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Author of 5 Stories |
Autora: kc(underline)anathema - http(dois pontos)(barra)(barra)kc-anathema(ponto)livejournal(ponto)com
Onde encontrar o original: http(dois pontos)(barra)(barra)kc-anathema(ponto)livejournal(ponto)com(barra)tag(barra)oath(sinal de mais)breaker
Tradutora: Quintessência
Avisos gerais: vide capítulo 1. É meio chato repetir a mesma coisa a cada capítulo, então, consultem o primeiro capítulo se quiserem saber as advertências válidas a toda a história.
Capítulo IV
Verbana seca, raiz de carvalho pulverizada, presas de cobra esmagadas, uma infinidade de ingredientes de poções preenchiam os estoques privados de Snape, categorizados e inventariados cuidadosamente, e Draco conhecia cada ingrediente escondido no escritório solitário. A idéia que seu mentor fazia de descanso e recuperação envolvia várias horas examinando cada garrafa, re-etiquetando jarras com etiquetas apagadas ou que havia se perdido. As primeiras garrafas estavam marcadas com letras diferentes, escritas por alunos sofrendo nas detenções de Snape, mas assim que ele progredia pelos ingredientes raros e perigosos, incluindo dente de galinha, veneno de víbora e fígado venenoso de dragão, só encontrava a letra de seu mentor.
Agora em seu terceiro dia de inventário, ele sentou-se em um vão da parede da sala, escondido atrás de armários enquanto examinava os ingredientes que Snape escondia do resto do corpo docente. Dumbledore devia saber sobre eles, mas sem dúvida o Ministério não sabia. Alguns eram comuns, como penas de corvo, ou meramente caros, como olhos de basilisco, mas quando estocados juntos, teias de aranha, beladona e presas de serpentes marinhas eles eram alguns dos componentes universais de um armário de ingredientes de um bruxo das trevas.
Pegou uma garrafa sem rótulo e segurou-a contra a luz de uma vela. Algo vermelho e denso redemoinhava, mas ele não sabia dizer ao certo o que era sem abri-la, e considerando a quantidade de poeira acumulada na tampa, sem dúvida ela tinha sido selada com um feitiço para preservar o conteúdo e evitar que ele se secasse. Mas como poucos líquidos precisavam desse tipo de encantamento, ele simplesmente escreveu ‘sangue, desconhecido’ na etiqueta e devolveu o vidro à estante. A próxima jarra estava identificada como ‘fogo-fátuo’, mas quando a pegou, encontrou-a vazia. Severus devia ter usado-a recentemente, já que havia um resíduo brilhante dentro do frasco.
Bom, para os desinformados como eu, um resuminho da explicação da wikipédia: will-o’-wisp e fogo-fátuo (ou fogo tolo, fogo corredor ou joão-galafoice) se referem a uma luz azulada vista sobre cemitérios, pântanos, brejos e afins. Ela é causada pela inflamação espontânea dos gases resultantes da decomposição de seres vivos. O will-o’-wisp é muitas vezes ligado ao Jack o’ lantern. Já o fogo-fátuo é chamado pelos indígenas de boitatá. Muitos acreditam que eles são presságios de morte ou desgraça ou que são espíritos que molestam viajantes e fazem com que eles se percam.
Quando terminou, seus ombros doíam e sua cabeça latejava, mas agora sabia com o que teria que trabalhar nos próximos meses e poderia encontrar seu caminho facilmente pelas estantes quando Severus o mandasse buscar algum ingrediente. O que, é claro, era um dos privilégios de ser um mestre com um aprendiz.
Draco olhou através da janela mais próxima e viu que o sol ainda não havia se posto completamente. Com suas tarefas terminadas e cansado de ficar preso nas masmorras, pegou uma mochila e dois jarros vazios, deixando um bilhete sobre a mesa e trancando o escritório atrás de si.
Sem nenhum outro Sonserino caminhando pelos corredores e os enchendo de sussurros, as masmorras pareciam um caixão à espera de um corpo, mas o silêncio era melhor do que o burburinho do resto dos alunos. Ninguém viera até as masmorras incomodá-lo. Nos corredores da superfície, ele cuidadosamente evitava lugares muito cheios e pegava rotas alternativas, andando pelas passagens esquecidas onde era possível ver as próprias pegadas na poeira que cobria o chão. Esquecidos até pelos elfos-domésticos, esses corredores levavam a portas trancadas que abafavam pequenos ruídos e murmúrios vindos de salas vazias. Os raros quadros nas paredes eram pretos e enfumaçados e ele nem ao menos se dava ao trabalho de olhar para eles.
Ao se aproximar do Salão Comunal, o som das vozes dos outros alunos foi aumentando conforme avançava pelo corredor até que chegou a uma última curva. Ele pegou o capuz de sua capa e o colocou-o sobre sua cabeça para esconder sua face do melhor modo possível, silenciosamente agradecendo Snape por ter comprado um punhado de roupas para ele. O único problema era que o gosto de Snape para roupas era tão rígido quanto a sua personalidade. Apesar de serem caras, elas eram muito simples, a capa mais utilitária que elegante. Isso não o surpreendeu. Seu pai tinha um gosto mais refinado que o seu, mas isso não deixava de incomodá-lo um pouco.
