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Heeei pessoal, aqui está o último capítulo da fic, infelizmente.
Desculpem a demora na atualização, mas é que eu estava com alguns probleminhas pessoais... Enfim, vamos aos agradecimentos:
Arthemys: Awn, nem precisa se preocupar com os comentários linda. Eu também demoro em atualizar, UHASUHSAHUAS. Mas enfim, esse é o último capítulo sim, infelizmente... E awn, obrigada por vir comentar nessa fic ainda, UHASUHA.
-Saki: USAUHASUHASUHA, awn, não é o Ukitake não, na verdade é um primo deles, que mora em Londres, e acabou de ter um filhinho, Espero que eu tenha respondido suas dúvidas. Hmm, que bom que você também lê “I miss you”, HSAHUAS, enfim, obrigada pelos comentários, ok? Vou guardá-los sempre comigo.
Chibi’s-Chan: Awn, você leu minha fic 12 vezes? Caraa, eu fico tão feliz e emocionada só de saber isso, HUASUHSA, por que eu nem leio a minha fic, HUSAUHASUH, por incrível que pareça... Mas eu vou ler uma fic sua também, quando tiver tempo, ‘kay? Obrigada linda.
Juliana: Ahn, obrigada Juu-chan, . Espero que continue lendo.
Rita: Ahn, sim, esse é o último cap. TTTT. Bom, eu ainda tenho que terminar a minha outra fic com a Samm, por isso, não vou parar de escrever fics tão cedo. Mas eu já comecei um trabalho meu, se quiser posso te passar meu blog, HASHUAS. Enfimm, obrigada pelo seus comentários... Eles me motivaram bastante, como todos os outros.
K-rol-yoru: Ah, desculpaa! Não queria confundi-la, mas espero que consiga entender o andamento da fic, ’ UHASUHSAUH, e bom, o final está aii... Espero que goste, obrigada por todos os comentários, ‘kay? -
Marina: Uiaa, você também é Marina, igual eu, UHASUHSA, awn, jura que você chorou lendo minha fic? Oh my F god! Nem eu choro quando escrevo, UHSAUHSAUHa, fiqueii emocionada, de verdade. Obrigada por ler a minha fic, espero que goste do finaal.
Kuchiki Hikara: Hikara-chan, te juro, fiquei emocionada com seu comentário. Me deixa feliz por pensar que gosta tanto assim da minha fic, e da estrutura dela... Sem palavras para lhe agradecer, me faz muito feliz. Obrigada mesmo, espero que goste do final.
Laryhhh: Awn, tá aii a continuação, espero que goste. E obrigada, o/
Chibis’s-Chan: Siim, sou viciada em café, meninë, UHSAUHASUHSA, e cappucino tambéem. Aliás, qualquer coisa que tenha café, ou morangos... E meu Deus, você leu 15 vezes? UHASHUSAUH, obrigada por tudo, 3
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Capítulo 22 – Reinventing Your Exit.
2007
A festa já estava perto de seu fim, assim como a noite. Os convidados iam esvaziando o grande salão aos poucos, e permaneceram apenas alguns acordados. E outros desmaiados no chão, de tanto que haviam bebido.
Suspirou e voltou-se para o rapaz ao lado, e não pode evitar que seus lábios rosados desmanchassem-se em um sorriso. Depois de tudo... Não era esse o final que havia esperado. Não mesmo. Mas... De certa forma, os finais inesperados são os que sempre dão certo, não é? Pelo menos, nos filmes sim, pensou.
Talvez demorasse um tempo até descobrir o que estava sentindo, e aquele friozinho na barriga. Pareciam até borboletas...
-Orihime... – disse o jovem, um tanto sem jeito, despertando-a de seus pensamentos.
-Sim? – o tom de voz calmo dele a fez corar. E um arrepio percorrer a espinha. Parecia tão concentrado. Tão diferente de minutos atrás.
-Existem coisas que... Eu preciso lhe dizer. – desviou o olhar vago para qualquer ponto daquele salão. Só não podia olhar para o lado. Não queria. Iria partir-lhe o coração. De Orihime, ou o seu? Talvez os dois.
-Que coisas, Ishi-, digo, Uryuu-kun? – não entendia. Que coisas que precisava lhe dizer? Ele parecia tão sério... Evitava olhá-la. Mesmo estando tão perto... Ao mesmo tempo, estava tão longe. Parecia tão triste...
-Não é nada tão importante assim. – afirmou-lhe. Talvez estivesse falando mais para ele, do que para a própria.
-Se não é nada de importante, por que está tão distante? – tocou-lhe o ombro e apertou-o levemente, fazendo o coitado tremer o corpo inteiro por dentro. Aquilo definitivamente não estava ajudando em nada. Queria ajudá-lo, mas só estava piorando as coisas. O corpo tenso já não sabia mais o que fazer.
-Meu pai... Abriu um novo hospital na Espanha... – disse com um pouco de dificuldade, dando grandes espaços em cada palavra que pronunciava. Deus, estava sendo mais difícil do que havia pensando... Se não tivesse tomado aquela atitude inesperada mais cedo, não estaria tremendo todo agora... Mas, e daí? Não tinha se arrependido de ter beijado-a, apesar de corar só de pensar nisso.
