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Disclaimer: Inuyasha é propriedade de Rumiko-sensei. Faço este fic sem fins lucrativos, apenas por diversão.
Missin’ Melody
Capítulo Dois: Xadrez
Presente de Amigo Secreto para
Revisado por Palas Lis
Já fazia duas semanas inteiras que estava freqüentando aquela enorme mansão dos Taisho para dar aulas particulares de Piano ao jovem primogênito – e filho único – da família. O trabalho na grande casa não atrapalhava em nada o seu trabalho no hospital como enfermeira e sempre que se atrasava podia compensar com horas extras nos finais de semana ou nos dias que não ia dar aula ao jovem Sesshoumaru.
Depois de tanto tempo tentando estabelecer um contato além das teorias de piano, Izayoi tinha desistido de tentar entender o jovem garoto que descobrira ter apenas onze anos de idade. Ele estava sempre calado, apenas fazia o que ela mandava com as partituras e as novas melodias que aprendiam juntos, mas estava sempre distante. Não sorria, não parecia nem mesmo se divertir.
Durante aquele tempo, aprendera que aquela personalidade se devesse, talvez, ao fato do jovem ter perdido a mãe cedo, mas estava começando a achar que o pai também poderia ter culpa naquilo. Duas semanas e nem sequer trocara olhares com o dono da casa além do primeiro dia que estivera ali. Sempre conversava com Kaede ou Myouga ou até mesmo o motorista que sempre a pegava em casa e depois deixava no hospital, mas jamais trocara sequer um “oi” com o tal Reizo Inu Taisho.
Era uma quarta-feira e tinha saído do hospital direto para casa, depois de dar as duas horas de aula a Sesshoumaru, que, por sinal, estava aprendendo incrivelmente rápido. Não se impressionou quando entrou na loja, subindo logo as escadas para o primeiro andar, e encontrou o pai sentado numa confortável poltrona na frente da televisão.
– O senhor não tem jeito. – Izayoi sorriu, deixando a bolsa numa mesinha de centro e sentando-se no sofá ao lado da poltrona do pai. – Devia estar dormindo, já está tarde.
– Estava sem sono. – o senhor respondeu, desviando a atenção da televisão. – Como foi a aula hoje?
– O senhor sempre pergunta isso e eu acabo respondendo a mesma coisa. – Izayoi acomodou-se melhor no sofá, descalçando os sapatos sociais brancos. – A aula foi ótima. Sesshoumaru é um garoto incrível, sabia? O senhor ia gostar de ver como ele aprende rápido.
– Você o elogia tanto. Deve ser mesmo muito inteligente. – o senhor respondeu.
– Mas ele é muito fechado. – Izayoi completou, com um suspiro pesaroso. – Ele nunca conversa nada por mais que eu tente puxar algum assunto, e ele só tem onze anos. Devia ser mais extrovertido para uma criança da idade dele.
– Você tinha comentado que talvez ele seja assim por conta da perda da mãe. Ele é muito novo e não aceitaria isso com facilidade. – o senhor Matsumoto respondeu.
– Eu sei, eu sei. – Izayoi respondeu, deixando os sapatos bem arrumados ao lado do sofá e apoiando os cotovelos nas pernas, curvando-se para frente. – Sabe, estou começando a achar que o pai dele também não ajuda. Ele parece nem ter tempo para falar com o próprio filho. Está sempre tão ocupado e tão distante dele. Eu mesma só o vi duas vezes até hoje. Uma vez de relance pela janela e outra vez no primeiro dia que dei aula lá.
– Iza, não julgue as pessoas desse jeito. – o mais velho a repreendeu. – Você só dá aula durante duas horas em que o pai dele provavelmente está no trabalho, então, é normal que você não o veja. Ele tem todo o tempo do mundo para ficar com o filho nos fins de semana e de noite.
– É, talvez o senhor tenha razão. – Izayoi concordou finalmente, parando por uns segundos para pensar naquela possibilidade. Era com certeza a razão mais óbvia a se pensar, mas se isso fosse verdade, ainda não conseguia imaginar porque o garoto era tão frio e distante de todos, até mesmo dos empregados da casa ele parecia distante. – Eu acho melhor tomar um banho para jantar. Estou com fome.
– Certo, certo. – o homem levantou-se da cadeira ao mesmo tempo que Izayoi. – E eu vou dormir.
– Boa noite, otou-san. – Izayoi beijou o homem no rosto e se abaixou para pegar os sapatos.
– Boa noite, Iza.
Ele seguiu para o quarto no final do corredor e fechou a porta ao entrar.
Izayoi ainda tomou banho e trocou de roupa para finalmente jantar e poder dormir. Era incrível como o ânimo daquele garoto não lhe saía da cabeça. Queria pensar em alguma coisa para tentar vê-lo sorrindo ou fazê-lo se divertir. Não conseguia pensar em nada sendo apenas a professora de piano dele. Ainda assim, tinha mais um dia inteiro até voltar à mansão dos Taisho para dar mais uma aula de piano para ele. Podia imaginar uma saída até lá. Naquele momento, queria apenas descansar.
A mulher passou a quinta-feira tão ocupada com os pacientes que pareciam ter subitamente ficado mais doentes e acabou não pensando em nada sobre a próxima aula de piano que teria com Sesshoumaru. Apenas lembrou-se do fato na tarde de sexta-feira, quando arrumava as coisas para ir até o hospital.
– Iza, o motorista está aí para levá-la. – o senhor Hiroshi esgueirou a cabeça para dentro do quarto da filha, observando-a arrumar as coisas do hospital.
– Motorista? – Izayoi virou-se para ele, parecendo confusa.
– A aula de piano… – o pai dela completou.
