Help
Home Just In Communities Forums Beta Readers Dictionary Search
: B s . A A A    : full 3/4 1/2   : E E   : Light Dark Books » Harry Potter » Como mágica

Ayumi-tenshi
Author of 113 Stories

Rated: K+ - Portuguese - Romance/Hurt/Comfort - Draco M. & Pansy P. - Reviews: 12 - Updated: 12-15-08 - Published: 02-15-08 - id:4074415

Nota: Além de curtinho, essa ficou meio introspectiva... :(


5. Pecado

Se Deus realmente existisse, se realmente estava lá, em todas as partes, observando cada ação, cada gesto, cada palavra, Pansy tinha certeza de que ela, em particular, já estava condenada ao expurgo desde o dia em que aprendera a caminhar sobre suas duas pernas. Mas ao invés do pensamento assustá-la e coagi-la a fazer apenas boas ações pelo resto de sua vida, ele apenas lhe dava uma estranha espécie de liberdade tranqüilizadora.

Se ela já estava condenada, podia fazer o que quisesse. Se o final seria o mesmo não importasse o que ela fizesse para se redimir, ela podia muito bem deixar a conversa de boa moça de lado e aproveitar.

Se existia um pecado, Pansy tinha gosto em dizer que já o praticara. Mais de uma vez, em diferentes contextos, com diversas interpretações. Ela os misturara, banhara-se neles, os respirava.

Quando ninguém estava olhando, ela comia como um trouxa do campo. Quando via um espelho, parava para mirar-se nele, não importando o quão atrasada estivesse. Quando estava de bom humor, podia discorrer por horas sobre a vida alheia. E, quando não estava, podia inventar as piores mentiras apenas para difamar e machucar.

Mas, principalmente, quando a oportunidade aparecia, roubava o que estivesse à sua frente. Respostas de uma prova, doces em uma prateleira, olhares, amigos, namorados. Se ela já estava condenada, então não havia nada que ela não pudesse pegar para si.

Foi assim que ela roubou a atenção de suas amigas; beijos de Draco atrás das estufas; resoluções de exercícios da sangue-ruim amiga de Potter; o colar de pérolas de sua mãe; o tempo, a atenção, a desesperança de Draco.

Ela teria roubado Draco para si por inteiro se pudesse, mas a oportunidade nunca vinha e ela ia deixando para depois. Contentando-se em roubar dele coisas pequenas, sem valor; uma pena velha, uma inimizade, um abraço. Ela passou a odiar Potter porque Draco odiava Potter. E quando Draco estava ocupado demais para odiá-lo, ela tomou seu lugar e odiou-o por ele.

Mas nela, que já era pecadora por natureza, o ódio cresceu e frutificou. Tudo era motivo para odiá-lo. Se ele não existisse, o mundo de Pansy seria melhor, mais feliz. Draco estaria mais próximo de ser seu.

Ela fingia contentar-se com abraços sem explicação, apertados demais para o seu gosto, olhares cada vez mais vagos e beijos cada vez com menos importância. O culpado era Potter. Tudo era culpa de Potter.

Ela quis roubar-lhe a vida, ela quis por um ponto final naquela brincadeira que parecia não terminar nunca – Mas ele está ali! Potter está ali! (ali, a apenas um passo de morrer e devolver à Pansy a vida que de direito era dela) –, mas o momento não era aquele; a oportunidade não era aquela. Ela desejou a morte de Potter com cada fibra de si, mas ele não morreu.

Aos poucos, Pansy percebeu que a liberdade em que vivia nunca fora eterna. Em algum momento o peso dos pecados que cometera tão orgulhosamente teria de cair sobre ela. Algum tipo de punição ela tinha de receber.

O expurgo estava recém começando.



Return to Top