-Que bom, Uryuu-kun! – largou seu ombro e juntou suas mãozinhas, tamanha felicidade que sentia por eles.
-Mas... Nós vamos ter que ir para lá também. – segurou as mãos da adolescente, tirando-as cuidadosamente de cima de seu ombro.
-É? E quando vocês voltam? – espero que logo, pensou um tanto desanimada.
-Não sei... Talvez em um ano... Ou dois... – e cada vez foi falando mais baixo... Não queria que Orihime escutasse que a grande verdade é que... Não sabia quando voltaria. Muito menos se voltaria algum dia. Não era justo alimentar esperanças de ambos assim...
-Ah... É... – mordeu o lábio inferior tentando fazê-lo parar de tremer, se é que o corpo inteiro já não estava assim. Abriu a boca e a fechou várias vezes, desistindo. As palavras não saiam. Não queriam.
-Me desculpe... – foi a única coisa que pôde dizer. Mais que isso não sabia se seria capaz.
-Por que está se desculpando Uryuu-kun? – riu – Você vai para Espanha... Conhecer lugares novos... Amigos novos... Que inveja. – virou o rosto para o outro lado, contendo as lágrimas.
-Inveja é...? – não era algo para se ter inveja.
-Mas... – apertou a barra da saia, tentando criar forças – Se... Uryuu-kun precisar de alguma coisa...
Não quis escutar o resto. Negava-se a achar que aquilo era o fim. Por que... Não era.
-... Não sei se é pedir muito... Só não se esqueça que... Eu existo ok? – voltou a olhá-lo com aquela cara de choro e não conseguiu mais segurar as lágrimas que insistiam em cair. Estava sendo tão egoísta... Não tinha o direito de lhe pedir tal coisa... Não tinha o direito de lhe pedir para não a esquecer... Não tinha o direito de prender sua vida. Como fizera até agora.
-Orihime... – levou sua mão até a face corada e limpou as lágrimas – Pode parar de sorrir... Já chega. – puxou-a para si, afundando sua cabeça naquele mar de cabelos ruivos que tanto havia desejado tocar.
-Uryuu... kun. – em vez de confortá-la, aquilo estava abrindo mais a nova ferida dentro do peito... E chorava por saber que talvez essa ferida iria transformar-se em mais uma cicatriz que nem o tempo iria fazê-la esquecer.
...
2010
Tocou a campainha uma vez. E nada. Tocou pela segunda vez. Nada também. Já se preparava para tocar a terceira vez, mas a porta se abriu.
-Tia Rukia! – sorriu para o afilhado e abriu os bracinhos para acomodá-lo neles.
-Hei... Cadê sua mãe? – perguntou quando já entrava dentro do modesto apartamento com Eichi em seu colo. Ah, quando foi que não viu que aquele pequeno havia crescido tanto assim que nem ela conseguia carregá-lo? O que não era muito difícil, pelo seu tamanho.
-Ela tá lá dentlo do quarto. – apontou para a grande porta fechada.
Suspirou cansada e colocou o menino no chão. Antes de afastar-se olhou bem naqueles olhos acinzentados... Era uma réplica de Lumi, mas sem ‘peruca’. E os cabelos loiros provavam isso.
-Eichi... – mordeu o lábio inferior, insegura. Não sabia se estava certo o que ia fazer, mas iria arriscar do mesmo jeito. – Quer ir a uma festa?
-Fes... ta? – pelo visto, era uma palavra nova para seu vocabulário. Tentou achar uma explicação convincente, mas iria piorar ainda mais aquela cabecinha.
-Vai ter vários doces lá... E refrigerante também. – sussurrou atrevida. Logo riu quando o loirinho tapou a boca surpreso. – Por que não vai se trocar enquanto eu falo com a mamãe? – piscou para o menino, como se aquilo o despertava.
-Ah, hm. – assentiu com a cabeça e saiu correndo até seu quarto, todo animado.
-O mais difícil agora... – levantou-se e andou até a porta. Pensou em bater, mas viu a xícara de café quebrada no chão, perto do telefone. Mas aquela loira não tinha jeito mesmo, hm? Abaixou-se novamente para recolher os cacos e viu o telefone fora do gancho... E sabia exatamente o motivo. Kaien.
-Rukia, o que está fazendo aqui? – olhou para cima assustada e deu de cara com Lumi em sua frente.
-Ah, é... Queria falar com você. – pegou os vidros na mão e enrolou no primeiro jornal que viu jogado pela sala.
-Falar o que? – cruzou os braços, um tanto sem paciência, esperando pela resposta.
-Renji nos convidou para a festa da Rika-chan... – viu a dúvida naqueles olhos e logo se tocou – Ah, filha do Renji com a Tatsuki.
-Ah sim... – desencostou no vão da porta e foi para a cozinha pegar mais uma xícara de café, já que a outra... Bem, a outra que havia caído no chão. – Então... Você vai?
-Claro que sim. – colocou o bolo de jornal numa sacola e jogou-a no lixo. Foi para o banheiro lavar as mãos e respirou fundo. – E você também...
-Eu? – espera, tinha escutado bem? – Não quero ir... Se quiser levar Eichi tudo bem, mas eu não quero ir.
-Por que não quer ir? – desligou a torneira e chacoalhou as mãos, secando-as na toalha logo em seguida. – Está com medo...?
