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Bem, resolvi não parar o fanfic. Realmente quero terminar este aqui.
Para os que me deixaram reviews eu agradeço de coração e espero que muitos de vocês (ou todos ^^) continuem a acompanhar a história.
Sobre o Sol, bem, é comum relacioná-lo com energia e bem estar. Portanto, efêmeros deveriam ser expostos à luz solar (no período da manhã de preferência) pois com isso a doença seria eliminada. Também é fato que os doentes tendem a piorar durante a noite... e a melhoria de alguma doença ou sintoma quase sempre se dá pela manhã... Fato curioso...
Quando falo sobre o castelo dos Hyuuga, lembremo-nos de que os castelos japoneses não se parecem em nada com os castelos ocidentais, ok??
Sem demoras desta vez... Boa leitura!
Pétalas de sakuras = pétalas de flores de cerejeiras.
Nanda...Nani... = Que? O que?
Nanda..Nandayou... = Que? Como assim? Que diabos?
Shitsurei shimaru = Com licença.
Daijobu ka? = Você está bem?
Daijobu = Estou bem. Tudo bem.
Teme! = Seu maldito (é como o Naruto xinga o Sasuke no anime ^^)
Sumanai, gomen, gomennasai = Desculpe, sinto muito.
Mou daijobu... = Está tudo bem.
Douzo = Indica permissão ou oferecimento a algo.
Masaka = Não pode ser.
Dame = Pare. Não pode.
Matta ashita = até amanhã
Shitsurei = Com licença
Doushite = Por que?
De te ike = Saia daqui. Vá embora.
Kirei na... = Que bonito.
Interferência
- Chinmoku -
“Ugh...”
Fora tudo que viera de Sakura ao impacto que tivera ao cair no chão com Gaara por cima de si, ele tentara, por instinto, proteger sua cabeça da queda ao abraçá-la e puxá-la para junto de si. Em verdade, ela se via aterrorizada demais para emitir qualquer protesto que fosse. Aqueles olhos furiosos que a encaravam de volta a assustavam por demais ao ponto de quase querer gritar. Quase...
“Haruno... - Gaara chamava ainda por cima dela, talvez por receio de mover a mão da garota que ainda se encontrava como que colada em seu peito. - Daijobu ka?” E ficou a estudar sua expressão assustada, o modo como as mãos e corpo da garota tremiam como se sentisse um frio cortante. Que diabos?
“Haruno... - Chamou novamente, fincando seu olhar nos olhos da outra como se aquilo pudesse de alguma forma 'trazê-la de volta'. - Sakura...”
E nada.
“Sakura!”
Silêncio.
Silêncio.
Nada de novo.
Enquanto a chamava sucessivas vezes, Sakura via os tais olhos dourados empalidecerem e se transmutarem para um tom brilhante cor de Jade. Respirou fundo algumas vezes de modo a se acalmar.
“Espere! - O comando de Tsunade soou exasperado por trás da porta. - Ela está com um cliente, não entre as...”
“Baa-chan! Não temos tempo para isso! - A porta se escancarou barulhentamente. - Sakura-chan!!”
Tsunade estava para novamente esbofetear Naruto quando seus olhos se depararam com um Gaara nu por cima de sua melhor atendente numa posição, digamos assim, extremamente íntima. Comprometedora... Os kimonos dela levemente abertos, as faixas frouxas...
Confuso, Naruto arregalou os olhos e somente então notou a forma trêmula de sua amiga. Sentindo seu estômago se contrair gelado e quase que rosnando ele avançou sobre o casal de modo a defender a honra de sua amiga. “Teme!!!!! O que pensa que está fazendo com a Sakura-chan?!”
Teria avançado mais que um passo se não fosse a mão de Tsunade o impedido e seu olhar tenso.
“Sakura?” Ela chamou.
“Iie... Ela não responde.” Gaara dissera ainda a fitando intensamente, como se seus olhos também estivessem grudados na garota.
“M..masaka! - Tsunade se aproximou boquiaberta. - Essa técnica...”
Naruto, inquieto com o tenso silêncio que se seguiu, trocava seus objetos de atenção a cada milésimo de segundo enquanto mudava o peso de seu corpo de uma perna para outra. “Baa-chan!!” Explodiu.
“Hai, hai... Depois pensamos nisso. - Ela se ajoelhou diante dos dois, colocando uma mão nas costas nuas de Gaara e a outra no pulso da mão de Sakura que estava acoplada ao ruivo e fechou os olhos, franzindo o cenho enquanto se concentrava. - KAI!!”
...
Capítulo 5 – The things you do to me.
Por razões óbvias Sakura fora com Tsunade no carro de Temari enquanto que Naruto fora no carro de Gaara, provavelmente dando-lhe um sermão exagerado sobre o modo como o encontrara com sua amiga momentos antes.
“Kankurou já enviou unidades para lá – Temari sorria maliciosa enquanto acelerava uma vez que Gaara deveria estar um tanto quanto incomodado atrás de si. Temari sempre fora conhecida por sua capacidade inata de ‘voar com o vento’ e seus irmãos jamais a venceram em questões de velocidade. Mirando rapidamente Sakura encostada à janela pelo retrovisor ela franziu o cenho. - Tem certeza de que ela está bem para ir?”
