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Branca Takarai
Author of 53 Stories

Rated: T - Portuguese - Romance/Drama - James P. & Lily Evans P. - Reviews: 507 - Updated: 05-10-09 - Published: 04-10-08 - Complete - id:4189009

One in a million

Resumo: Universo alternativo. Lily era uma grande fã do grupo The Marauders. Mal imaginava ela que o destino ainda iria lhe pregar uma peça e arremessá-la de pára-quedas na vida daqueles rapazes. JL.

Nota da autora: Nossa, faz muito tempo que eu não escrevo nada de Harry Potter. Espero não ter enferrujado. Eu tinha planos para esse fic há algum tempo para outra série (e como eu tive que mudar, podem ter sobrado alguns nomes trocados, eu li mais de uma vez e espero que esteja tudo ok), mas resolvi adaptá-lo para Lily e cia. Vai ser um UA (também é a primeira vez que escrevo algo sem magia...). No mais, boa leitura.

Capítulo 01 – O grande show e o plano de fuga

– Por favor! – eu já estava praticamente de joelhos. – Por favor, por favor, por favor, por favor...!!

– Se você disser outra vez essas duas palavras, Lily, juro que nem pensarei no caso – minha mãe resmungou sem tirar os olhos da cenoura que cortava para terminar o almoço.

– Mãe! A senhora precisa entender a situação!! – exclamei exasperada. – Essa é a primeira, e pode ser a última vez que The Marauders vêm a Birmingham!! Eu vou morrer se não for a esse show!

– Como é exagerada – minha mãe não entendia. Nem um pouquinho! – Eu não sei se quem você herdou isso. Seu pai não era dramático, eu não sou dramática... Talvez tenha sido sua tia avó que passou essa característica ruim para você...

– Eu não quero que a senhora diga de quem eu herdei minhas características! – quase gritei. – É só dizer: ‘Pode ir ver o seu príncipe, Lily!’. Tão simples. Diga, por favor, por favor, por favor...!

– Quero ver suas notas – aquilo foi um balde de água fria.

– Minhas... Notas? – murmurei fingindo ter entendido errado.

– Sim, Lily, suas notas. Você só irá a esse show se tiver com pelo menos metade do boletim com notas razoáveis. Senão, ficará em casa curtindo a sexta-feira com a cara enfiada nos livros!

– Eu não posso mostrar minhas notas depois do show? – perguntei esperançosa.

– Acho que você já sabe a resposta – eu não estava preparada para a sentença. – Você não vai a esse show! E nem adianta começar com Remus Lupin é isso, Remus Lupin é aquilo. Ele é apenas um artista!

Abri a boca revoltada, mas nem conseguia pensar no que dizer. Como ela tinha coragem de dizer que Remus Lupin era APENAS um artista? Ele não era apenas um artista! Ele era o cara mais perfeito que eu já tinha visto na vida!! Bonito, inteligente, ótimo baixista! Só não era muito sociável, mas toda pessoa tem algum defeitozinho.

– E sinceramente, Lily, não sei como você agüenta – ela continuou com os resmungos diante do meu estado de surpresa total. Ela até podia me proibir de ir ao show, mas não podia ficar falando aquilo do Remus! – É música do The Marauders nessa casa vinte e quatro horas por dia... Deve ser por isso que suas notas andam abaixo de zero.

– Não é verdade! – tentei me defender. – Eu só penso nele... Um pouquinho, quase nada!

– Claro – minha mãe disse com um tom de ironia que me deixou profundamente irritada. – ‘O Remus vai aparecer na TV!’, ‘Saiu clipe novo do Remus!’, ‘Música nova do Remus!’, ‘Remus, Remus, Remus!’. Eu acho que vou estar fazendo um grande favor ao garoto em te trancar em casa no dia desse show! Você seria capaz de subir no palco, agarrá-lo e tentar levar alguma coisa de recordação...

– Eu não...! – comecei a dizer revoltada, mas logo parei. – É boa idéia.

Minha mãe girou os olhos e voltou a atenção para o almoço.

– Ao que eu sabia o grupo é formado por quatro garotos – ela disse enquanto eu já começava a arquitetar um plano para fugir e ir ao show. – E você só fala no tal de Remus. Não está na hora de mudar o disco?

