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Palas Lis
Author of 22 Stories

Rated: K - Portuguese - Humor/Romance - Reviews: 7 - Updated: 03-06-08 - Published: 10-11-07 - id:3831619

Retratações – É do tio, é do tio. u.u


Dedicatória – Feliz Aniversário, Mitz-chan! Amo você muitão mesmo e pra sempre e sempre. Sua amizade é muito importante e especial para mim, nunca esqueça disso. :-D Muitos anos de vida e tudo de bom, porque você merece. \o/ \o/ \o/


Notas da Autora – Olá, pessoal! Finalmente eu estou publicando o segundo capítulo dessa história e escolhi hoje que é o niver da Mitz-chan. \o/

Obrigada aos comentários de Mitz-chanIodes MalfoySah Rebelde e Leticia Naegino. Obrigada por lerem e deixarem review. /o/ Beijos a vocês. :-D

Agradecimento especial a Mitz-chan que revisou. Obrigada, querida. \o/

Beijos,
Lis


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Alguém Como Você

By Palas Lis

For Mitz-chan

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Capítulo 2

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O dia começara cedo para ela naquela manhã ensolarada de Sábado. Era Primavera. Época de flores e calor. Um bom tempo, mas preferia o Inverno, com frio, neve e tudo mais. Não era para menos que seu nome era Yuki – neve. Embora poucas pessoas a chamassem pelo primeiro nome. Todos a conheciam por Mitsui e ela não se importava com isso, pois preferia que apenas os mais próximos a chamassem de Yuki.

Acordara há poucos minutos e se arrumava para ir ao curso de inglês. No banheiro, Yuki se olhava no espelho enquanto desembaraçava o cabelo castanho para prendê-lo num toque mal feito na nuca. Lavou o rosto e escovou os dentes, seguindo para o quarto para pegar os livros do curso com a bolsa. Os pés se arrastaram pelo chão ao seguir para o ponto de ônibus e ir para o centro de Tóquio. Não queria ir para o inglês!

Yuki parou no sinal e esperou que ficasse vermelho para os carros e então poder passar. Os raios de Sol passavam por entre as nuvens e atingiam seus olhos castanhos, fazendo-a quase fechá-los para conseguir ver a cor do semáforo. Aproveitou quando mudou para o verde para pedestres e atravessou. Do outro lado, caminhou alguns segundos para chegar ao ponto de ônibus, e se sentou para esperar, o que provavelmente demoraria.

Olhando vagamente os carros a passar, ela tentava lembrar o sonho que tivera naquela noite. Sonhara com um homem... Oh, era o homem do teatro e do restaurante! O sorriso de lado que ela deu era quase malicioso. Não conseguia parar de pensar em como o cara era l-i-n-d-o. O rosto angelical com a voz grave e sensual; sem falar no porte físico perfeito. Um homem totalmente agarrável... Ela suspirou com o pensamento.

Não conseguia se lembrar direito do loiro, mas para ter sonhado com ele, devia ter realmente mexido com ela... Claro, como um homem daquele não aguçaria seus sentidos? E que olhos azuis eram aqueles? Ai, ai... Como queria reencontrá-lo. Apesar da pequena cena que ele fizera por causa de lugar, parecia ser uma pessoa gentil e educada. É, queria mesmo, mesmo, reencontrá-lo...

Yuki suspirou. Claro que não o veria de novo. Tóquio tinha milhões de pessoas, somente em sonho para conseguir tornar a vê-lo. Ela suspirou frustrada. Seria tão bom poder colocar os olhos nele de novo... Ela parou de pensar no loiro e estendeu o braço para pedir que o ônibus parasse. Entrou e sentou no fundo. Não parou de cantarolar, mas mudou para uma música em inglês. O celular tocou dentro da bolsa e ela o pegou. Olhou no visor e o nome do pai apareceu, então atendeu. Ele não demorou a falar o que queria e desligou.

