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N.A.: Era pra ter sido uma piada o lance do semestre, mas acabou não sendo...
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- Ponto Morto -
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Suas mãos pequenas encontraram um pedaço de roupa às quais se agarrarem e fincaram-se lá, sôfregas, desesperadas, tristes. Precisava explicar para ele tudo o que havia acontecido no dia anterior, todo o medo que ela sentira, o alívio de vê-lo entrando pela porta. Precisava falar-lhe o quanto de amor infantil ela achara que já tinha se livrado e que reencontrara naquela última noite. Precisava tanto encontrar as palavras para explicar o que sentia, que não percebeu que ele também ainda não havia lhe dito nada.
A cabeça dele enterrou-se mais na curva de seu pescoço e ela ouviu o barulho de sua respiração. Havia uma nota pesada no jeito com que ele exalava; algo que afundava seu estômago e machucava suas costelas, que a fazia apertá-lo com mais força contra si.
Era um pedido de desculpas, um agradecimento, uma pergunta, uma resposta. Era tudo o que ele nunca havia dito a ela, tudo o que ela sempre quis perguntar e nunca teve coragem. Eram os anos que ela julgou terem sido perdidos. Eram os sonhos que deram errado, os que deram certo, e tudo o que havia entre eles.
Era o garoto de doze anos que se descobrira de repente muito velho e muito gasto. Muito cansado para continuar fazendo o que ele sempre quis fazer.
O som de passos no corredor fez com que se separassem num estalo. Roupas e cabelos desfeitos; expressões culpadas no rosto, e um olhar cúmplice que ninguém que não eles entendia. A porta abriu.
“Hyuuga-san, que bom encontrá-la ainda aqui.”
“É, bem, eu tenho andado um pouco atrasada com a papelada.”
Os olhos de Naruto encontraram-se com os seus brevemente antes que ele fechasse a porta ao sair, e ela sorriu. Como se soubesse de algo que ninguém sequer desconfiava.
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O ar parecia diferente. Ele entrava por suas narinas e sossegava seus pulmões, mais profundamente e melhor do que jamais haviam feito. Seus pés se moviam em uma direção qualquer, mas não notava ou sequer percebia. Respirar era diferente agora.
“Naruto!”
Ainda podia sentir o cheiro dos cabelos de Hinata na ponta de seus dedos; ainda podia lembrar-se do som desenfreado de seu coração. Tinha de vê-la de novo e conversar com ela. Conversar. Com palavras.
“Naruto, não me ouviu chamar?” Sakura pôs a mão em seu cotovelo e seus pés distraídos ainda deram um meio passo antes de parar.
“Ora, desculpe, Sakura-chan.” Ele riu, voltando-se para a amiga. “Acho que estou mais cansado que pensava.”
“É o que parece.” Ela acusou, colocando as mãos nos quadris e fingindo-se ofendida. “E o Senhor Importante teria um minuto para uma reles como eu?”
“Hum... Sei não, acho que a Senhorita Reles teria que ver com a minha assistente e marcar um horário.” Ele respondeu, coçando o queixo e, por sua vez, fingindo-se ocupado. O que lhe valeu um soco no ombro seguido por um rápido pedido de desculpas.
“Mas, falando sério, para onde você estava indo?”
“Nenhum lugar especial. Apesar de que eu gostaria muito de um banho agora.”
“Missão complicada?”
“É. Por assim dizer.”
“Vamos caminhar juntos, então. Você pode aproveitar e me contar como anda a sua vida de Senhor Ninja Importante.”
Conversar com Sakura caminhando por aquele mesmo caminho antigo trazia algo de familiar; algo de nostálgico; algo que ele já não sabia mais se era bom ou ruim. Era como sonhar o mesmo sonho, revisitar os mesmos lugares e ver os mesmos rostos, já sabendo o que aconteceria a seguir. Já sabendo como tudo terminaria e não podendo fazer nada para evitar.
O sol se punha em algum lugar muito longe dali, e foi só ao notar que a luminosidade das ruas aumentava a cada passo que davam que Naruto notou que o caminho que seguiam não era o que ele lembrava. Onde ele morava as ruas eram mais escuras e mais sujas; mais cheias de vida.
