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Título – L’Ame Immortelle
Resumo: Mu tem a capacidade de ver espíritos, e acha que ninguém pode ajuda-lo. Mas o que ele fará quando descobrir que não é bem assim? MuxShaka
Disclaimer: Nenhum dos Cavaleiros me pertence, todos são de direito do titio Masami Kuromada, ta certo que se eles fossem meus não seriam tão tortos como no mangá, mas, deixando isso de lado, eu não ganho nada escrevendo isso, apenas escrevo porque gosto muito!
Boa diversão!
Música Tema – “Auf Deinen Schwingen”
Parte IV
“...Não preciso de falsos ao meu redor
Tudo que eu quero é você comigo
Aqui estou eu
Todas essas palavras perderam seu significado
Eu apenas espero que você escute meus gritos silenciosos...”
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As semanas que passaram prosseguiram devagar, torturantes, e, para piorar, Mu entrou no período de provas, não tendo tempo para mais nada que não fosse estudar como um louco.
Saía do colégio no período da tarde, quando os raios de sol se despediam do dia, esticando-se, preguiçosos e alaranjados. Naquele exato dia, completaria um mês que Mu não via absolutamente nada, livre de aparições, e estava tremendamente esperançoso que o fantasma teria ido embora.
Já tinha voltado a morar em sua própria residência, mas ainda via Milo, pelo menos duas vezes ao mês, para que esse se mantivesse informado. Volta a sorrir, afinal, aquele tinha sido sua última prova e iria visitar Shaka, agora que não tinha mais de estudar, nem trabalhar.
Cada vez mais e mais, os dois se aproximavam, mesmo sem perceber, e, pouco antes das provas começarem, Mu se via indo à casa de Shaka cerca de três vezes por semana. O loiro até já o chamava de morador secundário.
Não porque era intrometido e se enfiava na casa dele, só saindo quando era colocado para fora com pontapés, mas porque, se aparecesse menos do que isso, Shaka lhe ligava, querendo saber o que estava fazendo e por que não tinha vindo visitá-lo, convidando-o para fazê-lo. Era quase um acordo feito em silêncio, sem que nenhuma das duas partes precisasse se manifestar.
Passa em casa rapidamente apenas para tomar um banho, tirar o uniforme, comer alguma coisa, deixar o material em algum lugar, jogado, provavelmente em seu quarto e sai para a casa do loiro.
Quando chega, a noite ainda não se abatera sobre a cidade, e Shaka, obviamente, ainda não havia chegado. Sem se preocupar com o fato, pega no bolso do agasalho a cópia da chave que havia ganhado, ainda na semana anterior e entra.
Já acostumado com o lugar, senta-se no sofá, confortável e liga a tv, assistindo uma coisa qualquer, esperando Shaka voltar. Acaba adormecendo por alguns instantes e só acorda na hora do noticiário da noite. Com fome, prepara algo para comer e volta para a sala. Lá, o televisor estava ligado, enquanto o aparelho de canais encontrava-se desligado, fazendo com que o aparelho fizesse um ruído tremendo.
Suspira, olhando para o relógio, que quase marcava oito horas da noite. Abaixa-se e desliga o aparelho, deixando a casa no mais completo e total silêncio.
Come um pouco do miojo que tinha em mãos, sem prestar atenção no gosto. Isso é quando as luzes piscam, primeiro só os abajures da sala em que estava, e depois todas as luzes acesas, essas sendo a da cozinha e a do corredor que levava a mesma.
Só dá tempo do ariano olhar ao redor, antes que todas as luzes se apagassem por completo. Agora mergulhado na escuridão do recinto, Mu, calmamente, se dirige a janela de frente da casa, só para averiguar que todo o quarteirão se encontrava sem luz.
Suspira alto, em sinal de protesto e reclamação, afinal, o que faria sem luz?
É então que ouve, do lugar onde estava, no pequeno hall da casa, primeiro uma porta bater no andar de cima, e logo em seguida o barulho de água. Engole em seco, amedrontado. O que tinha sido aquilo?
Espera por mais algum sinal, mas nada vêm, além daquilo, um silêncio sepulcral reinava. Caminha silenciosamente até o pé da escada, só para se certificar que, não havia nenhum sinal de movimento. Coloca os pés no primeiro degrau, ainda incerto se deveria prosseguir.
É então que ouve o barulho de algo quebrar, como se um vaso tivesse caído no chão, transformando-se em instantes em milhares de pedaços de vidro.
Estava sendo tolo, devia ser apenas Shaka que chegara quando estava na cozinha e tinha subido para tomar um banho... Certo?
Sobe as escadas sem fazer barulho, não querendo ter nenhum encontro indesejado com algum possível assaltante, e, ainda silencioso, abre a porta e se esgueira para o quarto de Shaka. Nada além da falta de som. Na escuridão, ouvia o barulho do chuveiro do banheiro.
Encaminha-se para o mesmo, só para perceber que a água corria, mas não havia ninguém ali. Inseguro sobre o que fazer, entra no lugar e desliga a torneira. Quando volta a se virar, percebe o que havia sido o barulho de vidro. No chão encontrava-se a saboneteira de porcelana de Shaka, feita em pedaços, nada mais do que cacos.