– Ah! Deuses, hoje já é sexta-feira, não é? – Izayoi colocou a mão na testa, lembrando-se do pequeno detalhe. Tinha passado a noite inteira no hospital e acabou esquecendo daquilo.
– Isso mesmo. Acho que está trabalhando demais.
– Não estou, não. – Izayoi respondeu, deixando as coisas do hospital de lado por um momento para então, pegar as partituras de piano que estavam numa mesa separadas. – Não se preocupe, otou-san.
– Certo, certo. Apresse-se, o homem está esperando lá fora. – o senhor disse, desaparecendo do quarto.
– Hai, hai.
Izayoi terminou de colocar as partituras na pasta e fechou a bolsa com a roupa do hospital. Calçou os sapatos e seguiu para fora do quarto, descendo as escadas. Seu pai estava lá embaixo, atrás do balcão da loja, olhando de relance para o homem que sempre levava Izayoi para a mansão e nunca falava nada.
– Até mais, otou-san. – Izayoi despediu-se dele, dando-lhe um beijo rápido no rosto e recebendo um “até” rápido em resposta.
Ela sorriu para o motorista e cumprimentou-o, entrando no carro e voltando a organizar as partituras que jogara de qualquer jeito na pasta. Suspirou cansada quando finalmente terminou de arrumar tudo.
– Parece cansada hoje, Izayoi-san.
Izayoi levantou o rosto para encarar os olhos do motorista pelo retrovisor. Demorou um pouco para associar as palavras dele e finalmente sorrir em resposta.
– Ah… não, não estou tão cansada. – ela respondeu, sorridente. – E já disse para não me chamar de Izayoi-san. Eu só acho que seria bom ficar em casa um pouco. Passei a noite inteira no hospital.
– Hm, realmente está precisando de descanso, Izayoi-san. – ele fez questão de repetir o modo formal de chamá-la, mas sorriu com a pronúncia.
– Não, as aulas de piano são meu descanso. – Izayoi respondeu, ignorando o chamado formal dele. – Quero conseguir fazer com que Sesshoumaru se divirta com as aulas.
– Acho que isso é um tanto quanto impossível. – Hiroaki riu da proposta.
– Ora, por quê? Ele é um garoto, tem que se divertir de vez em quando. – Izayoi comentou.
– Sesshoumaru-sama não se diverte. – Hiroaki respondeu, balançando a cabeça levemente para os lados. – Já tinha comentado antes que ele ficou assim desde que a mãe morreu.
– Ele é só uma criança, não pode ficar assim o resto da vida. – Izayoi retrucou.
– Eu não sei, acho que pode. – Hiroaki devolveu, quase como se eles estivessem apostando alguma coisa.
– Hum… eu tive uma idéia. – Izayoi comentou, animada, desviando os olhos da janela com a qual estivera entretida, minutos atrás.
– Ahn?
– Você precisa ficar na mansão essa tarde, Hiroaki-kun? – Izayoi perguntou, curvando-se levemente no banco.
– Bom… meu trabalho por enquanto é apenas buscá-la em casa e esperar até levá-la de volta. – Hiroaki respondeu, curioso. – Por que a pergunta?
– Você não precisa dirigir para Taisho-sama então? – Izayoi perguntou.
– Iie. – ele respondeu. – Quando você vem dar as aulas, Myouga-sama dirige para Taisho-sama.
– Então, acho que hoje poderemos mudar de ares um pouco. – Izayoi respondeu, animada.
– Eh?
– Vou pegar você emprestado um pouco, certo? – Izayoi propôs, sorridente.
– H-hai. – Hiroaki concordou, desconfiado sobre o que a mulher poderia estar pensando.
O resto do caminho eles comentaram poucas coisas avulsas, Izayoi estava com um sorriso estampado no rosto e olhava apenas a paisagem através da janela, pareceu mais empolgada quando entraram pelos portões externos da casa dos Taisho. Hiroaki estacionou o carro na frente das escadarias dos portões principais e saiu do carro para abrir a porta para Izayoi. Ela saiu do carro, levando apenas a pasta com as partituras e deixando a bolsa com suas coisas de enfermagem.
– Pode me esperar aqui? Eu não demoro. – ela disse, ao sair do carro, encarando um Hiroaki confuso.
– Não? Está bem.
Ela subiu as escadas e uma das empregadas abriu a porta. Parou no grande hall de entrada e logo Kaede apareceu para cumprimentá-la, como era usual.
– Konnichiwa, Izayoi-san. – ela cumprimentou, educadamente.
– Konnichiwa, Kaede-san. – Izayoi retribuiu o cumprimento.
– Bom, já sabe o caminho, mas ainda assim, insisto em acompanhá-la. – Kaede disse, começando a andar lado a lado com a mais nova para que subissem as escadarias.
– Eu agradeço. É bom ter companhia aqui. – Izayoi disse. – Kaede-san, eu queria pedir uma coisa hoje.
– Sim? Está precisando de alguma coisa para as aulas? – Kaede perguntou. – Algo com o piano?
– Iie… nada de errado. – Izayoi sorriu, balançando a mão em negação para reafirmar a resposta. – É que… eu queria tentar uma coisa diferente hoje.
– Diferente?
– É. Queria que desse permissão para que eu levasse Sesshoumaru para ter aulas na minha casa. – Izayoi propôs, parando diante da porta da sala onde o garoto já devia estar esperando.
– Mas… por quê…?
– É que acho que ele precisa mudar de ares um pouco. – Izayoi respondeu antes que Kaede tivesse a chance de completar a frase. – Ele sempre está com aquele ânimo para baixo e sempre muito distante. Queria tentar fazer alguma coisa para que ele se divertisse. Eu poderia dar a aula dele na minha casa, ele conheceria o meu pai e teria mais alguém para conversar. E também, posso levá-lo a algum lugar com Hiroaki depois da lição.
