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Juliane.chan1
Author of 124 Stories

Rated: K+ - Portuguese - Romance/Humor - Reviews: 14 - Updated: 09-21-08 - Published: 02-06-08 - id:4057484
KAGOME

KAGOME

Capítulo 3:

-Onde ela pode estar?

Kamus indagava, olhando o constante movimento de jovens em uma rua badalada da cidade. Ao seu lado, Ann'louise dirigia devagar, também prestando atenção a rua.

-Ela tem quase quinze anos.-respondeu a moça.-E adolescentes costumam ser instáveis.

-Eu sei que ela está assim por causa dos últimos acontecimentos. Mas, droga! Custava me dizer aonde ia?

-Calma. Hyoga foi ao Shopping preferido dela, se ele a encontrar lá irá nos telefonar.- Ann'louise tentava tranqüilizá-lo.

-Eu não me dou bem com adolescentes. -ele suspirou.

-Mas eu soube que foi você quem praticamente criou Hyoga.

-Ele era uma criança e quando atingiu quatorze anos... Mandei ele praticamente cuidar da própria vida. -ele sorriu. -Hyoga nunca foi rebelde e sempre foi independente...e é um homem!

-E o que tem isso?-ela ergueu a sobrancelha fitando-o.

-Não pense que estou sendo machista!-defendeu-se.-É que...meninas são mais sensíveis...diferentes!

-Kagome nunca foi rebelde.- Ann’louise começou a falar séria.-Sempre se virou sozinha, já que Shiori tinha as preocupações dos negócios da família e os outros parentes eram retrógrados demais com a idéia dela ser filha bastarda de um estrangeiro. Você conheceu o pai de Shiori? Ele nunca escondeu que desprezava a neta, mas mesmo assim...ela superava tudo com dignidade e uma maturidade que não condiz com a idade dela.

Kamus ouvia tudo em silêncio, sentindo uma pontada no estômago ao imaginar a filha lidando sozinha com os parentes de Shiori, sem alguém para protegê-la deles... Ele podia ter protegido ambas, se tivesse tido a chance.

-A única pessoa que amou Kagome naquela família além da própria mãe, foi uma tia avó.-ela fitou Kamus, que olhava preocupado pela janela.-Quando a pobre senhora faleceu, deixou tudo o que tinha para a sobrinha neta. Claro que os outros não gostaram nada. Era um bom patrimônio.

-E Shiori cuidou bem deste patrimônio, presumo.

-Sim. E antes de morrer, para ter certeza de que a filha não seria enganada ou roubada pelos parentes, ela nomeou você como guardião legal da filha.-Kamus fechou os olhos e os reabriu sentindo-se nada a vontade.-E lógico que agora, Kagome também irá herdar o patrimônio da mãe.

-Por que eu?

-Porque é o pai dela. Está agindo errado com Kagome.-falou a advogada.-Para começar, não devia ter mentido a ela sobre ser seu pai.

-Ela odeia o pai!-defendeu-se.-Me odeia! Ela me acha um canalha! E por que Shiori disse a ela que sou um canalha?

Ann’louise pareceu hesitar antes de responder.

-Vamos até minha casa. Tenho algo a lhe dar.-disse virando uma esquina.-Não se preocupe. Se seu protegido não a encontrar, ela logo dará notícias. Ela sempre me liga.

Shopping de Chuo-ku, próximo à estação Mitsukoshi-mae.

Hyoga havia pegado um trem pela linha Ginza e parou na estação Mitsukoshi-mae, seguindo a indicação da advogada de que em Chuo-ku era o local preferido de Kagome para fazer compras.

Não imaginou o porquê de ela estar ali, mas lembrou-se de muitas vezes ter visto e acompanhado Saori em compras, quando ela queria simplesmente relaxar, desestressar, esquecer dos problemas. Talvez Kagome fizesse o mesmo.

E para a sua surpresa, a avistou entrando em uma loja de grife. Suspirou aliviado por ter encontrado a garota e foi atrás dela. A viu olhando para uma blusa vermelha em um balcão.

