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Juliane.chan1
Author of 124 Stories

Rated: K+ - Portuguese - Romance/Humor - Reviews: 14 - Updated: 09-21-08 - Published: 02-06-08 - id:4057484

KAGOME

Disclaimer: Saint Seiya pertence a Massami Kurumada E as Editoras e Empresas licenciadas.

SINOPSE: Kamus descobre que seu grande amor do passado morreu...e lhe deixou uma filha adolescente e problemática.

Capítulo 1:

Santuário. Coliseu.

Dois homens de grande poder disputavam na arena uma animada sessão de luta romana, e Kamus de Aquário parecia estar com certa vantagem em comparação a seu amigo Aiolia. Próximos a eles estavam Milo, Aiolos e Shura fazendo apostas para saber quem cederia primeiro.

De repente, com um rápido movimento, Kamus desequilibra Aiolia jogando-o ao chão e mantendo-o inerte com uma chave de pernas. O grito de Milo anunciava o vencedor e o jovem grego recolhia dos demais cavaleiros o dinheiro das apostas, enquanto Kamus soltava Aiolia.

-Na próxima...eu venço.-dizia Aiolia, ofegante pelo esforço.

-Você se distraiu.-disse Kamus, olhando para onde o leonino parecia perdido e viu a amazona Marin conversando com outras companheiras.-Mulheres...elas são seu ponto fraco.

-Ela é meu ponto fraco.-corrigiu o aquariano.-Diz aí Kamus...nunca uma garota lhe tirou do sério?

-Uma. Há muito tempo.-Kamus respondeu sem pensar.,parecia voltar no tempo.

-Quem?-Aiolia interessado.

-Isso não é importante.-ele se levanta de repente e vai caminhando para fora do coliseu.-Relacionamentos não combinam com a vida que escolhemos.

-Que bicho mordeu ele?-Aiolia estranhando a atitude de Kamus.

-Ei! Kamus!-Milo corre atrás dele.-O Shura tá te desafiando. Se ganhar esta já tenho a prestação da minha moto deste mês!

-Não estou com disposição para isso agora, Milo.

-E...e minha moto?-olhos pidões.

-Lute você em meu lugar.-e saiu sem olhar para trás.

-O que houve com ele?-Milo estranha.-Estava animado agorinha a pouco.

-Acho que a culpa é minha.-respondeu Aiolia.-Perguntei sobre garotas para ele e...

-E?

-Perguntei se nenhuma havia sido importante na vida dele e ele ficou assim.-explicou o cavaleiro de leão.

-Hmm...será? Depois de tanto tempo...-fica pensativo até uma mão lhe puxar pra arena.-Que?

-Usted luta comigo agora, Milo.

-QUE?

-Quero revanche e a chance de recuperar meu dinheiro.-dizia Shura.

-QUE!-Milo se desvencilha.-Pera aí que tenho que ver o que está acontecendo com meu amigão, Kamus.

Rapidamente Milo sai de lá para alcançar Kamus logo adiante, e coloca a mão em seu ombro de maneira solidária.

-Quanto tempo ainda vai ficar assim por causa dela?-foi logo perguntando.

-Não sei do que está falando.

-Sempre que o assunto é garotas, você tem duas reações. Ou fala das garotas que você catou no último fim de semana ou fica com mau humor do cão ao lembrar da Shiori.

-Shiori é passado.

-Será? Cara...faz uns dezesseis anos que você olha para aquela foto.-Kamus para de caminhar.

-Quinze anos.

-Tá, quinze anos. Não está na hora de realmente esquecer do passado? Afinal, foi ela quem te deixou e sumiu!

-Não é algo tão simples assim, Milo. É que eu... Deixe para lá.

-Diga.

-Ontem sonhei com ela e hoje me peguei pensando nela. Como um presságio de algo ruim, eu não sei explicar.-passou a mão pelos cabelos num gesto nervoso.

-Hummm...aquele é o mordomo da Atena?-perguntou, apontando para um homem que vinha correndo apressado na direção deles.-Como é mesmo o nome dele?

-Do puxa saco? Tatsumi.-respondeu Kamus, cruzando os braços.

-Senhores cavaleiros...puf, puf...procurava o senhor, cavaleiro de Aquário.-dizia o mordomo, cansado de tanto correr, segurava um papel na mão.-A senhorita pediu que eu lhe entregasse isso urgente!

-E o que é isso?-Kamus pegou o papel com uma série de números.

-É o telefone de um advogado em Tóquio.-Kamus ergueu a sobrancelha sem entender.-Parece que é urgente!

Kamus franziu o cenho. O que um advogado japonês iria querer com ele com tanta urgência. Agradeceu ao mordomo e tratou de ir ver o que se passava. Foi até as imediações do Santuário, onde ligou de um posto telefônico na vila de Rodório.

Do outro lado da linha escutou uma voz feminina atender ao telefonema.

