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: B s . A A A    : full 3/4 1/2   : E E   : Light Dark Anime/Manga » Fullmetal Alchemist » The Cape of storms

Branca Takarai
Author of 53 Stories

Rated: T - Portuguese - Drama/Romance - Edward E. & Winry R. - Reviews: 107 - Updated: 06-28-08 - Published: 08-02-07 - id:3697826

Capítulo XII

– Tome cuidado, Yas e não vá dar trabalho – exclamei enquanto acenava, tentando parecer calma, mas ainda estava bem zangada com as acusações sem fundamento de Edward, e pelo seu ciúme.

Eu não sabia como agir com ele. Sabia que para ele toda aquela situação era difícil. Parecia que estávamos no meio de um filme de ficção cientifica no qual o mocinho passava anos em congelamento e depois de muitos anos voltava e encontrava toda a sua vida de cabeça para baixo. Mas além da vida dele, a minha também estava de ponta a cabeça.

Como eu ia dizer a Yasmin que o pai dela estava bem ali? Ao meu lado? Acenando alegremente para ela. Seria um choque muito grande, e eu não queria que minha filha sofresse.

– Você se arrepende, Winry? – Edward perguntou enquanto observava o carro desaparecer no final da rua.

– De que? – perguntei confusa.

– Do que nós tivemos – Edward retrucou encolhendo levemente os ombros. – Você poderia ter se afastado de mim para não sofrer, sabia que minha carreira era perigosa e mesmo assim ficou ao meu lado.

– Eu sofreria mais se não estivesse com você – murmurei sentindo o rosto arder levemente. – E Yasmin é o meu maior tesouro! Fiquei sabendo da gravidez com um pouco mais de uma semana do atentado em que achamos que você perdera a vida. No inicio eu fiquei um pouco sem acreditar porque nós sempre havíamos sido bastante cuidadosos, mas depois pensei que você tinha deixado um pedaçinho seu dentro de mim e que eu não iria desamparar aquela criança de forma alguma.

– Eu sinto muito, Win – inesperadamente, Edward me puxou com força pelo pulso e me envolveu em um abraço. Arregalei os olhos sem entender, por um segundo, o que estava acontecendo. Edward Elric, o pai da minha filha e o meu eterno amor estava me abraçando daquela forma carinhosa que apenas ele sabia.

Não pensei muito antes de passar os braços em torno do pescoço dele e corresponder ao abraço. Esqueci por um minuto de que estávamos no meio da rua e que certamente não era o melhor lugar para trocarmos caricias e confidências.

Por isso, assim que recobrei o movimento do meu corpo, o afastei delicadamente e o puxei para dentro da casa.

– Não pense que com um abraço vai me fazer te perdoar por ter pensado coisas tão feias em relação a mim e ao Al – falei enquanto reunia os brinquedos que Yasmin deixara largados por ali.

– Tente se colocar no meu lugar, Win – Edward exclamou exasperado. – Eu os vi abraçados daquele jeito, e tantos anos se passaram, eu... Para mim, é como se todo aquele pesadelo do seu seqüestro tivesse sido ontem!

Suspirei cansada. Iríamos acabar brigando mais uma vez.

– Você que não tenta se colocar no meu lugar, Ed! – falei pausadamente. – Eu poderia sim ter me apaixonado por Al, ele seria um ótimo pai para a minha filha, além de um marido carinhoso e gentil, mas NUNCA me passou pela cabeça ficar com ele porque para mim ele foi sempre como um irmão! É ridículo você pensar o que pensou.

– Quer dizer que não houve nenhum outro homem na sua vida? – Edward perguntou com um olhar de expectativa.

Mas aquela pergunta me deixou realmente furiosa.