Maldição, mil vezes maldição! Agora mais essa: teria que passar no escritório de um conhecido dele para pegar alguns papéis de processos chatos que o pai vivia trabalhando. Por que tudo tinha que ser ela? Ele não tinha aquele monte de empregados de plantão para servi-lo e ela que tinha que ir buscar aquelas coisas? Que raivaaa!

Bufando e fungando de raiva, ela desceu no ponto perto prédio do curso. Ela foi direto para o seu lugar de costume e praticamente se jogou na cadeira, com raiva de toda sua sorte azar seria a palavra melhor colocada para o que tinha. Olhou ao redor e não viu ninguém. Possivelmente chegara muito cedo, então abriu o livro de anotações e começou a rabiscar desenhos.

Quando terminou o desenho, surpreendeu-se com o desenho e inclinou o rosto para o lado para ver melhor. Era ele, o rapaz loiro e encantador do dia anterior. Será que passaria o resto da semana pensando nele? Possivelmente... Ela mordeu o canto da boca e continuou a desenhá-lo. Olhou depois e sorriu. Ficara muito parecido. Pelo menos assim, não corria o risco de esquecer os traços lindos dele.

A professora de inglês entrou, junto com os outros alunos. A aula começaria, isso é, claro, se o celular não tornasse a tocar. Era novamente o pai. Como sabia que a mulher não permitiria que atendesse na sala, ela saiu.

- Oi, pai? – o tom ríspido dela era notório. – O que quer dessa vez?

- Fala como se só ligasse para pedir alguma coisa. – ele falou em tom de brincadeira do outro lado da linha.

- Claro, isso nem de longe é verdade. – Yuki ainda continuava séria. – Meu filho, fale de uma vez que minha aula começou.

- Preciso que saia daí e vá ao escritório de Dohko agora mesmo. – o senhor pediu.

- Mas e minha aula?

- Fala como se adorasse ficar aí.

Ela não conseguiu segurar e riu.

- Vou mandar o motorista te pegar.

- Quê?! – a morena quase gritou. – Nem pensar! Sabe que detesto essas frescuras.

- Não entendo qual o mal em usar motorista.

- É ridículo, nada mais a declarar.

- Então vai do quê?

- Transporte público?

O som do pai do outro lado da linha o lembrou muito de alguém enojado.

- Como quiser, apenas vá agora. – o senhor pediu. – Por favor.

- Certo, certo. – Yuki aceitou, num suspiro desanimado. – Passe o endereço.

Ele passou e desligou o telefone, correndo para sala para anotar o endereço antes que esquecesse. Aproveitou e pegou a bolsa e o livro para ir ao escritório. Droga, era do outro lado da cidade. Não poderia ao menos ser mais perto? Droga, mil vezes droga!

Ela saiu do prédio e ficou alguns segundos olhando para o endereço anotado na mão. Como faria para chegar lá? Bem, por via das dúvidas, seria mais certo ir de metrô. Começou, assim, a caminhar em direção a estação de metrô mais próxima. Claro que reclamava o caminho todo por ter que se descolar para ir buscar umas drogas de papéis do outro lado daquela droga de cidade. Tudo era uma droga mesmo.

Quase três horas depois, ela chegara à rua que o pai mandara. O rosto contraído de raiva, fome, raiva de novo, mais fome, irritação e vontade de sentar logo, demonstrava que mataria qualquer pessoa que passasse perto de si. O celular começou a tocar de novo e sabia que era o pai, então nem atendeu, apenas deixou tocar, afinal, adorava a música que colocara como toque do celular.

Yuki entrou no escritório e não havia ninguém, apenas uma solitária secretária, que parecia bem entediada ali, no fundo do imenso hall de entrada do prédio de advocacia. Aproximou-se da mulher japonesa e ela nem sequer a notou, tamanha a distração que o momento ocioso lhe proporcionou.

- Hei... – Yuki falou, parada ao lado da mulher.

