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: B s . A A A    : full 3/4 1/2   : E E   : Light Dark Books » Harry Potter » Dias Passados Para Sempre na Memória

Silverghost
Author of 39 Stories

Rated: T - Portuguese - Drama/Fantasy - Reviews: 9 - Updated: 07-14-08 - Published: 01-01-08 - Complete - id:3985225

Eis o final de Para Sempre na Memória.

Resolvi postar tudo que faltava de uma tacada só.

Estranho é que eu estou indecisa se a publicação dessa fic aqui no FF foi um tremendo fracasso ou um enorme sucesso.

Por que?

Bem, ao mesmo tempo que ela teve apenas 7 comentários em seus quase 30 capítulos, cada vez que eu ia pegar um capítulo novo nos arquivos do Expresso (porque ficava mais fácil e rápido que separar no arquivo único que tenho), algumas vezes me deparava com novos comentários nessas postagens originais.

E, muita gente acabou descobrindo o Expresso por causa de Dias Passados aqui no FF, pela curiosidade para saber como a história finalmente acabava. Mas, no fim das contas, acabaram se tornando leitores fieis do Expresso e, alguns, até mesmo de Amaterasu.

É... acho que vou ser otimista. No fim das contas, foi mesmo um sucesso...

E agradeço a vocês pelo retorno, aqui, no Sétimo Selo, no Expresso.

Estou com um projeto novo na cabeça que não é relacionado com Harry Potter...mas, estou deixando cozinhar a "fogo brando" na minha cachola... Talvez gostem, talvez não... não sei...

Qualquer novidade, postarei aqui para vocês.

beijos mil,

Ana

Epílogo - Para Sempre na Memória

Chovia torrencialmente naquela noite. Mesmo sendo protegido por um longo capote escuro e um chapéu do mesmo tom, o homem sentia as pesadas gotas adentrarem pelas brechas da roupa e empaparem a sua camisa. Mas ele chegara muito longe para simplesmente voltar para trás por causa de uma tempestade.

Alexander Sinclair desviou-se de uma grande poça que se destacava no chão lamacento. Levantou os olhos observando a placa de madeira que balançava inquieta, impulsionada pelo vento forte. A pintura descascada de um cavalo branco fazia contraste com a madeira escura, e letras vermelhas anunciavam o nome "The White Horse", diga-se de passagem, um nome não muito original para um pub. Mas aquele era o lugar. Foi o que disseram a ele na hospedaria. Aliás, a única pensão daquele minúsculo vilarejo do norte da Inglaterra. O ex-auror devia ter desconfiado que a pessoa que procurava poderia estar por aquelas redondezas, considerando que o lugar não era muito distante do antigo palacete dos Thorne.

A passos firmes cruzou a porta. Lá dentro o ambiente era escuro e abafado. Pendurou a capa e o chapéu em um gancho que ficava próximo da entrada. Não seria difícil encontrar quem buscava. O pub estava praticamente deserto. Aproximou-se do barman, que bocejava preguiçosamente enquanto limpava uma grande caneca de cerveja com um pano.

-Boa noite. - Alex disse, chamando a atenção do homem para si. Retirou do bolso uma foto do dia do casamento de Aldebaran e Frida. - Você viu este homem? O do canto esquerdo, abraçado a uma ruiva.

O barman apenas indicou com a cabeça. Sinclair virou-se para o lugar apontado. Prostrado em uma mesa escondida, com várias canecas e garrafas ao seu redor, estava um homem, cabeça apoiada nos braços, cabelos completamente desgrenhados.

Alexander se dirigiu à mesa, sentando-se sem cerimônias. Mesmo assim, o outro homem não ergueu a cabeça, apenas murmurou, com uma voz alterada.

-Eu quero ficar sozinho...Já disse...

-Pois eu não pretendo sair daqui sem antes conversar com você, Nicholas. - Sinclair respondeu de modo firme.

Reconhecendo a voz de quem se aproximara, o escritor levantou parcialmente o rosto. Alex notou, então, o estado deplorável em que Nick se encontrava. Barba por fazer, olhos muito vermelhos adornados por profundas olheiras, e havia até mesmo algumas marcas no rosto, que indicavam que ele havia se metido em algumas brigas.

-Eu não vou voltar, Sinclair. - Johnson disse, quase seco - Não tenho por que voltar. Meri está sendo bem cuidada por Belle e Kamus. Eu não posso protegê-la...Eu só quero voltar para Betsy...Sei que virei o clichê mais patético de folhetins de segunda categoria...de coisas que eu teria vergonha de escrever, mas só quero que me deixem em paz.