– Bom… eu não sei se é uma boa idéia. – Kaede disse, um pouco temerosa. – Precisaríamos da permissão de Taisho-sama e ele está numa viagem de negócios, mas ele chega hoje.
– Ah, Kaede, por favor. – Izayoi pediu. – Estou pensando no melhor para ele. Não fará mal que ele saia um pouco dessa casa, acho que Taisho-sama não seria contra alguma coisa que fizesse bem para o filho.
– Eu não sei. – Kaede persistiu com a idéia. – Taisho-sama é bem rigoroso.
– Vamos lá, Kaede, eu sei que também gosta muito do Sesshoumaru, então, vai me ajudar nisso. – Izayoi insistiu novamente. – E se Taisho-sama comentar alguma coisa, pode colocar a culpa em mim e deixar que ele me demita. Não tem problema, pelo menos terei conseguido alguma coisa para melhorar o ânimo do filho dele.
– Hai, hai. – Kaede finalmente cedeu. – Por mim, tudo bem, pode levá-lo. Mas aposto um doce como não consegue fazer Sesshoumaru-sama se sentir melhor.
– Vou torcer para ganhar essa aposta. – Izayoi sorriu e finalmente bateu na porta da sala de música, para poder entrar.
Quando fechou a porta, nem teve tempo de cumprimentar o garoto, quando ouviu a voz dele.
– Está atrasada. – ele disse, sentado de frente para o piano, sem ao menos se virar para confirmar que era Izayoi que tinha entrado.
– Eu sei. Desculpe-me. – Izayoi falou. – Mas, hoje eu pensei numa coisa diferente para a nossa aula.
Ela só percebeu que ele tinha consentido para que ela continuasse quando o jovem se virou para encará-la.
– Eu pensei em termos aula num lugar diferente. O que acha? – ela propôs.
Sesshoumaru não respondeu, apenas arqueou as sobrancelhas de um modo interessante que parecia caracterizá-lo perfeitamente.
– Vamos lá. – Izayoi incentivou-o. – Você está precisando sair um pouco dessa sala. Vai ser divertido.
– Sair? – Sesshoumaru indagou.
– Isso mesmo, venha. – Izayoi aproximou-se dele e segurou o seu pulso. – Estou dizendo que vai ser divertido. Não vamos demorar.
Sesshoumaru não protestou, assim como não consentiu em voz alta. Ele seguiu com Izayoi calmamente, despreocupado e com a mesma expressão vazia de sempre.
Ela passou com o jovem por Kaede e desceu as escadas, despedindo-se dos empregados que encontrava. Então, chegou até o carro e Hiroaki imediatamente abriu a porta do carro ao ver Sesshoumaru descendo as escadarias, acompanhado de Izayoi. O garoto entrou primeiro no carro e antes que Izayoi entrasse, Hiroaki chamou sua atenção, parecendo um pouco espantado.
– Izayoi-san… para onde estamos levando Sesshoumaru-sama? – Hiroaki perguntou, parecia até temeroso de ter visto o garoto entrar no carro.
– Vamos voltar pra minha casa. – Izayoi disse. – Vamos ter aula de piano lá, e depois pensamos por onde podemos parar um pouco antes de voltar pra casa.
– Mas… mas Taisho-sama não autorizou a saída de Sesshoumaru-sama de casa. – Hiroaki falou, agoniado com a idéia.
– Não tem problema. Sesshoumaru precisa sair um pouco, eu falei com Kaede. – Izayoi respondeu.
– Mas você não entendeu. Taisho-sama já deixou estritamente esclarecido que Sesshoumaru-sama só sai para aulas de Kendô e para o colégio e atividades relacionadas. – Hiroaki completou.
– Que é isso, não vai fazer mal sairmos uma vez. E Sesshoumaru vai ter as aulas de piano dele. Temos um piano na minha casa. – Izayoi disse, já entrando no carro.
– Taisho-sama vai me matar por isso. – Hiroaki comentou consigo mesmo, fechando a porta do carro e logo depois, seguindo para o lado do motorista.
– Não precisa se preocupar, Sesshoumaru. Vamos ter as aulas de hoje, mas você precisa se distrair um pouco. – Izayoi disse, quando o carro começou a se movimentar.
– Não importa. – foi a única coisa que Sesshoumaru falou antes de virar o rosto para encarar a janela fechada do carro. Não parecia muito empolgado com a idéia, na verdade, não parecia empolgado com nada.
Izayoi suspirou. Pelo visto não seria mesmo muito fácil fazer o garoto se divertir.
Todo o caminho até a casa dela foi praticamente em silêncio. Sempre que ela tentava conversar alguma coisa com Sesshoumaru, ou ele respondia com monossílabos ou sequer respondia. Não desviava os olhos da janela e até mesmo Hiroaki balançava a cabeça de maneira pesarosa ao ver as tentativas frustradas de Izayoi.
Eles finalmente alcançaram a loja onde Izayoi morava e Hiroaki correu para abrir a porta do lado que Sesshoumaru estava. Quando ele desceu, Izayoi pegou sua bolsa do hospital e a pasta com as partituras para fazer o mesmo. Hiroaki rodeou o carro para abrir a porta para ela também.
Sesshoumaru estava parado ao lado da porta, olhando para a loja de instrumentos através da vitrine enquanto Izayoi descia.
– O que achou? – Izayoi perguntou e antes mesmo de dar tempo para que ele respondesse, continuou a falar. – Pode ir entrando. Se quiser, dê uma olhada nos outros instrumentos musicais, pode se interessar.
Sesshoumaru olhou para ela por uns segundos e meneou a cabeça positivamente, então, entrou na loja, escutando o barulho do sino ao abrir a porta.