-Esta não combina com você.-disse Hyoga, espantando Kagome e mostrando a ela uma outra blusa, na cor azul.-Esta sim é mais a sua cara.

-Como me achou?

-Ann’louise me falou dos lugares onde costuma ir.

-Estou deprimida.-suspirou a menina colocando a blusa vermelha de lado e pegando a azul que Hyoga indicara.-Sempre gasto dinheiro quando estou deprimida.

-Eu realmente lamento sua perda.

-O que você sabe sobre minhas perdas?-perguntou irritada.

Hyoga desviou o olhar, tocando um cachecol sobre o balcão.

-Perdi minha mãe quando tinha apenas seis anos de idade.-ele respondeu.

-Eu...Gomen nassai!-ela se inclina, vermelha, envergonhada pelo o que havia dito.-Eu não sabia...eu...

-Já faz tempo.-ele disse.-Não precisa ficar assim.

Kagome levantou-se, ainda envergonhada. Mas Hyoga colocou o cachecol em volta do pescoço dela.

-Se fazer compras te deixa feliz...posso fazer-lhe companhia?-perguntou sorrindo.

-Hai...

Algum tempo depois, estavam Kamus e Ann'louise em uma casa, localizada em um bairro residencial da cidade. A residência era simples, tanto no tamanho quanto na mobília, toda em estilo oriental. O cavaleiro reparou no bom gosto da advogada em decorar a casa, bem como alguns bichinhos de pelúcias espalhados pelos cantos, e vários livros de literatura, incluindo todos os volumes de um livro sobre um menino bruxo, ao lado de livros de sobre poesia e advocacia.

-Seu gosto é bem eclético.-tocando os livros.

-Gosto de ler. Simples assim.-ela respondeu, entrando na sala com uma bandeja com chá, se ajoelhando e colocando em uma mesinha de centro.-Beba um pouco, precisa relaxar.

- Ann'louise, não estou muito afim de beber chá.

-Agora.-ela disse enfática, colocando a xícara no lado oposto ao dela e olhando para Kamus.

Ele se sentiu como um menino sendo repreendido pela mãe e obedeceu imediatamente, ficando ajoelhado diante da mesinha, conforme o costume japonês. Ela bebeu um gole, e então colocou a xícara na mesa, fitando o cavaleiro.

Em seguida foi até um armário e pegou uma caixa, entregando a ele.

-Shiori o procurou quando soube que esperava Kagome.-disse a advogada.-Ela o procurou naqueles números de contato que você havia deixado, após ir embora do Japão por causa de seus “afazeres”.

Kamus notou a maneira que ela enfatizou aquela palavra, em seguida olhou para a caixa.

-Ela descobriu sobre o que você fazia...sua missão.

-Você sabe...?-Kamus ficou espantando.

-Shiori não entrou em detalhes sobre isso comigo.-suspirou a advogada.-Apenas me disse que sua vida e sua profissão eram perigosas demais para que se distraísse com uma família. Ela sabia que o que você fazia era muito importante! Por isso, decidiu que não o procuraria...ela não queria que isso viesse a atrapalhar sua vida.

-Como ela pode decidir isso sem me consultar?-o cavaleiro ainda estava ressentindo.-Eu voltei ao Japão para procurá-la...e não a encontrei mais.

-Ele teve seus motivos não? Quando Kagome começou a perguntar sobre quem era seu pai, Shiori sabia que a menina era independente o suficiente para tentar procurá-lo onde quer que esteja. Por isso...disse aquelas coisas sobre você a ela.-ela empurra a caixa para Kamus.-Por favor, leia as cartas. Ela as escreveu para você, mas nunca as enviou. Mas agora que ela se foi...

Kamus tocou na caixa e em seguida a abriu, começando a ler pela ordem das datas, como estavam cuidadosamente arrumadas, segundo a vontade de Shiori. Ann'louise recolheu as xícaras de chá e se afastou, dando ao cavaleiro a privacidade que precisava.