- Pois não, senhorita? – ela se recompôs. – O que deseja?

- Quero falar com Chen Dohko. – Yuki falou, tentando não parecer faminta e cansada. – Diga que Mitsui Toshiro me mandou aqui para pegar alguns papéis.

- Vou avisá-lo. Um segundo, senhorita. – a oriental pediu e pegou o telefone, discou o ramal e falou com alguém, desligou e sorriu para a menina. – Pode subir. Ele a espera. É último andar, sala três.

- Ah... Certo. – Yuki fez cara que entendeu tudo e sorriu, caminhando para o elevador. Entrou e apertou o botão. – Eu, hein. Que lugar fresco.

Ela ficou olhando os números vermelhos começarem a aumentar. Pelo amor de Deus, para que um prédio com tantos andares? Suspirando desanimada, ela esperou até o último andar e saltou do elevador. Maravilha. Saíra num corredor com três portas, agora como adivinharia qual era a bendita porta três?!

- Vamos testar todas... – ela deu um sorriso travesso e foi para a primeira porta, como ela sequer abriu, não seria ela; partiu para a segunda e sorriu quando ela abriu. – Senhor Dohko?

A sala aparentemente estava vazia, exceto pelo barulho de dedos batendo em teclas. No fundo da sala – Yuki também não sabia para quê uma sala imensa como aquela – uma mesa ficava disposta em formato de L, com uma poltrona grande virada para o monitor de computador. Ela se aproximou lentamente, tentando ser se era Dohko que trabalhava ali. Bem, pelo menos o cheiro de perfume masculino que chegou as suas narinas era totalmente agradável.

- Senhor, eu...

A cadeira se virou de uma vez e Yuki deu dois passos para trás, com o susto que levou. Ela piscou uma, duas, três vezes, com uma imensa vontade de esfregar os olhos para ter certeza que sua mente não lhe prepara uma peça. Ali, na sua frente, estava ele... Como era mesmo o nome do loiro...?

- Kazuo Shaka? – os lábios dela se moveram, ainda com a expressão abobalhada no rosto.

- O que faz aqui? – Shaka estava igualmente surpreso. – Como me achou aqui?

- Que arrogância achar que eu estava procurando você. – ela rodou os olhos, colocando a mão na cintura. – Meu pai me mandou aqui para pegar alguns papéis com Dohko.

- Seu pai é advogado? – Shaka quis saber.

Yuki quase suspirou ao vê-lo. Ele não se vestia tão formal quanto no dia anterior, apenas uma camisa de mangas curtas e uma calça jeans. Simplesmente lindo. Os cabelos pareciam ainda mais loiros, devido os raios de sol que passavam pela janela aberta e tocavam neles. Os olhos azuis pareciam ainda mais claros.

- Ele é, sim. – Yuri falou. – Mitsui Toshiro. Você o conhece?

- Ah... – Shaka fez uma cara de raiva e suspirou desanimado em seguida. – Sabia que conhecia seu sobrenome de algum lugar.

- O que foi? – ela perguntou, curiosa. – Algum problema com meu pai?

- Antes de eu trabalhar aqui, trabalhava em outra empresa. Modéstia à parte – Yuri rodou os olhos com aquilo. –, nunca havia perdido um caso, até encontrar com seu pai. Foi o único caso que perdi na minha vida.

- Bem feito para você. – ela debochou, rindo. – Assim aprende a não se gabar.

- Agora você pode sair. – ele girou a poltrona e voltou a digitar no teclado, com os olhos azuis presos no monitor. – Está atrapalhando o bom andamento do meu trabalho.

Imediatamente, Yuki arrancou uma folha de papel do livro e arremessou na cabeça dele, gargalhando divertida ao ver as mãos dele pararem sobre o teclado e quase tremerem de raiva. Shaka se virou lentamente, com os olhos faiscando; os dentes, rangendo. Ela recuou um passo quando ele se levantou da poltrona e acenou, sumindo daquela sala antes que um homicídio qualificado acontecesse ali.