-Medo... – riu, bebendo seu café – Por que estaria com medo?
-Não sei... – voltou par a cozinha – Medo de encontrar-
-Então foi você! – colocou sua xícara de lado e cruzou os braços. A sobrancelha franzida e os olhos semicerrados não estavam tornando as coisas fáceis para o lado da branquinha. – Foi você quem passou meu telefone, não foi?
-Bom... É... Fui eu, admito. – com aquele olhar sobre ela se sentia extremamente culpada. Não sabia mais se era certo mexer assim em seu passado.
-Rukia... Sua boba. – levantou o rosto para encarar a amiga e se surpreendeu com a resposta. Não estava brava?
-Não está brava? – o coração agora parou de acelerar e se acalmou. A consciência também.
-No começo... Eu queria te matar. – pausou para poder rir um pouco. – Só que... Eu sei que a sua intenção era só ajudar.
-E ajudou? – arqueou uma sobrancelha na esperança de ouvir um “sim”. E só se decepcionou.
-Na verdade, não. – acariciou os próprios braços, sentindo um vento passar por elas. - Mas, isso não é uma coisa que vai mudar de uma hora para outra.
-Como sabe disso, se você nem ao menos tentou? – andou até Lumi, tomando-lhe as mãos – Não é bom continuar vivendo sua vida assim... Sem nenhum sorriso. Ou alegria... Não quero que se condene pelo resto dos seus dias. Não quero que sofra o tanto que eu sofri quando deixei Kaien para vir para Karakura... Sei como ele faz falta... E sei também que não é isso o que você quer. – sorriu fracamente e a loira fez o mesmo – Por isso, eu te peço... Não só por mim, mas... Por Kaien e Eichi também... Vem com a gente para essa festa... Está na hora de voltar a viver, não acha?
-Eu... – engoliu seco. Já não tinha mais armas para tentar se defender. Todas as suas fraquezas agora estavam expostas... Talvez fosse realmente a hora de tentar enfrentá-las. – Vou a essa festa. – disse determinada.
-Fico feliz, Lumi. – soltou suas mãos para poder abraçá-la.
-Obrigada Rukia... Por tudo. – sussurrou em seu ouvido, compartilhando aquele quentinho que já estavam acostumadas.
-Hei, - as duas giraram as cabeças para poder ver quem lhes chamara – Estou bonito? – perguntou a cabeça loira vindo do quarto.
-É claro que está... – disse a baixinha se soltando da amiga – Agora só estamos esperando a mamãe se trocar. – olhou para Lumi, encorajando-a.
-Fico pronta em um minuto pessoal. – declarou agora mais confiante em suas palavras.
...
2007
Tirou os sapatos de salto alto que tanto lhe incomodavam. Não sabia como tinha agüentado ficar em cima deles por tanto tempo. Pelo menos, havia descoberto como era a sensação de ser um pouquinho mais alta. E quase se bateu mentalmente ao pensá-lo. Ela não era baixinha... Apenas... As pernas não eram compridas... E para que deveriam ser não é mesmo? Estava feliz com sua altura, mesmo tendo de agüentar as piadas freqüentes que Ichigo fazia... Aliás, agora se lembrava por que tinha andado tanto assim pelo salão. Precisava falar com Ichigo antes que fosse embora.
-Rukia-chan! – girou a cabeça para poder ver quem lhe chamava. – Se está procurando pelo chato do Ichigo, ele está lá fora no jardim. – exclamou Keigo visivelmente irritado. E vermelho. Devia ser por causa da bebida, concluiu.
-Oh, obrigada Asano-kun. – sorriu docemente para o adolescente que amoleceu a expressão. E se levantou rapidamente, mesmo com os pés doendo, antes que ele visse até lá e começasse a lhe contar histórias que não tinha o mínimo interesse em saber.
Suspirou. Estava no lado de fora do salão, no jardim... Sabia que Ichigo estava lá... O problema é, em que lugar desse enorme jardim, ele estaria se escondendo?
-Tsc... – murmurou entre os dentes, levantando a barra do vestido para não sujá-lo... Mas aquelas gramas pinicando em seus pés até que era uma sensação boa.
Olhou para o lado e nada. Será que esse jardim teria fim? Já estava quase desistindo quando viu Orihime ao longe, sentada com Ishida. Pensou em ir até lá, mas não... Não parecia ser conveniente.
-É feio ficar escutando a conversa dos outros, sabia? – se segurou para não soltar um grito ao escutá-lo.
-Eu não estava escutando conversa de ninguém. – respondeu um tanto sem jeito ao se virar e dar de cara com o adolescente sentado debaixo de uma arvore. Já estava sem o terno e a camisa aberta até a metade. – Por onde esteve? Tentei te procurar a festa inteira e-
-Não estava a fim de ficar lá dentro. – respondeu ainda olhando para as próprias mãos. Aquele Ichigo... Não estava facilitando em nada.
-Perdeu a festa inteira. – tentou fazê-lo sentir arrependimento, mas continuava com a expressão séria de sempre. Suspirou, e foi se sentou ao lado dele.
-Não me importo. – enfraqueceu o semblante e atacou a plantinha que tinha em suas mãos para o outro lado. Olhou um tanto hesitante para Rukia ao seu lado. Com a respiração um tanto acelerada e com o coração na mão, deitou sua cabeça nas pernas dela.