– Sim, é o Remus e mais três – balancei os ombros. – Mas o Remus é o líder, ele formou a banda com muito custo porque o vocalista não queria participar de jeito nenhum, ninguém sabe ao certo como ele conseguiu convencê-lo. Bom, eu não vou ficar aqui tentando convencê-la a me deixar ir – falei drasticamente. – Começarei a preparar tudo para o meu enterro.

Ela simplesmente riu! Eu ia ter um troço por culpa dela e ela apenas ria descontroladamente!!

Bati a porta com força ao passar. Era claro que eu não iria ficar sentada esperando que aquele show passasse! Eu já estava esperando por aquilo há mais de um ano. Não podia ir aos shows em Londres porque minha mãe começava com uma ladainha de que eu não podia me ausentar, que tinha a escola, e eu não conhecia ninguém em Londres. Como se eu já não fosse grande o suficiente para me cuidar sozinha!

Ela nem imaginava que eu já havia comprado o ingresso. Mais de quatro horas na fila (detalhe, eu fugi da aula para fazer isso, e com certeza se minha mãe soubesse, seria mais um dos motivos pelo qual ela daria o sonoro ‘Não’).

E eu já idealizava que ela fosse negar. Eu pedi apenas para não ficar me sentindo mal depois. Eu tentei do meio licito. Ela não aceitou. Pois bem, irei do meio ilícito mesmo!

Eu já tinha tudo combinado com Melissa e Alice. Elas também iriam ao show. Melissa porque gostava do som da banda, e Alice porque queria o ver o baterista, Sirius Black.

A semana passou praticamente se arrastando, e no dia do show eu estava elétrica, e o pior, não podia estar! Minha mãe não poderia perceber. Eu continuava fazendo meus dramas, choramingando pelos cantos e gritei o máximo que pude quando um canal mostrou o momento em que eles chegaram a Birmingham. Minha mãe apenas se fazia de surda.

Depois, fingi que fui dormir mais cedo, e dei a desculpa de que não queria ser incomodada e tranquei a porta do quarto. Morávamos no terceiro andar. Dava para descer usando uma ‘corda’ improvisada. Lá embaixo, Melissa e Alice já me esperavam.

– Você acha que sua mãe não vai desconfiar mesmo? – Melissa perguntou preocupada.

– É claro que não! – fiz um sinal de impaciência. – É só voltar para casa depois que o show acabar.

– Eu acho que você não é apenas fã do Remus – Melissa girou os olhos. – Já virou idolatria, loucura...

Melissa era um pouco mais alta do que. Era morena, olhos claros e um belo rosto. Era uma das minhas melhores amigas desde que eu me entedia por gente, mas volta e meia nós nos desentendíamos por causa da ‘Loucura’ pelo Remus. Ela não conseguia entender que eu gostava dele e ponto!

– Chame do que quiser – sorri. Estava feliz demais para brigar com ela.

– O show vai ser transmitido – Alice me alertou. – E se a sua mãe te ver pela televisão?

Já Alice era loira e da minha altura. Eu a conhecia a um tempo relativamente curto, mas já a considerava uma grande amiga, pois sabia que poderia contar com ela a qualquer momento. E principalmente, não iria delatar minha fuga para a minha mãe.

– Ah, isso é uma chance muito remota! – falei despreocupada.

Eu mal conseguia conter minha animação. Finalmente eu poderia vê-lo de perto! Saber se ele era tão bonito ao vivo como era nas fotos e pela televisão. Eu já imaginara aquele encontro de tantas formas! E realmente não conseguia acreditar que enfim todos meus sonhos iriam se tornar realidade!

– Lily – Melissa me chamou preocupada. – Você está com uma cara...

– Que cara? – perguntei erguendo a sobrancelha.

– De que vai aprontar! – Alice completou o pensamento, e apenas ri um pouco.

– O que eu poderia fazer? Ele vai estar no palco, bem longe de mim! – falei balançando os ombros.

– Quero ver ela estar nessa tranqüilidade toda quando ele aparecer no palco – Alice comentou com Melissa como se eu não estivesse ouvindo.

– Eu ainda aposto como ela vai pular a grade e subir no palco – Melissa disse estendendo uma nota de cinco.

– Eu acho que ela está com uma blusa por baixo dessa com uma frase do tipo ‘EU AMO REMUS LUPIN!’ – outra nota, mas dessa vez de dez. – Ou pior ainda, do tipo ‘EU QUERO SER SUA, REMUS!’.