Em silêncio, Kamus lia as cartas.

Shopping de Chuo-ku.

Haviam passado por diversas lojas, na sua maioria Kagome apenas experimentava as roupas e não comprava nada. Fez Hyoga vestir diversos modelos da última moda, compraram CDs, e por fim, carregando algumas sacolas de compras pararam na praça de alimentação onde tomavam sorvete.

-Me diga uma coisa, Hyoga.-perguntou Kagome, fazendo o cavaleiro de cisne desviar sua atenção do sorvete para a garota que tinha o olhar dirigido a algumas crianças e seus pais.-Seu amigo Kamus-san, ele conheceu meu pai?

-Hã? Eu...por que pergunta isso?

-Porque ele é francês como meu pai. E minha mãe confiou a ele praticamente a minha vida.-ela o fitou.-Ela não faria isso com um estranho qualquer. Então acredito que ele tenha conhecido meu pai.

-Bem, eu...-Hyoga pensava no que dizer.

-Queria saber com o senhor Kamus se meu pai era realmente um canalha como minha mãe dizia.-o rapaz quase engasgou.-Porque apesar dela falar isso com tanta convicção, eu acho que ela o amou a vida toda! Se ele a amava, porque foi embora?

-Sinceramente eu não sei, Kagome.-respondeu jogando o resto de sorvete na lata de lixo.-A única pessoa que poderá responder tais perguntas e outras que você tem é seu próprio pai, Kagome.

-É, eu sei.-suspirou.-Acho que o Kamus-san deve estar bravo por eu ter fugido.

-Conhece o mestre Kamus. Eu acredito que esteja mais preocupado com você do que chateado.-sorriu.-Ele não costuma demonstrar o que sente, Kagome. Seja paciente. Ele é a sua família agora.

-Hai.-ela sorri.-Acho que ele vai é pirar comigo antes.

-Provavelmente.-ele riu.-Será que posso ligar para a senhorita Ann’louise e avisá-la que a encontrei?

-Não. Eu ligo, tá?-ela pegou o celular, discando o número da amiga.

Próximos a eles, dois homens de terno discam um número em um celular.

-Encontramos ela, Kobayashi-sama.

Ann’louise ficou a uma distância discreta, deixando Kamus a vontade para ler as cartas de Shiori, não disfarçando a curiosidade em saber o que estava escrito nas missivas, mas sabia bem que seu conteúdo não era para ela.

Kamus, lia a carta com total atenção, eram relatos sobre sua gravidez, sobre o pai autoritário que tornava sua vida difícil, sobre o nascimento e o crescimento de Kagome. Sobre ela escrevia coisas que Kamus notava o orgulho da mãe pela filha, haviam fotos de Kagome desde recém nascida entre as cartas.

Mas foi em um bilhete de despedida que Kamus emocionou-se mais.

Querido Kamus...

Se estiver lendo esta carta significa que eu não consegui vencer a doença que me consumia nos últimos meses e parti desta vida.

Perdão por não ter te contado antes. Não queria que se preocupasse a toa comigo.

Kagome se parece tanto com você. É tão segura de si, de seus atos. Tão madura quando deseja demonstrar. Sei que ela faz coisas para atrair minha atenção e até para mostrar que sente falta de você.

Agradeço sua sinceridade em abrir seu coração ao me contar sobre você, sua vida, sua missão. Foi a forma mais sincera que você encontrou para me dizer que confiava em mim...que me amava.

Mas...Não há lugar para uma família na vida de um cavaleiro, eu sei.

Você não pode enfrentar seus inimigos, continuar sua luta, pensando na proteção de uma esposa ou filha.

Espero que me perdoe, por não dizer a ela quem você era de verdade. Mas eu fiz o que pude para proteger nossa filha. Dizer a ela aquelas mentiras foi muito doloroso, senti-me suja com elas. Mas precisava fazer com que nossa filha não quisesse procurar por você.