-Ichigo! – exclamou um tanto surpresa pela atitude inesperada do menino. E infelizmente já estava ficando claro por causa do sol, sendo assim, não dava para disfarçar os pequenos rubores em suas maças do rosto. – O que-
-Me deixa ficar assim... Só um pouco... Por favor. – amoleceu a expressão e o corpo só de ouvir o tom daquela voz. Estava carregado de tristeza. E não queria saber o porquê estava daquele jeito.
-Está bem... – balbuciou, mas ele nem escutou.
Fechou os olhos e se permitiu relaxar ao sentir o toque daqueles finos dedos em seu cabelo... Era uma sensação agradável. Ainda mais com essa brisa da manhã que tanto gostava...
Abriu a boca para dizer algo, mas logo a fechou. Sabia que sua voz não ia sair... E talvez não fosse o momento certo para falar. Talvez o silêncio entre eles fosse a melhor música para escutarem.
-Rukia, - começou – eu-
-Eu sei... – abriu os olhos para encarar aqueles violetas. – Eu também. – sentiu o coração tremer. Ou melhor, parar. E depois voltar a bater aceleradamente, que até doía dentro do peito. De certa forma, não sabia se queria escutar aquelas palavras... Estava com medo. Medo de amá-la incondicionalmente como amou sua mãe e desmoronar depois. Medo de saber que dessa vez, não ia conseguir se levantar de novo. Por que não ia ter uma luz iluminando seu caminho como Rukia fez para poder viver de novo...
Mas as mesmo tempo, queria pegar no ar aquelas palavras e guardar dentro de uma caixinha, e saber que ele sentimento que sentia era recíproco. Não estava apenas amando. Estava sendo correspondido da mesma maneira. Talvez até mais.
-Vou sentir sua falta quando for para Londres. – viu os olhos dela se arregalarem e não pode conter um sorriso. – Sei que está planejando viajar sem nem ao menos se despedir... E eu respeito isso. – pegou a mão que brincava com seus cabelos e apertou-a. – Mesmo assim, eu não iria te odiar por ter ido sem me avisar. Isso não mudaria o fato de-
-Shh... – colocou seu dedo indicador sobre os lábios dele. – Não estrague o momento. – puxou um sincero sorriso de canto. - Não quero ir embora com a sensação de que deixei parte da minha vida aqui, por que no fundo... Eu sei que é verdade... Mas pelo menos essa mentira vai tentar me manter viva... – curvou-se lentamente, aproximando seus rostos. – Não quero ir embora me arrependendo de algo que deveria ter feito faz tempo. – sussurrou antes de colar seus lábios aos dele. E colocou tudo o que sentia naquele singelo gesto que não representaria metade do que tinha dentro do peito.
...
...
E de lábios colados continuaram até o momento no qual evitaram falar até agora.
-Preciso ir. – disse um tanto triste, se afastando do rapaz. – Já devem estar me esperando...
-Está bem... – apertou mais sua cintura, não querendo largá-la, mesmo sabendo que tinha de fazê-lo. Com o coração na mão, apoiou sua testa na dela, e os olhos fechados.
-Então... – inalou pela última vez aquele cheiro dele... Que por tantas vezes já se encantara. Mesmo não querendo largá-lo, ela o fez... E as lágrimas que começavam a embaçar seus olhos provaram isso... Era como tirar o doce de uma criança.
-Então... – riu, tentando lutas contra as próprias emoções. – É melhor você ir...
-É... – tocou seus lábios mais uma vez com os dedos e um sorriso triste se formou neles. – Não sei se isso é um adeus... Vamos descobrir isso daqui uns anos... Mas até lá, prefiro continuar pessimista como sempre... Então... – deu alguns passos para trás, tentando gravar aquela última cena em sua mente. – Sayonara... Ichigo.
...
Olhou para o céu, e estranhamente, ele estava limpo. Azul e sem nenhuma nuvem impedindo o sol de brilhar.
Ah, estava tão cansado... Tinha praticamente virado a noite fazendo alguns trabalhos da faculdade que tinha deixado acumular... E para falar a verdade, não estava com a mínima vontade de ir nessa tal festa. Só estava indo por que bom, uma parte de sua consciência o dizia que tinha que ir... Sentia-se culpado, de certa forma, por não ver seus amigos por tanto tempo. Até mesmo sua desculpa “estou ocupado demais com o trabalho e a faculdade” não os enganava mais, como nos primeiros meses.
-Kurosaki-kun! – parou de andar ao ouvir seu nome. E conhecia aquela voz inconfundível.
-Inoue. – acenou um tanto distraído e continuou a andar. Agora com alguém para conversar.
-Que bom! Achei que Kurosaki-kun não iria à festa da Rika hoje... Ela vai ficar contente. – sorriu, com um enorme pacote em suas mãos.
-É... – bagunçou seus cabelos um pouco sem jeito. – Nem eu acredito que estou indo... – murmurou, mais para si mesmo do que para ela.
-Não está animado? – como ela conseguia sorrir daquele jeito? – Vai ter vários doces e comidas gostosas. Fora o bolo, eu imagino como vai ser... Será que vai ter balões? – perguntou-se curiosa, olhando para o céu.
