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: B s . A A A    : full 3/4 1/2   : E E   : Light Dark Anime/Manga » Fullmetal Alchemist » The Cape of storms

Branca Takarai
Author of 53 Stories

Rated: T - Portuguese - Drama/Romance - Edward E. & Winry R. - Reviews: 107 - Updated: 06-28-08 - Published: 08-02-07 - id:3697826

[Presente de aniversário para Mary Ogawara Um terrível acidente faz com que Winry acredite que Edward está morto, mas ela mal sabia as surpresas que o destino lhe reservava. UA – Ed/Win

Nota da autora: Eu não desisti do outro fic, só dei uma parada porque precisava escrever esse presente para uma grande amiga. Não será um fic longo, e já tenho várias coisas escritas e bem adiantadas. Ah, e sim, eu gosto de fazer os pobres personagens sofrerem pra burro xD Então, mais uma tentativa de drama. Durante todo o fic vou usar a letra da música ‘The Cape of Storms’ do Hyde que foi a música que me impulsionou a começar a escrever. Ah, trechos em itálico serão sempre fhashbacks e a letra da música não está exatamente na ordem. Boa leitura!

Retratação: Infelizmente o Ed não me pertence, se fosse meu certamente o final do anime teria sido melhor. A letra da música também não é minha, mas o Hyde já é outra conversa.

Dedicatória: Mary! Eu juro que tentei escrever algo Royai! Você até viu os projetos no meu caderno, mas não deu mesmo. Espero que goste deste fic, estou escrevendo com muito carinho (ando em uma fase um tanto quanto melancólica, então me perdoe pelo presente não ser um fic de humor). E feliz aniversário!

The Cape Of Storms

Capítulo I

Eu ainda esperava. É claro que esperava. Sempre. Parecia que minha sina era aquela. A cada missão. Dia. Hora. Minuto. Segundo. Eu sempre o esperei. E ele parecia não perceber isso. Não agradecia as minhas lágrimas, ao meu esforço, a minha dor. É claro que não. Ele sempre fora orgulhoso demais para admitir que precisava de alguém, que precisava de mim! Ele poderia viver assim, longe, sozinho, sem ninguém, mas eu precisava dele, e muito e agora que eu sabia que ele não estava por perto, que não iria voltar, que me abandonara, sentia meu coração querer parar de bater. Certamente ele iria rir ao ouvir isso, me chamaria de boba e falaria que eu exagerava demais nas coisas, mas era assim que eu me sentia: Em meio a um mar agitado, perdida, em um navio sem rumo e descontrolado.

So where do I sail?

Então onde eu velejo agora?

A ship losing control
Um navio perdendo o controle

My cries swallowed up, lost in the raging sea
Meus choros consumiram, perdidos no mar furioso

– Winry? – Alphonse me chamou, com sua voz serena e que transmitia tanta paz. Não me movi. Tinha os olhos vidrados que pareciam mirar de alguma forma as labaredas trepidantes da lareira, mas minha meus pensamentos estavam longe dali. Com ele. Sempre com Edward. – Você precisa reagir.

– Eu não irei conseguir, Al – murmurei quase sem voz. – Eu o amava... Não. Eu amo o Edward! Mais que tudo.

– Ele não iria gostar de te ver assim – Alphonse disse alarmado percebendo que eu iria recomeçar a chorar. Era gentil da parte tentar me consolar uma vez que nem ele próprio conseguia superar o que estava acontecendo.

– Por que ele tinha que fazer aquilo? – sussurrei levando minhas mãos ao rosto. Alphonse não disse nada. Apenas colocou uma das mãos sobre o meu ombro, e me deixou derramar mais lágrimas.

Já fazia quase quinze dias, mas para mim ainda parecia que havia sido ontem que toda aquela tragédia acontecera.

Edward havia ficado até tarde mais uma vez no centro de policia realizando algum interrogatório e esquecera do nosso encontro. É claro que eu estava muito aborrecida com ele! Edward quase nunca tinha tempo para mim. Era apenas o trabalho, trabalho e mais trabalho. Sua fama de maior policial da Cidade Central não fora construída sem o árduo esforço dele, e inúmeras horas sozinhas para mim. Eu tentava fingir que estava tudo bem, procurava sorrir e dizer que não tinha problema, mas doía e como.

Naquele dia eu resolvi sair sozinha. Meu erro começou aqui. Eu sabia perfeitamente que era visada por ser a namorada de Edward Elric, o policial que possuía tantos inimigos, mas eu estava tão aborrecida que nem ao menos pensei no perigo que poderia correr e pensei que uma caminhada iria me fazer bem, espairecer e tentar entender um pouco mais o meu namorado. Andava pelas ruas de cabeça baixa, pensativa, e não percebi que depois de meia hora havia um carro me seguindo de longe e lentamente.