Izayoi suspirou quando Sesshoumaru se afastou. Hiroaki sorriu e cruzou os braços diante do corpo.
– Viu o que eu disse? Não vai ser fácil fazer esse garoto se divertir com alguma coisa. – ele falou, convencido.
– Não custa nada tentar. – Izayoi disse, dando de ombros. – Não vai entrar?
– Depois. – Hiroaki disse, afastando-se do carro. – Preciso primeiro estacionar o carro em outro lugar.
– Hai.
Hiroaki entrou no carro e deu partida enquanto Izayoi entrava na loja. Ela deu alguns passos para ver Sesshoumaru parado diante do balcão, encarando o senhor que estava do outro lado.
– Está procurando alguma coisa, rapaz? – o senhor perguntou, com um sorriso no rosto.
– Otou-san. – Izayoi chamou a atenção dos dois para si. – Este é o Sesshoumaru de quem eu falei.
– Oh… é um prazer conhecê-lo, meu jovem. – Hiroshi estendeu a mão para cumprimentar Sesshoumaru. – Iza me falou muito de você, disse que era bom no piano.
– O prazer é meu. – ele respondeu educadamente, mas a expressão continuava a mesma. – Eu sou Sesshoumaru Taisho.
– Meu nome é Hiroshi Matsumoto. – o pai de Izayoi se apresentou também.
– Otou-san, viemos praticar piano aqui hoje, se o senhor não se importar. – Izayoi disse, indicando o piano que estava a alguns passos de distância.
– Jamais me incomodaria. – ele se afastou do balcão e se sentou numa das cadeiras. – Fiquem à vontade.
– Então, vamos lá, Sesshoumaru? – Izayoi sorriu para ele e indicou o banco diante do piano de cauda.
Os dois sentaram lado a lado e ela colocou algumas partituras no apoio do piano. Aos poucos, começou a explicar a parte teórica, enquanto o senhor apenas observava. Hiroaki voltou poucos minutos depois e ficou conversando em voz baixa com o dono da loja. Depois que Izayoi explicou a parte teórica, começou a instruir o garoto em como tocar as novas melodias que tinha preparado.
Até mesmo Hiroshi, que estava acostumado de muitos anos atrás a ouvir sua falecida esposa ensinar a filha a tocar, ficou impressionado com a rapidez com que o garoto conseguiu reproduzir as notas das partituras. Errou poucas vezes e eram erros quase que imperceptíveis, mas até mesmo ele percebia aquilo e fazia questão de voltar do começo para reparar o erro. Mas mesmo voltando a partitura inteira… ele só precisou recomeçar a música duas vezes até conseguir tocá-la com perfeição.
Hiroaki, Izayoi e Hiroshi bateram palmas quando ele terminou de tocar a música e, naquele momento, quando Sesshoumaru virou o rosto, atraído pelo som das palmas, a mulher teve a ligeira impressão de que uma expressão surpresa tinha perpassado o rosto do garoto.
– Você é realmente impressionante, criança. – o pai de Izayoi fez questão de comentar, chamando a atenção de Sesshoumaru. – É até melhor do que Iza costumava ser mesmo tendo estudado desde antes de aprender a andar.
– Não fale essas coisas, otou-san. – Izayoi disse. – E você foi ótimo, Sesshoumaru. Acho que em uma semana não precisarei explicar mais nada pra você.
– Arigatou. – ele respondeu simplesmente, voltando os olhos para o teclado.
– Agora então… vamos tentar essa melodia aqui. – Izayoi disse, mudando as partituras. – Essa você nunca ouviu. Então, vamos ver como se sai.
Sesshoumaru olhou para as partituras, imaginando porque ela tinha tanta certeza de que ele não tinha ouvido e percebeu rapidamente o motivo quando viu o autor da melodia: Ichizu Matsumoto.
Ele correu os olhos rapidamente pelas notas enquanto os outros permaneciam em completo silêncio. Logo ele começou a tocar, os dedos infantis se moviam habilmente pelo teclado, produzindo um som quase que perfeito, uma melodia lenta e calma.
Daquela vez, ele não errou nenhuma nota e até mesmo Izayoi, que estava acostumada com a capacidade do garoto de aprender as partituras, impressionou-se com o que ele tinha conseguido.
Ele terminou de tocar a melodia e dessa vez os aplausos foram mais intensos por parte de Hiroaki e Hiroshi, mas Izayoi ficou parada, parecia que estava concentrada ainda no som da música se repetindo em seus ouvidos, era bom ouvir aquela música sendo tocada por outras mãos que não as suas.
– Isso foi realmente incrível. – Izayoi finalmente falou, desligando-se de seus pensamentos. – Tem certeza que ainda precisa de aulas de piano? Acho que se seu pai visse o que consegue fazer, não precisaria mais de mim.
– Preciso. – Sesshoumaru respondeu de uma maneira quase que imediata e desviou o rosto de Izayoi. – E meu pai não tem tempo para ver isso. – o tom dele pareceu ficar mais distante quando falou aquilo.
– Claro que ele tem. – Izayoi falou, mas sabendo que aquilo não tinha nenhum fundamento. Não tinha certeza se ele ao menos via o pai direito. – Quando não precisar mais das aulas, ele deve estar lá para ver.
– Não estará. – Sesshoumaru respondeu e continuava com os olhos fixos no piano.
– Hum… – Izayoi ficou sem palavras depois do tom decidido que ele usara para falar aquilo. – Acho que não precisamos ensaiar mais por hoje. Por que não vamos dar uma volta por aí? Você merece descanso depois de conseguir reproduzir as músicas com perfeição.
– Hai. – Sesshoumaru concordou com um aceno de cabeça e Izayoi sorriu satisfeita ao ver que pelo menos ele tinha concordado com uma palavra.