Esperando que as vozes se aquietassem, ele finalmente saiu das sombras e se dirigiu rapidamente para a porta. Um vento gelado o atingiu assim que atravessou a passagem. A nevasca de Voldemort havia parado um dia após sua chegada, mas a neve se recusava a derreter. A luz do sol reluzia na cobertura de gelo sobre as árvores e sobre o chão. Seguiu a trilha até o lago, e conforme se aproximava, pôde ouvir cada vez mais claramente o som de risadas e de professores gritando com alunos. Quando conseguiu ver melhor o lago, viu vários estudantes patinando na sua superfície congelada, um grupo fechado de professores assistia, mas ninguém parecia preocupado com um ataque surpresa.
A falta de cachecóis verdes fez com que ele sentisse um aperto no estômago.
“É bom vocês estarem vivos,”ele sussurrou para seus amigos ausentes. Somente o vento respondeu.
Dando as costas para o lago, rumou pela neve fresca, acompanhando o caminho que as árvores faziam. Encontrar algo no chão seria quase impossível, mas por enquanto o vento e o frio quebravam a monotonia de arrumar ingredientes. Isso também lhe dava tempo para refletir.
Seus amigos estavam vagando pelo país em um tempo como esse. Ele quase tinha morrido tentando chegar a Hogwarts e o pensamento de que podia ter tido mais sorte do que Pansy não era bem-vindo no momento. Seu pai tinha sob seu controle um grupo de Comensais da Morte traidores, que podiam ou não considerar suas posições como Cavaleiros de Walpurgis mais importante do que sua lealdade a Voldemort. E sabe-se Deus onde sua mãe estava. Enrolou-se melhor em sua capa e suspirou.
“Criança estúpida, como você sobreviveu tempo o suficiente para chegar até aqui?”
Draco espantou-se, engolindo sua resposta enraivecida quando reconheceu a voz de Snape. Virou-se, se preparando para um sermão.
“Não perca tempo se zangando,” Snape disse. “Pensei que sua viagem até aqui ia te fazer ser mais cauteloso. Obviamente eu estava errado, já que você estava tão compenetrado em seus devaneios.”
“Peço desculpas, senhor,” Draco disse. “Deveria ir brincar com os outros? Com os alunos mais vigilantes?”
Com um grunhido, Snape encarou o lago e todos os alunos patinando em círculos ou caindo um sobre os outros. “O diretor está convencido que eles precisam extravasar as energias mais do que nunca. Ele depositou toda sua confiança em vários feitiços protetores que circundam o campus.” Olhou para Draco. “E o que você está fazendo aqui? Já terminou seu trabalho?”
Cruzando os braços, Draco sacudiu sua cabeça levemente para que seu capuz caísse. “É claro. E quando percebi que meu mestre estava com um humor pior que o normal, decidi vir até aqui, como um bom aprendiz, deixá-lo descontar em mim.”
Severus ficou olhando para ele durante vários segundos, e então grunhiu, fechando seus olhos. “Malditos Malfoys,” ele murmurou, mas em um tom longo que indicava mais afeição do que real irritação. Olhou para ele novamente com sua carranca usual, no entanto, e estreitou seus olhos. “Por que você está aqui fora?”
“Terminei o meu trabalho e precisava esticar minhas pernas.” Draco olhou em direção à floresta, tão escura e agourenta durante o dia quanto à noite. “E...Não acho que Potter vai continuar adiando suas aulas por muito tempo. Ao menos que eu queira que ele pratique em mim, vou precisar arranjar algum alvo.”
“Já faz um tempo que você não precisa de alvos, não é?” Snape perguntou. “Deve ter alguns frutos de carvalho por aqui, só não vá muito longe.”
Draco assentiu e assistiu seu mentor fazer seu caminho de volta pelo gelo, pegando dois alunos que tinham caído e partindo para longe do restante do grupo. Sozinho uma vez mais, ele continuou a andar ao longo do lago, olhando em direção às árvores à procura de um amontoado de bolotas. Congeladas pela nevasca, todas as folhas mortas permaneciam em seus galhos cobertas pelo gelo rodeava tudo a sua volta, mas a cada brisa elas se rachavam e caíam, de forma que a floresta parecia estar sob uma chuva de folhas.
Por fim encontrou alguns frutos em um jovem e torto carvalho. Abaixou-se e cavou a neve até encontrar terra, onde viu dúzias de outras castanhas espalhadas, várias delas podres ou quebradas, mas algumas em boas condições. Enquanto enchia o primeiro jarro, de vez em quando colocava suas mãos dentro do bolso de sua capa, que era especialmente enfeitiçada para mantê-lo quente, e murmurava para si mesmo sobre Severus ter esquecido de acrescentar luvas ao seu guarda-roupa.
Andou vagarosamente em volta da árvore, pegando todos os frutos que conseguiu encontrar. Outro carvalho mais alto crescia logo ao lado do primeiro, carregando ainda mais bolotas, e adentrando um pouco na floresta, achou outra árvore. Quando terminou de encher a segunda jarra, o sol já estava se pondo e a floresta estava quase negra por conta das sombras.
“ O que você está fazendo aqui?”
