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Retratação: Eu não ganho dinheiro escrevendo/traduzindo fanfics. Não me processem!
Atenção: Esses primeiros capítulos realmente não têem nada de YAOI mas, acreditem em mim, esta situação vai mudar em breve!!!
SANDSTORM
Capítulo 3 - tempestade de areia
ooo
- Deserto, têm misericórdia... Deserto, têm misericórdia... - a velha mulher repetiu e repetiu, como uma oração, dezenas de vezes. No centro do aposento onde se encontravam, a lareira crepitava, resistindo bravamente às lufadas de vento que entravam uivando por baixo da porta.
- Deserto, têm misericórdia... - a velha mulher rogou mais uma vez, os olhos exibindo um brilho quase insano, arregalados e inquietos. Não era apenas medo que ela sentia, era um verdadeiro pavor. E Lee tinha a nítida impressão de que havia algo mais do que o temor pela fúria daquela tempestade, entretanto não sabia do que se tratava.
Era realmente impressionante e assustador ver todo o deserto se levantando e despencando sobre Suna, especialmente para um estrangeiro, como Lee. Aquela imensa parede de areia se aproximando da Vila, açoitada por relâmpagos e ventos, impossível de ser detida ou evitada... Era, sem dúvida um espetáculo de rara violência, a natureza em sua feição mais destrutiva.
Parecia impossível que Suna fosse capaz de resistir, mas tempestades de areia como aquela ocorriam regularmente na região, como lhe havia dito o Capitão Sanada. E todos os habitantes da Vila sabiam exatamente como proceder em situações como aquela: abrigavam-se da melhor forma que podiam e esperavam até que a tempestade se dissipasse. Também procuravam sempre manter em casa algum estoque de alimentos não precíveis e água: em geral as tempestades não duravam mais do que poucas horas, entretanto, os antigos relatavam que, no passado, algumas chegaram persistir por quase uma semana.
Além disso, dificilmente a tempestade os pegava realmente de surpresa. Os Shinobis de Suna podiam sentí-la se aproximando, Gaara especialmente. O Kazekage era capaz de perceber o avanço da tempestade na direção de Suna com até alguns dias de antecedência. E imediatamente se certificava de que toda a Vila fosse avisada, e também as patrulhas e equipes que estivessem em missões distantes do centro, em locais onde dificilmente conseguiriam abrigo.
Lee também fora advertido, entretanto a sua falta de experiência em termos de sobrevivência no deserto quase o colocou em sérios apuros. A previsão era de que a tempestade chegasse na madrugada daquele dia e Lee pensou que não haveria nenhum problema em sair para a sua corrida diária, ainda pela manhã, nos arredores da Vila. Ele já estava fora do perímetro de Suna quando foi interceptado pelo Capitão Sanada, que o encaminhou imediatamente para um forte. Havia uma margem de erro nas previsões feitas por Gaara, não era seguro se distanciar de possíveis abrigos com a tempestade tão próxima. De fato a tempestade avançou com uma velocidade maior do que o previsto e acabou alcançando a Vila muito antes do esperado, ainda no início da tarde. Lee precisava lembrar de agradecer ao Capitão Sanada por tê-lo livrado do que seria um grande problema.
Assim que alcançou Suna, a tempestade obstruiu a passagem dos raios de sol e a temperatura desceu rapidamente. Então, protegidos pelas grossas paredes do forte onde estava abrigados, Shinobis e civis se aglomeravam ao redor da lareira, bebendo café quente para espantar o frio, no mais absoluto silêncio. Lee era a única criatura que se mantinha perto da janela, tentando observar através de um fresta os fascinantes deslocamentos de areia na tempestade. Todos os demais se mantinham tão longe das portas e janelas quanto fosse possível. Havia tensão e medo no ar.
- Deserto, têm... - a velha mulher repentinamente interrompeu a frase e cobriu o rosto com a manga da camisa.
Todos os Shinobis sentiram a mesma coisa e se entreolharam, inclusive Lee. Havia algo se agitando lá fora. Um imenso e inquieto chakra se movia lentamente na tempestade.
Lee olhava atentamente através da fresta na janela, mas ele não conseguia ver mais do que um par de pés. Então a areia serpenteou e açoitou a janela como se quisesse atingí-lo.
- O que é isso? - ele perguntou dando um passo para trás. - Ei? Vocês estão sentindo...
Os Shinobis que estavam por perto se afastaram e deram as costas para Lee, ignorando solenemente sua pergunta.