Ainda rindo, ela entrou na última sala. Aquela infeliz sala três. Se bem que errar as portas nem havia sido tão ruim assim: por mais milagroso que parecesse, tornara a ver o homem loiro atraente. Diferente da sala que Shaka estava, aquela parecia ser de reuniões, pois só possuía uma mesa grande e oval no centro, com poltronas dispostas ao seu redor. No topo da mesa, um ancião permanecia sério, de cabeça baixa, parecendo que dormia.

- Senhor Chen? – ela balbuciou. – Com licença...

- Você é a filha de Toshiro, minha jovem? – ele perguntou, na mesma posição, em tom baixo.

- Sou, sim. – ela se aproximou, incerta. – O que devo levar para meu pai?

- Por favor, pegue com Shaka. – o senhor falou, finalmente levantando o rosto para ela. – Ele está na outra sala.

- Certo, certo. – ela não demonstrou, mas ficara com raiva de estar sendo feita de idiota daquela maneira descarada. – Tenha um bom dia. Tchau.

- Até mais ver, Mitsui. – o senhor voltou à posição inicial. – Tenha um bom dia também.

Ela suspirou desanimada e se preparou para entrar na sala do loiro. Abriu a porta lentamente e colocou apenas a cabeça para dentro. Ele resmungava na sala, podia ouvi-lo do lugar que estava. Ainda estava bravo. Ela riu baixinho e bateu de leve na porta, para chamar a atenção dele e se certificar que ele não estaria com pensamentos assassinos a seu respeito.

- O que quer aqui? – ele falou, num suspiro de irritação.

- O velho... – Shaka lançou um olhar muito, muito feio para ela. – Er... Digo, senhor Dohko me mandou aqui para pegar alguns papéis com você.

- Então sente e espere. – Shaka se voltou para o computador. – Estou terminando aqui.

- Mais que diabo! – Yuki quase gritou, entrando na sala arrastando os pés e se jogou no sofá perto da janela. – Por que ele mesmo não veio buscar, então? Que droga!

- O que está falando, Mitsui?

- Nada que seja da sua conta. – ela foi grossa. – Acabe logo isso que quero ir embora daqui.

- Irritante, menina irritante. – Shaka murmurou, baixo.

Ela rodou os olhos e passou a olhar pela janela a bela vista de Tóquio. Contudo, não conseguia ficar sem olhar para o loiro alto. Ele era tão lindo que mesmo que tentasse evitar, seus olhos castanhos queriam ficar postos sobre Shaka. Passou a olhá-lo, analisando-o, mas desviava o olhar quando ele fazia menção de se virar. Certo que não era do tipo tímida, mas seria incômodo ser vista olhando-o.

O tempo foi passando e Yuki estava cada vez mais entediada, irritada, faminta, cansada, desanimada e querendo matar o pai e Shaka também – principalmente o loiro. Parecia que fazia de propósito demorar a terminar a droga do trabalho. Droga, se ele não fosse tão bonito, apertaria o pescoço dele até matar, mas seria um desperdício matar um homem tão bonito, então era melhor se controlar.

- Onde posso pedir um lanche? – Yuki se levantou e caminhou até ele, alisando o estômago. – Estou com fome.

- Tem uma lanchonete na rua de trás que entrega. – Shaka falou, sem desviar os olhos do trabalho. – Acho que a secretária lá de baixo em o número, no ramal zero, ligue para ela e peça... Desde que não coma dentro das salas.

- Ora, por que não? – ela piscou, com a mão no telefone da mesa que ele estava.

- Vai sujar tudo.

Ela rodou os olhos, assim que um gota que se formara na cabeça dela sumiu.

- Você é realmente anormal. – ela falou, apertando o número do ramal e falou com a mulher, desligando em seguida. – Que inferno! Ela não tem número algum.