Alexander continuou com os braços cruzados sobre o peito, sério, tentando imaginar o estado de desespero que levara o homem que tinha diante de si a abrir mão de toda a vontade de viver. Nicholas sempre pareceu a ele alguém otimista e entusiasmado, um pouco sonhador, mas não poderia culpa-lo. Talvez para alguém como Johnson, se casar com uma bruxa pudesse ter sido uma espécie de aventura como aquelas que costumava escrever. O golpe que o rapaz sofrera, somado ao amor que ele parecia dedicar à Elizabeth, devem ter sido excessivamente duro. Contudo, Alex não poderia ajudar Nicholas se ele não quisesse ser ajudado. Na realidade, o antigo auror estava ali por Meridiana. Era o bem-estar da sobrinha de seu falecido melhor amigo que realmente lhe importava.

-Muita coisa mudou desde que você partiu, Nicholas.- o bruxo começou a falar, mantendo o tom sério e neutro. - Rigel Ivory matou Anabelle Timms na mesma noite em que Kamus prendeu Ludovic. Depois disso, Kamus também sumiu como você fez. Mas eu acredito que por motivos diferentes dos seus.

Nicholas sentiu aquelas palavras o atingindo como uma descarga de eletricidade, fazendo com que erguesse a cabeça e o corpo por completo na cadeira. Deixando que a embriaguez cedesse lugar a um esboço de lucidez.

-Meridiana? Katrine? Elas estão bem? - ele perguntou, temendo pelo pior.

Alex assentiu.

-Elas estavam na casa dos pais de Anabelle quando tudo aconteceu. Desde então, os Timms têm cuidado das duas. Ou melhor, da neta deles. Faz alguns dias que decidiram entregar Meridiana para a adoção. Como eles não têm ligação alguma com ela, não vêem por que mantê-la ao lado deles.

Nicholas passou a mão pelos cabelos e depois pelo rosto, sem saber exatamente o que pensar diante de tantas revelações. Ele acreditava que a filha estava bem e segura durante todo esse tempo. Nunca imaginou que as coisas poderiam ter chegado àquele extremo.

-Minha filha...ela...onde... - ele balbuciou, sem conseguir conectar as palavras para expressar seus pensamentos. Mesmo assim, Alex conseguiu compreender o que ele desejava saber.

-Ela está comigo e com Gaby. - ele respondeu, de modo que tranqüilizasse Nicholas - Eu levei ela para minha casa quando soube da decisão dos Timms. Eu não poderia permitir que a sobrinha de Aldebaran fosse para a casa de qualquer pessoa. Eu conversei com Gaby. Caso você ou seu irmão não quiserem a menina, nós estamos dispostos a adota-la nós mesmos. Mas eu precisava saber sua posição antes de tomar qualquer providência.

Nicholas colocou as mãos no rosto, fazendo uma leve pressão nos olhos. Uma onda de terror tomou conta dele. A idéia de perder Meridiana, agora que tinha conhecimento de que Ludovic não era mais uma ameaça para eles, fez com que um desespero quase tão grande quanto o que sentira no dia da morte da esposa surgisse. Sua filha era a única coisa que lhe restara. Era o único pedacinho de Betsy que ainda existia no mundo. E sua menina precisava dele.

-Eu não concordo com o que está fazendo, Nicholas, não acho que sua esposa gostaria de vê-lo assim e acredito que sua filha ficaria melhor com você...- Alex continuou - mas eu ficaria feliz em cuidar de Meridiana como se fosse a minha filha, se você permitir.

-Não, Alex, não...- Nick balançou a cabeça algumas vezes. Embora a cabeça ainda estivesse pesada pela bebida e um mistura quase indistinta de sentimentos, seus pensamentos eram claros - Não...Eu agradeço, realmente agradeço, mas não...Eu estou voltando para casa.

Gabriella estava sentada no quintal da casa dos Sinclair com as duas meninas quando Nicholas e Alexander chegaram. Marianne e Meridiana brincavam em uma imensa toalha que a morena havia estendido no gramado.