- Gaara...
O murmúrio pareceu não vir de lugar algum, e preencheu toda a sala como uma névoa densa, cheia de tensão, superstição e medo.
- Gaara do Deserto...
Lee olhou para os homens e mulheres a sua volta, então se dirigiu para a porta. O que havia de errado com aquelas pessoas? Se fosse Gaara, alguém tinha que ir lá fora para ajudá-lo a entrar em segurança. E se não fosse Gaara... Então alguém realmente tinha que ir lá fora, porque, o que quer que fosse, possuia um chakra realmente imenso... Ele ignorou o apelo de um dos guardas para que não abrisse a porta e logo o lamento selvagem do vento invadiu o recinto. Lee achou ter ouvido a velha mulher gritando e fechou a porta rapidamente atrás de si, os braços levantados para protejer os olhos das rajadas de vento, que pareciam vir de todas as direções ao mesmo tempo.
Uma silhueta caminhava lentamente logo adiante, Lee mal podia vê-la através das infinitas camadas de areia que estavam suspensas no ar. Tentou ir ao seu encontro, mas a areia imediatamente invadiu suas roupas, boca e narinas, colidindo com seu corpo e ferindo cada centímetro de pele desprotegida que encontrava. Lee tossiu e levantou ambos os braços para proteger a face.
A silhueta parou. Não tinha dúvidas que era mesmo Gaara. Menos mal, Lee teria problemas se fosse enfrentar, naquelas circunstâncias, um oponente com chakra daquela magnitude.
O casaco marrom balançava violentamente pela força do vendaval. Entretanto, para surpresa de Lee, Gaara não fazia nenhum esforço para proteger o rosto da areia, os braços estavam displicentemente estendidos para baixo.
- Gaa... - não conseguiu completar, tossiu novamente, a areia já alcançando sua garganta.
Então Lee sentiu uma súbita mudança no vendaval, piscou os olhos e abaixou lentamente os braços, surpreso. A tempestade ainda era violenta, mas agora ondulava principalmente ao redor de Gaara, dando alguma trégua à face de Lee.
Claro, era areia. Lee se deu conta. Aquele era o elemento que Gaara dominava completamente. Entretanto, a quantidade de chakra parecia ser um tanto excessiva apenas para manter a areia distante do rosto do Kazekage...
Lee deu mais um passo na direção dele. E Gaara lentamente se virou, colocando-se de frente para o outro.
Lee sentiu um arrepio percerrer sua espinha de cima a baixo quando se deu conta de que aquele na sua frente era o antigo Gaara.
Reconheceu de imediato aquele pequeno e cruel sorriso, os olhos estreitos que o encaravam fixamente... Aquela exata expressão estava presente em alguns de seus piores pesadelos, aqueles em que Lee acordava suado e com o braço e perna esquerdos doloridos.
O vento uivou e arremessou uma imensa quantidade de areia contra o corpo de Gaara. Mas a areia não o machucava, Lee ousaria mesmo dizer que havia uma ponta de prazer no seu semblante. Gaara piscava lentamente, o olhar se distaciando de Lee. Ele inclinou a cabeça para trás, os olhos quase fechados, como se o vento fosse uma mão carinhosa sobre a sua face.
Alguma coisa dizia para Lee que ele estava correndo perigo, que era necessário tomar muito cuidado. Entretanto, não sabia se devia seguir Gaara. Ou se devia permanecer parado até que o Kazekage fosse embora. Ou talvez devesse se aproximar de Gaara e tentar convencê-lo a sair da tempestade... Não, isso era idiota, estava vendo com seus próprios olhos que aquela tempestade não o incomodava em nada, pelo contrário...
Talvez o mais indicado fosse mesmo esperar que ele se afastasse, para então retornar ao interior do forte. Entretanto, por algum motivo desconhecido, não lhe agradava a idéia de deixar Gaara sozinho...
Uma outra silhueta surgiu na tempestade, vinda da direção do forte. Lee logo sentiu-se ser agarrado pelos ombros e arrastado de volta para a fúria da tempestade, ou seja, para longe de Gaara.
- O que... - Lee teve a boca imediatamente preenchida pela areia. Ele percebeu que, embora o vento fosse mais forte do que perto de Gaara, ele também não estava sendo atingido pela tempestade com sua força total. Era como se uma barreira de chakra os estivesse protegendo ligeiramente do vento enquanto se distanciavam.