Tsunade fez que sim. “O choque já está passando, ela só está relembrando o que aconteceu.”
“Compreendo... - comentou lembrando-se do quão diferente seu irmão parecia quando o reencontrou. - Pedirei que me explique melhor depois. Ainda não entendo como isso é possível. - Ela suspirou pensando em quando teriam tempo para debater algo desse calibre. - Bem depois... Ainda tenho que entender o que diabos aconteceu pela casa dos Hyuuga... - Ela apertou o volante, sentindo-se furiosa. - Isso tem um dedo dele... tenho certeza...”
Gaara quase que suspirou aliviado quando estacionaram nos portões da frente da casa dos Hyuuga, certo de que não agüentaria nem mais um minuto ao lado do loiro barulhento que não parava de esbravejar sobre as mil e uma coisas que faria para salvar sua amiga Hinata. Bateu a porta do carro não se preocupando em trancar ou acionar o alarme. Temari chegara dois minutos antes e já deveria estar a par do que de fato acontecera ali. Suspirou novamente, estranhando o fato, e praticamente girou os olhos quando Naruto entrara correndo gritando por sua amiga.
“Shhhh... - Uma mão tampou a boca dele. - Seria muito problemático se você prejudicasse os agentes com seus gritos. Nem todos foram pegos ainda.”
“Shikamaru?”
“Yoh! - O outro acenou guardando as mãos em seus bolsos. - Ao que parece está tudo certo, Sakura e Tsunade já estão cuidando de Hinata e Neji... muito embora sejam os únicos sobreviventes presentes. Mas por precaução, mantemo-nos em alerta.”
“Qual o estado deles?” Gaara perguntou.
“Hmmm... não sei dizer. Tem muito sangue espalhado, mas aparentemente os Hyuuga estão fora de risco...”
Naruto fez que sim, novamente sério. “Ano, por que você está aqui?”
Tenso à pergunta Shikamaru se endireitou. “Estou com o pessoal do trabalho.”
“Mas você não trabalha com os...”
“Vamos, vamos... - Shikamaru o empurrou pelos ombros. - Não seja problemático.”
Mesmo que presente, Gaara sentia-se alheio a todos e a tudo que acontecia. Uma estranha sensação de familiaridade o atingia como ondas. Naruto ao pés de Sakura e a quase desfalecida Hinata, Tsunade assistindo Hyuuga Neji cujo estado não saberia dizer, seus irmãos que cochichavam palavras apressadas em algum lugar próximo, os corpos no chão embebidos em sangue...
Corpos?
Por algum motivo a realização daquele fato o deixou tenso, quase ansioso. Cerrou os punhos contendo uma excitação estranha, seus olhos se voltaram para a imagem de Sakura. Algo nela lhe prendia a atenção, o modo como ela derramava álcool em sua longuíssima pulseira de ouro, o jeito como seus olhos estudavam sua paciente... Vira um homem se aproximar calmamente, um dos agentes talvez?
“Sakura-chan!!” O grito de Naruto o tirara de seu transe uma vez que o suposto agente levantara Sakura pelos cabelos antes de prendê-la pelo pescoço com a lâmina de uma kodachi, seu corpo obviamente escondido por trás do da garota.
“Ninguém se aproxima. – Com uma calma quase que anormal ele vociferou pressionando o fio da lâmina contra o pescoço de Sakura. Uma fina linha vermelha se fazendo aparecer em sua pele alva. - Quero um telefone e um carro. Ninguém nos segue. Entendido?”
Ansiedade...
Gaara se sentiu tremer, uma fúria louca crescendo dentro de si. Sua mente rapidamente pensou em variadas formas de, digamos assim, desmembrar o suposto atacante. Sem entender o porquê daquela reação ele se viu dar um passo a frente. Sequioso pela morte dele... e pelo sangue dela. Sua imaginação o tentando com um gosto metálico em sua língua...
“Espere. - Tsunade o alertou, levantando-se calmamente do local onde atendia Neji. - Tudo bem. Pode deixar.”
“Shishou!!” Sakura exclamou, os olhos arregalados e fixos nos de sua mestra. Uma mensagem não muito clara se passando por elas.
“Baa-chan!”
“Vai ficar tudo bem. - Ela afirmou o mais calmamente que pôde. - Shikamaru, segure-o para que ele não faça besteiras, sim?”
“Hai, Godaime-sama. - Ele se aproximou do loiro em questão de modo a obedecer o comando. - Sumanai.”
Gaara suspendeu uma sobrancelha enquanto tentava se acalmar. Seus irmãos pareciam confusos com a placidez de Tsunade, entretanto pareciam acreditar nela a ponto de não intervirem.
“O carro?” O homem os lembrou da exigência.
“Vá com meu, tem um telefone no porta-luvas.” Kankurou lhe lançou um olhar sombrio enquanto jogava as chaves para o homem.
“Vamos, gatinha... prometo não te machucar...” O homem disse pegando a chave no ar e dando um beijinho no rosto de Sakura que respondeu com um esgar de nojo.
Temari poderia jurar ter ouvido os dentes de seu irmão rangerem. “Calma, Gaara. Se Tsunade diz que está tudo bem, - Ela observou os dois saindo do aposento, Sakura quase que tropeçando nas barras de seus kimonos. - então é porque deve estar...”