Agora sabia como ela conseguia ser tão feliz daquele jeito... Ainda era uma criança em si. Por mais que não tivesse o corpo de uma.
-É... Estou animado. – respondeu, tentando não constrangê-la.
-Finalmente vai estar todo mundo junto de novo... – olhou para Ichigo com o canto dos olhos. – Fico feliz que esteja indo hoje... – sorriu.
-Hmm... – juntou-se a ela e começou a olhar o céu... E teve a estranha sensação de estava fazendo o certo.
...
Já tinham chegado lá fazia um tempo, e conseguiu se emocionar duas vezes. Estar de volta a Karakura era realmente ótimo... Rever Tatsuki, Renji e conhecer Rika... Não sabia que ficaria tão vulnerável assim.
-Se arrependeu de ter vindo? – perguntou uma voz atrás dela.
-Não... – olhou para Eichi, que corria de um lado para o outro com Rika, de canto de olho. – Ainda.
-Tsc... – Rukia riu, e deu alguns passos para trás. – Então, se eu fosse você, iria começar a me perguntar isso... Agora.
-Hei, Rukia... Onde está indo? – tentou ir atrás da pequena, mas não conseguiu.
-Lumi...?
-Sim... – virou-se para ver quem era e se arrependeu quando o fez. Aqueles olhos... Continuavam o mesmo verde que sempre foram... Encantadores. – Kaien...
-Eu... – não continuou. O coração entalado na garganta não deixou, muito menos o corpo tremulo... Ah, como queria abraçá-la agora... Tinha prometido para si mesmo que, quando a visse na sua frente novamente, não iria argumentar nada... Nem lhe fazer perguntas que sabia que não iria ter respostas... E iria lhe abraçar com toda a força que tivesse naquele momento, para não pensar em fugir de novo. Sabia que se isso acontecesse, não eram simples cigarros que esvaziariam sua mente.
-E-eu posso explicar-
-Não quero explicações... – tocou sua face, ainda não acreditando na realidade. E riu. Lumi. Sua Lumi. Estava ali bem na sua frente, ainda com aquela carinha de menininha... E agradeceu a Deus por isso. – Não precisa dizer nada... – deslizou sua mão até a nuca dela, trazendo-a para junto de si. E teve a certeza de que agora poderia desmaiar feliz, em vez de morrer. Por que morrer não estava em cogitação. Não mais. – Boba... – murmurou com os lábios colados em sua orelha, e os olhos fechados.
-Kaien... – tinha tanta coisa para falar, mas em vez disso, estava aqui, chorando feito uma boba... – Me desculpe-
-Shh... – apertou-a mais ainda. Era tão bom senti-la assim, tão perto. Tão vulnerável. – Sou eu quem deveria lhe pedir desculpas... – afastou-se um pouco, agora sem medo, com a certeza de que não iria mais lhe perder. – Não devia ter precipitado as coisas... Não sabia como estava se sentindo... – traçou a linha de seu queixo, acalmando as batidas do próprio coração. – Você fugiu por que... Não queria que eu ‘estragasse’ minha vida tão cedo, não é? – viu aqueles olhos acinzentados inundarem-se de novas lágrimas e sentia vontade de abraçá-la de novo. – Se eu fosse você, teria feito a mesma coisa, por que... – pausou um pouco para recuperar o fôlego. – Eu não iria mudar meu pensamento de jeito nenhum... Tanto que ainda eu não o mudei... Ele continua a mesma coisa... Talvez até mais forte. – sorriu confiante... Agora sentia que toda aquela angústia que vinha acumulando por anos dentro do peito, havia se tornado apenas um vazio esperando para ser ocupado por felicidade.
-Você... – lutava contra as lágrimas, pôde perceber. – É um idiota! – deixou as lágrimas restantes escorrem... Agora estava se sentindo mais leve... Talvez o peso na consciência tivesse ido embora... Para sempre.
-Mamãe! – ouviu a voz de Eichi ecoar pela casa inteira e limpou os olhos rapidamente, tentando se recompor. Mas era impossível não notar o nariz levemente vermelho e os olhos inchados... Apesar de continuar linda. – Eu consegui um balão... – disse ao se aproximar. – Para você... – viu os rubores tomarem conta daquelas bochechas enormes e teve vontade de mordê-las, como sempre.
-Obrigada meu amor. – lhe deu um beijinho terno nas têmporas e logo o pegou no colo. – Eichi... Esse moço aqui é um... Amigo da mamãe. Dá oi para o Kaien. – sorriu da reação hesitante do filho.
-Hm... Oi. – murmurou com o semblante fechado, fazendo bico.
-Olá Eichi. – abriu um sorriso, tentando parecer amigável. – Então você torce para o Manchester é? – apontou para a camisa vermelha que vestia, com o número sete atrás, escrita “Cristiano Ronaldo”.
-É... – amoleceu a expressão. – E você...? – indagou baixinho, brincando com os cabelos loiros de Lumi.
-Eu também. – riu, afagando-lhe os cabelos levemente. – Mas o Rooney é melhor que esse Cristiano Ronaldo-
-Ah, não é não! – retrucou praticamente ofendido. – Ele nem consegue correr de tão grande que é!