Tentou dar mais uma espiada em Gaara, mas a areia que o atingia era suficiente para dificultar muito. Conseguiu entretanto ver a silhueta se afastando e mergulhando mais fundo na tempestade.
Já estavam a poucos passos do forte quando Lee, com os olhos lacrimejando, reconheceu Kankuro pelo fantoche que carregava nas costas. O irmão de Gaara não o largou até alcançarem a porta. Bateu algumas vezes mas ninguém parecia disposto a se aproximar tanto assim do perigo que ficava do lado de fora. Impaciente, Kankuro deu um pontapé raivoso na porta, praguejou e ameaçou até que alguém a abriu. Então ele empurrou Lee para dentro.
A porta foi velozmente fechada e trancada pelo mesmo Shinobi que a abrira. Ele tinha os olhos apavorados e assim que se certificou de que a porta estava mesmo bem trancada, voltou para o seu lugar perto da lareira. Vez por outra ele olhava para trás, quase como se pudesse ver o Kazekage lentamente caminhando na tempestade.
- Lee... - Kankuro disse, a voz paciente. - Eu sei que você é novo por aqui, mas, por favor, use o bom-senso. Isso foi muito mais do que uma tolice.
Kankuro vestia suas roupas comuns e Lee copreendeu o quanto elas eram práticas em situações como aquela, protegiam o corpo quase todo. Além disso, ele usava, como proteção para os olhos, um par de óculos que se ajustavam perfeitamente no rosto, não deixando nenhuma brecha que pudesse permitir que a areia entrasse e contato com os olhos. Aquilo era, sem dúvida, um artigo de primeira necessidade para enfrentar uma tempestade de areia.
- Você teve sorte que eu estava no forte - Kankuro prosseguiu, retirando os óculos. - E que foram me avisar. Você compreende...
- O que ele está fazendo lá fora? - Lee interrompeu. E ele até imaginava a qual seria a resposta...
Kankuro desviou momentaneanete o olhar e, tanto pela reação dele, quanto pela reação dos Shinobis que estavam por perto - que se afastaram imadiatamente - Lee percebeu que aquele era um dos muitos assuntos delicados acerca do Kazekage.
- Ele... Gosta de dar uma volta durante essas tempestades de areia - Kankuro respondeu em voz baixa.
Então Kankuro se aproximou da janela, a tempestade parecia ainda mais furiosa do que antes, a visibilidade pela fresta da janela não chegava a um metro.
Kankuro continuou em tom baixo, como se ele não quisesse ouvir suas próprias palavras.
- Ele nunca dorme. Nunca descansa. E vai ser assim para sempre... Além disso... Bem, certas coisas aconteceram quando ele era mais jovem. Coisas ruins. Sinceramente, nós temos muita sorte que ele seja forte o suficiente para suprimir essas coisas durante a maior parte do tempo. Mas ele é... Quero dizer, ele não é tão estável quanto parece ser a maior parte do tempo. Ele está constantemente lutando contra isso. E, em dias como o de hoje, bem, ele gosta de liberar isso um pouco. Ele sai e deixa acontecer.
Da forma que Kankuro disse, aquilo era algo que ninguém mais podia entender, e também que ninguém queria participar.
- De qualquer fora, todos estão trancados dentro de casa. Então ele caminha pela tempestade, e... Bem, ele deixa as coisas acontecerem. Eu... Sim, eu suponho que ele não seja tão estável quanto eu, quanto nós, gostaríamos que ele fosse... - A voz de Kankuro passou a um sussurro - talvez as pessoas estejam certas em ter medo dele...
Então Kankuro travou e se virou para encarar os demais na sala. A mulher velha parecia confusa perto do fogo, sua face continuava coberta pela roupa e apenas um par de olhos negros extremamente assustados podiam ser vistos. Quando Lee olhou para ela, ela fez um antigo o supersiticioso sinal que Lee já havia visto antes - algumas vezes ele tinha a impressão de que o sinal era discretamente direcionado ao Kazekage, pelas costas. Se tratava de um antigo gesto de proteção contra demônios.
- Bando de idiotas! - Kankuro rosnou - Gaara defenderá esta Vila com a própria vida. Ele já quase morreu uma vez por nós. Além disso, existem coisas no deserto, coisas ruins. Monstros. Um pouco como a sua Floresta da Morte. Talvez pior. E eles também vagam por aí durante as tempestade de areia. Essa é uma das razões para termos fortes totalmente equipados ao redor da Vila. Nenhum exército ou Shinobi é capaz de entrar na Vila sem que nós tomemos conhecimento, e sem autorização. Mas nós fomos atacados por algumas coisas realmente assutadoras no passado, e justamente no momento em que as tempestades de areia estavam mais violentas. Mas isso não tem acontecido nos últimos anos. Eles não chegam mais a Suna... Nós deveos isso à ele.