Agacha-se, recolhendo o que pode para jogar no lixo, mas ao se levantar novamente, seus olhos repousam, por alguns segundos no espelho e Mu vê um vulto passando pela porta através do mesmo. Vira-se, mas ainda assim não vê absolutamente nada.
Corre até o batente, colocando suas mãos no mesmo e tentando identificar alguma coisa, ou algo na escuridão, encontrando apenas trevas a sua frente.
Volta para dentro do banheiro, jogando o que podia da antiga saboneteira fora, mas quando estava saindo, um barulho chama sua atenção. No andar de baixo, a televisão estava ligada em um reality show qualquer. Mu então olha em volta alguns segundos...
Mas estava faltando luz não estava? Uma batida de seu coração parece falhar e ele corre escada a baixo, não parando nem quando parece entortar a perna na pressa de descer os degraus, quase pulando alguns.
Lá, a tv funcionava, destacando e jorrando luz no meio do negrume. Ouvia sua própria respiração, pesada, e, quase por encanto, aproxima-se do aparelho. Parecia não poder se controlar, como se aquilo o chamasse, como se o puxasse para si.
Ao parar em frente a ele, voltando a si, o de cabelos lavanda tenta desligar o aparelho no botão, mas não tem nenhum efeito, começando a se desesperar, começa a apertar o botão freneticamente, já sentindo o calor característico de lágrimas na garganta.
Desistindo então desse meio, puxa o fio da tomada, esperançoso que aquilo parasse, mas a televisão então começa a trocar de canais, não demorando mais do que segundos em cada um, freneticamente.
Mu então começa a soluçar e se vira, apenas a tempo de ver um novo vulto mover-se no corredor da sala, vindo do hall em direção à cozinha. Encosta-se então contra a parede, com medo de que algo o alcançasse e segurasse por trás, encolhendo-se o máximo que podia contra a mesma, abraçando as próprias pernas, abandonado em desespero.
Então, como num passe de mágica, a luz volta e a televisão desliga. O ariano levanta o rosto molhado pelas lágrimas, olhando ao redor, levanta-se, ainda trêmulo, incerto se deveria fazer o que fazia.
Ouve então o barulho da fechadura e caminha lentamente para o arco da porta da sala de estar, encarando, pelo corredor, quem entrava. Ainda se abraçava e as lágrimas não paravam de cair se seus olhos. Tremia dos pés a cabeça e a mínima menção de movimento assustava-o.
Instantes depois, Shaka entrava pela porta, chegando do trabalho, e ao ver as luzes acesas, deduziu que Mu deveria estar lá, esperando-o. Mas, ao virar-se, vê o garoto parado junto ao arco da sala de jantar, assustado e tremendo. Aproxima-se alguns passos, e então o colegial apressa-se em sua direção, abraçando-o.
-Que bom que você chegou... Promete que não vai embora... - O garoto tremia tanto que Shaka ficou preocupado. Abraça-o de volta, fazendo pequenos movimentos em suas costas com seus dedos, tentando acalmá-lo.
Em uma pausa, com uma das mãos, levanta o rosto do ariano para ver o que se passava, mas, ao fazê-lo, percebe que esse chorava, totalmente entregue, aos prantos. Também mordia seu lábio inferior com tanta força, que um filete de sangue escorria pela face pálida.
-O que houve Mu? O que aconteceu? - Pergunta, preocupado, repousando a mão no queixo do garoto, para que ele parasse de morder a própria boca. Mas o colegial apenas começa a soluçar mais, segurando Shaka com mais força, como se para ter certeza de que ele estava realmente ali, escondendo seu rosto no pescoço do mesmo.
O loiro então desiste, apenas segurando-o forte em seus braços, embalando-o lentamente. Depois de alguns minutos, o mais novo parece um pouco mais calmo e se distancia do outro, envergonhado.
-Desculpe... Eu não queria... - Mas Shaka faz com que ele se cale, apenas com um aceno negativo com a cabeça.
-Não precisa se desculpar... Venha. - Dizendo isso, o conduz pela mão até a cozinha e colocando-o de frente a torneira – Lave o rosto e depois, sente-se ali, vamos. - Indicando uma cadeira, saindo de vista, para voltar depois de alguns segundos, carregando uma pequena caixinha de primeiros socorros.
Com um remédio, agora com Mu sentando, e já com o rosto lavado, limpa o machucado de sua boca com suavidade, abaixado na frente dele.
Mu agora parecia mais calmo, no controle de si mesmo. Shaka se perguntava o que teria acontecido para deixá-lo daquela maneira, e porque não queria contar para ele.
Reparando agora na figura a sua frente, percebe que antes, nunca havia estado tão próximo do ariano, repara então em sua boca, tão bem desenhada e convidativa... Os olhos fechados, provavelmente pela sensação de desconforto da dor do remédio... Tem vontade de lhe roubar um beijo.
Tira o pedaço de cima da boca do outro, aproximando-se devagar. Estava a centímetros de distância agora, podia até sentir a respiração de Mu, lenta e entrecortada, o cheiro dele, de canela, inebriando seus sentidos e sua razão.
Mas então o ariano abre os olhos, devagar, encarando-o, Shaka, perdendo a coragem, afasta-se, levantando. O que pensava que estava fazendo? Iria mesmo roubar um beijo de um garoto que ainda era menor de idade e que era seu amigo?