A voz estrondosa fez que seu coração desse um salto. Lutando para encontrar sua varinha, Draco congelou ao encontrar uma besta apontanda para ele, flecha posicionada e pronta para atirar. Muitas vezes mais alto que ele, Hagrid o encarou de modo suspeito e voltou seu olhar para as árvores, para se assegurar que estavam sozinhos, como se Draco tivesse uma legião de demônios esperando por ele.
“Pensei que você não podia sair do castelo,” Hagrid disse, sua voz retumbando com raiva. “Você nem deveria ficar perto dos alunos.”
Se a besta não estivesse apontada para o seu rosto, Draco teria se virado e corrido, ou ainda melhor, conjurado um feitiço e corrido. Algo tão grande devia precisar de uns dois ou três feitiços para matar. Ele se amaldiçoou mentalmente. Severus tinha acabado de lhe dar um sermão sobre se deixar divagar e ainda assim ele se permitiu fazer isso novamente. Desviou seu olhar do arco e olhou para Hagrid... e, por um momento, o enorme homem estremeceu quando seus olhos se encontraram.
Essa reação mudava tudo. Muito lentamente e sem fazer movimentos bruscos, Draco se levantou e forçou um sorriso arrogante em seus lábios. Afinal, seu pai sempre havia lhe dito que sua arrogância podia ser sua grande arma, se ele a usasse corretamente. Talvez ele pudesse usar os rumores sobre bruxos das trevas a seu favor.
“Não sou um prisioneiro, sou um convidado,” Draco disse como se estivesse falando com uma criança, “Posso ir e vir como e quando eu quiser.”
Hagrid o encarou por vários segundos. “Dumbledore disse que você não ia sair das masmorras.”
“Sabendo de quem se trata,” Draco disse com sua melhor voz arrastada, “você não deve ter entendido direito o que ele quis dizer. Deixe-me explicar isso pra você da forma mais simples possível. Minha estadia nas masmorras não é para me manter trancado, é para me poupar de ter que lidar com pessoas como você.”
“Você...” Hagrid grunhiu. “Seu…”
“Bruxo das trevas,” Draco completou. “Você sabe, do tipo que rouba almas e esfola criancinhas trouxas para fazer pão?”
Pelo modo como Hagrid ficou tenso, Draco percebeu que o meio-gigante provavelmente tinha ouvido todos os boatos e acreditado em cada um deles. Hagrid abaixou a besta, mas a manteve armada e pronta para disparar.
“Não sei por que Dumbledore te deixa ficar,”ele disse, “já tem muito mal por aqui hoje em dia sem que se precise convidar mais algum,”
Ele me deixa ficar porque o seu lado precisa de mim, Draco pensou, mas sabia que se mencionasse as aulas que daria a Potter, o segredo estaria na boca de todos antes do amanhecer. “Bom, a não ser que você pretenda explicar ao diretor porque você matou um hóspede dele, eu preciso voltar lá pra dentro,” ele disse. Virou-se como se fosse fazer o caminho de volta para o castelo, mas hesitou, olhando por sobre seus ombros em direção às árvores. “Venha então.”
“Eu não vou entrar,” Hagrid começou.
Draco levantou seu capuz mais uma vez para esconder seu sorriso. “Ah, não estava falando contigo,” E com isso ele saiu da floresta, rindo consigo mesmo ao ver Hagrid olhar avidamente ao seu redor em busca de um estranho ou de espíritos. Assim que ele saiu de seu campo de visão, no entanto, sua risada morreu e ele começou a andar furiosamente.
“Servo enorme e estúpido,” ele murmurou. “Tão idiota como os animais que ele tanto gosta. Provavelmente acha que eu já vendi minha alma. Espere só ele descobrir que eu estou ensinando o maldito Menino que Sobreviveu, queria poder ver a cara dele quando ele descobrir. Selvagem primitivo, isso é o que ele é...”
Mas era o selvagem que teve a vida de Draco nas mãos por um momento. Draco cerrou seus punhos e isso o deixou ainda mais frustrado, pois sua mão direita se recusava a se fechar completamente. Era um bruxo das trevas, caramba, poderoso, capaz, astuto o bastante para matar dois Comensais da Morte mesmo quando machucado e exausto... no entanto tinha certeza que não contaria a ninguém que quase dormira durante o ataque. Talvez para sua mãe, se é que poderia vê-la novamente. Mas ela, seu pai e Severus falavam sobre quase tudo e ele quase podia imaginar os três sentados juntos, tomando chá e rindo a suas custas.
“Lá está ele!”
Ele olhou na direção da voz como um cervo assustado enquanto o sonho onde era perseguido através da floresta congelada voltava à sua mente. Esperando uma multidão enfurecida armada com pedras do tamanho de seus punhos, soltou a respiração ofegante quando viu que era somente Ron apontando em sua direção do lago, Harry e Hermione ao lado dele.
“Está decidido,” Draco murmurou, se recompondo enquanto se aproximava. “Chega de devaneios, a não ser que eu esteja seguro dentro das masmorras.” Puxou um pouco mais o capuz de sua capa, usando-o como um escudo. Por que seus pesadelos estavam tão freqüentes e vívidos agora? Teria que perguntar a Snape mais tarde.
Quando eles o alcançaram, patinando suavemente no gelo, seu coração não estava mais disparado e até conseguiu olhar para eles com um ar desdenhoso. Harry parou atrapalhadamente, mantendo-se de pé somente por seus amigos, que seguravam seus braços.
