sem saber o que dizer.

- Ele vai se manter afastado agora.

- Tem certeza? – Kagome perguntou. – Eu não—

- Percebeu como ele não negou que você tem alguém?

Kagome piscou, repassando os últimos minutos mentalmente e sorriu, balançando a cabeça.

- Ele só vê como sou parecida com Kikyou e...

- Kagome? – Sangô a interrompeu.

- Sim?

- Caso não tenha notado, InuYasha está cego. Ele não sabe quanto você é parecida com Kikyou fisicamente.

- Sangô, ele não precisa me ver para notar essas semelhanças. – Kagome começou lentamente. – Nós duas fomos prisioneiras de Naraku e escolhemos fugir. Eu tenho mais poderes do que as outras, imagino que fosse o mesmo com Kikyou, e InuYasha notou isso também.

- Como sabe disso?

- O que?

- Que tem mais poderes do que as outras?

- Naraku sempre disse que eu era especial. E isso sempre me deu arrepios. – Kagome cruzou os braços, estremecendo com a lembrança. – Sempre imaginei que o que ele queria dizer é que eu era realmente jovem e tola, tão facilmente manipulável.

- Você é especial, assim como Kikyou era. Sacerdotisas são poderosas e realmente podem sentir yokais, mas não da forma como você duas fazem. – Sangô recostou-se na cabeceira da cama. – Normalmente, elas só podem detectar quando um yokai está perto e não encontrá-los em qualquer lugar. Muito poucas tem esse dom.

- É por isso que ele não desiste de me procurar?

- Isso e porque ele matou todas as que encontrou. – Sangô suspirou. – Mesmo você, sabe o que acontece cada vez que usa seus poderes dessa maneira. Naraku pode treinar uma garota a fazer quase o mesmo que você, que Kikyou, mas elas não sobrevivem por muito tempo.

- Quanto tempo Kikyou... – Kagome parou de falar, percebendo que não queria realmente saber quanto tempo de vida lhe restava. Apertou as mãos, sem saber o que dizer.

- Kikyou tinha 35 anos quando morreu, apesar de aparentar o dobro. – Sangô respondeu sua pergunta. – Ela não quis parar, Kagome, mesmo quando InuYasha implorou para que ela desistisse e pensasse em si mesma. Dizia que precisava ajudar as outras garotas. Era sua maneira de se redimir pelo que tinha feito.

Kagome concordou com um aceno, estremecendo ao lembrar de suas palavras para InuYasha e o que o hanyou havia lhe dito.

- Você deseja mesmo que ele tivesse simplesmente substituído você? Outra garota, tão cheia de sonhos quanto você, forçada a passar pelo mesmo. É isso que você quer?’

Só agora percebendo o quanto havia sido egoísta em pensar apenas em si mesma. Mas ele podia culpá-la? Alguém realmente podia culpá-la por desejar ser livre?

- Então... – Sangô disse, percebendo seu desconforto. – Você quer saber sobre Kohaku?

- Pensei que você não gostasse de falar sobre o assunto.

- Você falou sobre coisas que não queria também. – Sangô suspirou, ajeitando-se na cama. – Minha família já ajudou Naraku, por anos, até descobrirmos o que ele realmente era. Tínhamos objetivos comuns. – Ela sorriu – Yokais eram maus.

- Como vocês descobriram...?

- Que ele era um deles? – Sangô balançou a cabeça. – Seu radar na época nos levou a uma casa afastada, da cidade. Três mulheres e um homem. – Ela voltou a fitar Kagome – Uma humana, duas hanyous e um yokai. A família de Naraku. Sua mãe e irmãs. – Sorriu quando Kagome arregalou os olhos, espantada. – Você precisava ver a reação dele quando as reconheceu. Não podia simplesmente nos mandar parar... Ainda pensávamos que ele era humano. – Respirou fundo. – Mas não foi nada comparado a sua expressão quando percebeu a presença do yokai que estava com elas.

- O pai dele?

- Não. – Sango riu. – O irmão mais velho de InuYasha, Sesshoumaru.

Kagome continuou em silêncio, tentando montar as peças do quebra-cabeça.

- Descobrir que a irmã estava envolvida com um yokai não melhorou as coisas... – Sangô continuou. – Imagino que essa tenha sido a razão para que ele matasse seu precioso radar.

- Naraku...

- Ele não sabia como nos fazer parar sem levantar suspeitas. Então nós atacamos e só houveram duas vitimas. – Sangô fechou os olhos por alguns minutos antes de continuar. – A mãe e a sacerdotisa.