Deveria estar ficando louco. Não poderia ter outra explicação... Afinal de contas, não poderia estar atraído por ele, poderia? A pergunta parece entalar na garganta de Shaka, recusando-se a descer, incômoda.
-Tudo bem Shaka? - Pergunta Mu com suavidade, levantando-se e parando ao lado dele, colocando uma mão em seu braço.
Shaka então volta a encará-lo e seus olhos voltam a repousar na boca do adolescente, tentadora e convidativa.
Tem certeza que não poderia...?
Engolindo em seco, o loiro engole suas perguntas, tentando ao menos, agir normalmente.
-Você já... Já jantou? - Droga! Não podia perder a fala.
-Ah! - Nisso Mu corre para a cozinha, deixando o loiro para trás, confuso, seguindo-o logo em seguida. Encontra o ariano na sala de jantar, com um prato de miojo nas mãos, decepcionado – Parece que esfriou... - Murmura, entristecido.
Shaka apenas lhe sorri, achando graça, carinhoso.
-Não se preocupe... O que acha de pedirmos pizza? Depois a gente pode assistir a um filme e aí eu te levo pra casa, ou se quiser, pode dormir aqui, o que acha? - O mais novo limita-se a acenar com a cabeça, concordando.
Os dois conversam banalidades enquanto esperavam a pizza chegar, e depois dessa, colocam um filme qualquer para assistir.
Embora sentado ao lado do amigo, Mu ainda se sentia um pouco amedrontado, temeroso seria a palavra, de virar o rosto por alguns instantes e ver algum vulto sem corpo ou dono, com isso na cabeça, olhava para os cantos algumas vezes, ainda assustado. Shaka, percebendo isso, passa um braço por cima de seus ombros, aproximando-o de si, tentando passar segurança, o que parece funcionar, porque o ariano começa a relaxar, encostando-se contra o loiro, confortável, como se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo.
Do lado de Shaka, quando esse o abraçava, sentia-se tão seguro, como se nada no mundo pudesse alcançá-lo, como se todas as maldades ficassem do lado de fora e ali, só existiam os dois. Ajeita-se um pouco melhor, quase deitado no colo do mais velho, sentido seu cheiro e seu calor agradável...
A noite avança e o adolescente acaba dormindo no meio do filme, sem que Shaka percebesse, entretido no mesmo. Quando esse chega ao final, o loiro, ao encará-lo adormecido em seus braços, não consegue acordá-lo para levá-lo para casa, ou melhor, não tem a mínima vontade de tirá-lo de lá. A sensação do pequeno corpo contra o seu, era tão boa, que apenas se ajeita um pouco melhor, abraçando Mu pela cintura, para adormecer alguns instantes depois.
Mu acorda, não pelo dia ter amanhecido, mas pelo celular que gritava seu nome, em cima da mesinha de canto. Resignado, mas ainda de mau humor por ter sido acordado bruscamente pelo barulho, pega o aparelho sem vontade, abrindo-o para atender.
-Mu, por que você faz isso comigo? Sabia que eu já falei que quando você for para casa de Shaka é para me avisar! - Droga! Como podia ter esquecido? Era a segunda vez que fazia isso com Milo! Eles tinham combinado de almoçar juntos! Pigarreando de leve para não parecer que acabara de acordar, toma a palavra.
-Desculpas Milo, você sabe que a minha memória não é exatamente das melhores... - Dá uma pausa, tomando ar – Mas e aí? O almoço ainda está de pé?
-Claro que sim, né débil! - Diz, até parecendo insultado – Até parece que eu iria desmarcar alguma coisa com você! - Nesse momento Mu tinha certeza de que o irmão estava sorrindo do outro lado do telefone. Ele adorava xingá-lo, quando, de acordo com o moreno, dizia uma barbaridade. - Você ao menos tem alguma roupa aí ou quer que eu pegue aqui e te leve?
-Por favor, eu agradeceria.
-Mas você não muda hein? Desde criança eu tinha que levar e trazer seus lanches, livros e trabalhos que você esquecia em casa... - O ariano sorri com as lembranças, sabia que embora Milo adorasse recriminá-lo, detestaria que ele fosse perfeito e não pudesse fazê-lo.
-Te vejo em uma hora? - Pergunta, sorrindo.
-Nem mais, nem menos! - Responde animado, desligando o telefone, sendo seguido por Mu, que segue para a cozinha.
Como não vira Shaka na sala, ele deveria estar no andar de cima, tomando um banho. Toma um copo de água e segue então para o banheiro, para lavar o rosto. Uma vez se vendo tendo de esperar pela chegada do irmão para qualquer outra atividade, senta-se para ver televisão.
O sábado parecia calmo, e a iluminação acinzentada que entrava pela janela, ameaçava chuva mais para o final da tarde. Era um dia com aparência de preguiça.
Instantes depois, Shaka aparece descendo as escadas, apressado, com uma blusa social, colocando uma gravata, distraído.
-Vai trabalhar hoje? - Pergunta Mu, surpreso, assustando ao outro que não esperava vê-lo acordado ainda.
-Já acordou? Sim e não, na verdade vou visitar um cliente, por isso estou desse jeito. Já tomou café? Digo... Comeu alguma coisa?
-Não se preocupe, Milo vem me buscar, vamos almoçar juntos...Falando nisso, posso usar seu banheiro quando ele chegar? Para tomar um banho?