Nicholas, com uma aparência muito melhor que na noite em que Alex o encontrara, se aproximou timidamente de onde estava a mulher. Deixou que o dono da casa o guiasse. O ex-auror aproximou-se da esposa, depositando um beijo em seus lábios. O escritor notou que o aspecto dela não estava muito bom desde a última vez que a viu. Parecia mais pálida e mais magra. Ele abaixou a cabeça ao lembrar-se do que Betsy lhe contara. Que tanto Gabriella quanto Alexander haviam sido amaldiçoados por um feitiço que os mataria lentamente no decorrer dos anos. Nick sentiu vergonha ao pensar que, apesar disso, apesar de saberem que iriam morrer em um futuro não muito distante, eles dois estavam dispostos a acolher a filha dele, enquanto Nick se deixou levar por um sentimento de auto-destruição e desesperança.

Gabriella sorriu ao vê-lo, cumprimentando-o com um leve menear de cabeça.

-Nicholas, que bom que voltou. - ela respondeu - Espero que não se importe se eu não me levantar, acordei um pouco indisposta hoje.

-Tudo bem - ele respondeu, retribuindo o sorriso.

-Meri, olha quem veio te ver - ela disse, voltando-se para a menina de cabelos vermelhos - O seu pai...

As duas meninas já olhavam para os dois homens que haviam chegado desde que entraram no quintal. Marianne havia se levantado e tentado correr, a passos curtos e tímidos de quem está aprendendo a andar, até Alexander. Já a ruivinha, fitava o pai com olhos pidões, como se de algum modo, apesar dos meses de separação, ainda conseguisse se lembrar dele.

Nick abaixou-se, pegando a sua menina no colo. Ela aninhou-se confortavelmente contra o peito dele, enquanto ele a beijava. O escritor sentiu uma comoção surgir, e, sem se importar com a presença de Alexander e Gabrielle, deixou que as lágrimas descessem pelo seu rosto. Como ele pôde acreditar que poderia viver longe da filha? Que era dispensável na vida dela? Ele realmente perdera parte da sanidade quando Betsy morreu. Agora percebia que a esposa desejaria que ele cuidasse da filha, que ele fizesse com que ela soubesse quem a mãe foi, que ele a educasse pelos dois. Elizabeth poderia esperar pelo dia em que iriam se reencontrar. Nicholas sentiu que também poderia esperar. No colo dele, ele tinha todos os motivos do mundo para querer continuar vivendo.

Nick parou de datilografar mais uma vez. Olhou de soslaio para a calendário em cima da mesa. Nove de junho de 1986. Estava tão preocupado com o prazo estipulado pelos editores para entregar o esboço do próximo livro que quase esqueceu que era seu aniversário. Não fosse Robert ter lhe ligado no começo da manhã para desejar os parabéns, talvez ele nem se lembrasse que naquele dia, alguns anos atrás, ele havia nascido.

Robbie perguntara se ele e Rebecca poderiam passar na casa de Nicholas mais tarde para comemorar, mas o escritor recusou a oferta, do mesmo modo que recusou o convite de Jack para saírem pelos mesmos motivos.

Pensou no irmão e na cunhada com carinho. Robert merecia o sucesso que vinha tendo na empresa. Sempre foi uma pessoa esforçada e competente, ficava feliz por ele ter o talento reconhecido. E mais contente pelo irmão e a esposa estarem tão bem juntos. O escritor também se sentia satisfeito com a situação de Jack Mercury. O amigo e ex-colega de universidade finalmente se assentara, e, apesar dos trancos e barrancos, a loja dele conseguia se manter. E Nick gostava de tê-lo novamente por perto, ter com quem conversar sobre coisas que não fossem "prazos editoriais, pautas, revisões, contratos e afins".

Mas naquele dia, por mais que gostasse de todos eles e os considerasse as pessoas mais significativas de sua vida, tudo o que Nick queria era ficar sozinho...Com seus escritos, mas, principalmente com suas lembranças.

Era neste dia de junho que ele se recordava do momento mais importante de sua vida. Pois foi em outro aniversário seu, quando ainda era um menino também desejoso de solidão, que seu destino se revelou a ele através das predições de uma cigana... A mesma cigana que ele descobriu, anos mais tarde, ter predito o mesmo para "a metade de seu coração". Era quase como se ele e Betsy estivessem destinados um para o outro muito antes de terem se conhecido.

As palavras de Adelajda, mesmo depois ter passado tanto tempo, ainda ressoavam vívidas em seus ouvidos: "Nunca te esqueças que teu destino e tua felicidade repousam em uma fada de olhos esmeralda e cabelos flamejantes. Se a negares, te arrependerás pelo resto de teus dias."

A cigana estava certa. Ele sentia uma falta imensurável de Elizabeth, mas, Nicholas sabia que apesar de toda dor que veio depois, sua vida teria sido muito mais vazia e sem sentido se não tivesse encontrado Betsy.