– Ah… mas antes, eu vou lhe dar um CD. – ela se levantou, deixando a pasta de partituras sobre o piano. – Acho que vai gostar de ouvir. Essa vai ser a sua nova lição. Vamos ver se é tão bom com os ouvidos quanto com as partituras. Terá todo o fim de semana para escutar e tentar tirar pelo menos uma das melodias, certo?
– Certo. – Sesshoumaru concordou novamente.
– Eu vou lá buscar o CD, volto num instante. – Izayoi seguiu pelo balcão e subiu as escadas. Andou apressada até o quarto, mas parou ao perceber que não fazia idéia de onde tinha deixado aquele CD.
Fazia tempo que não ouvia e também fazia um pouco de tempo que não dava uma geral no quarto. Precisou revirar todos os livros e estantes por pelo menos uns vinte minutos até encontrar o tal CD. Sorriu satisfeita e finalmente desceu as escadas. Parou quando desceu o último degrau, olhando para o balcão, onde havia um tabuleiro de xadrez montado e duas pessoas jogando, Hiroaki estava apenas observando, na expectativa.
Ela viu os olhos de Sesshoumaru correrem as várias peças que estavam no tabuleiro com rapidez e então, ele fez o movimento. Depois daquilo foi que Izayoi se aproximou dos dois, observando como estava a situação do jogo e as peças brancas com as quais seu pai jogava certamente não estavam em vantagem.
– Ah, Iza… estava demorando, então, convidei o jovem para uma partida. – o senhor se explicou.
– Ele ainda vai se arrepender por ter feito isso. – Hiroaki comentou.
– Não tem problema, quero ver o que vai acontecer agora. – Izayoi disse, feliz que Sesshoumaru estivesse se concentrando em alguma outra coisa. – Vamos lá, otou-san, é sua vez.
– Hai, hai.
O senhor concentrou-se na posição das peças do tabuleiro e fez mais um movimento. Foi então que Izayoi virou-se para encarar Sesshoumaru. Ele não precisou olhar para todas as peças, sabia exatamente qual delas mover e então, uma coisa que Izayoi imaginou que demoraria a ver: Sesshoumaru sorriu.
– Xeque mate.
– Oh, você perdeu, otou-san. – Izayoi sorriu mais largamente.
– Eu admito que nunca fui bom no xadrez, mas parece que não tem coisas que esse jovem não saiba. – o homem indicou Sesshoumaru.
– Eu não sabia que gostava de xadrez, Sesshoumaru. – Izayoi se virou para ele.
– Não tenho ninguém pra jogar. – Sesshoumaru disse e até mesmo Hiroaki estava se impressionando com a quantidade de palavras que o garoto tinha falado só naquele dia.
– Então volte mais vezes e posso tentar ganhar numa revanche. – o senhor Matsumoto propôs.
– Hai. – ele concordou.
– Bom, aqui está o seu CD. – Izayoi estendeu o CD para as mãos de Sesshoumaru. – Tente ouvir no fim de semana, se não tiver muita coisa para fazer.
Ele concordou acenando a cabeça e Izayoi soube que ele tinha voltado um pouco ao normal.
– Então? Vamos dar um passeio em algum outro lugar? – Izayoi propôs. – Temos tempo antes do anoitecer para levar Sesshoumaru-sama de volta para casa.
– Certo. – Hiroaki concordou. – Para onde vamos?
– Algum lugar, Sesshoumaru? – Izayoi perguntou, sem esperanças de que ele respondesse alguma coisa.
Depois de alguns minutos esperando alguma coisa por parte dele, desistiu que o garoto dissesse algum lugar e falou no lugar dele, ou pelo menos tentou.
– Então, podemos ir…
– O parque das Sakuras. – Sesshoumaru interrompeu-a de súbito, desviando os olhos do piano para encarar a mulher. – Podemos ir lá?
Tanto Izayoi quanto Hiroaki ficaram calados por um tempo, imaginando se tinham mesmo ouvido aquilo. Apenas quando Izayoi viu o garoto arquear as sobrancelhas por conta da demora foi que ela se lembrou da resposta.
– É… claro. Podemos sim. É seu dia hoje. – ela sorriu satisfeita. – Vamos indo então.
– Ja matta ne. – Sesshoumaru despediu-se de Hiroshi, curvando ligeiramente a cabeça numa reverência educada.
– Ja ne. – Hiroshi retribuiu. – Venha mais vezes.
O garoto apenas concordou com a cabeça e seguiu na direção da porta.
– Bom, até mais tarde, otou-san. – Izayoi se despediu também.
– Até outro dia, Matsumoto-sama. – Hiroaki fez o mesmo.
– Até. E tomem cuidado. – o senhor se despediu e voltou a concentração para as peças de xadrez para arrumá-las e guardar o tabuleiro.
Izayoi e Hiroaki saíram da loja e então o motorista lembrou que tinha estacionado o carro mais longe.
– Opa. Eu vou buscar o carro, esperem um minuto. – desculpou-se rapidamente e saiu correndo na direção de onde tinha deixado o automóvel.
Quando Izayoi se viu sozinha mais uma vez com Sesshoumaru e o silêncio pairou sobre eles, deixou que a curiosidade se mostrasse em uma pergunta.
– Por que exatamente o Parque das Sakuras? – ela perguntou. – Algo de especial que queira ver lá?
Sesshoumaru ficou calado diante da pergunta dela, como se não tivesse ouvido o que ela tinha dito. Estava com os olhos fixos na rua, no lugar onde Hiroaki desaparecera para buscar o carro. Izayoi desistiu de esperar a resposta quando não houve reação dele e também virou o rosto para esperar que o carro aparecesse no final da esquina.