-Mas-
-Vocês dois podem parar de falar de futebol, por favor? – olharam para Lumi e sorriram um tanto culpados. Tinham se esquecido dela...
-Desculpe. – disseram em uníssono e voltaram a rir.
-Mas, minha mãe um dia vai casar com o Cristiano Ronaldo, não é? – olhou para a mãe, que apenas assentiu com a cabeça.
-Se eu te levasse para assistir um jogo do Manchester, você não aceitaria outro marido para sua mãe...? – colocou as mãos no bolso, ignorando os olhares de Lumi.
-Não falem como se eu não estivesse aqui-
-Fechado! – apertou a mão do moreno. – Mas por enquanto, ela ainda é minha. – mostrou a língua corado, e abraçou a mãe com toda força.
-Eichi... – riu pela atitude do filho e não pode deixar de abraçá-lo com força... Tanta força que iria esmagá-lo... Mas era tanta felicidade que não conseguia se conter.
Olhou para o loirinho e depois para Lumi... É, pelo visto agora tinha concorrência...
...
2007
Já era de manhã quando o avião pousou em Londres. Quase nem tinha pregado os olhos. Desde que saíram do Japão não conseguiu dormir... Eram tantas coisas... Tantas coisas que preferia deixar guardada dentro do peito. Não queria alimentar esperanças e se arrepender depois. Mas também não queria pensar que estava partindo para sempre... Por que um dia, voltaria viva... Não é?
-Rukia! – parou de andar no aeroporto. Congelou. Aquela voz... Não... Ela não seria louca de-
-L... Lumi? – virou-se para trás praticamente em câmera lenta. E não acreditou quando viu aquela cabeleira loira agitando pra lá e pra cá no ar, em perfeita sincronia com os quadris. – O... O que está fazendo aqui? Como veio-
-Peguei um vôo antes do seu... Por isso sai da festa cedo. – aproximou-se um pouco ofegante... Os olhos avermelhados... Devia ter chorado há pouco.
-Mas... Por que veio aqui? – não entendia... Estava tudo bem, não era?
-Na verdade, estou aqui por que acho que... É a única saída... – forçou um sorriso fraco nos lábios. – Não pense que vai se livrar de mim assim, tão fácil... E achei que soubesse disso.
-Como sabia que eu iria vir para Londres? Eu... Não contei a ninguém. – estranhou. Byakuya também não iria falar. Então...
-Estava praticamente escrito na sua cara isso... O tempo todo ficava com essa cara de ‘eu-vou-para-Londes-sem-ninguém-saber-oi’, então era impossível não saber... – riu. – Mas se eu te falasse que uma fadinha me falou, você iria acreditar?
-Se não fosse uma fadinha, eu até iria acreditar, mas não... Não acredito. – cruzou os braços, esperando por uma resposta convincente... Ou a verdade.
-Ok... Sem querer eu escutei você e seu irmão falando quando ainda estavam no hospital... – o tom de culpa transbordava em sua voz. – E eu sabia que iria querer vir escondida por que odeia despedidas, não é...?
-Pois é... – desfez a cara de brava e sentiu um arrepio só de lembrar... – Então, Ichigo ficou sabendo que eu iria vir para cá por-
-Não me culpe, por favor... – fechou os olhos, esperando por um sermão, que não veio. – Eu... Só achei que... Ichigo não merecia isso... – abaixou o rosto. – Não fique brava comigo, eu-
-Não estou brava... – agitou a cabeça. – Na verdade... Eu preciso lhe agradecer Ayumi... – sorriu de canto e andou até a loira.
-Não precisa, Rukia... De verdade... – sentiu os braços da pequena em torno de sua cintura e acabou fazendo o mesmo.
-Lumi... Se quiser, não precisa mais segurar... Pode chorar... Já chega... – sussurrou em sua orelha, apertando-a forte. – Vou estar sempre aqui para você... Sempre que precisar.
-R-rukia... – e assim, deixou todas as barreiras caírem.
...
...
2010
Olhava para a paisagem lá fora... Estava no inverno. E o branco da neve cobria toda a cidade, podendo-se apenas enxergar algumas luzes acesas. Não tinham muitas pessoas andando na rua, muito menos carros. Estavam todos em sua casa. E talvez devesse fazer isso também... Voltar para Karakura... Já estava na hora.
-Kuchiki-dono, com licença. – olhou por cima dos ombros e viu o motorista em sua porta... Era em momentos assim que sentia falta de Tamaki. Pelo tempo, talvez já tivesse casado com a sua namorada, como era mesmo...? Ah, não importa. – Kuchiki-sama a espera lá embaixo.
-Ah sim, obrigada. – sorriu pequenamente, fechando a janela.
Pegou o elevador e foi até a entrada no prédio, onde seu carro a esperava... Não se lembrava de nenhum compromisso com seu irmão assim, tão cedo. Estava tão avoada ultimamente.
-Mandou me chamar, Nii-sama? – adentrou ao carro rapidamente, para se proteger dos ventos fortes.
-Nós vamos... Dar uma volta. – fez sinal para o motorista prosseguir, e continuaram naquele silêncio. Tal silêncio que Rukia até havia se acostumado... De certa forma, até gostava dele. Tornava o clima agradável, mesmo que não aparentasse. E ficou com isso na cabeça até chegarem ao seu destino.