Tanta coisa mudou depois que ela partiu. Ele praticamente perdeu o contato com todos que conheceu no mundo bruxo. Ele não evitou propositalmente as pessoas com as quais conviveu depois que descobriu a existência do mundo mágico. Apenas aconteceu. Sem Betsy, não existia nada realmente concreto que o conectasse a eles ou aquele tipo de existência. Nicholas era um trouxa, não poderia mudar isso. Seu trabalho, sua vida, tudo pertencia ao mundo não-mágico. E, entre os afazeres, ocupações e responsabilidades do dia-a-dia, os laços foram sendo rompidos.

A última carta que recebera de Marion Peterson foi um convite de casamento. Já os Sinclair, ele viu apenas algumas poucas vezes depois do dia em que foi buscar a filha na casa do casal. Ainda era grato por tudo o que fizeram, mas, não tinham mais nada em comum a não ser o fato de que as pessoas importantes que eles perderam pertenciam a uma mesma família. O mesmo poderia dizer de Angus McAllister, com quem teve menos contato ainda durante sua inserção no mundo má que Kamus voltara para a Inglaterra pouco depois do fim da guerra...Até cogitou ir à casa dele, agradece-lo por ter cuidado de Meridiana, mas, depois percebeu que esse tipo de atitude não tinha importância para o primo da esposa. Portanto, desistiu. A única que lhe escrevia espaçadamente era Frida, em seu exílio no Chile.

Um barulho abafando o resgatou de seus pensamentos. Um pouco apreensivo, correu para a saída do escritório. Aquele barulho só poderia ter sido feito por uma única pessoa.

Quando abriu a porta, deu de cara com a filha, ao pé da escada, joelhos fletidos, como se tivesse acabado de pousar de um perigoso vôo. Pelo menos era assim que ele imaginava a filha, voando em pleno ar, em saltos quase mortais, prestes a quebrar o pescoço, toda vez que ela cismava de descer as escadas pulando os degraus. Parecia até que a menina tinha um prazer secreto em vê-lo preocupado. Ou talvez, como Jack fazia questão de alfineta-lo, Nick se tornara um pai super-protetor. Tomara para si a mesma atitude que algumas vezes criticara no irmão mais velho.

-Pimentinha, quantas vezes eu tenho que te pedir para não descer as escadas pulando. Você pode se machucar.

A menina levantou-se com um sorriso encabulado no rosto. Era verdade que o pai havia pedido que ela parasse de fazer aquilo, mas, ela precisava ter pulado a escada daquela vez. Era uma coisa muito importante. E o pai teria que entender.

-Eu sei, papai - ela respondeu com sua voz pequena de menina - Mas eu tinha que pular. Eu 'tô treinando para ser jedi...Como o Luke fez no filme.

Nick balançou a cabeça, deixando que um sorriso se formasse no rosto. Haviam passado a noite anterior em uma maratona de Star Wars. Os três filmes de uma única vez. E Meridiana ficara realmente impressionada com a história. Ele não poderia culpa-la pelo excesso de imaginação, já que se incumbia de alimentar as fantasias de sua menina. Agora que parou para observar Meri melhor, foi que ele notou que, além das usuais maria-chiquinhas tortas que ela insistia em fazer sozinha, ela usava o roupão de banho sobre a camisola e trazia nas mãos a espada de brinquedo que ele comprou para ela, em uma tentativa infantil de realmente se parecer com um jedi.

-Vem - disse ele, a pegando no colo - melhor você voltar para o quarto. Deveria estar dormindo ao invés de fazer estripulias.

A menininha passou as duas mãos pelo pescoço do pai, deixando-se levar escada acima. Queria continuar brincando, mas os olhos realmente começavam a querer se fechar.

- Eu posso ser uma mestre jedi quando eu crescer? - ela perguntou, quando ele a colocou na cama, cobrindo-a com o lençol de estampas de borboleta

Nick inclinou-se beijando a fronte da filha.

-Mestre jedi eu não sei, Pimentinha, mas você vai ser uma coisa tão boa quanto...

-Uma bruxa, né? Como a mamãe...

O escritor sorriu, assentindo.

-Exatamente. Mas como eu te disse, ainda é segredo. Só o tio Robbie e a tia Becky podem saber. E então, que história vai querer que eu te conte para dormir?

-A minha mais favorita de todas. Aquela da fada cromesanim e do príncipe das histórias... -ela respondeu, batendo palmas entusiasmadas.