– Você é egoísta, Edward! – exclamei exasperada. – Muito tempo se passou desde a sua ‘morte’! Claro que eu sonhava que um dia alguém fosse me acordar dizendo que era tudo um pesadelo, mas com o tempo eu me conformei! E se eu estivesse com alguém? O que poderia ser feito agora? Provavelmente Yasmin estaria mais feliz por ter um pai e eu não me sentiria tão sozinha! Mas não. Eu tive que continuar amando um ‘fantasma’ tonto, idiota e ciumento!!

Eu ainda iria falar, mas quem disse que Edward deixou? Segurou-me com força pelos pulsos, fazendo com que os brinquedos de Yasmin se espatifassem no chão, e em seguida cai no mais profundo sonho quando senti os lábios dele encontrarem os meus.

A principio tentei empurrá-lo, mas perdi totalmente o controle do meu corpo quando senti a língua dele invadir minha boca possessivamente. Correspondi ao beijo com todo meu coração e meu desejo que não haviam diminuído um milímetro sequer durante aqueles anos forçados se separação.

– Edward... Nós... Nós... Precisamos conversar – tentei continuar racional diante da situação, mas os beijinhos estalos dele em meu pescoço não me deixavam pensar com muita lucidez.

Joguei a cabeça para trás, enquanto apertava levemente os cabelos dourados dele, quando senti os lábios dele alcançarem meu colo, e percebi que ele estava mais do que ansioso para se livrar da blusa que impedia a trajetória dos seus beijos.

– Depois... – foi a resposta que recebi antes de ser arrancada do chão. Edward me segurou com força entre seus braços, como se tivesse medo de que eu fosse fugir, e me levou para o meu quarto, batendo a porta, usando o pé, com um baque suave ao passar.


– Péssimo jeito de acabar com uma discussão, Edward – Winry murmurou irritada, mas não se afastou nem um pouco e continuou com a cabeça encostada no meu peito.

– Era isso ou a chave inglesa voando para a minha testa – retruquei bem humorado. – E você não pode negar que queria tanto quanto eu.

– Você é um pervertido – Winry disse girando os olhos, mas logo voltou a ficar quieta outra vez.

– Se você estivesse com alguém... – comecei a dizer tentando não parecer enciumado. – Eu quebraria a cara dele e o expulsaria daqui.

– Outra ótima maneira de resolver os problemas – Winry disse cansada, mas aquele tom dela só serviu para me deixar mais nervoso ainda.

– O que eu preciso fazer para que você entenda que eu te amo, Winry?! – gritei exasperado, e a vi arregalar seus belos azuis me encarando com bastante surpresa.

Ok, eu confesso que nunca fui dos mais românticos e não tinha o costume de dizer aquelas três palavrinhas com muita freqüência nem facilidade.

Mas sorri abertamente quando Winry esboçou um sorriso e aconchegou-se ainda mais contra o meu corpo.

– Então, porque se afastou de mim quando a vovó Pinako morreu? – Winry perguntou, e senti algumas gotas molharem o meu peito.

Droga! Tudo o que eu menos queria era fazê-la chorar!

– Porque... – respirei fundo pensando em como responder aquela pergunta tão simples que eu não entendia porque se tornara tão complicada para mim. Talvez pelo fato de todo o ressentimento de Winry para comigo tivesse começado com esse meu afastamento. – Eu queria conseguir a promoção no emprego.

Winry me fitou com uma nítida confusão no olhar.

– Mas você havia conseguido uma promoção muito boa há pouco tempo, Edward! – Winry exclamou furiosa. – Confesse que você gostava dessa vida perigosa que levava!!

– Não era isso! – a interrompi imediatamente antes que ela começasse a fazer mais acusações sem fundamento. – Naquela noite eu ia contar toda a verdade para você.

– Que verdade? – Winry perguntou, e percebi que ela ficou um pouco receosa.

– Eu estava trabalhando tanto para conseguir dinheiro suficiente para nos casarmos – murmurei quase inaudivelmente, e Winry prontamente ergueu a cabeça para me encarar. Em seus olhos mais lágrimas surgiram, e senti vontade de me chutar por ser o causador daquilo tudo. – Eu havia marcado aquele jantar para contar que já havia bastante dinheiro na conta que eu havia aberto e iria te pedir em casamento.