-Moshi moshi?

-Er...sou Kamus Lamayer, pediram para que eu ligasse e...-começou a falar em japonês.

-Ah, sim...mounsier Lamayer. Eu sou a advogada da família Kobayashi.-a voz feminina começou a falar em francês.-Podemos conversar em seu idioma. Estou ligando em nome da senhora Shiori Kobayashi e...

-Olha...-sentiu um nó na garganta ao ouvir o nome dela.-Eu não sei o que a senhora Kobayashi tem a dizer para mim que precise de uma advogada! Por que ela não me lig...

-Mounsier...estou ligando para avisá-lo que infelizmente a senhora Kobayashi veio a falecer há dois dias.-disse a advogada.

Kamus fica mudo com a notícia por alguns instantes. Depois pergunta:

-Ela...morreu?

-Sim...achei que devido à ligação que tinham, poderia querer se despedir dela. A senhora Kobayashi será cremada amanhã à tarde, segundo o desejo dela.

-Eu...agradeço.

-Lhe passarei meu endereço. Gostaria que viesse ao meu escritório para tratarmos de sua herança.

-Herança?

-Sim...o senhor é herdeiro dos bens da senhora Kobayashi. Preciso que venha conversar comigo.

-Estarei aí o mais breve possível.

Muitas horas depois, Aeroporto Internacional de Tóquio.

Devido às circunstâncias, Atena providenciou passagens imediatas para que Kamus chegasse ao Japão. Também ficaria hospedado em sua casa na cidade e pediu que alguém o recepcionasse ao chegar.

Kamus só não esperava que fosse ele.

-Mestre!-o rapaz loiro acenava em meio a multidão que aguardava os passageiros desembarcarem.-Estou aqui!

“Impossível não notar, Hyoga. Parece um farol humano acenando assim”, acenou discretamente em retorno.

-Que bom rever o senhor mestre.-dizia o rapaz, pegando a mala de Kamus com um sorriso.

-Não pretendo ficar muito tempo, Hyoga.

-Quer que eu o leve a mansão?-perguntava enquanto caminhavam.

-Não. Primeiro preciso fazer algumas coisas. Conhece o endereço deste lugar?-mostra o papel com o endereço do escritório de advocacia.

-Distrito de Chinjuku? Claro!

Algum tempo depois, os dois homens chegaram ao tal endereço. Kamus desceu do carro e pediu que Hyoga o esperasse, pois não iria demorar muito. Subiu por uma das ruas até um prédio meio escondido entre lojas e entrou. O escritório era no segundo andar e subiu então as escadas.

Uma recepcionista entretida com um mp4 o recebeu e após dizer quem era o levou por um corredor até uma das portas. Ela bateu e uma voz feminina mandou que entrasse em japonês.

Kamus parou na porta ao ver a advogada. Não era nada do que havia imaginado. Pela voz sabia que era jovem, mas achava que era japonesa, mas viu-se diante de uma garota de origem ocidental e magra, de baixa estatura e cabelos castanhos ondulados. Por trás dos aros dos óculos estavam um par de olhos castanhos muito claros e vestia-se sobriamente com um tailleur azul marinho.

-Mounsier Lamayer?

-É francesa?

-Naturalizada japonesa. Ann'louise d' Morangias a seu dispor.-respondeu apontando a cadeira.

-Casada?-Kamus sentou-se e a observou melhor.

-Divorciada.-ela pegou alguns papéis.-Mounsier...vou ler agora os últimos desejos da minha cliente.-ele concordou com um aceno de cabeça.-Ela o nomeou herdeiro de todos os seus bens contidos nesta caixa e guardião de uma conta bancária.-ela lhe estende uma caixa de madeira ornadas com sakuras entalhadas e um papel com os dados do banco.

-Eu...dei esta caixa a ela.-e pegou, ignorando o papel estendido e abrindo. De dentro dela retirou uma chave presa em um cordão, cartões e fotos dos dois juntos. Uma delas havia sido tirada nas portas de um templo e Kamus virou a fotografia onde estava algo escrito em japonês.

-Pareciam felizes...-ela comentou.

-Fomos sim.-Kamus guardou tudo de volta na caixa e a fechou, passando os dedos pelas sakuras entalhadas.-É apenas isso? Onde está sendo velado o corpo de Shiori? Sobre a conta, pode doar tudo o que tem nela para alguma instituição social e...

-Não posso fazer isso, e nem o senhor.-disse a advogada.

-Como?

-A senhora Kobayashi lhe passou a conta para que possa administrar a mesada semanal que irá dar a sua filha, senhor Lamayer.

-Ah, bom. Neste caso...UMA FILHA?!?!?!?!-Kamus se ergue rapidamente assustado.-Shiori teve uma filha? Quantos anos ela tem?