– Juro que se você estiver com uma blusa dessas, Lily, irei fingir que não te conheço – Melissa disse chocada.

– Eu não vou pular no palco e muito menos estou com outra blusa! – bufei irritada. – Mas se continuarem dando idéias, vou começar a fantasiar em como seria agarrá-lo!!

Vontade não me faltava, mas se eu subisse no palco ou então começasse a agir como uma fã destrambelhada certamente a televisão iria me focalizar, e minha mãe iria me ver, e o meu enterro não seria apenas um dos meus dramas, mas bem real já que assim que eu colocasse os pés dentro de casa, minha mãe iria me torturar até a morte, lenta e dolorosamente.

Remus era muito perfeito! Com certeza valeria o esforço, mas pelo menos até vê-lo, eu tentaria manter minha cabeça no lugar.

Tudo estava bastante organizado, e não demoramos mais que cinco minutos para entrar no local do show.

– Não acha que compramos lugares muito na frente? – Melissa perguntou quando eu indiquei, totalmente alegre, os lugares na primeira fileira. – Agora eu realmente acho que há um grande risco da Lily pular a grade – disse indicando o gradeado que não era nem um pouco alto. – Quer dobrar a aposta, Alice?

– Que coisa! – exclamei emburrada enquanto largava-me na cadeira.

Ainda faltava mais de duas horas para o inicio do show.

– Vocês sabiam que além de baixo o Remus também toca piano? – perguntei tentando não roer as unhas.

– Sabemos... – Alice e Melissa disseram em uníssono.

– E que ele é o líder da banda? – tornei a perguntar.

– Sabemos...

– Ele nasceu na Inglaterra, é filho de uma inglesa com um francês – falei animada.

– Nós sabemos de tudo isso, Lily! – Melissa disse impaciente. – Será que você só lembra do Remus? Ele não é o único na banda! Quando você escuta as músicas não presta atenção na voz do James?

– Claro – falei desinteressada. – Ele canta bem.

– Bem? – Melissa exclamou revoltada. – Ele sim que é perfeito! É o líder da banda na frente dos outros! Remus só manda nos bastidores!

– Oh – sorri amplamente. – Acho que descobrimos a razão pela qual Melissa veio ao show, Alice. Aquela história de ‘Curto o som deles’ era mentira! Ela quer ver o James!

– Não é nada disso! – Melissa corou até a raiz dos cabelos. Bom, pelo menos agora ela iria me deixar em paz durante o show (leia-se, eu poderia gritar o quanto quisesse).

Logo começou uma discussão daquelas de quem era o melhor. Remus ou James. Eles tinham estilos completamente diferentes. Era difícil dizer. Remus ficava a maior parte do tempo na dele, apenas tocando o baixo e fingindo não ver ninguém da platéia. James, ao contrário, parecia ser movido a eletricidade, não parava em momento algum, andava de um lado para o outro o tempo todo, conversava com o público, só não era muito de sorrir, mas volta e meia um sorriso discreto surgia em seus lábios, principalmente quando os fãs começavam a cantar as músicas junto com ele.

Eu e Melissa ainda discutíamos quando as luzes do palco se apagaram de uma vez, e as silhuetas de quatro pessoas apareceram. Gritei e senti meus olhos se encherem de lágrimas. Finalmente! Depois de mais de um ano de espera. Eu poderia vê-lo. A multidão foi a loucura quando Peter começou os primeiros acordes de Link, uma das músicas mais conhecidas deles, mas as luzes não se acederam de imediato. Sirius acompanhava na bateria, e Remus no baixo, mas as luzes se acederam apenas quando James começou a cantar.

Confesso que não prestei atenção na música, e a voz de James estava bem distante. Eu conseguia apenas olhar para Remus. Ele estava todo de preto, uma blusa sem mangas com gola alta, a calça não tinha qualquer detalhe. Os olhos olhavam distraidamente para as pessoas não se prendendo em ninguém. Ele estava ali! A poucos metros de mim. E seria o mais próximo que eu conseguia chegar dele.

E bem, ele era dez vezes mais bonito do que nas fotos e na televisão.

– Anda, Lily, não vai chorar! – Melissa exclamou segurando o meu braço com força, e depois me fez começar a pular. Eu ri enquanto puxava Alice. A música era agitada, ótima para começar o show. – E, negue agora que James canta bem.

