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: B s . A A A    : full 3/4 1/2   : E E   : Light Dark Anime/Manga » Gundam Wing/AC » Dó Sustenido

Daphne Pessanha
Author of 52 Stories

Rated: M - Portuguese - Romance/Drama - Treize K. & Zechs M. - Reviews: 31 - Updated: 05-17-08 - Published: 03-15-08 - id:4132226

NA: Eu sei, eu sei, a primeira pergunta que vocês devem estar fazendo: "E quanto a Operação Cupido II, e Sr. & Sr. Yuy? Ela posta nova fic e nem termina as outras?" Bem, infelizmente essas duas fics entraram em HIATUS porque a musa delas fugiu. Estou caçando a infeliz, mas até o momento não tive sorte. Em compensação uma nova musa surgiu e eu não pude recusar a generosidade dela, pude? Óbvio que não.

Essa fic vai ser postada aos poucos, não garanto capítulos rápidos, mas tentarei me esforçar e peço a todos paciência.

Disclaimer: Nada me pertence, infelizmente, senão já teria traçado o Zechs para mim faz tempos.

Shipper: 13x6, 1x2, quem sabe um 3x4.

Notas: Yaoi (talvez lemon), AU (universo alternativo) e etc.

Resumo: Ele precisava do emprego, precisava do dinheiro, mas lidar com crianças arrogantes nunca foi o seu forte, menos ainda lidar com o pai delas. O que um jovem estudante pode então fazer quando em seu caminho entra um sujeito cujo primeiro sentimento que lhe desperta é a vontade de estapeá-lo no meio da cara e gritar de ódio? Apaixonar-se é claro!


DÓ SUSTENIDO

ACORDE INICIAL

A primeira impressão é sempre a que fica!

Ele precisava do emprego, era o que dizia a si mesmo enquanto via o endereço anotado em uma letra rebuscada na folha de papel entre seus dedos longos e firmes. Ele precisava do emprego e do dinheiro. Repetiu mais uma vez mentalmente, pensando logo em seguida que a sua mãe acharia o fundo do poço vê-lo em frente aquela grande mansão prestes a desperdiçar seu talento ensinando pré-adolescentes ricas a tocar piano. Porém, no momento, a opinião da sua doce mãe não contava, pois a mesma estava em uma casa de repousou sofrendo de Alzheimer. Se ela ao menos lembrasse o seu nome, seria milagre ela lembrar de repreendê-lo por causa da proposta.

E ele precisava do emprego. Tinha contas a pagar e a clínica de repouso não era barata. Já morava em um diminuto apartamento para assim poupar despesas, a luz estava cortada há um mês, pois era cara demais e ele apenas lembrava-se de pagar o condomínio e o aquecimento, pois o inverno alemão não era de perdoar os pobres desavisados. E claro, havia a faculdade. Era bolsista, mas ainda sim os livros, material e o metrô não eram de graça.

Mais uma vez olhou para o endereço entre seus dedos e soltou um sofrido suspiro, enfiando o papel no bolso de qualquer maneira e puxando a gola de seu longo e surrado casaco mais para cima do rosto, tentando aquecer as suas bochechas rosadas por causa do frio. Hesitante, encaminhou-se até o interfone atrelado a uma pilastra de pedra onde ficava preso o enorme portão de cobre e o tocou. Pacientemente esperou por uma resposta.

Uma voz metálica e rouca pela idade o respondeu, inquirindo o nome e motivo da visita e ele rapidamente cedeu todos os dados. Logo estática soou do interfone e segundos depois o velho portão começou a ranger na clara indicação de que estava sendo aberto. Ainda incerto, atravessou as ricamente trabalhadas grades e tomou o caminho de pedras levemente molhadas pela neve derretida da manhã rumo à entrada da enorme construção.

Antes mesmo que pusesse os pés no primeiro degrau de entrada, a pesada porta de carvalho abriu-se e um homem anormalmente magro, rosto marcado pelo tempo, cabelos grisalhos e rareando e vestido com o tradicional uniforme de mordomo o cumprimentou. O rapaz torceu levemente o nariz bem feito, sentindo o cheiro do dinheiro emanar do criado. Ter um mordomo era sinônimo de status, poucos treinados pela velha escola inglesa ainda existiam no mundo e talvez ele tenha visto um ou outro em um dos poucos hotéis de luxo no qual conseguiu tocar para conseguir um trocado.

- Queira entrar senhor. – disse polidamente o homem, a voz rouca sendo a mesma que o respondeu pelo interfone. – Milady Mariméia o espera. – continuou e o rapaz pisou vagarosamente casa adentro, com a leve sensação de que logo o senhor perceberia que o jovem não pertencia àquele lugar devido as suas roupas tão mundanas e o enxotaria a pontapés dali. Ou então soltaria os cachorros sobre ele. Discretamente recuou um passo, inclinando-se para trás e olhando sobre o ombro na vã tentativa de ver se tinha algum canino sedento por sangue zanzando no quintal. Nada encontrou.

Respirou fundo, tomando coragem e assim finalmente entrou na casa. O mordomo estendeu uma mão pedindo claramente pelo casaco que ele usava e o jovem hesitante retirou a peça de roupa, a entregando. Viu quando as sobrancelhas grisalhas do homem se ergueram questionando o estado do casaco e ele deu um sorriso sem graça. A vestimenta de couro havia sido um capricho do passado, quando com algum dinheiro sobrando ele vira a roupa na vitrine de uma loja e a comprara. Estava começando a desbotar por causa do uso excessivo e a desgastar nas extremidades, mas ainda sim cumpria brilhantemente a sua função de aquecer.