“Nunca patinou antes, Potter?” Draco perguntou, rindo abertamente.
“Onde você estava?” demandou Harry. “Snape não queria me contar onde você estava e Dumbledore vem me pressionando para que eu comece as aulas.”
“Já?” Draco perguntou. “Só se passaram três dias.”
“Cinco na verdade, você estava dormindo durante os dois primeiros,” Hermione disse. “E todo minuto conta. Um ataque poderia acontecer a qualquer dia.”
“O que explica porque estão todos aqui fora curtindo o inverno,” Draco disse.
“Pare de fugir, Malfoy,” Ron disse. “Já se cansou de se esconder nas masmorras?”
“Eu não vou me cansar de ‘me esconder’ já que estou ajudando a criar poções para o seu lado,” Draco disse. “Quanto às aulas do Potter... Acho que Snape vai me deixar começar agora. Vamos entrar?” Andou ao lado deles, seguindo o contorno do lago enquanto eles patinavam ao seu lado.
“Ah, pare com isso,” Ron disse a ele. “Todos sabem como transfigurar sapatos em patins. Não quero morrer de frio esperando você dar a volta no lago.”
“Você não deveria estar aqui de qualquer forma,” Draco disse. “Tenho que ensinar o Potter. A não ser que você queira aprender magia negra, Weasley. Acha que seu pai não vai gostar? Mas sua família já tem filhos o suficiente, duvido que irão perceber se deserdarem um deles.”
“Seu—“ Ron disse, se jogando em direção a ele, mas Harry segurou seu braço para se impedir de cair para o lado.
“Não, Ron,” Harry disse, seus pés escorregando enquanto ele cambaleava. “Não vale a pena se meter em problemas por conta dele.”
“Não tenho tanta certeza,” disse Ron, mas não tentou novamente.
O resto dos alunos estava dentro do castelo, deixando o lago silencioso enquanto o sol se punha no horizonte. As sombras aterrorizantes e o brilho intenso das estrelas no céu violeta fizeram com que todos ficassem nervosos, no entanto, Draco se recusava a mostrar isso, enquanto os outros olhavam constantemente sobre seus ombros ao caminharem. Quando finalmente chegaram ao castelo, transfigurando seus patins em tênis ao pisar para fora do gelo, Draco, que andava um pouco atrás dos outros, olhou de volta para o gelo. Resplandecendo à luz da lua, as árvores e o lago brilhavam como prata, mas o vento batia cruelmente contra sua face. Sem o sol, a noite ficava amargamente fria. Esperava que seus amigos tivessem mais do que simplesmente roupas enfeitiçadas enquanto viajavam em direção ao norte.
Murmúrios muito baixos chamaram sua atenção e ele se virou para encontrar a maior parte da escola no Salão Comunal, tirando seus casacos e luvas, resmungando entre si e parando o que faziam para encará-lo. Sabia exatamente o que ele aparentava a eles, parado em sua capa negra que chegava até o chão e o capuz que escurecia sua face. Sabia o que todos eles haviam visto em seus livros de contos de fadas ilustrados quando eram muito mais jovens: que ele era um perfeito exemplo de um bruxo das trevas que vinha durante a noite para colocar a família sob um sono encantado enquanto roubava bebês de seus berços. O medo deles o fez sorrir, mas se lembrava muito bem do medo assassino nas multidões de seus sonhos.
“Por aqui,” ele disse para Harry, se dirigindo para o corredor do lado.
“Espere,” Ron disse, mas Draco o cortou.
“Sem platéias,” soltou ele, e então sussurrou de modo a fazer com que somente eles o ouvissem. “A não ser que você queira aprender também.”
Hermione pareceu tentada e chegou a dar um passo para segui-los, mas ao ouvir o modo exasperado que Ron disse seu nome, ela parou. Draco sorriu e se virou para sair. Ele não precisou olhar para trás para saber que Harry o estava seguindo. No corredor silencioso, podia seus passos claramente atrás de si.
Quando seguros na passagem vazia, ele tirou seu capuz e exalou, soltando a pressão de seus ombros. Seu coração precisava ver Crabbe, Goyle e Pansy outra vez. Estava precisando desesperadamente de aliados.
“Por que eles fizeram isso?” Harry perguntou, alcançando-o.
“Você se refere a me olharem como um animal selvagem?” Draco riu sombriamente. “Você nunca leu contos de fadas quando era pequeno?”
“Na verdade não,” Harry disse. “Só algumas histórias na escola. Por quê?”
“Nem consigo imaginar que conversa fiada de trouxas você pode ter lido, mas nossos contos de fadas normalmente têm um herói da luz com um bom coração derrotando um bruxo das trevas malvado e salvando uma donzela em perigo e, de lambuja, qualquer criança que tivesse sido roubada.” Sua voz adquiriu um tom de falsa felicidade ao continuar. “Nós, os monstros sem coração, moramos em cavernas escuras e nos escondemos do sol, mas quando a lua brilha sobre a terra, nós saímos e devoramos viajantes que se perderam pelo caminho. E você sempre pode distinguir um bruxo das trevas à noite porque eles vestem longas capas pretas e capuzes que mais parecem sombras intrincadas. É claro que nós, bruxos das trevas, só pegamos pessoas nas estradas. As bruxas das trevas se divertem muito mais. Elas montam animais de fazenda e cavalos até a exaustão e se deitam com homens inconscientes.” Draco olhou de relance para ele para ter certeza que o outro o estava ouvindo. “Você deveria ver o livro de figuras, eles são bem inventivos.”
