Help
Home Just In Communities Forums Beta Readers Dictionary Search
: B s . A A A    : full 3/4 1/2   : E E   : Light Dark Books » Harry Potter » A Teia

CruciareMors
Author of 7 Stories

Rated: T - Portuguese - General/Drama - Harry P. & Ginny W. - Reviews: 18 - Updated: 05-16-09 - Published: 07-03-07 - id:3633594

Nota: Infelizmente, nada disto me pertence. Harry Potter ™ e todas as personagens e locais fictícios relacionados com a sua história são propriedade de J.K. Rowling, pelo que nenhum proveito monetário está a ser tirado desta história e qualquer infracção aos direitos de autor é completamente acidental.

INTERLÚDIO: Sentido

A primeira coisa de que Harry se apercebeu foi da escuridão imensa e anómala que o envolvia como se fosse um véu, cegando-o, restringindo-o e libertando-o ao mesmo tempo. Por momentos, perguntou-se por que razão a escuridão era absoluta, não deixando margem de manobra ou fio orientador que servisse de guia, uma passagem para um mundo de cores, mais normal.

Estaria cego?

A ideia provou ser difícil de superar e Harry, nervoso pela primeira vez desde que se apercebera da situação em que se encontrava, debateu-se em busca de algo, alguma coisa que, por mais ínfima que fosse, provasse que tal ideia era absurda. Afinal, possuía outros sentidos que não a visão, e nenhum deles lhe dava qualquer indicação nesse sentido.

Aliás, para dizer a verdade, nenhum deles lhe dava qualquer indicação em sentido algum, pois todos se encontravam presentemente tão inactivos quanto a sua visão.

De alguma forma, tal ideia pareceu consolá-lo. Talvez os seus sentidos se encontrassem em estado inerte por não haver nada a percepcionar. Ou talvez, pensou, rindo-se mentalmente de si próprio, ele fosse apenas, como afirmara um célebre filósofo, uma mente desprovida de corpo e à mercê dos jogos de ilusão de um qualquer deus omnipotente?

Ou quiçá estivesse morto. Tal hipótese parecia-lhe infinitamente mais verosímil que a anterior, especialmente considerando que ele era, de facto, Harry Potter, e a sua vida nunca faria, pensou sarcasticamente, sentido nenhum sem que um qualquer ditador megalómano ou aspirante a tal fizesse dele o seu alvo preferencial.

“… os Po…!”

Que fora aquilo? Ia jurar que tinha ouvido algo. Uma voz masculina, mais precisamente. Não só isso, mas a voz, embora ténue e muito ao longe, era-lhe ligeiramente familiar, como se pertencesse a alguém com quem convivera frequentemente no passado mas que não via há algum tempo. Pena que não se lembrasse do seu dono.

Que disparate. Insurgiu-se uma pequena vozinha dentro da sua mente, uma vozinha estranhamente parecida com a da sua amiga Hermione. Como estaria Hermione? Agora andas a ouvir vozes, é? Enfrenta a realidade, rapaz. Foste apanhado pela Bellatrix e ela fritou-te os miolos de vez. Mais nada. Dorme mas é.

Bellatrix. A assassina de Sirius. Será que ela o tinha mesmo torturado até à loucura? Mas isso era impossível. A última vez que a tinha visto tinha sido há anos! Ou não?

Para além de louco, estás amnésico. Que ironia.

“Hermione” era capaz de ter razão. Harry lembrou-se, num flash estonteante, do seu encontro com Bellatrix e os restantes Devoradores da Morte em Trafalgar Square. Que lhes tinha acontecido? Estariam ainda a torturá-lo? Só podia ser isso. Estava a ser torturado com tanta ferocidade que o seu corpo ultrapassara o limiar da dor e ele enlouquecera.

Se bem que, na verdade, nunca pensara que a loucura fosse tão lúcida. Sim, isso era estranho. Muito estranho.

“Vamos Potter!”

Vamos? Vamos onde? Com quem? Quem estava a falar?

Já te esqueceste? Tu estás louco, Harry.

Não, não podia estar louco. Mesmo uma pessoa louca tinha uma percepção das coisas. E que tinha ele?

Nada.

Nem uma réstia de percepção.

Para além da voz.

Mas se não era loucura, o que era?

“POTTER!”

Vida, Harry.

Abriu os olhos e inspirou com uma força que não sabia possuir, sendo imediatamente acometido de um acesso de tosse profundo que lhe mareou a visão. Por entre as lágrimas, contudo, discerniu a silhueta do seu benfeitor, o homem que lhe tinha salvo a vida incontáveis vezes sem lhe pedir nada em troca, pois para ele aquela era uma dívida que estava a ser saldada tarde demais.

“Bem-vindo de volta, Mr. Potter.”

N/A: Peço desculpa pelo grande intervalo de tempo sem actualizações, mas a inspiração para esta história evaporou-se nestes últimos meses.

Quanto à actualização em si, bem sei que não é um capítulo, mas este interlúdio é algo que eu sempre tive planeado desde que defini o caminho que a história deveria tomar. Tinha receio de escrevê-lo porque é fácil cair no exagero ou melodrama em introspecções como esta. O vosso feedback dir-me-á se fui bem conseguida ou não, por isso não se esqueçam de me dizer o que acharam.

Com alguma sorte, conseguirei ter o próximo capítulo pronto no próximo mês. Até lá, fiquem bem!



Return to Top