-Sim, ela tem sim. A menina fará quinze anos.-respondeu a moça estranhando o nervosismo dele.-Sua filha.

-QUINZE ANOS!-ele colocou a mão na boca e caminhou nervoso de um lado para o outro na sala.-Quer dizer, ela é minha? Faz quinze anos que eu não a vejo mas...tem certeza que é minha? Quero exame de DNA e...

-Pela certidão de nascimento você é o pai e...-ela sorri sem graça.-Basta olhar para ela para ver que é sua filha mesmo.

-Onde ela está?

-Na sala ao lado.-apontou para uma porta.

-Aqui do lado? Por que?

-Ela está nervosa porque saiu da prisão esta manhã. Achei prudente que a trouxesse para cá.

-PRISÃO? Eu tenho uma filha de quinze anos e ela estava na prisão? Por que?

-Quando recebeu a notícia da morte da mãe se embebedou e bateu em dois policiais.-respondeu Ann'louise.

-Ela sabe de mim? Isto é...sabe que sou seu pai?-ele estava nervoso.

-Creio que não.

-Não conte a ela quem sou.-decidiu.

-Por que não? A menina acabou de perder a mãe. Saber que tem um pai pode alegrá-la um pouco.

-Ela não me conhece! Sou um estranho para ela. Deixe que eu conte depois, por favor...quinze anos é uma idade delicada e...eu não sei lidar com adolescentes!

-Tudo bem, se o senhor assim quiser...por que não abre a porta e se apresenta a ela?-diz a advogada.

Kamus vacila em abrir a porta por três vezes e depois a abre.

O cavaleiro de Aquário se depara com uma jovem de roupas de colegial desleixadas branca e vermelha e coturnos pretos, usando meias listradas e coloridas nas pernas. A garota olhou para Kamus e para a advogada e começou a falar sem parar em japonês, apontando para ele de maneira agressiva, discutindo com a advogada que respondia no mesmo tom.

-O que ela disse?-perguntou Kamus.

-Ela perguntou: Quem é você?-disse Ann'louise suspirando.-Kagome, este é um amigo de sua mãe. O mounsier Kamus Lamayer.

-De onde conheceu minha mãe? Como posso saber que é amigo dela mesmo?-perguntou rispidamente e desconfiada.-Quem não me garante que você é algum tio tarado por adolescentes?

-A conheci aqui mesmo no Japão...em Kyoto. E você fala muito bem o francês.-Kamus respondeu.-E não sou tarado!

-Minha mãe me ensinou.

Kamus reparou melhor na jovem e quase engoliu em seco. Apesar dos traços orientais predominantes na filha, que lembravam Shiori, ela tinha o mesmo formato de seu nariz e sobrancelha, e olhos azuis...iguais ao dele!

-Quem é o cara, Annie?-perguntou a advogada.

-Ele é seu...-Kamus lançou um olhar suplicante a advogada.-Seu tutor legal!

-O que?-a menina explodiu.

-Até atingir a maioridade o senhor Lamayer irá cuidar de seu bem estar, Kagome.-respondeu.

-É francês também? Conheceu meu pai? Aquele filho da mãe! O desgraçado bastardo era francês!

-Ele o que... Não. Não conheci seu pai e acho que não deveria falar dele assim.-repreendeu Kamus imediatamente, estranhando a agressividade dela.

-Porque não? Minha mãe o chamava assim.-respondeu se jogando no sofá.-Odeio o cretino!

Kamus olhou para Ann'louise que deu os ombros.

-Ela é sua agora.-disse a garota.

-Merci.-respondeu mordaz.

-E aí? Para onde vamos agora, tio Kamus?-a menina perguntou com um sorriso que Kamus interpretou como o prenúncio de problemas... E com P maiúsculo.

- Ao velório de sua mãe.-respondeu friamente, fazendo-a ficar séria de repente.- É hoje que haverá a cerimônia ...

- Mamãe pediu para ser cremada e suas cinzas jogadas em Mya-jima. Ela amava aquele lugar!-disse a menina, interrompendo-o.

A menção do nome da cidade fez uma sombra de tristeza pairar sob o olhar de Kamus. Ele sabia o porquê daquele lugar ser especial.

- Hoje a noite passarei em seu hotel, senhor Lamayer para lhe explicar sobre o que precisa saber a respeito dos bens da senhora Kobayashi.-informou a advogada.-Também irei ao velório esta tarde.

-Merci. Mas estou hospedado na casa de uma amiga. Posso deixar o endereço se quiser.

-Eu agradeceria.

Após escrever em um bloco o endereço da residência dos Kidos, Kamus voltou a fitar a menina e determinou com voz autoritária.

-Vamos Kagome?

A garota suspirou ruidosamente, pegou a bolsa e a jaqueta e saiu, sem se despedir. Kamus também suspirou, mas de desânimo, e acenou para a Ann'louise e saiu atrás da filha.

Continua...



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