– Eu não neguei! – gritei em resposta já que o som estava muito alto. – Ele canta bem. Só não faz o meu tipo. Deixo-o todinho para você.

– Engraçadinha – Melissa falou em resposta.

Olhei para o rapaz que estava do outro lado do palco. Eu não posso negar. Ele também era um pedaço de desvio de caminho (não tanto quanto Remus). Ele também estava de preto, mas ao contrário de Remus, tinha um ar mais desleixado, os primeiros botões da blusa estavam abertos, e os cabelos pareciam que não tinham visto um pente antes de entrar no palco. Mas aquilo o deixava apenas mais charmoso.

– Tá, Lily, já olhou demais – Melissa riu notando que eu estava olhando para o vocalista dos The Marauders.

O show continuava a mil por hora. Os The Marauders tocaram três músicas seguidas bem agitadas, e eu realmente fiquei impressionada com a habilidade de James. Parecia que o fôlego dele não acabava nunca! Mas, é claro que eu não fiquei muito tempo analisando o vocalista do grupo, e sim ao baixista. Remus volta e meia também fazia a segunda voz, ele e Peter revisavam na função, e bem, eu babava totalmente quando ele começava a cantar, mesmo que fosse apenas ao fundo.

Como uma pessoa podia ser tão perfeita? Aqueles olhos, aquele cabelo, aquela pele, aquela boca...! Tudo o que eu queria era uma chance mínimazinha de me aproximar dele, mas isso eu e mais metade daquele estádio queria. E o mais estranho era que eu era ‘apaixonada’ por uma imagem. Eu sabia que Remus deveria ter seus defeitos, mas tudo o que eu sabia sobre ele era o que as revistas e programas de televisão.

E quer saber? Pouco importava isso naquele momento! Eu só queria curtir o momento pelo qual eu esperava há mais de um ano!

– Boa noite! – James cumprimentou a todos depois de terminar canta a quinta música. – Estou impressionado. Não esperava tantas pessoas assim hoje.

A platéia emitiu um coro de reclamações e James apenas sorriu.

– Não me entendam mal – ele continuou. – Eu soube que algumas pessoas vieram até de cidades vizinhas para nos ver, e isso nos deixa muito lisonjeados. Espero que este seja o primeiro de muitos shows que ainda iremos fazer aqui em Birmingham.

Dessa vez a platéia foi a loucura com o que James disse, e mais ainda quando James falou o nome da música seguinte. Depois de uma onda de músicas agitadas, passaram para uma onda de baladas mais lentas. Eu nem sabia dizer que músicas eu gostava mais. Para mim, todas eram perfeitas.

E o tempo passava voando. Logo estávamos na metade do show. Eu já estava praticamente sem voz de tanto gritar. Melissa e Alice riam dizendo que iriam sair surdas dali, mas eu pouco me importava. Cantava, gritava o nome de Remus, cantava de novo e gritava ainda mais o nome dele.

Nesse momento, James se empolgou ainda mais e desceu do palco. Se Melissa achava que eu gritava, então ela tinha que escutar bem as fãs de James chamando por ele.

James passava em frente a grade, e logo iria passar pelo lugar onde estávamos. Mas quem eu queria ver de pertinho daquele jeito era o Remus! Quando tornei a olhar para o palco vi que havia um estranho por ali. Não era ninguém de apoio da banda porque os homens que estava trocando os micro fones e repondo as palhetas estavam com um colete os identificando. Também não era nenhuma das pessoas ligadas a televisão que estava transmitindo o show. Apertei os olhos tentando ver melhor, mas com toda aquela luz no palco ficava difícil. Eu só conseguia ver que a pessoa estava segurando alguma coisa.

O que aconteceu a seguir foi rápido demais para que qualquer um pudesse entender ou acompanhar. Quando vi que a pessoa segurava uma arma, não pensei duas vezes antes de pular a grade de proteção e atirar James no chão. Claro que foi aquele baque surdo quando ele caiu no chão me levando junto.

– O que está fazendo, garota? – ouvi um dos seguranças exclamar, mas eu ainda estava assustada demais para reagir.

– Ei... – James me chamou pacientemente. – Eu agradeceria se você saísse de cima de mim agora.

Ergui a cabeça e o encarei. Algo naqueles olhos me chamou atenção.