-Sim, sim, a vontade... Aliás, por que a pergunta se você já sabia da resposta? - Comenta, divertido.
-Porque sempre fui ensinado a ser educado, não importando a situação. - Responde o colegial, com um sorriso nos lábios. Os dois permanecem calados durante alguns instantes. - Eu não quero te atrasar, você pode continuar o que estava fazendo...
-Não se preocupe – Responde o loiro, tranqüilo – O encontro é só mais tarde. Só não queria perder tempo me arrumando depois.
Mu acompanha Shaka, enquanto esse comia alguma coisa entre o café e o almoço, um brunch. Quando Milo chegou, apenas algum tempo depois, os dois conversavam na sala, sobre o suposto filme do dia anterior, o qual Mu não tinha visto porque dormira na metade.
O moreno abraça seu irmão, animado e cumprimenta Shaka apenas com um leve movimento de cabeça, entregando as roupas para o caçula, para que esse pudesse se arrumar. E logo esse sai, deixando os outros dois sozinhos.
O silêncio era incômodo e o desconforto era tanto que chegava a ser palpável se alguém tentasse pegá-lo. Shaka estava sentado no sofá, bebendo uma caneca de chá, enquanto Milo estava em pé, olhando para alguns enfeites postos em uma estante ao lado da janela, que ficava do lado oposto da porta para o corredor.
Por fim, para quebrar a estranha sensação, Milo pigarreia, limpando a garganta, tentando iniciar um diálogo qualquer.
-O Mu parece vir bastante pra cá... - Comenta como quem não quer nada.
-E vem, cerca de duas ou três vezes por semana. - Continua o outro – Gosto da companhia, de tê-lo por perto...
-Ele até esquece de avisar quando vem, de tão rotineiro que é para ele vir para cá... - Prossegue o irmão do ariano para não voltar ao silêncio, o que é inevitável, pois, com esse comentário, o assunto tinha acabado e não havia mais o que ser dito.
É a vez de Shaka de fazer algum esforço para quebrar o clima, e ele o faz, preferindo tentar alguma conversa a permanecer da maneira que estavam.
-Vocês não se parecem muito... Digo, você e o Mu, de aparência, são bem diferentes até...
-É porque somos meio irmãos... - Milo conta – Minha mãe morreu quando eu ainda era muito pequeno, nem me lembro dela e a mãe de Mu então se casou com meu pai, tendo Mu...
-Mu nunca falou deles... - Pontua Shaka, pensando em como nunca reparara no fato, afinal, isso era uma coisa esquisita.
-É porque ele não teria nada o que falar, Mu nunca conheceu nossos pais de verdade... - Milo diz de uma maneira estranha, quase com raiva contida.
-É? - Estranha – Por que não? O que houve?
-Acho melhor não falarmos sobre o assunto. É um assunto de família e não deve ser contado aos quatro ventos. - Diz Milo, colocando um ponto final no assunto de maneira grosseira. Logo em seguida fica sem graça e volta a trás – Desculpe-me, não pretendia ser grosso, mas eu agradeceria se você não tocasse nesse assunto, pois não é agradável, nem para mim, nem para Mu... Por favor...
-Certo... - Shaka assente, voltando a estranhar, mas se ele não queria contar, quem era ele para forçá-lo? Naquele momento, como que para salvar a pátria, Mu aparece, pronto para sair.
Despede-se de Shaka apressado, com medo de fazê-lo se atrasar, murmurando um 'até segunda' antes de fazê-lo, sendo respondido da mesma forma.
Milo e Mu caminham calmamente até o carro, animados, colocando os assuntos em dia.
-E então? - Pergunta o caçula, assim que os dois estavam devidamente no carro – Onde vamos comer? - A animação era um contraste com o dia cinza do lado de fora do carro. O ar condicionado sempre ajudava Mu a melhorar o humor.
-Estava pensando em ir a uma lanchonete para nos entupirmos de besteiras, o que acha? Algo bem gorduroso para aumentar nosso colesterol e matar o Camus de susto, o que acha?
-Soa perfeito... Vamos nessa! - O dia não poderia ser mais perfeito, mas, como toda perfeição encontra sua pedra de tropeço, logo depois do almoço, quando os irmãos passeavam no parque, Milo descobre o que acontecera no dia anterior.
-Mas Mu... Isso é horrível! E fora que nunca tinha acontecido antes! Eles estão ficando mais agressivos! Temos de encontrar um jeito de parar isso! - Argumentava, nervoso.
-E você acha que eu não sei? Justo eu! É óbvio que eu penso a mesma coisa... Mas o que fazer? Como fazer isso? Já tentamos de tudo! Nada funciona!
Por fim, o irmão mais velho parece derrotado, abatido e sem expectativas do que fazer.
-Já fazia um mês! Um mês que eles te deixavam em paz! Por que não podiam continuar assim? - Os dois continuavam andando, agora sem rumo, apenas sombras das árvores, pensativos, cada em seu próprio mundo.
No mesmo dia, mais tarde, quando Milo deixou Mu em casa, os dois estavam mergulhados em silêncio, sem saber o que falar, mas, antes que Mu descesse do carro, Milo faz uma última tentativa.
-Tem certeza que não quer morar comigo e com Camus, Mu? Nem que seja apenas por alguns dias, de novo, por sua segurança... - Tinha um tom esperançoso, embora já soubesse a resposta.