Harry permaneceu em silêncio enquanto passavam por salas vazias ecoando e retratos em branco. “Alguma parte disso é verdade?”
“Até as maiores mentiras têm um pouco de verdade em si.” Draco se lembrou da caverna profunda com a lareira que se estendia a partir do escritório de seu pai. Sem dúvidas a antiga família Malfoy já havia vivido entocada na terra antes da construção do que se transformaria na mansão. “Não pude ler o Profeta até agora, mas sem dúvida todo mundo já sabe o que eu sou. É claro que vão me encarar.”
“Provavelmente só estão curiosos sabendo que a sua mansão foi destruída,” disse Harry. “O Profeta não disse muita coisa. Dumbledore não contou nada a eles, então eles ainda não sabem o que aconteceu.”
Passadas decididas atrás de si os fizeram se virar. Com as mãos segurando seu pesado casaco, Hermione correu até eles e parou para recuperar o fôlego. Mesmo um pouco confuso, Harry sorriu ao ter uma amiga ao seu lado. Draco fechou a cara.
“O que você está fazendo aqui? Ele perguntou. “Eu disse—“
“Sem platéias, a não ser que eu estivesse disposta a aprender,” disse ela, olhando desafiadoramente para ele. “E eu estou.”
“Hermione—“ começou Harry.
“Não vou deixar você sozinho com ele,” ela disse. “Além do mais, eu quero ver isso.”
“E o Weasley?” Draco perguntou. “Ele não parecia muito contente em te deixar vir.”
“Lido com ele outra hora,” ela disse. “Agora, nós vamos ou você quer discutir um pouco mais?”
Ao invés de responder, Draco guiou-os pelo labirinto de corredores que eventualmente os levaria às masmorras. Apesar de tudo, prestou atenção na conversa de Hermione com Harry sobre como Hogwarts muitas vezes mudava sua arquitetura interior por um simples capricho e que muitos caminhos e salas haviam se perdido ao longo dos anos, simplesmente para serem descobertos mais uma vez quando o castelo se moldava de novo.
“De fato,” ela disse, “alguns retratos da escola dizem que não fazem a mínima idéia onde suas molduras originais estão. Eles saíram para visitar outras pinturas, o castelo se modificou, e eles perderam a noção de onde estava tudo.”
“Onde eles ficam então?” Harry perguntou.
“Onde eles quiserem, eu acho. Muitas das pinturas de festas eram originalmente paisagens vazias.” Ela olhou à sua volta para as telas pretas e estremeceu ao ver como a tinta parecia intimidadora sem uma figura. “Imagino que alguns retratos não iam querer voltar mesmo se soubessem onde estão.”
“Não devem querer deixar suas festas,” Draco disse, os levando para outro corredor, íngreme e anguloso. “Afinal, esse caminho fica bem longe da entrada principal, o que nos leva à questão, Granger, eles estão de fato perdidos ou todo mundo simplesmente não gosta de admitir que essa parte de Hogwarts existe?”
“O que você quer dizer? É claro que existe,” ela disse de modo atravessado. “Estamos nela, não é?”
“Sim, mas é como a Travessa do Tranco,”ele disse, seu sorriso se tornando presunçoso. “Todos sabem onde fica, mas ninguém gosta de falar sobre ela.”
Hermione abriu a boca para discutir, mas Harry foi mais rápido. “E por que falaríamos sobre isso? Não há nada bom lá dentro, só bruxas malvadas vendendo unhas humanas, dentes, ou coisas amaldiçoadas.”
“Unhas da mão,” Draco começou, “se processada de modo correto, pode tratar vários problemas de pele. Dentes humanos, especialmente os caninos e incisivos, são excelentes amuletos de proteção.”
“É mesmo?” Hermione perguntou, “Nunca os vi listados em nenhum livro de poções ou de feitiços.”
“É porque com unhas da mão é possível também criar uma boneca que tiraria toda a vida de você,” ele disse com um sorriso. “E dentes... bom, em mãos erradas, o que sobraria da vítima seria bem feio.”
Harry e Hermione fizeram uma careta e não perguntaram mais nada.
Eles finalmente chegaram às masmorras, mas Draco não os levou à sala comunal da Sonserina. Ao invés disso, escolheu uma sala próxima. Carteiras empoeiradas estavam encostadas nas paredes e a última aula, uma receita para alguma poção esquecida, ainda estava vagamente visível no quadro negro. Ele abriu uma de suas jarras e pegou um punhado de frutos de carvalho, então os colocou cuidadosamente no chão a vários centímetros uns dos outros.
“A primeira coisa que vocês têm que aprender,” ele explicou enquanto colocava as bolotas no chão, “é que magia negra, não é exatamente como os feitiços que vocês têm usado.”
“Dumbledore disse que eles são como sombras,” Harry disse. “Mas que pode ser preciso muito poder para lançá-los.”