– Por que você não consegue fazer nada direito, Edward? – Winry perguntou com a voz embargada enquanto dava um leve soquinho no meu peito. – O que custava conversar comigo ao invés de ficar fazendo as coisas às escondidas? Eu pensei que você havia cansado de mim e...

– Nunca – a interrompi enquanto colocava um dos meus dedos sobre os lábios dela. – Eu apenas... Apenas te vi tão triste depois da morte da sua avó, e queria fazer uma surpresa te pedindo em casamento. Eu não... Não queria te fazer sofrer e...

– É passado, Ed – Winry limpou as lágrimas e voltou a me abraçar. – Eu nunca deixei de te amar, e não vou deixar que uma bobagem nos separe. Se você ainda me quiser, eu aceito ser sua esposa, mas você vai ter que aceitar o bônus extra que atende por ‘Yasmin’ – acrescentou em um tom de brincadeira.

– ‘Tá doida? – exclamei rindo um pouco antes de beijá-la suavemente. – E o que eu mais quero. Refazer as nossas vidas e recuperar o tempo que perdemos. Mal posso esperar para contar para Yasmin que eu sou pai dela.

– Ed – Winry me chamou em um tom de preocupação. – Vamos com calma com Yasmin. Eu não tenho a menor idéia de como ela vai reagir. Eu nunca consegui explicar para ela o que é ‘morrer’, ela não entende que o pai dela não está conosco por uma vontade maior do que nós.

– Eu sei disso – segurei a mão de Winry com força, antes de depositar um leve beijo em sua pele macia. A senti estremecer levemente e fiquei bastante satisfeito por isso. – Iremos com calma.

Sem dizer nada, Winry apenas sorriu, e voltou a deitar. Fiquei acariciando os cabelos dela até cair no sono, tranqüilo, como há tempos não acontecia.


Não tenho a menor idéia de quanto tempo eu dormi. Quando acordei percebi que Edward ainda dormia tranquilamente ao meu lado. Parecia um sonho. E se fosse, eu não queria acordar. Dei um leve beijo no rosto dele, e me levantei em seguida.

Edward resmungou algo em seu sono sobre não querer leite e virou para o outro lado. Sorri enquanto balançava a cabeça levemente. Tal pai, tal filha.

Depois de um longo banho, fui até a cozinha para preparar algo para almoçarmos. Yasmin deveria passar o dia todo na casa dos Hughes então eu e Edward teríamos algum tempo para conversar (e namorar).

Ele sempre tentava fazer as coisas certas do jeito errado. Se ele não tivesse inventado aquela história de pedido surpresa de casamento nós teríamos nos casado há muito tempo, eu até poderia ter ajudado na tal poupança que ele estava fazendo. Mas, não. Ele tinha que ser mais teimoso que qualquer outra pessoa que eu conheço, e fazer tudo escondido.

No entanto, eu realmente havia decidido esquecer isso. Eu e Yasmin já havíamos sofrido tanto pela ausência de Edward que eu não iria ficar com aquele ressentimento guardado. De que iria adiantar? Iria apenas sofrer mais. E eu amava aquele bobo que de uma forma ou de outra estava apenas tentando me fazer feliz, mesmo com seus erros.

Seria complicado para Yasmin, mas eu tinha certeza de que juntos poderia superar a tempestade que estava por vir.

Abri a geladeira a procura de algo para fazer, mas vi que a realidade lá dentro era pior que a do deserto do Saara.

Estava em pensando em pedir alguma coisa pelo serviço de entrega quando ouvi a campainha tocar. Intrigada, fui atender e levei um susto ao ver que era Yasmin acompanhada pela Sra. Hughes.

– O que aconteceu? – perguntei preocupada notando que Yasmin estava com o pé enfaixado, e sem a sandália.