-Você sabe que eu não gosto Mi, não me sinto à vontade na sua casa, parece que eu estou me impondo, me intrometendo entre você e o Camus... Não é legal... - O escorpiano então suspira, já penoso, conformado.
-Está bem, mas vai ter de me manter informado sobre o que acontece na sua vida, digo, tudo que acontece! E se aparecer alguma coisa, ou precisar de ajuda, não hesite em me ligar, ouviu? Você sabe que estou aqui pra você!
-Sim, eu sei, obrigado maninho – Diz o ariano, cansado, mas carinhoso com o irmão. Entra no pequeno apartamento, totalmente esgotado emocionalmente. Pensar sobre aquele assunto sempre acabava com ele, não importando a hora ou dia.
Joga-se então na cama, dormindo pelo resto do dia. E isso era outra das coisas boas de se ter sua própria casa, privacidade, poder fazer o que quiser.
Acorda apenas para comer alguma coisa e escovar os dentes, antes de voltar a se jogar na cama, ainda exausto. Os dias que vieram a seguir vieram cinzas, com ameaças de chuva, embora a mesma nunca caísse, e com exceção dos cada vez mais freqüentes pedidos de Milo para que fosse morar com ele, a semana transcorria lenta e naturalmente.
Mais para o fim da semana, sexta a tarde, Mu faz uma visita a Shaka depois do trabalho, o mesmo não tinha passado o dia em casa, trabalhando em seu laptop, e ficou feliz em tirar uma folga.
Os dois estavam sentados um de frente para o outro no sofá de três lugares, conversando, cada um em uma ponta, animados.
-Eu sei que o Milo se preocupa comigo, mas acho que ele já está exagerando, eu já tenho alguma idade e posso cuidar de mim mesmo... Mas acho que ele não vai me deixar em paz a menos que eu aceite ir para a casa dele... - Gostava de falar com o loiro, ele parecia ser o único que realmente parava para escutá-lo, mas então pára, preocupado de estar incomodando, porque o outro permanecia totalmente calado, inexpressivo. - Ahn... Desculpe se eu estou incomodando, se você quiser eu posso--
-O que você acha de morar um tempo comigo? - Nisso o coração de Mu pára, falhando uma batida, para depois voltar a bater, muito rápido.
-Er... Eu não... E-eu, é... - Estava vermelho, tinha certeza, muito vermelho!
-Você está bem Mu? Está vermelho, está com febre? - Shaka se aproxima no sofá, ficando bem de frente para o ariano, colocando sua mão na testa do mais novo, que cora ainda mais e, desajeitado, tentando tirar a mão de Shaka e mover-se para trás, quase cai do sofá.
Só não cai porque o loiro, precipitado, o segura pela cintura, puxando-o de volta.
Agora Shaka estava praticamente sobre si, e Mu, sentindo o cheiro de colônia de Shaka e seu calor, tem certeza de que seu coração nunca batera tão rápido e que nunca estivera tão vermelho, já ia começar a gaguejar coisas sem sentido, pelo nervosismo, quando Shaka volta a sua posição inicial, deixando Mu confuso e agitado.
-E-eu acho... Q-que é melhor... - Sua gagueira atacava de novo – Ir...Ir p-para casa agora, m-meu irmão d-d-deve estar... - Não termina a frase, levantando-se, ainda nervoso, apenas pega a mochila que estava jogada no chão.
-Tem certeza que você está bem? - Shaka segura seu braço, firme, porém sem machucá-lo.
-Ahn... - Não consegue responder, soltando seu braço com desespero, esbarrando em algum vaso atrás de si, que se desequilibra e estilhaça-se pelo chão. - E-eu...han.. Desculpe! - Shaka se abaixa para pegar os cacos e quando olha para cima tem tempo apenas de ver a porta batendo com força.
O que diabos estava acontecendo com Mu? Já era a segunda vez que quebrava alguma coisa, não que estivesse bravo, é claro que não, mas o adolescente não parecia à vontade, quase como se não aproveitasse mais sua companhia como antes.
Suspira fundo, pesado, talvez convidá-lo não tenha sido a melhor proposta... Apenas achou que como os dois se davam tão bem, talvez o ariano preferisse ficar na sua casa, já que não se intrometeria no meio de nenhuma relação. Devia estar enganado.
Mu corria rápido, distanciando-se da casa, até a mesma desaparecer, não passando de um ponto atrás de si, fugindo do seu coração que batia acelerado.
Mu volta para casa ainda atordoado, pensando sobre a proposta de Shaka, será que deveria aceitá-la? De certa forma, sem saber por que, não se sentia um intruso na casa do loiro, mesmo se sentindo um até na casa de seu irmão, parecia que era uma coisa natural estar com ele, a companhia dele.
Ainda sentia seu coração bater mais forte, falhando algumas batidas, e seu rosto excessivamente vermelho quando chegou em casa, batendo a porta. Aquela seria, sem sombra de dúvida, uma longa noite.
Deitado na cama, ainda pensava em Shaka e em como seu coração tinha batido forte pela proposta e por sua proximidade. O barulho de água pingando na torneira da cozinha... A escuridão como companhia.
O que afinal sentia por Shaka? Sentia que aquele era o momento de pensar nisso... Só de pensar em seu nome, seu coração deu uma leve pulada, forte, e sentiu o estômago revirar. Definitivamente, uma sensação estranha, que nunca havia sentido.