“Eles são muito cansativos,” Draco admitiu. “Um dos motivos porque eu estava morto de cansaço quando cheguei, era porque eu tinha lançado muitos feitiços naquele dia.”
“Para se livrar dos Comensais da Morte te seguindo?” Hermione perguntou.
Draco se lembrou da face quebrada do segundo Comensal antes de matá-la. “Mm. Não inteiramente. Mas feitiços das trevas podem ser como sombras no sentido que é muito difícil de pegá-los. Um jeito melhor de explicar é que a magia negra é como uma hidra. Se você cortar uma cabeça, ela irá se transformar e se transformar em alguma coisa mais forte.”
Colocando-se à frente dos Grifinórios, Draco apontou sua varinha no fruto mais próximo e sussurrou “risana”. Uma luz verde escura saiu de sua varinha em direção à castanha.
Nós de madeira saltaram do fruto, se curvando sobre si mesmos enquanto cresciam e formavam um tronco grosso até terminar formando um nó no topo. Draco respirou fundo e olhou para o que a noz havia gerado. Não criava um alvo há anos, e esse pendia um pouco para a direita, com uma cabeça torta. Para sua surpresa, algumas folhas brotaram da madeira, pontos de verde brilhantes na sala cinza.
“Vão precisar de alvos para praticar, então terão que dominar esse feitiço primeiro,” Draco disse para Harry. “Sugiro que abandonem toda a lição de casa por algumas semanas.”
“Semanas?” Harry perguntou incredulamente. “Você espera que eu gaste meu tempo aprendendo a transformar nozes em árvores?”
“Não é transformar uma noz em árvore,” Draco disse. “Isso parece uma árvore para você?”
Hermione respondeu por ele. “Parece um punhado de galhinhos enrolados juntos. O que você fez com ele? Não é um feitiço normal.”
“É claro que não, não é da sua escola de magia.” Apoiando-se contra uma mesa, Draco tirou sua capa e a jogou na cadeira mais próxima. “Seus feitiços são baseados basicamente no latim. Se precisar alterar um feitiço, você simplesmente adiciona outra palavra.”
“Como em mobiliarbus e mobulicorpus,” Hermione assentiu, sem notar o olhar de aviso que Harry lhe lançava.
Draco a olhou com atenção. “Quando teve que mover um corpo?”
“Não é importante,” Harry disse, a cobrindo. “Só outra aventura que rendeu a Grifinória milhares de pontos.”
“Certo...”Draco disse, sem se convencer. “Bom, de qualquer forma, sim. Em linhas gerais, esse é o modo como sua magia funciona. A nossa, no entanto, funciona simplesmente pela intenção. Não tenho que acrescentar outra palavra. Risana significa levantar, mas dependendo de como me sinto, posso fazê-la significar crescer,como com os frutos, ou se estou lutando com alguém, posso usar para fazer ferver o sangue de meu oponente.”
Com os olhos fechados, os dentes cerrados, Hermione segurou seu casaco mais fortemente, não por medo, mas para acalmar seu estômago que se revirava pelas imagens que se formavam em sua mente. “Levantar...você...você quer dizer levantar a temperatura corporal?” ela deixou sair.
“Exatamente.”
“Não é como nossos feitiços,” ela disse, assentindo. “Posso transformar alguém em um animal, mas não posso mudar sua natureza.”
“O que você quer dizer?” Harry olhou para eles sem entender. “Hermione? O que você quer dizer, mudar sua natureza?”
“Transforme um porco-espinho em uma almofada de alfinetes,” Draco disse, “o que você está fazendo na verdade é mudar a aparência exterior do porco-espinho. Se a Granger aqui te transformasse em um leão, você ainda seria o Potter, só que com garras e dentes. Mas quando eu mudo alguma coisa, eu a altero. Se eu te transformasse em um leão, você seria o Gato que Sobreviveu. Você se esqueceria de quem você costumava ser para correr atrás de seus amigos e comê-los.”
“Como um lobisomem, Harry,” Hermione disse. “Eles agem normal nos dias comuns, mas quando a lua cheia chega e a magia negra os abraça, eles esquecem completamente quem são.”
“É por isso que magia negra precisa de tanto poder,” Draco disse. “Agora que parei para pensar nisso, se eu realmente te transformasse em um leão, eu provavelmente ficaria desmaiado por alguns dias.” Ele gesticulou para as castanhas que ainda estavam no chão. “Deve levar uma semana ou duas para que consigam conjurar um risana e ainda ter forças o suficiente para aprender outro feitiço.”
Harry olhou para Draco durante um longo período. Sem dúvida o loiro se lembrara da ameaça anterior afinal não havia insultado Hermione por suas origens nenhuma vez ou trazido o assunto do “pobretão”, mas, além disso, ele também estava sendo mais amigável que o normal. Muito longe de ser agradável, é claro, mas sem os insultos e as intimidações, esse Draco era ao menos tolerável. Mas a mudança preocupava Harry. Por mais feliz que estivesse por suas aulas não serem a tortura que havia imaginado, qualquer mudança na atitude de Malfoy parecia suspeita.
“Se você não acredita em mim,” Draco disse, pensando que a hesitação de Harry era pelo feitiço, “pode tentar agora, se quiser. Mire em um dos frutos e deseje que cresçam galhos nele.”