Esperou que o homem em sua lentidão causada pelo acumulo de anos sobre a terra guardasse o casaco no roupeiro perto da porta e quando o mesmo o fez, começou a acompanhar os passos praticamente arrastados do mordomo ao longo da casa. Seus olhos inquietos observavam atentos a tudo a sua volta, talvez surpreso diante de tamanho luxo ou então registrando possíveis saídas para quando fosse preciso fugir daquele lugar ao perceber que não era apto para o cargo.

Nunca fora paciente com crianças, pois sempre fora filho único, embora em sua longa memória, lá no passado, ele recordasse de um bebê em seus braços sorrindo para ele, mas logo como a lembrança vinha, ela ia. O aviso no setor de empregos da faculdade havia sido um chamariz. Ele era curto e sucinto e não estipulava coisas como quem era o contratante, a carga horária ou qual seria o seu salário. Apenas pedia alguém competente para o trabalho. Não saberia dizer o que o incitou a arrancar o panfleto do mural e marcar a entrevista. Lembrava-se de que uma voz firme e amedrontadora tinha lhe feito perguntas que o fez corar e por um breve momento pensou em desistir mas rapidamente voltou atrás.

Perdido em pensamentos acompanhou o sujeito até que este parou em frente a grandes portas duplas de vidro, as abrindo e ao mesmo tempo bloqueando a sua visão para o que tinha dentro da sala. Novamente a voz rouca chegou aos seus ouvidos e ele espichou-se para ver sobre o ombro com quem o velho falava. Quando este se virou abruptamente em uma velocidade que surpreendeu o rapaz, o mesmo tropeçou sobre os pés, quase caindo no chão.

- Por favor senhor. – o mordomo fez uma reverência que pareceu fazer seu nariz fino e comprido tocar os joelhos magros enquanto estendia o braço fraco em direção a porta. Puxando a alça de sua bolsa surrada mais para sobre o ombro, ele passou pelo criado e adentrou a sala, olhando-a com a mesma curiosidade e inquietação que fez com o restante da casa.

O local era amplo, um salão espaçoso que tinha poucos móveis de decoração e duas grandes portas de acesso aos bem cuidados jardins dos fundos. Quadros de pintores conhecidos enfeitavam as paredes peroladas e o jovem não duvidou nem por um momento que fossem a versão original. Um enorme piano de cauda acompanhava a decoração e parecia impor-se solitário no centro do salão. E, ao lado do instrumento, estava uma menina por volta de seus dez anos, usando um longo vestido amarelo girassol de mangas compridas e cheio de rendas e laços. Seus cabelos curtos e escandalosamente ruivos eram presos com um laço de mesma cor.

Ela parecia uma bonequinha da mais fina porcelana chinesa, se não fosse pelo olhar azulado contrariado que o direcionava. Arriscou dar um sorriso na direção dela, mas foi apenas cumprimentado com uma expressão atravessada.

- Sente-se! – ordenou com uma voz aguda e autoritária e o rapaz arqueou as sobrancelhas diante da petulância da garota. Por um breve momento ao vê-la pensou que teria seus pré-conceitos jogados em terra, mas parecia que em ao menos alguma coisa não estava enganado. Vagarosamente caminhou até a jovem e tomou sua posição no banco do piano, com a ruivinha prontamente acomodando-se ao seu lado. – Me ensine. – continuou no mesmo tom e ele sentiu ímpetos de esganá-la se não fosse por um porém:

Esta era uma aula experimental, era apenas para saber se ele estava a altura de ser professor da garota e, repetiu mais uma vez mentalmente além de estar contando até mil, ele precisava do emprego.

- E então? O que está esperando? – continuou petulante, cruzando os braços sobre o peito magro e o jovem engoliu um suspiro.

- Talvez que tal começarmos nos apresentando como manda a boa regra da educação? – finalmente falou, estendendo uma mão para ela. – Eu sou Zechs Marquise. – disse e viu com desagrado os olhos azuis mirarem a sua mão estendida com ar de desprezo, como se a mesma tivesse sido mergulhada no lixo, e a pose arrogante da menina não esmoreceu.

- Deveria saber quem eu sou operário! – rebateu a garota em tom ultrajado e Zechs sentiu vontade de soltar uma resposta atravessada para ela. Não fazia a mínima idéia de quem era essa fedelha e para ele não importava nem um pouco. – Eu sou Mariméia Khushrenada! Herdeira da maior corporação da Alemanha. – famosa quem? Pensou o jovem com as sobrancelhas loiras franzidas. – E você me chamará de Milady Khushrenada! – ordenou e o rapaz quis matá-la neste exato momento. Ficava surpreso de saber que ainda existia gente desse tipo no mundo e já conseguia visualizar o futuro dela.

Uma jovem bonita, extremamente rica e absurdamente mimada que sempre teria tudo num estalar de dedos, viveria do dinheiro do pai e não saberia ferver nem uma água se a sua vida dependesse disso. Com certeza se casaria com um milionário idiota pasmado pela sua beleza e o mesmo comeria na palma da mão dela. Apostaria que o dito homem seria absurdamente mais velho que ela e em pouco tempo teria uma coleção de chifres adornando a cabeça.

Deus, como odiava crianças!

- Como queira Milady Khushrenada. – disse entre dentes, com o sorriso falso estampado no rosto. – Me diga, até onde vai o seu conhecimento das notas musicais? – quando viu o rosto pálido adquirir uma expressão confusa, soltou outro suspiro. Seria uma longa e dolorosa tarde.

Continua...


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