Sentia, sem sombra de dúvida, uma forte atração por Shaka.
Só de pensar nisso, sentiu-se ficar vermelho, como se aquilo fosse errado, ou no mínimo, não devesse ser comentado ou pensado.
Pegou-se então imaginando como seria a textura dos lábios de Shaka, que lhe pareciam tão macios. Recrimina-se de novo, tentando concentrar-se no sono, afinal, teria de acordar cedo no dia seguinte, mas a menor menção de fechar os olhos, a imagem do virginiano lhe vinha à mente, indesejada.
Vira então de bruços, tentando ver se, se mudasse de posição, ajudaria alguma coisa. Volta a suspirar, irritadiço e insatisfeito ao perceber que não havia surtido efeito nenhum.
Fecha os olhos, desistindo por fim, deixando a imagem de Shaka invadir sua mente, roubar seus pensamentos, imaginando como seria beijá-lo... Sente então uma pequena pressão no baixo ventre, percebendo que estava ficando excitado.
Sem agüentar aquilo, corre para o banheiro, toma um banho frio para acalmar os nervos e volta para cama, dessa vez cansado demais de lutar contra si mesmo, dormindo rapidamente.
Nos dias que se seguiram, evitava ao máximo ir na casa de Shaka, com medo que ele pudesse ler algo em seus olhos sobre os pensamentos impuros que havia tendo com ele. Ficaria totalmente embaraçado se ele descobrisse.
Consegue passar uma semana inteira sem ver o loiro, mas, evitar suas ligações e as de Milo, já estava virando um peso.
Na sexta-feira, quando voltou para casa depois de ter ido ao cinema com Afrodite, encontrou Shaka dentro de seu apartamento, sentando em seu sofá, esperando por ele.
-Shaka... O que faz aqui? - Pergunta, desviando os olhos, olhando para as chaves em suas mãos.
-Você sumiu, então vim ver o que tinha acontecido... - Murmura, com um ar penoso.
-Desculpe, é que tenho andando ocupado...
-Estou vendo, saindo de tarde pra passear... - Fala, mas sem reais acusações na voz, como se apenas mostrasse que o adolescente não precisava mentir para ele – Isso é por causa da proposta que eu te fiz? Sobre você vir passar uns dias na minha casa? Porque se for isso eu retiro o pedido...
-Nã...Não! Não é por causa disso... - Diz, se virando para ir para cozinha, quando vê que o mais velho se levantava.
-Mu! - Fala o outro, imperativo, segurando-o pelo pulso, fazendo com que se virasse para encará-lo – Apenas, volte a freqüentar minha casa, sinto sua falta... - O ariano sentiu o rosto arder, o calor subindo-lhe para o rosto e espalhando-se pelo corpo inteiro.
-E-e-eu... Fa-falta? Que fa-falta? - Dá um sorriso nervoso, soltando-se de Shaka caminhando para a cozinha apressado e tratando de engolir alguns goles, grandes goles de água gelada.
-Você tem certeza que está bem Mu? - Pergunta Shaka, colocando a mão na sua testa, fazendo-o engasgar com o líquido.
-Estouótimonãopoderiaestarmelhor! - Fala, tão rápido que o loiro não consegue diferenciar uma palavra da outra.
-Você está definitivamente muito estranho... Faremos o seguinte, que tal assistirmos um filme hoje? Em casa, pedimos pizza, o que acha? - A idéia de estar na casa de Shaka, totalmente vulnerável a seus pensamentos não o agradou em nada... Mas, se aquele era o único jeito de fazê-lo sossegar, faria, afinal, aquilo estava começando a ficar estranho... E não é como se não gostasse da companhia dele, pelo contrário, adorava a companhia, as conversas... Tudo!
Suspira, encarando seu destino, pensando em estar condenado por uma noite, preocupado.
-Tudo bem, vamos – Fala, com um sorriso forçado, voltando para sala, pegando seu agasalho.
-Mu... - Vira-se para encarar o outro, que o olhava com um olhar indecifrável, nunca antes visto por ele – Se não quiser vir... Sabe que não precisa, não é?
-Eu sei – Fala com um sorriso, tentando acalmá-lo – Eu quero ir... Vamos? - Não sabia porque, mas achava que tanto seu tom de voz, quanto seu sorriso no rosto não convenceram Shaka, que continuava a encará-lo, com certa desconfiança.
-Está bem, vamos... - Acaba por concordar, seguindo para a porta. O caminho, no carro, é realizado em silêncio, com Mu encolhido no banco, assim que chegam na casa, Shaka liga para a pizzaria, sentando-se depois no sofá, com Mu. Este permanecia calado e tentava manter alguma distância, como se estivesse com medo de encostar em Shaka.
A noite avança, estranha, com o mais velho decidindo que seria melhor que Mu ficasse ali pela noite, para isso então, pela primeira vez, arruma para ele o quarto de hóspedes e depois vai para o seu próprio quarto. Cansado da costumeira luta contra sua consciência, Mu adormece em questão de minutos.
Primeiramente, não sonhou, ficando apenas banhado pela agradável e aconchegante escuridão. Ela o embalava com cuidado, acabando com suas preocupações. Mas então, lentamente, era como se tivesse noção de uma pequena luz no fim daquela treva.