-Nii-sama... – abriu a boca para dizer algo, mas ele balançou a cabeça. Não precisava dizer nada.
Saiu do carro ainda com as pernas bambas... Aquele lugar que estivera evitando por tanto tempo. O coração cheio de culpa não a deixava...
-Já faz um tempo, não é... Rukia? – olhou para a lápide de sua esposa e depositou uma pequena rosa, como fazia todas as vezes que ia visitá-la.
-Ah, sim. – respondeu ainda distante do irmão. Mesmo que quisesse se aproximar, parecia que uma barreira estava os separando... E pelo jeito, não sabia se iria conseguir furá-la.
-Aproxime-se. – pediu calmamente.
-S-sim... – engoliu seco... Já estava na hora de encarar os fatos, não é?
Deu um passo hesitante, e ainda tremia. Deu mais um e ganhou um pouco de confiança... Sabia que não ia cair. E já era um começo.
-Não precisa ter medo. – olhou para trás e viu a dificuldade que ela se encontrava.
-Hmm. – assentiu e continuou olhando para os próprios pés... Depois de tudo... Não tinha o direito de estar aqui. Se não tivesse... Se não tivesse sido tão irresponsável, não deveriam estar aqui... Sua irmã não estaria debaixo da terra... Se-
-Rukia... – murmurou baixinho vendo que ela não progredia.
-E-eu... – sentiu a vista começar a ficar embaçada... E sabia que eram as lágrimas que estavam enterradas dentro de seu subconsciente por três anos... Talvez já estivesse na hora de deixá-las rolarem... – Não consigo... Nii-sama... – deixou-se cair no chão e ali ficou. Não tinha forças para mexer o corpo. Nem para falar... Chorar era a única coisa que podia fazer... Nada estava em seu controle...
-Rukia, preciso lhe dizer uma coisa. – colocou as mãos no bolso, apenas vendo a branquinha no chão. Não podia ajudar, mesmo que quisesse. – Hisana estava muito doente... Os médicos diziam que já não tinha mais jeito... Muitos deles diziam também que, ela ainda continuava com a gente por que... Ela nos tinha por perto... – engoliu seco, recuperando a fala. – Por isso... Eu lhe peço desculpas por... Culpá-la pela morte de sua irmã. Peço desculpas por tratá-la desse jeito... Desculpas por não ser um irmão perfeito, mas que... Mesmo não parecendo, se preocupa com você...
Levantou os olhos violetas até a altura do irmão e não conseguiu processar o que escutava. Ele... Estava pedindo desculpas?
-Para falar a verdade... A única coisa que eu queria era... Agradecê-la. Se não fosse por você, Hisana não teria agüentado até o último instante...
-Nii-sama... – murmurou com a voz embargada e com aquela carinha de choro. Depois de tudo que Byakuya havia feito por ela... Ele estava agradecendo-a?
-Por isso... Não tenha medo de se aproximar. – pode sentir a emoção transbordar em sua voz, mesmo não parecendo. – Hisana esteve esperando por você esse tempo todo... – lhe estendeu a mão.
-Eu... – olhou para cima. Aquela mão... Estava ali, estendia como sempre... E não hesitou em apertá-la com toda a força. – O-obrigada. – colocou-se de pé e olhou para Byakuya, ainda com a mesma expressão de sempre. Tinha curiosidade em saber como era vê-lo sorrir... Mas era pedir demais.
E ficaram ali, durante um bom tempo, com as mãos dadas, contemplando ainda mais aquele silêncio em frente à lápide de Hisana. Enfim... A família estava reunida novamente.
Agora tinha a certeza de que podia dormir tranquilamente... Que as feridas no coração estavam se fechando... Para sempre. E sua doença também. Podia partir para onde quisesse, sem culpa alguma... Com a certeza de que tudo estava bem...
...
2010
-Orihime... – parou de rir ao olhar o jovem que agora se colocava em sua frente. Nem percebeu quando Ichigo a tinha deixado para trás com Ishida.
-I-ishida-kun! – sorriu, um pouco sem graça. – Você também está indo para a festa da Rika-chan...? – perguntou enquanto andavam.
-Uhum... – tirou as mãos do bolso. Precisava fazer algo antes que hesitasse... E se arrependesse pelo resto da sua vida. – Inoue-
-Está tudo bem, Ishida-kun... De verdade... – continuou sorrindo e olhando para o chão. – Não precisa se desculpar pelo o que aconteceu... Eu o entendo. – apesar das ferias ainda estarem se cicatrizando, continuava a sorrir. Não queria achar que aquele beijo foi apenas um beijo. Foi seu primeiro e único beijo. E não queria pensar que aquilo era o último...
-Orihime... – olhou para baixo um instante. Todos esses anos fora, só serviram ainda mais para confirmar o que sentia. E com certeza, não iria cometer o mesmo erro duas vezes. – Será que... Podemos começar de novo...?
-Hmm... – sorriu, ainda de cabeça baixa, e o rosto vermelho. Logo, o coração começou a palpitar mais rapidamente quando ele apertou sua mãozinha. Agora sim, tinha certeza que era isso o que queria... O que sempre quis. – Acho que podemos tentar...