- Então fique com fome. Mais alguns minutos não vão matá-la.

- Não é porque você seja louco que eu tenha que ser também. – ela fez uma carranca. – Você tem mais dez minutos para terminar isso, ou vou embora e você vai ter que levar isso na minha casa e entregar para meu pai.

Ele fez cara feia e acelerou o trabalho, para acabar mais rápido. Yuki riu da cena e voltou a olhar pela janela, desinteressada. Dez minutos se passaram e ela se levantou, pronta para ir embora, como avisara que fazia. Aproximou-se da mesa e viu o rapaz imprimir os papéis, colocando em seguida em um envelope branco, com o logotipo da empresa que trabalhava estampado na lateral direita.

- Aqui está, apressadinha. – Shaka colocou no envelope e o estendeu para ela. – Tome cuidado para não perder ou amassar. Deu um trabalho imenso fazer isso.

- Eu não sou retardada, senhor perfeitinho. – Yuki retrucou, colocando o envelope dentro do livro. – Finalmente, poderei ir embora.

- Eu digo o mesmo. – Shaka falou, levantando-se e alongando o corpo... E que corpo! – Por causa do seu pai, estou aqui desde as seis da manhã.

- Problema seu. – Yuki riu.

- Você é tão grossa.

- E você é tão chato.

Eles suspiraram desanimados.

- Eu já vou. – Yuki falou, virando-se para sair. – Espero que não o veja tão cedo mais.

- Eu digo o mesmo.

- Não seja bobo, seu que adorou me ver de novo... – Yuki brincou, rindo.

- Eu... – Shaka ficou levemente corado, sem graça... E a fez pensar que talvez ele estivesse mesmo adorado vê-la... “Que besteira!”, ela riu de si mesma mentalmente. Ele desconversou em seguida, virando-se para arrumar a mesa. – Não disse que estava indo embora?

- E estou. – Yuki acenou e saiu em seguida, a rápidas passadas, querendo chegar logo à lanchonete e comer, antes que desmaiasse de fome e tivesse que ser carregada pelo Shaka para o hospital... Ela riu, divertira com o pensamento. – E isso não seria nada mal...

Ainda perdida em pensamentos em torno do loiro alto, ela caminhou sem pressa pela rua para a lanchonete. Entrou, sentou e pediu o lanche. Também não tinha pressa em chegar em casa. Só de pensar que teria que ouvir o pai reclamando pela demora e ouvir aqueles empregados chatos da mansão perguntando se precisava de alguma coisa, sentia-se desanimada em voltar para casa. Então, para que se apressar, não era mesmo?

Ela mal esperava o momento de completar a maioridade e poder ir morar sozinha. Toshiro nem queria que ela fosse morar sozinha, mas como ela queria, permitiu, contudo, apenas depois que completasse 21 anos... Bem, pelo menos não faltavam nem três anos mais... Olhara até o apartamento que moraria... Mal conseguia esperar por aquele momento!

O celular tornou a tocar a bolsa e não teve como não atender. Passara a tarde toda evitando isso, mas uma hora ou outra, teria que falar com o pai. Atendeu e falou com ele... Blá, blá, blá, de sempre e desligou. Era para ir embora. Grande novidade. Precisava dela para ajudá-lo com o trabalho e precisava aqueles malditos documentos que o loiro arrumara para ele. Irritante, aquilo era irritante.

Ela suspirou desanimada e pegou as coisas na mesa, caminhando em direção ao ponto de táxi, pois precisava chegar rápido em casa porque o pai mandara e se sentia cansada para levar horas até chegar em casa de metrô. Um minuto depois, ela entrara no carro, seguindo em direção a sua casa. Nem vinte minutos depois, o taxista parara frente a uma imensa mansão em um dos bairros mais ricos de Tóquio. E, pela cara que ele fez, arrependera-se se não cobrar mais pela corrida.