“... e então Shizune me disse que já havia trocado as ataduras do homem naquele dia, foi aí que percebemos a perda de memória recente e foi aquela agitação—”
“Sakura.” Naruto chamou de repente, cortando a história dela e pegando-a de surpresa.
“Quê?”
“Esse não é o caminho para a minha casa.”
Ela o olhou por um minuto; um minuto inteiro. Subitamente seus olhos estavam mais duros e crus do que quando ela o encontrara. Por eles ela suplicava, pedia, exigia. Ela manipulava.
“Ele sente sua falta.” Ela disse em um fio de voz que mais parecia um comando.
Naruto desviou os olhos dos dela. Não estava pronto para aquilo. Ainda não.
“Outro dia, Sakura-chan.” Ele prometeu sem olhá-la. Ambos sabiam que ele muito provavelmente não cumpriria com o que dizia.
O leque e a bola de fogo desbotados na parede antiga o viram virar as costas e se afastar.
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Já era noite quando ela finalmente trancou a porta de sua sala e foi para casa. Os dias que passara negligenciando as pilhas de pastas em sua escrivaninha teriam de acabar de um jeito ou de outro. Suas costas doíam silenciosamente pelo tempo que passara sentada em sua cadeira revisando relatórios e carimbando documentos, mas ela não se importava. Seu coração estava mais leve sabendo que Naruto estava bem e de volta à Vila. O caminho de casa até parecia mais curto.
Ela gostaria de vê-lo de novo. Gostaria de contar para ele a razão de ter se escondido atrás daquela escrivaninha por seis anos. Gostaria de abraçá-lo e ouvi-lo dizer que estava tudo bem; que tudo aquilo já era passado e era hora dela seguir em frente. Gostaria de conversar trivialidades e rir despreocupadamente. Gostaria de ir dormir e não sonhar com os rostos dos seus companheiros de time que morreram – que ela matara. Gostaria de ir dormir essa noite e sonhar com ele.
Sua casa estava silenciosa e vazia – tinha certeza de que todos, inclusive os empregados, já haviam se retirado há muito tempo. Ela tirou as sandálias e - ainda que não precisasse, já que estavam todos dormindo - caminhou pé ante pé até a porta. Isto é, até que uma pedrinha atingiu um centímetro ao lado de onde sua mão estava. Ela olhou para trás, sem entender, e outra pedrinha atingiu o chão à sua frente. Seus olhos escanearam os jardins, e estava a ponto de ativar o byakugan quando uma cabeça loira apareceu por cima dos muros, estendendo um braço e gesticulando para que ela se aproximasse.
No entanto, ela não se moveu. Congelara onde estava. O que Naruto estava fazendo lá? Ele não sabia que aquela era a propriedade Hyuuga, e que, como o nome já dizia, apenas Hyuugas moravam lá? Mas depois ocorreu a ela que ele talvez só quisesse lhe dar boa noite. Alguma coisa breve e silenciosa que não fosse acordar ou incomodar ninguém.
Então, contrariando seu bom-senso, ela foi. Enfiou os pés desajeitadamente nas sandálias e se apressou até o muro. Seu coração batendo rápido com uma animação que ela não sabia que ainda possuía.
“O que pensa que está fazendo aqui?” Ela sussurrou com urgência, mas também sorrindo bobamente.
“Pensei em esperar você sair do trabalho, mas como não saía nunca decidi esperar você aqui.” Ele sussurrou em resposta.
“Mas, por quê?”
“Preciso falar com você. Posso entrar?”
A pergunta fez o coração de Hinata, que já estava acelerado pela repentina aparição de Naruto, parar abruptamente.
“O quê?” ela disse, por um momento esquecendo-se de sussurrar.
“Eu realmente preciso falar com você.” Naruto pediu, sua voz quase um choramingo.