- Ele matou a própria mãe? – Kagome perguntou em fio de voz.

- Sim, Sesshoumaru havia tirado as duas garotas da casa, mas a mãe de Naraku permaneceu, dizendo que podia fazê-lo entender tudo. – Sangô pegou o travesseiro e o abraçou. – Ela realmente pensou que a razão de tudo aquilo era a filha estar se encontrando com Sesshoumaru.

Kagome cobriu os lábios com as mãos, fechando os olhos para tentar controlar as lágrimas enquanto Sangô continuava.

- Tudo o que vimos foi a mulher correndo em sua direção durante o ataque, e a encontramos morta quando tudo foi controlado. – Sangô apertou o travesseiro com força. – A garota estava ferida e confusa, mas ainda viva... Dias depois ele nos contou que ela havia morrido. – Sangô franziu o cenho, torcendo uma ponta do travesseiro. – Pouco tempo depois, Kagura, uma das irmãs de Naraku nos encontrou e nos contou a verdade. – Sangô finalmente percebeu o que estava fazendo e se obrigou a soltar o travesseiro. – Não teríamos acreditado nela se já não houvesse suspeitas... A reação dele, e a coincidência da mãe e da sacerdotisa terem morrido era estranho. As duas que não ofereciam perigo para nós. As duas humanas.

- Sim... – Kagome baixou a cabeça. Era difícil acreditar que ele havia ido tão longe para se proteger.

- A noite que você viu... – Sangô respirou fundo. – Kagura nos convenceu a encontrar um grupo que ajudava as pessoas.A sacerdotisa estava morta, Naraku iria atrás de outra garota. – Ela esperou que a outra garota levantasse a cabeça para continuar - Nós nos encontraríamos com Sesshoumaru, o irmão de InuYasha, naquela noite. Ela disse que havia algumas pessoas que poderíamos ajudar. Pessoas que também sabiam a verdade. – Meu pai disse que precisamos de todos, isso incluía meu irmão. A maioria de nossos homens estava ferido por causa daquele último encontro... – Ela fez uma pausa. - Kohaku estava com tanto medo... Eu não deveria ter deixado que ele fosse conosco.

Kagome concordou com um aceno, entendendo que Sangô, assim como ela, se culpava pelo destino de sua família.

- Naraku descobriu nossos planos e conseguiu controlar Kohaku. – Ela sorriu tristemente. – Ele era o mais fraco, não sabia como se defender. Ninguém notou até que fosse tarde demais.

- Ele a atingiu, eu vi. Como você...?

- Kikyou nos encontrou. Conseguiu bloquear o controle de Naraku sobre Kohaku, e nos salvou. Ele parecia tão arrependido pelo que acontecera quando eu finalmente me recuperei. Meu irmãozinho fora o único responsável pelo extermínio de nosso clã. – Sangô balançou a cabeça, rindo do que acabara de dizer. – Eu o entendia porque sentia o mesmo. Se tivesse feito o que sentia, se tivesse discutido com meu pai e impedido meu irmão de nos acompanhar... As coisas teriam sido diferentes? Ou ele apenas conseguiria controlar outra pessoa?

- Sangô...

- Com o tempo, me forcei a parar de pensar sobre o assunto. Não havia nada que pudéssemos fazer para mudar o que havia acontecido. Miroku se juntou a nós um tempo depois e Kikyou parecia a ponto de ceder aos apelos de InuYasha. Ela nos garantiu que aquela seria a última vez. – Sangô piscou, afastando as lágrimas que ameaçavam cair de seus olhos. – Eu sempre me perguntei quanto ela sabia do que ia acontecer. Por que ela não nos avisou? – A garota balançou a cabeça, afastando tais pensamentos. – Quando conseguimos encontrar InuYasha, Kohaku estava ao seu lado. Ajoelhado ao lado de Kikyou pedindo que ela o perdoasse.

- Ele...

- Kohaku levou os homens de Naraku até nós. – Sangô disse, fitando Kagome. – Kikyou estava morta e não havia nada que pudéssemos fazer, precisávamos tirar InuYasha dali e eu o mandei se calar e nos ajudar. – Sangô riu. – Por todo o caminho ele pediu que nós o matássemos, que não sabia quando nos trairia novamente. Implorou a Miroku e eu queria apenas fazê-lo se calar. Não havia nada que pudéssemos fazer e InuYasha... – Ela respirou fundo quando sentiu a voz falhar. – Quando Miroku voltou, dizendo que havia encontrado uma casa para nós, Kohaku disse que não nos acompanharia. Ele sabia que nos trairia novamente. Eu fiz com que ele se calasse novamente, e nos ajudasse com InuYasha. Eu disse que o protegeria.