“Alertamos os agentes?” Kankurou perguntou fitando seu celular de bolso.
“Iie... - Tsunade fitava seu relógio de pulso. - Sete... seis... - Ajoelhou-se de volta aos pés de Neji, tratando-o como se nada estivesse acontecendo. - Três... Dois... Um...”
Um breve silêncio percorreu o cômodo antes de um grito desesperado se fazer ouvir. O grito, para a surpresa de todos, fora do homem que mantinha Sakura como refém. Alguns agentes entraram apressados na casa ao sinal de problemas e todos, com exceção de Tsunade e Shikamaru, se apressaram para o aposento contíguo.
Sakura estava de frente para o homem re-arrumando seus cabelos. “Não pode respirar muito fundo, hein? E nem tente se mexer. - Ela suspirou, cruzando os braços. - a não ser que você deseje morrer, o que não posso impedir se o desejar...”
Temari quase que se engasgou ao ouvir as palavras da outra, estivera tão certa de que Sakura era um doce de pessoa e totalmente incapaz de machucar qualquer um que fosse. Não que discordasse dela neste caso...
“Técnica interessante.” Kankurou comentou impressionado.
Gaara, então, percebeu que no peito do tal homem havia um brilho dourado do mesmo tom do da pulseira exagerada de Sakura. Seus olhos se arregalaram ao perceber que a suposta pulseira era composta de nada mais nada menos que variadas agulhas de acupuntura. Sendo a base das agulhas mais espessa, de modo que a presente penetração no peito de uma pessoa fosse algo de mais fácil realização.
“Ela... o furou com uma agulha?” Temari se ouviu sussurrar.
Gaara assentiu com um tradicional 'Hn'.
“Há, impressionante. - Kankurou a cumprimentou. - Bem no coração, certo?”
“Sim. - Sakura respondeu normalmente, voltando-se para a atualmente desfalecida Hinata no outro cômodo, o rosto pálido e indiferente. - porém, num ponto específico do coração que está ligado à propagação do impulso nervoso pelo órgão todo, que basicamente é o que leva à condução rítmica da dos batimentos cardíacos. O ponto coincide com um ponto que é comum aos meridianos de condução energética do corpo e, quanto mais tempo acionado o ponto, mais danos pelo excesso de energia. Resumindo: além dele estar em grande dor e incapacidade de se mover, aos poucos ele se verá com mais e mais danos energéticos... mesmo que sutis...”
“Deuses!” Temari exclamou.
Ouvindo as explicações de Sakura no outro aposento onde estavam Hinata e Neji, Gaara se descobriu relativamente mais calmo. Aproximou-se até seus olhos se encontrarem com os do suposto agressor, sua respiração dando um pulo eufórico ao medo evidente que o outro continha em seus olhos lacrimosos.
“Se não soubesse da imensa dor que você deve estar sentindo agora... - ele conteve um sorriso. - eu o faria passar pelo inferno pelo que causou a ela... - Aproximou-se mais, o rosto num misto de insanidade e desejo. - Encoste nela de novo e eu te mostrarei o real significado da palavra dor, compreendido?”
O outro homem suprimiu um gritinho, tentando controlar sua respiração descontrolada de modo que seu coração não se acelerasse tanto, muito embora a tentativa se desse em vão. “H..hai...”
“Hn.”
Gaara então encaminhou-se para o cômodo onde Sakura estava com os outros e ficou a observá-la trabalhar como se nada mais tivesse acontecido.
“Mou daijobu... - Ouviu-se dizer a Naruto. - As duas já estão bem.”
Naruto estudou os olhos de Gaara e vendo sinceridade naquelas palavras ele concordou com o que conseguira perceber: ambos se preocupavam. Ele sorriu para o ruivo, sentindo uma alegria dentro de si, e acenou que sim.
...
...
Hinata suspirou pela quinta vez naquela manhã, se aprumando em seu kimono branco dotado de minúsculas pétalas de sakura. Passara a madrugada inteira zelando por Neji. Umedecendo uma toalha numa pequena vasilha com água e torcendo-a para em seguida aplicá-la na testa do primo. Às vezes lhe dando água com cuidado. Nas primeiras horas da manhã, quando o céu dava indícios de que o sol se aproximava, a febre diminuíra quase que por completo. Se ao menos o Sol aparecesse de fato... pensou observando o céu tão atipicamente negro para aquele horário da manhã.
Não sabia dizer ao certo por quantas horas estivera na mesma posição, ali ajoelhada aos pés do futon de seu primo, atendendo-o a qualquer sinal de desconforto. Haviam sido transferidos para o mais afastado e seguro terreno dos Hyuuga: o antigo castelo de fundação da família.
O quarto em que estavam era quadrado e dotado de duas enormes janelas, uma oposta a outra, por onde uma corrente de ar seguia, armários embutidos, dois arranjos de flores finos sobre uma mesinha de formato retangular que acompanhavam a única pintura presente no quarto.
Alguns trovões se faziam ecoar pelas tão próximas montanhas e davam um ar mais pesado ao céu negro que abraçava a região. O vento que cortava o quarto acariciava os longos cabelos de Neji, chamando a atenção de Hinata que retirou de uma das suas mangas um pequeno pente de concha de cor branco-perolada dotado de finíssimas linhas esverdeadas e de um brilho levemente arroxeado. Detalhes simples, mas que lhe chamaram a atenção de longe na primeira vez em que o vira...