Yuki entrou na casa e foi diretamente para o escritório do pai – o qual ele passava a maior parte do tempo quando estava em casa. Abriu a porta após bater e entrou. O senhor lia alguma coisa, sentado na poltrona frente a uma lareira inutilizada, no momento. Pegou o livro e o abriu, para entregar o envelope para o pai...

Mas... Mas... Onde estava o maldito envelope?! A face morena dela ficou subitamente pálida e a boca secou. Deus do céu, o envelope não estava mais lá! Ele sumira, sumira! O pai a mataria, certamente. Por Deus, como conseguira perder aquilo?! Com a expressão ainda em choque, ela olhou para o pai, que estendeu a mão para pegar o envelope.

- Yuki? – ele falou, estreitando os olhos. – Algum problema?

- N-nada... – ela mentiu, forçando o cérebro a pensar em uma desculpa a mais rápido que fosse possível. – E como o senhor está? Parece tão disposto hoje... – ela deu um sorriso forçado, tentando parecer calma. – Animado...

- Yuki. – ele falou, sério. – Eu preciso daquele papel para acabar um trabalho. Pare de besteira e me entregue de uma vez.

- Que isso, pai. – ela falou, gesticulando com o livro na mão. – O senhor precisa relaxar um pouco. Está ficando com cabelos brancos e...

- Mitsui.

Ela franziu o rosto. O pai ficara bravo, muito bravo. Chamava-a pelo sobrenome apenas quando estava a ponto de arrancar o fígado dela e comer cru. Possivelmente, ele percebera que algo havia acontecido com os papéis, afinal, não fora a primeira vez que perdera alguma coisa dele e sabia que não seria a última. Yuki respirou fundo e se preparou para dar aquela notícia trágica, pedindo mentalmente para que continuasse viva depois daquilo.

- Eu... Não... Faço idéia de onde o envelope está! – ela despejou de uma vez, não querendo nem encarar mais o pai. – Foi sem querer.

- Sai da minha frente. – o senhor falou, quase cuspindo fogo. – Vá para seu quarto e não saia de lá. Está de castigo.

- O quê?! – ela parecia incrédula. – Não tenho mais idade para ficar de castigo.

- Também não tem mais idade para ser irresponsável.

Ela apenas o encarou, num misto de raiva e desafio.

- Agora, Mitsui.

Yuki bufou e saiu pisando duro, batendo a porta com força e subindo para o outro andar da casa. Trancou-se no quarto e arremessou a bolsa na parede. O livro foi jogado na cama e ela se sentou nesta depois. Socou a parede, como sempre fazia quando queria gritar aos quatro ventos que ficara furiosa, mas apenas se calara. Perdera as contas de quantas vezes socara a parede, parara por sentir a mão arder.

Jogou-se de costa na cama e olhou o teto branco. A mão latejava intensamente, mas não se importou. Ela se virou na cama e pegou o controle remoto da televisão, ligando o DVD para tocar o show da banda que mais gostava. Quem sabe conseguiria se acalmar um pouco, não era mesmo? Se bem que com a raiva que estava, ainda que os próprios cantores aparecessem em sua cara, ela ainda ficaria raivosa.

Ela rosnou e socou com a outra mão o livro... Quando viu o desenho de Shaka. Pegou e observou por alguns minutos longamente, detalhadamente. E, de uma maneira misteriosa, sentiu-se mais calma. O ar gentil e educado que ele emanava era forte o suficiente para deixá-la mais calma. Com um sorriso no canto dos lábios, ela puxou o travesseiro para tentar dormir um pouco, sem parar de olhar para o desenho.

Como poderia vê-lo agora que estava de castigo? Ela gemeu com a possibilidade. Queria vê-lo de novo. Está certo que Shaka era paranóico e louco, mas mesmo assim, era lindo e gentil... E queria muito vê-lo de novo. É, e o veria, nem que tivesse que fazer uma “Tereza” e fugir pela janela... Ou seu nome não era Mitsui Yuki!

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