– Sinto muito, Winry – Glacier pediu totalmente sem jeito. – As meninas estavam brincando, e eu não sei como Yasmin acabou se cortando.

– Aposto que foi travessura dessa menina – falei em um tom de brincadeira. – Não se preocupe. E obrigada por trazê-la.

Glacier ainda pediu mil e uma desculpas antes de ir, mas eu retornei a dizer que estava tudo bem.

– Como foi isso, meu amor? – perguntei enquanto ajudava Yasmin a se sentar no sofá. Den apareceu por ali e ficou nos rodeando, parecendo preocupado.

– Nós estávamos brincando de pega-pega e eu não vi um prego – Yasmin choramingou.

– O que eu falei sobre brincar descalça?! – exclamei exasperada. – Vou buscar a caixa de primeiros socorros.

– Tia Glacier já fez o curativo – Yasmin disse após fungar um pouco.

– Eu quero ver como isso está – retruquei preocupada. – E por via das dúvidas nós vamos ao hospital para você tomar uma dose de antitetânica.

– NÃO! Mãe, injeção não!! – Yasmin gritou desesperada. – Por favor, a senhora sabe que eu tenho medo de agulha!

– Nem adianta choramingar e espernear, Yasmin Rockbell! – falei em um tom definitivo. – Você me desobedeceu e ficou brincando descalça. Agora vai ter que tomar um reforço da vacina.

– O que está acontecendo? – Edward perguntou de repente, fazendo com que eu quase caísse para trás por causa do susto e Yasmin parasse com o berreiro e o encarasse confusa. Olhou dele para mim sem entender nada.

– Por que você ainda está aqui, Ed? – Yasmin perguntou e fiquei imaginando que desculpa iríamos dar para explicar o motivo pelo qual ele não havia ido embora.

– Porque eu e sua mãe estávamos namorando – mas Edward não sabe o que uma DESCULPA e respondeu a pergunta da filha com o maior sorriso do mundo.

Imediatamente pensei em negar, mas os olhos de Yasmin brilharam de tal forma que pude perceber que ela não ficou nem um pouco desapontada com a notícia.

– É sério? – perguntou radiante e se pudesse certamente estaria dando pulinhos ao nosso redor.

– Ah... – senti o sangue subir todo para o meu rosto, e eu deveria estar mais vermelha que um tomate.

– Mamãe está vermelha! – Yasmin exclamou enquanto ria. – É verdade então! Eu disse que você ia gostar do Ed, mamãe! Eu gosto muito dele também.

– Tá, deixe de bobagens e vamos logo para o hospital – falei para por um ponto final naquele assunto.

– Hospital? Por quê? – Edward perguntou assustado.

– Yasmin pisou em um prego – expliquei pacientemente. – É melhor levá-la para tomar um reforço da antitetânica.

– Injeção? – Edward fez uma careta enorme. – Não precisa não, Winry.

– É, mãe, não precisa – Yasmin o apoiou, mas se encolheu no sofá quando eu estreitei os olhos.

– Não vou discutir! Você vai para o hospital sim e ponto final! – falei irritada antes de me retirar.

Pude ouvir Yasmin soltar um suspiro de insatisfação.

– Nervosinha, né? – Edward perguntou em um tom de brincadeira.

– É bom ir se acostumando – Yasmin disse um pouco contrariada. – Quando ela decide algo, não tem quem consiga fazê-la mudar de idéia. Nõ gosto de injeção – acrescentou em um tom choroso.

– Se serve de consolo – Edward disse solidariamente. – Eu também não.

Definitivamente, tal pai, tal filha!

Olá. Eu ia fazer esse capítulo maior para compensar o tempo que passei sem escrever, mas tive umas idéias e irei escrever com mais calma para não sair nada muito ruim.

Obrigada a Aislyn Matsumoto, Liligi, Artemys Ichihara, William, Uchiha Sak-chan e Jullyana pelos reviews.

Até a próxima.

Branca Takarai.



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