Continuaram a andar naquela rua sem fim... Não queriam apressar as coisas. Queriam apenas recuperar o tempo perdido para dar chance das feridas se fecharem completamente... E escreverem uma nova página juntos.
...
Sentou-se no jardim do outro lado da casa e riu consigo mesma ao ouvir o grito histérico de Orihime ao ver Lumi. Certas coisas não mudavam nunca... E ficava feliz por isso. Não queria que as coisas mudassem... Estava bom daquele jeito.
Olhou para os pequeninos pés que balançavam no ar de um lado para o outro e riu. Estava de volta. E a sensação de pisar de novo em Karakura depois de tanto tempo, foi a melhor que já sentiu. Nunca mais queria ficar longe daqui... Dos seus amigos... E de ninguém mais... Mesmo ainda sentindo um vazio dentro do peito... Ainda tinha alguns problemas pendentes. E esperava resolvê-los...
-Rukia...? – agora. Fechou os olhos e riu contente por escutar aquela voz... Sentiu saudades dela. Sentiu saudades daqueles gritos quando estava bravo. Sentiu saudades dos xingamentos. Das brigas, discussões sem fundamento. Sentiu saudades de alguém para socar, chutar, morder. Sentiu saudades de alguém que estivesse sempre ali ao seu lado... E que sempre a contrariava.
E já não sabia mais se ia agüentar toda aquela emoção idiota que sentia ao vê-lo de novo, por que... Depois de tudo, estava aqui hoje... Só para lhe dizer...
-Não foi um adeus, Ichigo. – virou-se para ele lentamente, com os lábios curvados em um sorriso... Agora tinha certeza que não tinha medo de mostrá-lo... Como estava feliz em estar aqui... Bem na sua frente...
-... – levou uma mão até os cabelos, agitando-os rapidamente e suspirou. – Não quis acreditar quando disseram que estava aqui... – riu nervoso. Não sabia o que fazer. O que dizer. Apesar de imaginar seu reencontro, sempre travava na hora de falar... E pelo visto era isso o que ia acontecer agora.
-É bom de ver também Ichigo... – colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha para poder olhá-lo melhor.
-Droga... – pôs as mãos na cintura de um jeito engraçado, todo desengonçado e olhou para o lado. Precisava criar coragem. Precisava respirar fundo. Precisava parar de tremer. Precisava raciocinar. Precisava convencer a si mesmo que Rukia estava bem ali a sua frente. Precisava acalmar o coração. Precisava conter a emoção que guardou durante todos esses anos. Precisava... Dela. E agora. – Tsc... – desejou-lhe sorte mentalmente antes de começar a dar passos até onde a morena se encontrava.
-Oe, Ichigo, - assustou-se na velocidade com que ele se movia. – O que tá-
-Shh... – curvou-se até os rostos ficarem próximos. E viu que estava ofegante. – Para de falar só um segundo... – pediu baixinho, tomando seu rosto fino com as mãos e trazendo mais para perto, até os lábios se colarem. E quando o fizeram, não hesitaram mais. Fecharam os olhos e se entregaram aquele sentimento adormecido por tanto tempo. E que agora, parecia mais forte...
Deslizou sua língua dentro daquela boca quente e úmida e teve a certeza que iria desmaiar a qualquer momento só de tocar sua língua... E brincou com ela, explorando todos os cantos possíveis, movendo seus lábios por cima dos dela. Não iria mais hesitar, disse para si mesmo.
-Hmm... – deu um leve tapinha no ombro dele, interrompendo aquela batalha por dominância de boca entre línguas, dentes e lábios. – I... Ichigo... – disse ofegante, tentando recuperar o fôlego... E escondeu o rosto corado em seu pescoço, sentindo aquele cheiro... Não tinha mudado de perfume, pensou.
-Sentia sua falta-
-Shhh... – sussurrou com os lábios, que agora estavam avermelhados, colados em sua nuca. – Não estraga o momento, baka. – apertou mais ainda o abraço, e se permitiram rir aliviados, depois de tanto tempo... A verdade era que... Já não agüentavam mais segurar aquele sentimento... Não precisavam dizer em voz alta o que já sabiam faz tempo... Não precisavam transformar tudo o que sentiam apenas em três palavras, por que... Não iria representar tudo... Apenas o silêncio já estava bom. Era o suficiente para aqueles dois.
-Anão... – Ichigo esperou por um chute, que não veio. No fundo, sabia que Rukia sentia falta desses apelidos... Ele também sentia saudades de alguém para chamá-los.
Riu ao lembrar-se de algumas palavras de sua irmã. Cada amor era uma fruta... E o seu era um morango... Era azedo na primeira mordida... E se revelava doce na segunda.
Fim.
nunununununu
N/A: Bom, está ai o final da fic. Não lhes garanto que é um final digno de vocês, mas está aii... Me esforcei para escrevê-lo, e espero que tenham gostado. Assim como todo o resto do trabalho. Foi muito bom postar minha fic aqui, de verdade, fiquei super feliz com os elogios que eu recebi. Fiquei emocionada tantas vezes que até perdi a conta... E de certa forma, fico triste por estar me despedindo de vocês assim, por que... É uma parte da minha vida que acabou. Posso estar sendo dramática, mas é verdade... Enfim, obrigada pelo apoio que sempre recebi aqui, pelos incentivos... Obrigada por tudo, .