- Mas você disse—

- Kohaku se matou, Kagome, porque eu não o levei a sério. – Sangô passou as mãos pelo rosto, enxugando as lágrimas. – Ele me implorou para que o matasse e o ignorei, disse que o protegeria. Foi o mesmo que matá-lo.

Kagome desviou os olhos da garota, entendendo o que ela sentia. Quantas vezes culpara a si mesma pela morte de todos em sua vida? Os yokais que encontrara para Naraku, sua família aprisionada porque ela simplesmente ignorara seus avisos.

- Sangô...

- Kohaku não entendia que eu não suportava perder mais ninguém. – A garota a interrompeu, tocando sua mão. – Ele era tudo o que restava de minha família, eu não poderia...

- Você fez o que julgava certo.

- Eu sei, mas mesmo assim... – Sangô mordeu o lábio inferior e encolheu a mão. – Eu o deixei sofrer para não ficar sozinha. Fui egoísta, só estava pensando no que estava sentindo.

- E ele não fez o mesmo?

Sangô fitou a garota em silencio por alguns minutos antes de concordar com um aceno.

- Sim... Ele fez.

Kagome se aproximou da outra garota e a abraçou. Fechando os olhos quando percebeu que ela estava chorando.

- Esta tudo bem. – Disse baixinho, tentando não chorar quando a outra garota retribuiu o abraço.

- Eu não quero perder você também, Kagome. – Sangô disse, surpreendendo-a. – Não tente fugir de nós.

- Sangô... Eu apenas estou tentando proteger vocês.

- Assim como Kohaku. – Sangô se libertou do abraço e a fitou. – Ou Kikyou. – Balançou a cabeça, enxugando as lágrimas com mãos tremulas. – Por que não percebem o que isso faz com as pessoas que ficam para trás?

Kagome a fitou em silencio, abriu a boca para protestar,mas nenhum som saiu. Respirou fundo, finalmente dando-se por vencida. Sorriu consigo mesma pensando que os protestos de InuYasha, a insistência dele de que poderia protegê-la, não a tinham convencido tão bem quanto aquela única pergunta da garota a sua frente.

- Está certo. – Ela finalmente disse. - Chega de planos de fuga por enquanto.

- Por enquanto?

- Melhor que nada. – Kagome deu um pequeno sorriso.

- Certo. Por enquanto é o suficiente. – Sangô respirou fundo. – Vai me avisar quando mudar de idéia?

- Se você prometer que não vai tentar me impedir.

- De que me adianta saber quando você vai mudar de idéia se não puder impedi-la? - Sangô girou os olhos, suspirando.

- Estará preparada para me ver partir. – Kagome levantou da cama. – Você deve estar faminta, ainda não almoçou.

- Um pouco. – Sangô decidiu que não adiantaria insistir no assunto naquele momento. – Estou com fome, não faminta. O único faminto constantemente é InuYasha.

- Oi!

Sangô riu, levantando-se para seguir Kagome. Parou quando a garota se virou para sussurrar.

- Vinte quatro anos no próximo mês. – Kagome se afastou quando a outra garota piscou confusa. – É a minha idade. – Ela suspirou e completou em outro sussurro - Eu fiz dezesseis anos quando Naraku me encontrou.

- Oito anos?

Kagome concordou com um aceno.

- Você... Por que está me contando isso?

- Porque era algo que você queria saber desde que descobriu o que eu era. – Kagome deu de ombros. – Você me pediu para contar quando fosse abandoná-la. – Sangô franziu o cenho confusa e garota completou. – Agora pode fazer uma estimativa de quanto ainda me resta.

- Kagome...

- Não conte a eles. – A garota disse antes de se virar e abrir a porta.

- Kagome, você não pode simplesmente... – Sangô piscou quando viu a garota paralisar a sua frente, estendeu a mão para tocá-la, mas se afastou quando a ouviu gritar. – Kagome? – Arregalou os olhos quando ela desmaiou, mal conseguindo segurá-la. – InuYasha! Miroku! – Os passos se aproximaram rápidos e antes que ela pudesse notar, InuYasha havia pego a garota nos braços e se afastado.



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