Numas das viagens que a família realizara pelo litoral Sul do Japão estavam todos caminhando pelos pontos culturais locais quando passaram, por acaso, por uma pequena feirinha de variados materiais. Hinata tinha avistado de longe a barraquinha que vendia os pentes de concha. “Kirei na...” Dissera para ninguém em particular, já sabendo que seu pai ou damas de companhia nunca lhe permitiriam parar por ali.
Uma Hyuuga deve ter cautela...
Uma Hyuuga deve ter classe...
Uma Hyuuga deve ter disciplina...
Ela suspirara na ocasião se lembrando das palavras tão comumente dirigidas à sua pessoa e tentara não se desanimar mais...
Com o pente agora em suas mãos, a jovem Hyuuga começara a pentear os cabelos sedosos de Neji. Ela sorriu tristemente às lembranças em sua mente.
“Hinata...” A voz de Neji soara baixa por de trás Shoji.
“Hai, douzo...”
Ele entrara silenciosamente, fechando a shoji atrás de si. As luzes quentes davam ao quarto um tom amarelado e aparência aconchegante. “Nani?” Ela perguntara curiosa, estudando o olhar do primo por qualquer dica do que se passava.
“Você sabe, - ele começara, voltando-se para a janela onde observava a lua que em breve sumiria por trás de uma das montanhas. – que quando quiser se separar do grupo para respirar ou para ir aos locais que lhe interessam... – ele se voltara para ela, estudando as sutis mudanças em sua fisionomia. – que pode falar comigo.”
Sim, de fato... Quando em par com Hyuuga Neji as matriarcas e seu pai lhe davam um quê a mais de liberdade, permitindo que o casal ficasse a sós. ‘Quanto antes se entenderem, melhor’, diziam. No entanto, a jovem Hyuuga praticamente nunca fazia tais pedidos a Neji, certa de que não gostaria que a acompanhasse por uma ‘obrigação’. Pagar um pedaço de liberdade com culpa não era exatamente interessante. Sim, ‘liberdade’ era como chamavam esses passeios em casal... Uma brincadeira particular entre eles e somente eles.
Fora que no passado, logo após a notícia sobre aquele ‘arranjo’, não eram exatamente um “casal feliz” com as boas novas. Somente anos depois que um bom relacionamento foi se fazendo aparecer, talvez por finalmente se conformarem... Talvez por realmente se conhecerem e se respeitarem... Talvez por apreciarem a companhia um do outro numa atmosfera tão pesada quanto à da casa central da família Hyuuga...
“Hai... eu sei...” Ela abriu a porta de um dos armários se deparando com um espelho de seu comprimento, fingindo se arrumar para o jantar que compareceriam em alguns minutos.
“Então... – Neji se colocou atrás dela, baixando o tom de voz, também aparecendo na superfície espelhada, seus olhos se encontrando. – Por que não me pediu ‘liberdade’ hoje à tarde?”
Hinata desviou seu olhar dos os olhos penetrantes do outro. “Não entendo, meu primo.”
Neji fez um esgar à menção de serem primos. “Não me chame assim... – pediu alisando despercebido uma das mechas dos cabelos de Hinata. – pensei que quisesse liberdade hoje... para parar e apreciar o mar... e depois para comprar isso...” Disse colocando algo nas mãos dela e fechando-a gentilmente sobre o objeto.
Hinata corou diante das sensações, descobrira de primeira que se tratava do pente que lhe chamara a atenção naquela tarde. “M..masaka...” Exclamou em voz baixa.
Neji tinha o fantasma de um sorriso estampado em seu rosto enquanto Hinata se ocupava em absorver cada detalhe do pente. “Você pode achar que não... mas eu vejo...”
Hinata sentira seus olhos lacrimejarem ao entender do que ele estava falando... que ela não era tão invisível quando achava ser... “Arigatou... Neji...kun...” Ela o abraçou, escondendo seu rosto no peito do outro. Essa noite ficara bem marcada, pois após aquele longo tempo em que permaneceram abraçados Neji levantara o rosto de Hinata com o nó de um indicador por baixo de seu queixo, aos poucos se aproximando mais e mais do rosto rubro e indeciso dela, roubando assim seu primeiro beijo. O primeiro de ambos...
Hinata sentia algo se agitar dentro de si diante das lembranças. Seu estômago tão contraído como se o beijo tivesse acabado de acontecer. Lembrava com detalhes da textura, da sensação, do gosto... Pausou o pente nos cabelos de Neji com cuidado, tocando em seus próprios lábios com a ponta dos dedos, seus olhos pesavam um pouco, mas não tanto quanto seu próprio coração em seu peito. Suspirou novamente, o vento antes forte agora não passava de uma brisa úmida e fria. Ótimo para reciclar o ar do quarto, pensou.
Fora o primeiro beijo de sua vida... e o primeiro que trocara com Neji. Beijos e carinhos entre os dois era algo raro... mas...
“Demo...”