Ela o olhou como da vez que o expulsara de sua sala. Firme e resoluta. Naruto chegou a pensar que fosse ser mandado embora de novo; que tinha estragado outra tentativa de aproximação por ser idiota e impulsivo. Por isso se surpreendeu quando ela sumiu por um instante e apareceu ao seu lado do outro lado do muro no outro. A expressão de seu rosto não era calorosa e não havia nenhum rastro de sorriso em seus lábios, mas, ainda assim, Naruto considerou aquela uma vitória.
“Você tem de me prometer que não vai fazer nenhum barulho.” Foi só o que ela sussurrou, e já lhe deu as costas, se adiantando para o portão entreaberto.
Naruto correu o mais silenciosamente possível para acompanhá-la. Mal acreditando na sua sorte.
Ela o guiou até a varanda e se sentou lá, seu rosto uma máscara perfeita de calma e tranquilidade e seus lábios pressionados em uma linha muito fina. Naruto sentiu seu estômago afundar: aquela, definitivamente, não fora uma de suas mais brilhantes idéias. Mas ele estava decido a ir até o fim. Engoliu a insegurança e a incerteza e a inquietude, e se sentou ao lado dela, seus pés firmes no chão e suas mãos unidas em seu colo. Aquela seria a sua última chance de se explicar. E ele não podia simplesmente desistir agora.
“Eu peço desculpas pela hora.” Ele sussurrou, encarando seus dedos sem piscar. “É só que... Eu precisava tanto falar com você.” Hinata permaneceu muda em seu canto, e ele não ousou erguer o olhar para ela. “Você pode achar tudo isso até muito idiota. Quer dizer, nós mal nos conhecemos. Acho que consigo contar nos dedos as vezes que você falou comigo desde que a conheci.”
“Eu não acho idiota.” Ela murmurou, quebrando o monólogo dele; sua voz era muito mais plácida do que ele achava que seria.
Ele esperou ela acrescentar mais alguma coisa, mas, como não o fez, respirou fundo e decidiu recomeçar. “Quando eu entrei na Vila naquele dia, eu não... Aquele não era eu. Eu não gosto de multidões.”
“Você costumava gostar.” Ela opôs, naquele mesmo tom quieto. “Quando éramos genins, você estava sempre tentando chamar atenção; tentando atrair a multidão. Como daquela vez que pintou as estátuas dos Hokages na encosta, lembra?”
Ele lembrava. Vagamente, mas lembrava. E se perguntou se Hinata achara graça naquilo. Se ela rira quando viu os rostos pintados naquela manhã. Tudo parecia ter acontecido há tanto tempo atrás.
“As coisas mudaram. Naquela época eu ainda não...” ...matava. “Não importa mais. Aquilo foi há muito tempo.” Ele respirou fundo novamente, tentando manter a calma e falar pelo menos a metade do que passara o dia ensaiando. “Mas naquele dia, como eu ia dizendo, quando eu vi você.” Aqui ele parou e corajosamente olhou para o lado dela, apenas para encontrá-la com os olhos fixos no chão. “Eu não sei. Era como se... Como se eu fosse uma maçã em uma caixa de melancias e estivesse vendo um pêssego do outro lado. Não, não que eu ache que você é um pêssego! É só que... Eu senti como... Como se estivesse vendo alguém que não fizesse parte daquele meio.” Ele voltou a encarar suas mãos antes de completar em voz muito baixa: “Como eu.”
Mais uma vez ele esperou que ela dissesse alguma coisa. Qualquer coisa. Qualquer coisa mesmo. Mas a voz quieta dela não se pronunciou e ele teve de arranjar persistência para continuar falando sozinho.
“E depois, na festa, eu vi você lá, parada. Parecia que você também não se encaixava lá. E eu fiquei... Bom, eu fiquei... Eu fiquei com pena, sabe. Porque daí eu pensei comigo mesmo: ‘lá está uma garota bonita e ninguém foi conversar com ela’. Então eu fui. Eu fui e... E eu conversei com você. E você disse que estava feliz por me ver. E, nossa, há tanto tempo que ninguém ficava feliz em me ver. Quero dizer, Tsunade-obaa-chan gosta de me ver voltando das missões, ainda mais quando não volto em frangalhos, mas, eu não sei, não é a mesma coisa. Eu me senti esquisito. Eu fiquei... Eu acho que fiquei feliz também. Porque você estava feliz, e isso me fez feliz.”