Parecia andar em direção a ela, como se a curiosidade de seu subconsciente, falasse mais alto. Pára então de frente para uma porta, de onde a luz vazava por baixo e pelos lados.
Parece hesitar alguns instantes, o que haveria lá dentro? Alguma coisa em seu coração avisava para não abri-la, por mais tentador que pudesse parecer... Mas o fato de que não deveria só aumenta sua curiosidade. Por fim, desistindo daquela batalha inútil, abre a maçaneta, abrindo a porta, que se escorregava, fazendo um ruído.
Era um quarto, pequeno, onde só havia paredes, não havia janelas, nem nada, só paredes brancas, e quando Mu dá um passo para dentro, a porta se fecha.
Tenta abri-la, empurrá-la, mas ela não abria de modo algum, parecendo estar trancada por fora, depois de alguns instantes, resolve olhar em volta para ver se não havia nada pelo chão que pudesse lhe ajudar, mas ao se virar, dá de cara com uma menininha, encolhida no outro extremo do quarto.
Ela levanta o rosto, encarando-o. Tinha os olhos acinzentados e os cabelos loiros, em cachos. Usava um vestido azul, delicado, que combinava com sua aparência de boneca de porcelana.
-Não adianta tentar, você não vai conseguir sair... - Ela fala, baixo, com sua vozinha infantil.
-Onde estou? - Pergunta o de cabelos lavanda, preocupado.
-Está seguro, não se preocupe... É que eu estava me sentindo sozinha... - Nisso ela se levanta, correndo em sua direção e abraçando-o – Mas não se preocupe, em breve poderemos ficar juntos, para sempre!
Shaka acorda com um barulho de porta batendo. O que diabos era aquilo? Olha pela janela, a chuva dominava o quintal, com uma ventania digna de filme.
Estreita os olhos, procurando olhar melhor, um pouco mais a frente, saindo pelo portão, aquele era Mu?
Sem tempo de colocar os sapatos, coloca um tênis e um moletom cinza, correndo para o quarto do adolescente, apenas para se certificar de que ele não estava mesmo lá.
Corre então escada a baixo, pulando de três em três degraus e saindo pela porta, aberta, na chuva. Atravessa o jardim sem perceber, ofegando enquanto corria. Olha para os dois lados da rua, desesperado, apenas a tempo de ver Mu virando em uma esquina, no final da rua.
No quarto, Mu acaba desistindo, desnorteado, escorregando para o chão, com as costas encostadas à porta. A menina segurava sua cintura, abraçando-o ainda, jogada no seu colo.
-E como é seu nome, pequena? - Pergunta, com suavidade.
-Michelle, Michelle LeVoir... Por que? - Os olhos grandes piscavam, transpirando inocência infantil. - O seu é Mu, não é verdade?
-Como sabe meu nome? - Estranha... Nunca tinha pensado que espíritos prestassem atenção nesse tipo de coisa – Espere, foi você não foi... Aquela vez na casa de Shaka, quando faltou luz?
-Eu só queria chamar sua atenção... Cansei de estar sozinha, quero alguém que fique comigo, brinque comigo... Para sempre... - O sorriso era grande, e inspirava confiança, embora Mu ainda não soubesse com agir. - E sei seu nome porque te escolhi, digo, para ficar comigo, me fazer companhia! O que acha?
-E-eu – Estava começando a sentir que algo estranho se passava por ali, ela o encarava, na expectativa, esperando sua resposta.
Shaka tinha ligado no celular de Milo, perguntando se Mu era sonâmbulo, e esse, tão desesperado quanto Shaka, disse-lhe que estava a caminho.
O loiro percebe que Mu entrava em uma pequena construção de uma Igreja, agora abandonada, a um quarteirão de distância de sua casa. Entra apressado atrás do ariano, olhando em volta, não conseguindo distinguir sua figura na escuridão.
Ouve então um barulho de porta fechando, batendo com força e segue o som, se deparando com a porta que levava a torre. O que diabos estava acontecendo ali? Quando tenta abrir a porta, a mesma estava emperrada, e não abria nem mesmo quando ele puxava o trinco ou empurrava com força. No momento de desespero, olhando em volta, pega um pedaço de tijolo do chão, dos escombros e começa a bater na maçaneta, até que, cedendo a sua força, a mesma cai, e a porta pende para fora.
Sobe as escadas na velocidade de um raio, chegando ao topo em menos de um minuto, apenas para encontrar Mu na beirada da construção, a sua frente, uma queda de morte certa.
Shaka engole em seco, incerto se deveria prosseguir. O lugar era pequeno, tendo espaço apenas para um sino no centro. Várias janelas que iam até o chão, eram abertas, não tendo a mínima proteção, permitindo a entrada de chuva, ou no caso, a queda de uma pessoa.
Chama pelo nome de Mu, mas o barulho da chuva e de trovões encobre sua voz. Aproxima-se devagar, com cautela, e quando estava a apenas alguns passos, Mu pula, em direção a escuridão, Shaka tem tempo apenas de avançar, segurando sua cintura com força, detendo-o.
-Mu, Mu! Acorde! Vamos, acorde! - Gritava, enquanto o mesmo tentava se soltar de seus braços, fazendo ficar difícil com toda aquela chuva segurá-lo, com medo de perder o equilíbrio e cair para fora do pequeno espaço que era oferecido.