-É fada carmesim, Meri. - o pai corrigiu, sorrindo - Carmesim é vermelho. Ela tem os cabelos vermelhos como os seus. Como eu começo?

-Era uma vez... - a menininha sugeriu, enquanto se ajeitava no travesseiro e abraçava o urso de pelúcia.

"Era uma vez...Um príncipe-menino" - Nicholas começou - "ele e seu irmão mais velho, que se tornou rei depois da morte dos pais, saíram para passear na enorme feira que os seres mágicos de Faire anualmente faziam em seu reino...O jovem príncipe se sentia sozinho e infeliz...Ele não queria estar no meio de todas aquelas pessoas. Tudo o que queria era ir para casa e trancar-se na torre mais escura e mais alta do castelo. Assim, ele decidiu fugir de seu irmão...Foi quando encontrou uma bruxa muito bonita...Ela era morena e tinha olhos violetas, seus cabelos eram escuros como uma noite sem estrelas...E a bruxa contou para o menino tudo o que ele precisava saber para ser feliz.

Não muito longe dali, no fundo de uma floresta, uma fada de cabelos carmesim e olhos tão verdes quanto uma esmeralda crescia em uma cabana escura e sombria...Um casal de ogros a criava, e ela achava que era uma ogra como eles... Ela não podia adivinhar que era, na verdade, a princesa das fadas, e que seu irmão a procurava.

Também não sabia que era ela quem levaria felicidade ao príncipe-menino. E que, um dia, ela teria que escolher entre viver no reino do principezinho ou voltar para a terra das brumas com seu irmão..."

-Papai... - Meridiana o interrompeu. Os olhos cerrados, quase adormecida - você vai contar direito dessa vez? Eles vão viver felizes para sempre com a princesinha filha deles, não vão?

Nicholas passou a mão nos cabelos da filha. O que ele poderia responder à ela? Ela ainda era muito pequena para entender que aquela, na verdade, era a história dele e da mãe dela, que aquele era o modo de ele contar, pelo menos por enquanto, sobre tudo o que aconteceu. Talvez uma dia, ela compreendesse que finais felizes não eram eternos. E o que contava era o tempo que se passava junto de quem se amava. Fosse apenas um dia, fossem muitos anos. A duração não fazia diferença, mas sim, os momentos em que a felicidade faz com que o tempo se suspenda e a vida pareça sempre perfeita. Quando ela ficasse adulta, se tivesse sorte, iria compreender... Mas, por hora, ele teria que lhe dar uma resposta. Uma que a satisfizesse, mas que não deixasse de ser verdade.

-Eles foram felizes para sempre, meu amor...- ele disse, por fim - Enquanto ficaram juntos, foram felizes para sempre como poucas pessoas sonharam ser.

Nota da Autora

Oi novamente a todos!

Nossa, eu simplesmente estou sem palavras...Eu realmente não acredito que finalmente terminou. Foram pouco mais de dois anos entre a idéia original que gerou tanto "Prelúdio de Sonhos Partidos" e "Para Sempre na Memória" e este capítulo que encerra a saga...

Em muitos aspectos, "Para Sempre na Memória" foi uma experiência e um enriquecimento como escritora. Foi a primeira vez que escrevi sozinha, a primeira vez que escrevi uma história com começo-meio-fim, a primeira vez que gerenciei tantos personagens com tantas personalidades diferentes ao mesmo tempo, a primeira vez que me arrisquei em um tom mais adulto que aquele utilizado no Expresso...Muitas "primeiras vezes"...

E eu estou feliz, porque, em vários aspectos, "Para Sempre na Memória" superou as minhas expectativas. Tanto no que diz ao retorno de vocês quanto como escritora. A história cresceu de um modo que eu não esperava e estou satisfeita com o resultado final.

Contudo ao mesmo tempo triste por ter finalmente que dizer adeus. Aprendi a amar todos os personagens que aqui passaram.

Mas como disse antes, e volto a repetir, essa é uma parte da história. Tudo realmente se encerra no Expresso. È lá que os destinos de Frida, Lucy, Nick, Ludo...Os "sobreviventes", e também, de Meridiana, a "herdeira" deste conto, vai continuar sendo traçado. Espero que continuem me acompanhando, ou melhor, nos acompanhando, nesta jornada.

Isso é tudo, por enquanto, pessoal. Algumas idéias formigando no fundo da mente. Aguardem no Expresso.

Abraços e obrigada pelo carinho, Meridiana (Ana)



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