– O tiro! – mas não tinha tempo para pensar naquilo.

– Que tiro? – James ergueu a sobrancelha.

– O cara armado no palco!! – exclamei exasperada.

Percebi que ele ficou pálido, assim como os seguranças ao redor.

– Lily!! – a voz de Alice chamou a minha atenção. Com as pernas um pouco tremulas consegui me levantar, e quase cai outra vez ao ver que a bala havia passado por nós, e atingido Melissa.

– Mel! – murmurei esquecendo-se completamente de onde estávamos. De que eu havia pulado em cima do vocalista de uma das bandas mais famosas do Reino Unido e que em casa minha mãe certamente teria visto isso. A única coisa que passou pela minha cabeça foi: ‘É minha culpa!’, afinal eu havia a convencido a vir, e ainda fiz com que comprássemos cadeiras tão na frente.

– Remus! – ouvi James chamar o baixista. Ele se aproximou da ponta do palco, e o vi arregalar os olhos quando viu Melissa baleada.

Claro que havia muita confusão. As pessoas não conseguiam entender o que estava acontecendo, muitas pensavam que havia sido uma fã louca que tivesse pulado em cima do vocalista da banda. Tudo bem, eu admito, eu sou uma fã louca, mas não pularia em cima de James se não fosse por aquele maluco atirando pra todo lado!

– O show está cancelado!– James disse para Remus.

– Nós temos que continuar! – Remus falou em resposta.

– Fora de questão! – James retrucou em um tom definitivo. – Melissa está ferida! Você deveria ser o primeiro a querer levá-la para o hospital.

Quase cai para trás quando ele disse isso. De onde James e Remus conheciam Melissa? E por que Remus deveria ser o primeiro a se importar com ela?

Mas não tive muito tempo para pensar nisso. Os seguranças já haviam feio uma barreira ao nosso redor, e no palco mais outros seguranças também escoltavam Remus , Sirius e Peter para os bastidores. Com certeza temiam que o atirador ainda estivesse entre as pessoas e tentasse fazer mais alguma coisa.

– Foi só de raspão! – Melissa exclamou entre os dentes.

– Que de raspão, o quê! – James retrucou a ajudando a caminhar. – Não está vendo como está sangrando? Vamos para os bastidores. Richard já deve ter chamado uma ambulância.

– Quanto exagero só por causa de um pouquinho de sangue! – Melissa tentou murmurava, mas estava cada vez mais pálida, até que não agüentou mais ficar de pé e desmaiou nos braços do vocalista dos The Marauders.

– Vamos, Senhor Potter – um dos seguranças disse em um tom alarmado. – Não é seguro que o senhor permaneça aqui.

James rapidamente segurou Melissa no colo, e em passos decididos foi em direção dos bastidores.

– Vocês também devem vir conosco – o segurança disse segurando a mim e a Alice.

– Não – falei nervosa. – Está tudo bem, não é, Alice? Nós vamos sair com o restante do público.

– Vocês irão conosco – o segurança mau encarado repetiu.

– Melhor não contrariar, Lily – Alice disse resignada.

Havia muita correria nos bastidores. Eu sei que deveria estar dando pulinhos de alegria. Iria ver Remus Lupin de perto, mas existiam dois ‘porém’!

1) Minha amiga estava ferida por minha culpa.

2) Eu podia me considerar uma garota morta. Certamente quando eu chegasse em casa, minha mãe iria voar no meu pescoço e não era para me salvar de nenhuma bala.

Quando entramos no camarim, James colocou Melissa no sofá e rapidamente pegou o celular que estava largado em cima da mesa. Não demorou muito para que Remus , Sirius e Peter aparecessem.

Tá. A situação podia ser péssima, mas eu juro que não consegui evitar que minhas pernas começassem a tremer nem que meu estomago desse voltas por ver Remus Lupin de tão perto! Eu já disse que ele é lindo? Ai, Lily, não é hora para isso!

– Como você pode ser tão...! – Sirius dizia entre os dentes para um Remus completamente indiferente.

– Não sei porque essa preocupação toda – Remus respondeu sem se abalar. – Ela não vai morrer por causa de um tiro no braço.

– Sério – Sirius disse bastante irritado. – Às vezes eu tenho vontade de esquecer que você faz parte da família! Ela não tem culpa de ser...!