A imagem de um Naruto sorridente dizendo que a levará para comer o melhor ramen do Japão apareceu em sua mente. Ela agarrou seu kimono na altura do coração, como que tentando impedir que aquilo doesse mais. “Dame...” Dizia a si mesma enxugando algumas lágrimas que escorriam à lembrança de seu último encontro com Naruto. Estudou o pente que ganhara com atenção, seus olhos logo se desviando para os longos cabelos de Neji que se espalhavam pelo futon. Ela recomeçou a pentear seus longos fios com zelo.
O som da pesada chuva que caía era de certa forma reconfortante. As grossas gotas de chuva que batiam no telhado e caiam de encontro às poças de água no chão, o som de alguns sapos, o som de uma respiração próxima...
“Ara, ara, que maravilha! – Uma das matriacas comentara com um risinho por trás de um leque. – Neji e Hinata estão debaixo do ramo de visgo!”
Neji suspendera uma sobrancelha ao comentário como quem pergunta o significado daquele comentário.
“Vamos, beije-a!” Ela encorajou.
“Nani?!” Hinata corara horrores ao passo em que Neji se engasgara ao comando da idosa.
“Há! É um costume a troca de beijos quando um casal se encontra debaixo do visgo, - Hyuuga Hiashi deu uma leve palmada em sua própria perna antes de levantar seu sake como que brindando à ocasião. – vamos!!”
Hinata sacudira a cabeça à lembrança do antepenúltimo Natal. Por que estou me lembrando dessas coisas agora?
“Hinata-sama, - Kiri, uma dama de companhia, se aproximara. – Não gostaria de ir descansar? De certo que cuidaríamos bem d...”
“Iie...”
“Demo, Hinata-sama deve estar exausta... Nem comer ou beber nada?”
“Deixe-nos a sós.” Ela quase franziu o cenho em irritação, seus olhos ainda concentrados nos cabelos sedosos que penteava com zelo.
Kiri fez que sim e fechou a shoji atrás de si após uma polida mesura. Desde a confusão do outro dia eram raríssimas ocasiões em que Hinata deixava seu primo aos cuidados de outras pessoas. Ela suspirou, o peso dentro de seu peito a incomodando cada vez mais, não vá desistir...
...
...
“Hai, douzo...” Sakura serviu ao amigo um chá de gengibre e uma fatia de bolo de laranja com nozes.”
Naruto suspirou, limitando-se a fitar a bebia fumegante como que esperando uma resposta.
“Não vai comer?”
Ele fez que não, como quem diz que não sente fome e Sakura se sentou junto a ele, também suspirando. “Ora, vamos... - Disse tentando levantar os ânimos. - Não é tão ruim assim. Ficou tudo bem! Hinata está bem e...” Ela se calou baixando os olhos, não sabia o que dizer. Descobrira que seus amigos se gostavam e, no entanto, não fazia idéia do quanto. Seu antes tão alegre amigo agora não passava de uma cópia do que era... uma cópia sem aquela energia contagiante... sem vida... Ela sentiu seus olhos lacrimejarem, imaginava como ele poderia estar se sentindo depois de tudo...
“Naruto-kun... – Hinata chamara após pedir que Sakura não a deixasse a sós enquanto conversava. Ela temia não conseguir. Ou agüentar o que viria a dizer... – E..eu... tenho algo a dizer.”
Sakura sentia sua amiga tremendo.
“Hai, Hinata. Sente-se melhor? Posso ajudar?”
“Iie, daijobu. – ela suspirou. – Ano... n.nós não...” Ela agarrou o próprio kimono na região do peito como que sentindo dor.
Naruto segurou sua mão perguntando o que havia de errado, um quê de desespero se fazendo perceber em sua voz.
Hinata retirou as mãos dele das suas. “Gomennasai, Naruto-kun... – Ela dissera com pesar. Sakura podia ver seu amigo começar a se machucar por dentro, um rastro de solidão passando por seus belos olhos azuis. Seu próprio peito parecia doer àquela cena, aquilo parecia tão errado. – N..não devemos mais nos ver. Hyuuga Neji... Neji...kun... é meu noivo.” Sakura fechara os olhos em respeito aos dois, já era invasão demais estar presente.
Um longo silêncio se passou pelo casal. Sakura se perguntava se cada um estava olhando para um canto em vergonha e sofrimento ou se estariam se estudando e se despedindo com mudos olhares. Hinata continha com grande sucesso seus soluços, tanto que Sakura só sabia do fato por sua amiga estar deitada em seu colo.
“Uso...” A voz de Naruto soou quebrada.
“Gomen... Naruto-kun... estamos noivos... N.não devemos mais nos encontrar, demo... eu queria agradecer por me mostrar um mundo mais colorido...”
Sakura sacudiu a cabeça como que apagando ou afastando as lembranças daquele dia. O sofrimento dos dois era quase palpável. Não vira Hinata desde o acontecimento, mas falara com ela e mesmo que sua amiga dissesse que estava bem, ela sabia que não estava. Não está nada bem...
Naruto acampara em seu apartamento por alguns dias após muito relutar. Tentava de tudo para animar o amigo, mas por mais que ele sorrisse ainda conseguia ver aquela sombra por trás de seus olhos. Dor... solidão... Estudava seu amigo se sentindo de mãos atadas, ultimamente se sentia péssima amiga e pessoa por se sentir cada vez mais e mais incapaz de ajudar quem amava. Algo no olhar de seu amigo a fizera se lembrar do sonho que tivera há semanas atrás, uma sensação estranha se passando por seu estômago. Uma necessidade estranha e desconhecida...