– Foi o último lugar que fui com minha mãe antes dela morrer.
Quando aquelas palavras alcançaram os ouvidos de Izayoi, Hiroaki tinha estacionado o carro bem na frente da loja tinha descido para abrir a porta para os dois. Ela não teve tempo e não quis perguntar mais nada quando Sesshoumaru entrou no carro e sentou-se no banco traseiro. Sorriu para Hiroaki e fez o mesmo, entrou no carro e se acomodou, lançando um breve olhar para o garoto que mais uma vez desviava toda a atenção para a interessante janela.
Eles demoraram um pouco para chegar ao tal parque, e mais uma vez o silêncio prevaleceu entre os três. Daquela vez, Izayoi sequer tentou puxar assunto com Sesshoumaru. Estava ainda pensativa e confusa que ele tivesse respondido sua pergunta de maneira tão espontânea.
Quando Hiroaki estacionou o carro, Sesshoumaru ainda ficou parado por um tempo, olhando a paisagem através da janela.
– Chegamos. – Izayoi chamou a atenção dele e o garoto se virou quase como se estivesse assustado com a voz dela. – Você pode ir.
Sesshoumaru se virou e saiu do carro sem esperar que Hiroaki abrisse a porta, como sempre. O motorista precisou apenas abrir a porta para Izayoi e os dois fitaram Sesshoumaru enquanto ele caminhava lenta e despreocupadamente ao longo do gramado verde, evitando se aproximar de outras crianças ou pessoas que estivessem passando por lá naquele momento.
– Estranho Sesshoumaru-sama ter decidido vir para cá. – Hiroaki disse, ao lado de Izayoi, estavam encostados no carro, apenas observando o garoto.
– Por quê?
– Ele nunca pediu pra sair de casa antes. Nunca dá opiniões sobre lugares a ir ou coisas parecidas. – Hiroaki respondeu, dando de ombros.
– Quantas vezes esse garoto saiu pra se divertir? Pra um parque de diversões? Pra um zoológico, aquário… sei lá, alguma coisa dessas em que os pais costumam levar os filhos? – Izayoi perguntou, como se fosse absurdo o motorista não saber para onde Sesshoumaru ia.
– Pais levarem os filhos? – Hiroaki respondeu. – Eu comecei a trabalhar na casa dos Taisho depois da morte da esposa de Taisho-sama, e acredite, eu não me lembro de ter visto Sesshoumaru-sama sair com o pai alguma vez.
– Isso é um absurdo, isso sim. – Izayoi disse, cruzando os braços diante do corpo. – Como um pai não pode ter tempo para o próprio filho? E um garoto como Sesshoumaru merece toda a atenção do mundo.
– É, mas acho que o senhor Taisho está mais ocupado dando atenção para os sócios do que para a família. – Hiroaki comentou. – E isso não é segredo para ninguém… você viu que até mesmo Sesshoumaru-sama concorda com isso.
– É, infelizmente eu vi. – Izayoi respondeu. – Bom, ainda temos tempo antes do meu horário de aula oficial acabar. Vou deixar Sesshoumaru dar uma volta e depois o procuramos para voltar pra casa.
– Como quiser, Izayoi-san. – Hiroaki concordou com um aceno de cabeça e encarou a expressão reprovadora da mulher. Como sempre, por conta do modo formal como a chamava, mas não podia evitar, até Sesshoumaru recebia o tratamento formal naquela mansão.
Hiroaki continuou do lado do carro e Izayoi afastou-se, começando a andar lentamente ao longo do pequeno caminho de ladrilhos do enorme parque. Pessoas passavam correndo acompanhadas, praticando exercícios físicos, outras se distraíam nos gramados, brincando com os filhos ou animais de estimação. Algumas mulheres conversavam sentadas nos bancos enquanto as crianças faziam bagunça nos brinquedos do parque. Outras tinham filhos mais novos em carrinhos de bebês e a maioria delas estava acompanhada.
Eram belas famílias, pais que brincavam com os filhos que deviam ter a idade de Sesshoumaru. Queria entender porque Reizo estava perdendo tudo aquilo. Não era mãe e também não sabia exatamente como era perder um membro importante da família, não tinha ficado viúva, mas tinha quase certeza de que jamais deixaria a vida do próprio filho passar despercebida aos seus olhos. Reizo Inu Taisho tinha se afastado demais e provavelmente tinha perdido mais do que apenas a esposa.
Izayoi parou de súbito quando seus olhos pousaram sobre a figura de Sesshoumaru. Franziu a testa com o que estava vendo e não podia acreditar naquilo. Ele estava sentado num pequeno balanço e, mesmo que não estivesse se balançando como as duas outras crianças que ocupavam as duas outras cadeiras, observava interessado a menina que estava ao seu lado. Ela era visivelmente mais nova que ele, tinha cabelos lisos e negros, os olhos também eram escuros e a pele era clara, como uma legítima japonesa. Ela o encarava e parecia conversar alguma coisa com ele. Mas ela sorria e se balançava, parecia se divertir, ao contrário do jovem dono dos cabelos prateados.
A menina deixou que o balanço parasse e começou a tentar impulsionar o balanço onde Sesshoumaru estava, mas não obteve muito êxito. Mesmo assim, e mesmo que Sesshoumaru quase não conversasse com ela, ela falava e continuava a sorrir animada.
Izayoi não resistiu quando um sorriso simples surgiu em seu rosto e logo deu meia-volta. Caminhou metade do caminho até onde o carro estava estacionado e precisou parar quando Hiroaki apareceu bem na sua frente, parecia incomodado com alguma coisa.
– Aconteceu alguma coisa? – Izayoi perguntou, quando o homem se aproximou dela.