Andei mais um pouco e parei em frente a uma loja para observar a vitrine. Claro que meu olhar não se prendeu em nenhuma peça exposta, e logo percebi que o melhor seria continuar andando, mas senti minha bolsa tremer, e logo peguei o celular para atender.

Alô? – atendei sem nem ao menos olhar quem era.

Win! – e estremeci por completo quando ouvi a voz dele do outro lado da linha. – Onde você está?

Eu estou bem – foi a minha resposta.

Por favor, Winry, eu estou aqui na porta da sua casa – Edward falou com a voz controlada. – Eu sei que havíamos marcado naquele restaurante que você gosta, mas...

Você esqueceu – murmurei tristemente. – Como sempre. Fiquei mais de uma hora esperando você e nada.

Não é assim Win – Edward respondeu e notei que ele não estava tão calmo como eu imaginara inicialmente. – Eu tinha muito trabalho e...

Eu não quero saber das suas desculpas! – exclamei sem conseguir me conter. – Já falei que está tudo bem! Então, deixe-me e volte para a sua casa.

Não, não está tudo bem e tentar resolver isso pelo celular não ajuda – Edward disse sério. – Diga-me onde você está, eu irei te encontrar e podermos conversar com calma.

Eu... – Por que eu nunca conseguia dizer ‘Não’ para ele? Parecia que havia uma força maior que me movia, talvez meu coração falando que precisava vê-lo, meu corpo gritando que precisava de um pouco de carinho. – Eu estou... – comecei a dizer, mas antes que pudesse terminar a frase senti alguém me puxar com força.

Gritei desesperada quando vi que o homem estava encapuzado, e sem que eu pudesse fazer nada para impedir ele me arrastou até o carro. A rua não era movimentada naquele horário e não havia ninguém para me ajudar. Do outro lado da linha ainda pude ouvir Edward gritar o meu nome antes do bandido seqüestrador quebrar o celular ao arremessá-lo no chão.

Depois ele me fez entrar a força no carro, e usaram algo para me fazer desmaiar.

Quando acordei já ouvia os gritos exaltados. Ainda atordoada por causa do remédio que haviam me dado eu demorei um pouco para entender o que estava acontecendo, e lembrar de tudo. Quando a realidade voltou a bater diante de mim, levantei-me de uma vez e percebi que estava presa dentro do carro.

Edward... – murmurei quando o vi do outro lado da rua, sua expressão séria se desfez ao me ver.

Mal tive tempo de me alegrar por vê-lo porque no segundo seguinte já estava sendo puxada para fora do carro com violência, e o bandido sem cerimônia alguma apontou a arma que carregava para a minha cabeça. Edward, é claro, reagiu a isso. Mesmo sendo um policial treinado deve ter sido muito difícil ver a namorada correndo risco daquela maneira. Eu, por minha vez, senti muito medo, mas não foi de morrer nem nada do tipo, senti medo de que algo acontecesse e eu não pudesse dizer a ele mais uma vez o quanto eu o amava.

Já dissemos, Elric, se você facilitar a fuga do líder da nossa gangue sua namoradinha vai ser libertada! – o bandido que me segurava disse segurando a arma contra mim com mais força. Senti meus olhos se encherem de lágrimas, mas me segurei, o que Edward menos precisava naquele momento era me ver chorar.

Nós iremos negociar isso, mas deixe-a fora disso! – Edward disse erguendo a mão e fez o movimento de que iria se aproximar.

Não somos idiotas, Elric! – o bandido vociferou entre os dentes fazendo com que ele recuasse. – Só libertaremos a garota quando o nosso líder estiver fora do xadrez!

Entenda que isso não pode ser resolvido assim! – Edward retrucou largando a arma que levava no chão. Era loucura fazer isso, mas ele pensou que só assim poderia se aproximar. – Deixe a senhorita Rockbell em livre, e discutiremos o caso.

Nem mais um passo, Elric! – o bandido apontou a arma para Edward, e gritei desesperada.

Foi tudo muito rápido. Edward ainda falou alguma coisa para tentar persuadir o seqüestrador a me soltar, mas sinceramente já estava tão alterada por vê-lo se arriscar daquela forma que não tinha conseguia pensar em mais nada. Um dos policiais que acompanhavam Edward se precipitou e atirou em direção ao bandido, que imediatamente reagiu e atirou.