“Sakura-chan... eu agradeço por tentar me ajudar, mas acho que preciso tentar colocar as coisas em ordem sozinho.”
Sim, ela entendia o que ele queria dizer. “Hai.”
“Arigatou...” Ele a abraçou com força.
“Ano ne, tenho certeza de que vai dar tudo certo. Você sempre lutou e cresceu ao lutar por seus sonhos... chegando onde queria chegar... tenho certeza de que você vai ficar bem. – Ela se ouvira dizer sem ao menos saber de onde aquelas palavras tinham vindo. – Estarei sempre aqui para você, Naruto...”
E assim, novamente, Sakura se via sozinha em casa. Alguns cartões postais de Lee em cima da mesa, cartas que precisavam ser respondidas. Quando estivesse de pé novamente... Sim, precisava esquecer aqueles olhos e tudo o que vira e passara para conseguir voltar ao normal.
Hai... vai dar tudo certo.
...
...
Kazumi re-arrumou seus óculos escuros. Os cabelos presos num alto rabo de cavalo, um lenço roxo preso em seu pescoço. “Você tem certeza de que isso funcionará?”
“Absoluta certeza. – O homem tragou seu cigarro com um ar moroso. – Isso colocaria o próprio King Kong para dormir.”
Ela olhou para os dois pacotes em suas mãos ponderando. Retirou de sua bolsa um envelope preto e entregou ao homem. “Nunca nos vimos...”
Ele sorriu maliciosamente ao receber seu pagamento. “De certo que não, dona... – Virou as costas e acenou por cima da cabeça. – Jyá!”
Kazumi discava uns números em seu celular enquanto fazia sinal para algum táxi. “Hai, orochimaru-sama... Tudo certo para o que me pediu... – Ela arrumou seus longos cabelos. – Só me diga quando...”
...
...
Shizune silenciosamente entrou na sala de preparação onde Sakura se ocupava com receituários, fichas de pacientes, inúmeras ervas e óleos essenciais, entre outros materiais. “Sakura, já fechamos a clínica por hoje. – Informou como de costume. – você irá para a emergência depois?”
“Iie, - a outra sacudiu a cabeça, as mãos ocupadas em triturar algumas especiarias num gral de porcelana. – Shishou ainda não me liberou para voltar. – Suspirou cansada, re-arrumando uma mecha rebelde que se soltara de seu rabo-de-cavalo. – ao que parece, devo me aprofundar na nova técnica que ela deseja me passar... bem como treinar minha paciência, ne?”
“Ah, hai...”
“Pode ir se que quiser... quero terminar essas preparações antes de ir. Elas ficam melhores quando utilizadas no dia seguinte.”
“Hai. – Aprumou sua bolsa em seu ombro. – Ah, Sabaku-sama ainda está na sala de meditação. Devo retirá-lo?”
“Ainda? – Será que Gaara gostou tanto assim de meditar? – Aa, tudo bem, deixe-o por lá mais um pouco. O tratamento dele é intensivo mesmo. Fico feliz que ele esteja levando as práticas a sério.”
“Hai. Matta ashita.”
“Matta.”
Pouco tempo após a saída de Shizune um pensamento veio-lhe à mente. Em verdade, perguntava-se se Gaara estaria se sentindo bem. Vou dar uma conferida. Só por garantia. Percorreu os corredores em passos silenciosos até a sala de meditação. Empurrou a shoji com cuidado, de pronto avistando-o encostado às almofadas num dos futons do cômodo.
Encurtou a distância entre os dois, sentando-se sobre as pernas ao lado dele. Ele realmente parece muito relaxado, pensou com um olhar afável. “Gaara?”
Nenhuma resposta viera dele, então Sakura analisou sua feição e respiração ritmada, um fato agradável passando por sua mente. Um sorriso brilhante se espalhando por seu rosto.
Sim... Ela conseguira.
Sabaku no Gaara estava dormindo.
Cuidadosamente ela se dirigiu até um dos cantos do salão onde uma música suave soava e anotou um recado num post-it.
‘Gaara, as portas da clínica já estão fechadas. Estou na sala das essências – 3ª porta a esquerda do corredor principal. Quando acordar me procure para que eu possa abrir as portas para você. Sakura.’
E com isso colou o post-it na face interna da shoji e se encaminhou para a dita sala se espreguiçando. Ainda tenho muito a fazer.
...
...
Gaara acordou confuso quanto onde estava. Uma breve olhada ao seu redor fora o suficiente para se lembrar. Sentia-se bem... Aliviado. Dormira e não tivera pesadelos, sem se sentir mais esgotado que antes, sem ele.
“Nanda?”
Espreguiçou-se ao se levantar, apreciando aquela sensação morosa e foi quando avistou o recado de Sakura. Seus olhos cresceram ao ler aquilas palavras. Quantas horas eu dormi?
“Shitsurei.” Disse polidamente ao entrar na sala de Sakura.
“Gaara! – O cumprimentou agradavelmente. – Como se sente?”