Hermione hesitou, mas Harry levantou sua varinha, apontou e disse “risana.” A luz de seu feitiço sumia em comparação com a do de Draco e quando atingiu a castanha, só alguns galhos cresceram, fazendo com que ela parecesse uma aranha deformada. Para sua surpresa, Draco assentiu.
“Nada mal para uma primeira tentativa,” ele disse. “Sentiu alguma coisa quando conjurou isso?”
Harry olhou-o de canto de olho. Draco parecia estar genuinamente curioso. “Não sei, mas tinha alguma coisa diferente. Me senti...mais pesado. Eu pude sentir o peso do feitiço em minha varinha.”
Isso fez com que Draco se lembrasse de algo que havia esquecido, e ele suspirou e fechou seus olhos. “Peso, certo... droga.”
“O que houve?” Hermione perguntou.
Suprimiu uma risada. Como explicar que esquecera algo que quase fez com que perdesse a vida uns poucos dias atrás? Sobrevivera sob a ameaça de a magia negra devorá-lo por dentro desde que aprendera a usar uma varinha. Viver evitando uma morte dolorosa, por mais assustador que fosse, era um acontecimento normal de sua vida.
“Isso tem haver com o que aconteceu antes, não é?” Harry perguntou. “Quando tive que te ajudar a chegar à Sonserina.”
“Esse peso a mais que você sentiu,” Draco disse, olhando para ele, “é o que deve ser limpo todas as noites. Se você passar muito tempo sem se livrar dele, vai acabar te devorando. É o preço que pagamos por uma magia tão poderosa.”
“Mesmo com um preço tão alto,” Harry disse, “vale a pena?”
“É claro que vale!” Draco soltou, sibilando ao ver o descontentamento do outro. “Você não vai entender até praticar esses feitiços, mas a magia negra é muito mais satisfatória, mais...mais...” Ele procurava uma palavra para descrever, mas desistiu. “Ela só me feriu porque eu estava com o peso de feitiços poderosos da minha família inteira, assim como os do Lorde das Trevas, me circundando e eu não pude parar para me lavar na neve.”
“Então como você se livra disso?” Hermione perguntou. “É só tomar um banho?”
“Água é necessária, sim,” Draco disse. “Mas há um ritual e uma... Acho que posso chamá-la de prece.” Fechou seus olhos novamente e correu suas mãos pelos seus cabelos. Burro, burro, como pôde ser tão burro a ponto de esquecer que teria que ensinar o ritual a esses Grifinórios ingratos? Se Voldemort não tinha conseguido matá-lo, seu pai o faria.
“Olha,” começou ele antes que pudessem apressá-lo para ensinar-lhes logo de uma vez. “Sei que vocês não têm respeito algum por magia negra, mas eu juro que se vocês contarem esse feitiço para alguém não vou ensinar mais nada a vocês, com guerra ou sem guerra. Toda família de puro sangue possui sua própria versão desse feitiço e nunca contamos a ninguém como ela é.”
Hermione virou sua cabeça, obviamente pensando sobre alguma coisa, mas ela não disse nada e simplesmente assentiu. Quando Harry assentiu também, Draco recitou o feitiço e então o repetiu, pronunciando as palavras vagarosamente até que eles pudessem dizê-las perfeitamente. Desacostumados com uma língua estranha, eles lutaram com a pronúncia, especialmente depois que ele se recusou a lhes dizer o que elas significavam. Quando conseguiram falar as consoantes ásperas e entoar o ritmo lírico, o loiro balançou as mãos, dispensando-os.
“É o suficiente,” ele disse, reprimindo um bocejo. Empurrou dois jarros com castanhas sobre a mesa em direção a eles. “Aqui, vocês podem usá-las para praticar. Não voltem enquanto não tenha aprendido o risana a ponto de fazer algo que pareça uma criança.”
“Criança?” Hermione ecoou. “Ah Malfoy, não tem nenhum jeito de pular esse feitiço? Não temos tempo para isso e—“
Draco a interrompeu com uma risada. “Sim, é claro, há um modo de pular isso. Vocês podiam simplesmente usar um ao outro como alvos e esperar que seus contra-feitiços sejam bons o suficiente. Aqui, você quer aprender outra coisa?” Ele ergueu sua varinha, mirou no seu alvo torto e disse “haetus heorte!”
O lugar onde o coração do alvo estaria entrou em chamas, queimando um buraco do tamanho de um punho através do peito, de forma que era possível ver a parede através do espaço que se abriu. Antes da fumaça se extinguir, Draco jogou um crepara. As vinhas entrelaçadas se secaram instantaneamente, formando uma massa disforme antes de se reduzir a cinzas. Ele olhou de volta para os Grifinórios, cujas expressões de repulsa eram idênticas e devido à imagem do que isso causaria a uma pessoa e não com o que havia acontecido com o alvo.
“O que...” Hermione balbuciou, “o que foi isso? Nunca ouvi sobre eles antes. O primeiro não era latim...”
“A maior parte de nossos feitiços se originou a partir das línguas antigas,” Draco disse, não se importando em esconder que a reação dela o satisfazia. “Sua escola de magia tomou o lado dos invasores romanos, então nós não nos prendemos tanto ao latim como vocês. Já as palavras... as aprenderão mais tarde. Ainda quer pular o risana?”