Mas agora estou morrendo, e temo pelo futuro dela. Temo que ela fique com meu pai e se torne como ele. Por favor, não permita que nossa menina seja uma pessoa sem sentimentos como o avô.

Por favor, entregue a ela as cartas seladas. Lá eu contarei a ela tudo sobre o homem honrado que é o seu pai. Ela terá orgulho disso.

Saiba meu querido, que sempre o amei. Em todos estes anos, jamais consegui esquecer os dias que passamos juntos.

Eu vivia uma vida de ilusão, ela era vazia. Você me deu a vida.

Sempre irei te amar, até mesmo na outra vida.

Adeus, meu amor.

Sempre sua...

Shiori.”

Kamus guardou o bilhete ainda assimilando as palavras nela contidas, Ann’louise aproximou-se oferecendo a Kamus uma dose de uísque, ele aceitou a bebida.

-Achei que iria querer algo mais forte que um chá.

-Merci.-tomou um grande gole.-Ela temia que o avô lhe tomasse a filha?

-Sim. Mas enquanto a irmã mais velha de Kobayashi Kensei estava viva, ele não se atreveu.- Ann’louise baixou o olhar.- Ele está velho e não tem descendentes diretos. A filha se foi. Agora, todos que podiam cuidar de Kagome e protegê-la da influência do avô se foram, não sei o que fazer.

-Não diga isso. Ela tem a você.-disse Kamus.-E a mim também.

Então o celular tocou, e a advogada apressou-se em atender ao ler o nome de quem a chamava.

-Espero que tenha uma boa explicação para o seu sumiço, mocinha!-foi logo dizendo ao atender o aparelho.

-É Kagome?-Kamus perguntou apreensivo e Ann’louise fez um sinal positivo com o polegar.

Do outro lado da linha, a garota se desculpava e falou aonde e com quem estava.

-Estamos indo buscar vocês, está bem?-disse a advogada desligando o celular.-Ela está bem. Está em Chuo-ku.

-Fico aliviado em ouvir isso.-Kamus fechando os olhos, agradecendo a Atena por ela estar bem.

-Está com seu amigo, Hyoga. Ela falou que vão ao cinema no Shopping enquanto nos esperam.

-O que? Cinema? Você acaso sabe o que os rapazes fazem com as meninas quando vão ao cinema com elas?-pegando ela pelo ombro.

-Assistir filmes?-respondeu com olhar sério.

-Isso e outras coisas pervertidas. Vamos logo!

-Fala a verdade...você já fez muito isso.-disse novamente com a voz e o olhar sério, congelando o cavaleiro.-Eu sabia.

-Vamos!-disse Kagome, desligando o celular, pegando o cavaleiro pelo braço e o arrastando.

-Aonde?-Hyoga sem entender.

-Ao cinema! Está passando um filme novo do Jean Reno. Eu o adoro!

-Mas, espera! Você não avisou a senhorita Ann’louise que estávamos aqui?

-Falei que ia ao cinema também.-olhando suplicante para o cavaleiro.-Onegai...vamos ver o filme?

-Ah, está bem...eu...-sorri para a jovem.-Eu vou gostar muito de ver um filme ao seu lado.

-Fico feliz em ouvir isso!

Deram alguns passos, mas foram barrados por vários homens de terno negro e óculos escuros. Hyoga ficou tenso, e Kagome segurou firme em seu braço.

-Senhorita Kobayashi.-um deles disse olhando para a menina.-Venha conosco, por favor.

-Ir com vocês? E se eu não quiser?-desafiou.

-Não tem escolha.-respondeu o mesmo homem.

-Ei, não escutou o que a senhorita disse?-Hyoga fala com um sorriso nos lábios.-Ele não quer ir com vocês.

-Sugiro que não se intrometa, gaijin!-o segurança falou em um tom rude.

-Queria ver você me obrigar a isso.

Hyoga diz, mantendo o sorriso confiante no rosto. A temperatura ambiente começa a cair.

Continua...



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