Peter cutucou Sirius levemente indicando a mim e a Alice no canto. Sirius bufou irritado e foi para perto de Melissa. Tocou levemente o rosto dela, mas rapidamente afastou a mão.

– Ela está gelada! – exclamou assustado.

– Falei com Richard – James disse largando o celular de lado. – A ambulância já está a caminho.

– Você não se machucou? – Sirius perguntou erguendo a sobrancelha.

– Só alguns arranhões – James balançou levemente os ombros. – Eu realmente queria saber quem é esse idiota e o que tem contra mim!

– Vai se saber – Peter se manifestou. – Existem muitos psicopatas a solta por aí.

– Você está calmo desse jeito porque não há nenhum psicopata te atormentando! – James retrucou irritado. Ele não parava de andar de um lado para o outro.

Eu não sabia se era apenas por causa do nervosismo, mas nenhum deles estava agindo como costumava. É claro que estavam alterados, afinal havia uma pessoa baleada no camarim deles, mas mesmo assim estavam preocupados demais (menos o Remus) por causa de uma fã.

E pelo que eu já pude entender, Melissa não é apenas uma fã. Mas eu não conseguia entender qual era a ligação dela e dos The Marauders.

– Eu queria entender a razão para essas ameaças – Remus comentou, mas não parecia nem um pouco preocupado. – Não ir com a sua cara é algo absurdo demais.

– Quem sabe? – James balançou os ombros. – Tem doido de todo tipo pelo mundo.

– Ele bem tem inveja do James – Sirius sugeriu.

– E tentar me matar por isso? – James riu um pouco, mas não era como quando ele estava no palco, muito pelo contrário, era uma risada totalmente irônica. – Esqueçam isso agora, não adianta ficar aqui tentando entender a cabeça de um doido.

Os demais não pareceram ficar muito satisfeitos com isso, mas não retrucaram. E não demorou muito para que o tal de Richard aparecesse. Quase cai para trás quando James o chamou de ‘irmão’. Ninguém nunca havia dito que o empresário dos The Marauders era o irmão mais velho de James Potter!

No mínimo, bem mínimo, aquela noite estava me saindo totalmente estranha! Primeiro, eu estava dividindo a mesma sala que Remus Lupin! Depois, minha melhor amiga foi baleada e todos (menos Remus) do grupo parecem estar realmente preocupados com ela. James estava sendo ameaçado há algum tempo e mesmo assim continuava realizando os shows como se tudo estivesse bem. E eu ali, ouvindo tudo aquilo parecendo ter sido esquecida por todo mundo.

– Você não acha melhor a gente tentar sair de fininho daqui? – Alice sugeriu em um murmúrio.

– Mas... E a Mel? – perguntei preocupada.

– Eles vão cuidar dela – ela disse rapidamente. – Com certeza daqui a pouco vão começar a te encher de perguntas sobre como você viu o cara que atirou, como ele era e um monte de coisas.

– Que eu não quero mesmo responder – resmunguei desgostosa.

– Exatamente – Alice disse balançando levemente a cabeça.

Aproveitamos quando o pessoal da ambulância chegou para levar Melissa e como todos estavam com a atenção voltada para ela, não nos viram sair. Dei uma última olhada em Remus antes de sair. Eu realmente gostaria de ter tido a oportunidade de me aproximar dele de outra forma.

Deixamos o estádio em completo silêncio. Alguns repórteres e fãs estavam tentando descobrir alguma coisa, mas os seguranças eram piores que portas e não falavam absolutamente nada.

– É ela! – exclamou uma das repórteres apontando para mim. – A garota que pulou em cima de James Potter!

Ótimo! Agora vou ser conhecia como ‘A garota que pulou em cima de James Potter!’. Ainda fosse ‘A garota que agarrou Remus Lupin’...

Imediatamente tentei escapar, mas no segundo seguinte eu só vi foi aquele ‘bolinho’ de gente ao meu redor, câmeras, flash. Aquilo estava pior do que se eu fosse uma das estrelas dos The Marauders! E as perguntas então?

O que a fez se atirar em cima de James Potter daquela forma?’

Você tem alguma paixão secreta pelo vocalista dos The Marauders?’

E daí a pior! Paixão secreta pelo James! Faz-me rir!! Ele era bonito e tal... E eu não tenho nada que pensar nisso com esse bando de sanguessugas tentando me matar sufocada!!