Afinal, Lee se perguntou, aquele lá fora era o Kazekage protegendo a sua vila, ou Gaara do Deserto dando vazão a um tipo de ímpeto demoníaco que vivia reprimindo a maior parte do tempo? Talvez ambos...
Lee olhou atentamente para a sala ao seu redor, para Kankuro, para os guardas nervosos, para a velha, para o deserto estéril se chocando contra a janela pelo lado de fora, e pensou no único homem sozinho no meio daquela fúria toda.
- Pode me emprestar? - Ele perguntou, apontando para os óculos de proteção de Kankuro
- Quem... Quem você pensa que é? - Kankuro olhava fixamanete para Lee enquanto ele colocava o protetor para os olhos na cabeça. Eles estavam um pouco arranhados pela areia, mas ainda serviam bem.
- Se existem, possivelmente, animais perigosos ou monstros lá fora, ele precisará de alguém para cuidar da sua reta-guarda.
- Preste atenção - Kankuro parecia estar perdendo a paciência. - Todo o deserto está vigiando a reta-guarda dele! Ele tem olhos em cada grão de areia que está no ar nesse momento, e tem muita areia lá fora! O que você acha que pode fazer?!
- Nós não saberemos se eu não for até la - Lee retrucou, teimoso. - Eu sou um representante militar de Konoha em Suna, e eu tenho que zelar pela aliança entre as nossas Vilas. Eu não vou deixar o Kazekage enfrentar qualquer perigo sem a minha ajuda. Obrigada pelos óculos...
- Você vai precisar de mais do que óculos, meu amigo - Kankuro disse encarando Lee firmemente.
- Eu não estou com medo.
Kankuro calou-se, e o olhar que direcionou para Lee foi indecifrável.
- Não... Você não está... Mas não foi isso que eu quis dizer - ele continuou. - Aqui, leve isso também.
Kankuro se dirigiu a um dos guardas que estava próximo das escadas que davam para o segundo andar, mandou que tirasse suas vestes e a balaclava.
- O vento vai parecer uma lixa no seu rosto. Se você não quiser ficar vermelho como um tomate por uma semana, e com muita dor, você deve estar adequadamente vestido.
- Obrigado.
- Bem... - Kankuro murmurou enquanto enfiava a balaclava na cabeça de Lee com um pouco mais de força do que seria necessário. - Não morra. Eu não quero começar outra guerra contra os seus amigos malucos de Konoha.
- Não se preocupe, eu posso me defender. Eu pratico nos piores lugares da Floresta da Morte, diariamente, eu sei que tipo de animais perigosos tem lá fora.
- Não foi essa forma de morrer a que eu me referi - Kankuro agarrou Lee pelo braço quando ele estava prestes a abrir novamente a porta. - Sério, Lee. Não fique muito perto dele. Ele é muito imprevisível nessas ocasiões.
- Eu sei - Lee disse com muita segurança. - Eu não sou estupido. Eu apenas ficarei na reta-guarda. Mas eu não posso deixá-lo sozinho lá fora. Isso não seria certo.
- Certo - Kankuro respondeu. Ele voltou e pegou os óculos de um outro homem. - Eu vou com você.
Lee hesitou. Ele tinha ciência de que estava saindo graças a sua ignorância. Kankuro crescera com Gaara, ele conhecia a pior parte do seu irmão, sabia exatamente o que havia lá fora naquele momento, e Lee sabia que Kankuro estava com medo.
- Você não precisa...
Kankuro dirigiu um olhar notavelmente raivoso para Lee.
- Vamos lá. Você não sabe qual é a distância segura, e ele é meu irmão. Além disso, eu não vou deixar voçê se ferir lá fora e criar um incidente diplomático. Aquela mulher-lesma, Tsunade, poderia nos criar problemas...
Lee ignorou a maior parte do que Kankuro disse, 'ele é meu irmão' já bastava.
- Então vamos - disse com peculiar animação.
- Apenas para deixar registrado, o que nós vamos fazer é realmente idiota - Kankuro rosnou.
Lee já havia destrancado a porta.
Estejam certos de que isso é mesmo um milagre!!!
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(agosto de 2007)