-O que é isso? - Pergunta Mu a pequena menina em seus braços, que o encarava, contrariada. - Parece que ouço algo...
-É apenas o vento. - Ela diz, fria, diferente da menininha meiga de segundos atrás.
-Mas eu tenho certeza de ter ouvido...
-Não ouviu nada! - Diz ela, olhando-o com raiva nos olhos.
-É o Shaka, ele está me chamando! - Mu se levanta, mas a menina agarra sua blusa.
-Por favor, não me deixe, fique aqui comigo, não vá! - Ela gritava, pendurada nele, chorando em total desespero – Não me deixe sozinha naquele quarto escuro! Não vá!
Mas Mu já parecia estar em outra realidade, e quando tenta abrir a porta novamente, essa se abre com facilidade. A última lembrança que tem é de olhar para a pequena Michelle enquanto ela o encarava de volta, com fúria nos olhos.
Abre os olhos, sentindo frio e um certo desconforto. Onde estava? O que fazia ali? Tem consciência então do peso de Shaka em cima de si. Ele estava deitado no chão e o loiro segurava seus pulsos com força, mantendo-o naquela posição.
-Sh-Shaka? - Murmura, incerto, olhando para ele. O mais velho sorri, aliviado, saindo de cima dele e abraçando-o com força.
-Você acordou... Graças a Deus! - Apertava-o com tanta força que chegava a machucá-lo um pouco.
-Shaka, você está me machucando... - Fala, ainda mole.
-Desculpe-me – Fala rapidamente o outro, folgando um pouco o abraço e colocando uma mão no rosto de Mu, encarando-o nos olhos.
Nisso os sinos começam a bater, desesperados, mesmo sem ninguém para balançá-los. Os dois acordados do transe correm escada a baixo, deixando a Igreja.
-Parece que eles choram... - Murmura Mu, enquanto seguia o outro, falando sobre os sinos sinistros, que continuavam a bater, mesmo sem ninguém para ouvi-los.
Quando chegam no pátio, um carro estaciona na frente da Igreja. Dele, sai um Milo muito preocupado que avança na direção do casal, e depois, do lugar do motorista, Camus, seguindo-o.
-Tudo bem, o que houve aqui? - Pergunta, tomando Mu dos braços de Shaka, abraçando-o.
-Tudo... - Responde Mu, ainda um pouco mole. - E... Eu descobri o nome dela Mi...
-Não quero saber disso agora, só quero que você esteja bem! - Fala o moreno, decidido. - Depois pensamos nisso, venha, vamos.
-Dela quem? - Pergunta Shaka, inquisitivo, seguindo o pequeno grupo que entrava no carro, se refugiando da chuva..
Uma vez com todos dentro do carro, Camus dirigindo, Milo a seu lado, Mu e Shaka no banco traseiro, o ariano abraçado no virginiano, com frio e procurando conforto, é que o irmão mais velho toma a palavra.
-É uma longa história, mas acho que hoje você provou que é de confiança e deve escutá-la... - Mu havia cochilado de leve nos braços do loiro, rapidamente, como uma criança pequena depois de muita agitação – Afinal, o que você fez não se faz por qualquer um, você deve realmente amá-lo de verdade.
Shaka engole em seco.
Amá-lo? De fato... Aquela era a única explicação plausível para o que sentia por Mu, amor, porque nada poderia justificar o fato de sentir tanto a falta de sua companhia quando ele não estava por perto, mesmo que fosse apenas para ouvir sua voz, ou o forte desejo que tentava esconder sempre que ele estava por perto.
Suspira, cansado, parece que aquela era uma verdade que deveria aceitar...
O trecho da música do começo é 'Silent Scream' da banda 'Cinema Bizarre'.
E tá vendo Mi-chan, a surpresa pra você, nomeei o fantasma com o seu nome, porque você sempre quer que eu coloque logo o lemon entre eles, então nada mais justo do que, a pessoa que atrapalha o romance dos dois leve seu nome, não acha? XD~~~~
Só gostaria de agradecer primeiramente a leitora Mussha, por me fazer perceber a quanto tempo eu não atualizava, porque eu tinha esquecido mesmo, não foi proposital, ando escrevendo tanta coisa que, uma vez que posto um capítulo, me concentro nas outras fics e outras coisas que tenho pra fazer, e nem vejo o tempo passar, assim, quando recebi seu review, meio que 'acordei' pra realidade e me pus a escrever na hora! ^^
Obrigada :D
Agora, agradecendo a todos os leitores que comentam, obrigada a Ryokinha, Mussha (again), Lyta Moonshadow, Miih-chan (XD homenageeem :D), Athenas de Aries, Lhu Chan e a Lenore Von Dalle.
Também gostaria de avisar que revisei os capítulos anteriores e os re-postei, sem erros, melhorados, para quem estiver interessado. Esse capítulo, tenho vergonha de dizer, eu não revisei... Tive muuuita preguiça de fazê-lo, então, se vocês encontrarem um erro muito dantesco, avisem que eu arrumo... ^^
Obrigada mesmo pelo apoio pessoal, se não fosse por vocês, isso aqui não saia nunca! E, quem quiser saber a história do Mu e do Milo, espere o próximo capítulo, que espero que dessa vez não demore tanto para chegar!
25.02.2009