Iria gritar quando vi aquela muralha de seguranças na minha frente. Segurei o braço de Alice com força para que não acabássemos nos perdendo naquela confusão, e sei lá como um carro apareceu e os seguranças praticamente empurraram os jornalistas do caminho para que pudéssemos entrar em segurança.

Possivelmente algum dos The Marauders deu por nossa falta e mandou que avisassem aos seguranças que estávamos tentando ir embora. Que tenha sido o Remus que deu por minha falta, que tenha sido o Remus , que tenha sido o...

– Que confusão! – Alice exclamou quando estávamos sãs e salvas no carro.

– Nem me fala – murmurei balançando a cabeça. – Minha mãe vai tentar me matar quando eu chegar em casa.

– Você não quer ir para a minha casa? – Alice perguntou. – Assim só enfrenta a fera só amanhã.

– Não adianta fugir – murmurei após um suspiro.

O motorista perguntou para qual endereço deveria seguir e eu informei tanto o da minha casa como o de Alice, e disse que ele deveria ir primeiro ao que fosse mais próximo, e era a casa de Alice. Antes de descer do carro ela ainda me perguntou se eu não queria mesmo ficar por lá, e eu apenas murmurei uma resposta negativa.

Quando o motorista parou em frente ao meu prédio, agradeci e desci rapidamente. Ainda esperava ter alguma sorte de minha mãe ter dormido no sofá e não ter visto ‘A garota que pulou em cima de James Potter’.

Mero sonho.

Mal abri a porta e minha mãe praticamente repetiu a cena que eu havia feito no show. Só que como eu já imaginava não era para me salvar de nenhum perigo iminente e sim para tentar me matar sufocada!

– MÃE! – gritei tentando, em vão, me livrar dela.

– COMO VOCÊ FEZ AQUILO, LÍLIAN EVANS?! – pobre dos vizinhos que seriam acordados pelos gritos.

– Se a senhora me deixar explicar...! – tentei falar.

– Explicar o que? – ela gritou em resposta. Ela estava me chamando pelo sobrenome. Era MUITO perigoso! – Como fugiu de casa e ainda pulou em cima do vocalista da banda? Você não gostava não era do baixista? Por que tentou cometer atentado violento ao pudor contra o vocalista?

– QUE EXAGERO! – gritei sentindo meu rosto arder. – Eu fugi mesmo!

– E ainda admite na cara dura! – minha mãe colocou as mãos na cintura. Bem, pelo menos meu pescoço ficou livre. Sério. Não sei como o papai agüentava isso.

– A senhora deveria saber que eu iria de qualquer jeito! – continuei fechando a porta e depois larguei-me no sofá. – E eu não pulei em cima dele! Eu o salvei!!

– Pulou – girei os olhos, estava decidida a desistir de explicar. – E em rede nacional.

– Havia um cara no palco, escondido – expliquei pausadamente. – E ele estava apontando uma arma para James. Na hora eu nem pensei, ele estava na minha frente e não havia tempo para fazer nada que não fosse fazê-lo se abaixar. Eu não fiz isso por nenhum surto de fã, ou coisa do tipo, foi impulso. E já me arrependo profundamente do feito. Ninguém me deixa em paz.

– Foi muito perigoso, Lílian – enfim! Ela ficou um pouco sensibilizada com a história.

– Eu já disse, na hora eu não pensei – repeti com mais ênfase. – Além disso, a bala que deveria ter atingido James, acabou pegando em Melissa.

– Como ela está? – minha mãe perguntou preocupada.

– Não sei – respondi encolhendo os ombros. – Alice e eu decidimos que era melhor ir embora. O empresário dos The Marauders chamou uma ambulância e iriam levá-la quando saímos.

– Amanhã você tem que ir visitá-la e pedir desculpas! – eu sabia que iria haver sermão. – Por ter arrastado a pobre coitada para esse show!

– Eu sei que é minha culpa – murmurei tentando não chorar. Não havia feito isso durante a noite inteira, não seria agora que iria começar. – Não me faça sentir pior do que já estou. Se a senhora me der licença, eu vou tomar um banho e dormir.

– Não pense que vai ficar livre do castigo! – a ouvi exclamar, e bati a porta do quarto com um leve baque ao passar. Ótimo. E ainda terei um castigo. As coisas não poderiam piorar!



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