Ele a fitou com um meio sorriso encostando-se à soleira da porta com os braços cruzados. “Inacreditavelmente revigorado. – Disse. – Embora acredite que você já imaginasse isso.”
Ela sorriu em resposta.
“Trabalhando até tarde?”
“Un! Quase acabando aqui, estou preparando as essências e banhos para os pacientes de amanhã.”
Gaara fez que sim, sentando-se no sofá de canto.
“Aa, gomen. Deixe-me abrir as portas, você deve estar querendo ir para casa, ne?” Perguntou se sentindo meio nervosa enquanto limpava as mãos numa toalha branca.
“Iie.”
Ela corou à resposta, sem saber o que dizer.
“Esperarei que termine.”
Corando mais ainda ela retomou seu trabalho. “Hai, - No entanto, pouco tempo depois sua curiosidade se tornou quase tortura. – Doushite?”
“Para que não volte sozinha para casa.” Ele cruzou as pernas, o indicador de uma das mãos levemente pousado sobre seus lábios. Os olhos fixos nela, quase felinos.
Sentindo borboletas agitadas em seu estômago, a garota tentou se recompor de modo a se concentrar em seu trabalho. Em verdade, ela lutava internamente para não tentar achar algum outro significado naquelas palavras. Não é nada. Ele está apenas sendo gentil. Deixe de ser idiota.
“Ah, já sei... – Ela comentou animada por ter algo para falar, quem sabe conseguiria deixar o clima mais leve. – Por causa dos tarados, ne?”
Gaara quase riu ao assentir.
Ela balançou a cabeça, sorrindo, e ficou a trabalhar e tentando pensar mais claramente quando se descobriu relembrando os momentos que tivera com ele quando o estava ensinando uma técnica de meditação. Sua mão encostada no peito do outro enquanto monitorava o exercício respiratório, o calor que irradiava pelo contato, as borboletas que ameaçavam sair a qualquer momento... Ela estremeceu na falha tentativa de reprimir um prazeroso arrepio e sentiu seu rosto queimar. Tinha certeza de que Gaara podia ver as mudanças de cor em seu rosto, visto que ele estava dotado de uma expressão um tanto quanto fascinada. Estaria se divertindo, talvez?
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Meia semana depois, Tsunade se encontrava relativamente menos tensa em relação aos últimos eventos. Os Hyuuga concordaram finalmente em sair do castelo e trazer Neji para se tratar na clínica. A consulta se encontrava marcada para a próxima segunda-feira, por preferência dos Hyuuga e não de Tsunade. A família Sabaku parecia estar cada vez mais presente na clínica a cada semana que passava. Gaara ainda relutava nos tratamentos que Sakura oferecia a ele e sim, de fato a atendente parecia escolher para o irmão caçula os mais não-tradicionais tratamentos da clínica. No entanto, segundo o paciente principal “eles são por demais esquisitos, mas estão ajudando”. Omoshiroi... Tsunade pensava ao relembrar. Gaara cooperar com vontade em algum tratamento era inédito segundo os relatos de Temari e Kankurou. De alguma forma Sakura parecia entender o que Gaara precisava.
Tsunade dera uma aula intensiva para Sakura sobre a técnica que ela utilizada em Gaara sem saber do que se tratava no outro dia. Ela a chamara em sua sala e retirara um pergaminho velho de um compartimento de uma das paredes, dizendo-lhe que estudasse com muita atenção para que pudesse se defender caso acontecesse de novo. O mistério era... como Haruno Sakura conseguira? Não havia relatos, além do criador desconhecido do pergaminho, de alguém que conseguira aplicar a técnica com eficácia. Por segurança, quando Sakura retomara o tratamento com Gaara, a pedido de Temari, já que Gaara se recusava se tratar com outra atendente, Tsunade a acompanhava de perto. Como o incidente não se repetira, Tsunade a autorizou a trabalhar sozinha, desde que com cuidado.
“Shishou?”
Tsunade piscou algumas vezes, como que retornando à realidade.
“Já chegamos. Daijobu ka?”
“Ah, hai... hai... – ela abanou a mão como que espanando o ar e dizendo que não se preocupasse. – Vamos ver como Hyuuga Neji se sai, agora que ele acordou.”
“Hai.”
Acompanhadas de um segurança, que viera recepcioná-las no portão da entrada principal, elas seguiram rapidamente para os aposentos do jovem Hyuuga. Sakura se distraía vez ou outra com os quadros e tapetes ornamentais pendurados em alguns dos locais. Sentia-se aliviada de ter um “guia” com elas, visto que tinha certeza que se perderia por ali e a atmosfera não era das mais convidativas a sair andando sozinha e perguntando por direções.
No quarto de Neji, além do próprio, se encontravam Hinata, seu pai e uma matriarca que se abanava mal humorada.
“Elas chegaram.” Hinata sussurrara próxima ao primo.
“De te ike.” A voz de Neji soou anormalmente alta aos ouvidos de Sakura e Tsunade que até então se encontravam no mais denso silêncio conhecido por elas.
Sakura parou na entrada do quarto sem entender, estudando a figura vendada de Neji.
“Douzo, Sakura-chan... Tsunade-sama...”
As duas se entreolharam antes de fazer o pedido por Hinata.