– Aconteceu e não foi uma coisa boa. – Hiroaki disse, impaciente. – O senhor Taisho ligou. E pelo visto, não está nada feliz por Sesshoumaru-sama ter saído sem a permissão dele.
– Nós precisamos voltar? – Izayoi perguntou, não gostando muito da idéia de ter que ir chamar Sesshoumaru quando ele estava começando a se entender com as outras crianças de sua idade.
– Com certeza. Pelo contrário, já devíamos estar lá. – Hiroaki falou, realmente parecendo temeroso.
– Certo. Eu vou chamar Sesshoumaru então. – Izayoi disse, se virando para o lugar onde Sesshoumaru ainda estava na companhia da pequena garota.
– Eu vou esperar no carro. – Hiroaki disse, seguindo na direção oposta de Izayoi.
Izayoi andou um pouco na direção de Sesshoumaru e parou antes que pudesse chamar a atenção dos outros garotos. Era quase como se não quisesse invadir o espaço deles. Esperou por uns momentos até que o jovem de cabelos prateados notasse sua presença e, então, meneou a cabeça levemente, indicando que era hora de irem embora.
Ele desviou os olhos e disse algumas poucas palavras para a jovem, então, ela ainda segurou sua mão e ele pôde se afastar até alcançar Izayoi.
– Desculpe por interrompê-lo. – Izayoi sorriu quando ele se aproximou. – Mas temos que voltar agora. Seu pai ligou. Hiroaki pareceu um pouco nervoso com isso.
– Nossa. – Sesshoumaru começou a andar na direção do carro. Estava completamente inexpressivo mais uma vez.
– O que foi? É normal que seu pai se preocupe com você. Acho que devíamos mesmo ter avisado que íamos ter aulas fora. – Izayoi disse, andando lado a lado com o garoto bem mais baixo que ela.
– Não é normal ele perceber que não estou em casa. – Sesshoumaru completou e apressou o passo um pouco, a expressão dele tinha se contorcido em um pouco de raiva, pelo que Izayoi conseguira ver antes que ele alcançasse o carro.
Hiroaki abriu a porta e deu espaço para que ele entrasse, em seguida, Izayoi o fez e mais uma vez viu que ele estava distraído com a janela ou a paisagem além desta. Sesshoumaru devia ser mesmo muito viciado nos vidros da janela ou coisa parecida. Mesmo que ele não quisesse conversar, não precisava ficar encarando a janela o tempo inteiro.
Izayoi suspirou, sabendo que não tinha chance de fazê-lo desviar a atenção da janela, mesmo que tentasse começar com algum diálogo. Mas virou o rosto rapidamente quando ouviu a voz de Sesshoumaru.
– Podemos… – ele continuou olhando para a janela, uma das mãos dentro do bolso da calça. – Será que podemos ter aulas na sua casa de novo?
– Ahn…? – Izayoi ficou encarando-o, mas ele não desviava os olhos da janela. Queria saber o motivo da súbita pergunta, mas também sabia que ele não responderia.
– Assim eu posso… jogar xadrez de novo. – Sesshoumaru completou, deixando Izayoi suficientemente impressionada para que ficasse de boca aberta.
– É claro que podemos. – Izayoi sorriu, depois que o espanto passou. – Como você quiser.
Depois daquelas palavras, Sesshoumaru não falou mais nada e demorou quase trinta minutos para que chegassem à mansão dos Taisho, mas o relógio de pulso da mulher ainda nem marcava cinco e meia da tarde. Entretanto, ela precisava chegar logo no hospital para cumprir sua carga horária e não ter que fazer hora extra durante a noite.
Quando o carro parou diante da escadaria para os portões da grande casa, Hiroaki saiu para abrir a porta. Sesshoumaru desceu primeiro e Izayoi logo em seguida.
– Ainda vai para o hospital, certo, Izayoi-san? – Hiroaki perguntou.
– Hai. – Izayoi confirmou. – Vou apenas levar Sesshoumaru e falar com Kaede. Pode esperar só uns minutos.
– Claro.
Izayoi acompanhou Sesshoumaru que estava subindo as escadas de os empregados abriram a porta para os dois. Eles pararam diante da escadaria e Izayoi chamou a atenção do garoto.
– Não se esqueça de praticar com o CD que lhe dei. – Izayoi falou. – E acho que nos vemos na segunda agora.
– Hai. – Sesshoumaru concordou com a cabeça e quando Izayoi estava preste a se despedir, ouviu uma segunda voz mais grave invadir o ambiente.
– O que achou que estava fazendo?
Ela se virou, tal como Sesshoumaru, para as escadarias, por onde descia um homem alto e de cabelos prateados, como os de Sesshoumaru, o qual ela só tinha visto duas vezes até então. Ele estava vestido uma roupa social, com colete cinza sobre a camisa branca, calça da mesma cor do colete e sapatos sociais pretos. Só faltava o terno para que Izayoi encarasse a única figura que conhecia do pai de Sesshoumaru. Olhou direto nos olhos dele, os dourados que tanto lembravam os olhos do filho demonstravam uma certa agressividade que passava longe dos de Sesshoumaru.
– Taisho-sama… – Izayoi tentou falar com ele, o homem dava passadas largas depois de terminar de descer os degraus para poder alcançar a mulher.
– Quem lhe deu permissão para levar o meu filho para fora de casa? – ele parou diante dela, a figura era imponente e intimidadora, mas Izayoi não podia se deixar intimidar por ele… um homem que nem parecia se importar com a única família que tinha. Ele colocou uma mão sobre o ombro de Sesshoumaru que encarava reto, não levantava os olhos e nem virava o rosto para observar o pai.
– Taisho-sama… eu falei com Kaede para que pudesse levar Sesshoumaru…
– Sesshoumaru, suba. – Reizo não se importou em esperar a explicação da mulher, cortando-a bruscamente. – Espere no quarto até o jantar.