Ele não quis olhar para ela. Ainda havia mais para falar, havia muito, muito mais. Ele queria ainda falar-lhe de como ele não pretendia beijá-la o outro dia. Como ele teve de sair às pressas para cumprir uma missão que ele não queria cumprir. Como a vida dele se tornara patética e seca e ruim. Ele queria dizer à ela de que aquele estava sendo o dia mais feliz que ele teve em meses. Ele queria, queria muito falar, mas não queria apressar as coisas. Não queria impor seu ponto de vista. Não queria assustá-la com sua falta de cuidado e consideração e sensibilidade.
Ele não queria que aquela fosse a última vez que pudesse estar a sós com ela.
Por isso ele esperou. Esperou até que ela falasse alguma coisa – qualquer coisa. Que gritasse; que batesse palmas; que lhe desse um soco; que lhe fizesse uma careta; que respirasse mais ruidosamente só para que ele tivesse certeza de que ela ainda estava lá.
Mas, quando ela falou, não era bem o que ele tinha em mente. E ele se viu desejando mil vezes que ela o tivesse socado até a exaustão.
“Você sentiu pena de mim?” ela perguntou naquele seu tom quieto.
Naquele momento ele se deu conta da enorme burrice que tinha acabado de falar. Como conseguira ser tão idiota?
“Não, Hinata, você não entendeu-!”
“Ah... Eu não entendi.” Ela ecoou, olhando feio para seus pés de um jeito que Naruto teve certeza de que não gostaria de ser olhado.
“Não é nada disso. Hinata, eu-”
“Por favor, Naruto, vá embora.” Ela pediu com toda a educação, mas ainda encarando seus pés como se fossem eles os culpados. “Eu gostaria de dormir agora. Foi um longo dia.”
Naruto abriu a boca para implorar para ficar. Precisava se retificar; precisava contornar a situação. Naquele mesmo dia Hinata parecia tão calorosa, não conseguia imaginar o que a tinha feito mudar de atitude tão repentinamente. O que tivesse feito para que ela erguesse o muro em volta de si novamente.
Lembrou-se do que acontecera da última vez que ela o pedira para deixá-la sozinha. Lembrou-se da sofreguidão; do desespero; da brutalidade. Lembrou-se também da dor.
Ele a olhou por um longo minuto, desejando, rezando, para que ela o olhasse. Para que pudesse olhá-la nos olhos mais uma vez. Talvez assim– Não. Só assim ela entenderia que ele não dizia aquelas coisas por mal. Ele era apenas estúpido e inarticulado e desajeitado, mas ele não era ruim. Ele não queria mal a ela. Ele só queria que ela soubesse disso.
Por isso, dessa vez, ele se levantou sem que ela precisasse pedir de novo, e foi embora. Não era uma desistência. Não, Naruto não desistiria. Tampouco permitiria que Hinata, a doce, cândida, pequena e frágil Hinata, desistisse dele. Mas ele aprendera sua lição da outra vez. Não a machucaria daquele jeito novamente.
Ele agora sabia que aquele muro precisaria de tempo e cuidado para ruir.
Continua...
N.A.: Phew! Já faz um tempinho, né? De novo, peço bizilhões de desculpas pelo atraso. Eu achei que ia ter mais tempo, mas nem, faculdade comeu tudo.
Infelizmente, não sei quando vai ser a próxima atualização. Com alguma sorte ainda antes de março. (mas não se apeguem tanto a datas, vocês viram o que aconteceu da última vez)
Eu quero agradecer à quem mandou review no último capítulo: Tea Modoki, Srta Abracadabra, Hyuuga Florine, yumerin, Chrno Christopher, Loxius, Tina Granger1, Isa Belle B.a.y.h, monique, Big Bih, gulnára, Nana V., Mago das Fadas e Erika Simoes. Eu sempre fico feliz quando, de repente, aparecem pessoas novas que começaram a ler agora na metade do caminho. Muito obrigada mesmo!