Harry simplesmente continuou a encarar o alvo destruído. Hermione, no entanto, pegou um dos potes de castanhas e colocou dentro de seu casaco. “Bom, é melhor eu ir,” ela disse muito rapidamente. “Disse ao Ron que iria à biblioteca para terminar minha lição de casa.” Esperou um instante ao lado da porta, mas quando Harry não se moveu, ela foi embora sozinha. O som de seus passos desapareceu rapidamente.
Draco focou sua atenção em Harry, que não tinha se movido. “Granger parece não gostar de magia negra. Acha que eu a assustei.?”
“Você já usou isso,” Harry disse. Não era uma pergunta e ele olhou para Malfoy como se o reconsiderasse.
“É claro.” Draco encontro seu olhar por alguns segundos, mas logo o desviou. Por que os olhos de Potter pareciam adagas? Seu olhar era desassossegado como o do Lorde das Trevas. “Usei crepara em um dos Comensais para chegar até aqui.”
“E o outro feitiço?"
“Não, eu usei outro, mas é difícil fazer um punhado de vinhas ter hemorragia então eu mostrei uma coisa mais vistosa.” Lutou contra a vontade de estremecer. Acontecera alguma coisa durante o verão para fazer com que o olhar de Potter se transformasse em algo tão insuportável ou era algo que sempre estivera lá e só agora percebia?
“Por que você nunca os usou antes?” Harry perguntou. “Você quis me ferir por anos, até me matar. Por que não?”
Meu pai me mataria, Draco pensou, mas não o disse. Potter não sabia quanto valor ele dava à opinião de seu pai e revelar isso provavelmente renderia uma vida inteira de zombarias para os sétimo-anistas. “Um feitiço das trevas poderia desfazer minha família inteira,” ele disse suavemente. Para sua surpresa, Potter não discutiu.
“Então você recolheu suas presas,” disse Harry, “como Dumbledore falou.”
“Não são presas exatamente, mas sim. Explodir estudantes não é permitido.”
“O que você quer dizer com ‘não são presas exatamente’?” Harry deu um passo à frente e Draco percebeu que ele ainda não havia recolhido sua varinha. “Vocês Malfoys são muito talentosos com as palavras quando querem.”
Mesmo tendo o Menino que Sobreviveu se aproximando deliberadamente, Draco se manteve firme. “Ha, ha, ha, nós Malfoy também podemos manter segredos de família quando queremos. Agora, já terminou seu interrogatório? Você tem feitiços pra praticar.”
Harry ficou olhando para ele durante mais alguns instantes, e então pegou o pote de bolotas restante, se virou e saiu. Por um momento, Draco ficou ouvindo o eco de seus passos se distanciar pelo corredor, até que foi deixado sozinho, olhando para a sala vazia. Silenciosamente pegou as castanhas que não tinha usado, se livrando da castanha que Harry havia usado com um “incendio”, e deixou a sala, extremamente ciente do som que suas vestes faziam enquanto ele se movia. Se Crabbe e Goyle estivessem lá, ele poderia estar rindo enquanto fariam seu caminho de volta a Sonserina, onde ele se jogaria em seu sofá preferido, em frente à lareira, sua cabeça apoiada sobre o colo de Pansy. Eles teriam sorrido e o favoreceriam enquanto ele reclamaria dos Grifinórios e dos sangue-ruins, e mais tarde a conversa o faria cochilar, despertando-o somente por perguntas ocasionais.
A entrada da Sonserina bateu um pouco mais violentamente do que o normal atrás de si, o fazendo despertar de seus devaneios. O fogo tinha minguado, deixando a sala gelada, mas ele ignorou esse fato, se ajeitando no sofá que ele havia virado em direção ao lago. A almofada servia como um bom travesseiro e ele se fechou em sua capa enquanto se deitava. A luz da lua estava refletida na água, se movendo mais lentamente agora que a superfície estava congelada, mas ainda rápido o suficiente para ser notada, brincando sobre sua face enquanto ele esperava pelo sono, por outro pesadelo, e por outro dia.
Continua...
1.O fígado venenoso de dragão foi tirado do filme da Disney Bedknobs and Broomsticks (N/T.: Aqui foi chamado de “Se minha cama voasse”. Não conheço esse filme, não sei se é muito conhecido), que você provavelmente vai gostar, se já não viu.
, peguei emprestada a descrição do Snape usando a hidra como metáfora para as artes das trevas.
, do inglês antigo, levantar.
heorte, do inglês antigo hætu, calor, e também do inglês antigo heorte, coração.
, do latim crepare, quebrar.
, do latim haemorhagia, hemorragia.
Nota da Quin: não me matem pelo atraso. Por favor, não me matem! Bom, apesar de tudo o capítulo 4 finalmente saiu e devo dizer que o próximo capítulo também deve demorar, afinal as aulas na facul começam segunda e, mesmo que na primeira semana não tenha muita coisa, com o começo das aulas fica mais difícil apressar a tradução... Tenho um pouco de paciência comigo, por favor... XX
Mas atrasos a parte...O que estão achando da história? O Draco finalmente começou a ensinar magia negra para o Harry e nada dos outros Sonserinos voltarem...Pobre Draco, abandonado na cova dos leões!