Quando dei por mim, o corpo de Edward já estava caindo para trás. Ele havia sido atingido mortalmente.

Juro que depois não vi mais nada. Minha vista ficou totalmente turva. Vi as pessoas ao meu redor correrem, e mais e mais tiros. O seqüestrador me largou de lado, e entrou no carro.

Os outros policiais bem que tentaram, mas o grupo de bandidos era maior, e alguns deles conseguiram levar Edward até o carro, e arrancar em seguida. Depois disso, não tivemos mais nenhuma noticia dele.

– Nem ao menos pudemos nos despedir dele, Al – murmurei enquanto sentia o meu corpo tremer. – Será que não há nenhuma esperança de que ele esteja vivo e...?

– Não tente se enganar, Winry – Alphonse balançou levemente a cabeça. – Os médicos disseram que pelo que viram nos vídeos que foram gravados do resgate não há como ele ter sobrevivido, o tiro atingiu o peito, e a pressa em te salvar era tanta que Nii-san não colocou um colete nem nada disso para se proteger.

Levantei-me e fui até a varanda. Apertei o parapeito com força e olhei para baixo. Estávamos no décimo andar. Se eu pulasse... Toda a minha dor iria embora. Eu iria ficar com Ed.

So where has love gone?

Então pra onde foi o amor?

Will I ever reach it?
Irei um dia alcançá-lo?

The Cape of Storms echoes the pain I feel inside
O cabo de tempestades ecoa a dor que eu sinto dentro de mim

– Winry! – mas Alphonse me segurou com força interrompendo os meus pensamentos. – O que pensa que está fazendo?

– Ele me prometeu, Al! – gritei exasperada. – Prometeu que sempre estaria comigo! E agora... Ele se foi!!!

– Você tem que parar de pensar assim! – Alphonse retrucou me segurando com mais força, como se tivesse medo de que eu realmente fosse pular. – Há pessoas aqui que precisam de você! Não desista!

– Quem precisa de mim? Meus pais não estão mais comigo, nem a Vovó! – falei em um fio de voz.

– Eu preciso... – Al disse fazendo com que eu o fitasse surpresa. – Não desista, Winry, por favor.

Larguei o parapeito da varanda que até então eu me segurava com toda a força e me afastei. Apenas balancei a cabeça, fui para o quarto. Precisava descansar, dormir, esquecer. Mas assim que passei pela porta o que senti foi um enjôo enorme, e corri direto para o banheiro.

– Winry? Está passando mal? – Al perguntou preocupado.

– É só um enjôo – falei me apoiando na pia. – Vai passar logo.

– Você anda descuidando demais da sua saúde – Alphonse disse no seu melhor tom de ‘irmão mandão’. – Está tendo tonturas, enjôos e quase não tem se alimentado direito! Amanhã mesmo a senhorita irá ao médico.

– Não precisa – retruquei rapidamente.

– Eu não estou sugerindo, Winry – Alphonse disse aborrecido. – Estou dizendo que você vai! Agora que Edward não está de uma certa forma eu sou responsável por você.

– Muito engraçado – falei girando os olhos. – Você é mais novo do que eu.

– Apenas um ano – ele se defendeu – E nesse momento você precisa de uns puxões de orelha – Alphonse sorriu timidamente e saiu do quarto.

Encarei minha imagem no espelho. Estava totalmente acabada. Nem de longe parecia a Winry energética, cheia de vida, risonha e até um pouco menina grande, como Edward gostava de dizer. Mas, minha aparência exterior mostrava o meu interior. E era assim que eu estava: Acabada.

Na manhã seguinte eu ainda tentei convencer Al de que não fora nada e logo eu estaria bem, mas não consegui. Ele me arrastou para o médico. Depois de um bom tempo esperando e de uma bateria de exames fui chamada até a sala para que o médico desse o seu diagnostico. Eu sabia que não era nada, por isso não estava nem um pouco preocupada. Realmente aqueles últimos dias não haviam sido fáceis e eu estava esgotada física e mentalmente.

– Bom dia, senhorita Rockbell – o médico sorriu jovialmente para mim.

– Então doutor, posso ir? – perguntei não querendo mais continuar naquele hospital. – Está tudo certo, não está?

– Bem, a senhorita precisa de umas vitaminas, está muito fraca e no seu estado não é bom – o médico disse tranquilamente e ergui a sobrancelha sem entender.

– No meu estado? – perguntei e percebi o olhar de curiosidade de Al em minha direção.

– Sim – o médico sorriu. – A senhorita está grávida.

– O-O quê? – quase gritei.



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