– Hai. – Sesshoumaru virou-se e evitou colocar os olhos no mais velho, apenas fez o que ele mandou, calado.
– Eu achei que tinha ficado claro que a tinha contratado para dar aulas de piano ao meu filho. – Reizo falou, de maneira severa, não deixando de encarar Izayoi nos olhos.
– Eu sei, mas Sesshoumaru teve as aulas de piano, eu só pensei em mudar um pouco de ambiente… – Izayoi começou a explicar, mas o homem parecia ter um dom sobrenatural de não deixar as pessoas terminarem as frases.
– Você não pensa em mudar de ambiente. – ele cortou. – Você não pensa em nada com o meu filho, apenas faz o que é paga para fazer.
– Senhor Taisho, eu garanto que não houve nada de errado. Sesshoumaru aprendeu o que tinha de aprender hoje, apenas o levei para outro lugar… ele precisa mudar de ares um pouco, não pode ficar preso nessa casa o tempo todo. – Izayoi insistiu, não desviando o olhar do homem.
– Sesshoumaru não precisa de ninguém que o leve para ares diferentes. – ele continuou brusco. – Eu a contratei apenas para dar aulas de piano. Eu sei muito bem do que o meu filho necessita e você não precisa tentar ajudá-lo em nada.
– Taisho-sama… – Izayoi tentou argumentar mais uma vez.
– E no momento… – ele aumentou um pouco o tom de voz como se quisesse esclarecer que ainda não tinha terminado de falar. – Ele só precisa terminar as aulas de piano.
Izayoi ficou calada por uns segundos que se seguiram. Era uma pessoa calma e dificilmente se deixava levar por sentimentos de raiva ou irritação, mas era impossível continuar com toda a calma depois de escutar tudo o que o homem dissera. Ele ao menos a deixara se explicar, e não tinha educação o suficiente para não interrompê-la enquanto estava falando. Era completamente diferente de Sesshoumaru, com certeza.
– Você pode ir agora. – Reizo amenizou o tom de voz, mas seu olhar ainda era severo.
Ela continuou parada, sem falar nenhuma palavra, então, o homem se virou e estava seguindo na direção das escadas, mas antes que ele alcançasse o primeiro degrau, Izayoi tomou coragem para falar e chamar a atenção dele.
– Você devia ver o que Sesshoumaru consegue fazer com um piano. – ela disse, de súbito, e sem dar tempo para que ele tentasse interrompê-la, continuou: – Talvez não sejam de aulas de piano que ele precise. Talvez ele só precise de um pai, mas você parece não estar aqui para ver isso, não é?
Reizo tinha parado ao ouvir a voz da mulher, com a mão a meio caminho de alcançar o corrimão. Depois que ela terminou de falar, ele se virou, parecia estar tomando ar para falar alguma coisa em resposta ao atrevimento da mera professora de piano, mas quando seus olhos encontraram os dela, Izayoi continuou a falar, eliminando as chances até mesmo de ele interrompê-la.
– Eu preciso ir agora. – Izayoi fez uma reverência formal, voltando a encarar o homem depois. – Foi bom conversar com o senhor, Taisho-sama. Ja ne.
Ela se virou e saiu da casa antes que ele tivesse mais uma chance de começar a implicar. Suspirou aliviada quando estava descendo as escadas da entrada e logo alcançou o carro onde Hiroaki ainda esperava pacientemente.
– Algo de errado? – Hiroaki perguntou ao abrir a porta para Izayoi. – Demorou lá dentro.
– Nada demais. – Izayoi sorriu para ele. – Nada que eu talvez já não esperasse. Acho que não vou mais dar aulas de piano aqui.
– Como assim? – Hiroaki perguntou, confuso.
– Não devo ter passado uma boa impressão ao dono da casa. – Izayoi explicou. – Acho que estavam certos sobre ele, mas não importa. É melhor eu ir pra o hospital.
– Certo então. – Hiroaki concordou, fechando a porta e correndo até a porta do lado do motorista.
– Só lamento não poder levar Sesshoumaru para ter mais uma partida de xadrez de novo. – ela comentou consigo mesma, suspirando.
Agora que estava finalmente se aproximando do garoto, ao ponto de ele até comentar sobre a mãe, provavelmente Reizo jamais a deixaria chegar perto do filho de novo, e eles só tinham saído para um passeio durante duas horas, das quais, uma delas foi de aula.
Sorriu. Não lamentava nada o pouco tempo que tinha passado dando aula para Sesshoumaru. Ele era um ótimo garoto, e só tinha a péssima sorte de ter um pai como Reizo Inu Taisho.
– Você devia ser bem diferente quando tinha a sua mãe… – Izayoi comentou consigo mesma, num tom de voz baixo o suficiente para que Hiroaki não ouvisse. Ela olhava o céu através da janela. – Talvez seu pai também fosse…
Final do Capítulo Dois
Voltei, povo! E nem demorei dessa vez... pois é.
Nossa, fiquei impressionada com a quantidade de pessoas que aceitou esse casal. Estou gostando de trabalhar com eles, são interessantes e me lembram SessRin. XD Mas o Taisho-pai é mais volúvel que o filho XDDD - doida -
Enfins... eu vou deixar mais claro aqui que mesmo com o romance, o que vai influenciar muito é essa coisa da relação da família, oka? Bom, espero que vocês gostem do desenrolar da fic.
Agradecimentos especiais à Palas Lis, Josiane Veiga, Cassia-chan, 1 e queenrj pelos reviews. Adorei todos e em breve, responderei.
Agora eu tenho que correr... kissus a todos, e espero não demorar na volta.
Ja Ne!