“Já não disse para sair daqui?” Neji rosnou.
A matriarca fungou, obviamente ofendida. “Por que ela pode, mas eu não posso assistir aos seus exames?”
“Um: ela é minha noiva. Dois: ela é quem salvou minha vida. Três: Hinata jamais daria com a língua nos dentes como uma fofoqueira como você faria.”
A matriarca soltou um grunhido esganiçado enquanto saia apressada do quarto. Parecia estar num misto de choque, raiva e indignação.
Hinata se encontrava completamente corada de embaraço ao passo que Hiashi mal continha um sorriso. “Ela o amaldiçoará por anos depois disso. – ele se colocou de frente para Sakura e Tsunade as cumprimentando formalmente. – Agradeço por virem de tão longe.”
“Iie. – Tsunade o cumprimentou de volta. – Ficamos felizes de saber que Neji acordou finalmente. O pior já passou. Sakura, pode começar a avaliação enquanto eu anoto os dados ou prefere que eu o faça?” Perguntou se lembrando que Neji e Sakura não tiveram exatamente um bom começo. Era claro como o dia que a energia dos Hyuuga era pesada demais para ela, no entanto, era bom praticar. Se ela conseguiu lidar com Gaara, por que não Neji?
Hinata se levantou para fechar a shoji do quarto. Privacidade era o que Neji mais precisava agora.
“Iie, daijobu. – Ela se ajoelhou no futon diante de Neji, espirrando álcool anti-séptico e o espalhando nas mãos e antebraços. – Shitsurei shimasu, Neji-sama.”
O outro respirou fundo quando as mãos leves e profissionais de Sakura começaram a trabalhar com leves, porém firmes, toques em seu pescoço.
“Gânglios em normal estado, - ela dissera apertando em seguida alguns músculos do local. – sente algum incômodo?”
“Iie. - A voz de Neji baixara alguns variados graus. Então de fato era a matriarca quem alterava seu humor. – Só meu corpo que parece insolente. Acho que por ficar tanto tempo imóvel, imagino.”
Ela fez que sim enquanto deslizava as mãos pelos ombros e descendo por seus braços, sentindo cada músculo com cuidado. “Os músculos parecem normais, mas... acupuntura talvez seja necessário no início. – Tsunade anotava tudo o que sua pupila dizia. Sakura abria, com prévia permissão, o kimono de Neji na altura do tórax, continuando o exame. Sentiu-se triste de repente, o antes tão austero e forte Hyuuga Neji, agora se encontrava magro e abatido. Muito tempo sem se mover, ne? Um coma diferente... Suas mãos formigavam enquanto as passava pelas laterais do tronco do jovem. Isso parece... é igual ao que aconteceu com o Gaara! Ela se sentia quase apagando, seus olhos fechados já a algum tempo. Preferia trabalhar assim, já que era menos embaraçoso e conseguia pegar os detalhes com mais precisão. O que ela não esperava, no entanto, era que, sem saber como, tinha começado a estranha técnica de Tsunade. Já sentia claramente os sinais de estar começando. Sentia como se suas mãos estivessem entrando em Neji, mesmo que soubesse que elas se encontravam paradas na cintura dele. Ouvira alguém se movendo no quarto, seria Tsunade vindo ajudá-la? Neji estremeceu, fugindo de suas mãos e quebrando o início da técnica. Fora de transe agora, Sakura piscou os olhos. Cócegas? – Er... Reflexos normais, shishou.” Foi tudo que conseguiu dizer para não rir aliviada.
“Muito bem. – Tsunade simplesmente dissera. – Vejo que Hinata o tratou com excelência.”
Tensa, Hinata observava de perto enquanto Sakura fechava o kimono de Neji. “Agora vamos ver seus olhos. – Com cuidado ela retirou a venda branca de Neji. – Pode abrir os olhos se não estiverem doendo.”
“Não doem. Parecem... dormentes. E só.”
Sakura se colocou de frente para ele, aproximando-se um pouco mais e ignorando o calor que radiava dele. Hiashi segurara o ar ao vê-lo abrir os olhos, Hinata parecia ter feito o mesmo.
Tsunade se inclinou para ver melhor. “Nan..da?”
Sakura observava os olhos de Neji com atenção. Pareciam perfeitos. O mesmo tom de cor exótico que o dos demais membros da família estava ali presente. Kirei na...
“Está escuro... Nanji?” Neji, de repente, perguntou.
“Dez e quinze.” Hiashi respondera.
“Ah...” Disse como se aquilo fizesse todo sentido do mundo.
“Da manhã... - Sakura explicou entendo antes de todos e sentindo Neji ficar tenso debaixo de suas mãos que tocavam seu rosto. Ela retirou uma lanterna de um bolso e iluminou seus olhos. – Consegue ver isso?”
Um grave silêncio correu pelo aposento enquanto todos absorviam aquele fato.
Ao que parecia, Neji não mostrava sinais de se dar conta da luz que iluminava intensamente seus olhos, e...
"N..não! N..não pode ser!”
... alguém vai acabou se culpando...
“Hinata!!!!!!!”
Continua...
Bem, galerinha, espero que tenham gostado!
Andei inspirada e já estou na guerra com o próximo capítulo... as respostas estão vindo...